- há 4 semanas
O primeiro videocast da série aborda sobre relacionamentos abusivos
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NotíciasTranscrição
00:11Olá, eu sou a Lara Rosado e esse é o primeiro episódio do Isso é Legal?
00:16O objetivo é a gente discutir assuntos do dia a dia das pessoas,
00:20mas claro com a ajuda de especialistas da área jurídica.
00:24Hoje, para começar, vamos falar sobre relacionamentos abusivos,
00:28um assunto extremamente relevante, mas que nem todo mundo sabe identificar.
00:33Para me ajudar a esclarecer as dúvidas, conto com a participação de duas advogadas,
00:38a Silvia Hansen, que é conselheira e secretária adjunta da OAB aqui no Espírito Santo,
00:44e também com o Luna Ramaciotti, que também é conselheira da OAB aqui no Estado.
00:49Então, Silvia, explica para a gente como identificar que um relacionamento é abusivo, quais são os sinais?
00:56Bom, Lara, para iniciar, é interessante que a gente fale que são sinais muito sutis.
01:02Muitas vezes, quem está fora da relação consegue enxergar de forma muito mais fácil.
01:08Quem está dentro do relacionamento, eu costumo dizer que todo relacionamento,
01:13seja ele saudável ou não, no início ele é muito prazeroso, ele é maravilhoso.
01:17E nós temos a tendência de não conseguir enxergar em outros defeitos.
01:22Então, o que normalmente acontece num relacionamento abusivo?
01:26Não que seja uma regra, mas geralmente homens narcisistas,
01:31homens que já têm esse transtorno de personalidade,
01:34e por isso não tendem a mudar com o tempo,
01:37eles procuram por mulheres que têm algumas características
01:40muito próximas de mulheres que têm uma facilidade de se tornar dependentes.
01:44E aí o que acontece? Aquela prova de amor com ciúme excessivo.
01:50Ciúmes excessivo não é prova de amor.
01:53É natural que num relacionamento as pessoas tenham ciúmes.
01:57Se eu tenho um parceiro ou um companheiro e em algum momento eu tenho ciúmes,
02:02isso é até natural, eu acho que dá um certo tempero no amor.
02:07Mas aquele ciúme excessivo, não.
02:09O ciúme excessivo fala mais do agressor do que da vítima.
02:14Geralmente, ou a pessoa é extremamente insegura,
02:19independente do outro lado dar motivo ou não,
02:21que é importante que a gente fale sobre isso,
02:23ou aquela pessoa aproveita desse ciúme excessivo
02:27para exercer um controle sobre a outra parte.
02:29E é justamente aí que começa a atuação do relacionamento abusivo.
02:34Ele tem esse controle sobre a pessoa, um controle demasiado,
02:37e aí naturalmente ele começa a afastar as pessoas mais próximas da futura vítima.
02:44Porque no início tudo é maravilhoso.
02:46Aí ele costuma dizer que a mãe dela não é legal,
02:49que não gosta daquela determinada amiga.
02:52E quando uma mulher enxerga, quando ela para para pensar,
02:55ela já está isolada.
02:57E todo alvo isolado é muito mais fácil de ser atingido.
03:00Então, a partir do momento em que a mulher perde,
03:03eu costumo dizer que nós temos as redes de apoio,
03:06mas eu considero essa rede de apoio primária.
03:09E eu acredito que seja a mais importante.
03:12Que é família, amigos, colegas de trabalho.
03:16Algo que ficou muito evidenciado na pandemia.
03:19Porque justamente durante a pandemia, as pessoas pararam de trabalhar,
03:23as mulheres ficaram em casa,
03:24e passaram a ser alvo de controle maior por esses homens narcisistas.
03:28E é importante que a gente explique para as mulheres
03:30que elas não são culpadas.
03:33Elas são as vítimas.
03:34O ciúmes é do companheiro.
03:37E geralmente a mulher acha que ela é a responsável por aquilo.
03:41Luna, o que é um ciúme saudável?
03:44Vamos lá.
03:45Dentro dessa lógica que a Silvia trouxe muito bem
03:47em relação à identificação e alguns sinais
03:51do que seria um relacionamento abusivo,
03:54eu acho que no primeiro momento a gente precisa também
03:56ter a concepção de que a mulher,
03:59quando ela está exposta a um relacionamento abusivo,
04:02não necessariamente será em relação ao casal.
04:06Esse relacionamento abusivo pode se dar dentro do núcleo familiar,
04:11ele pode se dar dentro do ambiente de trabalho e com amigos.
04:15A Lei Maria da Penha, que vem definir quais são os tipos de violência contra a mulher,
04:21são as violências domésticas e familiares,
04:24ela estabelece cinco tipos de violência.
04:26E até mesmo para a gente conseguir identificar o que seria um relacionamento saudável
04:31ou não seria,
04:33ter uma visão, ter o conhecimento de quais são esses tipos de violência
04:37que são tipificados como crime na Lei Maria da Penha,
04:40nos ajuda a ter essa compreensão.
04:42Então, são cinco os tipos de violência,
04:45sendo ela a violência psicológica, a violência física,
04:49a violência patrimonial, a violência sexual e a violência moral.
04:55Quando se fala em relacionamento abusivo
04:58e como compreender esses sinais,
05:01é tudo aquilo, toda e qualquer ação
05:04que vise despersonificar essa pessoa,
05:08despersonificar a mulher,
05:09que faça com que ela deixe de ser aquilo que ela era
05:14dentro dos ambientes da sua rede de apoio,
05:19do seu núcleo familiar,
05:20que retire dela características da sua personalidade.
05:25E aí, dentro desses sinais, o ciúme excessivo,
05:28como identificar um ciúme excessivo
05:30que, num primeiro momento, dentro dessa fase de apaixonamento,
05:34dentro dessa fase em que só há momentos de prazer
05:38dentro do relacionamento, que existem, né, Silvia,
05:41em qualquer relacionamento,
05:43seja ele que evolua por um relacionamento nocivo ou não,
05:47como identificar quando passa do ponto esse ciúme.
05:51É o controle, né?
05:52A extensão do controle.
05:54Invadir a privacidade da mulher,
05:58fazer verificações de chamadas no celular,
06:02do WhatsApp, acesso ao e-mail,
06:04instalar no aparelho celular o rastreamento
06:09para verificar onde essa pessoa está.
06:11Acortar no tempo real a localização.
06:12A localização.
06:14Instalar programas no computador
06:16que hackeia, que tem acesso a todas as senhas,
06:20verificar o que se comprou.
06:22E a partir desse controle,
06:24e é um controle sempre transvertido
06:27de cuidado, de amor, de carinho,
06:30de eu me preocupo com você,
06:33eu estou te controlando,
06:35eu preciso saber onde você está
06:36por uma questão de segurança.
06:39E aí vem o controle da roupa que a mulher usa,
06:43não é seguro para você usar essa saia desse tamanho,
06:49não seria aceitável socialmente
06:51você usar um batom vermelho em determinada ocasião,
06:54você ficaria melhor se você deixasse o cabelo comprido.
06:59E aí controlando e moldando,
07:01de uma forma muito sutil,
07:03o comportamento dessa mulher.
07:05Então, dentro desse aspecto do ciúme excessivo,
07:09tudo aquilo que vise controlar,
07:11despersonificar a mulher,
07:13outros sinais para além disso,
07:15para além do ciúme, para além do controle,
07:18vem as chantagem.
07:19As chantagem dela pode ser tanto
07:21quando você tem filho ou a própria chantagem emocional,
07:25se você não fizer algo que eu quero,
07:27eu vou te deixar,
07:29você vai ficar sozinha,
07:31entra a parte do abalo
07:32e da diminuição da autoestima,
07:35você é feia, você é burra.
07:38Tem muitos homens que fazem isso
07:40até em tom de brincadeira,
07:42e recentemente até foi pauta de reality show,
07:45em que houve uma ofensa com brincadeira e tudo mais.
07:49Até que ponto, assim,
07:51por que esse tipo de brincadeira
07:52não pode ser confundido,
07:54que é realmente algo que é inofensivo,
07:57mas, na verdade, é violência?
07:59Como que é?
08:00Sim.
08:00Então, nós viemos de uma sociedade machista
08:05em que há uma predominância
08:09de determinados comportamentos,
08:13de brincadeiras, de música,
08:15que vise depreciar a mulher.
08:19seja no seu modo de se vestir,
08:21na sua postura,
08:22e são visões preconceituosas
08:26e que, ao longo do tempo,
08:27nós temos desconstruído.
08:29Então, tudo aquilo,
08:30toda e qualquer ação,
08:32toda e qualquer fala
08:33que vise depreciar,
08:38humilhar,
08:40violentar,
08:42ser agressiva,
08:43a gente precisa entender
08:45que aquilo que afete
08:47o íntimo da mulher,
08:49que, de alguma maneira,
08:50ela se sinta prejudicada
08:52e ofendida,
08:54isso não pode ser visto
08:55como uma brincadeira,
08:57até porque é tipificado como crime.
09:00A violência psicológica
09:01é tipificada como crime
09:03na Lei Maria da Penha
09:04e toda essa construção
09:05de ameaça,
09:06de abuso
09:07que é feita,
09:09ainda que em tom de brincadeira,
09:11ainda que em um ambiente informal,
09:14entre amigos,
09:15entre colegas de trabalho,
09:16são formas de violação
09:17a essa mulher.
