00:07Olá, eu sou Dina Sanchotene e esse é o AG Carreiras, que em uma série com quatro episódios
00:13está falando sobre saúde mental no trabalho.
00:16E o nosso assunto de hoje é ambiente tóxico.
00:19Para saber o que é, como identificar e as soluções para esse problema,
00:24eu converso hoje com a consultora de carreiras, Andréa Salsa.
00:28Olá, Andréa.
00:29Oi, Dina. Obrigada pelo convite.
00:32Como que a gente identifica que o ambiente de trabalho está tóxico?
00:36Isso tem uma relação direta com as relações, né?
00:40O quanto eu me sinto à vontade ou pouco à vontade, o quanto para mim é difícil estar naquele ambiente.
00:48Normalmente tem alguns sintomaizinhos que a gente identifica, que é aquele desânimo de ir para o trabalho,
00:55porque eu sei que eu vou ter baixo acolhimento, onde eu não vou me sentir à vontade.
01:00Tem até uma pesquisadora que eu gosto muito, que é a Anne McQueen, que é uma pesquisadora na Universidade de
01:05Pensilvânia.
01:06E ela fez um estudo sobre ambientes tóxicos.
01:09Ela diz que tem três grandes sinais de que a gente está com uma toxicidade no ambiente.
01:14O primeiro é que as pessoas normalmente camuflam o seu comportamento.
01:18Então as pessoas não se sentem à vontade de serem quem exatamente elas são.
01:23Seja na vestimenta, seja no falar, seja no comportamento.
01:27Então a pessoa dissimula o próprio comportamento para se sentir um pouco mais acolhido.
01:32O segundo é um excesso de trabalho.
01:34Ambientes onde tem um excesso de trabalho, onde normalmente o próprio profissional percebe
01:41que ele não tem condições de dar conta de tanta demanda de trabalho.
01:45Isso é um passo para você sentir que aquele ambiente não é tão saudável para você.
01:50E por último, ela traz uma excessiva competitividade.
01:56Os profissionais competem excessivamente entre si e às vezes utilizam aí talvez de comportamentos pouco adequados,
02:04pouco éticos.
02:05E aí essa junção de questões torna o ambiente realmente pouco saudável e muito tóxico.
02:11A toxicidade vem desse se fazer mal.
02:15Estar naquele ambiente me faz muito mal.
02:17Eu queria te perguntar de quem é essa responsabilidade de deixar o ambiente de trabalho mais saudável
02:23e também como evitar que chegue esse ponto de o ambiente estar tão intoxicado
02:29que as pessoas se sentem mal em trabalhar.
02:33Eu sempre digo que é uma responsabilidade de todos nós, mas tem um elemento que tem
02:38uma responsabilidade adicional, vamos dizer assim, que é o líder.
02:41A liderança tem um papel muito importante em tornar o ambiente mais saudável.
02:47E quando o ambiente não é saudável, se a gente olhar para a liderança, a gente provavelmente
02:52vai encontrar um agente, talvez até causador daquele ambiente tóxico.
02:56Então, é uma responsabilidade, sem dúvida, individual, porque eu sempre gosto de fazer
03:02às pessoas a provocação de, será que eu não sou um elemento tóxico desse ambiente?
03:09E se eu sou líder, mais ainda a responsabilidade em relação a isso.
03:14Então, é uma responsabilidade de todos nós, mas o líder tem um papel muito importante na
03:19questão do ambiente profissional.
03:20Esse ambiente não saudável pode prejudicar a performance da equipe toda?
03:26Sem dúvida, né?
03:27Ninguém gosta de trabalhar ou gastar a sua energia, ativar a sua motivação no ambiente que me faz mal.
03:36Então, se eu estou no ambiente que me faz mal, muito provavelmente, às vezes até quase que no instinto,
03:42vamos botar uma palavra forte, quase que no instinto de vingança, né?
03:46Eu não vou entregar o meu melhor no ambiente que me faz mal.
03:49Então, sem dúvida, o ambiente, ele interfere diretamente na produtividade.
03:54Ambientes ruins, provavelmente a empresa e o corpo colaborativo entrega menos.
04:00Ambientes bons, a gente, até uma forma de valorizar aquele ambiente, eu quero entregar o meu melhor trabalho para ele,
04:08né?
04:08Então, sem dúvida, interfere na produtividade.
04:11Esse ambiente tóxico tem alguma relação direta com as doenças, a saúde mental dos trabalhadores?
