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  • há 4 semanas
Debate sobre o assunto contou com a participação da economista e gerente executiva do Observatório da Indústria da Findes, Marília Silva

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00:11Boa tarde, eu sou Letícia Orlandi, repórter de A Gazeta.
00:15Neste mês de março, em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher,
00:19a Gazeta preparou uma programação especial para a data.
00:23Estamos aqui em mais uma live, realizada pelo projeto Todas Elas,
00:27para debater assuntos importantes para o universo feminino.
00:30Na semana passada, a colunista de política de A Gazeta, Letícia Gonçalves,
00:35conversou com a PHD em Psicologia, Natália Marques,
00:38sobre a machosfera e a cultura de ódio das mulheres.
00:43Desta vez, vamos falar sobre o mercado de trabalho para as mulheres.
00:47Quem está aqui com a gente para conversar sobre o tema
00:50é a doutora em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo,
00:54Marília Silva, que é atualmente Economista-Chefe da FINDES
00:58e Gerente Executiva do Observatório da Indústria.
01:01Também está com a gente Ana Clara Paiva,
01:04que é Head de Projetos e Empregabilidade da Startups e Candidate Mulher.
01:09Sejam bem-vindas, Marília e Ana Clara.
01:12Obrigada.
01:13Queria começar apresentando alguns dados sobre a presença da mulher
01:16no mercado de trabalho para a gente iniciar essa conversa.
01:19Segundo o IBGE, as mulheres são maioria no país, em população,
01:24representando 51,5% dos habitantes.
01:28Mesmo assim, elas não possuem a representatividade na mesma proporção,
01:32principalmente quando se fala de cargo de liderança.
01:35Elas também chegam melhor preparadas ao mercado de trabalho,
01:40com 20,5% alcançando nível superior contra 17% dos homens.
01:45Ainda assim, as mulheres recebem 77% do rendimento que os homens recebem.
01:52Queria começar perguntando para a Marília.
01:54Como é que você avalia esses dados diante de décadas
01:57que mulheres têm buscado formação e qualificação
02:02para ingressar e ter mais presença no mercado de trabalho?
02:06Bom, eu acho que esses dados, eles na verdade acabam mostrando
02:09que a caminhada ainda é longa.
02:11Então, a gente ainda tem um caminho a seguir aí.
02:15Ao mesmo tempo, eles revelam algumas conquistas.
02:18Então, se a gente pensar de décadas atrás,
02:21esse cenário era, vamos dizer assim, ainda mais desafiador.
02:24E eu acho que eles evidenciam ali algumas questões,
02:28eu vou chamar aqui de contemporâneas, né?
02:30Que são, acho que a gente evoluiu muito em várias pautas,
02:33as mulheres entraram no mercado de trabalho.
02:36A gente hoje ocupa um percentual, vamos dizer assim,
02:39que não é desprezível nos cargos de liderança,
02:41mas ainda assim a gente traz questões que são históricas do mundo feminino.
02:47Então, quando você olha a questão do cuidado, né?
02:50As mulheres, historicamente, culturalmente,
02:53a gente vem associada ao cuidado da família,
02:56ao cuidado dos filhos, ao cuidado, enfim,
02:58dos parentes ou entes, né?
03:00Que eventualmente estejam doentes.
03:02Então, isso acaba fazendo com que a mulher,
03:05ainda que ela tenha, vamos dizer assim, capacidade, escolaridade, vontade,
03:10ela acabe, por ventura, tendo menos disposição de horas
03:14para que ela exerça aquela profissão e aqueles cargos de liderança
03:18que, enfim, eventualmente acabam exigindo, vamos dizer assim,
03:2210, 12, 15 horas de trabalho ali.
03:24Então, eu acho que tem questões um pouco mais estruturais
03:27que acabam impactando nesse cenário.
03:31E nos últimos 10 anos, né?
03:33Você falou um pouco dessas conquistas da década.
03:35Quais você considera as principais conquistas aí
03:38das mulheres no mercado de trabalho?
03:40Ah, eu acho que uma das principais conquistas,
03:43ou a principal conquista olhando para esse universo
03:45do mercado de trabalho é o fato das mulheres estarem
03:48mais qualificadas que os homens quando, em comparação.
03:51Eu acho que isso é um reflexo da dificuldade delas, né?
03:54Então, de fato, a gente precisa estudar muito,
03:58se qualificar muito, estar ali muito próximo, assim,
04:04da excelência para se sentir tanto segura e quanto também
04:07para ser uma opção ali de quem está contratando.
04:10Então, eu acho que tem isso.
04:12E eu acho também que nos últimos 10 anos,
04:15não só na pauta feminina, mas, enfim,
04:17outras pautas que perpassam o universo feminino,
04:20eu acho que a gente vem conseguindo trazer novas discussões, né?
04:24Então, embora a gente ainda tenha questões voltadas, por exemplo,
04:29a essa questão que eu trouxe do cuidado,
04:31ou a questão da divisão, né, do trabalho de casa,
04:34a gente tem um número que é bem legal,
04:36bem legal do ponto de vista de análise, né?
04:39Mas não bem legal o dado em si,
04:41que é quando a gente olha para os homens que estão, né,
04:45para os homens que têm filhos de até 3 anos dentro de casa,
04:48a gente vê que 89% desses homens estão ocupados.