09:18E dentro da reprodução
09:20desse ciclo,
09:21dentro dessa sociedade
09:24machista
09:25e que reproduz
09:27esses ideários
09:28como sendo correto,
09:29como sendo certo,
09:30de diminuir a mulher,
09:33se produz toda essa escala
09:35de violência
09:36que deixa de ser,
09:37num determinado momento,
09:39uma brincadeira
09:40e dentro desse processo
09:41de invisibilização,
09:43de diminuição da mulher
09:44dentro do processo
09:45da sociedade,
09:46a torna ainda mais vulnerável
09:48e frágil
09:48a ponto de se evoluir
09:50para uma violência física
09:52e para uma violência
09:53concreta de fato.
09:55E por que é difícil,
09:57Silvia,
09:57para a mulher perceber
09:58que ela está
09:59num relacionamento
10:00desse tipo?
10:01Lara,
10:02eu acho que a Luna
10:02falou de uma forma
10:03muito interessante.
10:04É uma construção,
10:06é cultural.
10:07Até pouco tempo,
10:08no antigo Código Civil,
10:09salvo engano,
10:10de 1916,
10:11a mulher era incapaz.
10:12Tanto que quando ela casava,
10:14o marido
10:15é que passava
10:16a ser responsável
10:16pelos bens.
10:18A salvo engano,
10:19também até a década
10:20de 70,
10:21uma mulher não teria direito
10:22a um cartão de crédito,
10:22a não ser que ela conseguisse
10:24a assinatura de um homem
10:25para isso.
10:26Então, assim,
10:27a nossa evolução,
10:28ela é muito lenta.
10:3150, 60 anos para cá.
10:33Aliás, não é lenta,
10:34ela é muito rápida
10:35em pouco tempo.
10:36Só que existe um machismo,
10:38como a Luna
10:38muito bem ponderou,
10:39só que é importante
10:40que a gente destaque
10:41que esse machismo,
10:43ele é estrutural.
10:44Não vem somente
10:46dos homens.
10:47Infelizmente,
10:47existe um pequeno
10:48número de mulheres
10:49que também é machista.
10:50O machismo é estrutural.
10:52E o que a gente
10:53tem que entender?
10:55Que normalmente
10:56as pessoas acham
10:57que aquela pessoa
10:58que está sofrendo
10:58algum tipo de violência,
10:59ela vive um relacionamento
11:01muito ruim.
11:02Só que acontece
11:03que não é o tempo
11:04todo ruim.
11:05Tem bons momentos.
11:07E a mulher acaba
11:08se apegando
11:09a esses bons momentos.
11:10Existe, na verdade,
11:12um ciclo de violência
11:14e que ele compreende
11:15três fases.
11:17A primeira fase
11:18é aquela fase
11:19da tensão.
11:20Sabe aquela história
11:21de estar pisando em ovos?
11:22A mulher tem medo
11:23de tudo.
11:24Porque ela realmente
11:25acredita que ela
11:26é a culpada,
11:27que ela é responsável
11:28pelas atitudes
11:29do companheiro.
11:30E ela faz querendo
11:30tudo para agradar também.
11:32Ela acha que
11:33se ela fizer qualquer coisa,
11:34ele vai se incomodar.
11:35Sabe como se estivesse
11:36pisando num campo minado.
11:38Só que ela não se dá conta,
11:39porque ela realmente
11:40está num relacionamento
11:42doentio,
11:42essa é a verdade,
11:43ela não se dá conta
11:45que não é por culpa dela
11:46que o companheiro
11:47tem aquelas atitudes.
11:48Então, nessa primeira fase,
11:50que é a chamada
11:50fase de tensão,
11:52ela tem muito cuidado
11:52com o que vai falar,
11:53como você bem disse,
11:55com o que vai vestir
11:56para que o companheiro
11:57não se sinta mal.
12:00a despersonificação
12:01que ela falou
12:02é muito interessante
12:02porque há uma quebra
12:04da individualidade.
12:06Normalmente,
12:07quando você conversa
12:08com uma mulher
12:08que acabou de passar
12:09por uma situação
12:10de violência doméstica,
12:12ela retrata
12:12que ela não se lembra
12:13mais da música
12:14que ela ouvia,
12:15ela não sorri mais.
12:17Ela não lembra
12:17das coisas que ela fazia
12:18que ela gostava.
12:19Ela deixa de ser
12:19ela mesma.
12:20E eu acho que
12:21é isso que é importante.
12:22Quando a mulher
12:23começar a perceber
12:25que alguma coisa
12:25mudou dentro dela,
12:27independente do namorado,
12:29do companheiro,
12:29que ela não se encontra,
12:31que ela não sabe
12:31mais quem ela é,
12:33naquele momento
12:33ela tem que parar
12:34para pensar.
12:36Só para complementar,
12:38esse conceito
12:38do ciclo de violência
12:39é um conceito
12:40que vem da década
12:41de 1970
12:42e justamente faz,
12:44em regra,
12:45embora a mulher
12:46possa estar exposta
12:47a outras situações
12:50de violência,
12:51a maior incidência
12:51são situações
12:52de violência
12:53entre casais.
12:54E tenta demonstrar
12:55entre casais
12:56como funciona
12:57essa lógica repetitiva
12:59desse ciclo
13:00de violência.
13:01Tem essa primeira fase
13:02que é a fase
13:02da tensão,
13:03que a Silvia explicou.
13:05A segunda fase
13:06já é a fase
13:07da explosão,
13:08é quando a violência
13:10de fato ocorre,
13:11seja ela
13:12uma violência física,
13:13e aí entra
13:14aqueles cinco tipos
13:15de violência,
13:16de violência física,
13:17psicológica,
13:18patrimonial,
13:18sexual,
13:19moral.
13:20E depois vem
13:21a fase
13:22da lua de mel,
13:23que seria
13:23a terceira fase,
13:24que é justamente
13:25o momento
13:26em que o homem
13:27se mostra arrependido,
13:29em que ele
13:30busca agradá-lo,
13:31seja com presentes,
13:32com palavras,
13:34e diz que aquilo
13:36não vai mais acontecer,
13:37pede perdão
13:38e tudo mais.
13:39E eles ficam
13:40um determinado período
13:41vivendo ali
13:42de forma apaziguada
13:43em relação
13:45àquele contexto,
13:46mas a verdade
13:47é que esse ciclo
13:48volta a se reproduzir
13:50num determinado
13:51período de tempo.
13:52E é por isso
13:53que é difícil.
13:53É difícil sair.
13:54E além disso,
13:56Lara,
13:57as violências,
13:59a violência psicológica
14:00em si,
14:01ela é muito sutil,
14:02né?
14:02A Silvia trouxe isso,
14:04justamente porque
14:05se inicia dentro
14:06de um processo
14:07de apaixonamento
14:08e de manipulação,
14:10de auto-engano.
14:12Todo esse processo
14:12de apaixonamento
14:13faz com que
14:14a mulher,
14:15ela,
14:17de fato,
14:18não identifique
14:19que aquele processo
14:20de violência
14:20está acontecendo com ela.
14:22Porque é o tempo todo
14:24ela sendo manipulada
14:25de que está sendo
14:26feito para o bem,
14:27de que ele ama muito
14:29e é por isso.
14:31E é interessante falar
14:32o que eu tinha
14:32começado a falar.
14:33Por que que acontece?
14:34Quem está fora
14:35não consegue entender.
14:36Por exemplo,
14:37eu estou dando o exemplo
14:37da Lara.
14:38Nossa, como é que é a Lara?
14:39Uma profissional,
14:40jovem, atuante.
14:41A gente sempre imagina
14:42que aquela pessoa
14:43consegue enxergar.
14:44Mas o que acontece
14:46muito nesse ciclo também?
14:47Aí vem a primeira fase,
14:49a segunda fase
14:49que é da tensão
14:50e aí vem a lua de mel.
14:52E por que é que às vezes
14:53você fala assim,
14:54ah, mas a pessoa já sabe
14:55que existe esse ciclo.
14:56Eu conheço pessoas
14:57que vivenciaram isso
14:58durante 20 anos,
14:59só perceberam
15:00no último ano.
15:02E a pessoa está
15:02sempre no estágio,
15:04no estado emocional
15:05muito fragilizado.
15:06É como eu disse no início,
15:07se você afasta
15:09a rede de proteção primária
15:11dessa pessoa,
15:12eu tenho a minha mãe,
15:13eu tenho uma
15:14uma aconchego
15:15muito grande
15:15com a minha mãe.
15:16Então ela seria,
15:17caso eu sofresse
15:18violência doméstica,
15:18seria meu ponto de apoio.
15:20Então se a mulher
15:21já está fragilizada
15:22a ponto de não ter acesso
15:24a essa rede de apoio,
15:25fica muito fácil.
15:26E aí o que acontece?
15:28Tensão,
15:29explosão,
15:31lua de mel.
15:31Aí naquele período
15:32de lua de mel,
15:33ela fica,
15:34sabe,
15:35sabe que felicidade.
15:36Ela começa até a repensar,
15:38será que eu não estou...
15:39Será que o problema
15:40não está comigo,
15:41de fato,
15:42eu que dei aso
15:44ao processo de violência.
15:45Qual que é o problema
15:46da segunda fase?
15:47Tem duas coisas
15:47que acontecem
15:48na segunda fase,
15:48Luna.
15:49Atenção,
15:50ali normalmente
15:51a mulher descobre
15:51que ela está sofrendo
15:52violência doméstica.
15:53E por que ela não sai?
15:55Porque vem a lua de mel.
