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00:00:00Uma grande provação está chegando.
00:00:03Mas eu estaria cá.
00:00:06É só não ter medo.
00:00:11Agora eu vejo.
00:00:14É hoje.
00:00:15Como faremos, senhor inquisidor?
00:00:18O menino ficará em vossa casa, aprisionado.
00:00:21E então eu veria lá mesmo.
00:00:23Mas como o senhor interrogará um menino que ainda não fala?
00:00:27Tenho meus métodos.
00:00:30O importante é que ele esteja sob nossa guarda.
00:00:34Agora vá.
00:00:35Vá.
00:00:51Eu esperava, senhor capitão Mora.
00:00:56Mas como podia me esperar se nem mesmo sabia que viria?
00:01:00Que eu iria buscar o menino, pois não.
00:01:05Não entregue o menino.
00:01:06Ele está sob força da proteção.
00:01:08É melhor assim.
00:01:09São as rodas do destino.
00:01:11Dando as suas voltas.
00:01:12É melhor assim, ouvira.
00:01:15Lembre-se que eu poderia impedir de levá-lo.
00:01:18Bastava lembrar a verdade sobre sua falecida mulher.
00:01:21Não fará isso.
00:01:22Não.
00:01:22Mas quando eu pedir, terá cumprir um desejo meu.
00:01:26Agora pode levar o menino.
00:01:27Eu também.
00:01:38Agora pode levar o menino.
00:01:39Não.
00:01:41Não.
00:01:41Não.
00:01:56Não.
00:02:18Agnes.
00:02:22A partir de hoje,
00:02:24Vosmice terá uma obrigação dentro dessa casa
00:02:25para pagar a comida que Vosmice recebe.
00:02:28Vosmice cuidará desse menino
00:02:30e nunca, nunca entendeu
00:02:32poderá deixá-lo só.
00:02:34A casa estará sempre protegida por um dragão.
00:02:37Sim, minha coelha.
00:02:40Não é preciso que me lembre
00:02:41desse parentesco desafortunado.
00:02:43Perdoe-me, mas preciso ir.
00:02:50Até mais, gente.
00:02:56E agora, Sr. Inquisidor,
00:02:58o menino está aqui.
00:03:02O que faremos?
00:03:04É preciso agir com muita cautela.
00:03:06Pois se o menino não tem a mesma parte
00:03:08com o demônio,
00:03:09ele certamente fará da sua.
00:03:17Deixa.
00:03:19Ele chora dentro da cruz.
00:03:23É espantoso.
00:03:26O que pode acontecer com o menino
00:03:28que tem um demônio dentro de si?
00:03:31Será preciso retirar o diabo dentro dele.
00:03:33Isso muitas vezes causa a morte do corpo.
00:03:36Mas salva o espírito.
00:03:38O menino poderá morrer?
00:03:41Se for a vontade de Deus, sim.
00:03:43Morrerá.
00:03:55Tom Martin.
00:03:57Tom Martin, aconteceu uma desgraça.
00:03:59Ela estava batida, Dona Vera.
00:04:00O capitão Mor levou o vosso filho
00:04:02a pedido do Inquisitor.
00:04:03O que?
00:04:04Sim, levou.
00:04:05E agora está sob os cuidados
00:04:06da senhoria violante.
00:04:07Violante.
00:04:10Deus foi tudo no plano dela.
00:04:12Foi ela que me convenceu
00:04:13a tomar o menino das dores.
00:04:16Eu não fui um idiota.
00:04:18Doutora Vera,
00:04:20eu vou recuperar a senhora agora mesmo.
00:04:23Mãe.
00:04:30Vaz-me-se não entra cá.
00:04:31Eu não entro.
00:04:34Depois eu mato o Vaz-me-se.
00:04:35Não.
00:04:36Nada de mortes.
00:04:38Entrai.
00:04:51Onde está meu filho?
00:04:53Não me interessa.
00:04:55Como não interessa?
00:04:56Como não interessa, é meu filho?
00:04:58De hoje em diante,
00:04:59vosso filho está sob a proteção da igreja.
00:05:04Foi tudo no plano, não foi, senhor Infilante?
00:05:08Vaz-me-se amar.
00:05:11E eu fui um idiota em acreditar em vossas palavras, amigas.
00:05:14Quando me demonstrou que das dores não foi completamente honesta enquanto eu estava preso.
00:05:18Vaz-me-se me aconselhou a criar meu filho.
00:05:21E Vaz-me-se me enganou.
00:05:23Eu sempre disse que esse menino era filho do demônio.
00:05:26Vaz-me-se assim é que quis acreditar em mim.
00:05:28Divido ao vós, o orgulho viriu.
00:05:31Muito bem, agora esse menino está onde sempre deveria estar.
00:05:34Pois sai, parceiro, Infilante.
00:05:37É que eu não permitirei que esse menino fique cá.
00:05:40Eu tenho meu direito como pai.
00:05:43Prefiro ficar preso no canete.
00:05:45Dom Martini.
00:05:49Dom Martini.
00:05:50Eu sei que sente uma imensa tristeza, mas pela graça de Deus, venha comigo.
00:05:55Conversaremos.
00:05:56Nada será resolvido assim esbravejando.
00:05:58Se quer lutar por vosso filho, não deverá estar preso.
00:06:01É verdade.
00:06:03Eu vou sim.
00:06:06Mas eu ainda não disse a última palavra.
00:06:25Agora.
00:06:27Agora.
00:06:40Eu vou sim.
00:07:19Eu não posso deixar o menino que é filhado meu, que eu ajudei a nascer nas mãos violentes.
00:07:24Eu sei que esse inquisidor é bem capaz de fazer uma desgraça com o menino.
00:07:28Mas se ele for roubado, suspeitarão de eu posso me ser.
00:07:32Não.
00:07:33Não se ele se transformar no próprio demônio.
00:07:37Não entendi.
00:07:38É uma ideia que começa a parecer a casa de um minuto.
00:07:41Ela está bem pequenininha, mas há de crescer.
00:07:43E nós vamos roubar esse menino, suspeita Maria.
00:07:45E vamos vencer a ajudar eu.
00:07:48Eu?
00:07:48Eu tenho um plano.
00:07:50Ou viola.
00:07:51Não entendi.
00:07:53Ninguém precisa entender.
00:07:54Eu só preciso de uma pessoa que seja leve de paz, sué?
00:07:57Uma pessoa que conseguir entrar na casa de violentes sem que ninguém perceba.
00:08:01E se nós acharmos a pessoa e que se ela for de confiança, o menino está salvo.
00:08:06Eu não sei qual é o plano de vos me ser, mas conheço alguém assim.
00:08:10E quem é?
00:08:11Eugênia.
00:08:39Eugênia.
00:08:41Eu tenho vergonha.
00:08:43Mas há de voltar sim.
00:08:45Há de ficar sempre apartado do mundo.
00:08:46Volte.
00:08:47Volte de queixo erguido.
00:08:49Não foi vos me ser que correu de bunda para fora pelas ruas.
00:08:53Eugênia.
00:08:54O que foi e foi.
00:08:55Vos me ser de voltar sim.
00:08:57Porque a vida de um menino depende de vos me ser.
00:09:14Eugênia.
00:09:16Vos me ser deve de ir embora de Acá.
00:09:20Ou um dia o inquisidor há de acusá-lo também.
00:09:24Não volte mais, Eugênia.
00:09:26Eu já pedi.
00:09:27Eugênia, fica.
00:09:30Eugênia, fica porque não há de abandonar para o Eurico nunca.
00:09:38Menina, Eugênia.
00:09:40Disseram que estaria cá.
00:09:43Eugênia sempre perto de Eurico.
00:09:46Eu sei.
00:09:48E não sabe o quanto lastimo o destino que deram vos me ser, Padre Eurico.
00:09:54Se é a vontade de Deus, eu me submeto.
00:09:58Menina, Eugênia.
00:09:59Há uma obra, uma coisa de grande bondade que vos me ser pode fazer.
00:10:04Venha comigo pela graça de Deus.
00:10:08Vai, Eugênia.
00:10:11Se precisam de vos me ser, não me peguem ajuda.
00:10:16Vá.
00:10:17Vá.
00:10:18Vá.
00:10:34Eugênia, entendeu, Eugênia?
00:10:36Eugênia, entendeu muito bem?
00:10:39Pensa que consegue entrar na casa de violante sem que ninguém ouça os passos de vos me ser?
00:10:44Eugênia entra.
00:10:45Eugênia anda com um gato.
00:10:47Nesse caso, fará isso por nós.
00:10:50Não.
00:10:53Mas como não?
00:10:54Como é que vos me ser se atreve a dizer que não?
00:10:57Eugênia não faz.
00:10:59Eugênia.
00:11:01Menino, Eugênia.
00:11:03Pensa em um pobre menino.
00:11:05Se fosse-me se mesma já foi acusada de ter o demônio dentro de si.
00:11:08Sabe como a igreja é severa.
00:11:10Sabe que pode mandar um menino pra fogueira.
00:11:15Eugênia troca.
00:11:17Troca o quê?
00:11:18Se fosse-me, você quer diamante?
00:11:20Eu dou.
