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A enchente devastou 70% das cidades capixabas e matou dezenas de pessoas
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00:01Ah, eu falo que acho que a força que eu tive foi por ele, porque eu não tinha outra escolha,
00:05né?
00:05Eu tinha que ser forte porque eu estava grávida.
00:08E aí aquele período ali também, acho que isso que me distraiu também, né?
00:11Porque eu fui cuidando das coisas dele e preparando o enxoval e as coisas.
00:20E aí o tempo foi passando.
00:22E quando ele nasceu também foi difícil porque eu não tinha planejado aquilo, viver aquilo sozinha, né?
00:30Mas eu acredito que ele sempre foi a luz para eu seguir.
00:59Aqui no Brasil subiu para 21 o número de mortos nos temporais do Espírito Santo.
01:04A enchente invadiu todos os supermercados da cidade.
01:07Hoje de manhã esse aqui abriu para fazer uma limpeza e colocou os produtos aqui do lado de fora.
01:12Mas as pessoas correram aqui e agora no meio da lama buscam alguma coisa que ainda pode ser útil.
01:18Ninguém dorme, ninguém come, energia acabando.
01:22Meu Deus do céu, está arrumando a casa.
01:25Você está onde? Me diz com o tempo desse. O que a gente faz?
01:28Não. Não. Não. Não.
01:32Perdi todas as minhas coisas. Perdi todas.
01:36Os corpos das duas crianças foram encontrados ontem pelos bombeiros.
01:40A mãe das meninas, de 7 e 9 anos de idade, entrou em desespero.
01:47Eu ainda tenho como trabalhar, mas o meu pai tem 80 anos de idade.
01:51Não tem mais nem coragem, dá dó de olhar para ele.
01:54O final de ano acabou para nós, foi a situação da nossa vida aqui.
01:58Vai ter Natal não?
02:00Não tem nada.
02:01Para mim, lavar tudo eu continuo outra vez.
02:04E as pessoas que não tem casa, ela perdeu tudo.
02:07Eu não tenho dinheiro para reformar a casa.
02:13Natal e Ano Novo, para mim, acabou.
02:27Eu tinha 20 anos.
02:30Assim, foi bem chocante, porque eu me vi sozinha, né?
02:34E aí, grávida.
02:35Em Paraju, distrito de Domingos Martins, um barranco destruiu esse lava-jato.
02:41O dono, Júlio César Boning, de 25 anos, estava lá dentro e morreu na hora.
02:47O estado praticamente parou, né?
02:48No norte do estado, na cidade de Colatina, não deu para salvar o homem que estava nesta casa.
02:53Ele morreu soterrado.
02:55Eugênio de Azevedo estava na garagem da casa, quando foi arrastado pela enxurrada.
03:00Embaixo do Guandu, um homem também morreu levado pela enchente.
03:03Nós levamos o equipamento, levamos a nossa condição humana ao extremo, para que nós pudéssemos socorrer o próximo, ajudar o
03:11próximo.
03:12Os moradores apontam a casa de uma família que precisa de ainda mais ajuda.
03:15Mais a frente, mais a frente.
03:18O militar corre com a criança no colo.
03:21Atrás vêm os pais.
03:22Tem que levar o nosso filho, que está passando muito mal aí, para levar para Linhares.
03:26Todos ficaram à disposição desse desastre, que durou quase um mês.
03:32Teve início em dezembro na região sul, um pouco fraco.
03:37Depois a gente veio para a região norte, noroeste, principalmente Rio Bananal.
03:41E aí ele foi se fortalecendo até o final de dezembro.
03:45A chuva que está caindo desde a tarde de ontem, deixou o centro de Rio Bananal desse jeito.
03:50O telespectador Felipe Dondoni registrou esses cinco jovens com água no peito, tentando fechar a porta do supermercado.
03:58A minha equipe foi a primeira a atuar.
04:00No dia 17 de dezembro de 2023, eu tive um primeiro acionamento para a cidade de Rio Bananal.
04:06A água chegou aos telhados das casas.
04:08Descalço, o prefeito andava pela cidade, tentando atender os moradores na pior enchente da história de Rio Bananal.
04:15E no dia 19 de dezembro, 18 para 19, aconteceu a grande cheia, a grande inundação.
04:22E aí a minha equipe de novo foi escalada para aí e a gente seguiu primeiro para a Nova Venécia.
