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  • há 8 horas
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Esportes
Transcrição
00:00O Brasil, tudo isso pra mim passa pela base.
00:03Quando o Boni fala da seleção que o Vampeta fez de não convocados,
00:07a gente tinha uma preparação de base.
00:08Aliás, eu quero passar, só abrir um parentezinho.
00:11Morreu ontem o Guimarães, do Pequeninos do Jóquem,
00:15um dos maiores descobridores de talentos do futebol brasileiro.
00:19Toda a grande base do São Paulo, Menudos, tudo, tudo.
00:23Todos passaram.
00:24São Paulo tinha um convênio com esses Pequeninos do Jóquem,
00:26só pra lembrar de alguns, o André, o Miller,
00:29todo esse pessoal jogou lá, tem um monte de gente.
00:31E ele morreu ontem, quero mandar aqui um abraço.
00:34Grande descobridor, olheiro, sabe? Lapidador de jogadores.
00:39Então hoje a nossa base, ela faz o quê?
00:41Ela é uma base pra exportação.
00:44Você não se preocupa com o jogador pro mercado interno.
00:47Você faz isso aqui, é jogador grandão, jogador forte, jogador veloz.
00:51Jogador de habilidade, inclusive rolou há pouco tempo na internet
00:53um técnico tirando um garoto do treino, porque ele driblava.
00:59Nós não fazemos mais pra produção própria, pra nossa cultura.
01:03Cultura de futebol brasileiro, ela é a cultura do drible.
01:06Cultura do jogador ousado.
01:08Nós estamos quebrando a nossa cultura
01:10quando a gente coloca um monte de jogador meia boca estrangeiro aqui,
01:14quando a gente traz um monte de treinador meia boca do exterior,
01:16com ideias diferentes, né?
01:18E aí a gente fica competitivo.
01:21Ou quando pega esse driblador e joga pra ponta.
01:24Tira, exato.
01:25Então você não vai aqui, não.
01:25Pra poder exportar.
01:26Isso.
01:27Então você, o Brasil, ele deixou de ter uma cultura própria.
01:31Eu já falei um milhão de vezes, vou falar um milhão e um.
01:34Eu tive uma pós-graduação de futebol numa tarde em Milão,
01:38sentado durante quatro horas com o Johan Cruyff.
01:41E ele me deu essa felicidade.
01:43Um cara maravilhoso.
01:44E ele falava o tempo, ele falou várias vezes.
01:47Ele falou, olha, porque o Brasil tava começando a mudar o jeito de jogar.
01:51Seleção do 90, Seleção do Lazzarone e tal.
01:53E vinha naquele momento até com bons resultados.
01:55E ele falava assim, cuidado quando você muda a cultura do seu futebol.
01:59Você tem problemas.
02:01Você acaba tendo dificuldade.
02:02Que é o caso do Brasil, que é o caso da Itália.
02:04A Itália, quando ela começa a guardiolizar aquele time do Atalanta,
02:09que dá certo, salso ouro e tal.
02:10Começa a jogar o Napoli, até um pouquinho, do Arrigo Sacchi.
02:13Do, do, do, ô meu Deus do céu, do, o treinador lá, o veinho que fez sucesso.
02:19Bom, não vem o caso.
02:20Tanto faz.
02:21Mas começou a jogar de uma maneira mais, é, jogo, aquele jogo coletivo, toca de passe.
02:25Não é a Itália.
02:27A Itália é o catenate, é um time defensivo, é um time de contratação.
02:31Essa é a Itália, que ganhou tudo o que ganhou.
02:33A Itália, quando ela quebra a cultura dela, ela começa a ter problemas.
02:37E o Brasil quebrou a cultura de futebol dele.
02:39Então, hoje, quem resolveu o jogo, como resolveu, vinha e o Júnior com o drible.
02:46É a cultura do futebol brasileiro.
02:48Mas você olha o time do Brasil, ele é um futebol hoje, de um modo geral, né?
02:54O time com mais resultados nos últimos tempos no Brasil, o Palmeiras.
02:57Como joga o Palmeiras?
02:59Burocraticamente.
03:00Com a cultura portuguesa de futebol.
03:03É por aí.
03:04Mas assim, e aqui não estou colocando críticas específicas.
03:08Estou dando um exemplo bem claro.
03:10É um jogo duro, é um jogo pesado, é um jogo pragmático.
03:13Não é o jogo do Brasil.
