00:00E em São Paulo, criminosos fizeram um arrastão no restaurante japonês.
00:03Aconteceu lá no Morumbi, Zona Sul.
00:05As imagens das câmeras de segurança flagram o momento em que os clientes são surpreendidos por três homens armados.
00:13Os funcionários do restaurante também foram abortados, foram coagidos, numa área perto da cozinha.
00:18Após anunciar o assalto, o grupo levou celulares, joias, pegaram até documentos das vítimas.
00:24Felizmente, ninguém ficou ferido.
00:26A Polícia Civil da Delegacia do Brooklyn tenta identificar os criminosos.
00:30Nas redes sociais, o restaurante Natori Sushi relatou que o bairro vem sofrendo uma onda de ataques e de roubos.
00:37Do outro lado, em contraste com esse caso que nós acompanhamos,
00:40a Secretaria de Segurança Pública divulgou que todas as modalidades de roubo em São Paulo caíram 24% em comparação
00:47com o ano passado.
00:48Foram mais de 26 mil ocorrências entre janeiro e fevereiro deste ano.
00:53Vamos aproveitar e já conversar também com os nossos comentaristas sobre esse lance da segurança pública.
00:57Porque, além dessas imagens desse assalto ali no Morumbi, houve também assalto em Moema.
01:02A gente viu aquele homem que tentou impedir o assalto a um casal e acabou tomando um tiro na cabeça.
01:07Há muitos relatos também dos furtos e roubos de celulares aqui na capital paulista.
01:13Por mais que a Secretaria de Segurança Pública divulgue esses dados, Fernando Capês,
01:17É bem parecido com aquela sensação que a gente vê quando há os dados econômicos divulgados pelo governo federal.
01:22Ah, os dados podem até indicar uma melhora.
01:26Porém, o que pesa é o que as pessoas sentem e vivem diariamente nas ruas.
01:31Exatamente.
01:32Tão importante quanto segurança é a sensação de segurança.
01:37O que nós estamos vendo, na verdade, é já uma sensação prolongada de insegurança.
01:44As pessoas têm medo de sair às ruas.
01:46Há bairros em que o roubo, roubo mesmo, não só furto, que é aquele assalto com violência.
01:51O roubo de residências está se tornando uma febre.
01:55Ali no Morumbi, muitos moradores reclamando.
01:59Pessoas estão ali alugando casas, deixando essas residências.
02:02Tem grupos de moradores que falam entre si, estão comunicando.
02:06A todo dia tem uma casa que é invadida.
02:08Você está andando na rua, motociclistas, que eu prefiro chamar de motoqueiros,
02:14eu diferencio eles dos motociclistas, assaltam, abordam pessoas na rua.
02:19Você está com um veículo que não é blindado, para uma moto do seu lado, você respira fundo.
02:24Então, a questão da segurança pública é algo que precisa ser encarado.
02:27O Estado de São Paulo está num esgotamento,
02:31porque os seus gastos com o pessoal estão atingindo o nível prudencial.
02:35O Estado de São Paulo não tem como gastar mais investimentos em segurança de pessoal,
02:40de contratação de servidores para a segurança pública.
02:44Nós temos aí 83 mil homens na Polícia Militar,
02:47só que além dos 83 mil homens, tem que pagar os pensionistas, tem que pagar os aposentados.
02:53O trabalho da polícia é dividido em turnos de trabalho.
02:56A Polícia Civil também está sem estrutura para fazer investigação das grandes quadrilhas.
03:02E é importante que se ataque a causa para se combater o efeito.
03:07Para você combater esses crimes, é preciso ir na raiz deles.
03:10Tem que investigar, tem que buscar quem são os receptadores,
03:14qual a origem dessas quadrilhas para você poder estancar.
03:17Não adianta combater somente o efeito.
03:20Então, é muito importante que a Secretaria da Segurança Pública
03:22apresente mais do que simplesmente estatísticas.
03:26Eu conheço o delegado Nico, Oswaldo Nico, é um excelente delegado de polícia,
03:30está fazendo um bom trabalho na Secretaria da Segurança.
03:32O delegado-geral também, Arthur de Jean.
03:35No entanto, é preciso encarar o problema como ele é.
03:38Estamos enfrentando já há muito tempo uma crise sem solução.
03:42Para você combater isso, você tem que investir em segurança e investigação.
03:47Ou seja, se você combater o receptador e combater a origem da quadrilha,
03:52você não precisa todo dia estar policiando para ver esse tipo de situação.
03:55Eu vou rapidamente descrever aqui a imagem que nós estamos exibindo,
03:58porque é muito chocante.
03:59Você que nos escuta no rádio, é um restaurante, portanto, japonês,
04:03que estava atendendo clientes normalmente durante a noite.
04:06Várias pessoas acomodadas ali no salão, nas mesas,
04:10naquele momento de refeição, quando os criminosos entram.
04:13E essa invasão lá fica nítida, porque todos os funcionários que estavam na cozinha
04:17são conduzidos até o salão principal.
04:20Os criminosos reúnem ali, os funcionários, os trabalhadores e os clientes
04:24no mesmo ambiente para manter um maior controle,
04:27as pessoas são obrigadas a ficarem de joelhos,
04:29até deitarem no chão com as mãos na cabeça,
04:32para ficarem completamente vulneráveis.
04:34E ali tiveram seus pertences de maior valor,
04:38levados por criminosos.