00:11:21Eugênia não quer diamante.
00:11:23Que é o padre.
00:11:25Eugênia entra na casa de violante e pega o meu irmão.
00:11:28Mas depois, Chica,
00:11:30tira o Rico daquela sala.
00:11:32Chica, salva o Rico.
00:11:34O quê?
00:11:35Eu peço-me sem me resolver um problema,
00:11:37vós me servem e me arranjam outro.
00:11:41Eu troco o Rico pelo menino.
00:11:44Bem.
00:11:45Eugênia não deixa de ter seus motivos, Chica.
00:11:48O padre Rico não viverá muito naquela sala
00:11:50sem ver a luz do sol, sem comer, sem andar.
00:11:52Pois eu penso que devia de morrer seco.
00:11:54Porque já quis quem é maior.
00:11:56E o vós me servem também.
00:11:58Mas eu lastimo pela sorte dele.
00:12:00Lastimo sim.
00:12:01Eu nunca pensei em salvar.
00:12:05Eu quero o Rico.
00:12:08Pade pelo menino.
00:12:12Demônios.
00:12:13Não há outra alternativa, Chica.
00:12:15Pois muito que bem.
00:12:17Vós me serve, salva o menino.
00:12:18E faz o que eu ia dizer.
00:12:20Então eu salvo o padre Rico.
00:12:22Mas não agora.
00:12:23Porque não pode ser feita as duas coisas de uma vez.
00:12:26Explica.
00:12:27Explica o que eu devo fazer, dona Chica.
00:12:30É fácil.
00:12:31Peço bastante atenção ao ovo dele.
00:12:34Para conservar.
00:12:37Então, há uma esperança de salvar meu filho?
00:12:39Sim.
00:12:41E vós me servem estar a postos.
00:12:43Deverá estar com o cavalo preparado um pouco mais adiante da casa da senhorinha Violante.
00:12:47O menino será entregue nos seus braços.
00:12:50Em seguida, corra e vá para a casa de Chica.
00:12:52Certo.
00:12:53Mas quem roubará o menino da casa de Violante?
00:12:56Eugênia.
00:12:58Eugênia.
00:13:00Eugênia.
00:13:01Eugênia, pelo amor de Deus.
00:13:03Eugênia é uma selvagem.
00:13:05Ela é capaz de comer as orelhas do menino no caminho.
00:13:09Lembra-se de quando comeu o gato de sua avó?
00:13:11De quando bebia sangue?
00:13:13Eugênia é outra.
00:13:14Não se esqueça que muitos a têm como beata desde que se dependorou na cruz.
00:13:18Outro gesto arrebatado.
00:13:19Isto mostra que não é boa dos miolos.
00:13:22D. Martim.
00:13:24Eugênia viveu na mata.
00:13:25Tem um passo leve.
00:13:26Ela aprendeu a ser leve para poder deslizar pelas árvores sem ser notada pelas feras.
00:13:31É ela ou ninguém.
00:13:32Meu Deus do céu.
00:13:34Fique a postos.
00:13:35E leve o menino para a casa de Chica sentar tensa.
00:13:37Mas não permita que lhe grite pela graça de Deus.
00:13:40Mas amanhã, quando derem pela falta dele, será um escândalo.
00:13:44Irão vasculhar todo o arraial e chegarão à casa de Chica.
00:13:47Não.
00:13:48Chica tem um plano.
00:13:50Ninguém desconfiará.
00:13:52E como não onde desconfiar, seu José Maria?
00:13:55Não dizem que o menino é filho do demônio?
00:13:59Amanhã a voz me cessa a pera.
00:14:01Eu estaria a postos.
00:14:04Afinal de contas, trata-se de meu filho.
00:14:05Eu ando earlier.
00:14:06Amém.
00:14:36Amém.
00:15:06Amém.
00:15:36Amém.
00:16:10Amém.
00:16:36Amém.
00:17:17Amém.
00:17:27Meu filho...
00:17:32Eu fico muito grato, a gente...
00:17:36Um dia eu ia te pagar tudo pelo que Vasmo ser me fez.
00:17:39Chica, paga.
00:17:41Ela paga comigo.
00:17:43Eu não entendo o que Vasmo ser quer dizer.
00:17:47Mas não importa.
00:17:49Eu preciso ir.
00:17:51Vem, meu filhão.
00:18:22Eu não sei o meu grande rio.
00:18:24Eu tinha de fazer isso, meu contratador.
00:18:26É preciso.
00:18:27Ele é meu, afiliado e vosso.
00:18:29E nós não havia de deixar o menino morrer nas mãos do inquisidor.
00:18:32Chica, faz-me sei que você está fora de si.
00:18:33Tem miolos de galinha, choca.
00:18:36Não viu o perigo que todos nós estamos passando.
00:18:38O perigo que Vasmo ser mesmo passa, Chica.
00:18:40Pois o inquisidor certamente está de olhos em Vasmo ser esticado por Violete.
00:18:45Eu prefiro morrer e deixar uma criança sofrer nesse mundo.
00:18:51Pois muito que bem.
00:18:53Se roubou, roubado está.
00:18:55Mas a cara não fica.
00:18:58Dom Matinho.
00:19:00Pegue esse menino e leve embora imediatamente.
00:19:03Tenho um contratador.
00:19:05Onde é que Dom Matinho é de ir com esse coitado?
00:19:08Onde Dom Matinho e o de levado não me interessa, Chica.
00:19:10Acá esse menino não pode ficar.
00:19:12Pois se desculpa, ele me diram que vós mercedo o guarido ou fio do demônio.
00:19:16Meu contratador.
00:19:18Pense com o coração ao menos uma vez.
00:19:20Dom Matinho não tem como partir agora.
00:19:22Como levar esse menino em plena noite.
00:19:24E nem como atravessar a fronteira que está muito vigiada.
00:19:27Mas você deveria ter pensado nisso antes, Chica.
00:19:29Não, senhor.
00:19:31Eu não preciso da generosidade de quem não se preocupa com a dor de uma criança.
00:19:35E eu irei embora.
00:19:36Eu encontro uma maneira de salvar meu filho.
00:19:39Dom Matinho.
00:19:40Chica já fez muito por vós, Messia.
00:19:42É o certo.
00:19:43Vai embora.
00:19:44Não.
00:19:46O meu contratador está certo.
00:19:48Eu já tive um espião nessa casa.
00:19:50Posso ter muito bem outro novamente sem saber.
00:19:53Eu estou em pé mais cuidadosa.
00:19:55Mas no barco,
00:19:56no barco só tem uns escravos marinheiros que nunca saem de lá.
00:19:59Eu posso em pé mandar uma mucama.
00:20:02Deodata.
00:20:02Eu posso em pé mandar Deodata para ficar lá com vós, Messia.
00:20:05Sem poder sair.
00:20:07No barco.
00:20:09Mas e saírem em busca do menino, Chica?
00:20:11E se for buscar eu, menino cunho,
00:20:13onde procurar a primeira cara.
00:20:15E eu mando Jacinto Correia avisar o Dom Matinho para se esconder na mata.
00:20:20Eu não sei onde estou aqui de permitir mais essa loucura.
00:20:25Pois muito que bem, Chica.
00:20:27Faz-me ser vencedor novamente.
00:20:29Ou melhor.
00:20:31Eu não tenho coragem de condenar esse menino a morte certa.
00:20:36Lá com Jacinto, Dom Matinho.
00:20:39Mais tarde ele levará a mucama.
00:20:40Eu compreendo várias palavras do hoje a pouco.
00:20:43E até sinto vergonha, mas eu hei de aceitar o oferecimento do barco, sim.
00:20:48Eu preciso salvar a vida do meu filho.
00:20:50Eu vivo com o mundo, grato, senhora.
00:20:54Chica.
00:21:02Chica, a voz me sempre me deixa com raiva.
00:21:04Pois sabe muito do bem que não deveria ter feito isso.
00:21:07Pois é momento de nos preocuparmos com os nossos problemas.
00:21:11Eu sou um tratador.
00:21:12E eu não sou assim, não.
00:21:14E eu não consigo ver o sofrimento de uma pessoa sem sentir piedade por ela.
00:21:19Eu não podia deixar o menino sofrendo.
00:21:21Eu não podia.
00:21:27Eu sei que a voz me ser não podia, Chica.
00:21:30Como eu também não posso.
00:21:32É por isso que eu não posso me ser.
00:21:35Crio eu, é porque a Chica...
00:21:38A voz me ser é toda a coração.
00:21:50Dona das dúvidas, eu quero falar com voz me ser.
00:21:54A sós.
00:21:55Eu me rediro.
00:21:56Venha.
00:22:07Eu sei da sua tristeza.
00:22:11Como poderia não estar, seu Jacobino, se meu filho está nas mãos de um inquisidor?
00:22:17E se eu roubar o menino e devolver para vós, Bessê?
00:22:22Senhor, eu serei eternamente grata.
00:22:27Gratidão não basta para um homem como eu.
00:22:31O senhor quer de mim?
00:22:34Se eu roubar o menino, faz-me ser deita comigo.
00:22:40Da sua resposta pode depender a vida do vosso filho.
00:22:49Eu aceito.
