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  • há 5 meses
Idoso e dado como morto por engano

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Transcrição
00:00Tem um idoso de 88 anos, 88, que foi dado como morto.
00:04É um caso aqui, no interior de São Paulo.
00:06Gente, isso aqui é estúpido.
00:08Você que tem seu pai, seu avô, seu tio, presta atenção.
00:12A médica do hospital foi lá, assinou a certidão de óbito.
00:17Diz que o seu jurassi, Rosa Alves, ele já poderia ser levado para a funerária.
00:23E ele foi.
00:24E aí, quando ele recebeu os últimos preparos antes de ser colocado no caixão,
00:30os funcionários da funerária falaram, não, peraí, peraí, calma aí, calma aí, pelo amor de Deus.
00:34O morto está se mexendo, porque não estava morto.
00:37O seu jurassi, ele estava respirando com muita dificuldade.
00:42Aí eles olham, não, calma, calma, será que é coisa da minha cabeça?
00:44Vem aqui, dá uma olhada.
00:45Não está respirando, é devagarinho, é com dificuldade, mas ele está respirando.
00:49O abdômen dele estava se mexendo.
00:51Aí os funcionários chamam a enfermeira, chamam a técnica de enfermagem, na verdade,
00:55e ela ali, a técnica de enfermagem, consegue constatar o que a médica deveria ter constatado dentro do hospital.
01:01Samu é chamado na hora e o seu jurassi é internado dentro de uma UTI naquele hospital.
01:06Naquele não, num outro hospital.
01:08E agora?
01:09Você lembra de um caso que nós mostramos aqui recentemente,
01:12de uma médica que constatou o óbito da pessoa que estava no chão depois de um acidente?
01:16Na verdade, ela não estava, né?
01:18A mulher ali, ela não estava morta, estava respirando.
01:21As próprias testemunhas diziam,
01:23ô doutora, você está cobrindo aí, mas a mulher está respirando.
01:26Doutora, deixa que eu faça o meu trabalho, está morta.
01:28Mas está respirando, mas morreu.
01:30A médica foi afastada do Samu,
01:32essa pessoa foi levada para o hospital, ficou na UTI e se recuperou.
01:35Agora vem essa história e fica a pergunta,
01:37e o seu jurassi?
01:39O que aconteceu com ele depois disso?
01:41Vamos ver?
01:43O que era para ser despedida virou susto e caso de polícia.
01:48Seu jurassi Rosa Alves, de 88 anos, foi declarado como morto
01:53depois de receber o diagnóstico de insuficiência respiratória.
01:56Mas o idoso voltou a respirar de forma inesperada horas antes do próprio velório.
02:03O caso intrigante assustou moradores e funcionários de uma funerária em Presidente Prudente,
02:09interior de São Paulo.
02:11Durante a preparação do corpo, os profissionais levaram um susto
02:15ao perceberem que o abdômen do seu jurassi estava se movimentando.
02:19Apesar de forte, esse sinal não era suficiente para afirmar que ele estava vivo,
02:25já que poderia ser apenas um reflexo.
02:27Mas a equipe não ignorou.
02:30A enfermeira responsável pela funerária foi chamada imediatamente.
02:35Aí veio a grande surpresa.
02:36Ao fazer uma análise, ela constatou que jurassi apresentava sinais vitais.
02:42Neste momento, a prioridade mudou.
02:45O que era a preparação para um velório virou uma corrida pela vida.
02:49Enquanto aguardava o socorro, a enfermeira monitorava o pulso e outros sinais importantes do idoso.
02:55Quando a ambulância chegou, o seu jurassi foi sedado, entubado e encaminhado para um hospital em Presidente Prudente,
03:02no interior de São Paulo.
03:04Ele continua internado em coma na UTI.
03:08Apesar da gravidade, o quadro clínico dele é considerado estável.
03:12O caso do seu jurassi relembra muito o de Fernanda Policarpo.
03:16A jovem, de 29 anos, foi atropelada em Bauru, no interior de São Paulo.
03:22Fernanda teve a morte atestada por uma médica do SAMU.
03:25O corpo dela chegou a ser coberto na rodovia, mas depois perceberam que ela estava viva.
03:31Fernanda foi levada para o hospital às pressas.
03:34Quando eu cheguei no local, ela estava no meio da pista, já coberta com uma manta.
03:40Aí o médico do SAMU veio de encontro comigo e falou, não, você não pode ver, não pode mexer.
03:46Eu falei, minha filha está morta?
03:49Aí ele não respondeu.
03:51Aí ele falou assim, aí eu falei, moça, eu quero ver minha filha, deixa eu ver, deixa eu ver.
03:55Aí a outra já veio do outro SAMU, me levou para o SAMU, começou a conversar comigo, tentar me acalmar.
04:01E eu perguntava o tempo todo, se a minha filha estava viva e ela falava, sinto muito, sinto muito.
04:06E não queria deixar mais eu ver.
04:08E eu entrei em desespero.
04:10Aí eles, conversando entre eles, lá daqui a pouco chamou outro, outro socorro.
04:16Demorou um pouco, aí outro socorro chegou, tirou ela do meio da rodovia, levou para o acostamento.
04:22E ali no acostamento o médico constou que ela ainda tinha sinais vitais.
04:25Fernanda ficou internada por 18 dias e depois recebeu alta.
