00:00Essa mãe, Arthur, ela está transformando o luto em luta, mas se emocionou muito no momento em que falou sobre
00:11o filho de 3 anos.
00:12Ela disse que tem um filho de 3 anos de idade, está tendo que ser forte, mas que hoje mesmo
00:18o filhinho dela perguntou pela irmã de 3 meses de vida.
00:24O corpinho de Eloy saiu daqui do IML agora há pouco, uma imagem muito forte, a gente se sensibiliza muito
00:32quando vê um caixãozinho.
00:34Saiu nesse caixãozinho branco e foi levado para Jaboatão dos Guararapes.
00:39O que foi que aconteceu?
00:41Essa criança, esse bebê de apenas 3 meses, estava muito cansada, Arthur, sentindo muito cansaço.
00:49E aí, a mãe levou a bebê, a mãe que mora no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, levou
00:56a bebê para a policlínica, hospital e policlínica Jaboatão Prazeres,
01:01que fica no bairro de Cajueiro Seco, também em Jaboatão dos Guararapes.
01:07Quando chegou lá, o quadro de saúde da filha só foi piorando.
01:12A menina começou a ficar muito cansada e aí a mãe disse que um fisioterapeuta de lá, do Hospital e
01:20Policlínica Jaboatão Prazeres,
01:22defendeu a transferência da bebê dessa unidade de saúde para uma unidade de referência.
01:29Mas aí, uma médica, que ela não citou nomes, mas falou que uma médica disse que não, que a bebê
01:35precisava ficar lá.
01:36Então, o que aconteceu? Essa bebê foi levada na sexta-feira, passou sábado, domingo, e ainda no domingo, essa bebê
01:45precisou ser entubada,
01:47porque já estava muito grave o estado de saúde dela, o quadro de bronquiolite.
01:52E o que aconteceu? Um dia depois da bebê ser entubada, ela morreu.
01:58E aí, revoltada, essa mãe já procurou uma delegacia de polícia, já procurou a polícia para registrar o caso.
02:10A denúncia foi feita como omissão de socorro, negligência.
02:16Ela procurou a delegacia lá de Jaboatão de crimes praticados contra crianças e adolescentes.
02:25E sim, Arthur, a gente conversou com essa mãe, que estava forte, né?
02:30Se manteve forte, mas se emocionou na hora de falar do outro filho, de três anos de idade, que estava
02:38perguntando pela irmãzinha.
02:40Vamos acompanhar o que essa mãe falou para a gente? É Arlene o nome dela.
02:47A gente deu entrada e ela já estava com o quadro respiratório muito grave.
02:51Então, fizeram alguns medicamentos, internaram ela na sala amarela, né?
02:57E só continuaram medicamentos.
03:00Até o momento, ela não melhorou, também não piorou, se manteve estável.
03:05Mas no sábado, ela começou a ter uma piora.
03:07E eles só continuaram os medicamentos.
03:10E quando foi decorrendo, né, a noite, ela já não estava mais conseguindo respirar bem,
03:16já estava ficando muito sufocada.
03:18Então, eu recorri aos médicos e eles solicitaram um fisioterapeuta,
03:24mas não tinha nenhum fisioterapeuta de plantão para poder fazer uma aspiração nela.
03:28Então, foi aí que colocaram um catéter de oxigênio e se manteve nisso.
03:32Eu fiz uma avaliação médica pela manhã, a médica não me informou mais nada.
03:36Aí, chamaram o fisioterapeuta para fazer uma avaliação.
03:40O fisioterapeuta quis fazer a transferência dela de urgência,
03:43porque viu que o caso dela já estava muito grave.
03:45E nisso, eu fiquei informada que a médica e ele estavam em divergências.
03:51Ele queria e a médica não queria.
03:53Disse que o caso dela não era grave.
03:55Eu já vi o caso mais grave e ela não precisava de transferência.
03:58Eu queria entender o seguinte.
04:01Como foi que a sua filha foi até o hospital?
04:03Você fala o nome do hospital.
04:05Ela sentiu o quê?
04:06Ela estava com a respiração muito, entrando assim, um desconforto muito grande e respiratório.
04:12Aí, eu levei ela para o hospital de Prazeres, que é o Hospital Policlínica de Aboatão Prazeres.
04:17É um hospital público?
04:19Isso, um hospital público, né?
04:20Que tem a parte de emergência e tem a parte do consultório.
04:24E ela ficou internada?
04:26É, ficou.
04:27Assim, eu dei entrada, depois de horas de medicamentos para tentar melhorar ela, aí viu que foi necessário o internamento.
04:34Mas, assim, não é o internamento, de fato, porque lá não tinha leito e disseram que não ficam com crianças
04:41da idade dela.
04:42Então, me deixaram lá esperando, né, uma transferência.
04:46Disseram eles, mas, é...
04:50O quadro só piorava?
04:50É, o quadro só piorava e só o medicamento, fazendo alguns tratamentos, mas não foi o tratamento que ela necessitava.
04:58Como é que você sabe que alguém informou isso para você?