00:22:53Salve meu filho, seu Jacobino.
00:22:55Eu serei de vós, Bessê.
00:22:58Ah, eu mal posso esperar.
00:23:02Um momento de ter vós, Bessê, nua nos meus braços.
00:23:31Socorro!
00:23:33Socorro!
00:23:33Eu sou eu.
00:23:35Eu sou eu.
00:23:35Perdoe-me, senhoria violante.
00:23:36Perdoe-me.
00:23:37Seja comendo com atrevimento.
00:23:39O que faz a cara?
00:23:41Eu, eu não hei de mentir para vós, Bessê.
00:23:43Eu vim pegar o menino que é filho da minha mulher, da Dastorno.
00:23:47Vós, Bessê sabe muito bem que esse menino está sob a minha guarda, a pedido da Santa Madre Igreja.
00:23:51Vós, Bessê cometeu um gesto tresloucado.
00:23:53Eu só queria devolver o menino para a verdadeira mãe.
00:23:56Não!
00:23:58O que que o senhor fez?
00:24:00Eu nem entrei lá.
00:24:01Mas tem acontecido alguma coisa.
00:24:07E eu é que não entre nesse quarto.
00:24:09Vendo um jeitão cama, é coisa do demônio.
00:24:14De fora.
00:24:16Vem comigo.
00:24:17Se mais Bessê vai, eu também vou.
00:24:20Ninguém é de dizer que eu caguei nas caixas na frente de uma mulher.
00:24:23Modesto, suas palavras, o senhor Jacobino, eu ainda não decidi o que eu farei com Bessê.
00:24:38O demônio.
00:24:40O demônio.
00:24:41Se tu me disser que às vezes o demônio toma fuma de cachorro preto, Deus me livre, eu não quero
00:24:46ficar nesse quarto.
00:24:46Bessê, o inquisidor.
00:25:02Se o Jacobino é madrugado, o que que é?
00:25:08Aconteceu uma coisa da mais horrível que eu já tive notícia.
00:25:12O que foi?
00:25:14Uma coisa que eu conto com tristeza.
00:25:16Porque há de doer o vosso coração de mãe.
00:25:19Mas o seu menino tememopático, temo.
00:25:23O que diz?
00:25:24Ele virou um cachorro.
00:25:26Um cachorro preto.
00:25:28Eu ia pegar ele.
00:25:29Quando eu entrei na casa, a senhoria violante viu eu.
00:25:32E era um cachorro.
00:25:34Era um cachorro preto, não era um menino.
00:25:36Um cachorro?
00:25:39Cruz credo, mas Bessê sorri.
00:25:41É de certo, não tá acreditando.
00:25:43Pensa que tá sonhando que é um pesadelo, mas não é.
00:25:46Pois acredite, ele virou um cachorro mesmo.
00:25:49Não, seu Jacobino, eu sorri porque isso significa que a alma do meu filho libertou-se, com certeza.
00:25:54E ele deixou de ter parte com o demônio.
00:25:57E agora ele há de estar no céu.
00:25:59E como o demônio ficou sozinho, tomou forma de cachorro.
00:26:04Entendo.
00:26:05Eu vou mandar rezar uma missa pra ele.
00:26:08Se quiser, eu agradeço.
00:26:10Dona Dastô, eu cumpri o permitido.
00:26:14Eu só não peguei o menino, porque não ia trazer um cachorro pra Vazmissi.
00:26:18Mas Vazmissi me deu a palavra que havia de ser minha.
00:26:23Senhor Jacobino, como pode pensar nas coisas da carne numa noite em que o demônio parece estar solta?
00:26:28Contenha-se, senhor Jacobino, ou pensarei que o demônio tomou conta de Vazmissi.
00:26:33Muitas coisas.
00:26:37Muitas coisas.
00:26:38Muitas coisas.
00:26:41Chapo.
00:26:43Quer dizer, hoje é melhor não falar no Chapo, não.
00:26:48Deus me livre.
00:27:09Em toda a minha vida, nós jamais vi bruxaria tão completa.
00:27:13Embora tenha visto muitas coisas no mundo da bruxaria.
00:27:15E eu nem provi dizer eu soube de tal transformação.
00:27:21Eu levaria o demônio, mas o Zacar não pode ficar.
00:27:25Eu prenderei uma cruz pra que não fugem amanhã mesmo ser executado.
00:27:29O que fará?
00:27:32Cortarei sua cabeça e enterrarei separado do corpo.
00:27:37Agora diga, quem estava no quarto quando ocorreu a transformação?
00:27:43A Mokama.
00:27:46Olha pra mim, Mokama, e diga.
00:27:49Mesmo em sonhos, não vista uma outra figura.
00:27:53Uma feiticeira que possa ter ajudado o demônio a executar o feitiço.
00:27:58Vamos, diga logo de uma vez.
00:28:00O que?
00:28:01Quem?
00:28:03Pensei que fosse um sonho.
00:28:05Quem?
00:28:06Diga.
00:28:07Vamos, quem?
00:28:08A menina que se prendeu na cruz.
00:28:12Eugênia.
00:28:15Foi ela.
00:28:18A feiticeira.
00:28:28O senhor mostrou na casa, senhor Inquisidor, quando ela se pendurou numa cruz e foi tomada como santa.
00:28:33Não, mas soube de toda história.
00:28:35O pós-me-ser sempre me disse que desconfiava da santa.
00:28:37Sim, mas foi Chica que fez com que ela fosse tomada como uma santa.
00:28:41Ficou como uma beata quando trouxe uma avó ou alguém que disse ser sua avó.
00:28:45Pra fingir que era entrevada e que começasse a andar.
00:28:48De fato, começou, professor.
00:28:49Sim, mas quem disse que não andava antes?
00:28:52Ela não veio de propósito.
00:28:53Porque Chica veio de inventar uma santa no arraial.
00:28:56Ora, para fingir que sua família é abençoada, para proteger-se do senhor devido aos tantos pecados que tem.
00:29:03Estou certa de que Chica tremeu ao saber da chegada de um inquisidor ao arraial.
00:29:07A senhora é violenta e bem sabéis o quanto desconfio de Chica.
00:29:11Mas eu não tenho em mãos as provas que me permitestes.
00:29:14Quem foi vista foi Eugênia.
00:29:16É ela que há de ser lhe interrogada.
00:29:19Sim, nesse caso é melhor prendê-lo imediatamente.
00:29:22Peço ao capataz que cheguem os dragões.
00:29:25E que abram a prisão.
00:29:26Iremos em seguida.
00:29:36Senhor, contatador.
00:29:38Quanto gosto de ir lá cá tão cedo?
00:29:40O gosto é meu, sirene Valente.
00:29:42Percebi a urgência do vosso chamado.
00:29:44E vim, pois acredito que algo de grave há de ter acontecido.
00:29:49Sobre o menino de idade dores que achou moço em cachorro foi isso, não?
00:29:53É o que se comenta nas ruas do arraial.
00:29:57Olhe bem para mim.
00:29:59Olhe para os meus olhos.
00:30:01Acredita que eu tenho olhos de pava?
00:30:04Orelhas de jumento?
00:30:06Que eu pareço, enfim, uma idiota, crédula?
00:30:09Vamos ser por suas orelhas delicadas que um dia eu quis trincar com meus dentes, senhoria Valente.
00:30:14E vossos olhos lançam chamas quando fica furiosa.
00:30:18E a torna ainda mais atraente.
00:30:20Deixe de galanteios.
00:30:21Eu não preciso de galanteios da parte de vós de me ser.
00:30:23Responda a minha pergunta.
00:30:25Digo sim que parece uma idiota, crédula.
00:30:27Pois vive a dizer que se casará comigo quando isso nunca acontecerá.
00:30:34Não fuja do assunto.
00:30:36Sabe muito bem por que eu chamei a cá.
00:30:41Ontem o senhor me procurou querendo defender esse menino que agora está provado que tem parte de um demônio.
00:30:45Mas me sei que iria salvá-lo.
00:30:48Pois muito bem, nessa casa já aconteceram coisas muito estranhas.
00:30:51Mas não pense que eu acredito que esse menino se transformaria num cachorro, francamente.
00:30:55Não.
00:30:55E onde estará o menino?
00:30:57Isso é coisa de chique, isso tem a marca dela.
00:30:59Já fez isso comigo uma vez, desonrando o corpo de meu pai.
00:31:02Trocando por uma caveira de boi com chifres.
00:31:04Pensa que eu esqueci do corpo de meu pai.
00:31:06Pensa que eu viverei sem recuperá-lo.
00:31:08Está perdendo a calma, senhor, Ivelante.
00:31:15Muito bem.
00:31:17Eu sei que o inquisidor também desconfia dessa transformação.
00:31:21Fortemente.
00:31:22E se fingimos acreditar é porque é bom pra nossa causa.
00:31:26Sim, é bom.
00:31:26Porque se o povo no Arraial supuser que a bruxa se atar,
00:31:29será mais fácil pra mim destruir meus inimigos.
00:31:34Mas eu quero que o Vosmissi devolva esse menino.
00:31:36Vosmissi sabe onde ele está.
00:31:38Me enganou-se, senhor Ivelante.
