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  • há 2 meses
Quatro mulheres de áreas diferentes participaram de evento sobre empreendedorismo

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Transcrição
00:06Oi, pessoal, tudo bem? Meu nome é Elaine Silva, eu sou jornalista da Gazeta há 25 anos,
00:13fui a primeira editora-chefe mulher do jornal A Gazeta em 90 anos, hoje eu sou a gerente executiva
00:18de produto digital da Gazeta e eu também sou uma das idealizadoras do projeto Todas Elas,
00:23que combate a violência contra a mulher e prega sempre pela valorização de gênero.
00:27O Todas Elas está aqui hoje, de volta a Cachoeiro, ao sul do estado, para um evento incrível
00:33que a gente fez, reunimos várias mulheres e agora a gente está aqui, gente, para gravar
00:37um videocast com quatro mulheres incríveis, que vão inspirar vocês, eu tenho certeza,
00:42com histórias que trazem muita coisa de empreendedorismo, muita coisa também de história pessoal e de vida.
00:49Então hoje a gente vai começar a gravação desse videocast com a minha querida Penha Peixoto.
00:55Penha, gente, ela é bancária, ela está há 37 anos no mercado de instituição financeira
01:03e tem 11 anos na cooperativa, que é o Cicobi Crede Rochas.
01:10Ela é formada em pedagogia, ela tem uma MBA de ação de negócios, foi moradora de Castelo
01:16e agora ela está aqui em Cachoeiro.
01:19Não é isso, Penha?
01:20Eu vou começar com você, para você contar um pouquinho da sua trajetória,
01:23quem é Maria da Penha Peixoto?
01:26Boa tarde.
01:27Você já falou parte aí da minha história, né?
01:30Eu tenho 37 anos de instituição financeira,
01:34comecei bem nova como escriturária de uma instituição financeira, de um banco,
01:39há 11 anos trabalhando em cooperativa de crédito.
01:43Hoje, então, só corrigindo, há cinco anos no Cicobi Crede Rochas,
01:47na agência Aeroporto, em Cachoeiro de Itapemirim, com a dedicação.
01:51A história, a instituição financeira me fez crescer muito como pessoa
01:56e me valorizar como mulher, né?
01:58As dificuldades no dia a dia da gente vêm a cada dia, a cada nascer, a cada amanhecer,
02:05é uma dificuldade diferente, mas que nos traz um aprendizado de grande porte,
02:10de grande percentual.
02:13Comecei, lidamos, trabalhamos, eu comecei trabalhando em uma instituição financeira,
02:19a qual me deu condição financeira para fazer minha primeira faculdade,
02:23que foi pedagogia, nunca exerci, mas foi de grande aprendizado.
02:29Foi através do meu trabalho que eu consegui pagar as mensalidades dessa faculdade até então.
02:35Depois, com o galgar do tempo, eu fui me especializando dentro da área.
02:39Hoje, eu tenho MBA em gestão de negócios, tenho vários cursos de gestão de pessoas,
02:44por trabalhar com gestão de pessoas.
02:46E, automaticamente, nesse dia a dia, a gente viu a necessidade da especialização,
02:53do crescimento, do firmar como pessoa e como profissional.
02:57Eu me fiz dentro da primeira instituição financeira,
03:01ali eu me casei, ali eu me divorciei.
03:06No meu divórcio, eu tive que arcar e tratar com meus dois filhos,
03:11hoje a mais nova com 21 anos, o meu filho mais velho com 26 anos.
03:16Mas, com grande valorização e, com isso, um apego.
03:21O que eu falo dessa experiência?
03:23Eu falo que ninguém casa para separar.
03:26Mas, através dessa lição e o que eu passo no dia a dia,
03:30principalmente para a minha filha,
03:32como nós, mulheres, nós temos que focar naquilo que nós somos.
03:36Como que nós temos que trabalhar e ter a nossa independência financeira
03:40e o nosso sustento.
03:41Porque, através da minha separação, eu tive que arcar com a educação,
03:46com os cuidados do meu filho e da minha filha e levar eles até hoje.
03:51Então, se eu não tivesse focado no meu trabalho, na minha vida profissional,
03:55eu não teria conseguido chegar onde eu estou e dar o que eu dei para ambos,
04:00até hoje, o que eles têm.
04:02Na pedagogia, acaba que você fala assim, é um custão diferente.
04:06Você contou para a gente que uma pessoa foi responsável por você, pelo menos, ter o diploma.
04:11Foi isso que você falou, né?
04:12Então, acho que esse passo também que você está aconselhando a sua filha
04:15foi lá atrás, dado por quem para você?
04:17Dado pela minha mãe, né?
04:19Minha mãe sempre nos ensinou que o estudo é tudo para nós.
04:23E, independente do que você fizer, ela falou,
04:25minha filha, você sempre tem que ter um diploma.
04:27Você tem que ter um diploma.
04:28Você tem que ser alguém.
04:30E, como a família sempre foi de muito baixa renda,
04:34o curso de pedagogia veio porque, na época, entre todos os cursos existentes,
04:40era o único curso que eu conseguia pagar com o meu salário.
04:43Então, a opção pela pedagogia foi pela condição financeira
04:48de conseguir arcar com as despesas desse curso.
04:51Mas me fez grandemente, me fez a pessoa,
04:54e eu costumo brincar muito com as pessoas.
04:57Então, as pessoas, no início, quando falam, eles não entendem muito o porquê.
05:00Eu falo que eu não gosto muito de números, né?
05:03Trabalho 37 anos numa instituição financeira e não gosto muito de números.
05:07Mas eu gosto de realizar sonhos, eu gosto de relacionamento com pessoas,
05:12eu gosto do fato de fazer acontecer,
05:14ser uma pequena consultora daqueles associados hoje que a gente atende, trabalha.
05:20E a pedagogia, ela também me trouxe parte disso, né?
05:24Ela me trouxe a parte do relacionamento, a parte da administração,
05:29a parte do ensinamento com meus filhos.
05:31E eu costumo brincar que hoje eu tenho mais 17 dentro da minha agência.
05:35E, querendo ou não, a gente...
05:36É meio professor, meio mãe.
05:38É mais ou menos assim.
05:40Então, cada um com a sua personalidade, cada um com a sua individualidade.
05:44Mas, no dia a dia, isso nos traz muito aprendizado, né?
05:49A gente leva, mas a gente também conquista com cada um deles.
05:54E hoje, há cinco anos dentro do Cicobi Credit Rochas,
05:58é com grande honra para mim isso.
06:01Eu falei e sempre falo, é com grande alegria que eu cito
06:06que hoje o Cicobi Credit Rochas, nas suas três maiores agências,
06:11são três mulheres na gestão das agências.
06:15Então, sou eu no Novo Parque, a Miriam na Agência Centro,
06:18a Luizela no Novo Parque, corrigindo, eu no aeroporto.
06:22Mas somos três mulheres.
06:25E, por ser mulheres, nós demonstramos,
06:28eu acho que nós servimos como exemplos,
06:30e isso é muito gratificante, não somente para os filhos,
06:34não somente para os colaboradores que a gente faz a gestão,
06:37mas para um público em geral,
06:38que a gente vê tanta dificuldade ainda no mundo de hoje,
06:43no século que a gente vive,
06:45os obstáculos que a gente tem de encarar a gente como profissionais,
06:50profissionais com excelência, profissionais com capacidade,
06:53capacidade para desenvolver, para tocar em frente.
06:56É um ambiente masculino ainda, um ambiente de banco, né?
07:00O que eu te falo, Elane,
07:01hoje, 99% dos associados que a gente atende,
07:05que a gente lida, é um público masculino, tá?
07:09Então, muitas das vezes, até mesmo eles não acreditam,
07:12não têm credibilidade que a gente tem capacidade.
07:15Às vezes, a gente tem esse choque, né?
