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  • há 3 dias
Na Bíblia, a Babilônia é retratada como o símbolo máximo de oposição a Deus, representando o orgulho humano, a idolatria e a perseguição religiosa. Sua condenação é fundamentada tanto em eventos históricos quanto em simbolismos proféticos.


Razões da Condenação Bíblica :

A hostilidade bíblica em relação ao império babilônico deve-se a três fatores principais:

O Cativeiro de Judá: Sob o reinado de Nabucodonosor, a Babilônia destruiu Jerusalém e o Templo de Salomão, levando o povo judeu para o exílio (o "Cativeiro Babilônico").

Esse período é descrito como uma das fases mais tristes da história de Israel.

Idolatria e Orgulho: Desde a narrativa da Torre de Babel, a região é associada à tentativa do homem de se igualar a Deus.
O império era o centro de cultos a divindades pagãs, como Marduk, o que a Bíblia classifica como abominação e "mãe das prostituições".

Crueldade e Luxo Excessivo :

Os profetas, especialmente Jeremias e Isaías, condenaram a Babilônia por sua arrogância e pelo tratamento brutal dado às nações conquistadas.

A Queda Profetizada

A Bíblia contém profecias detalhadas sobre o fim repentino do império. De acordo com os textos sagrados e registros históricos:

1 _ O Julgamento de Deus: O castigo divino veio através dos medos e persas.

2 _ A Conquista de Ciro: Em 539 a.C., o rei Ciro II, o Grande, conquistou a cidade. Segundo o historiador Heródoto (citado em análises bíblicas), os persas desviaram o fluxo do rio Eufrates para entrar na cidade por baixo dos muros enquanto os babilônios festejavam.

3 _ Belsazar e a "Escrita na Parede": O livro de Daniel narra que o último governante babilônico, Belsazar, foi morto na mesma noite em que uma mão misteriosa escreveu sua condenação na parede durante um banquete profano.

Simbolismo no Apocalipse

No Novo Testamento, a "Babilônia" deixa de ser apenas um império geográfico para se tornar um conceito espiritual. No livro de Apocalipse, ela é chamada de "Babilônia, a Grande", representando o sistema mundial corrupto e a religião falsa que persegue os fiéis até o fim dos tempos.