04:27E lá a gente se deparou com uma infinidade de situações.
04:30A enxurrada veio tão forte que nessa casa aqui, olha só, o portão foi arrancado.
04:34E ele parou lá.
04:35Era muita chuva naquele período, já estava chovendo há bastante tempo.
04:40E a gente via que estavam acontecendo coisas, era barranco, caído nas estradas.
04:46Ninguém passa de carro depois que o asfalto despencou na BR-259.
04:50Para sair ou chegar à cidade, as pessoas têm que passar pelo mato, ao lado do buraco.
04:56A gente considera como o maior desastre que ocorreu no Espírito Santo na história recente.
05:01Nós tivemos muitas famílias impactadas, quase 60 mil, entre desalojados e desabrigados.
05:1055 municípios, dos 78 municípios, foi declarada situação de anormalidade.
05:18Nós tivemos 26 óbitos.
05:20Então você perdeu a mãe da senhora.
05:23A mãe do meu sobrinho e a mãe do meu sobrinho, que existiu.
05:28Eu vi coisas lá que eu não esqueço até hoje, né?
05:30Dez anos e parece que foram ontem.
05:32As imagens gravadas pelo sargento também mostram um momento difícil para os moradores.
05:37A hora de abandonar suas casas.
05:40A coisa mais importante que você tem é que a gente vai levar junto.
05:43Você vai fazer um de constrói de novo, de trás de novo.
05:45Deus abençoe, Deus ajuda.
05:46Vamos com a gente, tá bom?
05:47Foi ali, chegando no Natal, a gente teve aquele volume maior de mortes.
05:52A gente teve um volume muito grande de água.
05:54Naquela região norte ali, choveu ali, em alguns municípios, 550 milímetros dia.
06:01Quer dizer, é um volume de água muito grande.
06:03E a gente acabou tendo muita preocupação, até porque já estava tudo muito encharcado,
06:10muito alagado, muito mudado.
06:12O solo, as construções, muito fadigadas já.
06:16No dia anterior tinha chovido muito.
06:18E aí tinha escorrido bastante lama por dentro do lava-jato.
06:22Ele tinha abrido um lava-jato aqui do lado de casa.
06:26Então ele trabalhava ali.
06:28E naquela manhã ele foi limpar o barro que escorreu da chuva do dia anterior.
06:31Eu estava ali na janela da minha mãe conversando com ela.
06:33E aí quando eu ouvi o barulho, eu olhei para trás e estava tudo desmoronando.
06:37Eu corri aqui para baixo.
06:40Vi o pai correndo e meu primo que estava aqui.
06:43E aí eu perguntei onde que estava o Júlio.
06:45E aí o pai falou que ele estava debaixo.
06:48E aí começou o desespero.
06:49Aí ali mesmo eu larguei minhas sacolas de compra e desci.
06:52Aí eu comecei a chamar o nome dele, mas ele não respondia.
06:55Meu pai e meu primo conseguiram correr, mas meu marido não.
06:58Ele ficou debaixo da terra.
07:00Eu só vi pau descendo e bloco voando.
07:04E para mim foi um desespero.
07:07Não vi outra coisa do que olhar onde o Júlio estava.
07:11Para mim poder tirar ele.
07:13Mas nada conseguimos mais fazer.
07:15A gente chegou em lugares ilhados, pessoas sem as condições mínimas de segurança,
07:23de saneamento, de sobrevivência.
07:24Então a gente viu os instintos humanos ali de segurança e sobrevivência se aflorarem.
07:30As pessoas vinham correndo para cima da gente, da aeronave.
07:33A gente tinha que, os nossos tripulantes, que hoje se chamam operadores aerotáticos,
07:36descer rapidamente quando a gente tocava a aeronave, ainda com os rotores girando,
07:40para manter as pessoas afastadas em segurança para não acontecer um acidente.
07:43Porque elas queriam desesperadamente sair dali, queriam água, queriam comida, queriam socorro,
07:49queriam uma assistência do Estado.
07:50Os militares logo encontram famílias ilhadas e descem com o helicóptero.
07:55Essa aqui foi a única área seca onde o helicóptero conseguiu colocar aqui água para todo lado.
08:00E olha só as famílias que já correm aqui em direção ao helicóptero.
08:04Eles estão aqui há quanto tempo aqui nessa situação?
08:07Ah, mais ou menos uns sete, oito dias.