07:18De conhecimento, de análise,
07:21ah, você, mas por que você, né?
07:24Mas a gente demonstra para eles
07:25e acaba tendo uma parceria, assim,
07:27de um resultado exemplar.
07:29Exemplar.
07:30Nós tivemos, agora, recente,
07:32a demonstração dos resultados das cooperativas, né?
07:35E a nossa, do Crede Rochas, foi feita.
07:37E é com muito louvor que,
07:39depois dessa apresentação, da nossa fala,
07:42a gente recebe tantos elogios e agradecimentos
07:45da parte dos associados,
07:46que muitas vezes...
07:48Não acreditaram lá atrás.
07:49Não acreditaram em nós como profissionais.
07:51Então, essa gratificação não tem preço que pague.
07:55E por saber que você está ali,
07:58você está servindo de exemplo
08:00para muitas pessoas, né?
08:03E a gente, a cada dia,
08:04a gente passa por uma dificuldade.
08:06A dificuldade, até mesmo, do relacionamento,
08:08da não valorização das próprias mulheres conosco.
08:11É isso que eu ia falar.
08:12Você comentou com a gente que, infelizmente,
08:15tem um julgamento,
08:17ou mesmo essa coisa da falta de confiança,
08:20que vem, às vezes, da própria mulher
08:21que está nesse ambiente de vocês, né?
08:24Então, como que você lida com isso, né?
08:27O que você faz e qual é o seu aprendizado
08:29ao longo desse tempo todo?
08:31Na realidade, você tem que lidar e aprender a cada dia, né?
08:35Até mesmo uma coisa simples,
08:38que às vezes é para muitos,
08:40mas que a gente observa até na sua vestimenta.
08:43Então, tem hora que você tem que mudar
08:45até seu modo de vestir, né?
08:47Porque, dependendo, você também é taxado.
08:50E você não quer ser taxado.
08:51Você quer ser taxado como um bom profissional.
08:54E para não ter esse obstáculo,
08:57às vezes, da taxação, do obstáculo
08:59no seu modo de vestir,
09:01na blusa que você está vestindo,
09:02ou porque você está com uma saia,
09:03ou porque você está com salto,
09:05você se modula dentro dessa sociedade
09:07não se polindo,
09:09não se podando, entendeu?
09:11Mas, simplesmente, para demonstrar
09:13que não é uma saia que vai me fazer capaz
09:15ou incapaz.
09:17Você está entendendo?
09:18Então, assim,
09:19até mesmo lidar, muitas vezes,
09:20com ciúme de mulheres e dos associados.
09:23Então, a gente se aproxima mais dessas mulheres
09:26para levar para elas e demonstrar para elas
09:29que o nosso relacionamento com o marido dela
09:31é simplesmente profissional
09:32e é o sustento da família dela, né?
09:34Então, nós, querendo ou não,
09:36de uma certa forma,
09:38a gente está fazendo parte do crescimento
09:40daquela empresa,
09:41daquele microempreendedor,
09:42daquele trabalhador,
09:44que leva o sustento para dentro da casa.
09:46Isso, para nós, é muito gratificante.
09:49Eu, assim, particularmente,
09:51eu tenho, com a graça de Deus,
09:53muita facilidade para lidar
09:54com situações de obstáculo.
09:57Eu não deixo muito, assim,
09:58os obstáculos, os problemas da vida
10:00me levar e me travar.
10:02Eu costumo pegar esses obstáculos,
10:05essas dificuldades
10:07e converter para uma melhoria,
10:09um crescimento.
10:10Ah, que bom, Penhol.
10:11Eu quero agradecer muito, tá?
10:13Por você ter estado aqui com a gente,
10:14participado do evento.
10:16Eu acho que a gente,
10:17sempre a gente fala muito
10:18da importância do empreendedorismo,
10:21nas carreiras das mulheres,
10:22na representatividade,
10:24porque não é porque é um ambiente masculino
10:26que a mulher não pode estar
10:26e você prova isso todos os dias.
10:28Muito obrigada, tá?
10:30E eu gostei muito de falar com você.
10:32Eu que agradeço, tá?
10:33Em nome da instituição
10:34SICOB Crede Rochas,
10:36a oportunidade de estar
10:38apresentando a gente para vocês.
10:40Agora nós vamos conversar
10:41com outra mulher incrível,
10:43a doutora Sabina Bandeira Leixo.
10:45Ela é oncologista,
10:47ela é gaúcha,
10:49atualmente ela atua
10:50no Hospital Evangelico
10:51aqui de Cachoeiro.
10:52Ela também é fundadora de uma ONG
10:54e também é professora,
10:55além de ser diretora técnica do hospital.
10:57Então, eu vou deixar agora
10:58que a própria Sabina
10:59conte um pouquinho
11:00quem é a Sabina Bandeira Leixo.
11:03Bom, obrigada aí
11:05pela sua introdução, tá?
11:07Bom, a Sabina é uma mulher
11:09que tenta ser como muitas mulheres,
11:12a gente cumpre vários papéis, né?
11:14Então, eu sou médica
11:15formada no Rio Grande do Sul,
11:18sou gaúcha,
11:19estou no Espírito Santo,
11:20vai fazer 22 anos.
11:22Minha especialidade é oncologia,
11:24então eu trabalho na área do câncer.
11:27Desde que eu vim aqui
11:28para o Espírito Santo,
11:28eu trabalho no Hospital Evangelico
11:30e nesse momento eu estou atuando
11:32além de médica oncologista,
11:33como diretora técnica,
11:35também ajudando na parte
11:35administrativa da instituição.
11:37Mas eu tenho várias coisas
11:39que eu gosto de fazer,
11:41um carinho muito especial
11:42para uma ONG que eu fundei
11:43junto com um grupo de pessoas,
11:45quando eu cheguei aqui,
11:46não fiz nada sozinho, né?
11:47Mas ajudei a fundar essa ONG
11:49que ajuda pacientes e famílias
11:51que estão passando pelo processo
11:53de tratamento do câncer.
11:55E agora o meu último desafio
11:57foi entrar nessa parte acadêmica também,
11:59de dar aula, né?
12:01Então, hoje também sou professora de medicina
12:03na faculdade aqui da cidade
12:05e também trabalho nessa parte de pesquisa
12:08com drogas novas na área do câncer,
12:10sempre tentando focar na parte de educação,
12:13que eu gosto muito,
12:15e voluntariado.
12:16Então, assim, além de ser médica,
12:17minha grande paixão é voluntariado
12:19e acho que no meu papel na ONG,
12:22a gente estava até falando com a Josi aqui,
12:24que a gente trabalha na nossa ONG
12:26com a educação,
12:27que a gente acha que as pessoas
12:29que estão atravessando o processo do câncer,
12:31elas também têm que saber
12:32onde procurar ajuda,
12:34como elas podem acessar alguns direitos,
12:36isso é muito importante
12:37para a pessoa ter sucesso
12:38no tratamento oncológico.
12:39Então, assim, a ONG também,
12:41onde eu atuo como voluntária,
12:42tem esse papel do letramento da pessoa
12:45na área do tratamento oncológico.
12:48Então, estamos vendo que estamos diante
12:49de uma história de uma mulher incrível.
12:51E, ouvindo um pouquinho sobre você,
12:55eu sei que hoje a área da medicina
12:57é uma área que tem muitas mulheres.
12:59A gente vê muitas médicas,
13:00mas nem sempre foi assim.
13:02Eu acho que você está falando
13:03que chegou aqui em Cachoeiro tem 22 anos.
13:05Logo quando você chegou,
13:07quando você ingressou nesse mercado de saúde,
13:11virou médica,
13:12você deve ter sentido diferença,
13:14porque, ainda mais sendo uma cidade não capital,
13:17deveria ter ainda mais homens do que mulheres.
13:19Como é que foi essa realidade?
13:21Conta para mim se teve algum episódio
13:22que você enfrentou
13:23que te chamou atenção aí, né?
