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00:02Eu era o mais velho, depois fui morar com o meu avô, resolvi para o colégio interno,
00:12fui para o internato, fiz o curso técnico na agropecuária e não consegui seguir mais,
00:23entendeu? Parei por aí mesmo. Eu tenho meu irmão caçula, é militar também.
00:34Carlos, então eu vou pedir para você começar falando quem era o seu pai, quem era o Sarri Antônia.
00:41Você pode repetir tudo o que você falou para mim também, porque você é o mais velho, de três filhos,
00:47tudo bem?
00:48Tudo bem.
00:48Vamos começar.
00:49Quem era o seu pai?
00:50Meu pai era um sujeito simples, que veio do interior, trabalhando no mercado, vendendo verdura,
01:01teve a oportunidade de ingressar na polícia, um soldado exemplar, que ele recebeu até um troféu de honra ou mérito,
01:11por ser um disciplinado, e não parou de estudar.
01:18Chegou a sargento, continuando estudando ainda, estava fazendo curso científico na época, ele chegava em casa de noite e ia
01:27para a escola ainda.
01:31E, desse fato, ele era, como eu falo para você, um pai de família exemplar.
01:36Final de semana, onde ele estava, estava junto com ele.
01:41Deixou três filhos, eu o mais velho, com nove anos, a minha irmã com sete e meu irmão com oito
01:47meses de idade.
01:50E ocorreu esse fato aí, desse crime dessa menina, Araceli, e ele, trabalhando as investigações, mais a equipe dele,
02:05desvendaram esse crime.
02:11E aconteceu que as pessoas se corromperam e preferiram tirar a vida dele, porque ele não aceitou o dinheiro, não
02:21aceitou o suborno.
02:23Se ele tivesse aceitado o suborno, talvez ele estaria vivo.
02:26Mas, por outro lado, igual eu falei com você, eu tenho orgulho dele, para mim ele é um herói.
02:31Se eu tivesse aceitado o suborno, talvez eu não falaria dele com tanta satisfação, entendeu?
02:37Para mim, ele vai ser sempre um eterno herói.
02:43Tenho um irmão, porque assim, nós estamos todos vivos ainda, graças a Deus.
02:49A minha mãe faleceu, tem, vai fazer 20 anos agora também.
02:53Faleceu nova.
02:55Meu pai morreu com 31 anos de idade, era novo.
02:58Morreu não, tiraram a vida dele, né?
03:00E a gente passou por muita dificuldade com isso.
03:03Minha mãe sofreu muito, porque não foi fácil para ela.
03:08Com três crianças pequenas, né?
03:13Então é isso.
03:15Eu só tenho orgulho de falar dele, sabe?
03:18Mesmo ter vivido pouco tempo com ele.
03:22E o resto é tudo que está no processo, né?
03:25O que foi falado é realmente a verdade.
03:28Tudo que você assistiu daquela época,
03:34desses processos com mais de 5 mil páginas,
03:36tudo que foi falado ali é verdade.
03:38As testemunhas foram todas sumindo.
03:41Umas se corrompiam, outras morriam.
03:45O juiz deu 18 anos de prisão, mas eles não ficaram na prisão.
03:51Então, assim, descobriu, mas não foram punidos,
03:57porque o dinheiro que manda, né?
04:00Então, não foi fácil, não.
04:02Na época, as investigações saíram,
04:04estavam no delegado e foram para as mãos do seu pai.
04:08Ele começou a investigar.
04:10É porque ele trabalhava na PM2, né?
04:12Ele trabalhava no serviço secreto.
04:14Ele não trabalhava fardado nessa ocasião.
04:17Entendeu?
04:18Nessa ocasião, ele entrou para essa equipe de investigação.
04:23E ele preferiu tocar para frente.
04:24Ele não aceitou o suborno.
04:26Então, nele não aceitar,
04:29foi a hora que eles armaram para cima dele,
04:32assim como os outros demais.
04:34Entendeu?
04:35Isso aí.
04:36E ele falava em casa,
04:38ele chegou a falar com a sua mãe,
04:39que ofereceram o suborno para ele,
04:42ou alguma coisa assim?
04:44Eu creio que ele falou só para a minha mãe,
04:46porque, assim, eu era muito pequeno,
04:48então eu não tinha esse tipo de conversa.