08:10Está faltando o que em casa?
08:11Água, remédio, comida e flauda para quem tem criança.
08:14O helicóptero foi imprescindível para que nós pudéssemos levar a essa população que estava isolada
08:22medicamento, alimento e também levar remédio e tirar pessoas que estavam precisando de uma assistência médica de urgência.
08:29Para resgatar essa senhora aqui, os homens da Força Aérea tiveram que realmente entrar dentro d'água, nós também.
08:35A senhora está passando mal?
08:36É uma diversão alta, falta de ar.
08:38O voo era muito difícil, muito adversa.
08:42A meteorologia, as consequências das inundações, as cidades que a gente conhecia, os locais de pouso, os campos, eles não
08:50existiam mais, eles estavam inundados com lama sal.
08:53O helicóptero segue com 18 desabrigados que não sabem quando voltarão para casa e parecem não reconhecer mais o lugar
09:01onde moravam.
09:02Está tudo coberto pela água.
09:04Uma situação específica foi do córrego Dois Irmãos, onde uma família tinha sido levada pela enxurrada e alguns familiares estavam
09:15desaparecidos.
09:16Chegamos ao local onde quatro pessoas foram levadas por um deslizamento de terra.
09:20Duas morreram.
09:22Os corpos foram resgatados.
09:24Os outros dois, que ainda não foram encontrados, são os sobrinhos do Josimar.
09:28A esperança é que encontramos os dois corpos que faltam ainda.
09:32Infelizmente, a gente tem notícia que nunca apareceram, se não me engano, dois familiares, né?
09:36Todas as buscas que foram feitas nas várias situações com terrestre, cachorros, farejadores, cães farejadores, e eles não apareceram.
09:45Nós verificávamos ali diversos municípios debaixo da água.
09:50Nós vimos uma região que invariavelmente era mais seca, completamente tomada pela água.
09:57O helicóptero da Polícia Militar está socorrendo as famílias nas áreas mais isoladas.
10:02Na zona rural, muitas plantações foram destruídas.
10:05Com a água acumulada, barragens cederam e as estradas estão alagadas.
10:10Aquele período de 17 de dezembro de 2013 até 4 de janeiro de 2014.
10:16Foi meio que um divisor de águas para a história, né?
10:20Tanto do Espírito Santo, quanto das instituições que envolvem a nota aérea, né?
10:24Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil.
10:27Porque nós operamos muito, fizemos muitos resgates.
10:31Com helicópteros, homens da Força Nacional, do Exército e da Força Aérea dão apoio.
10:37Eles ajudam nos resgates e levam principalmente comida e remédios.
10:42Pessoas precisam de remédio, aqui precisa, no alto lá tem pessoas também que precisam,
10:48mas no caso daqui já dá para as pessoas pegarem, né?
10:51No aeroporto de Linhares o movimento é intenso.
10:54O tempo inteiro, aeronaves levando mantimentos e chegando com desabrigados.
10:59Já tinha sido procurada uma senhora, uma idosa, que era cadeirante, se eu não me engano,
11:03tinha alguma restrição e ninguém estava achando.
11:06num determinado local lá, córrego de Baixo Guandu, área rural de Baixo Guandu,
11:12e a gente falou, vamos lá procurar mais uma vez.
11:15Pegamos as referências visuais e de informação, né?
11:19Porque não tinha uma coordenada geográfica, era, olha, segue até o KM tal, entra, sobe,
11:24vai pelo vale e rodando ninguém achava, ninguém achava, já estava desistindo.
11:29E eu falei, vamos só mais um pouquinho ali atrás daquela, né, daquele obstáculo geográfico ali.
11:36E quando a gente superou, estava lá S.O.S. no chão, a velhinha, a senhora estava lá.
11:42Os moradores acabaram de avistar o helicóptero e estão usando a bandeira vermelha
11:46para pedir socorro, para sinalizar.
11:48E agora a gente está tentando ver um local seguro aqui para descer com a aeronave
11:52e prestar socorro aos moradores.
11:54A chuva era de uma intensidade tão grande que nós tínhamos que voar muito baixo, a baixa velocidade.
12:00Na região da Foz do Rio Doce, você vê toda aquela planície alagada
12:04e a gente voava e via o Rio Doce com seu curso normal e você vê aquilo tudo alagado.
12:10Seguimos para o litoral norte do Espírito Santo, onde a inundação cobre tudo.
