00:00Um ciclone extra-tropical no Oceano Atlântico mantém o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina
00:05em estado de alerta vermelho, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia, o INMET.
00:12Tá doido! Aí é muita chuva!
00:16A região já está, no momento em que eu gravo este vídeo, sofrendo com os efeitos de chuvas fortes,
00:22granizo, danos a milhares de casas e ventos de até 140 km por hora que chegaram até o sudeste.
00:32Esse é o terceiro ciclone extra-tropical a chegar até a região sul do Brasil em um mês.
00:37Será que eles estão mais frequentes ou mais fortes?
00:40Eu sou Julia Granck, da BBC News Brasil, e neste vídeo vou explicar como esses ciclones se formam
00:46e os fatores que podem estar facilitando a formação e intensificando a força desses fenômenos climáticos.
00:52A empresa de meteorologia METSUL diz que os ciclones não atravessam as cidades em si,
00:57mas sim formam um campo de vento enorme, que neste momento atinge uma área de quase mil quilômetros,
01:03desde o Uruguai e o Paraguai até o litoral de São Paulo e Rio de Janeiro.
01:07Segundo o INMET, há um grande risco de danos à infraestrutura e a plantações,
01:12assim como cortes de energia elétrica, quedas de árvores e alagamentos.
01:16Mas como esses ciclones se formam?
01:18Ciclones extra-tropicais são fenômenos comuns.
01:21São tempestades que se formam no sul do Oceano Atlântico graças ao contraste de temperaturas nas latitudes médias,
01:27que não ficam nem no Equador nem nos polos, mas que recebem tanto o ar quente tropical quanto o ar
01:33polar.
01:33Desse encontro de ar com temperaturas diferentes é que surgem fortes chuvas e ventos.
01:38Um ciclone extra-tropical é uma grande área de baixa pressão atmosférica,
01:43e quando a pressão atmosférica é baixa, ela favorece a subida da umidade da superfície para a atmosfera.
01:50Só que a gente tem que imaginar isso em uma área de milhares de quilômetros,
01:54toda aquela região com a pressão atmosférica muito baixa,
01:56como se jogasse realmente para a atmosfera a umidade,
01:59formando nuvens gigantescas que podem chegar a 10, 15 quilômetros de altura,
02:05e atuando nessa área que pode incluir vários estados brasileiros, por exemplo.
02:10A especialista me disse também que esses ciclones extra-tropicais se formam toda semana,
02:15às vezes às dezenas.
02:16Só que isso geralmente acontece na região do Atlântico, que fica mais próxima ao Polo Sul,
02:21portanto com pouco impacto no nosso continente.
02:24Aliás, esse fenômeno extra-tropical não costuma, historicamente, ser tão forte nem durar tanto
02:30quanto um ciclone tropical, aquele que é formado na região dos trópicos.
02:34O problema é que o aquecimento global tem contribuído para o surgimento de ciclones extra-tropicais
02:39atípicos, que podem se formar com mais rapidez e causar impacto maior.
02:44Elementos como o fenômeno El Ninho, que aumentam a umidade,
02:48acabam potencializando ainda mais a força das chuvas.
02:51Acredito que esse cenário das mudanças climáticas, de alguma forma,
02:56tem ajudado ou tem auxiliado na formação desses ciclones que têm características especiais.
03:01Nós tivemos o ciclone bomba, que é um ciclone que tem uma formação explosiva em poucas horas.
03:06A pressão atmosférica cai muito rápido em poucas horas e ele tem um potencial destrutivo maior.
03:11Os ciclones com características diferentes, como foi o caso do mês de junho,
03:16em que o ciclone se formou ao norte da região normal, que eu falei ali,
03:19Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul.
03:21O ciclone do mês de junho começou a sua formação entre Paraná e São Paulo
03:25e depois começou a avançar de norte para sul, que é uma trajetória completamente inesperada,
03:30de norte para sul, se aproximando muito do Rio Grande do Sul
03:33e que resultou em um dos piores desastres aqui do estado, com 17 mortos.
03:38Então, o que eu tenho observado na minha experiência de mais de 20 anos de previsão do tempo
03:42é que esses ciclones com características especiais,
03:47diferentes do que esses que são mais corriqueiros, mais comuns na nossa climatologia,
03:51esses, sim, têm se tornado mais comuns.
03:54Para quem está nas áreas afetadas, é importante ficar alerta às recomendações
03:58da Defesa Civil e de outros órgãos locais.
04:01Não dirije em áreas alagadas, esteja atento a sinais de deslizamentos
04:05e busque abrigo seguro durante ventos fortes, longe de janelas ou de objetos que podem machucar.
04:11Ana Ávila, pesquisadora meteorológica da Unicamp, explica que os ventos ficam mais fortes
04:17nas áreas próximas ao mar.
04:18O resultado disso, dependendo da força do ciclone extra-tropical vigente,
04:22são ondas que podem chegar a 4 metros de altura.
04:26Por isso, é essencial que toda atividade marítima seja suspensa nas áreas de risco.
04:30A gente segue acompanhando o tema no nosso canal no YouTube,
04:33nas redes sociais e em bbcbrasil.com.
04:36Obrigada e até a próxima!
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