04:49Ele tinha uma caderneta na qual ele anotava as coisas.
04:53Era endereço, era nome,
04:54as coisas que aconteciam, entendeu?
04:56Com quem ele conversava,
04:57isso aí ele tinha uma caderneta.
04:58Segundo a minha mãe,
04:59porque eu também não tive acesso a isso.
05:05Ele ficou muito revoltado com o caso dessa menina,
05:07porque ele tinha uma filha da idade dela, praticamente.
05:10Entendeu?
05:11Então, quer dizer, não é fácil
05:15você se colocar no lugar do outro,
05:17perdendo um filho dessa forma, né?
05:19Da forma bruta, como foi,
05:20essa menina foi morta.
05:23Aí ele resolveu
05:26não aceitar o dinheiro e tocar para frente.
05:29Foi a hora que
05:31eles
05:32o executaram.
05:34E ele fez uma investigação, assim,
05:35até rápida para a época,
05:36e ele conseguiu chegar
05:38a nomes de suspeitos, né?
05:40E ele falava, assim,
05:41quem eram essas pessoas,
05:43ou, assim,
05:43o nível de poder delas
05:45na sociedade?
05:47Olha, se ele falava,
05:48ele falava só com a minha mãe,
05:49porque,
05:50até mesmo porque,
05:51igual falei,
05:52eu era muito novo,
05:52eu tinha nove anos,
05:53eu não entendia muito bem
05:55dessas coisas,
05:56entendeu?
05:56E o tempo que ele estava em casa,
05:58ele preferia não,
05:59ele não falava do serviço.
06:01Entendeu?
06:02Meu pai era uma pessoa, assim,
06:04igual falei,
06:04muito família.
06:05Ele tinha um hobby que era caçar.
06:07E ele ia para o mato,
06:08final de semana, às vezes,
06:09e eu ia com ele,
06:10dormia no mato com ele,
06:11entendeu?
06:12Ele tinha uma brincadeira
06:13que ele fazia comigo
06:14no final de semana,
06:14quando a gente estava em casa,
06:18a gente morava ali
06:19na ilha do Monte Belo
06:20e a padaria era lá
06:21na ilha de Santa Maria.
06:23Aí ele falava assim,
06:24olha,
06:26vai lá comprar o pão,
06:27mas eu vou cuspir aqui no chão,
06:28hein?
06:29Se secar,
06:30quando chegar aqui
06:31eu vou dar uns cascudos, hein?
06:32Eu tinha que ir correndo,
06:33comprava o pão,
06:34quando eu chegava,
06:34ele falava assim,
06:35agora você paga dez para mim.
06:36Aí, entendeu?
06:37Ele era desse jeito,
06:38o cara bacana,
06:39fez muita falta.
06:42O meu irmão, por exemplo,
06:43não conheceu,
06:44então, assim,
06:45mas eu cheguei a ter uma convivência
06:46com ele, né?
06:49Muito boa.
06:50E aí,
06:51no dia da morte dele,
06:52assim,
06:53o que você lembra?
06:55Eu estava deitado,
06:56nós morávamos num barraco
06:57de tal,
06:58de dois cômodos,
06:59era um quarto
06:59e uma cozinha.
07:03Meu irmão no berço,
07:04a minha irmã na cama
07:06do solteiro
07:08e eu no chão,
07:09num colchão.
07:12Tudo muito ar, assim,
07:13nós éramos muito pobres,
07:14né?
07:14Na época.
07:17E eu lembro ele
07:18passando por cima de mim.
07:20Segundo a minha mãe,
07:23assim,
07:23e o quintal
07:24tinha mais ou menos
07:24uns vinte metros
07:26onde eu estava fazendo
07:27o alicerce da casa,
07:28aquela coisa,
07:29só no tijolado.
07:32E na frente
07:32era uma cerca
07:33de madeiras,
07:35de ripa.
07:37Ele foi,
07:38falou com a minha mãe,
07:39assim,
07:39Elza,
07:40não deixa o Carlinho
07:41sem estudar, não, hein?
07:42Porque era
07:42minha prova final
07:44nesse dia,
07:45dia 29 de novembro.
07:47Tá bom, Zé?