Transcrição
00:05No sul do Iraque, onde o Eufrates ainda corre em curvas lentas, como se não tivesse pressa,
00:13há um campo de tijolos.
00:15Apenas tijolos.
00:17Dezenas de milhares deles, espalhados pelo deserto como as palavras de uma frase que
00:23alguém apagou antes de terminar.
00:26Mas se você souber olhar para eles, esses tijolos contam a história da cidade mais
00:33famosa que o mundo antigo já conheceu.
00:37A cidade que aparece na Bíblia como símbolo de luxo e perdição.
00:42A cidade que os gregos descreveram como a maior maravilha que seus olhos tinham visto.
00:48A cidade que Heródoto visitou e disse, pasmo,
00:52É tão grande que aqueles que vivem no centro nunca souberam quando a periferia foi tomada.
01:01Essa cidade se chamava Babilônia.
01:04E ela não deveria ter caído.
01:10Como uma cidade que durou mais de dois mil anos, que sobreviveu a invasões, a fomes, a
01:17eclipses de poder, que havia sido destruída e reconstruída mais de uma vez, como essa
01:24cidade, em uma única noite de outubro do ano 539 a.C., simplesmente abriu suas portas?
01:33Não houve batalha, não houve cerco de meses, não houve sangue nos muros.
01:40Houve, isso sim, um banquete.
01:43E uma inscrição que apareceu numa parede, escrita por uma mão que ninguém viu.
01:49Esta é a história da Babilônia, da sua ascensão impossível, do seu apogeu deslumbrante e de
01:57um colapso que, até hoje, a humanidade ainda está tentando entender.
02:04Antes de ser a Babilônia que o mundo conheceu, ela era apenas mais uma cidade entre muitas
02:10na planície da Mesopotâmia.
02:13A palavra vem do grego, mesos, meio, potamos, rio, terra entre os rios, entre o tigre e o
02:23eufrates.
02:24Era um lugar estranho para uma civilização florescer.
02:28O solo não tinha pedras para construir, havia apenas argila.
02:33Não havia madeira abundante, não havia minerais.
02:36O que havia era lama, lama fértil, depositada pelos rios a cada cheia.
02:44E foi com essa lama, literalmente com ela, que a humanidade aprendeu a construir impérios.
02:51Os primeiros babilônios chegaram antes de dois mil antes de Cristo.
02:56Eram Amorreus, um povo seminômade que desceu das montanhas ocidentais e encontrou, nas margens
03:02do eufrates, algo que os outros nômades não tinham visto.
03:07Um lugar onde os rios obedeciam a canais.
03:10Onde o grão crescia sem precisar de chuva.
03:14Onde civilizações mais antigas, os sumérios, os acádios, já tinham deixado uma herança
03:21de escrita, de astronomia, de lei.
03:24Babilônia herdou tudo isso e fez mais.
03:30O primeiro rei que colocou Babilônia no mapa do mundo foi Amorabe.
03:36Não como exércitos apenas, com palavras.
03:39Em torno de 1754 a.C., Amorabe mandou gravar em uma estela de diorito negro, quase 2 metros
03:49de altura, 282 leis, 282 artigos sobre herança, sobre comércio, sobre crimes, sobre salários,
04:01sobre o que acontece quando um construtor ergue uma casa mal feita e ela desaba sobre o dono.
04:08Era a primeira tentativa que conhecemos de um Estado dizer, em voz alta, existem regras.
04:15E elas valem para todos.
04:17A estela ainda existe.
04:20Está em Paris, no Museu do Louvre.
04:22E nela, no topo, Amorabe recebe as leis das mãos do Deus Shamash.
04:28Como se a lei não fosse invenção humana.
04:31Como se ela tivesse sempre existido, esperando apenas alguém com coragem suficiente para escrever.
04:39Amorabe morreu.
04:41Seu império se fragmentou.
04:43Babilônia foi invadida pelos hititas, pelos cacitas, pelos assírios.
04:48Por mais de um milênio, ela sobreviveu como cidade sagrada, nunca esquecida, nunca completamente
04:56destruída, mas também nunca mais o que havia sido.
05:01Até que chegou Nabucodonosor.
05:04Imagine que você chega a Babilônia no ano 600 a.C.
05:08Você vem de longe, talvez do Egito, talvez da Grécia, talvez da Pérsia.
