00:02Eu tenho seis anos, meu nome é Gabriel Ferri de Oliveira, sou um outro meu irmão Azulvito e Marinho,
00:10e o nome da minha irmã é Mariana, o nome da minha mãe é Ana Ferri de Oliveira, e também,
00:19o que eu falo mais?
00:34A reportagem de hoje é em sala de aula, dentro de uma escola na grande São Pedro, em Vitória.
00:41Enquanto a professora dá as orientações, os alunos usam os dedos para formar as palavras.
00:47Qual a importância do lego, desse lego aqui diferenciado?
00:51Porque ele não é um lego normal que a gente...
00:55Hã?
00:58As aulas de matemática, língua portuguesa e geografia preenchem o horário da turma.
01:04Mas para os alunos de escolas municipais de Vitória, o sistema Braille ocupa parte importante na formação.
01:10É um material colorido, lúdico, que tem toda essa questão do Braille para a criança que é evidente ou não,
01:17Então, para a criança que tem ali condição de estar enxergando, ela também está brincando, e brincando muito, ela está
01:23explorando aquele universo.
01:24E para a criança que tem a deficiência visual, principalmente quem é cego, é uma ferramenta, é mais do que
01:30o lúdico, é mais do que a brincadeira, é de fato essa inclusão.
01:34A caixa de ovos cortada e as bolinhas de isopor servem como uma iniciação ao Braille.
01:41O alfabeto, criado no século XIX na França, é tratado como um compromisso em sala de aula.
01:47Aqui, todos conhecem o alfabeto utilizado por deficientes visuais.
01:52Ele começou bebendo na PAI, na PAI de Vitória, em Bento Ferreira, e dali da PAI ele começou com fisioterapia,
02:03fonodióloga e terapia ocupacional.
02:06Como a visão afetou a coordenação motora, ele precisou de fisioterapia.
02:24Quando eu vi meu filho andar...
02:26Agora está inscrito o quê?
02:28É muita alegria, hoje ele corre, hoje ele pula.
02:31Tanto que eu até falo, para de correr, Gabriel, senão você vai se machucar.
02:36Então, sem palavras.
02:37Então, a Gabriel está aqui hoje, escrevendo o nome dele em Braille, sem palavras.
02:43É um deficiente visual que enxerga.
02:53Qual palavra você escreveu?
02:55Harmonia.
02:55Por quê?
02:57Porque eu gosto dela.
02:58De São Pedro para o bairro Monte Belo, onde estuda o Davi.
03:10V-A-V-I.
03:14O teu nome?
03:15Davi.
03:18Ele nasceu com o olhinho tremendo, no estagmo, né?
03:22E aí a gente começou a investigar.
03:24Passamos para um que fazia o fundo de olho e dali ele viu que tinha um problema na retina.
03:31E foi aí que a gente descobriu que ele era deficiente visual.
03:35Logo em seguida, veio o diagnóstico de autismo.
03:37Gabriel, de 6 anos, e Davi, de 11, estudam em escolas diferentes e não se conhecem.
03:44Mas à medida que contam a própria história e escrevem as palavras que estão no coração,
03:49parecem se encontrar no mesmo lugar.
03:52A educação, ela é o caminho, ela não é um caminho.
03:56Ela é o caminho de transformação.
03:58E aqui, o que nós assistimos hoje é a possibilidade desse estudante estar no mundo
04:04e estar explorando tudo o que a gente tem para oferecer para ele.
04:07As peças coloridas são fruto de uma parceria internacional e chegaram ao estado sem custos.
04:14Vitória foi a primeira cidade do Espírito Santo a receber o Lego Braille Bricks.
04:19O brinquedo, que marcou presença na infância de muita gente, agora tem uma nova versão.
04:25A linha criada para crianças cegas tem a identificação em braille, da letra ou número que representam.
04:32Eu já ouvi que meu filho não seria nada.
04:34Em um teste que fizeram com ele, o resultado foi, seu filho não vai desenvolver.
04:40Porque essa pessoa que falou isso...
04:45Não sabia que ele tinha uma mãe que ia batalhar para ele aprender.
04:54Talvez se eu tivesse ouvido isso e acreditado, eu não estaria aqui hoje te mostrando que ele sabe ler, que
05:04ele sabe escrever.
05:05Mas eu não acreditei no que aquela pessoa me disse.
05:08Eu vim para casa, chorei, pensei, devo estar fazendo tudo errado.
05:14Então agora eu vou fazer o certo.
05:16Gabriel e Davi podem dizer com propriedade que o apoio das professoras e a existência do Lego Braille
05:24tornam o ambiente escolar acolhedor, amoroso e inclusivo.
05:29Quase como um abraço de mãe.
05:31Qual palavra que foi?
05:33Amor.
05:34Fala pra ele.
05:35Amor.
05:36Me conta qual é a palavra, o que ela significa pra você?
05:39É, quando a gente ama alguma coisa, entendeu?
05:49Eu que agradeço vocês terem vindo aqui ver o meu filho.
05:53Onde que eu ia chegar aqui e pensar, ah, o meu filho vai dar uma entrevista.
05:59Gente, desculpa.
06:00Tchau.
06:01Tchau.