04:51Quando a gente olha para as mulheres,
04:53a gente vê que esse número vai para 54%.
04:55Se eu fizesse esse mesmo recorte para uma mulher negra,
04:59esse número cai ainda mais, né?
05:01Então, eu acho que nos últimos 10 anos,
05:04a gente tem dado passos maiores
05:07para trazer esse tipo de discussão para a mesa.
05:10Então, acho que houve um primeiro desafio,
05:11que era entrar no mercado de trabalho,
05:13isso aconteceu muito tempo atrás.
05:15Houve um segundo desafio,
05:16que era começar a acessar cargos de liderança,
05:19eu acho que isso a gente está começando a fazer,
05:21mas agora eu acho que tem um desafio um pouco maior,
05:24que é olhar de uma forma um pouco mais complexa
05:26e com os itens que perpassam, né,
05:29não só o universo feminino,
05:30mas como recortes de classe, recortes de raça,
05:33que eu acho que é o que essa última década
05:35tem nos trazido à tona.
05:37E nesse cenário, Ana,
05:39queria falar um pouquinho sobre essa questão da...
05:42A gente tem ampliado a participação das mulheres,
05:45mas em algumas áreas a presença aí é basicamente masculina, né,
05:50boa parte dos cargos são ocupados por homens.
05:53Quais áreas ainda precisam ampliar, né,
05:56a participação das mulheres?
05:58Bom, quando a gente olha para a história
06:01e a gente entende quando a mulher começou a acessar esses cargos,
06:05às vezes a gente pensa que tem muitíssimo tempo,
06:08mas as mulheres, de fato,
06:09elas começaram a ter funções a ocupar cargos
06:14depois da Primeira Guerra Mundial.
06:16Então, isso tem...
06:17Foi em 1918 a Primeira Guerra Mundial
06:19e as mulheres foram obrigadas a fazer isso
06:21porque os homens foram para a guerra.
06:23Então, em vista do quanto que os homens estão no mercado,
06:27tem pouco tempo que a mulher começou.
06:29E isso faz com que a mulher tenha naturalmente
06:32uma resistência por vieses
06:35que muitas vezes são inconscientes
06:37no pensamento da empresa
06:38de que as vagas de engenheiro
06:41sempre foram ocupadas por homens e deu tudo certo.
06:44Mas, às vezes, elas eram ocupadas por homens
06:46porque não existia formação para mulheres em engenharia
06:50até pouco tempo.
06:52Hoje, com o ensino superior da forma como é,
06:55a gente tem muitas turmas que têm mais mulheres
06:58sendo formadas em áreas como engenharia,
07:00que é uma área muito formada por homens,
07:04mas que, às vezes, depois, por limitação
07:06nos processos seletivos e de vieses inconscientes,
07:08fazem com que elas não consigam
07:11acessar as últimas entrevistas, por exemplo.
07:14E aí, a gente volta na discussão de
07:18necessidade de trabalho,
07:19de soft skills com foco em empregabilidade.
07:21Porque a mulher, ela tem autocobrança muito alta,
07:24então, às vezes, ela fala assim,
07:25tô olhando pra uma vaga,
07:26eu tenho sete requisitos de dez,
07:28eu não vou me candidatar.
07:29Um homem faz isso com seis.
07:31Às vezes, cinco.
07:32E acho que tá arrasando.
07:33A mulher, por síndrome do impostor,
07:35só vai se candidatar com 100%.
07:37Então, isso vai fazer com que,
07:39em alguns cargos, ela ache que,
07:41como sempre foi ocupado por homens,
07:43que esse cargo não é pra ela.
07:45Aí, ela olha pro processo seletivo,
07:46ela tem medo de se candidatar.
07:48E aí, ela olha pro mapa de mundo dela
07:50e pra quem é referência,
07:52pra ela, ela não acha nenhuma referência.
07:54Então, isso vai fazendo com que
07:55ela não se veja naquele espaço,
07:58mas é um espaço dela,
07:59porque ela estudou praquilo.
08:00Esse assunto, né, da síndrome do impostor,
08:03ele tá bem em evidência hoje na internet, né?
08:06Principalmente entre as mulheres,
08:08como você falou.
08:09Queria que você falasse, então,
08:10um pouquinho como é que ele pode ser um obstáculo
08:13até pro crescimento delas, assim, na carreira
08:15e como fazer pra que elas superem isso.
08:18Boa.
08:19Quando a gente fala de síndrome do impostor,
08:21a primeira coisa que eu gosto de dizer
08:23é que síndrome do impostor
08:25não é uma doença.
08:27É um sentimento que ele serve
08:30tanto pra homens quanto pra mulheres
08:32e é mais comum em mulheres
08:34e em pessoas que têm uma visibilidade muito alta.
08:37O que que a síndrome do impostor
08:39impacta em processos seletivos, por exemplo?
08:41Se a mulher, ela não tiver 100% dos requisitos,
08:45ela não se candidata.
08:46A síndrome do impostor, ela diz pra ela
08:48que ela não tá pronta,
08:50que falta algo,
08:51então ela não se candidata.