05:01Sim, eu tenho pessoas na minha família que são enfermeiras e leram o relatório todo dela,
05:06Viram o vídeo dela, quando eu levei ela, e falou que o caso dela já deveria ter sido transferido para
05:13um hospital especializado.
05:14E, talvez, até já tivesse sido entubada desde quando entrou.
05:19Aí, tinha uma pessoa que estava decidindo por transferir ela e outra não.
05:23Como foi esse impasse?
05:25É, foi o fisioterapeuta, né, que eu fiquei informada.
05:28E a médica que tinha avaliado ela pela manhã, que estava nessa divergência.
05:32Não queria transferir, porque viu que o caso dela já não era para ser tratada.
05:37Até porque ali não tem suporte, ali não tem suporte nem estrutura para uma emergência de criança, né.
05:43Então, ele queria transferir ela para algum lugar que desse o suporte e eu fui informada que a médica não
05:49queria.
05:49Então, estava essa divergência e nada de alguém pediu a transferência para a minha filha.
05:53E o que acontecia?
05:54E o estado foi só agravando.
05:56Quando chegou a noite, ela já estava em um estado crítico, que foi quando mudou o plantão.
06:01Então, vieram vários médicos e decidiram que iam entubar ela.
06:04Aí, aí que foi piorando mais ainda, causaram uma pneumonia, né, devido ao entubamento.
06:09Uma pneumonia não, uma pneumotórax nela.
06:13Aí, foi levada de urgência para...
06:16Teve muitas paradas cardíacas durante esse entubamento, durante o processo do HR,
06:22que a gente foi levado para o HR para fazer uma pequena cirurgia de emergência por conta da pneumotórax.
06:27E, quando a gente chegou lá, a gente não foi aceito para ficar na UTI.
06:31Fizeram uma pequena cirurgia, drenaram, mas daí disseram que já tinham feito o que poderiam fazer
06:36e mandaram a gente embora, voltar para aquele hospital.
06:39Mesmo sabendo que lá não tinha suporte para a minha filha e que lá ela iria morrer,
06:43disseram que não podia fazer nada, né, e mandaram de volta.
06:47E você acha que sua filha morreu devido ao quê?
06:51Eu acredito que houve uma negligência devido todo o procedimento, né, assim,
06:56que desde quando ela deu entrada, ela deveria ter tido um suporte, uma atenção maior
07:01pelo estado de gravidade que ela estava.
07:04Não apenas um quadro de bronquiolite normal que está no início.
07:08Você acha que se ela tivesse sido transferida de uma unidade de saúde para outra,
07:13e isso poderia ter, ela poderia ter evoluído, ela poderia ter melhorado?
07:19Eu acredito que sim, porque se ela tivesse sido transferida para uma unidade especializada,
07:24que tivesse suporte, tivesse atenção, médicos mais especializados, né,
07:29para aquela situação, tivesse todo um suporte e uma estrutura,
07:33ali eles teriam dado toda a atenção e o cuidado que ela merecia.
07:37Mesmo se ela tivesse agravado, ela teria o suporte, entendeu,
07:40para poder reverter a situação dela, porque lá não tem UTI,
07:44lá não tem estrutura nenhuma onde ela está.
07:47E o que é que você vai fazer? Quais as medidas que você vai adotar?
07:51Registrou o queixa na polícia?
07:53Sim, já fiz o BO e estou correndo atrás de uma justiça para ela, né,
07:57eu não quero nenhuma indenização financeira, porque o que eu quero é a justiça,
08:02eu quero a verdade, eu quero que o Ministério Público investigue o que houve de verdade com a minha filha,
08:07porque isso não é só com minha filha, a gente sabe que os casos daí de morte,
08:11os casos de pessoas esperando na fila, isso é um absurdo, né,
08:15a gente sabe que todo ano tem esse pico de bronquiolite, né,
08:20o governo sabe que todo ano existe essa doença, que tem esse agravamento nesse período e não faz nada, né,
08:26eu acho que deveriam se dar uma atenção para todas as mães, que ninguém quer perder um filho, né,
08:31então eles precisam investir em estrutura, e principalmente nesse período que sabe que tem isso,
08:37por que não abre hospitais de campanha, né, por que não fazem alguma medida,
08:41que sabe que vai precisar de leitos, que vai precisar de UTI, entendeu?
08:45Então o que eu quero é isso, o que eu quero é correr atrás para eu saber a verdade do
08:48que aconteceu com minha filha
08:50e que haja uma mudança, haja uma mudança, que a gente sabe que isso não é de agora não, isso,
08:55ó, é anos.
08:56E sua filha, era filha única, fica a dor da mãe que está aí na luta, né?
09:01É, não é filha única, eu tenho um filho de 3 anos, que hoje inclusive ele perguntou por ela,
09:06perguntou onde está minha irmãzinha, e eu tive, não contei, né, falei que ela está no céu, com Jesus,
09:13e assim, é difícil, porque eu tenho que ser forte, viver o meu luto e também tenho que ser forte
09:18para cuidar dele
09:19e lidar com a saudade dele e com ela.