15:56Não,
15:57ela está na segunda fase,
15:58só que aí ela pensa,
16:00eu vou me afastar
16:01desse homem,
16:02eu vou procurar ajuda.
16:04Só que aí o que acontece?
16:05Ela está tão fragilizada
16:06e ela não tem
16:08a rede de apoio
16:08e ela não sabe
16:09como sair daquela situação
16:11que ela fica presa.
16:13E normalmente,
16:13aliás,
16:14existe um ponto
16:15muito importante.
16:16Quando uma mulher
16:17tem filhos pequenos,
16:18principalmente no relacionamento,
16:20os filhos são,
16:21normalmente,
16:22o motivo
16:23por ela ter ficado
16:24tanto tempo nessa relação
16:25e, ao mesmo tempo,
16:26normalmente,
16:26quando as mulheres
16:27saem dessa relação
16:28é justamente pelos filhos.
16:30Então,
16:30o que acontece?
16:31Essa lua de mel,
16:32falsa lua de mel,
16:33dá a impressão à mulher
16:34que ele realmente quer mudar.
16:36E eu acho que é importante,
16:37eu vou até repassar
16:37para a Luna também,
16:38a gente esclarecer
16:39que a nossa ideia
16:40não é culpar os homens
16:42nem apontar o dedo
16:43para os homens.
16:44Penso eu
16:45que não há como se falar
16:46em violência doméstica
16:47sem colocar o homem
16:49que, infelizmente,
16:50em número de percentual,
16:51não falando em percentual,
16:53é o maior agressor.
16:54Como a Luna
16:55muito bem falou no início,
16:56a violência doméstica
16:57não se refere
16:58somente a homem e mulher.
16:59Pode ser, inclusive,
17:00violência doméstica
17:01de filho
17:01para com a mãe,
17:03para com a irmã.
17:04Mas é importante
17:05que as pessoas
17:06não julguem,
17:07porque quem está fora
17:08consegue visualizar.
17:10Mas, como ela disse,
17:10o apaixonamento,
17:11de certa forma,
17:13ele acaba deixando
17:14a pessoa
17:15sem noção,
17:16é discernimento suficiente
17:18para poder verificar isso.
17:19Mas, gente,
17:19olha só,
17:20aí a mulher
17:20está nessa situação,
17:22ela até percebeu,
17:22está na segunda fase,
17:24percebeu aí
17:24que ela está
17:25em um relacionamento
17:26tóxico,
17:27abusivo,
17:28e ela quer sair disso.
17:29Ela está afastada.
17:30Pode perceber ou não.
17:31Pode perceber ou não.
17:32Mas ela está afastada
17:33dessa rede de apoio dela,
17:34porque esse relacionamento
17:35foi fazendo com que ela
17:36ficasse presa ali,
17:38foi se afastando
17:39de todo mundo,
17:39da família e dos amigos.
17:41Essa mulher tem um flash,
17:42assim,
17:43de que preciso de ajuda.
17:45Onde ela vai encontrar
17:46essa ajuda?
17:46Que não seja a família.
17:47Vocês tocaram que
17:48a rede de apoio
17:49é muito importante
17:50e é o primeiro
17:50a família
17:51ou a rede de apoio primária.
17:52Mas e se ela está
17:53tão afastada dessa família,
17:54brigou com essa família,
17:55como essa mulher
17:56pode encontrar ajuda?
17:57Entendi.
17:58Então, vamos lá.
17:59Existe,
18:00dentro desse processo
18:01de violência,
18:03diversos fatores
18:04que fazem com que
18:05a mulher,
18:06ela não identifique
18:08ou não tenha
18:09mecanismos suficientes
18:10ou acha que não tenha
18:11mecanismos suficientes.
18:12É importante nesse ponto,
18:14Laura,
18:14só fazendo um parênteses,
18:16ressaltar que a mulher
18:18que sofre violência,
18:20ela não necessariamente
18:21é uma mulher
18:22fragilizada emocionalmente.
18:24Existem mulheres,
18:26todas as mulheres
18:26estão sujeitas
18:28a sofrerem
18:29relacionamentos abusivos,
18:30seja ela independente,
18:32estudada,
18:33independente financeiramente,
18:35que tenha discernimento
18:37justamente por conta
18:39desse processo
18:40de manipulação
18:41em que ela está
18:42submetida
18:43dentro desse relacionamento
18:44abusivo.
18:45Existe o fator
18:47da dependência
18:48psicológica
18:49e aí já é um caso
18:51em específico
18:53em que a mulher
18:54não consegue ter
18:55essa assertividade,
18:57ela não consegue
18:57sozinha se enxergar
18:59enquanto eu,
19:00em relação ao amor próprio,
19:01em relação
19:02à condução
19:03da sua vida.
19:04Existem esses casos
19:05específicos,
19:06mas não é a regra
19:09das relações.
19:10Esse tipo
19:11de relacionamento
19:12pode ocorrer
19:12com qualquer mulher,
19:14mesmo ela sendo
19:15estudada,
19:16entendida,
19:17independente.
19:19Esse é um primeiro fator.
19:21Como dentro
19:22desse processo
19:23da violência,
19:24principalmente
19:24da violência psicológica,
19:26há o afastamento
19:27dos núcleos,
19:28das redes de apoio,
19:29e esse seria
19:31o primeiro,
19:32de fato,
19:33a primeira rede,
19:34o primeiro momento
19:36mais indicado,
19:38sabendo que existem
19:39os núcleos familiares,
19:41existem os amigos,
19:42existe o trabalho,
19:44são válvulas,
19:45são redes de apoio.
19:47Se essa mulher
19:48está totalmente
19:48despessoalizada
19:50e afastada
19:52e sem nenhum tipo
19:53de pessoas próximas,
19:56sabendo que pode ser
19:57um vizinho,
19:59existe a central
20:02de atendimento
20:02à mulher
20:03pelo número 180,
20:05que funciona
20:0624 horas por dia
20:07no Brasil,
20:08no exterior.
20:09É uma ligação
20:10gratuita,
20:11180,
20:12é uma central
20:14direcionada
20:14exclusivamente
20:15para o atendimento
20:16da mulher
20:16que sofre violência.
20:18Existem as delegacias
20:20especializadas
20:21em atendimento
20:22à mulher.
20:22Se no município
20:24não tiver,
20:24pode-se procurar
20:26qualquer delegacia
20:27mais próxima.
20:28Existem os núcleos
20:29das defensorias públicas
20:31de atendimento
20:32à mulher,
20:32núcleos de assistente
20:34social,
20:34de acolhimento
20:35à mulher
20:35vítima de violência.
20:37O grande mote,
20:40a importância
20:41é que a mulher
20:42entenda,
20:43ela compreenda
20:44que ela é a vítima
20:45da situação,
20:46que ela não se sinta
20:47sozinha,
20:49que ela saiba
20:49que ela saiba
20:51que existem
20:52muitas outras mulheres
20:53vivendo a mesma
20:55situação que ela
20:56e no momento
20:58em que ela
20:58não denuncia,
20:59em que ela
21:00não busca ajuda,
21:01ela reproduz
21:02e faz com que
21:03esse ciclo de violência
21:04se perpetue
21:05dentro da sociedade.
21:07A gente vive
21:08uma situação,
21:08a Silvia falou
21:09em relação
21:10a questões
21:10de índices
21:11e talvez
21:12o mais gritante
21:14que a gente possa
21:15até trazer aqui
21:17é que foi necessário
21:19ter uma tipificação
21:21do crime
21:22contra a mulher,
21:23que é o feminicídio.
21:24Não basta
21:25ter o crime
21:26de homicídio
21:27com índices
21:28tão altos
21:29de homicídios
21:31contra a mulher,
21:32foi necessário
21:33se criar
21:33uma agravante
21:35para se chamar
21:37a atenção
21:37da sociedade
21:38de como
21:38isso tem ocorrido
21:40de forma
21:41corriqueira,
21:42rotineira,
21:44dentro da nossa sociedade
21:46é algo que precisa
21:47ser combatido.
21:47Então, existe
21:48a central
21:49de atendimento
21:50à mulher
21:51180.
21:53E quando a gente
21:54fala assim,
21:54beleza,
21:55a mulher então
21:55tem meios
21:56para procurar ajuda
21:57que não é essa família
21:58talvez por estar
21:59afastada.
22:00Agora, se eu sei
22:02de uma mulher
22:03que está enfrentando
22:04uma barra,
22:05está passando
22:06por uma situação
22:06complicada,
22:07eu sei,
22:08talvez não sou tão próxima,
22:09mas eu consigo
22:10ajudar ela
22:11de alguma maneira,
22:11como eu posso
22:12tocar nesses assuntos
22:13com ela?
22:14Você pode me ajudar, Silvia?
22:15Olha só,
22:16aquilo que a gente
22:17sempre fala,
22:18a lei Maria da Penha,
22:20uma lei
22:21que vai fazer 17 anos,
22:22fará 17 anos
22:23agora esse ano,
22:24ela é considerada
22:25uma das três leis
22:26mais perfeitas,
22:28mais avançadas
22:29do mundo,
22:30mas sozinha
22:31ela não consegue.
22:34O problema
22:36da violência doméstica
22:37é tão maior
22:38que ele teria
22:39que ser feito
22:40uma análise
22:41muito maior
22:42e teria que ser feito
22:43um acompanhamento
22:43com a sociedade.
