00:00Obreiros Evangélicos
00:02Capítulo 6
00:04Cristo, nosso exemplo
00:07Nosso Senhor Jesus Cristo
00:09veio a este mundo como o infatigável servo das necessidades do homem.
00:15Tomou sobre si as nossas enfermidades
00:18e levou as nossas doenças, Mateus 8, 17,
00:21a fim de poder ajudar a todas as necessidades humanas.
00:26Veio para remover o fardo de moléstias, misérias e pecados.
00:31Era sua missão restaurar inteiramente os homens.
00:34Veio trazer-lhe saúde, paz e perfeição de caráter.
00:39Várias eram as circunstâncias e necessidades dos que lhe suplicavam o auxílio,
00:44e nenhum dos que a ele se chegavam saía desatendido.
00:49Dele emanava uma corrente de poder restaurador,
00:52ficando os homens física, mental e moralmente sãos.
00:57A obra do Salvador não estava restrita a qualquer tempo ou lugar.
01:02Sua compaixão desconhecia limites.
01:05Então larga a escala realizar a sua obra de curar e ensinar,
01:09que não havia na Palestina edifício vasto bastante
01:12para comportar as multidões que se lhe aglomeravam em torno.
01:16Nas verdes encostas da Galileia, nas estradas, a beira-mar,
01:22nas cenagogas e em todo lugar a que os doentes lhe podiam ser levados,
01:27aí se encontrava seu hospital.
01:29Em cada cidade, cada vila por que passava,
01:33punha as mãos sobre os doentes e os curava.
01:35Onde quer que houvesse corações prontos a receber-lhe a mensagem,
01:40ele os confortava com a certeza do amor de seu Pai Celestial.
01:44Todo dia ajudava os que a ele vinham.
01:47À tardinha, atendia os que tinham que labutar durante o dia pelo sustento da família.
01:53Jesus carregava o terrível peso de responsabilidade da salvação dos homens.
01:58Sabia que, a menos que houvesse da parte da raça humana
02:02decidida mudança de princípios e desígnios,
02:05tudo estaria perdido.
02:07Esse era o fardo de sua alma,
02:10e ninguém podia avaliar o peso que sobre ele repousava.
02:14Através da infância, juventude e varonilidade andou sozinho.
02:20Todavia, estar-se em sua presença era um céu.
02:23Dia a dia enfrentava provas e tentações.
02:27Dia a dia era posto em contato com o mal
02:30e testemunhava o poder do mesmo sobre aqueles a quem buscava abençoar e salvar.
02:36Não obstante, não vacilava nem ficava desanimado.
02:40Em todas as coisas punha seus desejos em estrita obediência à sua missão.
02:45Glorificava sua vida por tornar em tudo submissa à vontade de seu Pai.
02:50Quando na sua juventude, sua mãe, ao encontrá-lo na escola dos rabis, disse
02:56Filho, por que fizeste assim para conosco?
02:59Ele respondeu, e sua resposta é a nota tônica de sua obra vitalícia.
03:05Por que é que me procuráveis?
03:07Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?
03:11Lucas 2, 48 e 49
03:14Sua vida foi de constante abnegação.
03:17Não possuía lar neste mundo, a não ser o que a bondade dos amigos lhe preparava como peregrino.
03:24Veio a viver em nosso favor a vida do mais pobre e a andar e trabalhar entre os necessitados e
03:31sofredores.
03:32Entrava e saía, não reconhecido nem honrado, diante do povo, por quem tanto fizera.
03:39Era sempre paciente e animoso, e os aflitos o saudavam como a um mensageiro de vida e paz.
03:47Via as necessidades de homens e mulheres, crianças e jovens, e a todos dirigia o convite.
03:53Vinde a mim.
03:55Durante seu ministério, Jesus dedicou mais tempo a curar os enfermos do que a pregar.
04:01Seus milagres testificavam da veracidade de suas palavras, de que não veio a destruir, mas a salvar.
04:09Aonde quer que fosse, as novas de sua misericórdia o precediam.
04:13Por onde havia passados que haviam sido alvo de sua compaixão, se regozijavam na saúde e experimentavam as forças recém
04:22adquiridas.
04:24Muitidões ajuntavam-se em torno deles para ouvir de seus lábios as obras que o Senhor realizara.
04:30Sua voz havia sido o primeiro som ouvido por muitos, seu nome o primeiro proferido, seu rosto o primeiro que
04:38contemplaram.
