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  • há 11 horas
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EDIT6

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Esportes
Transcrição
00:00Cris é uma pessoa totalmente independente, eu sou uma pessoa que gosto de liderar, mas quando ele chegava, oi mãe,
00:07da corneveira era eu, aí eu dava nota, aí eu falei, um sete Lucas, ele, porra mãe, sete?
00:13Ele chegou onde a gente queria e eu falava pra ele, a gente só sai daqui do Flamengo com você
00:18profissional. Nossa, eu acompanhei muito o Vini, né, porque eles eram muito próximos, eu me lembro que eu cheguei a
00:26levar o Lucas numa festa lá na casa do Vini, o Vini era, tipo, o Vini é mais novo que
00:31o Lucas, né?
00:31Por trás de todo grande atleta existe alguém que abdicou dos próprios sonhos pra lutar pelo sonho do outro. Aqui
00:38no Brasil a gente chama esse alguém de mãe e é por isso que a gente trouxe um grande exemplo
00:42de mãe pra falar com a gente hoje, pra celebrar o Dia das Mães, pra gente conhecer um pouco dessa
00:48história excepcional, é a Cris, a mãe do Lucas Paquetá.
00:52Prazer, Cris, é muito bom estar com você aqui, é uma oportunidade de estar falando com a gente. A gente
00:57queria que você falasse, que começasse o nosso bate-papo sobre quando você foi mãe pela primeira vez, como é
01:02que você ficou, sua reação quando ficou sabendo que você é mãe?
01:05Então, boa tarde, é um prazer meu estar aqui com vocês. E eu fui mãe nova, né, muito cedo, eu
01:12tive o Matheus primeiro, não era uma coisa programada, mas nós decidimos que iríamos, né, criar o nosso filho, ter
01:20o meu filho.
01:21E foi maravilhoso. Sem experiência, eu e o Marcelo, a gente era muito jovem e assumimos a responsabilidade de criar
01:30o nosso filho, enfim.
01:32Ele foi a primeira pessoa que você contou quando você descobriu que estava grávida?
01:36Pro Marcelo? Não. Quando eu descobri que estava grávida, acho que a primeira pessoa que eu contei foi minha mãe.
01:41Eu falei, mãe, tô grávida. Ela, sério? Falei, sério, tô grávida, que que eu faço? Aí quando ele chegou do
01:46trabalho, eu falei, amor, tô grávida.
01:49Ah, sim, na lata.
01:50É, tô grávida, vou ter meu filho, enfim. E aí a gente, eu não casei com o Marcelo, né, a
01:58gente namorava já desde muito novinhos, a gente começou a namorar cedo.
02:03E assim que a gente descobre que eu tô grávida, a gente decide morar junto. E aí a gente tá
02:08até hoje.
02:10E antes de falar da Cris, mãe, eu queria que você contasse quem é a Cris, o que que ela
02:15ama fazer, qual que é a missão da vida dela, como você é em casa, como você é no trabalho.
02:21Cris é uma pessoa totalmente independente, determinada. Eu sou uma pessoa que gosto de liderar. Então eu fiz isso minha
02:31vida inteira com a minha família, né?
02:34Eles até brincam. E o Lucas chega até a comentar em algumas entrevistas que ele fala, ah, minha mãe é
02:38mais general.
02:39Mas não é isso, é porque eu realmente, eu tenho essa coisa de liderança, sabe? De fazer, de não deixar
02:47pra depois, fazer as coisas acontecerem.
02:50Então eu sou essa mulher, né, que tô sempre buscando acolher a minha família. E eu, quando eu falo família,
02:58eu não falo só de filhos não, tá?
02:59Eu falo da minha família, dos familiares. Eu já tenho essa tendência a fazer esse acolhimento.
03:05Você acha que a liderança é uma chama que isso tava em você desde sempre ou foi algo que você
03:10foi desenvolvendo ao longo da vida?
03:11Não, eu acho que tá em desde sempre. Claro que no decorrer dos anos isso foi se aflorando cada vez
03:18mais, né?
03:18Prova disso é que eu descobri que meu propósito era trazer essa consciência pra outros pais.
03:24Eu precisava, assim, putz, eu tenho um filho de sucesso. Dois. Aí eu tenho um que chegou no ápice do
03:30futebol.
03:31Por que não dividir com outros pais, com outros atletas, né, algumas importâncias, algumas coisas que eu posso falar e
03:39que pode ser mais assertivo na vida de cada um deles?
03:42É isso daí que me motiva e eu tenho certeza que eu vou conseguir fazer essa comunicação mais acertada pra
03:49que as pessoas possam, em casa, né, aplicar com os filhos.
03:53E os próprios atletas também possam refletir sobre as coisas que eu falo e evoluírem.
03:58E olhando lá pra trás, antes mesmo dos meninos nascerem, tem alguma coisa que, ou até da infância deles, paquetá,
04:04não sei,
04:04que você mais sente falta do dia a dia, de alguma coisa que te remete um pouco lá do passado?
04:09Que eu sinto falta hoje? É.
04:11Putz, cara, sinto. Eu sou aquela mãezona, sabe? Aquela coisa que sufoca.
04:17Eu vivo intensamente pros meus filhos, pros meus netos.
04:20E eu sinto muita falta dessa coisa que a gente tinha de estar em casa, de estar juntinho.
04:28E não é que a gente deixou, né, mas assim, o Lucas casou e o Matheus casou.
04:34Todos os dois têm famílias e isso acontece com menos frequência.
04:38E eu sinto isso até hoje.
04:39E na carreira de jogador, no caso dos dois, também tem a questão da distância, das viagens.
04:44E aí, queria saber se em algum momento passou pela sua cabeça, dos pais e dos meninos também,
04:51o medo desse mundo do futebol, de deixar o seu filho novo ainda viajar?
04:56Passou algo com o coração de mãe?
04:59Então, meus filhos, principalmente o Lucas, começou a viajar muito cedo.
05:04Então eu fui obrigada a conviver com isso muito cedo.
05:08Ele era 9'7 e jogava na categoria 9'5, depois de 9'6.
05:13E aí começou a viagem com os 9'6, né, com o pessoal da categoria mais cedo.