22:44hoje nós temos
22:45uma lei
22:46semanal,
22:47é uma lei
22:47que durante
22:48março,
22:49em março,
22:51uma semana
22:51no mês de março
22:52fala-se sobre
22:53violência doméstica
22:54nas escolas.
22:55Penso eu
22:56que isso tem
22:56que ser trabalhado
22:57desde o início.
22:58Se não pode ser
22:59trabalhado em casa,
23:00porque muitas vezes
23:01a violência ocorre ali,
23:03que ela seja retratada
23:04também nas escolas.
23:05Se eu sou mulher,
23:06eu tenho que praticar
23:07uma palavra
23:08que é muito linda,
23:09mas que infelizmente
23:10nem sempre é praticada,
23:11que é a sororidade.
23:12mas eu falo em sororidade
23:15que é uma espécie
23:16de fraternidade
23:17entre mulheres.
23:18Não pode ser praticada
23:19de mulher para homem,
23:20é só entre mulheres
23:21que é irmãs,
23:23soror,
23:24que vem de irmãs.
23:25Mas numa sororidade
23:26seletiva
23:27que muitas vezes
23:27nós vemos.
23:28Nós primeiro
23:29temos que vestir
23:30a camisa da sororidade
23:31de verdade
23:32e respeitar
23:33a outra mulher.
23:34Eu posso não gostar
23:35de todas as mulheres,
23:36mas é obrigação minha
23:37respeitá-las.
23:39Então, se eu sei
23:39que uma mulher
23:40que está próxima de mim
23:41está sofrendo com isso,
23:42eu tenho que chegar
23:43de uma forma muito suave,
23:45conversar com ela
23:46e perguntar
23:47se ela quer ajuda.
23:49Gente,
23:49às vezes uma única palavra,
23:51um sorriso,
23:52muda a vida de uma pessoa.
23:53Um abraço, né?
23:54Muda.
23:55Eu já ouvi isso
23:56de uma das pessoas.
23:56Além desse processo
23:57de acolhimento, né, Silvia,
23:59que é necessário,
24:00a escutativa,
24:02você não julgar, né,
24:04você demonstrar.
24:06E esse acolhimento
24:06não é necessariamente
24:08um acolhimento físico,
24:09mas demonstrar
24:10para a pessoa
24:11que você está ali
24:12para caso ela precise, né?
24:15E existem as situações
24:16em que você efetivamente
24:18vai presenciar
24:19uma situação de violência, né?
24:21A sua vizinha
24:21está sofrendo
24:22uma violência constante,
24:23você está na rua,
24:24você está numa balada.
24:26Aquilo de briga
24:27de marido e mulher,
24:28ninguém mete a colher
24:28e está por fora.
24:29É um mito
24:30que ele precisa
24:30ser desconstruído,
24:32desde que, por óbvio, né,
24:34você se proteja,
24:35porque a depender
24:36da situação,
24:37você também pode
24:37se colocar em risco,
24:39mas qualquer ato
24:42de violência
24:43que seja presenciado,
24:44você tem que ligar
24:46para o 190
24:46e chamar a polícia militar
24:48para que dê
24:49o suporte necessário.
24:50E uma coisa
24:51muito importante,
24:53Lara,
24:53que é...
24:55numa avaliação
24:58empírica
24:58sobre as mulheres
24:59que passam
25:00por processos
25:01de violência,
25:02todas elas,
25:03assim,
25:03sua grande maioria
25:04relatam
25:05que elas chamaram,
25:06que elas gritaram
25:07e que elas pediram ajuda
25:09e que elas não foram
25:10socorridas.
25:11Porque entra
25:12nessa lógica...
25:13Eu estou chegando,
25:13estou arrepiada.
25:14Entra nessa lógica
25:15societária, né,
25:16do machismo estrutural,
25:18de que em briga
25:19de marido e mulher
25:20não se mete a colher,
25:21de que aquele caso
25:23de violência
25:23é um caso recorrente,
25:25de que a mulher
25:26está passando por aquilo
25:27porque ela não está
25:28se dando ao respeito,
25:30de que se ela está
25:30naquela situação
25:31é porque ela se colocou,
25:33né,
25:33então há um processo
25:34de julgar essa mulher,
25:36inclusive no momento
25:37em que ela está
25:38mais fragilizada
25:39que o momento
25:40que ela está pedindo ajuda,
25:41que ela está pedindo socorro.
25:43Então,
25:44independente da situação,
25:46a gente precisa ter
25:46a consciência
25:47enquanto sociedade
25:48de que chamar a polícia
25:50que, inclusive,
25:51pode ser chamar
25:53de forma anônima,
25:54fazer uma denúncia anônima,
25:56só indicar,
25:56olha,
25:57está acontecendo aqui
25:58em tal lugar,
25:59tal rua,
26:00tem uma pessoa
26:00sofrendo violência doméstica,
26:02a polícia automaticamente
26:04vai se dirigir para lá,
26:05vai fazer a avaliação,
26:07o encaminhamento
26:08que precisa ser feito
26:09e a gente precisa
26:10ter a consciência
26:11de que se a gente
26:12faz isso,
26:13né,
26:13se a gente faz
26:14essa ligação,
26:15a gente pode estar
26:15salvando uma vida
26:16e nesses casos
26:17em que essas mulheres,
26:18elas pediram ajuda
26:20e não foram ouvidas,
26:21elas sofreram violência,
26:23muitas vezes,
26:24né,
26:24até o feminicídio,
26:26o próprio feminicídio,
26:28então,
26:30ter a consciência,
26:32inclusive,
26:32é possível
26:34você ser testemunha
26:36dentro do anonimato,
26:38dentro do processo,
26:39você pode pedir,
26:40né,
26:40o sigilo
26:41para ser testemunha,
26:42porque uma das grandes
26:43dificuldades da mulher
26:44é justamente
26:45a produção de prova
26:46de que ela está
26:47sofrendo esse ciclo
26:48de violência,
26:49porque essa violência,
26:49em regra,
26:50acontece dentro
26:51da sua casa,
26:52né,
26:52e ela tem uma
26:52dificuldade de comprovar,
26:55então,
26:55uma vizinha,
26:56uma pessoa mais próxima
26:57que presencia,
26:59ainda que a pessoa,
26:59ela não queira se expor,
27:01né,
27:01se envolver,
27:02ou até mesmo
27:03tenha medo,
27:05receio de sofrer
27:06algum tipo de retaliação
27:07ou represária,
27:08ela tem que saber
27:09que ela pode fazer isso
27:09dentro do anonimato,
27:11mas nunca esquecer
27:12que a violência doméstica
27:14é algo tão perpetuado
27:15na sociedade,
27:16que hoje está acontecendo
27:18com uma vizinha,
27:19mas que amanhã
27:19pode estar acontecendo
27:20dentro da sua casa,
27:21né,
27:22e que é possível
27:23a gente desconstruir
27:24esses mitos
27:25que foram criados
27:26e proteger a vida
27:27da mulher.
27:28E você sabe
27:29uma parte que é importante
27:30a gente falar também,
27:31não só tudo isso
27:31que ela falou também,
27:33mas que a mulher
27:34tem que ter noção também
27:35do momento
27:36que ela está vivendo,
27:37porque quando a gente
27:38fala em procurar ajuda,
27:40a mulher também
27:41tem que ter muito cuidado
27:42com essa procura
27:43de ajuda,
27:44porque, por exemplo,
27:45uma mulher que sofre
27:46violência doméstica,
27:47está sozinha em casa
27:48e pede divórcio
27:49ao marido,
27:50ela já está correndo risco.
27:51Se o marido perceber
27:52que ela está realmente
27:55querendo sair
27:55daquela situação,
27:56ela corre um risco
27:57muito grande.
27:57Então, por isso
27:58que é importante,
27:59é tão importante
28:00que ela não deixe de lado
28:01a rede primária.
28:03É importante,
28:04por que a rede primária
28:05é tão importante?
28:06Primeiro,
28:07para as pessoas próximas
28:08dela saberem
28:08o que está acontecendo
28:09de fato,
28:10porque às vezes
28:10você não sabe.
28:11Quantas vezes
28:12você já ouviu,
28:12nossa, fulano se separou
28:13de ciclano,
28:14mas ele era um homem tão bom,
28:15porque normalmente
28:16aquele homem
28:17que age de forma
28:18muito impulsiva,
28:19muito ruim dentro de casa,
28:21é uma das melhores pessoas
28:22do mundo lá fora.
28:23Então,
28:24é importante que você
28:24chegue na mulher,
28:25converse com ela,
28:26mas a gente tem que entender
28:28que para chegar
28:29nessa rede primária,
28:30secundária,
28:31há um caminho muito longo.
28:32A mulher dificilmente decide
28:34da noite para o dia
28:35tomar coragem
28:36para pedir ajuda.
28:38Então,
28:38quando uma mulher
28:39chega para você
28:40de uma forma ou de outra,
28:41direta ou indiretamente,
28:42e ela te pede ajuda,
28:44mesmo que de forma silenciosa,
28:45você tem que ter empatia,
28:48que eu acho que é o principal.
28:49Sororidade.
28:50Praticar a sororidade
28:51que não seja seletiva
28:52para todas as mulheres
28:53e tentar enxergar.
28:55A gente sempre fala
28:56em situações
28:58em que a pessoa
28:58não fala com palavras,
29:00mas as expressões
29:00da pessoa dizem.
29:02Quando você encontra
29:03uma mulher
29:04que não consegue
29:05se desvencilhar
29:06dessa situação
29:07de violência doméstica,
29:08você tem que,
29:09pelo menos,
29:10chegar nela e conversar
29:11de forma muito progressiva.
