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  • há 4 semanas
Título do livro: Parábolas de Jesus
Autor do livro: Ellen G. White

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Ellen Gould White (1827 — 1915) foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia. Ela recebeu de Deus orientações preciosas sobre: educação, família, saúde, espiritualidade, profecias e outras. Experimente, ouça e seja muito abençoado!
Transcrição
00:00CAPÍTULO 28 O MAIOR DOS MALES
00:03A verdade da livre graça de Deus fora quase perdida de vista pelos judeus.
00:09Os rabinos ensinavam que o favor de Deus devia ser alcançado por merecimento.
00:15Esperavam ganhar pelas próprias obras o galardão dos justos.
00:19Por isso, seu culto todo era induzido por um espírito ávido e mercenário.
00:24Até os discípulos de Cristo não estavam totalmente livres deste espírito,
00:28e o Salvador aproveitava toda a oportunidade para mostrar-lhes seu erro.
00:33Justamente antes de dar a parábola dos trabalhadores,
00:36ocorreu um evento que lhe ofereceu ensejo para apresentar os justos princípios.
00:41Indo seu caminho, um jovem príncipe correu-lhe ao encontro
00:45e, ajoelhando-se, saudou-o reverentemente.
00:48Bom mestre, disse, que farei para conseguir a vida eterna?
00:53O príncipe dirigiu-se a Cristo meramente como a um rabino honrado,
00:57não reconhecendo nele o Filho de Deus.
00:59O Salvador disse,
01:01Por que me chamas bom?
01:03Não há bom senão um só, que é Deus.
01:06Em que sentido me chamas bom?
01:08Deus unicamente é bom.
01:09Se me reconheces como tal,
01:11precisa receber-me como seu filho e representante.
01:15Se queres, porém, entrar na vida,
01:17acrescentou, guarda os mandamentos.
01:19O caráter de Deus é expresso em sua lei,
01:22e se queres estar em harmonia com Deus,
01:25os princípios de sua lei devem ser o motivo de todas as suas ações.
01:29Cristo não apouca às exigências da lei.
01:32Em sua linguagem inconfundível,
01:35apresenta a obediência a ela como condição da vida eterna.
01:38A mesma condição requerida de Adão antes da queda.
01:42O Senhor não espera agora menos da alma
01:44do que esperava do homem no paraíso.
01:47Obediência perfeita, justiça irrepreensível.
01:50A exigência sob o pacto da graça é tão ampla
01:54quanto os requisitos ditados no Éden.
01:57A harmonia com a lei de Deus, que é santa, justa e boa.
02:02As palavras, guarda os mandamentos.
02:05O jovem respondeu, quais?
02:07Supôs que fossem alguns preceitos cerimoniais,
02:10mas Cristo falava da lei dada no Sinai.
02:13Mencionou diversos mandamentos da segunda tábua do decálogo
02:16e resumiu-os todos no preceito.
02:19Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
02:22O jovem respondeu sem hesitação.
02:25Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade.
02:28O que me falta ainda?
02:29Sua compreensão da lei era externa e superficial.
02:33Julgado segundo o padrão mundo,
02:35preservava caráter irrepreensível.
02:38Em grande parte, sua vida exterior fora isenta de culpa.
02:41Deveras pensar que sua obediência fora sem falha.
02:45Contudo, tinha um receio íntimo de que nem tudo estava direito entre sua alma e Deus.
02:50Isto originou a pergunta,
02:52O que me falta ainda?
02:54Se queres ser perfeito, disse Cristo,
02:57vai, vende tudo o que tendes e dá aos pobres,
03:00e terás um tesouro no céu.
03:02E vem e segue-me.
03:04E o mansebo, ouvindo estas palavras,
03:07retirou-se triste,
03:08porque possuía muitas propriedades.
03:10O amante de si mesmo é transgressor da lei.
03:14Isto quis Jesus revelar ao jovem
03:16e submeteu-o a uma prova de modo tal
03:18que manifestaria o egoísmo de seu coração.
03:21Mostrou-lhe a nódoa do caráter.
03:24O jovem não desejou mais esclarecimento.
03:27Nutriram na alma um ídolo.
03:29O mundo era seu Deus.