05:18Então eu fui obrigada a conviver com isso muito cedo, eu tive que aprender.
05:23Você lembra como foi o dia que ele te contou que ia ter que viajar a primeira vez, assim?
05:28Lembro. Se eu fechar os olhos aqui, consigo me lembrar.
05:31Sim, ele falou, mãe, eu vou viajar com 9'6.
05:34Falei, viajar pra onde?
05:35Já falou sim, já disse sim.
05:37Olha, eu fiz calado, eu vou viajar com 9'6.
05:40E aí eu falei, calma, Lucas, vamos falar então aqui, senta aqui.
05:42Aí eu fui explicar pra ele outras questões que eram importantes, que eu achava de valor,
05:46que ele soubesse, já que ele ia fazer viagem.
05:49Sem estar com os pais por perto, eu precisava orientá-lo de certa forma.
05:53E daí eu tive uma conversa também bem séria com ele.
05:55Ele falou, ó, você vai viajar, categoria mais velha, cuidado, tem toda uma situação
06:01que pode acontecer, expliquei o que podia acontecer, o que não podia acontecer.
06:05Enfim, eu sempre tive uma relação muito aberta com os meus filhos.
06:10Sempre também fui de impor as coisas, bem claro, sou bem transparente com eles,
06:15não tem mimimi entre eu e eles, eu procuro ser a mais transparente possível
06:19pra que eles entendam e absorvam o que é de verdade pra absorver.
06:24E aí, puxando mais um pouco pelo Lucas, que desde muito novo no Flamengo sempre foi tratado
06:28como uma grande promessa, chegou algum momento que você precisou puxar um pouco a corda
06:32até pra uma realidade ou não? Ele sempre, desde novo, já tinha...
06:36Essa corda eu puxava todos os dias.
06:37Era o natural do dia a dia.
06:38Não que fosse... que houvesse necessidade em relação ao atleta, não.
06:43É porque a gente sempre fez questões...
06:45Acabava um jogo, por exemplo, eu vou dar um exemplo aqui só pra você entender
06:48quando eu falo que ia puxar a rédea.
06:50Acabava um jogo, eu e meu marido, claro, a gente cochichava assim, ó,
06:54o Lucas acabou com o jogo.
06:55Caraca, o Lucas acabou com o jogo.
06:56Mas quando ele chegava, oi mãe, gostou da partida?
06:59Porque sempre a... como é que se fala, hein?
07:02Que a pessoa que corneta, corneveira era eu.
07:05E aí, mãe, gostou do jogo?
07:06Eu falei, gostei.
07:07Aí eu dava nota.
07:08Aí eu falei, um sete, Lucas.
07:10Ele, porra, mãe, sete?
07:11Eu falei, sete, Lucas?
07:12Falta muito pra dez ainda.
07:14Mas tá no caminho.
07:15Então eu sempre fui essa mãe de baixa bola.
07:19Nunca precisou.
07:20Ele nunca foi um cara que...
07:22Deslumbrado.
07:23Deslumbrado.
07:23Não, nunca.
07:24Mas eu sempre fiz questão de colocar ele assim, nunca exaltar 100%.
07:30Até porque a gente tava na trajetória.
07:31Pra exaltar, tem que estar aqui, né?
07:33E a gente ainda tava aqui.
07:35É muito legal ouvir você falar que, assim, ele procurava essa...
07:39Não aprovação, né?
07:40Mas que, assim, depois do jogo ele ia falar com você,
07:42queria saber sua opinião.
07:44É...
07:44Como, assim, nos momentos de assistir os jogos, os treinos,
07:48desde pequeno você percebia que ele era diferente,
07:51realmente, tipo, tinha um nível ali acima.
07:53Quando foi que deu esse estalo, assim, de caraca?
07:56Vai vingar.
07:57Então, desde pequeno, os dois sempre brincaram com bola.
08:00Na verdade, tudo começou quando um amigo do meu marido
08:03fala pra gente prestar atenção no futebol,
08:04que eles jogavam...
08:06Qual a diferença de idade entre eles?
08:07Dois anos e meio.
08:08Ah, é pequeno.
08:09Então, o Matheus era, tipo, o talento.
08:13O Matheus era o futebol já de arte, que todo mundo olhava e falava,
08:16esse molequinho vai dar bom, vai jogar bola.
08:19E o Lucas ainda era dois anos e pouco mais novo,
08:22mas tinha muita habilidade com a bola.
08:24E aí, rapidamente, quando o cara fala pra mim isso,
08:27como eu falo que eu presto atenção em tudo,
08:29que eu sou aquela mãe que vejo lá na frente...
08:32Ele ligou a lanterna.
08:33Ele não saiu daqui, né?
08:34Aí, um dia, eu vi no jornal,
08:35peneira no Ninho do Urubu.
08:36Falei, opa, cortei.
08:39Liguei pra Gávea, não me esqueço, liguei pra Gávea.
08:41Falei, ah, eu tenho dois filhos,
08:42queria levar eles pra fazer o teste.
08:44Peguei todas as informações.
08:46Aí, fui no meu sogro.
08:47Falei, sogro, tá tudo agendado.
08:49Agora, é só a gente levar eles lá pro teste.
08:51Se eles forem bons, eles vão começar.
08:52E eles, quando você falou que ia levar?
08:53Então, eu peguei os dois e falei,
08:54ó, semana que vem vai descer comigo com o seu avô,
08:57a gente vai lá no Ninho do Urubu,
08:58que vocês vão fazer o teste no Flamengo.
09:00Mãe, teste no Flamengo?
09:01Mas lá não é muito longe, não?
09:02O Lucas falou, não é muito longe, não?
09:03Falei, é longe, é, mas a gente vai se passar.
09:07Depois a gente se muda pra perto e vai dar tudo certo.
09:09E fomos, e aí os dois,
09:11o Matheus foi o primeiro aprovado no campo,
09:13o Lucas aprovou no salão.
09:16Daí a gente se dividia ali,
09:17eu e meu sogro, cada um pra um lado.
09:20Aí ficamos em Paquetá,
09:21que era bem dificultoso o trajeto, né?
09:24Porque a barca, antigamente,
09:25demorava quase duas horas pra chegar no Rio.
09:28E a gente não tinha uma situação financeira confortável, né?