29:13Por quê?
29:14Nós, inclusive,
29:15falamos dos sinais,
29:16existe uma espécie
29:18de termômetro
29:21da violência
29:21chamado violentômetro.
29:24E nós,
29:24aqui na UAB do Espírito Santo,
29:26junto com a Comissão da Mulher,
29:27foi integrado também.
29:29E, normalmente,
29:30a gente repassa isso.
29:32Por quê?
29:33A mulher, em casa,
29:34às vezes,
29:34não consegue enxergar.
29:35Por quê?
29:36Porque a violência doméstica
29:37é normalizada.
29:39O ciúmes excessivo
29:40é romantizado.
29:41Ah, ele tem o ciúmes excessivo
29:43porque ele me ama.
29:44O ciúmes não tem nada a ver
29:46com o amor.
29:46O ciúmes é uma coisa
29:47inerente à pessoa,
29:48o grau de problema.
29:50E a gente sempre fala
29:51no homem,
29:52mas a gente também
29:53tem que verificar
29:54como foi a relação
29:55daquela mulher
29:56em família.
29:57Geralmente,
29:58as crianças que sofreram
29:59violência doméstica,
30:00direto ou indiretamente,
30:01ou a criança sofreu
30:03diretamente,
30:03ou ela viu a mãe
30:04sofrendo qualquer tipo
30:05de abuso,
30:07querendo ou não,
30:07aquilo vai ficar na mente,
30:08no inconsciente dela.
30:09E vai reproduzindo, né?
30:10Aquilo não é tratado.
30:12Quando ela chega
30:13na idade adulta,
30:13ou ela vai atacar,
30:15eu costumo dizer
30:15que pessoas feridas
30:17machucam outras pessoas.
30:19O que também não serve
30:20de justificativa.
30:22Não, não.
30:22E é tanto que,
30:24em regra, né,
30:28quando a gente imagina
30:29o agressor
30:30e de fato
30:31há um índice
30:32muito grande
30:33de vinculação
30:35ao agressor
30:36a ter sofrido
30:37algum tipo
30:38de violência,
30:39tudo está interligado
30:40dentro dessa concepção
30:42de sociedade, né?
30:43O menino,
30:45na sua infância,
30:47na sua adolescência,
30:49ele é iniciado sexualmente
30:51pelos seus pais,
30:52né?
30:52Com ida a bordéis,
30:56com...
30:57tendo ali
30:58o seu primeiro ato sexual
31:00de uma forma
31:02em que ele não tinha
31:04vontade,
31:05não tinha
31:05sequer discernimento
31:07daquilo que estava
31:07sendo feito.
31:08Mais um incentivo, né?
31:09É uma forma
31:10de violência sexual,
31:12né, cometida.
31:13Contra o homem, né?
31:14Esse ideário
31:15da sociedade
31:16de que os homens
31:17não choram,
31:18de que o homem
31:19não pode levar
31:20desaforo pra casa,
31:22sabe?
31:22De que se apanhou
31:23na rua
31:24e não revidou,
31:25vai apanhar de novo
31:26em casa.
31:27Todo esse ideário
31:28machista
31:28que é reproduzido,
31:30né, com os homens
31:33em graus
31:34diversos, né,
31:35de violência,
31:36eles também
31:38acarretam, né,
31:39a forma
31:39com que o homem
31:40vai lidar
31:41com a diversidade
31:42na vida adulta.
31:43Em regra,
31:44lidar com essa diversidade
31:45é com violência.
31:46É interessante a gente
31:47pensar também,
31:48porque a gente analisa
31:48muito do ponto de vista
31:49masculino,
31:50mas quando a gente
31:51fala em crianças,
31:52a gente fala
31:52do sexo masculino
31:53e feminino.
31:54Se o menino,
31:55existe um percentual
31:56muito grande
31:57de meninos que eles,
31:58porque, na verdade,
31:59a palavra convence,
32:01mas é o exemplo
32:01que arrasta.
32:02Eu tenho,
32:03se eu sou uma criança
32:04e eu tenho pai e mãe
32:05e eu vejo meu pai
32:06abusando da minha mãe,
32:07talvez aquela criança
32:08nem saiba,
32:09seja de forma
32:10até inconsciente,
32:11mas a gente tem que
32:11analisar do ponto de vista
32:12feminino também.
32:13A menina que viu a mãe
32:15passar por violência doméstica
32:16acha que isso é normal.
32:18Normaliza.
32:18E aí,
32:19quando ela se casa,
32:20ela acaba procurando,
32:21porque dizem que
32:22é assim que acontece.
32:23Eu, por exemplo,
32:23sempre quis ter um homem
32:24trabalhador,
32:25porque meu pai
32:25sempre se mostrou
32:26muito trabalhador.
32:27eu tive muita sorte
32:28de ter nascido
32:29numa família
32:30muito boa
32:31no sentido de amor,
32:32de carinho,
32:33de exemplo.
32:34Então,
32:34se a menina,
32:35de repente,
32:36normaliza,
32:37porque é assim,
32:38é isso que você está falando,
32:38essa construção.
32:40Antigamente,
32:40era normal.
32:41O homem traía a mulher?
32:42Ah,
32:42é coisa de homem.
32:44Mas deixa eu fazer
32:44uma pergunta,
32:45então.
32:45A bom que você tocou
32:46nesse ponto aí
32:47de traição.
32:48Beleza,
32:49a gente está
32:49numa sociedade machista,
32:51é um machismo estrutural
32:52que está aí,
32:53está dado.
32:54E como é que vai ser,
32:56assim,
32:56as relações vão ser
32:57sempre descartáveis?
32:58Assim,
32:58esse homem
32:59que está nesse relacionamento,
33:01um relacionamento
33:02tóxico,
33:02abusivo,
33:03tem como ele mudar?
33:05Tem como ele evoluir?
33:07Você tem como?
33:07Entendi.
33:08Como é que é?
33:08É, vamos lá.
33:10Eu acho que a palavra
33:11é depende, né?
33:12A resposta é depende.
33:14Depende por quê?
33:15Depende porque
33:16outros fatores
33:17precisam ser analisados.
33:18Primeiro,
33:18esse homem agressor,
33:20que está envolvido
33:22nesse processo de violência,
33:23dentro desse processo abusivo,
33:25existem outros fatores
33:27que somam
33:28a essa personalidade?
33:29Quais seriam esses, né?
33:31Quais seriam essas adições?
33:33Se ele é um adicto,
33:34se ele faz uso
33:35de entorpecentes,
33:36se ele tem algum tipo
33:37de vício,
33:37se ele tem um transtorno
33:39psiquiátrico.
33:40Então,
33:40isso são elementos
33:41que podem influenciar
33:43para que haja
33:44uma dificuldade
33:46em ter uma ressocialização,
33:48um entendimento
33:49ou a compreensão
33:49do seu comportamento.
33:51Qual é a forma
33:52que esse homem
33:53está buscando essa ajuda, né?
33:55Foi iniciativa própria,
33:57ele reconhecendo
33:57o seu erro,
33:58ele buscando
33:59uma terapia individual,
34:01né?
34:02Então, assim,
34:03são fatores
34:04que precisam ser analisados.
34:06O que a gente precisa
34:06ter em mente, Lara,
34:07é que durante
34:08esse processo
34:09de reconhecimento
34:12do homem,
34:12desse processo
34:13de violência,
34:14de uma ressocialização
34:15desse homem
34:16dentro da sociedade,
34:18dentro das relações
34:19afetivas,
34:19amorosas,
34:20a mulher,
34:21ela nunca deve estar
34:22ao lado desse homem,
34:23porque ele está
34:24num processo
34:25de tratamento
34:28e tudo mais.
34:29Então,
34:30se ela acha
34:31que ela consegue
34:32lidar,
34:34tratar,
34:35que essa é uma missão
34:36dela,
34:37né?
34:37De que ela vai
34:38conseguir,
34:39vai mudar,
34:40vai mudar,
34:41ele vai mudar
34:41por amor,
34:42ela continua
34:43dentro da reprodução
34:45daquele ciclo
34:45da violência,
34:46porque vai chegar
34:47a um determinado
34:48momento em que
34:49ele vai reincidir
34:50e vai começar
34:52todo o processo,
34:53né?
34:53Das três fases
34:54do ciclo de violência.
34:55Esse é o primeiro ponto.
34:56Mas existe,
34:57Lara,
34:58a lei Maria da Penha,
34:59ela prevê
34:59que grupos
35:00de ressocialização
35:03para homens
35:04enquadrados
35:04em violência
35:05contra a mulher,
35:06eles participem.
35:07E essa obrigatoriedade
35:09da participação
35:10desses grupos,
35:10né?
35:11De trabalho,
35:11de estudos,
35:12passou a ser exigida
35:13a partir de 2020.
35:15Nossa,
35:15recente.
35:15É bem recente,
35:17embora a lei Maria da Penha
35:18seja de 2006,
35:19né?
35:19E aí,
35:21essa previsão
35:22específica
35:23de 2006.
35:25Foi uma iniciativa
35:26do Congresso Nacional,
35:28não sei propriamente
35:29se tem uma relação
35:30com a pandemia.
35:31Durante a pandemia,
35:32houve o Código Vermelho,
35:35que houve um aumento
35:37muito grande
35:37de violência doméstica,
35:40e aí o CNJ,
35:42né?