04:40Ambos armados e com capacete, né?
04:42Dificulta a identificação.
04:45Lucas Merreiro, a gente está falando de uma cena
04:47que amplia essa sensação de insegurança,
04:50porque não é o roubo, o assalto, o furto acontecendo na rua,
04:54do famoso criminoso oportunista,
04:57porque a pessoa vacilou em andar com o telefone
04:59ou com uma joia que chamasse a atenção.
05:02Estamos falando de pessoas que estavam precavidas,
05:04num ambiente fechado, privado,
05:07e que foram assaltadas em um momento de vulnerabilidade.
05:11Os números divulgados pelo governo
05:13não correspondem a essa realidade.
05:15Ao mesmo tempo que há poucos meses
05:18nós vimos a categoria da segurança pública
05:21praticamente se voltar contra o governo do Estado.
05:25Bia, eu até acredito que possa haver uma melhora aqui e ali,
05:29uma queda de roubos e de furtos e tal.
05:32Só que o problema da segurança pública,
05:35esse problema gravíssimo que o Brasil enfrenta
05:37há tantos e tantos anos,
05:39ele nunca vai ser resolvido
05:40se nós não passarmos pelo extermínio
05:43das organizações criminosas.
05:45Esses bandidos que estão aí nessas imagens revoltantes
05:49que estão aparecendo na tela aí da Jovem Pan,
05:52eles são pessoas que deliberam sobre a vida do cidadão,
05:58apontam uma arma,
05:59e a gente está vendo aí nas imagens,
06:00são mulheres, crianças, idosos, né?
06:02E chegam esses covardes,
06:04esses verdadeiros demônios,
06:06apontando uma arma na cabeça do cidadão de bem
06:08e deliberando sobre a vida deles.
06:10Se eles não tiverem o que eles querem,
06:12eles podem atirar.
06:13Aliás, muitas vezes a gente vê isso acontecer
06:15em São Paulo, no Rio, ao redor de todo o Brasil.
06:18Muitas vezes o assaltante rouba o celular da pessoa
06:21e mesmo assim atira a sangue frio.
06:24Lembrando, essas pessoas que eu estou descrevendo aqui
06:26não são meros assaltantes,
06:29não são meros ladrões de galinha, né?
06:30O assalto por si só já seria gravíssimo, evidentemente,
06:33mas são pessoas, na grande maioria dos casos,
06:36ligados a facções criminosas.
06:38Pessoas que têm ligação com o PCC,
06:41com o Comando Vermelho, com o TCP,
06:43todas essas organizações que a gente conhece,
06:45que têm proteção dessas organizações,
06:48têm advogados pagos por essas organizações,
06:51são pessoas que não encontram legitimidade
06:53no próprio Estado brasileiro.
06:54Eles só veem a legitimidade
06:56daquela organização criminosa
06:58da qual eles fazem parte.
06:59Organização essas que, inclusive,
07:02estabelecem domínios
07:04sobinarcos do território brasileiro.
07:05Vejam só que absurdo
07:06a situação em que nos encontramos.
07:08Portanto, eu concordo, sim,
07:10com o que o Capês falou aqui,
07:11que precisa de mais investigação,
07:13precisa de mais investimento,
07:15precisa de tudo isso.
07:15Eu concordo 100%.
07:16Mais equipamento para as polícias militares,
07:19maior contingente, melhoria de salários.
07:21Tudo isso é fundamental.
07:23Mas não é o suficiente.
07:24O que a gente precisa fazer aqui
07:26é imitar, ou melhor,
07:27se inspirar, né?
07:28Colocar na realidade brasileira
07:30o que foi aplicado em El Salvador.
07:32Lá em El Salvador,
07:33não foi simplesmente uma conversa
07:36com os criminosos ali
07:37que acabou com o problema
07:38da segurança pública.
07:39Não.
07:39Teve que prender
07:41e, eventualmente,
07:42matar muita gente
07:43que resistia à prisão.
07:44Teve que construir muito presídio,
07:47fazer aqueles presídios,
07:48aqueles secotes, né,
07:49que o Bukele chama,
07:50verdadeiros infernos na terra
07:52para que as pessoas tenham medo
07:53de ir para lá.
07:54É só isso que vai resolver
07:55o problema da segurança pública
07:56no Brasil.
07:57Mas o que a gente vê
07:58é uma oposição da direita
08:00que tem medo, muitas vezes,
08:01de levantar essas pautas
08:03e a esquerda
08:04que não tem medo nenhum
08:05em votar contra projetos
08:07que endureçam penas,
08:09contra projetos
08:09de novas construções
08:10de presídios,
08:11enfim,
08:11todas essas medidas
08:12que poderiam efetivamente
08:14ajudar na questão
08:15do crime organizado.
08:16Enquanto o Brasil
08:17não tiver a coragem
08:18e a boa índole, né,
08:20de estabelecer
08:21essas medidas duras,
08:23duríssimas,
08:24porém necessárias,
08:25o problema da segurança pública
08:26sempre vai ser
08:28uma questão
08:29para o brasileiro
08:30temer
08:31toda vez que ele sai
08:32na rua.
08:33Chega de crime,
08:35de assalto,
08:37de medo,
08:38de impunidade.
08:40Chega!
08:41Uma campanha
08:42da Jovem Pan
08:43contra o crime.
08:44A CIDADE NO BRASIL
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