09:31A gente ali sobrevivia.
09:33E aí era aquela luta.
09:34Saia de manhã, chegava em casa meia-noite com as crianças.
09:37Qual era a frequência do...
09:38Depois que eles foram aprovados,
09:39qual era a frequência dos treinos que tinham que ir até lá?
09:41É, porque no começo,
09:43era o Matheus treinava duas vezes na semana,
09:45Lucas uma.
09:46Depois aumentou três e dois,
09:48até que ficou todos os dias.
09:49Aí, quando ficou todos os dias,
09:50eu senti necessidade.
09:51Falei, sogro, agora eu vou mudar pro Rio.
09:54Vou lá pra perto.
09:55A gente foi pra Curicica, se eu não me lembro,
09:57se eu não me engano, de início.
09:58Vou lá pra perto pra poder ficar...
09:59Pra eu ficar mais próximo e também pra eu aliviar meu sogro, né?
10:02Porque meu sogro tinha deficiência na perna,
10:04tinha que carregar, levar, enfim.
10:06Era bem complicado.
10:08E a gente foi ajustando e os dois passaram.
10:12Depois o Lucas foi pro campo,
10:14aí o Matheus foi dispensado,
10:15e aí a nossa trajetória começa na luta.
10:17E me bateu uma curiosidade aqui.
10:19Você tinha medo de, tipo, lesão?
10:21Você ficava preocupado com esse tipo de coisa?
10:23De, assim, né?
10:24Ah, vai pro treino, vai voltar todo arrebentado,
10:27volta todo arranhado.
10:28Eu tinha medo quando ele chegava do treino,
10:30nas peladas,
10:31que ele queria jogar no arredor de casa.
10:33Isso é a fome na família?
10:35É, a gente tinha pra paquetar,
10:37tinha futebol dos amigos.
10:38Imagina, como é que você vai falar pra um adolescente
10:39que não pode jogar bola?
10:41Aí eu, Lucas, pelo amor de Deus,
10:42você não pode se machucar, Matheus,
10:43vocês não podem jogar.
10:45Mãe, dez minutinhos,
10:46eu falei, não pode.
10:47No normal, é não pode.
10:49Mas aí tinha as vezes que a gente negociava,
10:51não tinha jeito.
10:52Porque esses jogos uniformais,
10:54você não garante que as pessoas não estão tomando cuidado,
10:56que você sabe que vai estar tendo no treino.
10:58A lesão, ela pode acontecer em qualquer lugar.
11:01Mas a gente não pode facilitar, né?
11:03Então, assim, como mãe de atleta, era não.
11:06Mas tinha vezes que a gente negociava.
11:07Desde pequenas, essa preocupação, assim,
11:10de ir lá pelo corpo.
11:10Eu sempre exilei por tudo.
11:12Alimentação, sono,
11:14eu sempre era aquilo, gente.
11:15Eu fui meio a xerife.
11:17E, assim, com a alimentação,
11:18o horário de dormir,
11:19eles eram, assim, obedientes, tranquilos?
11:21Então, eu até falo isso nos meus vídeos,
11:24que é muito difícil da gente conseguir falar para o adolescente
11:30que sexta-feira ele não vai sair com os amigos
11:32para uma festinha porque sábado tem jogo.
11:34Isso é complicadíssimo.
11:36Então, o que eu pensei na minha cabeça?
11:38Eu falei, eu preciso criar uma estratégia
11:40para que eles não se sintam excluídos das coisas.
11:43Para que eles se sintam incluídos.
11:44O que eu fazia?
11:45Eu chamava todos os primos,
11:47fazia um churrasco em casa,
11:48videogame,
11:49e ali eu distraía eles.
11:50A gente ficava até tarde,
11:51meus irmãos, tios,
11:52a gente sempre foi uma família muito unida.
11:55A gente se divertia ali
11:56quando dava 10 horas.
11:57Eu falei, filho, amanhã tem jogo,
11:58agora você pode subir, tomar banho, vai dormir.
12:00Ele também era de boa.
12:02Graças a Deus, ele sabia onde ele queria chegar,
12:05ele subia, dormia.
12:06E, assim, por muito tempo.
12:08Você apertava o coração, às vezes, para ver isso?
12:10Ah, eu ficava, às vezes,
12:10não é fácil.
12:12Uma mãe, é muito difícil.
12:13Às vezes, a gente acaba,
12:15a gente age muito com o coração, né,
12:17por ser mãe.
12:18Mas é um erro grande.
12:20Porque quando a gente tem um objetivo na vida,
12:22a gente precisa agir com a razão.
12:24E aí, ficava lá,
12:26putz, meu filho vai ter que subir para dormir.
12:28Mas aquilo dali foi só no início,
12:30porque depois passou a fazer parte da nossa rotina.
12:33Era normal que a gente brincasse até uma hora
12:35e depois ele tinha que dormir.
12:36A casa toda se adaptou também a isso.
12:38Todo mundo.
12:38Essa rede de apoio que eu falo,
12:40que eu digo que é o pilar mais importante
12:42na vida de um atleta,
12:43é a família justamente pela rede de apoio que a gente tem.
12:46Quando a gente tem essa rede de apoio,
12:48as coisas começam a ficar mais fáceis.
12:50Sim.
12:51Sabe?
12:51É, você vê que o sacrifício não é só seu, né?
12:53Que as pessoas ao seu redor estão lutando também.
12:56Todo mundo.
12:57Todo mundo colaborou para que
12:59tudo desse certo.
13:01E a olhar para trás é o sentimento de que
13:03foi o caminho certo mesmo.
13:04Foi o caminho certo.
13:05E eu digo que,
13:06por isso que eu digo que
13:07é muito importante que os pais e os atletas
13:10comecem a ter uma mudança de mentalidade,
13:12que a gente estava falando antes.
13:14Justamente para eles poderem entender
13:16que ser atleta hoje,
13:18ser um jogador de futebol,
13:20não é só ser jogador de futebol.
13:21Você tem que ser um atleta,
13:22você tem que ser uma pessoa responsável,
13:23focada, resiliente.
13:24Você tem que ter clareza nos seus objetivos.
13:27E aí tudo foi.