03:15Teoricamente, não é o jogo do Brasil.
03:17Não é.
03:18O Brasil só ganhou uma Copa, assim, que foi em 94.
03:21Foi uma coisa bem pragmática e bem propostal.
03:23Quando o Parreira falou que para ganhar confiança, ele tinha que proteger o time e jogar bola no Bebeto e
03:28no Romário.
03:28Então, nós perdemos a nossa cultura de futebol.
03:32Quando você perde a sua cultura de futebol, você tem mais dificuldades.
03:35E o futebol brasileiro, hoje, é um futebol com dificuldade de identidade.
03:40A ponto de nós termos um cara que eu gosto, um cara que eu tive a oportunidade de conversar.
03:45É um cara muito legal, um dos maiores treinadores da história.
03:48Mas é um técnico italiano.
03:50É uma cultura diferente da nossa.
03:51A gente traz um técnico absolutamente oposto.
03:54Era mais lógico você trazer um técnico espanhol que tem a cultura holandesa, que é a cultura do drible, da
04:01finta, da movimentação, que parece mais com o futebol brasileiro.
04:05E a gente vai buscar um técnico que está fazendo aqui, trabalhando mais pela cultura que ele tem, que é
04:12a cultura italiana,
04:13mas que se destaca por quebrar um pouquinho aquela coisa do italiano pragmático, que até o italiano te perdeu.
04:20Então é meio, sabe, é uma coisa meio doida, mas é isso.
04:23O Brasil não quer fabricar jogador brasileiro.
04:26Ele quer fabricar garoto brasileiro com perfil europeu, para fazer negócio e não para abastecer os seus times.
04:32Ô Flávio, você acha que poderia haver a possibilidade de um contramovimento no caso das duas uma?
04:39Ou o Brasil perde o posto de maior campeão da Copa do Mundo, que está garantido ali pelo menos por
04:45oito anos?
04:45Ou se a Alemanha ganha, divide esse posto até 2030 e a Alemanha pode passar.
04:49Se não ganha, aí se garante por mais um tempo.
04:52Ou se, por exemplo, fica de fora de uma Copa do Mundo, que é mais difícil agora com sete vagas,
04:57mas se por acaso fica de fora de uma Copa do Mundo, você acha que teria a perspectiva de fazer
05:03esse contramovimento de volta?
05:05Acho muito difícil.
05:06Acho que é uma coisa sem volta, porque o futebol brasileiro está cada vez, e eu não tenho nada contra,
05:11cada vez mais futebol de negócios.
05:13Quando você traz uma SAF, que eu sou favorável de um modo geral,
05:17e o São Paulo, por exemplo, não é SAF e faz jogador para exportação.
05:21Por isso que eu estou falando.
05:22Então, só para dar um exemplo.
05:24Mas a tendência é cada vez mais você ser um fabricante de matéria-prima.
05:28Hoje o Brasil, ele não é um criador de jogo de estilo.
05:32Ele é simplesmente um abastecedor de matéria-prima.
05:36Só isso.
05:37A preocupação é negócio.
05:38Negócio, negócio, rola negócio, gira, entra negócio pra caramba.
05:42O próprio Abel Ferreira, já que eu citei o exemplo,
05:44quando perguntaram, ah, o Palmeiras investiu um bilho, mas quanto o Palmeiras vendeu?
05:48Veja quem o Palmeiras vendeu.
05:50Então, ele vende o Estevam, ele vende o Luiz Guilherme,
05:54tudo jogador de habilidade.
05:55O Henrique não é um jogador de habilidade, é um jogador de força, mas enfim.
05:58Ele vende um zagueiro com o Vitor Reis, zagueiro de saída de jogo.
06:03Ele vende o jogador de mais qualidade e rapidamente é dispensado.
06:07Ele é vendido, ele vira um objeto de negócio.
06:10E eles fabricam o jogador durão, grandão, forte, pra poder vender por um valorzinho menor.
06:15Então, tem um monte de jogador que você nem vê.
06:17De repente, o cara aparece.
06:18O São Paulo se desfez daquele menino William Gomes, que era um driblador e que perdeu a posição
06:24porque um técnico argentino burocrático e não queria que ele driblasse.
06:28Percebe como a gente tá fugindo da nossa cultura?
06:31Daqui a pouco, ou até hoje a gente já pode dizer isso, o futebol brasileiro ficou irreconhecível.