00:31:41Até onde o seu menino estava com o Vosmissi transformou-se em um cachorro.
00:31:45Quem sabe não será Vosmissi a bruxa responsável pelo feitiço?
00:31:59Muitos bons dias.
00:32:02Senhor Conde Valadares, surpreendo o meu ver.
00:32:05Senhor Conde Valadares, eu tenho uma grave acusação a fazer.
00:32:08Eu suspeito que esse menino não se transformou em cão,
00:32:12mas que está nas mãos de Chica.
00:32:14E eu quero que o senhor ordene uma busca agora mesmo,
00:32:17a não ser que o contratador proibam.
00:32:19Se proibisse uma busca em minha casa, senhor Ivelante,
00:32:22estaria confirmado Vosmissi a acusação.
00:32:24Senhor Conde Valadares, faça a busca que quiser, eu o acompanharei.
00:32:31Mas me se permite a busca?
00:32:34Com gosto, senhor Ivelante.
00:32:38Não, eu irei junto.
00:32:46Já sinto.
00:32:49Os dragão estão chegando.
00:32:51Corre e vai em teu barco, avisado o Martim.
00:32:56Fugir.
00:33:03Meu Deus.
00:33:04Vai fugir pra onde?
00:33:05Mas você vem comigo.
00:33:07Até o outro lado da marcha.
00:33:09Há vindo de esconder nas pedras.
00:33:11Vem, eu conheço o caminho.
00:33:25Não, menina.
00:33:27Caso o senhor não sabe a diferença entre menino e menina,
00:33:30o senhor capitão morre.
00:33:31Não me ofenda, senhor Ivelante.
00:33:32Você, Vosmissi, acreditou que o menino poderia virar cachorro,
00:33:36nem poderia virar mulher.
00:33:38Não acreditei nem numa coisa nem noutra.
00:33:41Faz muito bem, Chica.
00:33:42Onde está a criança?
00:33:44Vosmissi, que a minha não sabia?
00:33:45Por certo que sim.
00:33:47Pois eu digo,
00:33:49ela está muito bem escondida.
00:33:51Onde?
00:33:56Aqui.
00:34:03Deixa de chiste, Chica.
00:34:04Nós viemos a cá tratar de um assunto sério.
00:34:07E sério?
00:34:08E tem assunto mais sério que está esperando o fio?
00:34:11E o fio do meu contratador?
00:34:13Chica, por que você não me disse isso antes?
00:34:15O que eu precisava ter certeza.
00:34:18Eu precisava sentir a criança dando de ouro.
00:34:20E hoje, depois que Vosmissi saiu,
00:34:22eu senti a vida nascendo na barriga de ouro.
00:34:25Como uma flor começa a se abrir.
00:34:28Chica, nenhuma notícia me faria mais feliz, minha Chica.
00:34:31Congraturações, senhor contratador.
00:34:33Eu também desejo muitas felicidades à Vosmissi.
00:34:36E Vosmissi, senhor, minha violência.
00:34:39Não me congratula?
00:34:41Ora, Chica.
00:34:42Vosmissi, eu bem sabe que eu fico feliz
00:34:44com o nascimento de uma criança nesse mundo.
00:34:46Pois a chegada de uma criança
00:34:47sempre torna esse mundo mais bonito.
00:34:50Venha de onde vier.
00:34:51Ah, mãe, essa vem de um bom lugar.
00:34:53Tem sangue forte, sangue meu e do meu contratador.
00:34:57A de crescer bem viçosa.
00:34:58Eu faço votos.
00:35:00Eu imagino que Vosmissi passa bozinha.
00:35:03Que Vosmissi deve morrer de descer
00:35:05de ter um filho, uma criança.
00:35:07Não é isso aí, é violente.
00:35:09Ah, Vosmissi não sabe o quanto é bom
00:35:10ter uma criança pra sentir amor, pra abraçar.
00:35:14Eu só lastimo que Vosmissi nunca há de sentir isso.
00:35:16Porque já tá passando da idade
00:35:18e não se casou ainda.
00:35:20Quem sabe eu ainda ia de ter
00:35:22um filho de olhos azuis.
00:35:25Eu quero ver.
00:35:27Oh, senhor, pode, vamos.
00:35:30Senhor, contratador, minhas congratulações.
00:35:32Eu tenho certeza de que esse filho
00:35:33vai te trazer muitas alegrias à sua vida.
00:35:35Eu só espero que saiba encaminhá-lo bem na vida
00:35:37como fez com o anterior.
00:35:39Passar bem.
00:35:40Percebo que a senhorinha
00:35:43desistiu da busca.
00:35:44Não.
00:35:46Ainda temos o barco de Chica
00:35:47e a casa da mãe do menino.
00:35:50Eu uso a campanha.
00:35:52A Chica.
00:35:53Voltarei mais tarde
00:35:54com um diamante para Vosmissi.
00:35:56Nossa joia mais preciosa
00:35:58já tá crescendo
00:35:59a cadeia de minha barriga.
00:36:12Ninguém é cá, senhor conde.
00:36:14Creio que foi alarme falso.
00:36:16Por mais improvável que possa parecer,
00:36:18um menino transformou-se num cão.
00:36:20Coisas desta terra.
00:36:22Mas já que estamos cá,
00:36:23vamos apreciar mais uma vez
00:36:25a beleza deste barco
00:36:27que nada fica a dever
00:36:28a uma caravela portuguesa.
00:36:33Não podemos aparecer
00:36:35com cara de idiota perante o povo.
00:36:36Estão todos a comentar esse feitiço.
00:36:38O que faremos?
00:36:40Crucificar o cachorro.
00:36:42Isso sim seria um sacrilégio sem igual.
00:36:45Penso que melhor é expulsá-lo do rael.
00:36:48Como?
00:36:50Venha comigo, senhorinha violante.
00:36:54Pedirei a ajuda
00:36:55do senhor conde Valadares
00:36:57para que reúna o povo
00:37:00e expulsem o cachorro
00:37:02de uma vez
00:37:02do raião.
00:37:06Assim será melhor.
00:37:17Venha.
00:37:31Dona Chica montou
00:37:33o Vasocê, toma cuidado.
00:37:35Fica um pouco com ele
00:37:36e depois vai
00:37:37sem a das dores.
00:37:38Ninguém deve saber
00:37:39que o Vasocê esteve a carro.
00:37:42Meu filho
00:37:43que eu considerava perdido.
00:37:45As dores.
00:37:47Amanhã eu irei
00:37:48embora do rael com ele.
00:37:51O quê?
00:37:52Vasocê sabe o quanto é perigoso
00:37:53que esse menino fica cá.
00:37:55Ele pode ser descoberto
00:37:56a qualquer momento.
00:37:59Amanhã eu partirei.
00:38:00E eu?
00:38:02Vasocê pensa em roubar ele de mim novamente?
00:38:05Pensa em repetir o que já fez?
00:38:07Vasocê não partirá com o meu filho.
00:38:09Pois eu já falei com o Chica
00:38:10e ela disse que Vasocê não roubará ele de mim.
00:38:16Vasocê pediu ajuda de Chica contra mim?
00:38:17É a verdade verdadeira do Martinho.
00:38:21Nunca aconteceu
00:38:22verdade tão verdadeira nesse mundo.
00:38:24O Nasciga pediu
00:38:25para cuidar para Vasocê não partir.
00:38:28Sem dúvida das dores.
00:38:29Meu Deus do céu,
00:38:30todos estão contra mim, é isso?
00:38:32Mas você não percebe
00:38:32que o menino corre risco
00:38:33de vida das dores.
00:38:38Eu não partirei
00:38:39às pressas, Martinho.
00:38:41Sabe bem que outras vezes
00:38:42que tentamos fugir
00:38:42apressadamente fomos pegos.
00:38:45Iremos embora sim.
00:38:47É.
00:38:47Mas eu não irei com Vasocê,
00:38:48eu cuidarei do meu filho.
00:38:50Mas se Vasocê quiser,
00:38:51pode me visitar para ver.
00:38:53É muito atrevimento de Vasocê.
00:38:56E do que viverá?
00:38:58Vasocê,
00:38:58Vasocê não passa de uma mulher
00:38:59que nada sabe fazer.
00:39:00Engana-se, Martinho.
00:39:02Eu estou a ganhar
00:39:02uma boa quantia na taverna.
00:39:04Quer saber o que mais?
00:39:06Eu não pretendo
00:39:07partir de Monsa Banando.
00:39:08Pois eu sei muito bem
00:39:09que o Sr. Jacobino
00:39:10possui uma grande fortuna.
00:39:11E do que adianta, meu Deus?
00:39:13A fortuna é dele, não é?
00:39:14Ele roubou a fortuna de Dona Céu.
00:39:15Uma fortuna que pertencia
00:39:17a mim também.
00:39:18Pois sendo filha
00:39:19do Capitão Morgon Salo,
00:39:20eu tinha direito a uma parte.
00:39:22Eu era rica, Martinho.
00:39:23Eu era uma fidalga.
00:39:25Mas agora eu não tenho
00:39:26mais nada de meu.
00:39:27Como Vasocê?