04:18Sem dúvida, a gente associa muito o ambiente não saudável, né?
04:24O ambiente tóxico com a doença síndrome de burnout, né?
04:28Que a gente tem falado muito, né?
04:30Sobre essa doença, que é o esgotamento físico e emocional em decorrência de um ambiente de trabalho nocivo,
04:38que é exatamente isso que a gente está falando, né?
04:40Então, são muitas doenças, a principal é essa, mas tem outras como depressão, né?
04:46A própria síndrome do pânico e tantas outras doenças emocionais que são desencadeadas por conta de um ambiente nocivo.
04:54Como que o profissional pode identificar se ele não está sendo, provocando esse ambiente tóxico?
05:01Isso é uma pergunta maravilhosa, porque se eu fizer uma pergunta assim para todo mundo que está ouvindo a gente,
05:07vendo a gente,
05:08você acredita que tem ambiente tóxico, né?
05:11Que existem pessoas tóxicas?
05:14Provavelmente todo mundo, a maioria vai falar sim.
05:16Mas se eu perguntar assim, você é tóxico?
05:19Você é um líder tóxico?
05:21Você traz esse ambiente ruim?
05:23A pessoa vai falar não.
05:24Eu vou falar, então de onde vem?
05:25Se todo mundo acredita que existe e ninguém acha que é responsável,
05:30então eu acho que uma autocrítica é importante, sabe, Dinah?
05:34Entender o quanto as pessoas se comportam no ambiente onde eu estou.
05:39Porque a gente tem sinais, né?
05:41Quando eu chego, as pessoas me acolhem, eu sou acolhida naquele ambiente ou as pessoas se afastam?
05:48As pessoas normalmente, eu tenho coragem de pedir feedback?
05:52Pedir um retorno para as pessoas com quem eu convivo?
05:55Porque pode ser que você receba uma informação que assim, olha,
05:59teu comportamento não está bacana, está me fazendo mal, está fazendo mal aos colegas.
06:04Então, eu entendo que essa percepção do ambiente e dialogar com quem está ao meu redor
06:11é muito importante para eu, talvez, desconfiar que eu seja um elemento aí
06:15que está contribuindo para a toxicidade do ambiente.
06:18Os feedbacks são importantes nesse processo?
06:21Eles são fundamentais, né, Dinah?
06:23Mas tem que ter coragem, sabe?
06:25Eu sempre digo assim, você tem que pedir feedback,
06:28não um feedback álibi, que é assim, vou pedir um feedback para Maria ou João
06:34que eu sei que não vai ter coragem de trazer para mim as coisas que eu preciso ouvir.
06:38Aí depois eu tenho um álibi.
06:39Não, eu pedi feedback, mas não pediu para as pessoas
06:42que talvez você saiba que tem mais coragem, são mais honestas
06:46para trazer as coisas que você precisa ouvir.
06:48Então, feedback é um exercício constante, muito saudável, que a gente, se não tem,
06:56a gente deve provocar esse exercício de feedback.
06:59Esses ambientes não saudáveis são terrenos férteis para os psicopatas corporativos?
07:06É, muito interessante essa expressão, né?
07:08As pessoas falam, nossa, psicopata corporativo, como é isso?
07:11Porque normalmente a gente vê os psicopatas nos filmes, né?
07:14São aqueles que matam, esquartejam, espalham parte dos corpos para tudo quanto é lugar.
07:19Esses existem também, infelizmente, né?
07:22Tem uma associação direta ao crime, mas os chamados psicopatas corporativos
07:26são aqueles que, e isso é uma terminologia técnica mesmo,
07:31tem gente muito séria estudando sobre essa temática no Brasil e fora do Brasil,
07:35mas são aqueles que veem na perversidade uma forma de se nutrir, né?
07:42Então, eu tenho prazer em subjugar pessoas, em gerar um ambiente de perversidade.
07:48Então, sem dúvida nenhuma, ambientes tóxicos são ambientes férteis para essas pessoas.
07:54E uma forma da gente, inclusive, eliminar a possibilidade da gente ter no ambiente corporativo
08:00um psicopata corporativo é cuidando do ambiente, né?
08:03Cuidando do clima organizacional, garantindo que as pessoas se sintam bem,
08:07para que as pessoas se sintam à vontade, sejam respeitadas.
08:11O respeito é uma coisa muito importante, né?
08:14Da gente cultivar.
08:15O que não significa que não haja necessidade, às vezes, de ter uma conversa mais assertiva, né?