13:26Sim, eu saí de...
13:28Eu fiz a minha faculdade onde eu nasci,
13:30que é Pelotas, no Rio Grande do Sul,
13:31na Federal, chamada UFPEL,
13:33e depois eu fiz toda a minha especialização
13:34em Porto Alegre.
13:35Então, eu já estava morando há cinco anos
13:37em Porto Alegre,
13:37quando eu vim para Cachoeiro de Itapemirim,
13:39que é uma capital,
13:40eu trabalhava num hospital grande,
13:42hospital de clínicas de Porto Alegre,
13:44onde eu não percebia
13:46tanto uma diferença
13:47entre ser mulher
13:49e estar atuando na área da medicina.
13:51Percebi que a grande maioria
13:53dos meus professores,
13:54das pessoas que atuavam
13:55nos cargos do hospital,
13:56eram médicos do sexo masculino,
13:58mas nunca tinha sido uma coisa
14:00que tinha me chocado.
14:01Quando eu cheguei aqui em Cachoeiro,
14:04eu tive um grande baque,
14:05eu sempre conto essa história
14:06e já falei várias vezes
14:08esse depoimento,
14:09porque eu cheguei na instituição,
14:11primeiro que existia,
14:14culturalmente era muito diferente,
14:16não tinha muitas mulheres,
14:18só mais homens no hospital,
14:20até o vestimento era diferente,
14:22aqui tinha-se o costume
14:23de usar branco,
14:24e eu cheguei já usando jaleco,
14:26que lá no Sul,
14:26os médicos não usavam roupa branca,
14:29eles usavam jalecos,
14:30e vi que já foi um pouquinho diferente,
14:32e aí eu fui pedir um parecer.
14:34Era uma paciente,
14:35eu me lembro desse episódio
14:36que me marcou,
14:37era uma mulher que chegou
14:38com sangramento,
14:39ela tinha um tumor
14:40que a gente chama
14:41molidatiforme,
14:41que é um tumor placentário,
14:42e a pessoa estava sangrando muito,
14:44a gente tinha que fazer
14:45uma curetagem
14:45para ela parar de sangrar.
14:47E aí eu chamei a equipe
14:48da ginecologia
14:50para ela fazerem a curetagem,
14:52e o médico falou,
14:52olha, eu não converso
14:54com médicas mulheres,
14:56seu marido é médico também,
14:58pede para ele me ligar,
14:59e aí quem sabe
15:00eu posso te atender.
15:02Aí eu fiquei,
15:02sabe,
15:03até eu choquei,
15:04eu falei,
15:05como assim?
15:06Eu estou falando com ele,
15:07passei o caso para ele,
15:08e eu vou ter que pedir
15:09para o meu marido ligar
15:10e falar a mesma coisa
15:11que eu estou falando.
15:12A gente,
15:12eu e o meu marido
15:13estamos na mesma formação
15:14de especialização,
15:16então assim,
15:16ele não é mais
15:17nem menos médico
15:18do que eu,
15:19enfim,
15:19foi um choque,
15:20ele não me atendeu,
15:21eu tive que ligar
15:22para o meu marido,
15:23ele teve que ligar
15:24para esse médico,
15:25e aí ele falou assim,
15:25então tá,
15:26já que você está me ligando,
15:27eu vou acreditar,
15:27então pode mandar
15:28a paciente vir aqui
15:29que eu vou fazer a curetagem.
15:31Então isso me chocou,
15:33e eu percebi
15:34algumas brincadeiras,
15:35algumas coisas,
15:36assim,
15:36sempre falando
15:37que a gente não era capaz,
15:38né?
15:38E hoje em dia,
15:39acho que a coisa virou,
15:40né,
15:40na área da saúde,
15:41até vai estar comentando hoje,
15:43porque hoje em dia,
15:44como eu dou aula na medicina,
15:45eu vejo que a grande maioria
15:46das alunas são mulheres,
15:47né,
15:48e hoje em dia a gente vê,
15:49assim,
15:49tem muito mais mulheres
15:50que as mulheres também.
15:51Que bom o acesso ao estudo,
15:53né,
15:54a possibilidade
15:54delas chegarem lá.
15:55Exato,
15:56eu me lembro que a minha mãe
15:57tinha que ir
15:57no ginecologista homem,
15:58porque lá na minha cidade
15:59também não tinha
16:00ginecologista quase mulher,
16:02então eu me lembrava,
16:03nossa,
16:03por que a gente não pode
16:04ter uma ginecologista mulher,
16:06né?
16:06Nada contra o ginecologista homem,
16:08né,
16:08mas às vezes a gente poderia
16:09querer escolher uma mulher,
16:11um assunto delicado.
16:12Enfim,
16:12acho que as coisas melhoraram
16:13bastante na área da saúde,
16:14e ainda tem muito a melhorar,
16:15mas quando eu vejo a turma
16:17que eu dou aula,
16:18a maioria vai ser mulheres,
16:19eu até brinco com os meninos,
16:20que no futuro todos
16:21vão ter que ser atendidos
16:22por médicos mulheres.
16:24E qual que é esse papel,
16:25assim,
16:25da mulher na área da saúde?
16:27Você tem uma avaliação,
16:28né,
16:28de assim,
16:29de ter um diferencial
16:30desse olhar feminino.
16:31O que você acha disso?
16:33Eu acho que a gente
16:33tem um olhar diferente
16:35no sentido que a gente,
16:36nós mulheres,
16:36a gente presta atenção
16:37em pequenos detalhes,
16:38assim,
16:39que fazem toda a diferença.
16:40Então,
16:40às vezes,
16:41dentro da instituição,
16:42que agora eu sou diretora,
16:44técnica,
16:45eu me incomodo,
16:45às vezes,
16:46de uma pintura,
16:48da cor,
16:49do som,
16:50né,
16:51coisas que,
16:52às vezes,
16:52não são valorizadas no dia a dia,
16:53que fazem a diferença da,
16:55até da,
16:56que a gente fala,
16:57o conforto de hotelaria
16:59de uma instituição
17:00é importante.
17:01Então,
17:01essas coisas,
17:02eu acho que o olhar
17:03diferenciado da mulher
17:04ajuda.
17:05Eu acho que o homem
17:06tem a sua importância também,
17:07mas a mulher consegue
17:09somar
17:10e fazer com que
17:11uma instituição de saúde
17:12possa crescer mais ainda,
17:14tendo esse olhar feminino
17:15e podendo ser valorizada,
17:18ouvida,
17:18né,
17:18o problema,
17:19às vezes,
17:19também a gente dá
17:20a nossa opinião
17:20e ela a gente não ser ouvida,
17:22como a gente conversou hoje,
17:23né,
17:23então,
17:24a gente ser,
17:25a nossa,
17:26ser escutada,
17:27ouvida é muito importante
17:28e ver que,
17:29quando eles nos ouvem,
17:31a gente consegue mostrar
17:32que a gente dá bons resultados.
17:34É isso,
17:34e olhando para essa carreira sua,
17:36me chamou muito a atenção,
17:37né,
17:37essa questão de ser médica,
17:39professora,
17:39diretora de hospital,
17:41fundadora dessa ONG,
17:42tem um empreendedorismo aí em você,
17:45né,
17:45então,
17:45a gente hoje também conversou muito
17:46sobre essa questão do empreendedorismo
17:48não estar apenas em quem tem um negócio,
17:50mas também em quem está fazendo carreira
17:52dentro de uma empresa.
17:53Como é que você vê isso,
17:54essa questão de empreender
17:55e estar sempre,
17:56porque o empreendedorismo,
17:57a gente fala que a pessoa está sempre
17:58com alguma,
17:59um desastro cego,
18:00que é sempre algo mais.
18:01Como é que você vê isso?