00:39:28Eu não quero passar o resto
00:39:29da minha vida
00:39:30me indigando por um prato de comida.
00:39:39Vasocê não tem medo.
00:39:42Não.
00:39:44Eu hei de recuperar o que é meu.
00:39:47Das dores, eu.
00:39:49Eu quero lhe fazer um pedido.
00:39:51Faça.
00:39:54Eu quero ajudar a Vasocê.
00:39:56Com que interesse, Martinho?
00:39:58Eu farei pelo meu filho.
00:40:00Pois eu também nasci
00:40:01de uma família fidalga.
00:40:02E hoje mal tenho que viver.
00:40:04Mas eu quero que meu filho
00:40:05seja criado com lustre
00:40:07devido ao nome da minha família.
00:40:10das dores, eu ajudarei a Vasocê.
00:40:14Eu aceito, Martinho.
00:40:16Mas com uma condição.
00:40:17De que isso não significa
00:40:18de maneira alguma
00:40:19que Vasocê tem algum poder
00:40:20sobre a minha pessoa.
00:40:22Estamos entendidos?
00:40:32Eu creio que sim.
00:40:35Eu aceito a vossa condição.
00:40:38Está tudo acabado entre nós.
00:40:47Eu sei que não viria.
00:40:49Se meu filho está mesmo
00:40:49endemoniado, como afirma,
00:40:51eu quero estar presente.
00:40:52Pensou que me engana?
00:40:54Se eu nem violante,
00:40:55respeite minha dor de mãe.
00:41:09dignaiva o Senhor
00:41:11a permitir que São Pedro
00:41:12venha dos céus à terra
00:41:14fechar a morada
00:41:15onde os espíritos do mal
00:41:16podem entrar
00:41:16quando muito bem lhes parece.
00:41:19Pois eu expedito,
00:41:20simplesmente expedito
00:41:21sem outro nome ou vaidade,
00:41:22inquisidor da Santa Madre Igreja,
00:41:24ponho preceitos
00:41:25a esse espírito do mal
00:41:26para que a partir de hoje
00:41:28não possa mais fazer morada
00:41:30nesse arraial
00:41:30e que a porta de entrada
00:41:32nessas ruas
00:41:33esteja para sempre fechada.
00:41:35Assim como lhe é fechada
00:41:36a do reino e dos espíritos puros.
00:41:39Amém.
00:41:42Eu agora
00:41:43tomo a chave
00:41:44que o fez entrar nessa alma,
00:41:46nessa cidade.
00:41:53vai-te, Satanás.
00:41:56Desaparece como o fumo da chaminase.
00:41:59Fora, Satanás!
00:42:01Fora, Satanás!
00:42:03Fora, Satanás!
00:42:13Mais uma que se foi.
00:42:15Dona bem-vinda.
00:42:20Estranho.
00:42:23O senhor sabe, Padre Guerra,
00:42:25que eu estava com os olhos nela.
00:42:27Por quê?
00:42:29Eu obtive informações que ela já havia sido expulsa de outro raiol,
00:42:33como bruxa.
00:42:33E a cá mesmo ouvi certas coisas.
00:42:37Era uma mulher de hábitos originais, não resta dúvida.
00:42:42Mas, bruxa, a senhora inquisitor, não era, não.
00:42:47Era apenas uma mulher agradável, retirada.
00:42:52Pois, partiu, foi o melhor.
00:42:54Eu já estava decidindo interrogar.
00:42:57Mas é estranho que tenha partido justamente agora.
00:43:02Agora, se fosse realmente uma bruxa, é o que teria feito.
00:43:06Um feitiço para ir embora invisível.
00:43:12Ou mudar de corpo, que é o que muitas bruxas fazem.
00:43:17Mudar de corpo?
00:43:19Certas bruxas criam um demônio.
00:43:22E quando ele está forte, elas usam o poder que ele lhes dá para mudar de corpo.
00:43:28O corpo antigo parece morto.
00:43:30E elas instalam sua alma em outro corpo qualquer, insuspeito.
00:43:34Vivem uma nova vida.
00:43:36Mas é impossível.
00:43:38Já ouvi muitas histórias assim.
00:43:41Mas se, como diz ela, não era bruxa,
00:43:44terá sido apenas uma história que eu vi.
00:43:49Mas o senhor parece feliz.
00:43:53É que agora devo me encontrar com Chique.
00:43:56Ela me garantiu que desta vez é de fornecer uma prova de fé.
00:44:09Sr. Inquisidor.
00:44:10O Vosmissi me convidou para um chá, Dona Chica.
00:44:12Eu vim.
00:44:14Pois foi um gosto.
00:44:15E o Vosmissi, como está se avendo com Jacinto?
00:44:18Tem conversado bem?
00:44:19Ele é um tanto calado, mas sim.
00:44:22Já começa a falar mais livremente.
00:44:25E eu fico impressionada que a capacidade de Vosmissi demonstra
00:44:29de fazer o povo falar.
00:44:31Jacinto costumou ser bem calado, sim.
00:44:35Gelena, traz chá.
00:44:37É um gosto vê-lo, Sr. Inquisidor.
00:44:45Sr. Inquisidor está surpreendido com o confetio.
00:44:48Não, pelo contrário, estou satisfeito.
00:44:51Pois muito que bem.
00:44:52Eu venho de falar sem delongas.
00:44:55E eu penso que nós não temos muita oportunidade de conversar
00:44:57desde quando o Vosmissi chegou a cá no Tijuco.
00:45:00Mas agora que eu estou só, sem meu contratador,
00:45:03é tempo de fazer novas amizades.
00:45:05Sra. Inquisidor, será um gosto ser amigo de Vosmissi.
00:45:10Verdade?
00:45:12E eu fico pensando, Sr. Inquisidor,
00:45:14por conta de que o Vosmissi havia de ter mais certeza
00:45:16da amizade que eu tenho por Vosmissi?
00:45:19Eu?
00:45:20Por conta de nada, Dona Chica.
00:45:22Eu confio no sentimento das pessoas.
00:45:27Mas...
00:45:28Mas...
00:45:29Eu sabia que tinha que ter mais.
00:45:32A igreja vive de doações.
00:45:35E Vosmissi, desde que cheguei cá no Arraial,
00:45:38nunca fez uma doação de vulto à causa da igreja.
00:45:41Mesmo tendo tantos demantes.
00:45:44É bom que eu esteja cá.
00:45:47Chica, em troca da amizade de Vosmissi,
00:45:49doará a quantia que Vosmissi desejar.
00:45:52O contratador me deixou uma autorização do próprio punho
00:45:55para trabalhar com suas cartas de crédito.
00:45:58Eu cumprimento por merecer tanta confiança do contratador.
00:46:01Mas eu não gostaria de receber doações em cartas de crédito.
00:46:05Vosmissi sabe.
00:46:07As pessoas comentam muito.
00:46:09Quando você recebe alguma coisa,
00:46:11não é bom que você saiba de onde veio.
00:46:15Pois muito que bem, seu inquisidor.
00:46:18Esteja cá ainda hoje.
00:46:19E eu ia te fazer uma doação em diamante,
00:46:21na prova da mais sincera amizade que eu tenho para o Vosmissi.
00:46:27ser a angústia, dona Chica.
00:46:29Agora preciso ir.
00:46:32Até mais.
00:46:56Como Vosmissi é esperta.
00:46:58Comprou o homem.
00:46:59Agora eu quero ver o que violante é de fazer contra eu.
00:47:01Mas, Vosmissi prometeu diamantes.
00:47:03Como fará se não pode mexer na fortuna que tem?
00:47:06Se entregar um baú por menor que seja de diamantes,
00:47:08os dragões que estão de vigia podem notar.
00:47:11Eu ia te dar o diamante a ele, Sônia Maria.
00:47:13E ia te salvar eu.
00:47:15Eu sabia que ia te ser esse homem na palma da minha mão.
00:47:18Quem é que não gosta de diamante?
00:47:20E eu ia te conseguir os diamantes, sim.
00:47:22Mas, Vosmissi, não me pergunte como.
00:47:23Agora fala.
00:47:25Hoje a mãe já me disse, Mio.
00:47:29Vosmissi já soube de tudo.
00:47:31O que a Jacinto foi preso?
00:47:33Quem não sabe, Chica?
00:47:35Pois muito que bem, Quilô.
00:47:36Agora eles querem pegar o Iô.
00:47:38Mas não andam pegar, não.
00:47:40Pra assunciear de fugir com o Iô.
00:47:43Não, Quilô.
00:47:44Não perigo eu ia dizer a verdade.
00:47:46Eu amo meu contratador.
00:47:48Mas eu preciso de Vosmissi, Quilô.
00:47:50De Vosmissi depende da minha vida.
00:47:52O que você quer que eu faça, Chica?
00:47:55Eu quero que Vosmissi dê pra Iô a arca de diamante
00:47:57que nós roubamos do contratador Felizberto faz tão tempo.
00:48:01Antes que minha Vosmissi disse pra Iô que nunca mexeu nesse diamante,
00:48:04dá os diamantes pra Iô, Quilô.
00:48:06Dá os diamantes pra eu pagar a minha vida.
00:48:08Mas esses diamantes são um sonho meu.