06:36Ele não é o futebol brasileiro sem nenhum tipo de saudosismo, que é uma coisa que eu não sou saudosista.
06:42Mas é outra coisa.
06:44Você olha o futebol que jogava no Brasil.
06:46Seleção, vai, estamos falando em 2002.
06:48No final dos anos 90, 80, é completamente diferente do que se joga hoje.
06:53Hoje é um jogo mais duro.
06:54E aí vem um Jorge Jesus, um técnico português mais ou menos, e faz no Brasil aquilo que o Brasil
07:01fazia.
07:03É inacreditável, uma coisa dessas, né?
07:04E aí ele faz um Flamengo jogar bola, brigar, brincar, jogar.
07:09E aí o Pilhado berra aí e tal, com toda a tontice dele.
07:13Mas ele tem razão.
07:14Ele fala, a torcida do Flamengo ainda é a única que cobra um espetáculo.
07:19Porque a gente tá acostumado.
07:20A do Palmeiras, e nada contra de novo.
07:23Ela quer a vitória.
07:24Se eu ganhar de meio a zero, tá bom.
07:26Mas não era isso que o Brasil fazia.
07:28O Santos ganhava e goleava.
07:30A academia do Palmeiras, provavelmente a primeira, ganhava e goleava.
07:33Os grandes, o São Paulo do Tele, o cuidado do Tele, quando ele diz assim,
07:37eu não admito que um jogador meu não saiba cruzar uma bola, dominar uma bola.
07:41Hoje é a coisa mais natural do mundo.
07:43O cara não sabe passar a bola.
07:45Não há essa preocupação.
07:46Ele tem que ser forte, ele tem que correr muito, ele tem que dividir muito.
07:50É esse o perfil.
07:50Percorrer 15 quilômetros por jogo.
07:52Esse é o perfil do jogador.
07:53E ter uma técnica muito pequena.
07:55Eu gosto do Ender.
07:56Eu acho que ele tem que ter oportunidade, como todo mundo.
07:59Eu acho que o Rayan e o Ender são muito equivalentes, muito próximos.
08:02Ninguém fala do Rayan, talvez do Rio estejam falando e tal.
08:06Mas ele não é a solução única.
08:08A primeira coisa que o Brasil tem que acertar é o meio campo.
08:11Há um buraco no meio campo do Brasil.
08:13Essa é a prioridade.
08:14Prioridade.
08:16Aí alguém falou, o próprio Ray, talvez Fabinho no lugar do Casemiro, talvez encorpar mais
08:22o meio campo.
08:23Essa é a prioridade.
08:24Ah, foi ali que o Marrocos deitou.
08:26Deitou.
08:27Jogou um totó, foi um passeio, uma coisa até vexatória.
08:31Deu até pena no primeiro tempo do totó que o Brasil levou.
08:34E aquela história de, eu não sei se Deus é brasileiro, mas ele joga pela seleção brasileira.
08:39Porque era para tomar dois, três no primeiro tempo.
08:42E virou um a um.
08:43Quer dizer, meio que, pô.
08:44O próprio Danilo falou, ó.
08:47Vamos ficar numa...
08:48Tá bom, tá tudo certo e tal, não sei o quê.
08:51E aí, coloca-se uma situação de que se botar um atacante...
08:54Sabe o que ia acontecer se o Enzo estivesse no jogo de...
08:57Ele não ia receber a bola.
08:59Como o Igor Tiago recebeu uma só.
09:02Então, eu tenho muito medo dessa coisa do...
09:04Porque com a mesma avidez que todo mundo quer que o Henrique entre...
09:08Se ele entrar e não resolver porque a bola não chega, ele vai ser queimado.
09:12Ah, tá vendo?
09:13Não era tudo isso, não sei o quê.
09:14Tem tudo isso para ser colocado.
09:17Então, até por preservação, quando o time estiver mais azeitado, você pode...
09:20Agora, você pode colocar o Henrique no lugar do Igor?
09:23Pode.
09:23Mas não é desespero de calça.
09:25Desespero de calça é acertar o meio campo.
09:27Se não acertar o meio campo, corre o risco de ter dificuldade com o Haiti.
09:31Porque os caras têm noção de bola, ninguém é tonto.
09:33O Haiti vai povar o meio campo.
09:35Vai se fechar, ele sabe o tamanho do adversário dele.
09:38Ele vai se fechar.