03:31Professava ter guardado os mandamentos,
03:34porém estava destituído do princípio,
03:36que é o próprio espírito e vida de todos eles.
03:39Não possuía verdadeiro amor a Deus e ao homem.
03:43Esta falta era a carência de tudo quanto qualificara
03:46para entrar no reino do céu.
03:48Em seu amor ao próprio eu e ao ganho terrestre,
03:51estava em desarmonia com os princípios do céu.
03:54Quando este jovem príncipe foi ter com Jesus,
03:57sua sinceridade e fervor conquistaram o coração do Salvador.
04:01Olhando para ele, o amou.
04:03Nele viu alguém que poderia trabalhar como pregador da justiça.
04:07Teria recebido este jovem talentoso e nobre
04:10tão prontamente como receber os pobres pescadores que o seguiam.
04:15Se devotasse sua aptidão à obra de salvar almas,
04:18poderia tornar-se obreiro diligente e bem-sucedido para Cristo.
04:23Precisava, porém, aceitar primeiramente as condições do discipulado.
04:27Precisava entregar-se a Deus sem reservas.
04:30Ao convite do Salvador, João, Pedro, Mateus e seus companheiros,
04:35deixando tudo, levantaram-se e o seguiram.
04:38Era requerido a mesma consagração do jovem príncipe.
04:42E nisto, Cristo não pediu maior sacrifício do que ele próprio fizera.
04:46Sendo rico, por amor de vós, se fez pobre,
04:49para que pela sua pobreza enriquecêsseis.
04:55O jovem tinha somente que seguir aonde Cristo o precedera.
05:00Cristo contemplou o moço e anelou sua alma.
05:03Desejava enviá-lo como mensageiro de bênçãos aos homens.
05:07Em vez daquilo que fora convidado a renunciar,
05:10Cristo lhe ofereceu o privilégio de sua companhia.
05:14Segue-me, disse.
05:15Este privilégio foi considerado uma alegria por Pedro, Tiago e João.
05:20O próprio jovem olhava a Cristo com admiração.
05:24Seu coração foi atraído ao Salvador.
05:26Não estava, porém, pronto para aceitar seu princípio de abnegação.
05:30Preferiu suas riquezas a Cristo.
05:33Desejava vida eterna, mas não queria receber na alma
05:36aquele amor desinteressado que somente é vida
05:39e com um coração triste saiu da presença de Cristo.
05:43Quando o jovem se retirou, Jesus disse aos discípulos,
05:47Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas?
05:52Estas palavras surpreenderam os discípulos.
05:55Haviam sido ensinados a considerar os ricos favorecidos do céu.
05:59Poder e riquezas mundanas, eles mesmos esperavam receber no reino do Messias.
06:05Se os ricos não entrassem no reino,
06:07que esperança poderia haver para os demais homens?
06:10Cristo, tornando a falar, disse-lhes.
06:13Filhos, como é difícil para que os que confiam nas riquezas
06:17entrar no reino de Deus?
06:19É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha
06:22do que entrar um rico no reino de Deus.
06:25E eles admiravam-se ainda mais.
06:28Agora reconheceram que também eles estavam incluídos na solene advertência.
06:33À luz das palavras do Salvador,
06:35seu oculto anelo pelo poder e pelas riquezas foi revelado.
06:39Com maus presságios quanto a si mesmos, exclamaram.
06:43Quem poderá, pois, salvar-se?
06:46Jesus, porém, olhando para eles, disse.
06:48Para os homens é impossível, mas não para Deus,
06:51porque para Deus todas as coisas são possíveis.
06:56Um rico como tal não pode entrar no céu.
06:59Sua riqueza não lhe outorga direito à herança dos santos na luz.
07:03Somente pela graça imerecida de Cristo
07:05pode alguém ter entrada na cidade de Deus.
07:08As palavras do Espírito são dirigidas tanto aos ricos como aos pobres.
07:13Não sois de vós mesmos, porque fostes comprados por bom preço.
07:181 Coríntios 6, 19 e 20
07:21Quando os homens crerem isto,
07:24considerarão suas posses um legado para ser usado como Deus dirigir,
07:28para a salvação dos perdidos e conforto dos sofredores e pobres.
07:32Para o homem isto é impossível, porque o coração se apega às posses terrenas.