05:15Você atravessou desertos e rios.
05:18E então, no horizonte, você vê os muros.
05:22Heródoto os descreveu como tão largos que duas carruagens puxadas por quatro cavalos cada uma
05:29podiam passar lado a lado no topo, com espaço de sobra.
05:34A altura era de mais de 20 metros.
05:37O perímetro total da cidade era de 90 quilômetros.
05:41Era a maior cidade que o mundo antigo conhecia.
05:45E quem ergueu isso?
05:47Quem transformou Babilônia de cidade importante em maravilha do mundo foi Nabucodonosor II.
05:55Ele governou por 43 anos.
05:58E em cada um desses anos, construiu.
06:01O templo de Marduk, o deus supremo dos Babilônios, era visível a quilômetros de distância.
06:08O Etemenanque, a torre que o mito transformou em Babel, subia em degraus até os céus.
06:15Sete andares, 90 metros de altura.
06:18Mas nada, nada era mais espantoso do que os jardins.
06:24Os jardins suspensos da Babilônia.
06:27Uma das sete maravilhas do mundo antigo.
06:30Terraços sobre terraços, regados por um sistema de elevação de água tão sofisticado
06:36que os engenheiros ainda discutem como funcionava.
06:40Plantas do Mediterrâneo, do Líbano, da Pérsia,
06:44crescendo em pleno deserto, como uma miragem que não desaparecia.
06:49Diz a lenda, e as lendas de Babilônia são sempre maiores que a realidade,
06:54que Nabucodonosor os construiu para sua rainha, Amites.
06:58Ela vinha da média, das montanhas verdejantes, e sentia falta das colinas.
07:05Um rei construiu uma montanha dentro de uma cidade para que sua rainha não chorasse de saudade.
07:11Essa é a escala de Nabucodonosor.
07:14No ápice do seu reinado, Babilônia tinha mais de 250 mil habitantes.
07:20A porta de estar, coberta de azulejos azuis e ornada com dragões e touros dourados,
07:27era a entrada para um mundo que parecia ter sido feito para impressionar os deuses, não os humanos.
07:34E em 562 a.C., Nabucodonosor morreu.
07:40E com ele, algo que o mundo não saberia de imediato, começou a morrer também.
07:48Os impérios não costumam morrer por falta de inimigos externos.
07:53Costumam morrer por excesso de herdeiros.
07:56Em seis anos após a morte de Nabucodonosor, Babilônia teve quatro reis diferentes.
08:05Amel Marduk, filho de Nabucodonosor, assassinado pelo cunhado após dois anos.
08:12Nabucodonosor, o cunhado assassino, morreu em campanha militar.
08:18Labaxi Marduk, filho de Nabucodonosor, deposto após apenas nove meses, ainda adolescente.
08:27E então subiu ao trono um homem que não tinha nada de sangue real.
08:32Um homem que era sacerdote, ou talvez mercador, ou talvez general.
08:37As fontes não concordam.
08:39Um homem cujo nome a história registrou como Nabônido.
08:45E Nabônido foi o problema mais lento e mais letal que Babilônia já teve.
08:54Nabônido era fascinado por uma coisa estranha para um rei da Babilônia.
08:59O deus da lua.
09:01Sim.
09:02O deus lunar de Arã, cidade no norte.
09:06Não Marduk, o deus de Babilônia.
09:10O deus que legitimava todos os reis da cidade havia séculos.
09:15Os sacerdotes de Marduk ficaram furiosos.
09:19E quando os sacerdotes de Marduk ficavam furiosos, a cidade inteira sentia.
09:25Porque os sacerdotes não eram apenas religiosos.
09:29Eram economistas, magistrados, administradores dos celeiros, gestores dos canais de irrigação.
09:38Controlar Marduk era controlar Babilônia.
09:42Nabônido ofendeu esse poder.
09:44E então fez algo que nenhum rei havia feito antes.
09:49Foi embora.
09:51Por dez anos.
09:53Dez anos.
09:54O rei de Babilônia viveu em Tema.
09:57Uma cidade oásis no deserto da Arábia.
10:01O que exatamente ele fazia lá ainda é debatido pelos historiadores.
10:06Buscava rotas comerciais?
10:09Fugia de intrigas palacianas?
10:12Tinha alguma espécie de crise existencial?
10:16Não sabemos.
