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  • há 4 semanas
Iguaria começou a se popularizar no Nordeste brasileiro, mas se espalhou e se tornou parte da gastronomia de diversos Estados

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00:00O Acatacatingulim, o Acatacatingulim, a onomatopeia com sílabas e vogais é o nome dado ao círculo de metal que pelas
00:08ruas anuncia uma tradição capixaba.
00:15O ecoar do Acatacatingulim traz à memória o imaginário repleto de sabor, sabor de um doce muito popular no Espírito
00:24Santo, o quebra-queixo.
00:26Um dos produtores que mantém essa história viva é Renato, que tem 40 anos e mora em Nova Rosa da
00:33Penha 2, em Cariacica, na Grande Vitória.
00:37Eu comecei quando um colega meu me chamou, perguntou se eu queria trabalhar para ele, entendeu? Aí eu aceitei.
00:45E aí eu comecei a trabalhar para ele, né, e sempre que com a intenção de um dia aprender para
00:51eu mesmo fabricar o meu próprio doce.
00:53Aí eu trabalhei uma época com ele, depois eu parei, né, fiquei um bom tempo sem mexer com quebra-queixo.
00:59Aí depois, quando eu voltei, eu já voltei trabalhando com o meu cunhado.
01:02Eu trabalhando com ele a volta, mais ou menos, uns três anos com ele, e logo assim eu já comecei
01:08a fabricar o meu próprio quebra-queixo.
01:12No panelão de Renato são oito quilos de coco e sete quilos de açúcar cristal.
01:17Coco e açúcar, é o ingrediente principal, né, e uma pintadinha de sal que todo mundo sabe que vai no
01:26doce.
01:26Quem fabrica doce sabe que vai uma pintadinha de sal.
01:29Temos um segredo mestre, né, que a gente não pode revelar.
01:33Isso aí vai ficar uma fuguinha na orelha.
01:36Renato atua como carpinteiro durante a semana, e quando chega sexta-feira,
01:42rememora esse costume que perpassa gerações, e passa a noite preparando o quebra-queixo,
01:48que vai distribuir pelas ruas de Vitória, no sábado e no domingo.
01:53São dois ônibus até chegar na capital e fazer a alegria de quem aguarda ansiosamente pelo som do Uacataca-Tingulim.
02:04A força nos braços de Renato representa a história de um doce oriundo do Nordeste, segundo levantamentos históricos.
02:13De acordo com o historiador Marcos Vinícius Santana, existem teorias que mostram que a influência do doce é portuguesa.
02:21Outras dizem ser indígena.
02:23E algumas pessoas contam que a receita é de um doce muito comum na Angola, e foi trazida com os
02:29escravizados.
02:30O que se pode afirmar é que o quebra-queixo se popularizou com a venda do doce feita pelos escravos
02:36no período da escravatura.
02:38O amor é muito grande ao quebra-queixo, vejo as pessoas me contarem as experiências que já tiveram,
02:44a lembrança que quando eles eram crianças, que eles já corriam atrás do homem do quebra-queixo.
02:50Então é o que faz a gente animar a continuar essa batalha aí, continuar com o doce.
02:55E se depender de Renato, a tradição vai continuar a ser passada de geração em geração.
03:03Vamos continuar porque o quebra-queixo é um meio de um socorro, uma ajuda, entendeu?
03:09Porque sim, é um doce para você sair de manhã, de tarde, que você já está com o resultado.
03:15O quebra-queixo carrega uma história de trabalho, força, luta e amor,
03:20representados por um som único e pela dedicação de produtores que ainda mantêm vivo esse elemento da cultura capixaba.
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