35:42Ele criou esse projeto,
35:44é uma legislação
35:45de cunho federal,
35:46mas que são aplicáveis
35:47e existem legislações estaduais
35:49e existe aqui também
35:49no Estado do Espírito Santo,
35:51que é a instituição
35:52do Código Vermelho,
35:53que a mulher faz um sinal,
35:55um X vermelho,
35:56seja na palma da mão,
35:57seja num papel,
35:58e redes de farmácia,
36:00instituições bancárias,
36:02órgãos públicos,
36:03eles estão acessíveis
36:05e sabem identificar
36:07esse sinal
36:07para prestar algum tipo
36:08de auxílio.
36:09Mas em relação
36:10a essa obrigatoriedade,
36:13aqui no Espírito Santo
36:14tem esse projeto,
36:16que é o projeto,
36:18deixa eu olhar aqui,
36:18minha,
36:19Homem que é Homem,
36:20esse é um projeto
36:21da Polícia Civil,
36:22que é integrado
36:24à Divisão Especializada
36:25de Atendimento à Mulher,
36:27ele foi criado em 2015,
36:30hoje já tem,
36:32já alcança 21 municípios,
36:34existe um projeto
36:36que talvez seja
36:37um dos mais pioneiros,
36:38que é um projeto
36:39que tem essa mesma visão
36:41de ressocialização do homem,
36:43que é o projeto
36:44Escola de Homens
36:45que funciona
36:46em Nova Iguaçu,
36:47na Baixada Fluminense,
36:49que é um projeto
36:49desde 2009,
36:51em que tem
36:52essa mesma visão
36:54daqui do Espírito Santo,
36:55que é um grupo
36:55de estudo de homens
36:56em que,
36:58com todo o apoio
37:00psicossocial,
37:01da defensoria pública,
37:03vai se construindo
37:05e demonstrando
37:06para esses homens
37:07porque eles estão
37:09primeiramente
37:10sendo obrigados
37:12a participar desse curso.
37:13E é muito curioso
37:14que eles entram
37:16nesse curso
37:16obrigados,
37:17achando que não
37:19deveriam estar ali,
37:20que eles não teriam culpa,
37:21e ao final
37:23desse curso,
37:24existem frases
37:26como
37:26eu reconheço
37:27o meu erro,
37:29eu sei que eu tenho
37:30a minha parcela
37:31de culpa,
37:31e eles conseguem
37:34compreender.
37:34Nesse de Nova Iguaçu,
37:36por exemplo,
37:37o índice de reincidência
37:38é baixíssimo,
37:39de 15 alunos
37:40numa turma,
37:41apenas um
37:42voltam a reincidir
37:44na violência doméstica,
37:45sendo que,
37:46em regra,
37:47esse um
37:48que reincide
37:49ou ele tem
37:50um problema
37:51de adição
37:51ou ele tem
37:52um problema
37:53psiquiátrico,
37:54ou seja,
37:55que são outros fatores
37:56que envolvem.
37:56Outros fatores
37:56que envolvem.
37:59Então,
37:59porque não vale
38:00só a gente
38:01proteger a mulher,
38:02a gente tem que entender
38:03que a violência
38:03é um ciclo,
38:04que esse homem,
38:05ele precisa
38:06compreender
38:08que ele está
38:09tendo um relacionamento
38:10abusivo
38:10para que ele
38:11não reproduza isso,
38:13não só com sua
38:14parceira ou ex-parceira,
38:15mas com as próximas,
38:16e que esse núcleo
38:18de violência,
38:18esse ciclo de violência
38:19não se perpetue.
38:21Silvia,
38:22o que a OAB
38:23tem de projeto
38:24em relação
38:25à proteção da mulher?
38:26Tem algum...
38:27Como que funciona?
38:28A OAB,
38:29ela tem uma identidade
38:31muito forte no Brasil,
38:32nós somos mais de um milhão
38:33de advogados no Brasil,
38:34e a OAB do Espírito Santo,
38:36eu faço parte,
38:37tenho muito orgulho
38:39de fazer parte
38:39dessa gestão,
38:41ela trabalha
38:42muito voltada
38:43para a advocacia capixaba,
38:45o mistério dela
38:45é voltado para isso,
38:46mas nós também
38:47trabalhamos com o lado social,
38:49eu acho que é importantíssimo,
38:50eu mesma presidi
38:51uma comissão
38:52de orientação às drogas,
38:53foi interessante
38:54o que ela falou,
38:54porque realmente,
38:56muitos homens
38:57adictos,
38:58dependentes químicos,
38:59bebem muito,
39:00quando bebem,
39:01alguns acabam
39:03cometendo algum tipo
39:03de violência contra a mulher,
39:05aliás,
39:05essa é uma pergunta,
39:06inclusive,
39:06de um questionário
39:07do CNJ,
39:08se o marido fez
39:09utilização de algum tipo
39:10de bebida.
39:12Então,
39:12o que a OAB faz hoje
39:13voltada para a mulher?
39:14A comissão da mulher
39:15criou a ouvidoria da mulher,
39:18um espaço dentro da OAB,
39:20seccional aqui no Espírito Santo,
39:22no centro de Vitória,
39:23em que ela ouve,
39:24é um espaço de escuta,
39:26mulheres de advogados,
39:28companheiras,
39:30que sofram todo e qualquer tipo
39:31de violência,
39:32não só a doméstica,
39:33mas a violência no trabalho,
39:34a violência jurídica,
39:35judiciária,
39:36que é um fator que está crescendo,
39:38infelizmente,
39:40e nós temos também
39:41um outro projeto
39:42que está em andamento,
39:44que já foi iniciado
39:46pioneiramente
39:47pela 16ª subseção,
39:48nós temos aqui no estado
39:49a seccional do Espírito Santo,
39:51que a gente fala seccional,
39:52para nós é muito comum,
39:54e 21 subseções,
39:55que são como se fossem filiais,
39:57eu costumo dizer
39:58que não são filiais
39:59porque elas são muito mais importantes
40:01do que a própria seccional,
40:02e muito autônomas,
40:04né?
40:04Sim,
40:05eu costumo dizer
40:06que não teria como
40:07nós fazermos o trabalho
40:08que nós estamos fazendo hoje
40:09sem a atuação
40:12e a ajuda
40:12das subseções,
40:14e esse trabalho
40:15que está sendo realizado
40:16no interior do estado,
40:17pelo presidente
40:18José Carlos Rizki Filho,
40:19de interiorização,
40:20junto com os advogados,
40:22também é voltado
40:22para a sociedade,
40:23foi assim com o fechamento
40:24das comarcas,
40:25e é assim também
40:26pelo social,
40:27então nós temos
40:28um projeto
40:28muito lindo,
40:30que eu estou até ajudando
40:30na coordenação,
40:31fico muito feliz e honrada,
40:33é a implantação
40:34de sala Lilás,
40:35o que é a sala Lilás?
40:36É um espaço
40:38geralmente
40:38no Brasil,
40:39em alguns municípios
40:40brasileiros,
40:41ali é colocado
40:42dentro,
40:42uma sala
40:43dentro de uma delegacia,
40:45normalmente,
40:46onde não haja
40:46delegacia da mulher,
40:48para que a mulher
40:49possa ter um espaço
40:50de escuta,
40:51onde ela não vai ser
40:52ouvida por um homem,
40:53é importante
40:54que a gente diga também
40:55nada contra os homens,
40:57ela falou do grupo
40:58reflexivo,
40:59e o grupo reflexivo,
41:01ele pauta,
41:02ele mostra para a gente
41:03como é
41:04essa desconstrução
41:06do homem em relação
41:07a isso,
41:07muitos homens
41:08não sabem,
41:09como a mulher
41:10normaliza,
41:10o homem também
41:11normaliza,
41:12isso é tão natural,
41:13e a gente não pode
41:13achar também,
41:14como você bem disse,
41:16que os relacionamentos
41:16são descartáveis,
41:18ninguém é perfeito,
41:19nós não somos perfeitos,
41:21então,
41:21o que seria
41:21a sala Lilás,
41:22a sala Lilás
41:23seria um espaço
41:24dentro de uma delegacia,
41:25que geralmente
41:27não haja a delegacia
41:29da mulher,
41:29para que a mulher
41:30seja ouvida,
41:31ela será ouvida
41:32provavelmente
41:32por uma estagiária
41:33de direito,
41:34ou uma aluna
41:35de pós-graduação,
41:36e onde ela vai relatar,
41:38e vai receber orientações,
41:39vai receber orientações,
41:40e o que é mais importante
41:41desse projeto
41:42é que ele não é
41:43só da UAB,
41:45ele foi iniciado
41:46na décima
41:46subseção de IUNA,
41:48tem que agradecer,
41:49inclusive,
41:49ao presidente Christian,
41:51que é homem,
41:51e que tomou a frente
41:52junto com a comissão
41:53da mulher
41:53e de toda a equipe,
41:55mas ele também
41:56tem atuação
41:57junto com município
41:59e estado.
42:00Município,
42:01porque as prefeituras
42:02também auxiliam,
42:03a ideia da continuidade
42:05desse projeto
42:05é que as prefeituras
42:07nos deem apoio
42:09com relação
42:10aos estagiários,
42:11e o estado
42:12com espaço
42:13dentro da delegacia,
42:14então,
42:14é uma junção
42:15de um projeto
42:16voltado para a sociedade,
42:18para as mulheres advogadas,
42:19assim como é feito
42:20com a ouvidoria
42:21da mulher,
42:22mas também
42:23para toda a sociedade,
42:24para todas as mulheres,
42:25independente
42:26de serem advogadas
42:26ou não,
42:27ou seja,
42:28é um trabalho
42:28social voltado
42:30para o público
42:30feminino.