08:52O homem, pela forma como ele foi criado,
08:56por muitas das vezes ele ser encorajado,
08:58ser corajoso,
09:00com 60% dos requisitos,
09:02ele já se candidata,
09:03ele já se posiciona,
09:04mesmo que aquele cargo não seja por ela.
09:07Então, no dia a dia,
09:09no emprego,
09:09ela não vai se candidatar.
09:12Falando da vida cotidiana mesmo,
09:15às vezes ela vai achar que vale mais a pena
09:17ela se dedicar pra cuidar da criança,
09:21às vezes é melhor ela cuidar da família,
09:23porque ela sabe que se ela for pra esse caminho,
09:25ela vai ser bem-sucedida.
09:27A mãe dela foi muito bem-sucedida,
09:29a avó foi muito bem-sucedida,
09:30mas será que o caminho do mercado
09:32é o melhor caminho?
09:34Então, nisso, às vezes,
09:35essa síndrome do impostor,
09:37ela serve como um medo que paralisa ela
09:40e que não mostra que ela tá pronta
09:42pros próximos passos,
09:43sendo que ela tá.
09:45E como é que é possível, então,
09:47melhorar essa inserção da mulher
09:49no mercado de trabalho,
09:50que ações afirmativas
09:51que podem ser feitas na empresa
09:53pra que elas ocupem, né?
09:54A gente falou dessas áreas
09:55que elas não estão ocupando tanto.
09:57O que pode ser feito pra melhorar?
09:59Bom, primeiro passo é
10:03cuidar dessa síndrome do impostor.
10:05Como que a gente cuida
10:05dessa síndrome do impostor?
10:07Algumas ações a gente vai ter que mudar
10:09no nosso dia a dia.
10:10Então, por exemplo,
10:12organizar melhor a rotina,
10:13fazendo com que a gente tenha noção
10:16daquilo que a gente consegue fazer.
10:17Então, às vezes,
10:18a gente acha que a gente não tá pronto,
10:20que a gente não conseguiria trabalhar,
10:21mas o dia inteiro a gente tá em casa
10:23fazendo coisa dentro de casa.
10:24Então, a gente organizar a nossa rotina
10:26é o primeiro passo pra fazer com que
10:28essa síndrome do impostor
10:30não seja um paralisante.
10:31A mulher tem que entender
10:32que se ela quer trabalhar,
10:34ela tem que ter oito horas disponíveis
10:36ali no dia a dia dela.
10:38É o primeiro passo.
10:40Depois, a gente tem que cuidar
10:42desses comportamentos.
10:43Então, por exemplo,
10:44se eu sei que
10:46por síndrome do impostor,
10:47quando
10:49eu recebo uma notícia ruim,
10:51eu me sinto mal
10:53e acabou com o meu dia,
10:55às vezes,
10:55eu tenho que construir
10:56mecanismos de compensação
10:58pra eu lidar com aquilo.
10:59Porque a gente precisa lidar
11:01com as coisas.
11:02Então, suponhamos
11:03que quando eu, às vezes,
11:04recebo um não
11:05e um processo seletivo
11:06acabou o meu dia.
11:07Eu vou ter um mecanismo
11:09de, às vezes, por exemplo,
11:10fazer uma coisa que eu gosto,
11:11pode ser ouvir uma música
11:13ou pode ser, por exemplo,
11:15conversar com uma pessoa
11:16que gosta muito de mim
11:17pra que eu fale
11:18olha, eu recebi um não,
11:20mas eu preciso ter uma ação aqui.
11:22O medo não pode paralisar.
11:24E, por último,
11:24eu acho que são ações
11:26de autocuidado
11:26e que refletem muito
11:27aos hábitos.
11:28Então, às vezes,
11:29a gente tem uma alimentação bacana,
11:31ter uma equipe de pessoas
11:33que ajudam você a se cuidar.
11:35Porque um estigma também
11:37que a mulher tem que ter
11:37é que a gente não é
11:39mulher maravilha
11:40que tem que dar conta de tudo.
11:41A gente pode ter, por exemplo,
11:43o suporte de uma psicóloga,
11:46que, às vezes,
11:46a gente pode contar
11:47com a ajuda de alguém
11:48pra ajudar a gente
11:49em alguma tarefa de casa,
11:51que, às vezes,
11:51a gente vai precisar
11:52de um profissional
11:54pra ajudar a gente
11:55com as atividades físicas.
11:56Tá tudo bem
11:57a gente ter ajuda.
11:58Pra mim,
11:58são os três principais pontos.
12:00Legal.
12:01Marília,
12:01eu queria conversar um pouquinho
12:02sobre a sua trajetória, né?
12:04Você é economista,
12:05chefe da FINDES,
12:07você é uma mulher negra
12:08e uma das líderes
12:09aí da federação.
12:11Quais foram os principais desafios
12:13aí que você enfrentou
12:14na sua jornada?
12:16Bom, vamos lá.
12:17Eu, assim,
12:18falar como sendo
12:19uma mulher negra, né?
12:20No fundo,
12:21você acaba não falando
12:22só de você, né?
12:23Então,
12:23a gente tem um pouco mais
12:26do que falar
12:27da minha única trajetória.
12:28A minha trajetória,
12:29ela é marcada
12:30por oportunidades,
12:31o que, de cara,
12:32já me distancia muito
12:33do universo negro brasileiro,
12:36feminino.