13:28E sobre o Lucas e o Matheus,
13:30já que eles,
13:30a diferença é pouca de idade, né?
13:32Como é que você,
13:34desde tempos atrás,
13:35via a parceria entre eles?
13:36Porque era o mesmo sonho,
13:38sempre unidos.
13:39Como é que foi esse processo?
13:40É, esse processo entre os dois
13:42foi, para mim, tá?
13:43Administrar foi bem complicado.
13:46Imagina que eu tinha dois jogadores, né?
13:47Dois meninos que tinham o mesmo sonho,
13:49dois irmãos que se dão muito bem até hoje,
13:51são muito amigos.
13:53Mas foi duro para mim,
13:55porque os dois jogavam no Flamengo
13:56e quando o Matheus é dispensado,
13:58eu ali dei uma tutipiada.
14:01Eu senti muito.
14:02Porque, imagina,
14:03tu vê um filho teu saindo de dentro do nível,
14:05eu vou falar,
14:06mãe, foi dispensado.
14:06Eu falei, putz, como?
14:08E o Lucas chorando.
14:10Mãe, meu irmão foi dispensado.
14:11Eu, calma.
14:12E ali tu tem que pegar o ar e, né,
14:15tranquilizá-lo.
14:15Eu falei, ó, calma.
14:17Às vezes o caminho dos dois não é aqui,
14:19mas eu não vou desistir,
14:19eu estou contigo.
14:20A gente vai buscar outras oportunidades,
14:22teu sonho não acabou aqui.
14:24Então, mas foi difícil.
14:26Esse momento, para mim,
14:28foi bem difícil de ter ali esse desnível, né?
14:32Sim.
14:33E a carreira do jogador, no geral,
14:34ele tem problemas,
14:36tem momentos bons e ruins também.
14:38Como é que você faz quando é problema de lesão,
14:41ou que você vê seu filho chateado,
14:43mas você também sofre,
14:44mas, por outro lado,
14:45você é o principal apoio que ele tem.
14:47Como é que é fazer esse equilíbrio entre ter que manter a...
14:50Calma, vai dar tudo certo,
14:51mas você também está sofrendo por dentro, né?
14:53Porque a mãe, mais do que ninguém,
14:54ela quer ver o filho bem, né?
14:56Com certeza.
14:57Isso até hoje.
14:58Está para ele mesmo com quase 28,
15:00outro com 31,
15:01não mudou nada.
15:03A gente sente, né?
15:06A gente fica preocupado,
15:07porque a gente sabe que é um sonho, né?
15:09É a profissão,
15:10envolve muitas coisas,
15:12mas eu tento passar para ele sempre tranquilidade.
15:15A gente...
15:16É quando você conhece seu filho, né?
15:18Eu falo, Lucas,
15:19vou falar dele agora,
15:21porque ele está em...
15:23Ele está lesionado.
15:25É tratar, se recuperar,
15:27é colaborar para que essa recuperação
15:29aconteça o mais rápido possível.
15:30E tocar a vida.
15:32Eu sempre penso positivo
15:34e procuro passar para ele também tranquilidade.
15:36Sabe?
15:37Ô Cris, eu queria saber, assim,
15:39como você lida e qual a sua opinião, né?
15:41Já que você também trabalha
15:42com essa questão de gestão de carreira de atletas,
15:44qual a sua opinião sobre rede social, assim?
15:46Você tenta se blindar dos comentários
15:49e evitar ver muito?
15:50Ou você acha que tem que ver mesmo
15:53e tem que ter...
15:54Que pergunta boa!
15:55Tem que passar por cima.
15:57É, então,
15:58eu te falei lá fora,
15:59antes da gente entrar aqui, né?
16:00Eu te falei que eu não dou muita importância
16:02porque eu não domino isso.
16:03Mas é óbvio que eu,
16:05desde o momento que eu vou para a internet,
16:06não tem como, de vez em quando,
16:08você...
16:08Às vezes, um comentário está aberto ali.
16:11E, assim,
16:13antigamente, de verdade,
16:14antes de ir para a rede social,
16:16isso me incomodava.
16:19Me incomodava...
16:19não é que me desestabilizava,
16:22não é que me desestabilizava,
16:22mas me incomodava.
16:24Hoje,
16:25é porque eu sei muito quem eu sou,
16:27quem meus filhos são,
16:29quem o Lucas é
16:30e como ele chegou.
16:31Então, assim,
16:32qualquer comentário
16:33que não seja positivo...
16:35Não abala.
16:36Não,
16:37porque cada um entrega aquilo que tem.
16:39Eu tento entregar
16:39tudo de bom que eu construí.
16:41Agora,
16:41se a pessoa que vai comentar lá
16:42só tem aquilo para me entregar,
16:45o que eu posso fazer?
16:45Eu vou sofrer
16:46porque ele entrega a maldade.
16:48E você acha que ele também
16:49consegue lidar bem, assim,
16:51com o mundo social,
16:52com crítica,
16:53internet?
16:53Ele tem a cabeça muito forte.
16:55Ele tem a cabeça...
16:56Ele é muito bem
16:57mentalmente preparado.
16:59O Lucas é um ser humano incrível
17:02e ele...
17:03Eu não vejo problema nenhum,
17:04nem para ele,
17:05graças a Deus,
17:06nem para mim,
17:07com esses comentários.
17:09Eu ignoro e, tipo...
17:11A minha ideia ali
17:12é plantar amor, sabe?
17:14É dividir experiências,
17:16é agregar,
17:17é transformar potencial
17:19em resultado.
17:20E aquilo vai caber
17:21em algumas pessoas,
17:22em outras não.
17:23Não posso me importar
17:24com os outros.
17:26E, confesso que eu vou
17:28pedir um bastidor aqui
17:29para a gente.
17:30Nesse processo do Lucas
17:31de voltar para o Brasil,
17:33as negociações,
17:34falava-se muito
17:35que eu não estava tentando e tal.
17:36Como é que era
17:37a sua conversa com ele?
17:38Vai dar certo?
17:38Você vai voltar?
17:39Não vai voltar?
17:39Vai voltar para o seu país?
17:40Como é que foi essa relação
17:42de vocês nesse momento?
17:44Bem, a gente sempre...