07:37A alma presa ao serviço de mamão está surda ao clamor da necessidade humana.
07:43Para Deus todas as coisas são possíveis, porém.
07:46Contemplando o imaculado amor de Cristo,
07:49o coração egoísta se internecerá e será subjugado.
07:52Como fariseu Saulo, o rico será induzido a dizer
07:56O que para mim era ganho, reputeio ou perda por Cristo.
08:01E na verdade tenho também por perda todas as coisas
08:04pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.
08:08Filipenses 3, 7 e 8
08:11Então nada reputarão seu.
08:14Jubilarão por considerarem-se mordomos da múltipla graça de Deus
08:18e, por sua causa, servos de todos os homens.
08:22Pedro foi o primeiro a reanimar-se da íntima convicção
08:25operada pelas palavras do Salvador.
08:27Pensou com satisfação no que ele e seus irmãos renunciaram por Cristo.
08:32Eis que, disse ele, nós deixamos tudo e te seguimos.
08:36Lembrando-se da promessa condicional ao jovem príncipe
08:39Terás um tesouro no céu?
08:41Perguntou o que ele e seus companheiros
08:43receberiam como recompensa por seu sacrifício.
08:47A resposta do Salvador
08:48comoveu o coração daqueles pescadores galileus.
08:52Cristo mencionou honras que ultrapassavam
08:54seus mais altos sonhos.
08:57Em verdade vos digo que vós, que me seguistes,
09:00quando na regeneração o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória,
09:04também vós assentareis sobre doze tronos
09:07para julgar as doze tribos de Israel.
09:10E acrescentou,
09:11Ninguém há que tenha deixado casa,
09:14ou irmãos, ou irmãs,
09:15ou pai, ou mãe,
09:17ou mulher, ou filhos,
09:18ou campos, por amor de mim e do Evangelho,
09:21que não receba cem vezes tanto,
09:23já neste tempo,
09:24em casas, irmãos e irmãs,
09:26e mães, e filhos,
09:28e campos,
09:29com perseguições,
09:30e no século futuro,
09:31a vida eterna.
09:32Mas a pergunta de Pedro,
09:35que receberemos,
09:36revelou um espírito que,
09:38não corrigido,
09:39incapacitaria os discípulos para serem mensageiros de Cristo,
09:42porque era espírito de mercenário.
09:45Embora houvessem sido atraídos pelo amor de Jesus,
09:48os discípulos não estavam completamente livres do farisaísmo.
09:53Ainda trabalhavam com o pensamento de merecer recompensa proporcional ao seu labor.
10:10Para que os discípulos não perdessem de vista os princípios do Evangelho,
10:14Cristo lhes narrou uma parábola,
10:16ilustrativa,
10:17da maneira como Deus procede com seus servos,
10:20e o espírito com que deseja que trabalhem para ele.
10:23O reino dos céus,
10:24disse ele,
10:25é semelhante a um homem,
10:27pai de família,
10:28que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para sua vinha.
10:32Era costume que os homens que procuravam trabalho esperassem nas praças,
10:37e lá iam os empreiteiros procurar servos.
10:40O homem da parábola é apresentado como indo a diferentes horas contratar operários.
10:45Os assalariados, nas primeiras horas,
10:47concordaram em trabalhar por uma soma combinada.
10:50Os assalariados, mais tarde,
10:53deixaram seu salário à descrição do pai de família.
10:56Aproximando-se à noite,
10:58diz o Senhor da vinha ao seu mordomo,
11:00chama os trabalhadores,
11:01pagai-lhes o jornal,
11:03começando pelos derradeiros até os primeiros.
11:06E chegando os que tinham ido perto da hora undécima,
11:09receberam um dinheiro cada um.
11:11Vindo, porém, os primeiros,
11:13cuidaram que haviam de receber mais,
11:15mas, do mesmo modo,
11:16receberam um dinheiro cada um.
11:18O procedimento do pai de família com os trabalhadores em sua vinha
11:23representa o de Deus com a família humana.
11:25É contrário aos costumes que prevalecem entre os homens.
11:29Nos negócios humanos,
11:31a compensação é dada de acordo com o trabalho executado.