00:48:11Sonho de lá vai ser embora com o Iô
00:48:13pra vida de rainha que tá acostumada a ter.
00:48:17Ah, Quilô.
00:48:20Eu nunca errei de ser sua.
00:48:22Mas Vosmissi não há de querer, veio eu perdida.
00:48:25Olha, mais tarde, quando eu fui declarada inocente,
00:48:29eu devoo a fortuna pra Vosmissi.
00:48:31Tem necessidade de devorar a Náugica.
00:48:35Esse diamante eu guardei tantos anos pensando na felicidade de Vosmissi.
00:48:39se são pra salvar a sua vida, eles são seu.
00:48:46Eu não tenho palavra pra agradecer Vosmissi aqui, Loura.
00:48:49Agora vai lá.
00:48:51Busca os diamantes e Vosmissi é salvo Iô.
00:48:54Não precisa de palavra bonita, não.
00:48:57Eu sei o sentimento que Vosmissi tem no coração.
00:49:01E eu vejo que é lindo,
00:49:03que brilha igual o sol,
00:49:05que brilha mais que diamante.
00:49:11Vosmissi há de precisar de um mucama
00:49:13pra carregar tanto diamante.
00:49:29São diamantes dignos de um rei.
00:49:31São pra Vosmissi,
00:49:33pra eu poder contar com Vosmissi.
00:49:36Agora diz pra eu.
00:49:37E eles têm amizade de Vosmissi, pra sempre?
00:49:43Só posso aceitar se forem pra provar a vossa fé na Santa Madre Igreja.
00:49:48Se desejais oferecer esses diamantes de coração,
00:49:51como prova de fé.
00:49:53Por certo, sim.
00:49:55Eu tenho tanta fé que interdo esse diamante.
00:49:59Muito que bem.
00:50:02Podeis contar com minha amizade
00:50:05e com o interesse da Igreja na salvação de Vosmissi.
00:50:09Eu sabia que nós havíamos de se entender.
00:50:19Senhor inquisidor.
00:50:20Senhora Dona Chica, quanto gosto.
00:50:23Certamente,
00:50:23eu devia fazer uma nova doação a causa da fé.
00:50:26Não.
00:50:27Hoje eu vim falar do que é meu.
00:50:28Que um monte de Vosmissi aceitou um baú de diamantes das mão de um.
00:50:31Sim.
00:50:32E a Santa Madre Igreja agradece.
00:50:35Construiremos uma nova igreja com vossa doação, quem sabe?
00:50:38Mas Vosmissi aceitou os diamantes
00:50:40e disse que eu podia contar com a amizade de Vosmissi.
00:50:44Pois contais com minha amizade e meu respeito,
00:50:47Dona Chica.
00:50:48Pois então, por que é que estão escavando o quintal da Cajio?
00:50:51E eu pensei que,
00:50:52depois da doação dos diamantes,
00:50:54tu estaria esquecido.
00:50:58Senhora Dona Chica,
00:50:59eu não entendo que Vosmissi diz.
00:51:02Acreditei que Vosmissi doava os diamantes
00:51:04por acreditar na religião,
00:51:06por querer ajudar a igreja,
00:51:08não para tentar me comprar, Dona Chica.
00:51:10Pois se tiveste mesmo a intenção em me comprar,
00:51:13isso em si mesmo já seria uma prova de que és culpada.
00:51:17Só uma pessoa com a consciência culpada
00:51:18tentaria comprar quem acusa.
00:51:20Mas eu sou inocente.
00:51:24Se és inocente,
00:51:26há de ter percebido que uma acusa nada tem a ver com a outra
00:51:29e responderás ao interrogatório com satisfação
00:51:32quando for acusada.
00:51:34Agora,
00:51:35se fores mesmo culpada,
00:51:38nenhum diamante haveria de comprar Vosmissi.
00:51:41Vosmissi mesmo é disso quando me entregou os diamantes,
00:51:44que era apenas uma prova de fé.
00:51:47Agora, perdoe-me, Dona Chica,
00:51:49pois devo continuar a interrogar o escravo Jacinto.
00:51:51e eu vou rezar,
00:51:55seu inquisidor.
00:52:02Seu Zé Maria,
00:52:03eu vim desabafar.
00:52:05Diga, Chica,
00:52:06o que houve?
00:52:07O inquisidor diz que seu Deus de diamante
00:52:10foi só bondade,
00:52:11porque se sou mesmo inocente,
00:52:12eu não havia de querer comprar a opinião dos outros.
00:52:14Eu não acredito.
00:52:16É,
00:52:17pois foi o que ele disse.
00:52:18Chica,
00:52:19sabe muito bem
00:52:20que já tivemos nossos desentendimentos,
00:52:22mas agora ouça-me.
00:52:23Fuja,
00:52:23fuja desse arraial.
00:52:25Não, não.
00:52:26Por que não, Chica?
00:52:28Porque quando meu contratador voltar,
00:52:30eu estaria esperando,
00:52:31me acabe.
00:52:44Não restam dúvidas.
00:52:47Não há figura do demônio,
00:52:49como disse a senhorinha violante.
00:52:54Mande prender Chica.
00:53:03O que aconteceu com os meus senhores
00:53:05entraram dessa maneira?
00:53:06Feito um bando de cavalgaduras.
00:53:07Isso é Chica.
00:53:08O capitão morto está lá embaixo,
00:53:09com um bando de dragão.
00:53:10Diz que há de prender
00:53:11para assustar.
00:53:11Desce,
00:53:12ela foge,
00:53:13se esconde.
00:53:14Não.
00:53:15Eu e o Edith.
00:53:16E a Edith,
00:53:17cabeça e a equida.
00:53:18Vai,
00:53:18desce e avisa que eu já vou.
00:53:20Que vós me seja linda.
00:53:21Pega o vestido e a peruca,
00:53:24e eu vou assim.
00:53:26Mas eu vou de rainha.
00:53:42E eu já tenho o pulseira.
00:53:44Não tem precisão de botar essa caminhão, não.
00:53:46É a regra, dona Chica.
00:53:48Com o prisioneiro Adira Griloaga.
00:53:54Sr. Capitão morto.
00:53:55Eu vejo que o Bosme-C está lá em cima do cavalo.
00:53:58Mas amanhã,
00:53:59o Edith está novamente.
00:54:01Sei também que tudo o que faz
00:54:02é obrigação de Bosme-C.
00:54:04E que é tudo artifício e violante,
00:54:05esse tal desequizidor,
00:54:06que só veio para cá para destruir o Yu.
00:54:09Pois muito que tem.
00:54:10Bosme-C pode prender Yu.
00:54:12Mas não se esqueça que o meu contratador
00:54:14vai ficar sabendo da forma que o Bosme-C está tratando Yu.
00:54:18Muito bem, dona Chica.
00:54:19Não terá grilhões.
00:54:21Poderá herir até a prisão em sua liderança.
00:54:23Olá!
00:54:26E aí...
00:54:27E aí
00:54:36E aí
00:54:42E aí
00:54:43E aí
00:54:43E aí
00:54:44E aí
00:54:54Esse vaso com a figura do demônio foi encontrado em vossa casa.
00:54:58Mas esse vaso não é meu, não.
00:55:01Se não é seu, por que haveria de estar escondido em vosso baú?
00:55:05Eu não sei.
00:55:07Adição, algum estratégio é contra eu?
00:55:09E aqui veremos.
00:55:11Pois na interrogatória ia te dizer a verdade.
00:55:16Senhor Inquisitor, não pode torturar Chica.
00:55:23Quem é que faz-me ser para lhe dizer o que posso e o que não posso?
00:55:26Sou um homem temente a Deus, Senhor Inquisitor.
00:55:29E sei que não haveria de querer matar um inocente.
00:55:33Inocente?
00:55:34Chica está de barriga, não sabia?
00:55:36Espera um filho do contratador.
00:55:39É verdade.
00:55:40Ela deve ser uma menina.
00:55:42Como pensa que o rei reagirá a Senhor Inquisitor?
00:55:45Se souber que a mulher de um homem, que pode estar em desgraça,
00:55:49mas que é um homem do rei, foi torturada e perdeu o filho que o esperava.
00:55:53A igreja está acima dos reis, Senhor.
00:55:57Mas os seus superiores não vão querer tratar com uma denúncia de que exorbitou.
00:56:05Muito que bem.
00:56:08Não será preciso interroga-la e nem usar de torturas.
00:56:12Graças a Deus.
00:56:14Este vaso é prova clara de bruxaria.
00:56:17Iniciaremos o julgamento em breve.
00:56:20Enquanto isso, ficará presa.
00:56:22Piesa?
00:56:23Piesa a cara na prisão?
00:56:25Sim.
00:56:26Presa.
00:56:28Aguardando sua sentença.
00:56:31Mantém esperanças, Dona Chica.
00:56:53Eu faria de um tudo por vós, Messias, Chica.
00:56:57Deus é Maria.
00:56:59Escreve com meu contratador e pede para ele voltar.
00:57:03Eữa?
00:57:05Amém.
00:57:09Começa.
00:57:19Deus é amor.
00:57:20Deus é amor.
00:57:26Ele vai.
00:57:26Atra.