12:15Não há mais estradas.
12:16A cheia do Rio Doce está quase chegando ao mar.
12:19Eu lembro de uma criança que ela nasceu no posto de saúde, não sei se foi em Vila Pavão,
12:27um município do noroeste do estado, e ela precisava imediatamente ser levada para uma incubadora.
12:33Então nós conseguimos pousar naquela localidade, a mãe veio junto com a mala dela,
12:39junto com a criança, naquela chuva toda, a gente todo molhado.
12:44Conseguimos chegar em Nova Veneza, a ambulância pegou a criança, levou imediatamente para o hospital,
12:48que ela precisava ainda, criança prematura, né?
12:52E foi levada para a incubadora, sobreviveu.
12:54E isso nos deixa extremamente emocionados e gratificados.
12:58Pousar só era fácil no aeroporto lá de Baixo Guandu, onde foi nosso ponto base de apoio.
13:05Pousar não era em qualquer lugar que a gente conseguia.
13:08Os bombeiros estavam sobrevoando uma área isolada entre as comunidades de povoação e Pontal, em Linhares.
13:15Pastos e plantações debaixo d'água.
13:17Ali, onde tem a cerca, era uma estrada.
13:20Ao lado, estava uma família, há dois dias esperando socorro.
13:24Eram 13 pessoas, que foram resgatadas aos poucos.
13:28Os bombeiros usaram rapel para levar a família para a aeronave.
13:32E o que seria feito em pouco tempo, durou quase 50 minutos.
13:35Um voo extremamente perigoso para a aviação, para os pilotos, para toda a tripulação.
13:42Mas um voo que precisava ser feito.
13:44Porque do outro lado, tinham pessoas que precisavam de um socorro, precisavam de alimentação.
13:49Então, nós, literalmente, chegávamos no limite do equipamento.
13:53Em Baixo Guandu, o resgate foi um pouco mais arriscado.
13:56Ventava forte, o que dificultou a ação dos bombeiros.
14:00Eu lembro de um cidadão chamado Jorge, numa região lá de Baixo Guandu.
14:05O Jorge, ele morava na zona rural e ele vivia sozinho.
14:10Então, na madrugada, ele, a sua casa, né, foi acometida, né, a lama, né, da montanha desceu.
14:20E ele ficou soterrado, sendo encontrado apenas na manhã do dia seguinte.
14:26E eu lembro que ele foi retirado por populares no meio da lama.
14:30Ele tinha uma fratura exposta numa perna e tinha um esmagamento no tornozelo da outra perna, né.
14:38Ele ficou agonizando até quase o final da tarde.
14:41Essa imagem mostra o resgate de uma vítima de um deslizamento.
14:45Um senhor que estava no distrito de Vila Nova do Bananal com as duas pernas quebradas.
14:51A equipe da Força Nacional só conseguiu chegar ao local 12 horas depois.
14:56Ele foi levado para o Hospital Silvio Avidos, em Colatina.
15:00Graças a Deus, conseguimos salvar a vida dessa pessoa, né, o Jorge está vivo até hoje.
15:05Ver o ser humano numa situação de desespero e poder ajudar nos engrandece.
15:10Quando a gente faz uma tarefa dessa de ajudar o próximo e ele efetivamente, nós salvamos várias vidas.
15:15A gente cresce como ser humano, cresce como profissional.
15:19Em segurança, dentro da aeronave, a mulher até deixou aparecer um sorriso.
15:24Parecia aliviada.
15:26A gente era casado há um ano e três meses.
15:29Um período assim foi bem desesperador.
15:32Para quem perdeu um familiar de forma tão trágica, fica a dor e a saudade.
15:37É uma lembrança muito boa.
15:39A gente comenta que só tem coisa boa a lembrar dele.
15:42Deus queira que não aconteça isso nunca mais no Espírito Santo.
15:44Foram dias impressionantes para a nossa vida, né?
15:48Não só para a carreira, para a nossa vida como seres humanos, né?
16:13Não só para a carreira, né?
16:21Não só para a carreira, né?
16:27Não só para a carreira, né?
16:28Scarecrow-se dressed in the latest styles
16:33With frozen faces to keep love away
16:42Humankind else is overflowing
16:48And I think it's gonna rain today
17:03When my truth is over
17:05I think it's gonna rain so much
17:06I think it's gonna rain
17:07I think it's gonna wind up
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