04:39Por que não haveriam de amar a Jesus e proclamar-lhe o louvor?
04:44Ao passar por vilas e cidades, era como uma corrente vivificadora, difundindo vida e alegria.
04:51O Salvador tornava cada ato de cura uma ocasião para implantar princípios divinos na mente e na alma.
05:00Esse era o desígnio de sua obra.
05:03Comunicava bênçãos terrestres para que pudesse inclinar o coração dos homens ao recebimento do evangelho da sua graça.
05:10Cristo poderia ter ocupado o mais elevado lugar entre os mestres da nação judaica, mas preferiu levar o evangelho aos
05:18pobres.
05:19Ia de lugar a lugar para que os que se achavam nos caminhos e atalhos pudessem ouvir as palavras da
05:26verdade.
05:27Na praia, nas encostas das montanhas, nas ruas da cidade, nas sinagogas, sua voz se fazia ouvir explicando as escrituras.
05:37Muitas vezes ensinava no pátio anterior do templo, a fim de os gentios lhe poderem ouvir as palavras.
05:43Tão dissemelhantes eram os ensinos de Cristo das explicações escriturísticas feitas pelos escribas e fariseus, que prendiam a atenção do
05:53povo.
05:54Os rabis apegavam-se à tradição, às teorias e especulações humanas.
06:00Muitas vezes o que os homens haviam ensinado e escrito acerca das escrituras era posto em lugar delas próprias.
06:07O tema dos ensinos de Cristo era a palavra de Deus.
06:12Ele respondia aos inquiridores com um positivo, está escrito, que diz a escritura, como lês.
06:19Em todas as oportunidades, em se despertando em amigo ou adversário qualquer interesse, ele apresentava a palavra.
06:27Proclamava a mensagem evangélica de maneira clara e poderosa.
06:31Suas palavras derramavam abundante luz sobre os ensinos dos patriarcas e profetas, e as escrituras chegavam aos homens como uma
06:40nova revelação.
06:42Nunca dantes haviam seus ouvintes percebido na palavra de Deus tal profundeza de sentido.
06:49A simplicidade dos ensinos de Cristo
06:53Um evangelista como Cristo não ouve jamais.
06:57Ele era a majestade do céu, mas humilhou-se para tomar nossa natureza, a fim de chegar até ao homem
07:05na condição em que se achava.
07:07A todos, ricos e pobres, livres e servos, Cristo, o mensageiro do concerto, trouxe as boas novas de salvação.
07:16Sua fama como o grande operador de curas espalhou-se por toda a Palestina.
07:22Os enfermos iam para os lugares por onde ele devia passar, a fim de para ele poderem apelar em busca
07:29de auxílio.
07:30Para aí iam também muitas criaturas ansiosas de lhe ouvir as palavras e receber o toque de sua mão.
07:37Assim, ia de cidade em cidade, de vila a vila, pregando o evangelho e curando os enfermos, o rei da
07:45glória na humilde veste humana.
07:48Assistia às grandes festas anuais da nação e falava das coisas celestes às multidões absortas nas cerimônias exteriores,
07:57trazendo a eternidade ao alcance de sua visão.
08:01Dos celeiros da sabedoria tirava tesouros para todos.
08:05Falava-lhes em linguagem tão simples que não podiam deixar de entender.
08:09Por métodos inteiramente seus, ajudava a todos quantos se achavam em aflição e dor.
08:17Com graça eterna e cortês, ajudava a alma enferma de pecado, levando-lhe saúde e vigor.
08:25Príncipe dos mestres, buscava acesso ao povo por meio de suas mais familiares relações.
08:32Apresentava a verdade de maneira que, daí em diante, ela estaria sempre entretecida no espírito de seus ouvintes,
08:40com suas mais sagradas recordações e afetos.
08:44Ensinava-os de maneira que os fazia sentir quão perfeita era sua identificação com os interesses e a felicidade deles.
08:52Suas instruções eram tão diretas, tão adequadas, suas ilustrações,
08:58suas palavras tão cheias de simpatia e animação, que os ouvintes ficavam encantados.
09:04A simplicidade e sinceridade com que se dirigia aos necessitados santificavam cada palavra.
09:12Há ricos e pobres igualmente.
09:15Que vida atarefada levou ele!
09:18Dia a dia podia ser visto entrando nas humildes habitações da miséria e da dor,
09:24dirigindo palavras de esperança aos abatidos e de paz aos aflitos.