17:45A gente se fala
17:46o tempo inteiro, né?
17:48E, quando ele me falou,
17:50que até então eu não,
17:51a gente estava...
17:52Existia outros clubes, né?
17:55Interessado.
17:56E aí, é o momento
17:57que ele me comunica.
17:58Fala, mãe,
17:58tomei uma decisão.
17:59E eu falo, qual?
18:01Ele falou,
18:01eu quero voltar para o Flamengo.
18:03Ah, falei, sério?
18:04Mas já?
18:05Né?
18:05Porque a gente tinha
18:06inúmeras oportunidades ainda.
18:08Na Europa, sim?
18:09Sim.
18:10E eu achava que era cedo.
18:12E aí, ele falou,
18:14eu quero,
18:14preciso voltar para casa.
18:16E daí, não precisa falar mais nada, né?
18:18Quando alguém tem o filho
18:18e falar para você
18:19que precisa voltar para casa,
18:20que quer voltar para casa,
18:22sendo flamenguista,
18:23que eu falo que ele não é,
18:23eu falo que ele é flamenguista
18:24vermelho, que não é roxo, né?
18:26E aí, eu apoio.
18:28O Flamengo é um grande clube.
18:30Foi aqui,
18:31a nossa história se construiu toda
18:32dentro do Flamengo, né?
18:34Principalmente a história dele,
18:35que ele entrou com oito anos de idade
18:37e aí voltar para casa,
18:40é, está feliz, entendeu?
18:42Então, para a gente foi maravilhoso.
18:44E aí, ainda tem de quebra ele
18:46aqui do nosso lado, né?
18:47Mais perto dos meus netos,
18:49mais perto de toda a família, enfim.
18:52Só traz mesmo felicidade para a gente.
18:54Você acha que a decisão
18:55de voltar para o Flamengo
18:56também visava a seleção brasileira,
18:58assim, que era um caminho...
18:59Porque o Flamengo agora
19:00tem uma fase que, assim,
19:01está recheado de cracks
19:02de todas as seleções, né?
19:03Quando for parar para a Copa agora,
19:05basicamente, não vai sobrar ninguém lá.
19:07E aí, você acha que o Flamengo
19:09também aproxima ele bastante
19:11da seleção?
19:12Acho.
19:13Eu acho até que aproxima,
19:15mas eu acho que foi muito
19:15mais vontade dele mesmo
19:17de querer voltar para casa,
19:18voltar para o Flamengo.
19:19Esse carinho também,
19:20a torcida abraçou muito,
19:21a gente acompanhou no aeroporto
19:24a chegada dele.
19:25E, normalmente, o jogador,
19:25quando ele chega no aeroporto,
19:27ele dá um tchauzinho e tal.
19:28Ele foi lá para o meio da torcida,
19:30botou camisa, botou...
19:31Acho que foi o que ele falou aí.
19:32Talvez o Flamengo não precisasse
19:33dele agora,
19:34mas ele estava precisando disso.
19:35Mas ele estava precisando disso.
19:37E aí, não tem como a gente
19:39não apoiar, né?
19:40A gente tem que apoiar
19:42a decisão.
19:43E foi maravilhoso
19:44ele estar aí brilhando.
19:46Cada vez mais
19:47alcançando o auge, né?
19:49E o calor brasileiro faz falta, né?
19:52O europeu é muito mais frio, assim...
19:55Claro que tem seus momentos também,
19:57mas acho que aquela chegada dele
19:59no aeroporto é muito simbólica, né?
20:01Tipo, antes mesmo de jogar,
20:03ele já estava, assim,
20:04nos braços de todo mundo,
20:06pelo que ele já tinha construído aqui antes, né?
20:08Você comentou aqui com a gente
20:09antes da entrevista
20:10que vai sempre para o Maracanã,
20:12está sempre presente,
20:13eu gosto de estar presente.
20:13Você lembra da primeira vez,
20:15do primeiro jogo dele
20:15que você estava no Maracanã?
20:18Ai...
20:19Com certeza eu estava.
20:20Com certeza.
20:22Mas...
20:23Mas digo da emoção
20:24que você sentiu
20:25naquele dia de ver...
20:26Não, foi maravilhoso.
20:27Mas acho que o jogo,
20:28o primeiro jogo dele
20:29no profissional,
20:29se eu não me engano,
20:30foi na portuguesa
20:32da ilha.
20:33Eu não tenho certeza, tá?
20:35E foi, tipo assim...
20:37Eu fiquei assim...
20:38Chegamos.
20:39Porque eu tinha o hábito
20:40de conversar com...
20:42O Lucas teve um problema, né?
20:43De retardo ósseo,
20:45de maturação.
20:46E aí o Flamengo,
20:47por várias vezes,
20:48teve questões,
20:49questões que a gente
20:50conversava internamente
20:52que poderia liberar ele ou não, né?
20:55E aí,
20:58no decorrer desse sofrimento,
21:00que para a gente
21:00era um sofrimento,
21:01quando você chega ali
21:02e vê o seu filho, né?
21:03Tipo, meu filho chegou
21:04onde a gente queria.
21:05E eu falava para ele,
21:06a gente só sai daqui
21:07do Flamengo
21:08com você profissional.
21:10Eu sempre falei isso,
21:11pelo incrível que pareça,
21:12desde que quando ele entrou,
21:13eu falo,
21:13só saio daqui do Flamengo.
21:15Eu me lembro que a dona Graça,
21:17ela era do Flamengo,
21:18e aí ela me chamou
21:19para uma conversa.
21:20Paquetá,
21:20fala com a sua mãe
21:20que eu quero falar com ela.
21:22E aí eu entro
21:23na sala dela e falo,
21:24oi, bom dia.
21:25Você mandou recado
21:26pelo Lucas
21:26para eu estar aqui.
21:27Ah, sim,
21:28Cris,
21:28a gente queria conversar
21:28com você,
21:29saber se está tudo bem
21:30na família.
21:30Eu falei,
21:31não,
21:31está tudo ótimo.
21:32Aí ela me diz uma coisa,
21:33se um dia o Paquetá
21:34fosse dispensado do Flamengo,
21:36vocês teriam uma segunda opção?
21:37Vocês teriam uma carta na manga?