10:18Sabemos apenas o que aconteceu em sua ausência.
10:21O festival do ano novo de Babilônia, o Akito,
10:26exigia a presença física do rei para ser válido.
10:30Sem o rei, o festival não podia ser celebrado.
10:34E sem o Akito, o contrato sagrado entre Marduk e a cidade,
10:41a promessa de que o Deus continuaria a proteger Babilônia, ficava suspenso.
10:47Por dez anos, Babilônia celebrou seu festival mais sagrado sem nenhuma proteção divina.
10:55Por dez anos, os cidadãos, que eram profundamente religiosos,
11:01sentiram que viviam numa cidade abandonada pelos deuses.
11:06E no horizonte a leste, um novo poder crescia.
11:11Um rei cujo nome ainda não era familiar,
11:15mas que logo seria pronunciado em toda Babilônia como uma inevitabilidade.
11:21Ciro
11:26Ciro II da Pérsia havia feito algo que parecia impossível.
11:31Em menos de vinte anos, ele havia unificado as tribos persas,
11:37derrotado os medos, o grande poder do leste,
11:40conquistado Lídia no oeste,
11:43capturando seu fabulosamente rico rei, Creso.
11:47Cada reino que ele conquistou, ele conquistou de uma maneira incomum,
11:53não destruindo, mas incorporando.
11:58Não humilhando, mas respeitando os deuses locais,
12:03os costumes locais, as elites locais.
12:07Isso não era bondade, era estratégia.
12:11Ciro entendeu, antes de qualquer outro conquistador da Antiguidade,
12:17que um império é mais fácil de manter
12:19quando as pessoas conquistadas sentem que foram liberadas,
12:24não escravizadas.
12:26Em 540 a.C., Ciro virou seus exércitos para a Babilônia.
12:34E algo extraordinário aconteceu
12:36antes que um único soldado persa cruzasse a fronteira.
12:41Os sacerdotes de Marduk,
12:44os próprios sacerdotes da cidade,
12:46começaram a espalhar rumores de que Marduk havia abandonado Nabônido.
12:52Que o Deus havia escolhido outro.
12:56Que havia um reino leste,
12:58que respeitaria os templos,
13:01honraria os rituais,
13:03devolveria à Babilônia a sua glória.
13:06Os sacerdotes prepararam o terreno para a conquista persa
13:11muito antes dos exércitos chegarem.
13:15Ciro não ia invadir Babilônia.
13:18Ciro ia ser convidado.
13:23Antes de falar da queda,
13:25precisamos falar do banquete.
13:27O livro de Daniel,
13:29um dos textos mais dramáticos que sobreviveram da Antiguidade,
13:33descreve uma cena que aconteceu na noite em que Babilônia caiu.
13:38Belsazar, filho de Nabônido e regente da cidade,
13:42deu um banquete.
13:43Um grande banquete.
13:45Com mil convidados.
13:47E nessa festa,
13:49ele mandou trazer os cálices sagrados
13:51que Nabucodonosor havia tomado do templo de Salomão em Jerusalém.
13:55Os convidados beberam vinho nesses cálices.
13:59Cálices consagrados a um Deus.
14:02Usados para beber, rir,
14:05esquecer que lá fora o exército de Ciro
14:08já havia cruzado o Eufrates.
14:10E então, segundo Daniel,
14:13uma mão apareceu.
14:15Sem corpo.
14:16Apenas uma mão.
14:18E escreveu na parede,
14:20em letras de fogo,
14:23Mene,
14:23Mene,
14:25Tekel,
14:26Ufarsim.
14:27Contado,
14:29contado,
14:30pesado,
14:31dividido.
14:33Teu reino foi contado
14:35e chegou ao fim.
14:37Foste pesado na balança
14:38e te faltou o peso.
14:40Teu reino foi dividido
14:42e dado aos medos e persas.
14:44Os intérpretes da corte
14:47não sabiam o que significava.
14:50Daniel,
14:50o profeta hebreu,
14:52foi chamado.
14:53E ele disse a verdade
14:54que ninguém queria ouvir.
14:57Naquela mesma noite,
14:58Belsazar foi morto.
15:03A história que os textos militares contam
15:06é diferente da de Daniel.
15:08Mais prosaica.
15:10Mais engenhosa.
15:12Babilônia era,
15:13em teoria,
15:13impenetrável.
15:15Os muros que mencionamos antes
15:17não podiam ser escalados.
15:19Os portões eram de bronze reforçado.
15:23E o Eufrates corria através da cidade,
15:26dividindo-a em duas metades
15:28conectadas por uma ponte,