18:02Eu acho que eu,
18:03eu tenho muita,
18:05eu vejo essa característica em mim,
18:07assim,
18:07eu acho que chegou um momento
18:08que eu gosto de sair da zona de conforto,
18:10a história da educação,
18:12assim,
18:12eu saí,
18:13fiz mestrado,
18:14eu já estava bem oncologista,
18:15trabalhando no hospital,
18:16mas eu falei,
18:17não,
18:17vai vir em faculdade,
18:18eu tenho que fazer mestrado,
18:19fiz mestrado em políticas públicas,
18:21dou aula
18:22e gosto dessa parte de ensino,
18:24e também,
18:24assim,
18:25além de dar ONG,
18:26que eu tenho que trabalhar
18:27na parte de gestão,
18:28captação de recursos,
18:30poder pagar,
18:31hoje em dia,
18:31nossa ONG tem pessoas
18:32que a gente tem que remunerar,
18:34que dependem da nossa ONG,
18:35então a gente,
18:37eu vejo que a gente,
18:38se a gente quer,
18:39a melhor coisa é a gente não se acomodar,
18:41sempre,
18:42eu gosto de pensar sempre para frente
18:44e sonhos grandes,
18:46assim,
18:46eu não gosto de coisas simples,
18:48que nem o Hospital Evangelico,
18:49agora a gente estava a horas querendo
18:51fazer uma coisa inovadora,
18:53e a gente trouxe agora um robô,
18:54né,
18:54então a cirurgia robótica,
18:56que era uma realidade só dos centros grandes,
18:58é uma realidade nossa aqui do sul do estado,
19:00porque teve várias pessoas conversando
19:02da importância,
19:03esse robô veio para ajudar,
19:05principalmente nas cirurgias de câncer,
19:07né,
19:07ele surgiu para operar tumores oncológicos
19:10fora do país,
19:11e já é usado amplamente,
19:13e a gente estava incomodado
19:14de não ter essa tecnologia também aqui,
19:17então acho que é isso,
19:18sempre tentando sair da zona de conforto,
19:20buscando a inovação,
19:22a gente consegue alcançar, né,
19:26os nossos desejos,
19:27e as metas,
19:28quando a gente atinge aquela meta,
19:30a gente aumenta mais um pouquinho,
19:32né,
19:32para a gente conseguir
19:33estar sempre inovando,
19:35e aprendendo,
19:36empreendendo, né.
19:37E agora,
19:38a gente que é desassossegada,
19:40assim,
19:40não é a pessoa que é incomodada,
19:41que quer sempre estar fazendo coisas,
19:43muitas vezes a gente tem dificuldade
19:44de conciliar a carreira
19:46e vida pessoal,
19:48né,
19:48você é médica,
19:49então médica,
19:50mulher,
19:51que conselho que você dá,
19:52né,
19:52para as mulheres principalmente,
19:53que eu falo,
19:53para conseguir ter esse equilíbrio,
19:56né,
19:56já que muitas vezes a jornada é tripla,
19:58quádrupla,
19:59né,
19:59e conseguir conciliar vida profissional
20:02com vida pessoal.
20:03Eu acho que não é uma tarefa fácil,
20:06porque a gente,
20:07além de toda,
20:08toda a parte profissional,
20:09tem a parte de casa,
20:10né,
20:11dos filhos,
20:11então,
20:12assim,
20:12eu acho que a gente tem que pensar
20:14na nossa saúde mental,
20:16que nessa nossa saúde mental
20:18também tem a saúde física,
20:20né,
20:20então,
20:20eu sempre acho que a minha dica
20:22é que a gente possa parar
20:24pelo menos umas três vezes por semana,
20:25para fazer alguma atividade física
20:27que vai nos ajudar a manter
20:29a nossa saúde física e mental.
20:31Então,
20:32já é dito pela Organização Mundial de Saúde
20:36que todos nós devemos dedicar
20:37150 minutos por semana
20:40para a atividade física,
20:42e eu falo que não é só atividade física,
20:44é para a nossa saúde mental,
20:45esses 150 minutos,
20:46a gente poder parar
20:47e cuidar da gente,
20:49e procurar alguma atividade física
20:50que nos faça bem,
20:52que pode ser um pilates,
20:53pode ser uma caminhada,
20:54uma pedalada,
20:55nadar,
20:56mas isso é muito importante,
20:58então,
20:58a gente tem que saber
20:59conciliar todas as multitarefas,
21:01mas a gente tem que saber
21:02uma hora que a gente tem que tirar
21:03para nós,
21:04e então,
21:05a minha recomendação é essa,
21:06150 minutos por semana
21:08de alguma atividade física
21:09que a gente faça bem,
21:10e claro,
21:11tentar, né,
21:11desligar de vez em quando,
21:13viajar,
21:13passear,
21:14estar com os filhos,
21:16gosto de ler,
21:17meditar,
21:18e é isso aí,
21:19yoga,
21:19a gente tem que cuidar
21:20do nosso equilíbrio,
21:22que não é fácil,
21:23mas é possível.
21:25Sabina,
21:25muito obrigada,
21:26te agradeço muito
21:27por você estar aqui com a gente,
21:28acho que sua história é inspiradora,
21:30eu fiquei muito feliz
21:31de trazer você hoje
21:31para o bate-papo do evento,
21:33e aqui também,
21:33espero que todos gostem,
21:35obrigada.
21:35Obrigada a vocês.
21:37Agora estamos aqui
21:38com a Lorena Vazquez,
21:40Lorena,
21:40gente,
21:41acumula hoje
21:42o cargo
21:43de secretária municipal
21:44de manutenção e serviços
21:45e secretária de obras
21:47na prefeitura de Cachoeiro,
21:48Ela é formada em Direito,
21:50mas agora ela atua
21:50na área pública
21:52como secretária municipal.
21:54Queria que você, Lorena,
21:55contasse um pouquinho
21:55de quem é a Lorena Vazquez.
21:59Lorena Vazquez,
22:01filha de comerciantes,
22:03moradora de Cachoeiro de Tapimirim,
22:05nasci e cresci aqui,
22:07estudei no colégio
22:08Ateneo Cachoeirense,
22:10no colégio Cristo Rei,
22:11escolas tradicionais
22:13daqui da cidade,
22:15fiz balé durante anos
22:17na Denise Prats,
22:19formei na FDCI,
22:22na Faculdade de Direito
22:23de Cachoeiro de Tapimirim,
22:25e hoje ocupo a pasta
22:27Estou como secretária municipal
22:29de obras e de manutenção
22:31e serviços
22:32da prefeitura de Cachoeiro
22:33de Tapimirim.
22:34E como é que foi
22:35essa trajetória, né?
22:36Você é formada em Direito
22:37e você acabou indo
22:39para a área pública, né?
22:40Que é um desafio muito grande
22:43a gestão pública.
22:44Como é que foi
22:45essa transição
22:45sua de carreira?
22:46Se você sempre esteve
22:47na área pública,
22:48como é que foi isso?
22:49É,
22:50eu formei em Cachoeiro
22:52e fui embora
22:53para Vitória,
22:53fui morar em Vitória
22:54para poder estudar,
22:55fazer escola da magistratura.
22:57E ali eu fiquei
22:59durante cinco anos.
23:00E nesse período,
23:02eu tive a oportunidade
23:04de trabalhar
23:04na prefeitura de Vitória.
23:06Foi a minha primeira experiência
23:08na administração pública
23:09na gestão
23:11de Luciano Rezende.
23:13E quando eu retornei
23:15para Cachoeiro
23:16em 2015,
23:16minha mãe teve
23:17um problema de saúde
23:19e aí eu entendi
23:20que era tempo de voltar.
23:22Já tinha terminado o estudo.
23:24Vim para cá,
23:26foi um ano eleitoral, né?
23:28E logo após a eleição,
23:30o prefeito Vitor
23:31me convidou
23:32e falou,
23:33ó Lorena,
23:34você trabalhou lá,
23:35teve uma experiência,
23:36quero você
23:36fazendo parte
23:37da nossa equipe.