00:57:27Douce ou não.
00:57:28Oh, Deus!
00:57:30놓ou.
00:57:48Finalmente será feita justiça, macaca.
00:57:53Estamos aqui reunidos para o julgamento de Dona Chica da Silva.
00:57:56A acusada de bruxaria e de ter perpetrado maldade se encontra neste arraial.
00:58:01Dona Chica da Silva, o que diz de vossas acusações?
00:58:06É tudo um falso contra minha pessoa.
00:58:10Pois se são falsas ou deixam de ser, saberemos agora.
00:58:21Quando Dona Chica foi presa, envia os autos do processo a Portugal.
00:58:25Com os primeiros resultados do interrogatório de algumas testemunhas
00:58:29e a descrição de um objeto encontrado em casa de Dona Chica.
00:58:33E recebemos plena autorização para proceder com o julgamento e a determinação da sentença.
00:58:42Dona Chica, és acusada de inúmeras maldades,
00:58:47dentre elas de ter matado uma escrava e cortado sua cabeça num ritual de magia negra.
00:58:52É tudo mentira.
00:58:53Senhor Inquecedor,
00:58:56sei que aqui no Tijuco não se usam certas coisas como a presença de um defensor para Chica.
00:59:02Mas, na falta de outro, eu farei esse papel.
00:59:05Com que direito, senhor José Maria?
00:59:07Já fui uma autoridade de importância neste arraial.
00:59:10Sou um fidalgo e herdarei um título de alto coturno.
00:59:13Sou eu quem, por sangue e nascimento, está mais próximo de sua majestade o rei.
00:59:17Sim, tenho posição suficiente para defender Chica.
00:59:22Que seja assim, já que não faltam acusações.
00:59:27Pois muito que bem.
00:59:29A história da escrava que perdeu a cabeça jamais foi provada.
00:59:33O escravo Jacinto que foi interrogado e faleceu quando o senhor Inquecedor interrogou a cá presente.
00:59:40Admitiu a própria culpa.
00:59:43É verdade?
00:59:45Mesmo que quisesse, Chica jamais poderia ter cortado a cabeça da escrava.
00:59:49Como? Como faria isso com as mãos frágeis que tem?
00:59:55Esse escravo só trabalhava a mando dela.
00:59:57Tudo o que está sendo dito só comprova sua culpa.
01:00:00Não comprova não.
01:00:01E o corpo do meu pai que ela roubou?
01:00:03Que só está no túmulo que pertencia porque o mesmo escravo disse onde estava escondido.
01:00:07Ele também admitiu a culpa por esse crime.
01:00:10Fala-se também de uma mulher, Dona Fausta?
01:00:12Também envolvida em bruxaria?
01:00:14De quem Dona Chica teria cortado a boca?
01:00:17Dona Fausta vivia na minha casa.
01:00:19Era muito amiga de minha avó.
01:00:20Que Deus a tenha.
01:00:21Pois muito bem.
01:00:23E eu não vi lábio cortado nenhum.
01:00:25Chega, isso não é mais um julgamento.
01:00:26Já virou uma discussão.
01:00:28Muito bem.
01:00:29Chamarei a primeira testemunha.
01:00:31Minha mulher, Dona Paulina.
01:00:34Mas o que Paulina te deconteou?
01:00:36Eu não sei, Chica.
01:00:38Espere.
01:00:40Senhora Dona Paulina, diga-me por que está aqui?
01:00:48Para fazer uma acusação.
01:00:51Poderia falar do que se trata, com todos os detalhes.
01:00:54Sim.
01:00:55Eu o direi em duas palavras.
01:00:58Chica é má.
01:00:59Chica mandou que cortasse as orelhas de minha irmã Clara.
01:01:02E por conta disso ela nunca mais foi a mesma.
01:01:06E por conta disso ela morreu.
01:01:18Não vai ver de ter me levantado.
01:01:20Eu era só uma escrava e nunca pensei que puderá ser outra coisa nessa vida.
01:01:25Eu vi o mundo dos brancos e desejava as coisas para eu.
01:01:29Como tanto se deseja.
01:01:31Nem diga.
01:01:33Mas agora eu vejo que tudo isso começa a fugir de eu.
01:01:36Como fumaça levada pelo vento.
01:01:39E eu vejo que tudo que eu vivi foi um sonho.
01:01:42Um sonho que foi bom de ver o que eu vivi.
01:01:46Mas não se fala como se fosse morrer.
01:01:49Eu estou preparada, Helena.
01:01:51Eu estou preparada para aceitar o meu destino.
01:01:54Seja ele qual for.
01:01:56Eu irei aceitar de cabeça e equita.
01:02:07O depoimento de senhora Dona Paulina ontem deixou evidente.
01:02:11Que nem tudo foi como Dona Chica pregou.
01:02:14Mas agora teremos outro depoimento.
01:02:16A ser dado pelo próprio Capitão Moro.
01:02:23O Unidas acontece depois à agosto.
01:02:25Vamos.
01:02:26E hoje a luta Huhu .
01:02:27Vim a luta.
01:02:29Você soube.
01:02:29Ok ali que женja.
01:02:32Hum.
01:02:32Alguém.
01:02:33Que morre ao restaurante, Gui.
01:02:34SPorque xone.
01:02:35Mas o vaso nunca pertenceu a ela.
01:02:37Agora, você foi encontrado lá.
01:02:40Isso só pode ser coisa de violência.
01:02:43Nunca foi na sua casa, macaca.
01:02:45Deixemos essas questões de fora.
01:02:48Padre Guerreiro, por favor, aproxima-se.
01:02:59Vês nesse vaso a figura do demônio?
01:03:02Os meus olhos já não são mais os mesmos.
01:03:05Vejo apenas um borrão.
01:03:10Não queres ajudar, senhor padre?
01:03:12Mas é verdade.
01:03:14Eu nada vejo sobre o que possa comentar.
01:03:17Pois eu vejo.
01:03:20E todos a cá podem ver muito bem.
01:03:24Há uma figura de um homem com pernas de bode.
01:03:27Uma figura pagã.
01:03:28Uma figura usada pelas bruxas em seus rituais contra a fé.
01:03:34A presença desse vaso naquela casa
01:03:36é prova clara de que Dona Chica se dedicava à arte da magia negra?
01:03:41Não é preciso mais prova alguma.
01:03:45Dona Chica.
01:03:48Monido da autoridade que o Santo Ofício me concedeu.
01:03:52Que dispõe sobre a vida dos homens
01:03:55e os castigos àqueles que agem contra a fé.
01:03:59Eu condeno vós me ser.
01:04:02Eu condeno vós me ser como bruxa.
01:04:06E serás queimada na fogueira.
01:04:11Você tem vergonha nessa sentença?
01:04:14Agora cai-se.
01:04:16Vergonha.
01:04:17Vergonha, sim.
01:04:19Porque todo mundo que está aqui
01:04:20sabe muito bem que bruxa nunca foi.
01:04:23Vosmissé enfeitiçou o contratador João Fernandes.
01:04:26Ele era meu noivo, sim.
01:04:28Vosmissé o tomou por feitiços.
01:04:31Ele amou como eu amo ele.
01:04:34Nosso amor é tão grande
01:04:35que vós me ser nunca há de entender
01:04:36esse sentimento de ser minha violência.
01:04:38Vós me ser nunca há de entender
01:04:40que eu vós me ser num paz de um maracujacinho.
01:04:43E vós me ser, senhor inquisidor,
01:04:45porque usa a saia que entregou sua vida à igreja.
01:04:48E essa vida não tem lugar para o amor, não.
01:04:50Vós me ser disse que queria falar comigo.
01:04:53Sim, eu pedi que viesse, porque...
01:04:56Acá poderíamos conversar sem que ninguém nos ouça.
01:05:01Sou do que a filha de Chica nasceu.
01:05:03É verdade.
01:05:06Eu me preocupei porque eu imaginei
01:05:08que vós me ser deveria
01:05:10de desejar executar a sentença imediatamente.
01:05:14Não é isso que quer?
01:05:15Ver Chica queimada vivo?
01:05:18Não, isso eu nunca quis.
01:05:21Eu sempre quis justiça, senhor inquisidor,
01:05:23como vós me ser bem sabe.
01:05:27Eu tenho pedido lhe fazer.
01:05:31Adie a sentença.
01:05:34Adiar.
01:05:35Sim, apenas por alguns dias
01:05:36eu espero uma importante correspondência de Portugal
01:05:39que decidirá o destino de Chica.
01:05:41De que se trata?
01:05:44No tempo certo, vós me ser saberá.
01:05:50Confie em mim, senhor.
01:06:05Senhor inquisidor, vós me ser veio buscar eu.
01:06:09Estás com medo?
01:06:12Eu não tenho medo, não.
01:06:14E eu só tenho pena de não ver a menina crescer.
01:06:19Tomei a decisão de aguardar mais um pouco.
01:06:21Não se tira a mãe da minha filha assim tão depressa.
01:06:25Esperarei mais algum tempo
01:06:27para que ela tenha o leite de vós me ser.
01:06:29Era a primeira palavra boa que o vós me ser espalhou.
01:06:33Não tive a intenção de ser bom no cu.