11:34O trabalhador espera que lhe seja pago somente aquilo que ganhou,
11:38mas, na parábola,
11:40Cristo estava ilustrando os princípios de seu reino,
11:43um reino não deste mundo.
11:44Ele não é regido por qualquer norma humana.
11:48Diz o Senhor,
11:50Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
11:53nem os vossos caminhos os meus caminhos.
11:56Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra,
11:59assim os meus caminhos são mais altos que os vossos caminhos,
12:03e os meus pensamentos mais altos que os vossos pensamentos.
12:07Isaías, capítulo 55, versos 8 e 9.
12:11Na parábola,
12:12os primeiros obreiros concordaram em trabalhar por uma soma estipulada
12:16e receberam a quantia especificada.
12:19Nada mais.
12:20Os assalariados, mais tarde,
12:22creram na promessa do mestre.
12:24Dar-vos-ei o que for justo.
12:26Mostraram confiança nele,
12:28nada perguntando a respeito do salário.
12:31Confiaram em sua justiça e equidade.
12:34Foram recompensados,
12:36não de acordo com o que trabalharam,
12:38mas segundo a generosidade do pai de família.
12:40Assim, deseja a Deus que confiemos nele,
12:44que justifica o ímpio.
12:46Seu galardão é dado,
12:47não proporcionalmente ao nosso mérito,
12:50mas conforme seu propósito,
12:52que fez em Cristo Jesus nosso Senhor.
12:55Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito,
12:58mas segundo a sua misericórdia,
12:59nos salvou.
13:00Efésios, capítulo 3, verso 11,
13:03e Tito, capítulo 3, verso 5.
13:05E aos que nele confiam,
13:08fará muito mais abundantemente,
13:10além daquilo que pedimos ou pensamos.
13:12Efésios, capítulo 3, verso 20.
13:16Não a soma do trabalho que executamos,
13:18nem seus resultados visíveis,
13:21mas o Espírito com que o fazemos,
13:23é o que o torna valioso para Deus.
13:25Os que foram à vinha,
13:27a um décima hora,
13:28estavam gratos pela oportunidade de trabalhar.
13:31Seu coração estava cheio de gratidão
13:33àquele que os recebera.
13:35E quando, no fim do dia,
13:37o pai de família lhes pagou uma jornada completa,
13:40ficaram muito surpreendidos.
13:42Sabiam que não mereciam tal recompensa.
13:45E a bondade expressa no semblante de seu amo
13:48encheu-os de júbilo.
13:50Jamais ouvidaram a benignidade do patrão,
13:53nem a generosa recompensa que receberam.
13:56Assim é com o pecador,
13:57que conhecendo sua indignidade,
14:00entram na vinha do mestre a um décima hora.
14:02Seu tempo de serviço parece tão curto,
14:05sente que não merece recompensa.
14:07Porém, enche-se de alegria porque,
14:09sobretudo, Deus o aceitou.
14:12Labuta com espírito humilde e confiante,
14:15grato pelo privilégio de ser um cobreiro de Cristo.
14:18Deus se deleita em honrar este espírito.
14:22O Senhor deseja que descansemos nele
14:25sem pensar na medida do galardão.
14:27Quando Cristo habita na alma,
14:29o pensamento de remuneração não é supremo.
14:32Este não é o motivo impelente do nosso serviço.
14:35Verdade é que, no sentido secundário,
14:38devemos olhar a recompensa.
14:40Deus deseja que apreciemos as bênçãos prometidas,
14:43mas não que sejamos ávidos de remuneração.
14:47Nem sintamos que, para cada serviço,
14:49devamos receber compensação.
14:51Não devemos estar tão ansiosos de obter o galardão,
14:55como de fazer o que é justo,
14:57independentemente de todo o lucro.
14:59O amor a Deus e a nossos semelhantes
15:01deve ser o nosso motivo.
15:03Esta parábola não desculpa os que ouvem
15:06o primeiro chamado para o trabalho,
15:08mas negligenciam entrar na vinha do Senhor.
15:11Quando o pai de família foi à praça a um décima hora
15:14e encontrou homens desocupados,
15:16disse,
15:17Por que estás ociosos todo dia?
15:19A resposta foi,
15:21Porque ninguém nos assalariou.