09:40Provavelmente vai fazer um 4, 5, 1.
09:43Vai deixar um cara lá na frente que também vai ajudar a marcar.
09:45Vai meter 5 no meio campo, vai compactar.
09:48Se o Brasil meter 4, 2, 4, vai ter dificuldade.
09:51Mesmo o jogador do Haiti sendo inferior ao brasileiro, 5 contra 2, ele vai levar vantagem.
09:57Então, eu acho que há prioridades acima do Ender.
09:59Que é que o Ender que virou bola da vez.
10:01Então tá.
10:01Eu adoro esse negócio de bola da vez.
10:03Com a mesma velocidade que entra, sai.
10:05Mas eu fico preocupado com o garoto.
10:06Porque eu acho que ele é muito útil, muito bom.
10:08E pode ser queimado.
10:09Porque se ele entrar com o Brasil desajeitado como estava, não vai resolver.
10:13Não tem milagre.
10:14Nem o Pelé vai fazer milagre.
10:16Pega a bola e dribra todo mundo.
10:17Não tem.
10:18Tanto é que o maior gol da Copa é do Maradona, que ele pega a bola no meio campo e
10:21dribra todo mundo.
10:22Tem Copa desde 30.
10:23Uma vez aconteceu isso com o Maradona.
10:27Pegar a bola e fazer o gol sozinho.
10:28Não existe isso, gente.
10:30Então, calma.
10:31Boa.
10:31A gente vai falar agora sobre o Neymar.
10:33O auxiliar Neymar Júnior, que deu alguns pitacos ali do banco de reservas para os jogadores da seleção brasileira durante
10:38o confronto contra a Marrocos.
10:40A gente vai rodar uma arte do Neymar.
10:41Primeiro, falando para abrir a ponta.
10:44Abre aspas para o Neymar.
10:45Abre a ponta, baralho.
10:48Aí o palavrão que a gente não vai falar aqui.
10:49Porque ainda é muito cedo, né?
10:50Também vamos ter essa consciência de que está muito cedo.
10:52Está só no YouTube.
10:53Então, abre a ponta, caralho.
10:54E passa, passa.
10:55E o Rafa?
10:56Você, Bruno Guimarães.
10:57E o Casimiro tem que se organizar.
10:59Está aí, então, o Neymar dando dicas, instruções para os jogadores da seleção brasileira durante o jogo.
11:05Ô, Flávio, a gente comentava muito isso, né?
11:07O Neymar também seria importante nessa parte.
11:10Nessa parte mental de alguns atletas, por ser um jogador experiente, que já disputou três Copas do Mundo, titular da
11:15seleção brasileira.
11:16Na parte coletiva, na parte do grupo.
11:19Ele é um líder, querendo ou não.
11:21E o Neymar, nessa ausência do jogo contra a Marrocos, não tinha condições de jogo, por isso não estava nem
11:25relacionado, nem colocou o uniforme para ficar no banco.
11:28Ele deu algumas instruções para os jogadores da seleção brasileira dentro de campo.
11:33Talvez seja essa a principal característica do Neymar que mais agregue para essa Copa do Mundo.
11:37Ou você ainda tem expectativas dele entrando ao decorrer da competição, quando tiver 100% recuperado?
11:43Espaço ele tem, pelo menos pelo jogo do Brasil contra a Marrocos, espaço ele tem de sobra, viu?
11:48Antes de mais nada, é bom esclarecer uma coisa.
11:50Eu, durante mais de 20 anos, eu fiquei dentro do campo e, naquela época, você ficava do lado, você ficava
11:55no banco.
11:56Num jogo do Brasil com o Paraguai, eu fiquei do lado do Tele.
12:00O cara estava jogando algumas coisas, né?
12:02E com uma pontaria espetacular, a torcida do Paraguai não errava.
12:06O Tele falou, vem pra cá, mas a gente está meio fedido quando chegou lá, né?
12:11Porque jogaram.
12:12Todos os jogadores, ou praticamente todos, gritam o tempo inteiro.
12:17Não é...
12:18Todo mundo grita.
12:19Porque quando o cara está lá, o que ele pode fazer?
12:22Torcer, né?
12:23Então é normal.
12:24Por que tem a fala do Neymar?
12:26Porque é o Neymar, né, pô?
12:27De não vomitar no Rayan, o cara vai focalizar o Rayan?
12:30Mas o Rayan devia estar gritando também, do mesmo jeito.