09:29Cheio de graça, sensível e clemente, andava erguendo os desfalecidos e confortando os tristes.
09:37Onde quer que fosse, levava bênçãos.
09:40Ao passo que ajudava os pobres, Jesus estudava também os meios de atingir os ricos.
09:45Procurava travar relações com o rico e culto fariseu, o nobre judeu e a autoridade romana.
09:53Aceitava-lhes os convites, assistia às suas festas,
09:57tornava-se familiar com os interesses e ocupações deles,
10:01a fim de obter acesso ao seu coração e revelar-lhes as imperecíveis riquezas.
10:07Cristo veio a este mundo para mostrar que, mediante o recebimento do poder do alto,
10:13o homem pode levar vida imaculada.
10:16Com incansável paciência e assistência compassiva,
10:20ia ao encontro dos homens nas suas necessidades.
10:24Pelo suave contato da graça,
10:26bania da alma o desassossego e a dúvida,
10:29transformando a inimizade em amor e a incredulidade em confiança.
10:34Cristo não conhecia a distinção de nacionalidade, posição ou credo.
10:40Os escribas e fariseus desejavam fazer dos dons celestes um privilégio local e nacional
10:46e excluir o resto da família de Deus no mundo.
10:50Mas Cristo veio derribar todo o muro de separação.
10:54Veio mostrar que seu dom de misericórdia e amor
10:57é tão ilimitado como o ar, a luz ou a chuva que refrigera a terra.
11:03A vida de Cristo estabeleceu uma religião em que não há castas,
11:08a religião em que judeus e gentios, livres e servos,
11:12são ligados numa fraternidade comum, iguais perante Deus.
11:16Nenhuma questão política lhe influenciava a maneira de agir.
11:20Não fazia diferença alguma entre vizinhos e estranhos, amigos e inimigos.
11:25O que tocava seu coração era uma alma sedenta pelas águas da vida.
11:31Não passava nenhum ser humano por alto como indigno,
11:34mas procurava aplicar a toda a alma o remédio capaz de sarar.
11:39Em qualquer companhia em que se encontrasse,
11:42apresentava uma lição adequada ao tempo e às circunstâncias.
11:46Cada negligência ou insulto da parte de alguém para com seu semelhante
11:51servia apenas para o fazer mais consciente
11:54da necessidade que tinham de sua simpatia divino-humana.
11:59Procurava inspirar esperança aos mais rudes e menos promissores,
12:04prometendo-lhes a certeza de que haveriam de tornar-se irrepreensíveis e inocentes,
12:09alcançando um caráter que manifestaria serem filhos de Deus.
12:14Muitas vezes Jesus encontrava pessoas que haviam caído no poder de Satanás
12:19e que não tinham forças para romper os laços.
12:23A essas criaturas desanimadas, doentes, tentadas, caídas,
12:28costumava dirigir palavras da mais terna piedade,
12:31palavras adequadas e que podiam ser compreendidas.
12:35Outros se lhe deparavam que estavam empenhados
12:39numa luta reenida com o adversário das almas.
12:41A esses ele animava a perseverar,
12:45assegurando-lhes que haviam de triunfar,
12:47pois anjos de Deus se achavam a seu lado e lhes dariam a vitória.
12:53À mesa dos publicanos, ele se sentava como hóspede de honra,
12:58mostrando por sua simpatia e benevolência social,
13:01que reconhecia a dignidade humana,
13:03e os homens anelavam tornar-se dignos de sua confiança.
13:08Sobre seu coração sedento,
13:10as palavras dele caíam como o bendito poder vivificante.
13:14Novos impulsos eram despertados,
13:17e abria-se para esses párias da sociedade
13:20a possibilidade de vida nova.
13:23Conquanto fosse judeu,
13:25Jesus se associava sem reserva com os samaritanos,
13:28deitando assim por terra os costumes farisaicos de sua nação.
13:33A despeito de seus preconceitos,
13:36ele aceitou a hospitalidade desse povo desprezado.
13:39Dormia com eles sob seu teto,
13:42comia a mesa deles,
13:44compartilhando da comida preparada e servida por suas mãos,
13:48ensinava em suas ruas
13:49e tratava-os com a maior bondade e cortesia.
13:52Ao passo que lhes atraía o coração pelos laços de humana simpatia,
13:58sua divina graça levava-lhes a salvação que os judeus rejeitavam.
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