04:30A médica que atestou a morte dela foi afastada e permanece longe das funções até hoje.
04:36Declarar a morte de alguém é um procedimento médico importante e muito rigoroso,
04:42que envolve não só a análise clínica, mas também a realização de exames como o eletrocardiograma.
04:48Mas ainda assim, existe o risco de uma falha no diagnóstico.
04:52Existem situações que podem enganar o médico.
04:56Imagine um paciente em estado muito grave, com o coração batendo muito fraco e a respiração quase imperceptível.
05:03Isso é o que chamamos de morte aparente.
05:06Algumas doenças, como hipotermia, problemas graves de metabolismo,
05:11podem deixar a pessoa com sinais vitais tão fracos que parecem ter realmente desaparecido.
05:18Nas funerárias, a atenção deve ser redobrada.
05:22Márcia trabalha no ramo há 20 anos e diz que nas grandes cidades,
05:26a possibilidade desse tipo de erro é pequena, já que o corpo já chega ao local refrigerado.
05:32Aqui na cidade de São Paulo, na grande maioria das vezes, é feito já passado,
05:37passa-se pelo morgue do hospital, é feito todo um tamponamento em hospital mesmo.
05:41Então, quando chega para nós, realmente já está em estado cadavérico ou até gelado.
05:46A polícia civil abriu inquérito para investigar os dois casos
05:50e os médicos envolvidos no erro de diagnóstico
05:53correm o risco de perder os registros no Conselho Federal de Medicina,
05:57além de outras punições.
05:59O caso do seu Juraci foi registrado como omissão de socorro.
06:04O hospital e o médico podem ser obrigados a indenizar a família pelo sofrimento causado.
06:10E em casos mais graves, o médico pode até ser processado criminalmente.
06:15Por isso, os hospitais precisam ter regras claras, observar o paciente por mais tempo,
06:21usar o eletrocardiograma sempre que possível e, quando há dúvida, pedir a opinião de outro médico.
06:28Pois é, eu falo aqui sempre como desabafo que existem médicos que optaram pela profissão
06:33porque eles têm vocação, eles querem salvar vidas.
06:36E o médico que tem vocação, ele estuda porque ele quer aprender,
06:39porque ele tem interesse realmente, né?
06:41É aquele médico que, quando você olha no olho, você já começa a ficar bem.
06:45Acontece isso.
06:46Você já percebeu, né?
06:47O médico toca em você e parece que está chegando à cura.
06:50Porque é a confiança do paciente.
06:53E ele passa essa confiança porque ele tem vocação.
06:55Agora, tem o estúpido que fez faculdade por pressão da sociedade,
06:59pressão dos pais, porque quer um status, porque quer ganhar dinheiro.
07:02E é aquele que vai de saco cheio para o trabalho.
07:05É ou não é?
07:06Que não faz o serviço dele bem feito, que não olha no olho do paciente,
07:09que não toca o paciente, que não tem o cuidado de perceber se a pessoa está respirando ou não.
07:14Que médica sem vergonha.
07:16Que médica desqualificada.
07:18Na minha opinião, as duas médicas envolvidas aqui deveriam perder os diplomas.
07:22E esses médicos que pegam um monte de plantão para fazer num dia só?
07:25Você sabe que é verdade.
07:27Nós já denunciamos aqui no Balanço.
07:28O cara pega três plantões para fazer durante o dia.
07:31Um, ele pega no setor público e dois no particular, que pagam mais.
07:35Por que ele pega um no setor público?
07:36Porque no particular ele trabalha.
07:38Aí quando ele chega no setor público, ele combina com os outros médicos.
07:41Eles ficam se revezando.
07:43Tem quatro médicos ali no posto, mas apenas um atendendo, porque os outros estão dormindo.
07:46Eles fazem esse revezamento.
07:48Gente, não são todos, claro.
07:49Não vai chegar no posto de saúde e falar que eu disse que o médico está dormindo.
07:53Mas se você tiver um flagrante dele dormindo, me manda que eu coloco aqui.
07:56Agora, que tem muito médico que faz isso, tem ou não tem, Dior?
08:00Pô, Passai, eu tenho demais.
08:01Agora, para mim, esse erro aí é o tipo de erro inadmissível, Passai.
08:05É o tipo do que a gente fala assim, o chamado erro zero, né?
08:08Esse é o tipo erro zero.
08:09Não dá para admitir qualquer coisa que seja tão primária como essa de não reconhecer uma pessoa que faleceu, né?
08:17E me desculpa, olha, eu não preciso que médico que faz isso com a população goste de mim, então eu
08:24vou dizer um negócio para você que está me assistindo aqui agora.
08:26O médico que pega um plantão no setor público e ele fica dormindo para descansar, esse médico é mau caráter,
08:35mau caráter.
08:36Enquanto ele dorme e descansa, tem criança passando dor.
08:40Ah, Passai, mas o médico ganha pouco, meu amigo, você tinha que ter visto isso antes.
08:45Você fez medicina para quê? Para ficar rico?
08:47Você pega três pantões num dia que tem 24 horas, você vai dormir quando?
08:50Aí você sabe que não vai dormir, pega e dois, ganha e menos, tem um custo de vida menor.
08:54Agora, não vai fazer isso com a criança no posto de saúde.
08:56Se fizer isso, é mau caráter, pronto, acabou.
08:58Acabou.