42:32Eu acredito,
42:34penso eu,
42:35que um dos maiores
42:35problemas hoje
42:36que nós vivenciamos
42:37é essa falta
42:39de respeito
42:41entre as relações.
42:43Quando uma mulher
42:43procura alguém
42:44para completá-la,
42:46ela já está errada.
42:47a gente tem que ter noção
42:48que a gente já é completo.
42:50Eu sou romântica,
42:52eu acredito no amor,
42:53mas eu acredito também
42:55que você não vai encontrar
42:56a metade da sua laranja,
42:57você já é completa.
42:58Você tem que encontrar
42:59alguém que transborde
43:01o que você tem por dentro.
43:02E você só vai conseguir
43:04sair disso
43:04quando você tiver
43:05autoconhecimento.
43:06Exatamente.
43:07Autoconhecimento
43:07para se enxergar
43:08como mulher única
43:09que você é,
43:11acreditar que nós,
43:12mulheres,
43:12não temos tempo
43:14de validade.
43:15Não importa a sua idade.
43:17O problema
43:17da violência doméstica
43:19ocorre com mulheres
43:20de todas as idades,
43:22de todas as raças,
43:23classes sociais.
43:24Classes sociais.
43:24Então, hoje,
43:25a gente tem que parar
43:26para pensar
43:26que tanto homens
43:28quanto mulheres
43:29perdem muito.
43:31Quando um homem
43:31mata uma mulher,
43:33ele não mata
43:33só a companheira.
43:35Ele morre também um pouco.
43:37Eu acredito que
43:37depois que um homem,
43:38a grande maioria dos homens
43:39cometa esse tipo
43:41de crime,
43:42porque é um crime,
43:43com certeza ele não
43:44vai ficar feliz.
43:45E aí ele torna
43:46o filho um órfão,
43:47porque ele se torna
43:48órfão de pai e mãe.
43:50Muitas vezes,
43:51a violência doméstica
43:53é direcionada
43:53para as crianças também,
43:55porque elas são órfãos
43:56do feminicídio,
43:58fica meio invisibilizado.
43:59Não se fala tanto.
44:01Mas quando um homem
44:02mutila,
44:02mata uma mulher,
44:03ele está matando
44:04a própria família.
44:05E aquilo que você falou
44:06que é fantástico.
44:07Isso está acontecendo
44:08com a minha vizinha.
44:09Se eu me calar,
44:10não é comigo,
44:10é com a minha vizinha.
44:11Amanhã é comigo.
44:13Exato.
44:14Luna,
44:15como que as mulheres
44:16podem se blindar
44:17desse tipo de relacionamento?
44:19Como não depender
44:20emocionalmente,
44:21financeiramente
44:22dos seus parceiros?
44:23O que você tem de dica
44:24para deixar
44:24para as mulheres
44:25que estão nos assistindo?
44:26Essa é a pergunta
44:27do milhão.
44:30Mas, Lara,
44:33eu acho que
44:33muito do que a gente
44:35falou aqui
44:35já traz um pouco
44:37dessa resposta, né?
44:39Acho que a mulher,
44:40ela precisa
44:41compreender,
44:43é óbvio que existem
44:44as situações
44:46específicas
44:46de vulnerabilidade
44:49e fragilidade
44:50da mulher,
44:50que não é uma regra.
44:51mas ela precisa
44:54o autoconhecimento,
44:56entender qual é
44:57a sua personalidade
44:58e identificar,
45:01ao identificar
45:02numa relação,
45:03no início,
45:04que há sinais
45:05de que esse parceiro,
45:08esse companheiro,
45:09ou esse colega
45:09de trabalho,
45:10ou esse familiar,
45:12ele está querendo
45:12desconstruir
45:13a sua personalidade,
45:14está querendo
45:15te controlar,
45:16te manipular
45:17e são,
45:19ainda que sutis,
45:21você vai observando,
45:23entender que
45:24quem está com você
45:25é o seu núcleo,
45:26a sua rede de apoio,
45:28é a sua família,
45:29são os seus amigos,
45:30né?
45:32E, assim,
45:33conseguir, né?
45:34Se ela conseguir
45:34ter uma percepção
45:36dentro do início
45:37dessas relações
45:37de que
45:38esse relacionamento,
45:40ele pode se tornar
45:40um relacionamento abusivo,
45:43em que
45:43não seja possível
45:45o diálogo, né?
45:46Porque é possível
45:47se construir um diálogo,
45:48demonstrar para esse parceiro
45:50de que
45:51aquelas atitudes
45:53sejam atitudes
45:55construídas
45:56por conta
45:56de um contexto
45:57social familiar
45:58em que foi inserido,
46:00mas que não se aplica
46:01dentro daquele relacionamento,
46:03que pode ser
46:04desconstruído,
46:05de que talvez
46:05esse parceiro
46:06precise de uma ajuda,
46:08né?
46:08De uma terapia,
46:09de uma ajuda psicológica.
46:11Isso pode surgir
46:11do casal mesmo.
46:12Exatamente,
46:13dentro do casal.
46:15Mas se ainda
46:16assim, né?
46:17Ainda que haja
46:18esse diálogo,
46:19essas trocas,
46:20não seja possível
46:21que o quanto
46:23antes que ela saia
46:24desse ciclo
46:24de violência,
46:25melhor.
46:26Porque, de fato,
46:27se há uma ameaça,
46:29essa ameaça,
46:30ela vai ser concretizada.
46:31Os índices,
46:32eles atestam isso,
46:34que a mulher,
46:35quando ela é ameaçada,
46:37se concretiza.
46:39Não há
46:40o que se pensar
46:41de que, primeiro,
46:43que ela vai conseguir
46:45ressocializar sozinha.
46:47Isso não é possível
46:48e não é tarefa
46:49da mulher.
46:50E nem que,
46:51por conta do amor
46:52que ele sinta,
46:54porque há
46:55essas fases,
46:57os relatos,
46:58quando a gente para
46:59para ouvir os relatos
46:59das mulheres
47:00que estão
47:00em situação
47:02de violência,
47:04após o momento
47:05de violência,
47:06eu lembrava
47:07como ele era
47:08comigo,
47:08como ele me amava
47:10e como nós
47:10fomos felizes.
47:12E aí,
47:12tem essa concepção
47:14de que
47:16esse ciclo
47:17de violência,
47:17ele vai ser permanente,
47:19não vai se alterar.
47:21Buscar as redes
47:22de apoio,
47:25buscar sempre
47:26ter a sua independência
47:30financeira,
47:31profissional,
47:32de estudo,
47:33não se submeter
47:34a essas exigências.
47:36O ciúme,
47:37ele não é bonitinho.
47:38Porque a gente fala,
47:39não,
47:40é bonitinho,
47:41o ciúme é fofo,
47:42é porque ele me ama
47:43muito,
47:43ele gosta de mim.
47:44Não,
47:44não é,
47:45entendeu?
47:46Em todo e qualquer
47:47relacionamento,
47:48é preciso se preservar
47:49a sua individualidade,
47:51o seu espaço,
47:52isso é ter um relacionamento
47:53saudável.
47:54Você gostaria de acrescentar
47:56alguma coisa?
47:57Não,
47:57eu acho que é isso mesmo.
47:58A gente acabou falando,
47:59essa última pergunta
48:00que você fez agora,
48:01bem interessante,
48:03é tudo que a gente falou.
48:04Só que,
48:06para isso,
48:06a gente tem que ter
48:07o apoio da sociedade
48:08como um todo.
48:09Como um todo.
48:10Não tem como você
48:11falar em violência doméstica
48:12e colocar responsabilidade
48:13sobre a mulher.
48:14A velha máxima
48:15de briga de marido e mulher
48:16não se mete a colher.
48:17Você não vai se meter
48:18numa discussão
48:19entre um casal,
48:20que é normal,
48:20não existe,
48:21é aquilo que você falou
48:22também de descartável.
48:24Se a gente começar
48:25também a achar
48:26que todo e qualquer erro
48:27de um casal,
48:27toda palavra,
48:29às vezes a gente fala
48:29uma palavra que não é tão legal,
48:31homens e mulheres.
48:32Claro que há relacionamentos
48:34que você tem como consertar.
48:35Aliás,
48:35eu tenho 20 anos de casada.
48:36Em 20 anos de casada,
48:37a gente consertou muita coisa,
48:39não é?
48:40Porque são duas pessoas diferentes
48:41vivenciando no mesmo local
48:43e você tem a criação de filho
48:45e você tem a forma
48:46como você vê a vida.
48:48Agora,
48:48é aquilo que eu falei
48:49agora há pouco.
48:50Nós, mulheres,
48:52nós temos que ter a noção
48:53do que está acontecendo conosco.
48:55Quando a gente fala
48:56em relacionamento saudável,
48:57é só você parar e pensar.
48:58Porque quando você vai
48:59iniciar um relacionamento,
49:01você tem uma idealização
49:02do que você considera
49:03o relacionamento ideal.
49:04Você cria expectativas também, né?
49:06É, mas naquele momento
49:07você sabe.
49:08Então, você sabe
49:09qual é o relacionamento ideal.
49:11Então, pensar um pouquinho,
49:13fechar os olhos e imaginar
49:14eu estou me sentindo bem?
49:17Esse relacionamento
49:18está me fazendo bem?