07:49Aí ele foi.
07:49Chegou lá no,
07:50era um Fusquinha
07:51que eles estavam.
07:52Chegou lá no carro,
07:54ele voltou lá de novo.
07:56Falou assim,
07:56ó, Elza,
07:57aí foi,
07:58deixa o Carlinho
07:59sem estudar, não, hein?
08:02Entrou no carro,
08:04deu uma volta
08:05no quarteirão,
08:05parou lá em casa
08:06de novo
08:08e falou com a minha mãe,
08:09ô, Elza,
08:10ela levantou,
08:11o que que foi?
08:12Não vai deixar o Carlinho
08:13sem estudar, não, hein?
08:14Aí diz ela
08:15que deu aquele negócio
08:16nela assim,
08:16eu falei,
08:16ah, três vezes?
08:18Chegou aí,
08:19voltar, né?
08:20Aí quando ela chegou,
08:21só deu a mão
08:22para ela assim,
08:24eu fui para a escola,
08:25estudava ali
08:26na escola Italo-Régio,
08:27aí de Santa Maria,
08:29quando eu estava
08:29fazendo a prova final,
08:31era minha professora,
08:32chamava Dona Zumira,
08:33por sinal,
08:35aí chegou um tio meu,
08:38que é militar,
08:40tio de consideração,
08:42e me resgatando
08:44que eu precisava ir embora.
08:46Quando eu cheguei em casa,
08:47que eu,
08:49alguém veio falar,
08:50eu me revoltei,
08:52saí correndo,
08:54aí me pegaram a força,
08:55me prendendo aí de casa,
08:56isso aí,
08:59aí foi.
09:15É fácil não.
09:23Meu pai foi morto por
09:27bandidos,
09:31travestido de...
09:39Como é que eu posso falar?
09:46com a farda
09:48e um documento legal ainda,
09:51entendeu?
09:51E continuaram
09:56impunes.
09:58E quem sofreu
09:59fomos nós,
10:00ficamos aqui.
10:01Entendeu?
10:03Eu até hoje
10:04sinto
10:04falta dele.
10:08Não é fácil.
10:14Meu irmão mais novo
10:15é militar também.
10:18Meu irmão
10:19está aí
10:20morando perto da gente também.
10:21Nós estamos
10:22todo mundo junto,
10:23graças a Deus.
10:26Isso aí.
10:29Meu irmão também
10:30é um cara muito correto.
10:32O meu pai
10:33tem orgulho dele
10:34por isso.
10:38É o que eu lembro
10:39é isso aí.
10:39O resto que...
10:42O resto é o que está
10:42no processo,
10:43é o que é verdade mesmo.
10:45Não tem nada...
10:46Não ficou nada oculto.
10:47Ficou impune.
10:49Oculto, não.
10:50Entendeu?
10:52Os acusados
10:53que foram acusados
10:54são verdadeiros
10:55criminosos mesmo.
10:59Mas ninguém
11:01teve a punição.
11:02Quem foi punido
11:03foi meu pai,
11:04a menina
11:04e os testemunhos
11:05que sumiram,
11:07né?
11:10Isso aí.
11:10Na época
11:11da morte dele,
11:12quem foi acusado
11:13foi um traficante
11:14que foi morto depois.
11:15Vocês tiveram
11:16alguma investigação
11:17que chegou realmente
11:18a quem matou o seu pai?
11:20Sim,
11:21está no processo.
11:22Está tudo
11:23dentro do processo.
11:23Se você
11:24pegar a reportagem
11:25do Globo Repórter
11:27de 77,
11:29você vai ver
11:29que o que ele
11:32segue,
11:33chapela e narra
11:33tudo
11:34e é basicamente
11:35aquilo ali mesmo.
11:37Porque
11:38eles usaram
11:39o Paulinho
11:40Boca Negra
11:42e o Luiz Capeta,
11:44que eram dois,
11:45para poder atrair
11:46meu pai.
11:46Só isso.
11:47Eles foram
11:48a isca,
11:49só.
11:52Prenderam
11:52o Boca Negra
11:53na chefatura
11:53de polícia
11:54e mataram
11:56ele lá dentro.
11:57Como que pode?
