00:00Para repercutir essa tentativa da União Europeia de afastamento da China,
00:06nós convidamos Arthur Igreja, que é especialista em tecnologia e inovação.
00:11Ele afirma que esse pode ser o início de um movimento mais amplo,
00:16o que pode criar uma nova arquitetura tecnológica global.
00:22Então, vamos conferir a análise de Arthur Igreja.
00:26Bom, fundamentalmente o que nós estamos vendo aqui é mais um capítulo dessas tensões geopolíticas,
00:32a formação dos blocos, alianças, um mundo cada vez menos unido
00:38e a inevitável participação da tecnologia.
00:42E, é claro, vemos aqui também o protagonismo chinês,
00:45que caso não fosse isso, não estaríamos falando disso.
00:49Então, o que se prova é que a China, em muitos campos da tecnologia, está à frente.
00:54Já é o país dominante.
00:56E é por isso que outros países fazem uso da sua tecnologia,
01:00porque não tem autonomia para fazê-lo por conta.
01:04E um grande símbolo disso é, claro, a União Europeia.
01:06Do outro lado, nós temos que levar em conta que a União Europeia
01:09tem uma histórica preocupação com segurança, cibersegurança
01:12e, principalmente, o armazenamento, a gestão dos dados.
01:17Historicamente, a União Europeia é sempre o primeiro bloco
01:19a propor a discussão sobre esses temas
01:22e tentar preservar suas empresas e seus usuários.
01:26E aqui nós estamos falando de um tema ainda mais sensível,
01:29especialmente a infraestrutura.
01:31Então, em vários momentos, em vários conflitos recentes,
01:35o que nós vimos é que essa camada de cibersegurança é muito sensível.
01:40Tivemos, por exemplo, para quem não se recorda,
01:42nos Estados Unidos, usinas hidrelétricas que foram atacadas.
01:48Então, hoje nós temos essa camada,
01:50que mais do que drones, tanques e nisseis,
01:53a cibersegurança é um imperativo.
01:56E, por outro lado, nós temos esse multilateralismo,
01:59menos blocos, menos alianças.
02:01Ou seja, a União Europeia adotou tecnologia chinesa
02:04e agora, quando vai desmobilizar,
02:06pode ter um custo total até 2030
02:08que pode alcançar até a casa de 2,1 trilhões.
02:12As perguntas que ficam é qual tecnologia irá substituir isso?
02:17Se os países, especialmente a Alemanha,
02:20será que a Alemanha não vai ter nenhuma perda
02:22em termos de eficiência, produtividade e competitividade com isso?
02:26E, é claro, se isso pode se tornar uma tendência
02:29para outras partes do mundo,
02:31se isso pode ser o começo, na verdade,
02:33de um movimento mais amplo.
02:35Ou seja, resumo da história aqui,
02:36é a China liderando em vários campos a tecnologia,
02:39o mundo adotando e, a posteriori,
02:42nós começamos a ver esse tipo de conflito
02:45que, é claro, conta também com a influência.
02:47Esse tipo de coisa aconteceu, por exemplo, no Brasil,
02:50com a escolha da tecnologia usada
02:53para as antenas de 5G
02:55e hoje, basicamente, vivemos essa batalha
02:58entre Estados Unidos e China
03:00no campo da tecnologia, da influência
03:03e da geopolítica.
03:05Então, agora, precisamos acompanhar
03:07para ver quais serão os próximos passos
03:10dessa tomada de decisão
03:11que acontece na União Europeia.
03:15Está aí, Arthur Igreja,
03:17que é especialista em tecnologia e inovação.
03:20Nossa, muito obrigada pela participação
03:23aqui no Olhar Digital News
03:25e aguardo você numa próxima ocasião.
03:28Tchau.
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