00:00Os grevistas da USP que invadiram a reitoria na última quinta-feira
00:03completaram as primeiras 24 horas acampados dentro do prédio.
00:07Desde quinta-feira eles tinham prometido para a gente uma nova mesa de negociação para essa semana.
00:12Eles não se comunicaram para a gente para cancelar, na verdade eles foram para a mídia
00:15para dizer que as negociações tinham sido encerradas.
00:18A gente descobriu através da mídia, através das redes sociais e não nenhum contato direto deles.
00:23E eles nos ignoraram em diversos momentos.
00:25E a gente tinha deixado claro que essa intransigência geraria ações mais radicalizadas.
00:32A ocupação ocorreu três dias depois que a universidade publicou uma nota
00:35dizendo que não tinha mais interesse em negociar com os manifestantes.
00:38O reitor da USP, Aloysio Segurado, já afirmou que não vai reabrir as negociações
00:42e sugeriu que a greve pode estar sendo movida por uma agenda política externa à universidade.
00:46A Folha foi à USP ouvir os grevistas, entender como está o clima no prédio ocupado
00:50e saber quais serão os próximos passos do movimento após a ocupação da reitoria.
00:53Como vocês lidam com as críticas de depredação do patrimônio público?
00:58Que não é uma depredação de patrimônio, porque na verdade isso só aconteceu
01:01porque as portas estavam fechadas para a gente.
01:03A porta está fechada, não quer abrir, então a gente arromba, entendeu?
01:07A questão é, precisava ser aberto.
01:09A gente foi pedindo no diálogo, no diálogo, no diálogo, não foram cedendo e no fim foi isso.
01:14E eu acho que assim, se eles não ligam para as pessoas que estão aqui,
01:18se eles não ligam para os estudantes que estão aqui, que são a alma da universidade,
01:21a gente vai atingir onde eles ligam, que é na propriedade material,
01:25que é só para isso que eles se importam.
01:26E mesmo depois dessa ação, eles não estão dialogando conosco.
01:30Vocês temem uma represália da polícia agora?
01:32Tememos, né?
01:34A polícia está aqui dentro, né?
01:35A gente está literalmente fazendo uma ocupação no cangote dos caras, assim.
01:40Então sim, a gente teme, mas a gente continua aqui, sabe?
01:43O que vocês estão fazendo aqui?
01:46A gente está contendo um ponto de acesso que a polícia pode usar para entrar e expulsar a gente daqui.
01:51É um trabalho de segurança para manter a ocupação fisicamente.
01:54O senhor vai mostrar para a gente como é que está funcionando a barricada aí de vocês?
01:59Vou fazer uma encenação aqui, galera.
02:01Se precisar, a gente vai fazer uma corrente, entrelaçar os braços.
02:06A gente sabe que a universidade usa de processo administrativo, inclusive.
02:12Não tem nenhuma garantia na universidade de que a gente não vai ser penalizado.
02:16Existem várias ameaças.
02:18Então, tanto por vias acadêmicas, a reitoria, a pró-reitoria de graduação,
02:23já estão algumas semanas, né?
02:25Com a nossa greve, ameaçando os estudantes de reprovação em massa, de falta.
02:30A gente tem organização aqui dentro da nossa ocupação,
02:32então a gente não tem nenhuma orientação de depredação, de vandalismo.
02:36A nossa orientação é de, inclusive, manter o espaço, manter o espaço seguro.
02:40Então, não é a nossa intenção, de maneira alguma, agir com violência.
02:43Nós estamos aqui para poder conversar com o reitor
02:45e esperamos que ele chegue aqui para poder conversar com a gente.
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