12:37E aí,
12:38até ouvindo
12:40essa conversa aqui,
12:41me vem muito essa questão, né?
12:42Até o próprio feminismo,
12:43assim,
12:44ele tem algumas camadas
12:45que são importantes
12:46a gente trazer
12:47nessa conversa.
12:48Então,
12:49por exemplo,
12:50como é que eu vou dizer?
12:51A gente tem muito
12:52dessa coisa da mulher
12:53entrando no mercado de trabalho,
12:54a mulher vai começar a trabalhar,
12:56mas no universo negro,
12:57isso,
12:57ele começa muito antes, né?
12:59No fundo,
12:59isso,
13:00a mulher negra
13:01sempre foi um corpo
13:01que trabalhou,
13:02foi um corpo escravizado,
13:03então, assim,
13:05esse feminismo
13:05com várias camadas
13:07é, no fundo,
13:08que acabou marcando
13:09toda a minha trajetória, né?
13:10Então,
13:11mas como eu estava dizendo ali,
13:12eu sou uma mulher negra
13:14com muitas oportunidades,
13:15eu nasci numa família,
13:17uma mãe professora primária,
13:19um pai sargento,
13:20tal,
13:20mas que sempre tiveram
13:21o estudo
13:22como a base de tudo,
13:24assim,
13:24para os filhos deles,
13:26para os filhos deles, né?
13:27O que fosse preciso
13:29para estudar
13:29seria feito.
13:30Então,
13:31eu sempre tive estudo
13:31como a minha maior prioridade,
13:34eu tive a oportunidade
13:35de ser atleta também
13:36durante a minha infância,
13:38a minha adolescência,
13:40então,
13:40isso também me deu
13:40uma formação
13:41que também já é uma oportunidade
13:42que me distancia muito
13:43da realidade.
13:44O que você praticava?
13:45Eu praticava natação,
13:46eu por muito tempo
13:47já quis, assim,
13:48tipo,
13:48ser o sonho de vida,
13:49ser campeã olímpica.
13:51Já tive esse momento
13:52da vida,
13:54e aí, enfim,
13:55quando cheguei ali
13:55na fase dos 16 anos,
13:57eu entendi que não seria
13:58essa a trajetória, né?
13:59Que eu seguiria,
14:00e como eu já estudava,
14:01já estudava, né,
14:02num bom colégio e tal,
14:04prestei vestibular,
14:05fiz faculdade,
14:06fiz economia,
14:06passei a economia
14:07na Federal do Mato Grosso do Sul,
14:09e quando eu entrei
14:10na universidade,
14:11eu comecei a descobrir
14:12outras coisas, né?
14:13Porque,
14:13embora eu diga que
14:14eu tenho uma trajetória
14:15de oportunidades,
14:17não eram tantas oportunidades
14:18assim,
14:19a ponto de eu já entrar
14:19na faculdade conhecendo.
14:21Então,
14:22quando eu entrei na faculdade,
14:23eu descobri que existia
14:24esse mundo acadêmico,
14:25que existia a possibilidade
14:26de se fazer um mestrado,
14:27que existia a possibilidade
14:28de se fazer um doutorado,
14:29e aí um pouco comecei
14:30a traçar esse,
14:32vamos dizer,
14:33esse plano no sentido assim,
14:34nem é de,
14:35ah, eu quero ser doutor
14:36um dia ou algo nesse sentido,
14:38mas eu gostaria
14:39de ser cada vez melhor,
14:40de estar cada vez
14:41mais preparada,
14:43né,
14:43nessa linha do que
14:44foi posto aqui.
14:45E aí eu acabo optando,
14:47né,
14:47e estudando,
14:48e me esforçando ali
14:49para passar no mestrado
14:50em economia,
14:51faço mestrado
14:51no Rio Grande do Sul,
14:52na Federal do Rio Grande do Sul,
14:54lá,
14:55aí,
14:56muito coincidentemente,
14:57assim,
14:58também, né,
14:59talvez até ligado
15:00a essa questão
15:00da síndrome do impostor,
15:01na hora que eu estava
15:02decidindo um pouco
15:02o que fazer
15:03depois do mestrado,
15:04eu encontro alguém
15:05que me pergunta,
15:06mas por que você
15:06não faz doutorado
15:07na FGV?
15:07Eu falei,
15:08é, realmente,
15:09não tinha pensado nisso.