23:38E aí entrei
23:39na prefeitura de Cachoeiro
23:40como gerente
23:41num cargo pequeno
23:44e fui ali
23:47subindo degraus.
23:49Então,
23:50depois de gerente,
23:52virei consultora interna,
23:55pregoeira,
23:55presidente de comissão
23:56de licitação,
23:58subsecretária,
23:59coordenadora executiva,
24:01assessora executiva
24:02e secretária
24:02de administração.
24:04e aí ano passado
24:07o prefeito
24:08me fez um novo desafio
24:10de assumir
24:10a pasta
24:11de manutenção
24:12e serviços
24:13e de obras,
24:15né?
24:15Cumular as duas pastas
24:16e eu topei o desafio
24:18sobretudo,
24:20né?
24:20Pela experiência
24:21que a gente
24:23poderia, né?
24:24Ganhar ali
24:25e tal,
24:26pela bagagem
24:27profissional
24:28e foi muito bom,
24:30tá sendo muito bom,
24:31de grande aprendizado, né?
24:33E tem um pioneirismo aí
24:34que você já me contou
24:36que é a primeira vez.
24:38É.
24:39A pasta de manutenção
24:41e serviços
24:42nunca tinha sido
24:43ocupado por uma mulher,
24:44então eu sou a primeira
24:45mulher
24:46a ocupar a pasta,
24:49né?
24:49Já entrei aí
24:49com essa responsabilidade,
24:52mas tem dado certo,
24:54acho que a mulher,
24:56ela pode estar
24:58onde ela quer estar,
25:00né?
25:00Não existe lugar
25:01de homem,
25:02lugar de mulher,
25:03existe lugares
25:05e a gente pode
25:06galgar aí
25:07os nossos espaços
25:08da forma
25:08que a gente
25:09bem entender,
25:10até porque na vida
25:11profissional
25:11não tem isso, né?
25:13Não tem gênero,
25:14então as experiências
25:16profissionais,
25:17elas são permitidas
25:20tanto para homem
25:21quanto para mulher
25:22e tem sido, assim,
25:23muito desafiador,
25:25sobretudo a necessidade
25:26de me autoafirmar
25:28o tempo inteiro
25:29que é muito chato,
25:32né?
25:32Por ser mulher,
25:33então toda hora
25:34a gente tem que ficar
25:35provando que a gente
25:36pode, que a gente
25:37sabe, que a gente
25:39consegue,
25:40isso às vezes...
25:40Lembrando que é uma
25:41secretaria, né?
25:42Uma área que às vezes
25:43a gente pensar
25:43é ligada à manutenção,
25:45à obra,
25:46que são cargos,
25:48né?
25:49Historicamente,
25:49que só o homem
25:50poderia consertar
25:51uma coisa,
25:52fazer uma obra.
25:53A gente hoje vê
25:54muito mais,
25:55mas ainda pouco, né?
25:56Então, liderar ainda
25:57um time muito grande
25:59para uma execução
25:59pública, né?
26:01Você me contou
26:01histórias curiosas,
26:02assim, conta para a gente
26:03porque outras mulheres
26:04podem se inspirar em você
26:05nesse caso aí,
26:07do que você vivenciou.
26:08É, na verdade,
26:09todo dia é um
26:10grande desafio,
26:12são funções
26:15normalmente exercidas
26:16por homens, né?
26:17Então, imagina um homem
26:19estar ali liderado
26:20por uma mulher.
26:22Existe esse bloqueio
26:24inconsciente,
26:26porque todos eles
26:26são muito queridos,
26:28né?
26:29Os servidores me respeitam
26:30demais,
26:32eles são meus braços, né?
26:35Mas, de fato,
26:37todo dia
26:38essa necessidade
26:39de se autoafirmar.
26:41E aí,
26:42eu estava contando
26:43numa desobstrução
26:45de drenagem
26:46que eu fiz a sugestão
26:49de abrir
26:50a metade da rua
26:52para poder tirar
26:53uma manilha
26:54e fazer o jateamento
26:55e a limpeza
26:56da drenagem,
26:57ou seja,
26:57não estava conseguindo
26:58jatear do início ao fim,
27:00então eu ia abrir
27:01no meio
27:01e jatear metade
27:03e depois a outra metade.
27:05E aí,
27:06não quiseram,
27:07seguiram ali
27:07daquela forma
27:08e acabou que no final
27:10eles tiveram que
27:11ceder e fazer
27:13da forma
27:14que eu tinha sugerido.
27:15É, realmente,
27:17não está dando e tal.
27:18Então, assim,
27:19são coisas
27:19que a gente vivencia
27:20no dia a dia
27:21que talvez
27:22se fosse uma figura
27:23masculina
27:24não teria tanta resistência.
27:26E aí,
27:26sendo uma figura
27:27feminina,
27:28a gente encontra
27:28diversas resistências.
27:32São os desafios
27:34do dia a dia,
27:34mas é um contexto
27:35histórico,
27:36a mulher,
27:37ela vem ocupando
27:38espaços
27:39dentro da sociedade civil,
27:41mas ela também
27:42vem vencendo desafios
27:44ao longo
27:45de toda a jornada.
27:47É, lembrando
27:48que ela deu
27:49a sugestão,
27:50no primeiro momento
27:50não foi acatada,
27:51mas no final das contas
27:53foi a sua ideia
27:54que foi feita.
27:55É, como eu falei,
27:56afinal de contas
27:56a mulher pensa, né?
27:58Brincadeira,
27:59os homens.
28:00Mas, assim,
28:01a intuição,
28:03aquele raciocínio.
28:03E, assim,
28:04às vezes,
28:05sobre intuição também,
28:06a mulher é muito
28:07mais sensitiva.
28:09Então,
28:10em muitos momentos
28:11eu consigo identificar
28:13às vezes
28:14se o servidor
28:15não está bem,
28:16se ele está
28:16meio tristinho,
28:17entendeu?
28:18Se ele não estiver bem
28:19ele não vai produzir
28:20da forma
28:21que a gente está
28:23esperando
28:23e aí talvez
28:24é algo que a gente
28:25consiga até
28:26intermediar
28:27para poder resolver,
28:28chegar perto,
28:29dar atenção.
28:31Esse cuidado
28:31de mulher
28:32tem feito
28:34a diferença
28:34na vida
28:36e no andar
28:37da secretaria.
28:38E por você estar
28:39no cargo público,
28:40a gente também
28:40falou muito
28:41dessa questão
28:41do desafio
28:42dos cargos eletivos,
28:44que hoje
28:45a gente sabe
28:45aqui, por exemplo,
28:46em Cachoeiro,
28:47foi mostrado
28:47que a Câmara
28:48não tem nenhuma
28:49vereadora,
28:49nenhuma mulher.
28:51Então,
28:51imagino que no serviço
28:52público
28:53tenha muitas secretárias,
28:54mas também deve ser
28:55um ambiente mais masculino.
28:57Mas nesse caso
28:58do processo eletivo,
28:59dessa questão
29:00da representatividade,
29:01queria que você falasse
29:02um pouco, assim,
29:03do que você pensa
29:04em relação a isso
29:05e como você acha
29:06que a gente pode mudar
29:08um pouco essa realidade.
29:09Olha,
29:10o prefeito
29:10Vitor Coelho
29:11ele é um gestor
29:13diferenciado,
29:14confesso.
29:1450%
29:16do secretariado
29:17dele
29:17são mulheres.
29:19E aí,
29:20ele fala,
29:21por isso que tem
29:22dado certo,
29:22e é verdade,
29:24não vou negar,
29:26mas,
29:27de fato,
29:28não tem muito
29:29essa,
29:30né,
29:31mais homens
29:32do que mulheres
29:32no corpo
29:33de secretariado.