12:32Então é normal.
12:33O Neymar, ele grita como todo mundo.
12:35E fica gritando e berrando e ninguém ouve nada.
12:39O Vampeta fala sempre.
12:40O técnico grita e ninguém ouve nada.
12:42E o técnico faz assim, o cara não entende nada.
12:45O Vampeta fala isso toda hora.
12:46Não ouve nada.
12:47É tudo, né, cascata.
12:49O cara não ouve nada, o cara está no meio do jogo e tal.
12:51Então ali o Neymar estava torcendo, gritando, berrando, mas não muda nada.
12:56Ele e todos, quase todos do banco.
12:59Alguns são mais quietos e tal, mas é muito difícil.
13:01Eu tenho certeza, por exemplo, que o Everton, goleiro, terceiro goleiro, estava gritando também.
13:05Está todo mundo gritando.
13:06Aí, normal.
13:07Está dando os pitaquinhos dele.
13:09Como tinha um monte de gente na arquibancada.
13:11Pô, vai aqui, vira lá.
13:12Você não viu?
13:13Acho que foi o Ray mesmo que filmou o pilhado, os berros lá também, dando pitacos e tal.
13:20Faz parte.
13:21Ali não pega nada porque realmente você não consegue, né, no bolo lá se não ouve nada.
13:27Na hora da parada técnica, todo mundo fala, é meio que também aberto a isso.
13:31Claro, o treinador dá instrução, mas todo mundo, pá, pá, olha, pega aqui, vai lá, não sei o que e
13:35tal.
13:35É normal.
13:37Mal comparando, mas é um pequeno mundo, né, na Copa CESP.
13:42Quando vai para o banco, todo mundo fala um pouco.
13:45Não é só o Ray e o treinador que falavam.
13:48Você falava, todo mundo fala um pouco.
13:51Normal, natural.
13:52E no banco também, eu gritaria, vai, não sei o que, e xinga.
13:54Tanto é que vira e mexe, tem jogadores tendo expulso no banco.
13:57Então, normal, natural.
13:58Mas é óbvio, né?
14:00Os caras vão fazer leitura labial do segundo preparador e goleiro?
14:03Fazer do Neymar, né?
14:04Então, claro.
14:05Mas é isso.
14:06E o Neymar não é líder.
14:08Você acha que não, Flávio?
14:09Não é líder.
14:10O Neymar é líder técnico.
14:12Mas o Neymar não é líder de nada, não é capitão do time.
14:14Se for, é pela condição do Neymar.
14:18O Pelé não era o maior líder do time.
14:21O Ademir da Guia não era o maior líder do time.
14:24Então, não tem.
14:25O capitão da seleção brasileira de 94 era o Dunga.
14:30Quem jogava pra caramba lá naquele time era o Romário, o Bebeto, o sistema defensivo.
14:36O Meio Campo, o Dunga era o líder.
14:39Então, uma coisa da liderança, outra coisa é você ter uma liderança técnica.
14:44Então, claro, o Ademir da Guia era chamado pelos jogadores do Palmeiras de bolão.
14:48Bolão porque era bola cheia.
14:50Toca no bolão.
14:51Liderança técnica.
14:52Então, se o negócio engrossar, vai jogar no Neymar.
14:55Não vai jogar no Marquinho lá atrás, que é o capitão.
14:58Mas ele não é líder.
14:59Os caras gostam dele.
15:00Ele tem experiência.
15:01Ele é rodado.
15:02Mas o Neymar, ele não é líder.
15:05Liderança é uma coisa que já nasce com você, né?
15:06Líder é outra coisa.
15:08Ele não é líder.
15:09Ele tem uma referência.
15:10Ele é um cara...
15:11Pô, a molecada...
15:13Provavelmente o Hendrick e o Rayan jogaram videogame com ele, pô.
15:17Com ele sendo...
15:18Então, claro, que você vai encostar no cara e tal.
15:20Mas ele não é líder.
15:22Você não tem essa liderança de botar debaixo de braço.
15:25Acho até que...
15:27Eu ouvi qualquer coisa.
15:28Eu ouvi qualquer coisa.
15:28Até ele patipa da conversa do bicho, né?
15:31Da premiação.
15:32Mas quem discute, quem conversa, com certeza é o Marquinhos,
15:35que é o cara que tem a abraçadeira, né?
15:37Esse é o verdadeiro líder do time.