11:59Uma testemunha
12:00daquela
12:00num crime
12:01da repercussão
12:03nacional,
12:04deixar
12:04uma testemunha
12:06dessa ser morta
12:07dentro da chefatura
12:08de polícia?
12:09Então,
12:09está errado,
12:10não é?
12:12Então,
12:13assim,
12:13de início
12:13eles botaram,
12:14a polícia
12:15toda atrás,
12:16Paulinho
12:17Boca Negra,
12:18prenderam
12:19o Paulinho
12:19e mataram
12:20o Luiz.
12:22Mas,
12:23depois,
12:24a verdade
12:24apareceu.
12:26Entendeu?
12:27A verdade
12:28é aquilo
12:28que foi dito
12:28mesmo,
12:29todo mundo sabe.
12:30Os colegas
12:31deles,
12:31mesmo de fardo,
12:32foi que executaram
12:33ele.
12:35Sim,
12:36mas,
12:36agora não adianta,
12:37acho que todos
12:38eles já morreram
12:38também,
12:39mas,
12:40eles não foram
12:41punidos,
12:42como deveria ser.
12:43Viveram a vida
12:44deles,
12:45tiveram junto
12:46com a família
12:46deles,
12:47estragaram a nossa
12:48e eles ficaram
12:49de boa.
12:51Entendeu?
12:53É revoltante
12:54isso aí.
12:56A justiça
12:56nossa
12:57não falha
12:57às vezes
12:58nessa parte
12:59aí.
13:00Porque quando
13:01a pessoa morre
13:02porque peca,
13:03porque erra,
13:04porque rouba,
13:05porque trafica,
13:08o meu pai
13:09estava fazendo
13:09o trabalho dele,
13:10estava trabalhando
13:11honestamente,
13:12morreu porque foi honesto,
13:13se fosse os honestos,
13:14estaria vivo aí também.
13:16Entendeu?
13:19E do mais,
13:20eu falei com você,
13:21o que está no processo
13:22é o que é o certo.
13:23Não tem,
13:25não adianta
13:26distorcer a história.
13:28Um dos,
13:30os colegas dele
13:32confessou,
13:34que foi aquilo mesmo,
13:35falou com o meu avô,
13:36o pai dele,
13:38falou que se arrependeu
13:39ao arregamento,
13:39ter feito o que fez,
13:40mas foi muito tarde,
13:41já tinha feito,
13:42e aí?
13:44Entendeu?
13:45E ele confessou
13:46que recebeu
13:47algum dinheiro?
13:48Não,
13:48só confessou
13:49que foi a armação,
13:50que rolou um dinheiro
13:52na época,
13:53que foi,
13:54eles ofereceram
13:55ao meu pai,
13:55se eu não me engano,
13:56100 mil cruzeiros,
13:57meu pai não aceitou
13:58o dinheiro.
14:00100 mil cruzeiros
14:00era um bom dinheiro
14:01na época,
14:03seriam 300 mil
14:04por as quatro.
14:07Aí meu pai falou,
14:08não quero,
14:10se vocês quiserem
14:11apanhar,
14:11vocês podem apanhar,
14:12eu não quero,
14:13eu vou tocar
14:14a investigação
14:14para frente,
14:16o nome que foi
14:17eu vou divulgar.
14:19Aí,
14:21ofereceram 100 mil
14:22a ele e os outros
14:22três carros
14:23com 200,
14:23ele falou,
14:23não quero,
14:25quero tocar para frente.
14:26Tocou para frente
14:27e aconteceu isso aí.
14:30E após a morte dele,
14:31como é que ficou
14:32a sua família?
14:33Chegaram a receber ameaças,
14:35alguma represália?
14:36Não,
14:37porque a gente,
14:37a gente ficou mais,
14:39entendeu?
14:40Não ficou futucando aquilo,
14:41porque,
14:43eu, por exemplo,
14:44era menino ainda,
14:45continuei estudando,
14:46minha mãe com todo o sacrifício,
14:48né?
14:51Então,
14:51a gente não podia
14:52falar muita coisa,
14:53sabe?
14:55que até porque,
14:57logo no início,
15:00a verdade era que
15:01eram os dois traficantes
15:02tinha matado meu pai.
15:04Só que depois,
15:06um deles se arrependeu
15:07e abriu a boca.