15:29mas também servindo de barreira adicional
15:32contra invasores.
15:34Ciro sabia disso.
15:35E não tentou escalar os muros.
15:38Ele fez algo que nenhum general
15:41havia tentado antes.
15:43Desviou o Eufrates.
15:45À montante da cidade,
15:47os engenheiros persas
15:48abriram canais laterais.
15:50Pouco a pouco,
15:52o nível do rio dentro de Babilônia
15:54foi baixando.
15:55Até que as comportas
15:57sobre os muros,
15:58aquelas que normalmente
15:59ficavam submersas
16:00e eram intransponíveis,
16:02ficaram expostas.
16:04E os soldados de Ciro
16:06simplesmente entraram.
16:08Pelo rio.
16:09Sem escalar.
16:10Sem sitiar.
16:12Sem lutar.
16:13Ao menos não de forma significativa.
16:16Os relatos dizem que a cidade
16:18estava tão grande,
16:20tão absurdamente extensa,
16:22que parte dos habitantes
16:24nem soube que havia sido conquistada.
16:26Enquanto o palácio caía,
16:28a cidade continuava.
16:32No ano seguinte à conquista,
16:35Ciro mandou produzir
16:36um pequeno objeto de argila.
16:38Um cilindro.
16:39Hoje chamado de Cilindro de Ciro.
16:42Nele, em cuneiforme,
16:45Ciro escreveu
16:46que Marduk havia escolhido ele,
16:49Ciro,
16:50para liderar Babilônia.
16:51Que Nabônido havia ofendido
16:54os deuses e o povo.
16:56Que ele, Ciro,
16:58havia chegado como libertador,
17:00não como conquistador.
17:01Que havia ordenado
17:03que os templos fossem respeitados.
17:05Que havia permitido
17:07que os povos deportados,
17:08incluindo os hebreus de Jerusalém,
17:11voltassem para suas terras.
17:13Alguns historiadores
17:15chamam o cilindro de Ciro
17:16de a primeira declaração
17:18de direitos humanos.
17:20É uma leitura generosa.
17:22Ele era, acima de tudo,
17:24propaganda de um conquistador inteligente.
17:27Mas propaganda ou não,
17:29funcionou.
17:30Babilônia não foi destruída.
17:33Não foi saqueada
17:34da forma que Nínive havia sido saqueada
17:36pelos próprios babilônios
17:38gerações antes.
17:39Ela simplesmente deixou
17:42de ser Babilônia
17:43e se tornou,
17:44discretamente,
17:46persa.
17:47E esse momento,
17:48esse instante
17:50em que o nome de uma cidade
17:51muda de dono
17:52sem que seus tijolos
17:54se moverem,
17:55é talvez o colapso
17:56mais silencioso
17:58de toda a história.
18:00O que se seguiu
18:02foi mais lento
18:03e, de certa forma,
18:05mais cruel
18:06do que uma destruição violenta.
18:08Sob os persas,
18:10Babilônia era ainda
18:12uma grande cidade.
18:14Ciro a respeitou.
18:16Seus filhos a respeitaram.
18:18Então,
18:19veio Alexandre.
18:21Alexandre o Grande
18:22entrou em Babilônia
18:23em 331 a.C.
18:27E algo estranho aconteceu.
18:29Ele se apaixonou pela cidade.
18:32Queria fazer dela
18:34a capital do seu império.
18:36Mandou restaurar
18:37o templo de Marduk,
18:39que havia desmoronado.
18:41Sonhou em reconstruir
18:42o Etemenanque.
18:44Mas Alexandre morreu
18:46em Babilônia,
18:47em 323 a.C.,
18:50aos 32 anos.
18:51E seus generais,
18:53os Diádocos,
18:55dividiram o império.
18:57O general Seleuco
18:58fundou uma nova capital,
19:00Seleucia,
19:01poucos quilômetros ao norte.
19:03E ali começou
19:05o verdadeiro esvaziamento.
19:07Não um exército
19:09que a destruiu,
19:10mas uma nova cidade
19:11que a esvaziou,
19:13lentamente,
19:14como se drena um lago
19:16abrindo um pequeno canal.
19:18Os habitantes foram.
19:19Os artesãos foram.
19:21Os sacerdotes foram.
19:23Os estudiosos foram.
19:25O último documento cuneiforme
19:28datado de Babilônia
19:30é do ano 75 d.C.
19:33Quando Roma já tinha
19:35gladiadores e o Coliseu,
19:37quando o Novo Testamento
19:38já havia sido escrito,
19:40quando o mundo havia mudado
19:42além do reconhecimento.
19:44Babilônia ainda tinha
19:46alguém que escrevia cuneiforme.
19:48E depois,
19:50silêncio.
19:52A areia foi chegando.