29:34Mas a gente percebe,
29:35quando a gente vai
29:36para um âmbito
29:37mais eleitoral,
29:38a gente percebe
29:39uma presença
29:40muito maçante
29:42dos homens.
29:43e menos
29:45mulheres.
29:46E aí,
29:47a gente se questiona
29:47por qual razão,
29:48né?
29:49Muitas vezes
29:49por nós mesmos,
29:51não acreditarmos
29:52em nós.
29:53Então,
29:53isso é um desafio
29:55que a gente
29:56precisa vencer.
29:57A mulher
29:57precisa vencer
29:59o desafio,
30:00né,
30:00de acreditar
30:01nela.
30:03Então,
30:03a primeira pessoa
30:04que tem que acreditar
30:04na gente
30:05é a gente mesmo.
30:06e também
30:07se posicionar
30:09e querer,
30:10né,
30:11mas também
30:12fazer com que
30:13outras mulheres
30:15acreditem
30:15nas mulheres,
30:17né,
30:18tem que existir,
30:19assim,
30:20uma
30:22corrente,
30:23né,
30:23aí,
30:24de apoio mesmo.
30:26Lógico,
30:26que acho
30:27que ninguém
30:27deve votar,
30:28né,
30:28uma pessoa
30:29não deve votar
30:30em outra mulher
30:30simplesmente
30:31porque é mulher.
30:32Não sou adepta
30:33a isso.
30:34Tem que existir
30:34proposta,
30:35tem que existir
30:36trabalho,
30:37tem que existir
30:40planos
30:40de governo,
30:42mas também
30:43tem que existir
30:45opções,
30:45exatamente.
30:46Então,
30:47as mulheres,
30:47elas quase
30:49não se posicionam
30:50e se colocam
30:51à disposição.
30:52Isso é muito ruim.
30:54A Câmara de Vereadores
30:55hoje não tem
30:56nenhuma representatividade
30:58feminina.
30:59Isso é muito ruim
31:00para nós,
31:01né,
31:01um ambiente
31:02totalmente masculino
31:03e também
31:04não é culpa
31:05deles,
31:05né?
31:06É,
31:06sociedade.
31:07É,
31:07não é culpa
31:08dos homens
31:09de jeito nenhum.
31:11Cachoeiro
31:12nunca teve
31:13uma prefeita mulher,
31:14por incrível
31:16que pareça,
31:16nunca existiu
31:17na história
31:18de Cachoeiro
31:18de Tapimirim
31:19uma prefeita mulher.
31:20Então,
31:21são coisas
31:21que a gente
31:22precisa vencer,
31:23são tabus
31:24que todo dia
31:25a gente precisa vencer.
31:26E a mulher,
31:27ela é o tempo
31:28todo cobrada,
31:29né?
31:30Então,
31:31é...
31:33Ah,
31:34tem filho?
31:36Ih,
31:36mas se é casada
31:37e tem filho,
31:38não vai ter disponibilidade
31:40para ocupar
31:41determinado...
31:42Entende?
31:42Então,
31:43assim,
31:43o tempo todo
31:43existe uma cobrança
31:45que gera aí
31:46um desconforto
31:47muito considerável
31:48para nós.
31:50Falando sobre isso,
31:52também quero pegar
31:52o gancho, né,
31:53estando como secretária,
31:57vivenciei muitas coisas
31:59e fui subindo ali
32:01os degrauzinhos
32:02e tal.
32:03E quando a gente
32:04ocupa uma posição,
32:05assim,
32:06de relevância
32:07e de referência,
32:09existe um julgamento.
32:11Ah,
32:11mas é porque
32:11tem um caso
32:13com fulano,
32:14tem um caso com...
32:14Isso é ridículo,
32:16gente,
32:17isso é a coisa mais...
32:20Não dá,
32:21né?
32:21Então,
32:22não,
32:22mulher tem competência
32:24para estar
32:24onde ela quer estar.
32:25Então,
32:26a gente consegue
32:27atingir os nossos objetivos
32:29pela nossa capacidade.
32:31É isso,
32:32Lorena.
32:32Ó,
32:32eu quero te agradecer muito.
32:34Eu acho que é a semente
32:36que a gente planta,
32:37né,
32:37numa conversa como essa,
32:38numa conversa com mais gente,
32:40para a gente ir espalhando
32:41de que essa igualdade
32:42ela precisa imperar.
32:44Isso é um problema
32:45da sociedade,
32:45não do homem e da mulher
32:46sozinho.
32:47A gente junto
32:48tem que construir isso
32:49para que a gente faça
32:50uma sociedade melhor,
32:51como eu sei,
32:51eu tenho certeza
32:52que você está tentando
32:53à frente das duas secretarias.
32:54muito obrigada
32:55por estar aqui,
32:56gostei muito de falar com você.
32:58Eu que agradeço
32:58a oportunidade
32:59de estar aqui
33:00falando um pouquinho,
33:01né,
33:02dos desafios
33:03que a gente encontra
33:04na execução,
33:05né,
33:06das atividades
33:07do dia a dia
33:08e contem sempre comigo.
33:10Agora nós vamos conversar
33:12com Josi Santos,
33:14nossa palestrante do dia.
33:16Josi, gente,
33:16atuou como líder
33:17nacional em inovação social
33:19na Semente Negócios,
33:20hoje é diretora executiva
33:22do Instituto Cória,
33:23é especializada
33:24em negócios liderados
33:26por mulheres,
33:26também em diversidade,
33:28equidade,
33:29inclusão,
33:30inovação
33:30e responsabilidade
33:32social corporativa.
33:34Mas eu queria
33:34que ela me contasse
33:35um pouquinho
33:35quem é Josi Santos.
33:38Obrigada,
33:38obrigada, Elayne,
33:39é um prazer aqui
33:40essa conversa,
33:41mais uma vez,
33:41um todas elas, né,
33:43uma iniciativa
33:44que eu tenho tanto carinho
33:45e admiração, né.
33:46Então eu gosto de dizer
33:47que Josi Santos,
33:47antes desse currículo
33:49extenso que você compartilha aí,
33:51é uma mulher capixaba,
33:52primeiramente,
33:53uma mulher preta,
33:54periférica,
33:55que tem muito orgulho
33:56da origem que tem,
33:56da história que tem, né,
33:58então filha de Paulina
33:59Maria de Souza,
34:00seu jovelino,
34:01em memória,
34:02irmã mais velha, né,
34:03de uma trupe de irmãos aí,
34:07Paula Beatriz,
34:08Gerlana, Luiz Fernanda,
34:09Alanda Mariana,
34:10eu achei importante
34:11falar o nome dos meus irmãos
34:13e minhas irmãs,
34:14assim, Josadac,
34:15porque eles trazem pra mim,
34:17trouxeram essa referência, né,
34:18enfim, de toda a história,
34:20de todo o trabalho,
34:21de tudo que vai acontecer
34:22e que aconteceu até aqui,
34:23assim, enfim,
34:25uma mulher apaixonada pela vida
34:27e que trabalha com muito propósito
34:28e que eu gosto
34:30de compartilhar isso com o mundo.
34:32Eu já assisti palestras da Josi
34:34e ela sempre divide
34:35a vida dela em dois momentos.
34:38Um momento triste,
34:40que ela vai contar um pouquinho,
34:41pra gente partir
34:41pro momento da superação
34:42que eu acho que é o melhor.
34:44Mas conta um pouquinho
34:45como esse momento triste
34:46de uma tragédia na sua vida
34:48motivou também
34:49você chegar até aqui
34:50com toda essa bagagem,
34:52todo esse propósito.
34:53Tá.
34:53Então eu sou, né,
34:54como eu disse,
34:55uma mulher preta periférica
34:56e aí eu cresci,
34:58nasci,
34:58cresci na periferia,
34:59lá no meu país,
35:00que eu chamo carinhosamente, né,
35:01de Maruípe,
35:02meu país,
35:03e eu perdi os meus pais assassinados
35:05aos 13 anos de idade, né,
35:06então eu perdi o meu pai
35:07e primeiro depois eu perdi a minha mãe.