15:10E aí eu me candidato,
15:13faço o processo seletivo
15:14da FGV,
15:14passo na FGV,
15:15mudo para São Paulo,
15:16moro sete anos
15:17em São Paulo,
15:18em São Paulo
15:19foi onde eu comecei,
15:20entrei no mercado de trabalho,
15:21dei aula e tudo mais,
15:23e de repente surgiu ali,
15:25né,
15:25eu já tinha
15:26uma trajetória ali
15:28em São Paulo,
15:28de ter trabalhado
15:29na Federação das Indústrias
15:30de São Paulo,
15:31eu já tinha dado aula
15:32no Mackenzie,
15:33já tinha dado aula
15:35na própria FGV,
15:36enfim,
15:37já tinha feito muita coisa,
15:38já tinha trabalhado
15:38com pesquisa,
15:39e aí surgiu a oportunidade
15:41de vir para o Espírito Santo,
15:42à época,
15:43trabalhar no Instituto
15:44de Desenvolvimento Educacional
15:44Industrial do Espírito Santo
15:46e DEIS,
15:47e eu gosto muito de desafio,
15:48gosto muito de mudar, né,
15:49e aí mais uma vez
15:50eu mudei de estado,
15:51vim para cá,
15:52e desde então
15:54eu venho para cá
15:55como gerente
15:55de uma das áreas
15:56do IDES,
15:58e em maio do ano passado
15:59a gente transforma o IDES
16:01em Observatório da Indústria,
16:03e eu assumo também
16:05a posição de economista
16:06chefe da FINDES,
16:07então hoje de fato
16:07eu tenho uma posição
16:08de liderança,
16:09eu sou uma mulher negra
16:10nessa posição
16:11dentro da federação,
16:13e entendo que
16:14a minha trajetória
16:16é sim uma trajetória
16:16de oportunidades
16:17frente às outras,
16:18e que o, vamos dizer assim,
16:20o que eu talvez tenha
16:21a oferecer
16:22ou o que eu tenha
16:23a dizer que, ah,
16:24como você traçou até aqui,
16:26foi tentar aproveitar
16:27as oportunidades
16:27que surgiram
16:28da melhor forma possível.
16:30Ah, legal.
16:32Queria falar um pouquinho,
16:33você também, né,
16:34na sua fala inicial
16:35falou sobre essa questão,
16:37que era outro ponto
16:37que eu ia trazer
16:38sobre essas jornadas, né,
16:40duplas, triplas
16:41das mulheres,
16:41queria que você falasse
16:43um pouquinho mais
16:44como isso pode,
16:46acaba impactando
16:47nessa competitividade
16:48aí das mulheres,
16:50num crescimento
16:51de carreira, né,
16:52que essa questão
16:53de, muitas mulheres
16:54buscam cargos
16:56de liderança, né,
16:57no que isso pode
16:58impactar?
17:00É, a questão
17:01da jornada dupla,
17:02eu também vou trazer
17:03aqui um número
17:03que eu acho interessante,
17:04que é quando a gente
17:05olha para os dados,
17:08assim, a gente vê
17:08que os homens
17:08gastam em média
17:0911 horas, né,
17:12por semana ali,
17:13nos seus trabalhos domésticos,
17:14as mulheres,
17:15elas já vão gastar
17:16quase o dobro disso,
17:1720,
17:17se eu for mais uma vez
17:19para as mulheres negras,
17:20elas gastam ainda mais tempo
17:21nessa, nessa jornada, né,
17:24nessa parte do cuidado
17:25da casa,
17:26então, e aí o cuidado
17:27da casa não necessariamente
17:29sempre atribuído
17:29ao filho, né,
17:30mas além disso,
17:31a gente tem a questão
17:32dos filhos,
17:33a gente tem a questão,
17:35né, de ter que dar conta
17:36mesmo ali, de fato,
17:37de tudo,
17:38e eu acho que esse
17:39é o grande ponto,
17:40é, que precisa ser um pouco
17:42atacado como sociedade, né,
17:43a sociedade,
17:44ela precisa caminhar
17:46para um acordo
17:47em que esses papéis, né,
17:49sejam um pouquinho
17:50mais divididos,
17:51o cuidado, ele tem que existir,
17:52né, a gente vai ter filho,
17:54a gente tem casa,
17:55e o ideal, assim,
17:56é que, de fato,
17:57a gente cuide
17:58dessas coisas,
17:58mas ele não pode estar
18:01desequilibrado,
18:02que, no caso,
18:02que é o que acontece atualmente,
18:04e no fundo,
18:05é,
18:06eu entendo que é
18:07esse cenário
18:08que acaba fazendo,
18:09por exemplo,
18:09com que mulheres ganhem
18:10menos do que homens,
18:11não somente,
18:12assim,
18:13tem uma questão
18:14de discriminação,
18:15isso existe,
18:16é fato,
18:17é, você tem mulheres
18:18trabalhando exatamente
18:19no mesmo cargo,
18:20fazendo as mesmas coisas
18:20e ganhando menos
18:21do que homens,
18:22isso,
18:22isso é um fato,
18:23mas você tem também
18:24uma preferência,
18:26talvez até nem
18:27intencional ali,
18:28da escolha
18:29de trabalhos
18:30que possibilitem você,
18:32ao invés de trabalhar,
18:33né,
18:33de cuidar da sua casa
18:34dez horas,
18:35em média,
18:36ter que cuidar vinte,
18:37então,
18:38assim,
18:38esse contrato social,
18:40é essa evolução social
18:42que eu acho
18:42que a gente hoje
18:43está começando
18:44a colocar na mesa,
18:45então,
18:45eu acho que a discussão
18:46hoje,
18:47ela está caminhando
18:48para isso,
18:48como vamos,
18:49como sociedade
18:50resolver essa questão.
18:51É esse dado
18:52que você trouxe
18:53da questão
18:53dos até três anos,
18:55da porcentagem
18:56de profissionais
18:57aí relacionada
18:58ao gênero,
18:59é muito dessa questão,
19:00daquele momento,
19:01né,
19:01a família está ali
19:02crescendo,
19:03a mulher engravidou,
19:04quem que vai
19:06se dedicar
19:07ou cuidar,
19:08volta ou não volta,
19:09se ela estava ocupada
19:10antes,
19:10licença maternidade,
19:11é bem,
19:12e isso é a realidade
19:13de muitas famílias,
19:14né,
19:14hoje.