19:54Os tijolos foram desmoronando.
19:57A cidade que havia desafiado
19:59séculos
20:00desapareceu sob o deserto,
20:02não em um incêndio glorioso,
20:05mas numa longa expiração.
20:10Quando você lê a Bíblia
20:12e encontra a Torre de Babel,
20:14você está lendo Babilônia.
20:16Quando você usa o calendário
20:18e vê que a semana tem sete dias,
20:21esse número veio
20:22da Mesopotâmia Babilônica,
20:24da sua astronomia,
20:26dos seus sete planetas visíveis.
20:29Quando você olha para o Zodíaco,
20:31Ares,
20:32Touro,
20:33Gêmeos,
20:34foram os Babilônios
20:35que mapearam o céu
20:37com essa precisão
20:38e dividiram o círculo
20:39em 360 graus.
20:42Quando você lê
20:43qualquer código de leis,
20:45em qualquer país do mundo,
20:47a ideia de que a lei
20:48deve ser escrita e pública,
20:50não apenas oral e arbitrária,
20:53começou em Babilônia.
20:55E quando você ouve
20:56a palavra babilônico,
20:58usada para descrever
21:00algo grandioso,
21:01caótico,
21:03incompreensível,
21:04você está usando,
21:05sem saber,
21:07o elogio mais antigo
21:08que a humanidade
21:09já inventou
21:10para o impossível.
21:14Há algo perturbador
21:16na história de Babilônia.
21:17Ela não caiu
21:19por ser fraca.
21:20Ela caiu
21:21porque seus próprios líderes
21:23não souberam reconhecer
21:24o que tinham.
21:26Nabône do Fugil de Marduk,
21:28o único deus
21:29que poderia legitimá-lo,
21:31e correu para adorar outro.
21:34Belsazar dançou
21:35enquanto o exército
21:36se aproximava.
21:38Os sacerdotes
21:39abriram a porta
21:40para o conquistador
21:41porque preferiram
21:42um rei estrangeiro
21:43respeitoso
21:44a um rei nativo
21:46que os despreza.
21:48Babilônia
21:48não foi vencida
21:49por Ciro.
21:50Foi entregue
21:51por ela mesma.
21:52E isso,
21:54essa é a lição
21:55mais antiga
21:56e mais atual
21:57que qualquer documentário
21:59sobre colapso
22:00já vai encontrar.
22:01As civilizações
22:03raramente morrem
22:04de fora para dentro.
22:06Elas morrem
22:06quando seus próprios guardiões
22:08deixam de acreditar nelas.
22:12Em 1899,
22:14o arqueólogo alemão
22:15Robert Koldewai
22:17começou a escavar
22:18o sítio de Babilônia.
22:20Encontrou os tijolos
22:22marcados com o nome
22:23de Nabucodonosor.
22:25Inscrições
22:25que ele mandou gravar
22:27em cada tijolo
22:28da cidade.
22:28Como se ele soubesse
22:30que a cidade
22:30um dia seria pó
22:32e quisesse
22:33que cada elemento
22:34dela gritasse
22:35Eu estive aqui.
22:38Os tijolos
22:39ainda estão lá.
22:41Muitos no Museu
22:42do Oriente Próximo,
22:43em Berlim.
22:44Outros no Iraque,
22:46que passou séculos
22:47de guerra
22:48e instabilidade
22:49sobre essas ruínas.
22:50outros no Museu Britânico.
22:53Outros no Louvre.
22:56Babilônia
22:57está espalhada
22:58pelo mundo.
22:59Talvez seja
23:00essa a única forma
23:01que os impérios
23:02encontrem de sobreviver,
23:03deixando pedaços
23:05de si
23:05em todos os lugares
23:07que tentaram
23:08compreendê-los.
23:11No sul do Iraque,
23:13onde o Eufrates
23:14ainda corre
23:15em curvas lentas
23:16como se não
23:17tivesse pressa,
23:18a um campo
23:19de tijolos.
23:20Mas agora
23:21você sabe,
23:22esses tijolos
23:23não são ruínas.
23:25São cartas,
23:26escritas por um rei
23:28que imaginou
23:29que a cidade
23:29duraria para sempre.
23:31Endereçadas
23:32a quem viesse
23:33depois,
23:34a qualquer pessoa
23:35disposta
23:36a ajoelhar
23:37na areia
23:37do deserto iraquiano
23:38e ler
23:39o que está
23:40gravado neles.
23:43Nabucodonosor,
23:44rei da Babilônia,
23:46construiu isto.
23:47E o mundo
23:48ainda está
23:49tentando entender
23:50o que perdeu
23:51quando aquelas
23:52paredes
23:53caíram.
23:55perjadeira.
23:56Minhas
23:57Minhas
23:57Minhas
23:57Minhas
23:57Minhas
23:57Legenda por Sônia Ruberti
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