15:09Entendeu?
15:10E quando ele abriu a boca
15:11foi que começou
15:12as investigações de novo
15:13e chegaram realmente
15:16os verdadeiros culpados.
15:18Que aí entrou,
15:19entrou várias pessoas
15:21nessas investigações.
15:22até um deputado abriu
15:24uma CPI na época,
15:25né?
15:26Acho que sobrou
15:27para ele também.
15:29Foi assim.
15:30Os homens eram
15:31muito poderosos,
15:31tinham muito dinheiro.
15:34E nunca foram punidos,
15:36nunca tomaram cadeia
15:37nem nada.
15:40E alguns anos depois
15:41a sua mãe
15:42deu entrevista
15:43nessa casa,
15:43ela até chegou a falar
15:44que seu pai comentou
15:45em casa
15:46que seriam pessoas
15:48da alta sociedade.
15:50É, ele não citou nome.
15:52Segundo ela,
15:53ele não citou nome.
15:54Ele simplesmente falou assim,
15:56ó, é gente alta,
15:56é gente graúda.
15:58É um negócio perigoso,
15:59mas eu vou tocar
16:00para frente.
16:02Então,
16:03acho que foi
16:03três, quatro anos depois
16:04que ela resolveu
16:05falar alguma coisa.
16:06Na época,
16:07nós até falamos
16:08que ela não devia
16:08ter falado nada
16:09porque naquela época
16:11era muito perigoso,
16:12né?
16:13Eles estavam eliminando
16:14todo mundo
16:14que ficasse
16:15futucando aquilo.
16:18acabou que depois
16:19eu saí de Vitória,
16:20eu fui para o interior,
16:22fui estudar,
16:24entendeu?
16:25Fui para o colégio agrícola,
16:27fiquei três anos lá
16:29e acabou.
16:31Não se falava mais nisso,
16:33né?
16:34Agora,
16:35vocês estão fazendo
16:36essa reportagem aí,
16:3850 anos depois,
16:39né?
16:41Meu pai vai fazer 50 anos
16:42e morreu.
16:43A menina,
16:43acho que dia 18 que vem,
16:45agora faz 50 anos.
16:50passa depressa o tempo,
16:51né?
16:53Mas é isso aí.
16:55E como é,
16:56para você
16:57nunca ter
16:59um responsável preso,
17:01nunca ter
17:02uma conclusão
17:03do que aconteceu?
17:04Então,
17:05eu falei,
17:05é como eu falei,
17:06é muito,
17:08isso é pior ainda,
17:09sabe?
17:09Porque
17:10a impunidade,
17:11cara,
17:13estragou a nossa vida
17:14toda,
17:15sabe?
17:15estragou a família,
17:18a gente custou
17:18a juntar os carros
17:19de novo,
17:20sabe o que é?
17:22Ainda bem que nós,
17:23ninguém lá de casa,
17:24eu,
17:24meu irmão,
17:25nem minha irmã,
17:25tomamos direções erradas,
17:26né?
17:27Porque sem um pai,
17:28fica,
17:29né?
17:29Uma família fica
17:30complicada.
17:31eu,
17:32eu, graças a Deus,
17:33nunca me estive
17:33com nada errado,
17:34meu irmão também partiu
17:35com,
17:36é militar,
17:37meu irmão hoje é coronel
17:38da polícia,
17:39entendeu?
17:41É um cara super correto
17:42também,
17:43a minha irmã também é
17:43pessoa do bem,
17:46então assim,
17:47a minha família não
17:48teve os,
17:50os contratempos,
17:51nós passamos
17:52muita dificuldade na época,
17:54muita mesmo,
17:56mas nós não desviamos
17:57o nosso foco,
17:58não,
17:58eu sempre honrei
17:59a memória do meu pai.
18:01O que eu tenho dele hoje
18:03é essa fotografia
18:06e a carteira funcional dele
18:08da época que eu guardei
18:10está guardada comigo até hoje.
18:14Porque a carteira da polícia dele
18:16ficou comigo
18:17e eu guardei ela
18:19e...
18:20isso aí.
18:32É, eu vou apanhá-la
18:34depois para você.
18:38Não, não é fácil não.
18:43Assim, eu...