19:14Exatamente,
19:15e você tem,
19:15assim,
19:16você tem várias,
19:17né,
19:17são várias camadas,
19:18assim,
19:18para mim,
19:18todos os assuntos
19:19são complexos
19:20e eles não têm,
19:21né,
19:22uma linearidade,
19:24mas,
19:24por exemplo,
19:25nessa questão,
19:25vamos lá,
19:26de idade,
19:27sei lá,
19:27você está lá
19:28nos seus 30 anos
19:29e engravidou,
19:30se normalmente
19:30o homem já ganha mais,
19:32se alguém tiver que abrir mão,
19:33será quem?
19:33A mulher.
19:35Ainda que isso não fosse verdade,
19:38assim,
19:38que não fosse cultural,
19:39você teria o fator salário,
19:42né,
19:42de quem abriria mão.
19:44Então,
19:44por exemplo,
19:45políticas nesse sentido
19:46de igualdade de salário,
19:48eu acho que elas são
19:48extremamente relevantes
19:49para corrigir,
19:51né,
19:51esse tipo de coisa,
19:53mas ela,
19:53por si só,
19:54ela não resolveria.
19:55Então,
19:55aí a gente tem outras frentes,
19:57né,
19:57beleza,
19:57então as mulheres ganham mesmo,
19:59tá,
19:59elas ganham mesmo,
20:00mas quem vai se sentir obrigado,
20:02né,
20:03de quem a sociedade vai cobrar,
20:05por exemplo,
20:06é muito natural numa empresa,
20:08você falar assim,
20:09ah,
20:09eu vou chegar mais tarde,
20:10porque eu fui buscar meu filho,
20:12se vem de uma mulher,
20:13é muito ok,
20:14se vem de um homem,
20:15será que todo mundo vai ouvir
20:17da mesma forma,
20:18ou pô,
20:18ó,
20:19paizão,
20:19hein.
20:20E pode passar até por políticas públicas,
20:22no caso,
20:23que a gente não tem,
20:24por uma mulher,
20:25né,
20:25muitas famílias não tem condição de,
20:26ter ou um parente pra cuidar dessa criança,
20:30ou pagar alguém pra ficar,
20:32e aí se tu precisar de usar,
20:34né,
20:34uma escola,
20:35uma creche,
20:36não tem aquele,
20:37que a maioria tem que ter o tempo integral,
20:39né,
20:39de,
20:41pra trabalhar,
20:42digamos,
20:42numa jornada integral,
20:43você não tem uma escola,
20:45né,
20:45a maioria das vezes,
20:46que atende em tempo integral,
20:47falando aí numa população mais ampla,
20:51Isso,
20:51exatamente,
20:52a questão,
20:52né,
20:53da creche,
20:53né,
20:53como política pública,
20:55ou do cuidado como política pública,
20:56eu entendo que ele é extremamente necessário,
21:00né,
21:00pra,
21:00pra essa questão da inserção igualitária da mulher no mercado de trabalho,
21:05e,
21:05e eu acho que isso tem até um apelo,
21:07que não é só de,
21:08de gênero,
21:09entendeu,
21:10tem um apelo social,
21:11porque no fundo,
21:12assim,
21:12quando você tá falando de cargos de liderança,
21:14você já tá falando de mulheres que acessam um outro universo,
21:17né,
21:17tem outras possibilidades,
21:18e tudo mais,
21:19só que pra aquelas mulheres estarem na rua,
21:21você tem o que?
21:22Você tem um outro grupo de mulher que vai estar cuidando da casa delas,
21:25e essas mulheres,
21:26quem cuida dos filhos delas,
21:28quem cuida das famílias delas,
21:29então,
21:30assim,
21:31às vezes a política pública,
21:32ela não,
21:32ela não tá ali só pra atender a gente que já tá chegando nesse nível de liderança,
21:37mas ela vai resolver questões,
21:40porque o cuidado,
21:40ele é essencial na sociedade,
21:42eu acho que isso é uma coisa que a gente tem que ter em mente,
21:46isso existe,
21:47ou vai ser feito gratuitamente,
21:48que é o que a gente vem fazendo,
21:49ou isso vai ter um preço,
21:51É até uma charge muito interessante nisso mesmo,
21:54que ela coloca,
21:55por exemplo,
21:55na baia da frente,
21:57o homem branco,
21:58que não tem nenhum obstáculo na frente dele,
22:01aí do lado tem o homem,
22:03que às vezes dá algum suporte pra esposa,
22:05aí,
22:05quanto mais próximo do meio,
22:08nós temos as mulheres que ocupam o cargo de liderança,
22:11mulheres negras,
22:11que na frente tem a casa,
22:14os filhos,
22:15o ter que lidar com a rotina,
22:17o ter que dar conta de,
22:18às vezes,
22:18cuidar da família ainda,
22:19algum outro familiar,
22:20que tem que ser de cuidado.