35:09Com todo esse contexto
35:10de muita,
35:12muita tragédia
35:13e muita dor,
35:14assim,
35:15eu falo que só depois,
35:16aos 24 anos
35:18que eu comecei
35:18a entender o que aconteceu comigo
35:19quando eu fui pra terapia, né.
35:21Mas até então
35:22foi uma vida marcada
35:24por essa desigualdade
35:25e uma vida marcada
35:26por fazer dar certo, né,
35:28superar o que passou
35:29e pensar,
35:30a gente precisa fazer dar certo.
35:31E sua mãe foi feminicídio, né?
35:32A minha mãe foi feminicídio
35:34que foi,
35:35inclusive, né,
35:36enfim,
35:36uma violência
35:38em função do gênero, né,
35:39então meu pai
35:41tinha uma casa,
35:42minha mãe,
35:43quando meu pai faleceu,
35:44minha mãe ficou como
35:45responsável daquela casa
35:46e um amigo do meu pai
35:47que morava naquela casa,
35:49ele não quis pagar o aluguel,
35:50ele também não queria
35:52desocupar a casa
35:53e a minha mãe
35:54na tentativa de, enfim,
35:56ter ali uma renda,
35:57pensa só,
35:58uma mulher que tinha ficado
36:00viúva com três crianças,
36:02né,
36:02e era, enfim,
36:03empreendedora na época,
36:04precisava de alguma renda
36:05e aí
36:06tantas discussões,
36:07um dia ele saiu de casa
36:08e aí acabou contratando
36:10uma pessoa, enfim,
36:11que assassinou a minha mãe.
36:12Então, assim,
36:12esse fato conduziu
36:14a
36:16a minha história, assim,
36:17eu sempre olho pra aquilo,
36:19pra esse acontecimento
36:20de um lugar
36:20de ter tirado forças,
36:22de um lugar
36:23de pensar também
36:24na condição da minha carreira.
36:26Então, hoje,
36:26enquanto especialista
36:27em diversidade,
36:28equilibrada de inclusão,
36:28alguém que olha
36:29pro empreendedorismo feminino,
36:31é alguém que tenha consciência
36:32de que a vida
36:33é atravessada
36:34pela desigualdade,
36:35seja ela de gênero,
36:37de raça,
36:38de território, né,
36:39eu sendo uma mulher
36:40que cresci na periferia
36:42e entendo bem
36:43a importância disso,
36:45assim, né,
36:45antes de ser uma
36:46uma trajetória profissional
36:47e acadêmica,
36:49é uma trajetória
36:49de vida, assim, né.
36:50É esse mergulho
36:52no trabalho, né,
36:52que você teve que se jogar
36:53muito cedo também,
36:56descobrir isso aí,
36:57mesmo já tendo,
36:59assim,
36:59não tendo que ficar
37:00olhando pra trás, né,
37:01como é que foi
37:01esse crescimento
37:02seu profissional
37:04de uma jovem menina,
37:05né,
37:06até o que você
37:06construiu até agora,
37:08assim, né,
37:08na sua carreira?
37:09Boa.
37:10Eu brinco, né,
37:11eu comecei a trabalhar
37:12porque eu queria comprar
37:12um fichário colorido,
37:13então eu comecei a trabalhar
37:14aos 13 anos justamente
37:15por ter a consciência
37:16de não ter o acesso,
37:17né,
37:18e aí o trabalho
37:19me daria acesso
37:20a alguns recursos,
37:21então, ah,
37:21eu queria o fichário,
37:22ok, vou trabalhar,
37:23aí eu comecei a trabalhar
37:24como babá,
37:25que é justamente,
37:26eu pensava assim,
37:27eu já fazia isso
37:28na minha casa,
37:28porque com 13 anos
37:29eu já cuidava da minha casa,
37:30das minhas irmãs,
37:31dava pra fazer isso
37:31em outro lugar
37:32e ser remunerada
37:33por isso, né,
37:34mas assim,
37:35não é romantizando também
37:37o trabalho infantil
37:37porque eu tinha 13 anos,
37:38né,
37:39mas é desse lugar
37:40de entender que também,
37:42tem uma coisa
37:42que eu sempre falo,
37:43eu estava,
37:44babá,
37:45não era a minha
37:46linha de chegada, né,
37:47então, eu estava
37:48naquela situação
37:48porque eu queria acessar
37:50algo
37:51e eu sempre estudei
37:52a vida toda
37:54e eu sempre vi a educação
37:55como essa ferramenta
37:57de transformação social
37:58que começou
37:59pela minha vida primeiro,
38:00então, eu como babá
38:02estudava,
38:03fui almejando
38:04e mudando, né,
38:05enfim,
38:06trilhando uma carreira
38:07diferente
38:08até chegar na universidade
38:09aos 28 anos
38:10e aí na universidade
38:12com toda uma trajetória
38:13de ter trabalhado
38:14em serviços,
38:15comércios,
38:16em diversos segmentos
38:17e todos eles
38:19ter exercido
38:20uma função
38:21muito de gestão
38:22e liderança
38:22porque aquela menina
38:23que chegava
38:23e ia resolver tudo, né,
38:24eu entrava como
38:25auxiliar daqui a pouco
38:26eu estava gerenciando,
38:27então, eu fui fazer
38:29administração
38:29e aí na administração
38:30veio esse lugar, assim,
38:32eu tinha um outro olhar
38:33da vida,
38:34de gestão
38:35e aí foi
38:36que me deu
38:37aquele estupim,
38:37tá,
38:38a gente precisa olhar
38:39para além da gestão crua,
38:40vamos olhar para uma gestão
38:41que tem impacto,
38:42vamos olhar para uma gestão
38:43que considera diversidade
38:44e aí sim,
38:45eu trilhei a minha carreira.
38:46E o bonito aqui,
38:46você fala sempre
38:47dessa questão de
38:49os dois pilares
38:50seriam educação primeiro,
38:52né,
38:52e o empreendedorismo,
38:54essas duas coisas
38:54como uma mola propulsora mesmo
38:56das coisas
38:56que você foi construindo,
38:58o quanto é importante
38:59as pessoas terem
39:00consciência
39:00dessas duas coisas, né,
39:02de como isso pode mudar
39:03a vida delas?
39:04É,
39:05eu,
39:05então é isso,
39:06assim,
39:06a educação mudou
39:08a minha vida,
39:08o empreendedorismo também
39:09porque é uma família
39:09de empreendedores,
39:11eu venho de uma família
39:12de empreendedores,
39:13então eu vi a gente
39:14tendo acesso,
39:15eu vi a minha família
39:17mudando de história
39:17por meio do desenvolvimento
39:19e do crescimento
39:20de um negócio,
39:21então não tem como
39:21eu não acreditar nisso,
39:23mesmo que eu saiba
39:24que era um empreender
39:25muito por necessidade,
39:26porque, enfim,
39:27eram nove pessoas,
39:28então a gente tinha
39:29que colocar a comida na mesa,
39:30né,
39:30mas o quanto que isso
39:32de uma forma muito estruturada,
39:34então as pessoas empreendedoras
39:35tendo o acesso
39:37a recursos,
39:38a capacitação,
39:39a conhecimento
39:39de forma estruturada,
39:41estratégica,
39:42porque aí olha
39:43para o que é o que eu faço hoje,
39:44né,
39:44então junto com organizações
39:45públicas e privadas,
39:47apoiando essas pessoas
39:49para que de fato
39:49a gente tenha aí
39:50um desenvolvimento
39:51mais sustentável
39:52e a educação,
39:53né,
39:53então assim,
39:53cada vez que eu estudei
39:55e conheci algo novo,
39:57aquilo me ampliou
39:59a consciência
40:00e me apresentou
40:01novos caminhos,
40:02né,
40:02então algo que às vezes
40:03eu não imaginava
40:05está em posições
40:06que eu não imaginava,
40:07eu comecei a imaginar
40:08a partir do momento
40:09que eu comecei a estudar,
40:10então,
40:11e aí acontece na minha vida,
40:13na vida,
40:13né,
40:13dos meus irmãos,
40:14então hoje eu tenho
40:15meus irmãos também
40:16formados aí,
40:17né,
40:17também em administração,
40:19uma família de empreendedores
40:20e administradores,
40:22então eu acredito muito assim,
40:24e principalmente hoje
40:26como trabalho,
40:27como é que a gente
40:28vai disponibilizar
40:29essa educação
40:30e esse empreendedorismo
40:31de uma forma
40:34estratégica,
40:35sabe,
40:36entendendo que isso
40:37muda a realidade
40:38das famílias brasileiras,
40:39né.
