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  • há 4 semanas
Filme estreia nos cinemas do ES na próxima quinta (23)

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Transcrição
00:0515 anos passou picado, né?
00:16Olha, primeiro que é desafiador, porque já não convivia com esse personagem há muitos anos,
00:22apesar dele estar presente aí no imaginário das pessoas,
00:26e isso a gente via muito pelas redes sociais, músicas que foram feitas,
00:30acho que tinha um outro desafio, porque toda vez que eu chego para fazer o Opaio,
00:33eu quero agradar meus ídolos, e as atrizes e os atores do bando são meus ídolos,
00:37eu lembro que o primeiro dia de filmagem eu saí exausto de tanta gaiatice que eu fazia
00:42querendo agradar aquelas atrizes e atores, que são meus primeiros ídolos, né?
00:47Entrei nesse grupo com 15 anos de idade e todo mundo me perguntava assim,
00:51quem você quer ser? Eu dizia, eu quero ser Luciana Sousa, eu quero ser Valdiré Soriano,
00:55quero ser Jorge Washington, são minhas primeiras referências,
00:58então tem um lugar afetivo e emocional muito grande.
01:01E artisticamente é uma grande oportunidade de poder pensar sobre os temas que o personagem
01:08trouxe há 15 anos atrás e pensar o que é que é o Brasil de hoje para esse personagem,
01:13seja na questão da moradia, seja na questão do racismo,
01:17seja na questão da produção musical que é feita na Bahia,
01:21seja na questão de um compositor como esse, que até hoje está sonhando em ter seu trabalho reconhecido.
01:26e fiquei muito feliz por poder retornar à casa, que na verdade é a minha casa.
01:33Mais do que celebrativo, é oportuno a gente conseguir falar e estrear o filme no mês de novembro,
01:44porque é um mês também que a gente consegue encontrar alguns discursos que não são importantes,
01:50como discursos circulantes, e aí a gente vai olhar para a conversa sobre o quilombismo
01:57que Beatriz do Nascimento, há tantos anos, há tantas décadas, nos convocou a pensar.
02:04E aí olhar para o filme e entender que é com Beatriz do Nascimento que um filme feito em 2023
02:11está conversando.
02:13E aí acho que dá uma possibilidade de, ao mesmo tempo, conectar muitas forças coletivas,
02:22muitas perspectivas de vida e de Brasil que a população negra tem tentado chamar o nosso país a refletir
02:33e experimentar algumas ferramentas, como a ferramenta da generosidade, da cooperação, do coletivismo.
02:42E acho que é uma possibilidade.
02:45Sabe, no Brasil, hoje, dois anos depois de pandemia, eu acho que temos humanidades todas sensíveis o suficiente
02:53para reconhecer essas ferramentas como ferramentas potentes.
03:10Historicamente, as populações em situação de rua no nosso país
03:17são majoritariamente compostas por pessoas negras, a gente sabe, isso é um diagnóstico.
03:23Eu cresci com muita dificuldade entre entender qual era a diferença, né?
03:27Tipo, da gente que tinha, das pessoas que não tinham casa,
03:30porque minha mãe convidava essas pessoas para dentro de casa o tempo inteiro.
03:35E aí entendo a responsabilidade do Estado em dar determinadas respostas,
03:42mas acho que o filme também convoca a todos nós a revisitarmos a nossa humanidade,
03:50a nossa sensibilidade e não perdermos de vista que do outro lado existe uma outra pessoa, né?
03:57Então, talvez eu não consiga levar as pessoas para casa, mas eu posso estar dentro do meu carro
04:03e quando alguém aparece ali querendo limpar ou pedindo alguma coisa,
04:09eu tenho uma fruta, tenho alguma coisa, tipo, para ofertar, né?
04:13Como eu digo a outra pessoa que a entendo e reconheço como um ser humano.
04:19O que é que vai acontecer com a carreira de painho, olha?
04:22A justiça vai ser feita e a gente vai continuar, a gente vai lutar.
04:27E além de tudo, a gente vai sonhar.
04:28O Opaió é feito para fortalecer, para mostrar caminho, para mostrar perspectiva,
04:34para mostrar estratégias.
04:36No caso desse filme, é a estratégia da coletividade, do se agrupado,
04:40do se olhar, não esperar, como o Vivi fala muito bem,
04:43do Salvador externo que vai resolver tudo magicamente, milagrosamente.
04:48O filme vem para isso.
04:49Acho que, inclusive, o tom do filme ajuda a que seja possível
04:52lançar esta mensagem dessa maneira,
04:55porque o humor abre portas, abre caminhos, a musicalidade que tem para o presente,
04:59o cenário que se passa nesse pequeno pedaço de Salvador,
05:02ele ajuda a gente a levar a mensagem dessa forma.
05:06Opaió, a gente já vai lá.
05:10Opaió, opaió.
05:15Opaió.
05:16É o dois.
05:17Olha nós aqui de novo.
05:20Aham.
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