22:22Então, assim,
22:22são vários obstáculos que tem,
22:24e contribui pra que ela,
22:27realmente,
22:27não consiga ganhar tanto,
22:28mas ela também não consegue se dedicar.
22:30E aí,
22:31falando de,
22:31ainda sobre essa questão da remuneração,
22:34na semana passada,
22:35quando foi celebrada,
22:36no 8 de março,
22:37de Internacional da Mulher,
22:38o governo federal apresentou um projeto de lei,
22:41pra contribuir,
22:42pra reduzir,
22:43essa desigualdade de gênero.
22:45Ele prevê penalizar empresas,
22:47que pagarem salários maiores,
22:49para homens,
22:49do que para mulheres,
22:51exercendo a mesma função.
22:52O valor da multa equivale a 10 vezes,
22:54o maior valor pago pelo empregador.
22:57E o projeto também prevê,
22:58divulgação de relatórios de transparência,
23:01pra tentar ampliar,
23:03e discutir,
23:04ampliar essa discussão.
23:05Aí, eu queria,
23:06como vocês duas veem essa notícia,
23:08e como é que você acha que,
23:09isso passando,
23:10pelo Congresso Lógico,
23:11pode contribuir?
23:13Você pode começar.
23:14Eu acho,
23:15como eu falei,
23:16que eu acho que é extremamente importante,
23:18é uma iniciativa importante,
23:20eu acho só que ela não resolve todas as questões.
23:22Eu acho que ela é necessária,
23:24não só importante ali,
23:25de mulheres e homens,
23:26enfim,
23:27quaisquer outras,
23:29recortes sociais que a gente faça,
23:31encargos semelhantes,
23:32ocupando,
23:33e com as mesmas responsabilidades,
23:34tem que ganhar a mesma coisa,
23:35mas ela,
23:37por exemplo,
23:37não vai resolver essa questão,
23:38que a gente estava conversando aqui,
23:40que é de uma política pública,
23:41mas voltada ao cuidado,
23:43de quem vai ficar com os filhos,
23:44dessa equidade ali,
23:46de fato,
23:47de igualar as condições,
23:49entre homens e mulheres ali,
23:51e sempre,
23:52eu vou sempre trazer isso,
23:53não só entre homens e mulheres,
23:55mas também considerando classe e raça,
23:57classe e raça.
23:58Então,
23:59eu acho que é um primeiro passo,
24:01importantíssimo ser dado,
24:03mas que,
24:04eu espero que ele venha acompanhado,
24:05de outras medidas,
24:07não só por parte do governo,
24:09como da sociedade também.
24:11Eu também acho uma iniciativa maravilhosa,
24:13concordo demais com esse seu posicionamento,
24:15e trago para a discussão,
24:17a questão dos vieses inconscientes,
24:19porque,
24:19quando a lei é divulgada,
24:21e ela fala que homens e mulheres,
24:22do mesmo cargo,
24:24tem que ganhar o mesmo valor,
24:26ela, às vezes,
24:27não considera outros vieses,
24:30por exemplo,
24:30que, às vezes,
24:31a mulher,
24:32ela nem consegue concorrer àquela posição,
24:35então,
24:36a desigualdade fica ainda maior,
24:37porque, às vezes,
24:38a mulher,
24:38ela,
24:39já tem um cargo de liderança,
24:41mas é uma liderança informal,
24:43às vezes,
24:43ela não está na cadeira de chefia,
24:44mas ela faz todas as funções da chefia,
24:47e aí,
24:47ela não ganha tanto.
24:49Em outros momentos,
24:50às vezes,
24:51ela,
24:52faz tudo o que o colega dela faz,
24:54mas o cargo do colega é X,
24:55e o dela é Y.
24:56Então,
24:57acredito que,
24:58embora a iniciativa seja maravilhosa,
25:00a gente também vai ter que ter um olhar cuidadoso,
25:02sobre a forma como as empresas classificam as mulheres em relação ao cargo,
25:07porque,
25:07quanto mais transparente isso acontecer,
25:10aí,
25:10sim,
25:11a gente vai ter,
25:12de fato,
25:12essa igualdade.
25:14É até uma questão,
25:16assim,
25:17essa questão na hora da divulgação,
25:19tem alguma coisa que a gente pode falar aí para as mulheres,
25:21que elas,
25:22quando ela está ali buscando,
25:23vendo essas oportunidades,
25:25ou a gente vê muito na internet,
25:26tem alguma coisa que ela deve observar,
25:28ali,
25:29naqueles pré-requisitos,
25:30ou até nos benefícios que a empresa oferece na hora de se candidatar,
25:34aí,
25:34é uma vaga desejada?
25:36Bom,
25:36olhando para a divulgação da vaga,
25:39eu acho que vale muito a pena ela entender como que essa empresa trabalha,
25:44tá?
25:45Então,
25:45mais que só ela se candidatar para uma vaga,
25:47ela entender também quais são as regras da empresa.
25:50Se ela é uma empresa justa e transparente,
25:52ela,
25:52provavelmente,
25:53vai ter um plano de carreira,
25:54então,
25:54ela vai se candidatar,
25:55e ela vai sabendo que,
25:56na medida que ela evolui,
25:57essa empresa vai ir promovendo ela.