15:23Nenhum dos chamados mais tarde
15:25estava ali de manhã.
15:26Não recusaram a chamada.
15:28Os que recusam e depois se arrependem,
15:30fazem bem em arrepender-se,
15:32mas não é seguro menosprezar
15:34o primeiro apelo da graça.
15:37Quando os trabalhadores da vinha
15:38receberam um dinheiro cada um,
15:40os que haviam começado a trabalhar mais cedo
15:43ficaram ofendidos.
15:44Não haviam labutado eles doze horas?
15:47Arrasoaram entre si,
15:49e não era justo que recebessem mais
15:51do que os que trabalharam apenas uma hora
15:53na parte mais amena do dia?
15:55Estes derradeiros trabalharam só uma hora,
15:58disseram,
15:58e tu os igualaste conosco,
16:00que suportamos a fadiga e a calma do dia.
16:04Amigo,
16:04retrucou o pai de família um deles.
16:07Não te faço agravo.
16:08Não ajustaste tu comigo um dinheiro?
16:11Toma o que é teu e retira-te.
16:13Eu quero dar a este derradeiro
16:15tanto como a ti.
16:16Ou não me é lícito fazer
16:18o que quiser do que é meu.
16:19Ou é mal ao teu olho
16:21porque eu sou bom.
16:22Assim os derradeiros serão os primeiros
16:24e os primeiros derradeiros,
16:26porque muitos serão chamados,
16:28mas poucos escolhidos.
16:30Os primeiros trabalhadores da parábola
16:33representam os que,
16:34por causa de seus serviços,
16:36reclamam preferência sobre os demais,
16:38empreendem sua obra com espírito de engrandecimento
16:41e não empregam nela abnegação e sacrifício.
16:45Podem haver professado servir a Deus toda a sua vida.
16:48Podem destacar-se em suportar agruras,
16:51privação e provas,
16:52e por isto pensam ter direito à grande remuneração.
16:56Pensam mais na recompensa
16:57que no privilégio de serem servos de Cristo.
17:00A seu parecer,
17:02suas labutas e sacrifícios
17:03conferem-lhes o direito de receber mais honras que os outros,
17:07e por não ser reconhecido esse direito,
17:09ficam ofendidos.
17:11Se tivessem trabalhado com um espírito amável e confiante,
17:15continuariam a ser os primeiros.
17:16Mas sua disposição queixosa e lamuriante
17:20é dessemelhante da de Cristo
17:21e demonstra que são indignos de confiança.
17:24Revela seu desejo de exaltação própria,
17:27desconfiança de Deus
17:28e espírito ambicioso e de inveja para com os irmãos.
17:32A bondade e a liberalidade do Senhor
17:35lhes é motivo de murmuração.
17:38Assim demonstram não haver afinidade entre sua alma e Deus.
17:42Não conhecem a alegria da cooperação
17:44com o obreiro por excelência.
17:46Nada mais ofensivo há para Deus
17:49que este espírito acanhado
17:51e que cuida só de si.
17:53Não pode ele operar com os que manifestam tais predicados.
17:57São insensíveis à operação de seu espírito.
18:00Os judeus foram os primeiros a serem chamados
18:02para a vinha do Senhor,
18:04e por isso eram altivos e cheios de justiça própria.
18:08Cuidavam que seus longos anos de trabalho
18:10os titulavam para receber galardão
18:13maior do que os outros.
18:15Nada lhes foi mais exasperante
18:17do que uma insinuação de que os gentios
18:19deveriam ser admitidos aos mesmos privilégios
18:22que eles nas coisas de Deus.
18:25Cristo advertiu os discípulos
18:26que primeiro foram chamados a segui-lo
18:28a que não acariciassem o mesmo mal.
18:31Viu que o espírito de justiça própria
18:33seria a causa da debilidade
18:35e maldição da igreja.
18:37Os homens pensariam que poderiam fazer alguma coisa
18:40para obter lugar no reino dos céus.
18:43Imaginariam que,
18:44quando tivessem feito certos progressos,
18:47o Senhor viria para auxiliá-los.
18:49Assim, haveria abundância do próprio eu
18:52e pouco de Jesus.
18:54Muitos que houvessem progredido um pouco
18:57se jactariam
18:58e considerariam superiores a outros.