21:40Ah, eu falei,
21:40não,
21:41não existe essa possibilidade.
21:42Ela,
21:42não,
21:42se houvesse,
21:43eu falei,
21:43mas não vai haver.
21:44Meu filho só vai sair daqui
21:45profissional do Flamengo.
21:47Ela,
21:47não,
21:48eu entendo,
21:48Cris,
21:49mas se um dia isso acontecer,
21:50eu falei,
21:50mas não vai acontecer.
21:51A mulher desistiu,
21:52falou,
21:52ah,
21:52tá bom,
21:52Cris,
21:53era só isso que eu queria saber,
21:54como é que estava,
21:55enfim,
21:55o plano B é o plano A.
21:57O plano B é o plano A.
21:59Então,
21:59assim,
21:59não tinha realmente,
22:00eu era,
22:01eu sou essa pessoa.
22:02Meu filho só sai daqui
22:03profissional do Flamengo
22:04e foi isso que aconteceu,
22:05meu filho só sai profissional do Flamengo.
22:06Ô, Cris,
22:06e quando começou a surgir
22:08esse paquetá que faz dancinha,
22:11que comemora o usado em campo,
22:13isso é uma questão para você?
22:14Assim,
22:14você falava,
22:15ah,
22:15não ouvir essa história de dancinha,
22:17não.
22:17É porque desde muito novo,
22:18ele e o Vini Júnior
22:19já tinham essa característica juntos,
22:22né?
22:22É verdade,
22:23isso.
22:23Ele,
22:23Vini,
22:24Viseu.
22:24Viseu também,
22:25assim,
22:26que nada,
22:26eu apoio total
22:27aquilo dali extravasa,
22:29alegria,
22:30mostra,
22:30né,
22:31o quanto ele está feliz em campo,
22:32é uma forma que ele tem de comemorar,
22:35é dançando,
22:36e eu sempre apoiei,
22:37que nada,
22:37eu danço mesmo.
22:38Pelo contrário,
22:39eu falo,
22:39ó,
22:39tem que ter gol,
22:40tem que ter dancinha.
22:41isso aí.
22:41E cria conexão também,
22:43né,
22:43que a gente vê que esse é um movimento
22:45criticado no caso do Vini,
22:46por exemplo,
22:47lá na Europa,
22:48né,
22:48e aí os brasileiros criam esse movimento
22:50de baila,
22:50Vini,
22:51é para bailar mesmo,
22:52e aí você foi junto,
22:54né,
22:54com esse movimento.
22:55E essa relação do,
22:55se for do Viseu também,
22:57mas o Paquetá e o Vini
22:58ficaram muito marcados
22:59pela união deles dois.
23:00E como mãe,
23:01como é que é você ver
23:01um amigo do seu filho também
23:03tendo muito sucesso?
23:04Acho que é
23:04o dobro de torcida.
23:06Nossa,
23:07eu acompanhei muito o Vini,
23:09né,
23:09porque eles eram
23:11muito,
23:11muito próximos.
23:12Eu me lembro que eu cheguei
23:14a levar o Lucas
23:14numa festa lá na casa do Vini,
23:16o Vini era,
23:17tipo,
23:18o Vini é mais novo
23:18que o Lucas,
23:19né,
23:20enfim,
23:20eles têm uma afinidade,
23:22eles são amigos
23:22de longa data.
23:24e pra mim,
23:25eu fico muito orgulhosa
23:27de saber que o Vini chegou
23:28onde ele chegou,
23:29a Fernanda,
23:30a mãe dele,
23:31enfim,
23:31eu tenho muita felicidade
23:33também vê-lo brilhando
23:35do jeito que ele tá brilhando.
23:37Pra gente,
23:38pra mim,
23:38então,
23:38que acompanhei um pouco,
23:40é grandioso isso.
23:42Eu fico muito feliz
23:43e gostaria que muitos outros
23:45brilhassem como eles brilharam.
23:47A gente falou um pouquinho
23:48ainda da torcida,
23:49né,
23:49pelos amigos,
23:50eu queria entrar agora
23:51na sua versão vó.
23:52Como é pra você?
23:53Tipo,
23:53falam que ser vó
23:55é ser mãe duas vezes,
23:57né?
23:57Como é pra você
23:58a relação com seus netos?
24:00É um pouco mais leve?
24:02Ou você tem,
24:03acha que tem também
24:04as mesmas preocupações
24:05que você tinha com os filhos?
24:06É,
24:07se deixar,
24:07sabe que eu vou querer
24:08ter as mesmas preocupações,
24:09né?
24:11Não,
24:11mas a minha relação
24:12com meus netos
24:13é maravilhoso.
24:14Tanto com o Bernardo,
24:15o Benício,
24:15o Felipe,
24:16eu usamos assim,
24:19incondicionalmente.
24:21O Felipe,
24:22que é o pequenininho do Lucas,
24:23tipo,
24:24eu chego,
24:24ele fala pra mim,
24:25vovó,
24:26vamos treinar a perna esquerda?
24:28Aí eu falo,
24:28agora,
24:29vambora,
24:29aí é papo de ficar uma hora
24:31chutando com a perna esquerda ali,
24:32que...
24:32Eles falam que querem
24:34ser jogador também?
24:35Ah,
24:35todos dois jogam bola,
24:36na verdade,
24:37todos três,
24:37né,
24:37porque eu ia falar
24:39do Bernardo depois.
24:40O Benício e o Felipe
24:41põe a bola constantemente,
24:4224 horas.
24:44O Felipe mais exigente,
24:48tipo,
24:48treina a minha perna esquerda.
24:50Pô,
24:50mas isso é muito legal.
24:51Quatro aninhos,
24:52vai ter cinco.
24:53Aí,
24:53aí fica,
24:54tipo,
24:54uma hora chutando,
24:56treinando,
24:56e lá de goleiro,
24:57agarrando,
24:58jogando a bola
24:59pra perna esquerda dele.
25:00O Benício também,
25:02e o Bernardo,
25:03que é o mais velho,
25:04que já apresenta,
25:05assim,
25:05características também,
25:06que vai jogar bola
25:07e eu tô prontinha
25:08pra conduzir.
25:10Pronto pra mais um.
25:11Coração de mãe,
25:12sempre cabe.