01:06:37Apenas justo.
01:06:37Vamos lá.
01:06:46Meu Deus.
01:06:48Nós vamos ficar mais tempo juntas.
01:07:24Carta para a sua origem.
01:07:27Carta para mim?
01:07:31É a carta do contrapador que eu esperava.
01:07:37Tome.
01:07:39Certamente me traz uma boa notícia.
01:08:08A senhora é violenta. Parece descomposta.
01:08:11A senhora é violenta. Parece descomposta.
01:08:21Senhor Inquisidor, o senhor não sabe mal o que eu fiz.
01:08:24Mal?
01:08:25Quando eu acusei Chica, eu estava certa de tudo o que eu fazia.
01:08:29Absolutamente certa, mas agora surgiram evidências...
01:08:33de que nada do que eu pensava era verdade.
01:08:37O quê?
01:08:39Eu descobri uma escrava-forra que trabalhava na casa de Chica...
01:08:43por ocasião da partida do contratador.
01:08:45Quando a ânfora, com a figura do demônio, foi descoberta.
01:08:51Ela afirma que a ânfora, que o vaso...
01:08:55pertence às mucamas.
01:08:58As mucamas que cercam Chica...
01:09:02são todas bruxas.
01:09:06Mas...
01:09:06você me confunde.
01:09:09Não pode ser.
01:09:11Faz-me ser sempre a Deus, Chica.
01:09:13Eu corri para desabafar as minhas dúvidas com a senhorinha Paulina.
01:09:17E ela externou a mesma preocupação.
01:09:20Disse que a irmã dela, Clara, que quem fez mal à Clara...
01:09:23foram as mucanas.
01:09:26São todas bruxas, principalmente aquela alta, comprida...
01:09:29que foi a primeira a chegar.
01:09:31Faz-me ser esta a mandar de mim.
01:09:34É a pura verdade.
01:09:40Por mais que eu não goste dela, senhora Inquisitor...
01:09:44a voz de Missy terá que soltá-la.
01:09:47Foi um engano, foi um terrível engano.
01:09:51Eu não quero passar o resto da vida carregando essa culpa.
01:10:01Eu quero conversar com essa escrava. Como se chama?
01:10:05Fátima.
01:10:06Está aí.
01:10:14Fátima, entre.
01:10:25Fátima.
01:10:27Fátima.
01:10:27Fátima.
01:10:35Fátima.
01:10:41Fátima.
01:10:47Fátima.
01:10:55Fátima.
01:11:05Fátima.
01:11:07Fátima.
01:11:10Fátima.
01:11:11Fátima.
01:11:13Fátima.
01:11:13Fátima.
01:11:16Fátima.
01:11:17Fátima.
01:11:18Fátima.
01:11:20Fátima.
01:11:49Fátima.
01:11:50Fátima.
01:11:53Fátima.
01:11:55Fátima.
01:11:58Fátima.
01:11:59Não! Eu só quis insultar!
01:12:03Não! Não! Não! Não!
01:12:10Não! Não!
01:12:14Não! Não!
01:12:18Não! Não!
01:12:22Eu preciso colocar essas roupas no sopro, eu tenho que tirar o mofo.
01:12:29A senhora é violenta?
01:12:33O que é? O que é? O que é a senhora inquisitor?
01:12:36Sou um frade que mal há.
01:12:39Preciso lhe falar a soja.
01:12:48Deixe a porta aberta para que não falem mal de nós.
01:12:53Pois eu a fecharei.
01:13:09O que é que há de mim?
01:13:24Não pode cometer um pecado desses.
01:13:41Eu fiz isso para dizer que eu amo Vosmissé.
01:13:47Eu amo desde o primeiro dia que a vi.
01:13:51Vosmissé tem o cheiro das velas que queimam a igreja.
01:13:55modos de freira.
01:13:57E olhos com um desejo tão intenso que comoveria qualquer homem.
01:14:04Eu amo o senhor violente.
01:14:07Mesmo?
01:14:08Não, não, não. Não tenho.
01:14:12Nada que era além do beijo que já dei.
01:14:16Não entendo.
01:14:18Entenderá.
01:14:21Vosmissé pensa que acreditei em vossas mentiras
01:14:24sobre o vaso que estava no baú de Chica.
01:14:28Eu sei quem colocou lá a senhora violente.
01:14:32Vosmissé.
01:14:36Não, não, não.
01:14:38Eu nunca entrava naquela casa.
01:14:40Se não colocou, fez com que a pobre Fátima o colocasse.
01:14:45Só me pergunto, onde o conseguiu?
01:14:48Um vaso tão raro, tão antigo.
01:14:51Que serviu bem aos seus propósitos.
01:14:54Sei muito bem que quer libertar Chica.
01:14:57Pois isso ajudará nos seus interesses.
01:15:03Vosmissé há de me denunciar.
01:15:05Não.
01:15:07Nunca.
01:15:09Eu a amo, senhorinha.
01:15:11Porque essa esperta,
01:15:14tortuosa,
01:15:16sabe-se o que quer.
01:15:19Ainda mais,
01:15:21ajudou-me muito.
01:15:23Sabia que Chica doou um baú cheio de diamantes
01:15:26para que eu fizesse com ele o que preferir.
01:15:34Vosmissé me forçará a ser sua.
01:15:40Senhorinha violente,
01:15:43só não arranco meu hábito agora mesmo
01:15:46e a força a viajar comigo.
01:15:49porque gosto muito do poder que tenho como Inquisitor.
01:15:53Gosto.
01:15:55E amor nenhum faria com que eu preferisse viver fugido,
01:15:59longe do poder, da vida que tenho.
01:16:03Poder te prender,
01:16:05interrogar
01:16:07e decidir sobre a vida de quem eu quero.
01:16:09não.
01:16:12Isso me dá mais prazer do que qualquer outra coisa.
01:16:16Nesse caso, Vosmissé fará o que eu digo.
01:16:20Eu soltarei Chica.
01:16:21Sim.
01:16:24Eu a soltarei
01:16:26porque sempre soube que era inocente de vossas acusações,
01:16:30embora talvez de outras não.
01:16:33Eu só queria ver
01:16:36onde Vosmissé queria chegar.
01:16:40Diga-me, senhorinha violente.
01:16:43Onde quer chegar?
01:16:47Eu...
01:16:49Eu vou ao encontro do contratador João Fernandes em Portugal.
01:16:55Eu me casarei com ele.
01:16:59Trocou a vida de Chica por esse casamento?
01:17:05Pois, muito bem.
01:17:08Eu creio que não fez um bom negócio.
01:17:11Uhum.
01:17:17Mas, Vosmissé diz que me ama.
01:17:23Fará o que eu preciso, não fará?
01:17:30Sim.
01:17:33Pois, até prefiro que se vá.
01:17:37Levará junto a tentação.
01:17:40E aí?
01:18:08O que você quer dizer?
01:18:08É?
01:18:08O que você quer dizer?
01:18:08Amém.
01:18:11Talvez um dia sinta saudades deles.
01:18:40Uma chica?
01:18:41Senhor inquisidor?
01:18:44Você está livre.
01:18:47Estou livre?
01:18:49Descobri que todas as acusações contra Vosmice eram falsas.
01:18:52Vosmice não é culpada.
01:18:55Quis a vontade de Deus que não executássemos a sentença,
01:18:59mas teria sido a morte de uma inocente.
01:19:01E eu não disse que eu era inocente?
01:19:04Agora pode ir para casa.
01:19:07Que bom, senhora.
01:19:08Eu sempre subi de coração.
01:19:10Lácio não ser a via de sair da prisão.
01:19:14E nós?
01:19:23Estão presas.
01:19:25Acusadas de feitiçaria.
01:19:28São as verdadeiras bruxas.
01:19:31Nós?
01:19:56Vim me despedir de Vosmice.
01:20:00Espero que seja feliz em Portugal.
01:20:06Vosmice.
01:20:07Vosmice.
01:20:09Eu devo muito da minha felicidade.
01:20:13Foi um gosto conhecê-la.
01:20:16Eu me lembrarei para sempre das palavras cheias de calor com o que falamos.
01:20:52Vosmice.
01:20:53Vim me despedir de Vosmice, senhora Violet.
01:20:56Vosmice.
01:20:56Se despedir não, Chica.
01:20:57Vosmice não vai se despedir não.
01:21:01Vosmice veio constatar que eu vou partir.
01:21:04Que eu vou me casar com o contratador João Fernandes e que nada nesse mundo me impedirá agora.
01:21:11Eu venci, Chica.
01:21:14Eu venci.
01:21:16O contratador será meu por toda a minha vida.
01:21:21Venceu, senhora Violet.
01:21:24Vitória maior é essa cá.
01:21:26Uma filha dele, cunho.
01:21:28Vá.
01:21:29Vá seu maracujá seco.
01:21:31Sua lacra é ruim.
01:21:33Vá porque eu tive esse homem com amor.
01:21:35Isso.
01:21:36Posso me ser nunca a tirar de mim.
01:21:40Vamos.
01:21:52Tchau.
01:22:43Transcrição e Legendas Pedro Negri
01:22:45Legendas Pedro Negri
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