40:39E hoje você contou
40:41um pouco pra gente
40:42aqui também
40:42que dentro desse
40:44empreendedorismo
40:45é necessário a gente
40:46também ter o conhecimento
40:48e você falou
40:49de um jeito muito legal
40:50pras pessoas,
40:51elas gostaram muito
40:52de ouvir,
40:52uma consciência mental
40:53da importância
40:55das finanças,
40:56da importância
40:57da educação financeira
40:58pra gente prosperar,
41:00né,
41:00então fala um pouquinho,
41:01né,
41:01pra gente contar,
41:02dividir com os nossos
41:04telespectadores também
41:05a importância disso.
41:07Boa.
41:08É,
41:08a inteligência financeira,
41:11né,
41:11e a consciência financeira
41:12pra prosperidade,
41:13então é algo que eu acredito
41:14que a gente vive muito
41:16assim, né,
41:16então não é trabalhar
41:18só pra,
41:19ou pra gastar
41:20tudo que ganha,
41:21né,
41:21ou pra viver a vida
41:22trabalhando
41:23e não enxergar
41:24essa prosperidade
41:25do seu ponto de vista,
41:26do seu ponto de partida,
41:27que eu até trouxe
41:28como exemplo, né,
41:29então prosperidade é,
41:30eu tenho uma bicicleta
41:30hoje,
41:31amanhã eu tenho uma moto,
41:32depois eu tenho um carro,
41:34aí vou melhorando, né,
41:35qual o modelo desse carro.
41:36Não necessariamente
41:37eu tenho uma moto,
41:38no outro dia eu tenho uma,
41:39enfim,
41:39uma BMW.
41:41Pode ser também,
41:41mas é prosperar
41:43na sua realidade,
41:45assim,
41:45e a educação financeira,
41:46a consciência financeira
41:47faz isso com a gente,
41:48né,
41:48ajuda a gente
41:51ter consciência
41:52do que a gente vai,
41:53como a gente vai gastar
41:55o nosso dinheiro,
41:55onde a gente vai investir
41:56o nosso dinheiro,
41:57quais são as metas,
41:58planos que a gente tem,
42:00né,
42:00e sonhos principalmente
42:01que a gente tem na vida,
42:02como é que a gente vai alcançar
42:03pra gente não passar
42:04uma vida somente,
42:05sabe,
42:06assim,
42:06ah,
42:06uma vida de trabalho,
42:07porque a realidade é
42:08que o trabalho vai ter,
42:09bastante,
42:10mas é necessário
42:11que tenha trabalho
42:12e realização,
42:13e, enfim,
42:14vivendo num sistema
42:15que, óbvio, né,
42:16a gente depende do dinheiro
42:17pra acessar algumas coisas,
42:19como que a gente vai fazer isso
42:20de forma inteligente,
42:21consciente?
42:22E resumindo aqui,
42:23como que você hoje enxerga
42:25essa questão da diversidade,
42:26né,
42:27dentro das organizações,
42:29dentro dos setores,
42:30você que tá acompanhando
42:31isso de perto,
42:32você acha que a diversidade
42:34realmente tá tendo um caminho,
42:35tomando um caminho
42:36que vai ser bom
42:36pra todo mundo?
42:38É,
42:38e aí,
42:39quando eu falo da diversidade,
42:41a gente lembra que a educação,
42:43o acesso à educação fez,
42:44hoje,
42:44a gente tá aqui em 2024
42:45falando de diversidade,
42:46né,
42:47porque lá atrás,
42:47o ambiente acadêmico
42:49e o ambiente de construção
42:50de conhecimento,
42:51ele ainda era muito restrito
42:53a um grupo de pessoas.
42:54Quando a gente começou
42:55a ter a diversidade
42:56entrando pros lugares
42:57de construção
42:58de pensamento crítico,
43:00a gente começou a questionar
43:01algumas coisas
43:02que estavam postas,
43:02por exemplo,
43:03eu,
43:03quando fui pra faculdade,
43:04eu acessei um conhecimento
43:05de administração,
43:06eu falei,
43:06isso não conversa
43:07com a realidade,
43:08por exemplo,
43:09da minha tia,
43:09do meu tio,
43:10que é pequeno negócio.
43:11Como é que a gente pode adaptar?
43:12Como é que a gente,
43:13e aí que conversa a diversidade,
43:15como é que a gente vai incluir
43:16os outros grupos
43:17que não são sendo considerados
43:18porque eles não estão aqui
43:19nessa mesa tomadora de decisão
43:22ou nessa mesa
43:22que tá fazendo reflexões
43:23sobre essa realidade?
43:25Então,
43:25é assim,
43:25primeiro que,
43:26ok,
43:27graças a Deus,
43:28né,
43:28então,
43:28e aí tiveram diversas questões
43:30que influenciaram,
43:30políticas afirmativas
43:32que levaram as pessoas,
43:33grupos minorizados
43:34pra academia,
43:35pra,
43:35pra o campo de conhecimento,
43:37e aí isso faz o que?
43:38Temos mais profissionais
43:39diversos formados,
43:40aí mais profissionais
43:41diversos
43:41nas organizações
43:44ocupando o lugar
43:45de poder e decisão,
43:46e a gente tem a grande massa
43:47consumidora com mais consciência.
43:50Então,
43:50falar de diversidade
43:51é um caminho sem volta,
43:52assim, né,
43:52a gente agora precisa
43:53falar isso de forma
43:55mais estratégica
43:56pra que a diversidade
43:57traga de fato a inovação
43:58que a gente sempre quer,
43:59que a gente aumente,
44:01aumente a performance
44:02dos negócios
44:03e principalmente
44:04que a gente tenha
44:05impacto positivo,
44:06assim,
44:06então,
44:06eu acredito muito
44:07e que a gente vai continuar
44:09falando de diversidade.
44:11Eu tô muito feliz
44:12de você estar aqui hoje,
44:13quero te agradecer imensamente,
44:15né,
44:15por esse conhecimento
44:16e principalmente por,
44:18é o que você falou,
44:19tornar a linguagem
44:21mais fácil
44:22pra explicar pras pessoas
44:23e elas realmente
44:23serem tocadas,
44:24pra que elas possam
44:25fazer as coisas acontecerem.
44:26Eu acho que você tem
44:27esse poder, tá?
44:28Parabéns pelo seu trabalho
44:29e eu te agradeço muito.
44:30Eu agradeço mais uma vez
44:31essa parceria
44:32e parabéns pela iniciativa
44:33do Todas Elas.
44:34Obrigada.
44:35Esse foi o videocast
44:36do projeto Todas Elas.
44:38Nós trouxemos histórias
44:39de mulheres incríveis
44:40e eu espero em breve
44:41estar aqui contando pra vocês
44:43outras histórias
44:44de mulheres potentes.
44:45Obrigada.
44:47Tchau, tchau.
44:48Tchau, tchau.
44:48Tchau, tchau.
44:49Tchau, tchau.
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