25:13Sempre cabe.
25:14E falando também
25:15um pouco mais
25:16sobre o seu trabalho,
25:17você,
25:18como a gente falou,
25:18ajuda outras mães de atletas,
25:20né?
25:21Quando que isso
25:22virou uma missão pra você
25:24quando você sentiu
25:25a necessidade de,
25:26já que eu tenho
25:26essa oportunidade
25:27de ver isso,
25:28também ser uma ferramenta
25:29de conscientização,
25:30de passar a sua experiência?
25:33É,
25:33na verdade,
25:34durante a minha trajetória,
25:36eu acho que a gente
25:37falou isso um pouco
25:38no Foi Aqui ao Arro,
25:39foi lá fora.
25:39Eu te falei que
25:41eu tive uma parceria
25:42muito cedo
25:43com o Eduardo Duran,
25:44né?
25:44O Eduardo como empresário,
25:46ele era o empresário
25:47do meu filho
25:48e eu era mãe,
25:49então a gente uniu ali,
25:51né?
25:51A parte técnica
25:52com a parte de mãe
25:54em casa,
25:54que é a gestão familiar.
25:56E foi de muito sucesso,
25:58de muito valor pra gente.
26:00Então,
26:01no decorrer,
26:02logo,
26:03logo no início
26:04eu já descubro ali
26:06uma vocação,
26:07putz,
26:07é isso que eu quero fazer,
26:08eu gosto de viver isso.
26:11Pra muitos pais
26:12e, sei lá,
26:14pra muita gente,
26:15acompanhar,
26:16ir aos jogos,
26:17é ruim.
26:19Pra mim,
26:20é satisfatório,
26:21é prazeroso
26:23vivenciar aquele momento
26:24junto com o meu filho.
26:26Logo em seguida,
26:26eu percebo que
26:27eu não posso fazer isso
26:28só pros meus filhos,
26:30que eu preciso alcançar
26:31milhões de pessoas,
26:32mas por conta,
26:34mais por conta
26:35de eu ter visto
26:36muitos meninos talentosos
26:37se perderem
26:38no meio do caminho.
26:39Esse foi o que mais
26:41me aguçou lá,
26:42falar,
26:43você pode fazer algo.
26:44Teve algum erro
26:45que você acha
26:46que você cometeu
26:47e que te marcou
26:48e que depois
26:48se recalculou a rota
26:49e entendeu
26:50que aquilo era um,
26:51que aquilo não era
26:52o caminho certo
26:53que você tinha que seguir?
26:53Sim,
26:54eu sempre falo
26:56que com certeza
26:57eu errei com o Mateus
26:58e os erros do Mateus
27:00me fez acertar com o Lucas.
27:03Teve várias situações
27:04em que com o Mateus
27:05eu agi mais como mãe,
27:07por isso que quando eu falo
27:07que a gente precisa
27:11deixar o coração de mãe
27:12e agir mais com a razão
27:14é muito importante,
27:15porque com o Mateus,
27:16como ele era o primeiro,
27:17ele entrou pro Flamengo
27:18primeiro no campo,
27:19então eu errei muito com ele.
27:21De repente,
27:22se não houvesse esses erros,
27:24hoje ele estaria
27:25no mesmo patamar
27:25que o irmão.
27:26Isso não aconteceu.
27:27Claro que
27:28não foi culpa
27:29só da minha gestão,
27:30foi culpa também
27:31do atleta,
27:32do Mateus,
27:33que fez escolhas erradas,
27:34por mais que eu direcione,
27:36ele tem a opinião dele
27:37e se ele não quiser seguir
27:38o que eu falo,
27:40com certeza,
27:41se a gente não tiver,
27:42a gente não caminhar junto,
27:44as coisas não acontecem.
27:45Então, assim,
27:46houve erros, sim,
27:47dele
27:47e houve também erros meus,
27:49mas que
27:50na gestão do Lucas
27:51eu já consigo aplicar
27:54correto.
27:54E aí a gente
27:55tem margem menor de erro.
27:57Sim.
27:57Então, acho que
27:58seu grande conselho, assim,
27:59foi tentar ser
28:00menos passional
28:01e assumir esse lado
28:03mais racional
28:04na hora de tomar
28:05as decisões por eles, né?
28:06Com certeza.
28:07Não tenho dúvidas.
28:08E você acompanhou
28:09na Inglaterra,
28:10na Itália,
28:11o Lucas jogando bola
28:12e eu queria fazer
28:13uma comparação
28:14ainda com o futebol
28:16de base, por exemplo.
28:16como é que você vê
28:17como as crianças
28:19são vistas pelos clubes
28:20hoje na formação de base
28:22e que você acha
28:23que seria fundamental
28:24para melhorar?
28:25Talvez,
28:25muitos falam que
28:26encaram apenas
28:27como peças,
28:28não humanizá-las.
28:30Como é que você vê
28:30essa situação?
28:31Não, mas hoje
28:32os clubes estão mais...
28:33Eu acho que estão
28:35trabalhando,
28:35tem uma metodologia
28:36diferente da minha época.
28:38Eu mesma tive,
28:39visitei o Flamengo
28:40esses dias
28:40e falei com o Leonan
28:43e ele estava me passando
28:45a forma com que hoje
28:46o clube trata
28:47a categoria de base.
28:49Eles estão dando
28:49um suporte absurdo
28:50que na minha época
28:51não tinha.
28:52Então, eu acho que
28:53a metodologia deles hoje
28:54com os atletas
28:56com a categoria de base
28:57evoluiu absurdamente.
28:59Não vejo...
29:00Existe muito mais
29:01essa preocupação
29:02com o lado emocional
29:03hoje em dia.
29:04Muito, muito.
29:06Eles têm todo um suporte
29:07hoje dentro do clube.
29:09Agora, claro,
29:10se você falar,
29:10Cris, dá um conselho
29:11do treinamento
29:12do seu filho.
29:14Busque inteligência emocional
29:15porque isso fortalece
29:16muito o atleta.
29:18Um atleta validado,
29:19fortalecido,
29:21ele é imparável.
29:23E quais são os mecanismos
29:24que você acha
29:25que a pessoa tem que usar
29:26para fortalecer
29:28esse lado mental?