19:01Seriam ávidos de lisonjas,
19:04invejosos, se não fossem tidos por mais importantes.
19:07Cristo procurou proteger seus discípulos
19:10contra este perigo.
19:11Não é cabível o vangloriar-nos de algum mérito.
19:15Não se glorie o sábio na sua sabedoria,
19:18nem se glorie o forte na sua força.
19:21Não se glorie o rico nas suas riquezas.
19:23Mas o que se gloriar, glorie-se nisto.
19:26Em me conhecer e saber que eu sou o Senhor,
19:29que faço beneficência, juízo e justiça na terra,
19:32porque destas coisas me agrado,
19:35diz o Senhor.
19:36Jeremias capítulo 9, versos 23 e 24.
19:40A recompensa não é pelas obras,
19:43para que ninguém se glorie,
19:45mas pela graça.
19:46Que diremos, pois, terá alcançado a Abraão,
19:49nosso pai segundo a carne?
19:51Porque se Abraão foi justificado pelas obras,
19:54tem de que se gloriar,
19:55mas não diante de Deus.
19:57Pois que diz a Escritura?
19:58Creu Abraão a Deus,
20:01e isso lhe foi imputado como justiça.
20:03Ora, aquele que faz qualquer obra,
20:05não lhe é imputado galardão segundo a graça,
20:08mas segundo a dívida.
20:09Mas aquele que não pratica,
20:11mas crê naquele que justifica o ímpio,
20:14a sua fé lhe é imputada como justiça.
20:17Romanos capítulo 4, versos 1 a 5.
20:20Portanto, não há ocasião de alguém se gloriar sobre o outro,
20:23ou de murmurar.
20:25Ninguém é mais privilegiado do que o outro,
20:28nem pode alguém reclamar o galardão como um direito.
20:31O primeiro e o último devem ser participantes
20:34do grande galardão eterno,
20:36e o primeiro deve dar alegremente as boas-vindas ao último.
20:40Aquele que inveja o galardão de outro,
20:42esquece que ele mesmo é salvo unicamente pela graça.
20:46A parábola dos trabalhadores
20:48reprova toda ambição e suspeita.
20:50O amor regozija-se na verdade
20:53e não estabelece comparações invejosas.
20:56Quem possui amor
20:57compara somente seu próprio caráter imperfeito
21:00com a amabilidade de Cristo.
21:02Esta parábola é uma advertência a todos os obreiros que,
21:06embora longos seus serviços,
21:08embora fartas as labutas,
21:10estão sem amor aos irmãos
21:12e sem humildade perante Deus.
21:14Não há religião na entronização do próprio eu.
21:18Aquele cujo alvo é a glorificação própria
21:21se encontrará destituído daquela graça
21:23que somente pode torná-lo eficiente no serviço de Cristo.
21:27Quando é tolerado o orgulho e a complacência própria,
21:31a obra é arruinada.
21:33Não é a duração do tempo que labutamos,
21:35mas a voluntariedade e fidelidade em nosso trabalho
21:39que o torna aceitável a Deus.
21:41É requerido uma renúncia completa do próprio eu
21:44em todo o nosso serviço.
21:46O menor dever feito com sinceridade e desinteresse
21:50é mais agradável a Deus
21:51que a maior obra quando manchada pelo egoísmo.
21:55Ele olha para ver quanto nutrimos do Espírito de Cristo
21:58e quanto nosso trabalho revela da semelhança de Cristo.
22:02Considera mais o amor e a fidelidade com que trabalhamos
22:06do que a quantidade que fazemos.
22:09Somente quando o egoísmo estiver morto,
22:11banida a contenda pela supremacia,
22:13o coração repleto de gratidão
22:15e o amor houver tornado fragrante à vida,
22:19somente, então, Cristo nos está habitando na alma
22:22e somos reconhecidos como co-obreiros de Deus.
22:26Por mais probante que seja labuta,
22:28os verdadeiros obreiros não a consideram fadiga.
22:31Estão prontos para gastarem-se e deixarem-se gastar.
22:35Porém, é uma obra prazenteira,
22:38feita de coração alegre.
22:39A alegria em Deus é expressa mediante Jesus Cristo.
