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  • há 11 horas
No Brasil do século 19, esta brasileira ousou escrever, ensinar e questionar: Nísia Floresta. "Ela pensava o acesso da educação para as meninas como uma forma de construção de uma sociedade futura mais justa, mais igualitária", afirma a pesquisadora em educação Amanda Mendonça.A história dela já começa diferente quando ela se casa aos 13 anos, se separa no ano seguinte, e tem todo o apoio da família. Isso numa época em que meninas aprendiam as chamadas "artes domésticas". E qualquer insatisfação feminina poderia ser considerada loucura. "Havia um ambiente realmente na sociedade imperial nesse momento de perseguição a figura da Nísia, de boicote", diz Mendonça.

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Transcrição
00:00No Brasil do século 19, essa brasileira ousou escrever, ensinar e questionar.
00:04Eu tô falando da Nízia Floresta.
00:06Ela pensava o acesso da educação para as meninas como uma forma de construção de uma sociedade futura mais justa,
00:14mais igualitária.
00:15A história dela já começa diferente quando se casa aos 13 anos, se separa no ano seguinte e tem todo
00:20o apoio da família.
00:21Isso numa época em que meninas aprendiam as chamadas artes domésticas.
00:25E qualquer insatisfação feminina poderia ser considerada loucura.
00:29Havia um ambiente realmente na sociedade imperial nesse momento de perseguição à figura da Nízia, de boicote.
00:37Sabe por quê? A Nízia se posicionava em defesa dos povos indígenas e contra a escravidão.
00:41Seu primeiro livro é considerado por feministas e estudiosas do tema a primeira obra brasileira a tratar dos direitos das
00:48mulheres à educação.
00:50Além disso, Nízia fundou um colégio pioneiro em incluir no ensino feminino aulas de idiomas, geografia e história, onde também
00:56foi professora.
00:57Em 1849, Nízia se muda para Paris com os filhos e começa a participar da efervescência intelectual da época.
01:04Ela vai ter contato com o positivismo que está eclodindo também com Augusto Conte, especialmente na França.
01:11Uma questão interessante porque ela se corresponde com ele, ela troca cartas, ela vai participando ali desse movimento.
01:19Após a morte dela há muitos anos, essas cartas são descobertas por causa dele e aí se chega na participação
01:26que ela teve.
01:27Então assim, a própria história dela acaba infelizmente vindo a partir da história de um homem branco, europeu,
01:34que ao ser pesquisado, pesquisada a sua história, encontraram uma brasileira que mantinha um vínculo estreito com ele.
01:41Ela publicou cerca de 15 livros, além de artigos, ensaios, poemas e crônicas e escreve em português, francês e italiano.
01:48Às vezes a gente vai com uma expectativa de que vai encontrar uma obra atual sobre o feminismo.
01:53E ela era uma mulher do tempo dela, então a gente vai encontrar referências religiosas,
01:57a gente vai encontrar a questão de um determinado comportamento esperado para as mulheres.
02:03Foi uma mulher do tempo dela, mas uma mulher que ousou, neste tempo, falar sobre igualdade, sobre direitos,
02:12sobre uma vida mais justa para todas as pessoas.
02:14Nízia Floresta morreu em 1885, na França.
02:17Em 1948, a cidade onde nasceu até trocou de nome para homenageá-la.
02:21Mas por muitos anos, o pioneirismo de Nízia Floresta ficou apagado da história.
02:26E mesmo no círculo acadêmico, a obra dela ainda chega muito pouco.
02:31Eu considero isso ainda uma restrição enorme, pensando que a gente está falando isso,
02:36da mulher que foi pioneira para os estudos das mulheres, o direito à educação.
02:41Há um apagamento da participação das mulheres, não só da Nízia,
02:44mas um apagamento ainda nos dias de hoje das mulheres que ousaram pensar diferente, fazer diferente,
02:52ousaram ocupar espaços que, segundo o patriarcado, não deveriam pertencer a essas mulheres.
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