08:21Não é um parque de diversões, um ambiente de trabalho saudável.
08:25Ele é um ambiente onde as pessoas se respeitam, onde as pessoas sentem que estão indo para entregar o seu
08:31melhor
08:31e sentem-se motivadas, né?
08:33Para irem trabalhar.
08:35Então, ambientes tóxicos são o lugar preferido dos psicopatas corporativos.
08:40Como que a gente pode aí reverter essa situação para que o ambiente seja saudável para todo mundo,
08:48para que ninguém fique doente, todo mundo tenha o prazer de trabalhar com aquela vontade?
08:53O que a gente pode falar um pouquinho aí para a melhora desse ambiente corporativo?
08:58O primeiro é reconhecer que o ambiente não está bom, né?
09:02Esse é o primeiro, assim, porque, às vezes, a gente finge que não está vendo o óbvio
09:07e isso vai crescendo, vai gerando uma complexidade
09:10e, para desmontar essa bomba, fica mais difícil, né?
09:13O primeiro é reconhecer.
09:14Ao reconhecer, a gente precisa dialogar sobre isso.
09:18Eu acho que tem momentos que a gente precisa reconstruir relações.
09:22O ambiente tóxico, ele é capaz de desfazer, às vezes, zelos, amizades
09:28de longo tempo numa empresa.
09:30Então, reunir essas pessoas para conversar.
09:33E a vigilância da liderança.
09:35Por isso que eu digo que o ator principal aí nos ambientes, né?
09:39Tanto nocivos quanto os ambientes saudáveis
09:42tem uma responsabilidade muito grande dessa liderança
09:45de monitorar, conversar e inibir,
09:49inclusive, às vezes, com políticas, né?
09:51De responsabilização mesmo sobre quem tem atitudes
09:57porque a gente está falando também, né, Dinah?
09:59Muito sobre assédio moral.
10:01Ambiente tóxico é um ambiente onde, normalmente, tem assédio moral.
10:04Então, a empresa se posicionar, a cultura se posicionar,
10:07o clima organizacional através das pessoas
10:10porque quem faz a cultura, o clima, né?
10:12Quem define não é um CNPJ, né?
10:15É um somatório de CPFs que somos nós, são as pessoas.
10:18Então, essa vigilância, esse diálogo franco e aberto
10:22é muito importante para a gente,
10:24para quem já está vivendo, né, num ambiente tóxico,
10:27tentar reverter esse cenário.
10:29O treinamento de toda a equipe pode ajudar isso aí, né?
10:32Porque, às vezes, a gente pensa
10:34que é só o líder que causa isso,
10:37mas não, outros colegas também dentro da mesma equipe, né?
10:40Sem dúvida.
10:41O líder é um vigilante, né?
10:43Eu acho que não dá para delegar essa responsabilidade
10:47para um outro representante do time.
10:52Mas, cada um fazendo a sua parte,
10:54a responsabilidade com o time,
10:57eu acho que, somando boas atitudes,
11:00a gente constrói um ambiente mais favorável
11:03e que impeça, né,
11:05essa relação de toxicidade entre as pessoas.
11:08Então, sem dúvida, responsabilidade individual,
11:10mas com um destaque,
11:12eu sempre vou falar isso por crença
11:14e por observar, né,
11:15como que as empresas se comportam,
11:17uma responsabilidade muito importante do líder.
11:19Andréia, queria te agradecer mais uma vez
11:21por você estar aqui conversando com a gente.
11:23Muito obrigada.
11:25Imagina, Dina, uma honra estar aqui.
11:28Eu espero que esse nosso conteúdo ajude, né,
11:30as pessoas que estão vendo e ouvindo a gente
11:32e que haja aí, pelo menos,
11:34uma ampliação de consciência sobre esse tema
11:37que é tão importante, né?
11:38E eu sempre digo nos meus espaços profissionais
11:41por onde eu vou
11:42que para entender de negócios,
11:43para entender de ambiente, de carreira,
11:46tem que entender de gente, né?
11:47Então, a gente está conversando aqui
11:48sobre temáticas humanas
11:50que são muito importantes
11:51e têm interferido nos negócios
11:53e na carreira de muita gente.
11:54Então, muito obrigada.
11:56É sempre uma honra estar dividindo o espaço com você.
11:58Então, pessoal, é isso.
12:00O AG Carreiras fica por aqui.
12:02e a gente se vê em breve
12:03com outros episódios.
12:05Tchau!