15:39Então, não vejo assim.
15:41É que é óbvio, né?
15:42De novo, se eu sou o câmera, eu vou focalizar o Neymar.
15:45É óbvio.
15:46É evidente, né?
15:47Claro.
15:48Qualquer coisa que sai do Neymar é legal, vale a pena.
15:51Mas não muda nada.
15:52Ninguém ouviu isso aí.
15:54Nada, nada, nada.
15:55Não muda nada.
15:56E pra gente chamar também o Boni e o Rayan pra esse debate,
15:58a gente tem uma outra aspas do Neymar também
16:00a respeito do jogo diante da seleção de Marrocos.
16:02A gente vai passar na tela,
16:04ainda falando sobre a parte tática do time,
16:08e ele mandando dar bola no Vini Júnior.
16:09Toca a bola pro Vini.
16:10Faz o Vini ir pra cima.
16:12E foi dessa forma que saiu o gol da seleção brasileira.
16:14Uma jogada individual do Vini Júnior.
16:16Professor Neymar.
16:17Professor Neymar, exatamente.
16:19E depois ele falando, e Banhas?
16:21Dá uma no Vini, manda o Vini correr nas costas.
16:24E de novo, foi dessa forma que saiu o gol da seleção brasileira.
16:27Cuidado que vão mandar demitir o antielote e colocar o Neymar.
16:30Agora, cá entre nós, vamos supor.
16:33Vamos pegar a nossa...
16:35Vai, a Lúcia do café.
16:38Nossa querida Lúcia.
16:39Se ela estivesse lá, ela ia pedir pra tocar a bola em quem?
16:42No Vini.
16:44É óbvio, né?
16:45Claro, pô.
16:46Vai falar, Vini toca a bola no Ibanho.
16:48Não dá, né, gente?
16:50É claro.
16:50Tanto é que o Vini era o cara que...
16:52E é o cara que a gente espera mesmo, que deu um...
16:55E foi legal.
16:55Ele deu uma regida legal.
16:57Toca a bola no cara que pode resolver, né?
16:59Se tiver no Neymar em campo, toca no Neymar.
17:01É normal, né?
17:02Natural.
17:03Ô, Boni, e aí?
17:04Essas instruções do Neymar ali no banco de reservas,
17:07orientando o time,
17:09é talvez a principal virtude dele nessa seleção,
17:11pensando que fisicamente não tá muito bem?
17:13Pode agregar bastante?
17:14É isso, eu concordo com o Flávio.
17:16O Neymar não é naturalmente um líder, né?
17:18Aquele cara que tem uma voz ativa em termos de discurso no vestiário,
17:22que usa faixa de capitão, dá pra eleição.
17:25Ele é o cara que lidera por ser uma referência, né?
17:27Lidera tecnicamente.
17:29E por quase toda a seleção brasileira ter acompanhado o Neymar jogando,
17:34e por tê-lo como um espelho, assim.
17:37Então, acho que ele pode ser importante nesse sentido,
17:40de ser a referência, o ídolo de muitos que estão ali dentro desse elenco da seleção brasileira.
17:46E, cara, esse tipo de orientação é isso.
17:49É o que vocês falaram aí.
17:50É natural.
17:50Todo mundo que joga bola, que jogou alguma vez,
17:54sabe que, pô, se você tá lá no banco,
17:57o Neymar ainda devia estar com uma vontade danada de entrar,
17:59de poder estar à disposição,
18:00vai gritar, vai dar o seu pitaco,
18:02vai tentar dar uma orientação.
18:04A gente viu o Cristiano Ronaldo na final da Eurocopa de 2016,
18:07ele sai e ele vira...
18:09Desesperado, né?
18:10Ele vira o treinador ali no...
18:12E muita gente acredita a ele.
18:13Não, pô, você vê como ele foi um auxiliar técnico.
18:15Pô, o cara tá ali gritando, um monte de coisa.
18:17Imagina, né?
18:18Vocês conseguem imaginar isso?
18:20Não.
18:20Imagina.
18:21Eu não contrataria nem por bala mistura, pô.
18:23Não dá.
18:24Não é o caso, né?
18:24Esses caras que são muito...
18:25Não é verdade.
18:26Esses caras que não erram técnico, Flávio,
18:28o time dele, ele só ia jogar, não ia treinar.
18:30É, não dá.
18:31Esses caras que são muito diferentes,
18:33geralmente...