29:30Ele tem que buscar...
29:31Você pode buscar mentoria,
29:33você pode buscar entendimento.
29:34Os pais precisam fazer isso,
29:36porque o atleta
29:37não vai buscar isso.
29:37Imagina que é uma criança,
29:38um adolescente,
29:39que ele está nem aí
29:41para o lado emocional dele.
29:42Ele quer brincar,
29:43curtir a vida
29:44e está tudo bem.
29:45Mas os pais
29:46que já têm
29:46um entendimento melhor,
29:48eles têm que buscar
29:48essa informação
29:51que eu estou dando.
29:51Eles têm que buscar
29:52descobrir o que pode levar
29:54a ele a performar melhor
29:56como gestor de carreira.
29:57E, de uma certa forma,
29:59qual o recado
30:00que você pode passar
30:00para esses pais
30:02bem direto,
30:03sobre talvez ficar mais atento,
30:05acompanhar mais perto
30:06as etapas das crianças
30:08nesse mundo do futebol?
30:11Isso é verdade
30:11o que você falou.
30:12Agora, qual o recado
30:13que eu vou dar?
30:14O recado é que os pais
30:16vivam intensamente,
30:17porque não adianta só
30:19o filho falar
30:20que tem um sonho.
30:22A gente, como pai,
30:23nesse momento,
30:23é preciso que a gente apoie,
30:25mas são 100%, entende?
30:27Eu preciso me doar
30:29para que ele entenda
30:30que eu estou ali servindo
30:31e que eu vou com ele
30:33não importa aonde,
30:34aonde ele quer chegar.
30:35Eles precisam ter
30:36essa segurança.
30:37E, quando eles sentem
30:39acolhidos, amados,
30:41e veem que você faz
30:42aquilo por prazer,
30:44as coisas fluem, gente,
30:45fluem, assim, absurdamente.
30:48É incrível como o que eu passo
30:50para o Lucas de Segurança
30:52passava na categoria de base
30:54para ele e para o Matheus
30:55e deixavam eles
30:56totalmente tranquilos
30:57em relação à escolha
30:59que eles estavam fazendo
31:00para a vida deles.
31:01Então, assim,
31:02se eu fosse falar para o pai
31:03é para ele poder ficar ali
31:05firme no objetivo com o filho.
31:07Conta para a gente só,
31:08atualmente, né,
31:09como é exatamente
31:10o seu trabalho,
31:11como é que você está
31:11seguindo a carreira
31:12nesse sentido.
31:14É, hoje eu trabalho
31:15na rede social,
31:16influenciando pais
31:17e atletas, né,
31:18a gerir a carreira
31:19dos filhos.
31:20Espero, realmente,
31:21que eu consiga trazer
31:22essa consciência,
31:23essa mudança de mentalidade
31:24que é o que mais me preocupa.
31:28Mas eu tenho outras pretensões, né,
31:32não pretendo ficar só em rios
31:33divulgando videozinhos.
31:37Eu, muito em breve,
31:37vou lançar meu PodCris.
31:39Que legal.
31:40O PodCris,
31:41ele vai receber atletas
31:43que também vão poder compartilhar
31:46e vão poder ser inspiração
31:47para outros atletas,
31:48para outras crianças,
31:50entende?
31:50Então, assim,
31:51eu quero a ideia
31:52que a gente cresça.
31:54Hoje eu presto mentoria
31:55individual e coletiva
31:57para pais e para atletas também, né?
32:00E é isso.
32:01Seu foco é um pouco mais nos pais?
32:03Pais e atletas.
32:05Tá.
32:05Eu tanto atendo pais
32:07como eu atendo atletas.
32:08E só de futebol?
32:10Não.
32:11De todos os esportes?
32:12Não, de todos os esportes.
32:13Muito legal.
32:14Muito legal, muito legal.
32:15A gente está chegando
32:16na reta final do nosso bate-papo.
32:17Eu queria saber de você
32:20o que você espera
32:21que os seus filhos
32:22levem da vida por você?
32:24O que eles podem aprender com você
32:27para dar para os filhos,
32:29para os netos,
32:29o que vem pela frente?
32:31Eu acho que eles já aprenderam.
32:32Eu não tenho dúvidas
32:33que eu acho que eles vão levar
32:35para a vida inteira
32:39a persistência e a resiliência
32:40que eu tive ao longo
32:41de toda a nossa jornada.
32:43É isso que eu quero
32:43que eles apliquem na vida deles, né?
32:45Que a gente precisa ser...
32:46Tudo que a gente faz na nossa vida,
32:47a gente precisa ter resiliência.
32:49A gente precisa ter foco.
32:51E é isso.
32:53Muito amor no coração,
32:54muita vontade de querer
32:56ajudar as pessoas, entendeu?
32:57Não pensar só na gente,
32:58pensar num todo como...
33:01com o coração.
33:02Enfim, é isso, gente.
33:02E para finalizar,
33:04eu queria que você olhasse
33:05para essa câmera que está na sua frente
33:06e mandasse um recado
33:08para o Lucas e para o Matheus
33:09para aproveitar o Dia das Mães.
33:11Matheus, Lucas...
33:12Provavelmente não vou estar
33:13com o Lucas no Dia das Mães,
33:14porque tem jogo,
33:15já vi lá na listinha.
33:17Mas eu amo vocês
33:18e eu estou aqui
33:20e vou estar para a vida inteira.
33:22Amo vocês.
33:24Cris, muito obrigada.
33:26Foi um prazer te receber
33:27e aprender com você também,
33:29ouvir suas opiniões.
33:31Você é sempre muito bem-vinda aqui.
33:33Foi maravilhoso te receber.
33:35O Lucas é um exemplo de atleta, né?
33:37E você agora também
33:39como um exemplo de gestora,
33:41ensinando muito para muita gente.
33:43A gente agradece.
33:44É, isso aí.
33:45Fernandinha dando show como sempre.
33:47Eu gostei das perguntas, tá?
33:48Gostei de verdade.
33:49Foram inteligentes.
33:50Muito, muito obrigado, Cris.
33:52e trouxe sucesso para vocês
33:53em todos os âmbitos, tá bom?
33:54Tá bom.
33:55Obrigada.
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