49:19Está fazendo bem
49:19para os meus filhos?
49:21Porque, às vezes,
49:21a mulher não sai
49:22de um relacionamento
49:23justamente pelo filho,
49:24para que o filho
49:24não passe algum tipo de...
49:26não seja prejudicado financeiramente,
49:28porque a gente sabe
49:29que alguns homens
49:29acabam deixando de lado
49:30os filhos,
49:31mesmo que ela possa
49:32ajuizar uma ação,
49:33um pedido de pensão,
49:34mas não é só disso
49:35que a gente fala.
49:36A gente fala da afetividade.
49:37E, muitas vezes,
49:38a mulher não sai de casa
49:39para justamente
49:40não prejudicar o filho.
49:41E aí, ficando,
49:42é que ela acaba prejudicando.
49:44Porque não adianta
49:45o pai estar presente
49:47se ele não for um bom pai,
49:48se ele não for um bom marido.
49:50Mas eu acredito que
49:51a grande maioria
49:52das relações,
49:53os relacionamentos,
49:54tem jeito sim.
49:55Mas, como ela disse,
49:56a pessoa tem que querer.
49:57Não basta um homem dizer
49:58que vai mudar,
49:59que a ama.
50:00não existe relacionamento
50:01que perdure
50:02sem a palavra respeito.
50:04Não só entre homens e mulheres,
50:05respeito entre nós.
50:07Mas, se a mulher perceber
50:09que realmente
50:09tudo o que ela fez
50:11não está dando retorno,
50:12porque o ciclo,
50:13ele é doentio.
50:15Nós temos que analisar também
50:16que, além do feminicídio,
50:18nós temos um número razoável
50:19de mulheres que cometem suicídio.
50:22Porque a violência doméstica,
50:24ela magoa,
50:25ela dói.
50:26E, muitas vezes,
50:28a violência psicológica,
50:29que é recente,
50:30salvo engano,
50:30foi inserida em 2018
50:32na Lei Maria da Penha.
50:34Ela, às vezes,
50:34é muito mais forte
50:35do que um tapa na cara.
50:38Ela deixa marcas na alma.
50:40Então, é um assunto importante
50:42e que toda a sociedade
50:43entenda que não é mimimi,
50:46que não é um problema
50:47simples de resolver.
50:48Se fosse um problema fácil,
50:50nós já teríamos
50:50a solução desse problema,
50:52mas que tem que ser analisado
50:54com empatia,
50:55com amor ao próximo,
50:57como Jesus Cristo disse,
50:58amarmos uns aos outros.
51:00A gente tem que olhar
51:01para um vizinho,
51:01para uma amiga,
51:02se colocar no lugar
51:03da pessoa de fato
51:04e tentar ajudar.
51:05Porque não é brincadeira.
51:07A mulher que sofre
51:08violência doméstica,
51:09só ela sabe
51:09o que está sofrendo.
51:10E só nós,
51:12vizinhos,
51:12amigos,
51:13sociedade em geral,
51:14é que temos o poder
51:15de ajudar às vezes.
51:16Que há momentos,
51:17eu tive um relato
51:18de uma amiga
51:18em que ela se dizia
51:19travada.
51:21Quando o marido
51:21gritava com ela,
51:22e o grito também,
51:24o grito também
51:25é uma violência,
51:27ela me dizia,
51:28Silvia,
51:28eu travava.
51:30Parece que a minha alma
51:31diminuía
51:32e eu não conseguia responder.
51:33A assertividade,
51:34ela acaba
51:35quando a mulher
51:35sofre violência doméstica,
51:37porque ela acha
51:37que tudo que ela vai falar
51:39vai acabar traindo
51:41o lado negativo do homem.
51:43Então,
51:43o ideal mesmo,
51:45aquele idealismo,
51:46seria no início
51:46da relação,
51:47você perceber
51:48qualquer mínimo sinal,
51:49você ficar atenta.
51:50Então,
51:51se você está
51:51no início
51:51de uma relação,
51:52de um relacionamento,
51:53e você perceber
51:54o mínimo sinal
51:54de controle excessivo,
51:56de ciúmes,
51:57de qualquer coisa
51:58que abale você
51:59física,
51:59psicologicamente,
52:00e a gente fala
52:01da violência física,
52:03psicológica,
52:04a violência psicológica
52:05que ocorreu
52:06durante aquele reality
52:08foi incrível.
52:09Porque é uma coisa
52:10tão normal
52:11que ele fez
52:12em rede nacional.
52:14Aquela personagem
52:15do reality,
52:17aquela atriz famosa,
52:18falou que em um momento
52:20em que ela estava
52:21sofrendo aquela violência,
52:22ela não percebeu
52:22porque ela já estava
52:24acostumada
52:24a ter aquele tipo
52:25de relacionamento.
52:26Só quando
52:28o apresentador
52:28falou que
52:30certos tipos
52:30de brincadeiras,
52:31a gente não deve
52:32nem falar,
52:33e citou a situação,
52:34é que ela se deu conta.
52:35Na verdade,
52:36aquilo não era
52:36uma brincadeira.
52:39Você humilhar,
52:40tirar da mulher
52:41a sua dignidade,
52:43não é brincadeira.
52:44Houve uma ameaça,
52:46né?
52:46Uma ameaça,
52:47de fato,
52:47é uma agressão física.
52:49Nesse caso específico.
52:51Então,
52:52isso vai para além,
52:53além de uma brincadeira.
52:55É você intimidar.
52:56Quando você ameaça,
52:57você intimida.
53:00Exatamente.
53:00Isso é preciso
53:01a gente ter essa noção.
53:03Ou seja,
53:04tem coisas
53:04que nem de brincadeira
53:06podem ser...
53:06E é um menino jovem,
53:07um rapaz jovem.
53:08A gente fala assim,
53:09em violência,
53:10normalmente a gente
53:11pensa sempre naqueles homens
53:12de uma outra geração.
53:13Mas a gente vê
53:14que isso está
53:14se perpetuando.
53:16É verdade.
53:17Gostaria de agradecer
53:18vocês duas
53:20pela nossa conversa
53:21que hoje
53:21é um assunto denso,
53:24mas extremamente importante
53:26da gente conversar
53:26sobre ele.
53:28Então, Silvia,
53:28muito obrigada.
53:29Luna também.
53:30Silvia,
53:30você gostaria
53:31de deixar uma palavra final?
53:32Não,
53:32acho que a gente
53:32falou bastante,
53:33mas a única coisa
53:34que eu quero dizer
53:34realmente é um assunto
53:35denso,
53:36tenso,
53:37mas que tem que ser falado,
53:38tem que ser debatido
53:39em escolas,
53:41nas residências.
53:42Eu sou mãe de um menino
53:43de 18 anos
53:44e eu converso muito com ele.
53:46e ele sabe,
53:47ele tem noção
53:48do que é a violência doméstica,
53:49de como deve ser tratada
53:50uma mulher.
53:51A mulher que foi escolhida
53:52por ele será uma sortuda,
53:53inclusive.
53:54Porque eu acredito
53:55que nós mulheres
53:56também temos um papel
53:57fundamental.
53:58De educação,
53:59com certeza.
53:59Eu tenho que educar
54:00o meu filho
54:00para que ele não cometa
54:01nenhum tipo de violência
54:03contra uma mulher.
54:04Da mesma forma
54:04que nós mulheres
54:05temos que educar
54:06as nossas filhas
54:07para serem tratadas
54:08como princesas,
54:09porque é isso
54:10que nós precisamos,
54:10para que no futuro
54:12meninas e mulheres
54:13não passem
54:14por esse tipo
54:14de violência.
54:15Luna,
54:16você gostaria
54:17de fazer um agradecimento?
54:18Sim.
54:19Na verdade,
54:20eu queria deixar
54:20um recado final
54:22para fechar
54:23esse importante bate-papo
54:26que nós tivemos
54:27aqui hoje.
54:29Justamente para você,
54:31mulher,
54:32que hoje está inserida
54:34num relacionamento abusivo,
54:36que consegue identificar
54:38e existe hoje
54:39o acesso à informação.
54:40todos nós temos
54:42smartphones,
54:43acesso à internet
54:44e formas de identificar
54:48como estamos inseridas
54:50e quais são os sinais
54:51da violência,
54:53seja violência psicológica,
54:56seja todos os cinco tipos
54:58de violência prevista
54:59na Lei Maria da Penha,
55:00que você identifique,
55:02que você tenha forças
55:04para sair desse relacionamento abusivo,
55:06que você tenha forças
55:07para relatar,
55:08que você entenda
55:09que você é a vítima
55:10dessa relação,
55:11desse processo,
55:12você não é a culpada
55:15e que você vai ser, sim,
55:17acolhida
55:19e vai achar pessoas
55:20no seu caminho
55:21para que te dê
55:22uma orientação
55:23e um caminho,
55:23tanto que nós trouxemos aqui
55:25os dados,
55:26as redes de apoio,
55:28os grupos,
55:29as centrais voltadas
55:30para o atendimento
55:31à mulher,
55:32que a gente repete aqui agora,
55:34180,
55:35as delegacias da mulher.
55:36é importante que você,
55:39mulher,
55:39entenda que não está sozinha
55:41e que o melhor que você pode fazer
55:45por você nesse momento
55:46é sair de um relacionamento abusivo
55:49e realizar essa denúncia.
55:52Você que está nos acompanhando,
55:54agradeço.
55:55Até o próximo vídeo.
55:56E aí
55:56Obrigado.
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