18:34É, claro que a gente pensa, pô, o Cruyff foi um grande treinador, mas...
18:36É uma exceção.
18:37É uma exceção.
18:38No geral, você pensa, pô, o Messi sendo treinador.
18:41Ele vê o time dele não tá jogando bem,
18:42ele fala, gente, é só cortar meio time e fazer o gol.
18:45O Maradona...
18:45É.
18:46O Pelé falava isso.
18:47O Maradona foi uma tragédia como treinador.
18:49Ele era amigo dos caras, ele era o ídolo dos caras.
18:52Mas não dá.
18:53O Pelé, eu tive várias vezes a oportunidade de conversar com ele, né?
18:56Felizmente, Deus me deu essa alegria.
18:58E você não entendia o que ele falava.
19:02Porque é tão simples.
19:03Pra esses caras.
19:05Mas tão simples.
19:07Que não dá.
19:08O Cruyff falava assim, que o futebol é um jogo muito simples.
19:11Mas é difícil fazer a simplicidade.
19:13É muito difícil.
19:14Inclusive, ele dizia o seguinte,
19:15futebol é um esporte que você usa os pés, mas joga com a cabeça.
19:20Só que cabeça de gênio é duro de entender.
19:23Você não consegue.
19:24É o que você falou.
19:25A instrução do Messi, pô, cara, pega a bola e tripa todo mundo e faz o gol.
19:28Como é que você não faz isso?
19:30Não dá.
19:30Pô, pega lá no canto e dá uma lambreta e você faz o passe no meio.
19:33Esse tipo de cara não dá.
19:34Os grandes técnicos do mundo, normalmente, foram jogadores medianos.
19:38Alguns até bem ruins.
19:40O Luxemburgo, mais ou menos, foi um baita treinador.
19:43O próprio Abel Ferreira.
19:45Era um toscão, lateral toscão, né?
19:47Filipão, nossa senhora.
19:48Estou falando campeão do mundo, Filipão.
19:49Era um jogadorzão tosco.
19:52Você citou o Cruyff e é realmente uma exceção.
19:54É uma exceção.
19:55Mas é muito difícil.
19:56Os grandes jogadores, os grandes craques, né?
19:59Leônidas da Silva, o nosso segundo Pelé.
20:00Tivemos três, né?
20:01Teve o Frederico.
20:03Leônidas tentou ser treinador.
20:04Não dava.
20:05Não dava.
20:06Falando, peta, que jogou pra caramba.
20:08Ele conta aí que ele ficava lá se divertindo com os caras com megafones.
20:12Opa, como é que é?
20:13Fala, cachaceiro e tal.
20:16Se divertindo com os caras que eu não conseguia.
20:18Porque não dá.
20:20Isso é uma arte, né?
20:21Uma coisa muito...
20:21O Zidane, né, Flávio?
20:22Você não chegou a citar o Zidane.
20:23O Zidane também foi treinador no Real Madrid.
20:24Chegou a ganhar a Champions.
20:25Mas a gente achava que seria muito...
20:26O Zidane.
20:27É, mas assim...
20:29Sim.
20:29Não foi.
20:31Então, o atual técnico da França, que foi muito menos jogador que o Zidane, funcionou.
20:38Então, normal, né?
20:39É muito, sabe?
20:41Um jogador muito acima da média é muito difícil.
20:43Que é o que você falou, Bono.
20:44É muito simples pro cara.
20:46Mas como é que o ser humano normal vai entender?
20:49O Pelé queria me explicar uma saída de bola.
20:52Ele ficou bravo e começou a desenhar.
20:54Falei, ah...
20:54Pelo amor de Deus, pô.
20:56Pô, mas é tão simples.
20:57Ah, é pra você, né, pô?
20:59Um cara que tá fechado por três, ele bate a bola na canela do cara e pega do outro lado?
21:04Como é que você vai entender?
21:06Você já pensou ele pedindo pro cara fazer isso?
21:08Não dá.
21:09Não dá.
21:10Então, o Neymar, ele grita, como qualquer outro.
21:12Então, não dá.
21:13Não, né?
21:14Não dá.
21:21Não dá.
21:22Não dá.
21:23Não dá.
21:24Não dá.
21:25Não dá.
21:27Não dá.
21:29Não dá.
21:31Não dá.
21:32Não dá.
21:33Não dá.
21:33Não dá.
21:34Obrigado.
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