22:43Seu gozo é o gozo proposto a Cristo.
22:46Fazer a vontade daquele que me enviou
22:48e realizar a sua obra.
22:50João capítulo 4, verso 34
22:52São cooperadores do Senhor e da glória.
22:56Este pensamento suaviza toda a fadiga,
22:59robustece a vontade,
23:00fortalece o espírito para tudo o que suceder.
23:04Trabalhando com o coração isento de egoísmo,
23:07enobrecidos por serem participantes dos sofrimentos de Cristo,
23:10partilhando de suas simpatias
23:12e colaborando com Ele em seu labor,
23:14ajudam a intensificar a sua alegria
23:16e a acrescentar honra e louvor ao seu nome exaltado.
23:21Este é o espírito de todo serviço verdadeiro para Deus.
23:25Pela falta do mesmo,
23:27muitos que aparentam ser os primeiros
23:28se tornarão os últimos,
23:31enquanto que os que o possuem,
23:32embora considerados os últimos,
23:35se tornarão os primeiros.
23:37Muitos há que se entregam a Cristo.
23:39Todavia, não vêem oportunidade de realizar grande obra
23:43ou fazer grandes sacrifícios em seu serviço.
23:46estes podem achar conforto no pensamento de que
23:49não é necessariamente a abnegação do Marte
23:52que é mais aceitável a Deus.
23:54Pode ser que o missionário que enfrente diariamente
23:56o perigo e a morte
23:58não tome a mais elevada posição
24:00nos registros do céu.
24:02O cristão que o é em sua vida privada,
24:05na renúncia diária do eu,
24:07na sinceridade de propósito
24:08e pureza de pensamento,
24:10em mansidão sob provocação,
24:12em fé e piedade,
24:14em fidelidade nas coisas mínimas,
24:16que na vida familiar
24:17representa o caráter de Cristo,
24:19este pode ser mais precioso
24:21aos olhos de Deus
24:22que o missionário
24:23ou Marte
24:24de fama mundial.
24:26Oh, como são diferentes
24:27os padrões pelos quais
24:28Deus e o homem
24:29medem o caráter.
24:31Deus vê muitas tentações resistidas
24:33das quais o mundo
24:34e até os amigos íntimos
24:36nunca sabem.
24:37Tentações no lar
24:38e no coração.
24:39Vê a humildade da alma
24:41em vista de sua própria fraqueza.
24:43O arrependimento sincero
24:45até de um pensamento
24:46que é mau.
24:47Vê a inteira devoção
24:49a seu serviço.
24:50Anotou as horas
24:51de duros combates
24:52com o próprio eu,
24:54combates que trouxeram vitória.
24:56Tudo isto
24:57os anjos e Deus sabem.
24:58O memorial está escrito
25:00diante dele
25:01para os que temem ao Senhor
25:02e para os que se lembram
25:04do seu nome.
25:05O segredo do êxito
25:07não é encontrado
25:08nem em nossa erudição
25:09nem em nossa posição,
25:11nem em nosso número
25:12ou nos talentos
25:13a nós confiados,
25:14nem na vontade do homem.
25:16Côncios de nossa deficiência,
25:18devemos contemplar
25:20a Cristo
25:20e por ele,
25:21que é a força
25:22por excelência,
25:23a expressão máxima
25:24do pensamento,
25:25o voluntário
25:26e obediente
25:27obterá uma vitória
25:28após outra.
25:30E por mais breve
25:31que seja o nosso serviço
25:32ou mais humilde
25:33nossa obra,
25:34se seguirmos
25:35a Cristo com fé singela,
25:37não seremos desapontados
25:38pelo galardão.
25:39Aquilo que o maior
25:41e mais sábio
25:42não pode alcançar,
25:43o mais débil
25:44e mais humilde
25:45receberá.
25:46Os portões áureos
25:48do céu
25:48não se abrem
25:49para os que se exaltam,
25:50não são erguidos
25:51para os de espírito
25:52altivo.
25:53Os portais eternos
25:55abrir-se-ão
25:56ao trêmulo contato
25:57de uma criancinha.
25:59Abençoado será
26:00o galardão da graça
26:01para os que trabalham
26:02para Deus
26:03com simplicidade
26:04de fé
26:05e amor.
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