00:01Eu lembro das pessoas falando, igual o time de 70 não tem.
00:05O Brasil vai a campo.
00:07Eu tinha uma imagem da Copa de 70 muito mais fácil, tranquila do que ela realmente foi.
00:13A Copa de 66 foi um grande fracasso.
00:16Então quando chega a Copa de 70, a última do Pelé era a chance de redenção.
00:22A gente já tinha o maior jogador do mundo, só que ele ainda não tinha se tornado a lenda, o
00:27mito que ele é.
00:28Uma das primeiras perguntas que eu fiz foi, quem vai ser o Pelé?
00:35A gente abriu testes no Brasil inteiro em busca desse Pelé.
00:38Com esse critério de ter que ser jogador de futebol, tem que ser bom ator e tem que ser parecido.
00:43Futebol eu já jogava, né? Parecia, eu acho que parecia um pouco, né? E precisava atuar, né?
00:48Ação! O rei do futebol!
00:50O que a gente precisava era extrair o acting dele, porque ele nunca tinha atuado na vida.
00:54Você vê imagens do Pelé e ele era um cara sorridente e autoastral, mas o protagonista de série tem que
01:01estar sempre na pressão, sempre no drama.
01:04Como você consegue aliar esses dois mundos?
01:06Você não sabe 1% das coisas que eu já passei.
01:08O que é que eu não sei?
01:10São três grandes personagens principais na série.
01:13O Pelé, o Zagallo e o Tron Saldanha.
01:16O Saldanha que a gente vai conhecer na série é um cara do Partido Comunista que, no contexto de ditadura,
01:22se torna técnico da seleção brasileira.
01:24Ele escala, monta e classifica a seleção brasileira.
01:29O que você acha da sugestão do presidente?
01:31Nem eu escalo o ministério, nem o presidente escala a time.
01:34Então ele é demitido e depois a gente acompanha ele como comentarista.
01:38Vai fazer, gente, olha o gol! Olha o gol! Goleço!
01:43Terão de dobrar a língua aqueles que disseram que o Zagallo é retranqueiro e covarde, hein, Saldanha?
01:49Não faz mais que obrigação, né, José?
01:51Mas calma!
01:52O Zagallo dessa Copa é um Zagallo que tá se firmando ainda enquanto técnico.
01:56Só nessa série é que eu soube da importância dele nessa Copa por trazer a tática.
02:01Tem que cobrir por aqui.
02:02O Brasil 70, a saga do Tri, é um convite pro público entrar no vestiário desse time e acompanhar os
02:11treinamentos, a expectativa pros Jogos, os Jogos.
02:15O maior desafio desse projeto era como filmar futebol sendo fiel a jogadas que existiram.
02:21Ação!
02:23O futebol de 1970 foi tão diferente de onde estamos agora.
02:26Estamos voltando 55 anos atrás.
02:28O jogo foi tão mais lento.
02:30Então, essa é a coisa mais difícil, é encontrar um equilíbrio e um tempo certo para executar esses treinamentos.
02:36A gente começou a ensaiar as jogadas e muita repetição, muita repetição.
02:41E acertar várias vezes, né, são vários takes, várias câmeras.
02:45E a gente ficou dois meses ensaiando num campo de futebol de verdade, com preparação física, com fisioterapia, com tudo
02:52que um atleta tem direito.
02:54Foi um processo bem intenso.
02:56Não vou mentir, foi exaustivo pra caramba.
02:59E as jogadas, né, todo mundo sabe que não era tão simples, né.
03:04Quando vamos para a final, o todo mundo sabe os dois gols íconicos.
03:09O peleheader.
03:12E o Carlos Alberto, o strike.
03:14Uma jogada que passa por todos os jogadores.
03:16Vai desde a zaga, passa pelos volantes, vai pra lateral, vai pra ponta esquerda, chega no pé, leva e finaliza
03:22com um gol do lateral.
03:23Carlos Alberto!
03:25Esse era o desafio, fazer as jogadas de um jeito que ninguém nunca fez.
03:29A gente percebeu que a gente não tinha que correr com os jogadores, a gente tinha que correr com a
03:33bola.
03:33Então a gente criou um carrinho só pra correr no meio dos jogadores.
03:36Leito, treino, quebra eu!
03:41Você tá dentro da cabeça do jogador, você sente um pouco o que que é tá no meio do estádio
03:46com cem mil pessoas te olhando e fazendo uma jogada daquela.
03:49Tô errando uma jogada daquelas.
03:52O maior desafio do trabalho do visual efeitos é transformar um pequeno estádio em São Paulo
03:58em um espetáculo gigante que é o Jalisco e Azteca nos anos 70.
04:04Temos que colocar 60 ou 70 mil fãs gritos gritos.
04:08É enlouquecedor narrar todas essas emoções é tudo azul.
04:14Não tem nada.
04:16Tô com uma vontade de ter estado lá.
04:19É um sentimento doido.
04:22A gente começou a filmagem pelo Brasil e terminamos a filmagem no México.
04:27Foi muito especial, né?
04:29Locações incríveis e os túneis de Guanajuato, aquelas praças lindas que a gente filmou na cidade do México.
04:36O carinho que eles têm pela seleção brasileira é incrível.
04:39Onde que eu passava a galera me chamava de Pelé, não era o ator, sabe?
04:43Mirá, é feliz!
04:45Vamos!
04:45Entre o Brasil e o México fizemos caracterização em mais de 8 mil figurantes.
04:52Só de jogadores, eram mais de 100.
04:55Em cada um desses times, a gente tentou achar um tecido e uma silhueta que também imprimisse época.
05:03A série foi toda muito rigorosa pra nos colocar naquela época, naquele contexto do que aconteceu em 1970.
05:10Eu tô muito feliz de ver essas produções mais ambiciosas cada vez mais serem feitas no Brasil.
05:17É uma história muito linda, né?
05:19Fez o nosso país ser o país do futebol, né?
05:21Tenho certeza que quem assistir essa série vai se reconectar e vai se emocionar muito.
05:26Pelé, bateu!
05:34Tem um spoiler. Qual é o spoiler?
05:36O Brasil ganhou no final.
05:37Que isso, cara? Não pode falar.
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