26:01Agora,
26:01se for uma empresa que,
26:02já no processo seletivo,
26:03você não sente confiança,
26:05você não tem tanta transparência,
26:07a gente tem que ter um ponto de atenção,
26:09porque,
26:10às vezes,
26:10a marca empregadora da empresa,
26:12ou a forma como ela vai contratar uma mulher,
26:14vai levar para esse caminho.
26:16Então,
26:16a primeira coisa é analisar a empresa,
26:18e como que essa divulgação de vaga está tendo.
26:21Depois,
26:21quando a mulher já está atuando,
26:23é interessante que ela seja muito crítico dela mesma,
26:26e que ela caminhe junto com a liderança dela.
26:29Porque,
26:30se ela notar que ela está desenvolvendo,
26:32que ela não está sendo promovida,
26:33ela tem que entender o que está faltando.
26:35Porque,
26:35por mais que a gente seja muito boa,
26:37e que,
26:38normalmente,
26:38a gente tem um conhecimento e habilidades acima da média,
26:42pode ser que aquilo que está faltando,
26:44é que está prejudicando a sua promoção.
26:46E aí,
26:46mulher,
26:47nesse momento,
26:47é o momento que,
26:48se está faltando um requisito que é muito importante,
26:50a gente tem que desenvolver.
26:52E aí,
26:52buscar,
26:53então,
26:54cursos,
26:55outras...
26:56questões,
26:56buscar as maneiras de...
26:58De se desenvolver.
26:59Pode ser que seja uma habilidade que é mais de contato,
27:02então,
27:02você tem que fazer mais relacionamento.
27:04Pode ser que seja um curso,
27:05então,
27:05vou matricular no curso,
27:07para fazer com que aquele não seja o impedimento,
27:09para você crescer na carreira.
27:11A gente,
27:12agora,
27:12está já encaminhando para o final,
27:14né,
27:14da nossa live.
27:15Eu queria que Marília e Ana Clara deixassem um recado,
27:20para as mulheres que querem,
27:21que têm aí sua meta na carreira,
27:23querem chegar,
27:24aí,
27:25que seja um ponto de liderança,
27:27ou aquele cargo que ela almeja, né,
27:30tanto para quem está estudando,
27:31quanto para quem está em alguns anos já de carreira.
27:34Qual o recado que vocês deixariam para as mulheres?
27:37Olha,
27:37da minha parte,
27:38assim,
27:39o que eu acredito mesmo,
27:40é que,
27:41independentemente,
27:42né,
27:42da situação,
27:43da sua posição,
27:44é que você esteja aberto ao novo ali,
27:47que você possa,
27:48se permita experimentar,
27:50né,
27:50se permita tentar,
27:51e a gente sabe que,
27:52às vezes,
27:54né,
27:54as pessoas têm muito a perder,
27:55então,
27:56até onde você vai nessa tentativa,
27:58varia muito ali,
27:59com o que está em jogo para você,
28:01mas eu acho que está aberto ao novo,
28:04está aberto às mudanças,
28:06eu entendo que,
28:08isso permite um pouco que você enxergue as oportunidades que surjam no caminho,
28:12né,
28:12foi o que eu falei,
28:13em uma trajetória,
28:14assim,
28:14de oportunidades,
28:16talvez você acabe deixando elas passar,
28:19e aí,
28:20né,
28:20e para o restante,
28:21assim,
28:21eu sei que muitas,
28:22né,
28:23das pessoas ali,
28:23acabam não encontrando tantas oportunidades,
28:25assim,
28:26aí sim,
28:26de fato,
28:26eu entendo que,
28:28é,
28:28a gente precisa de um caminho social,
28:30e uma questão mais,
28:32né,
28:32de política pública mesmo,
28:33para que possa se acessar,
28:36né,
28:36esse,
28:36esse universo.
28:38Maravilhosa.
28:39Então,
28:40a lição,
28:41o caminho que eu deixo para a gente finalizar aqui,
28:44é pegando muito da fala da Marília,
28:46tá,
28:46gente,
28:47o que eu acredito é que nós mulheres temos de entender que pedir ajuda não é fraqueza,
28:53quando ela colocou que muito do nosso trabalho,
28:56muito das nossas entregas não conseguem ser concretizadas,
28:59pelo nosso alto grau de dedicação para outras atividades,
29:02a gente tem que entender que quando a gente conta com a ajuda,
29:06quando,
29:07quando às vezes a gente vê que se a gente delegar, se a gente descentralizar, a gente consegue entregar mais,
29:14que é o caminho de sucesso.
29:15Então,
29:16peçam ajuda,
29:18tenham uma rede de apoio,
29:19valorizem outras mulheres,
29:21porque com certeza,
29:22quando você valoriza as outras,
29:24você também é valorizada.
29:28Obrigada Marília e Ana Clara pela presença,
29:30e obrigada a todos que acompanharam a gente aqui na live.
29:34Gostaria de agradecer que a presença aqui foi, né,
29:36um enorme prazer estar aqui discutindo esse importante assunto com todos vocês.
29:40Muito obrigada, gente,
29:42foi um privilégio estar aqui com vocês.
29:44Até a próxima.
29:45Boa tarde.
29:46Boa tarde.
29:47Boa tarde.
29:55Boa tarde.
29:56Boa tarde.
30:26Boa tarde.
30:55Boa tarde.
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