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Radioactive Emergency [Full Movie] [High Quality]Full EP - Full
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00:00:28Transcribed by —
00:00:30Ah, tá bom, então, Carlinhos.
00:00:32Você vai fazer peneira no Atlético.
00:00:34Vamos pra você?
00:00:35Domingo que vem você não foi antes porque não tinha chuteira.
00:00:37Ah, agora você tem.
00:00:38Não, né? Mas se esse troço estiver lá, eu compro um.
00:00:41Quer dizer que esse trem que ainda tá indo catar, vale alguma coisa mesmo, né?
00:00:44Falando, coisa boa.
00:00:46Ó só, moço, mas quem joga mesmo futebol, descalço ou de chuteira, joga a bota.
00:00:51Ah, não é assim, não.
00:00:52Não, entendi.
00:00:53Por lá em campo, ele joga chuteira, né?
00:00:55Ah, você tá falando, por lá, descalço.
00:00:57É isso, eu jogava.
00:01:00Babonha, babonha, babonha!
00:01:02Temos curado.
00:01:26Ô, Lúcio, larga isso aÃ.
00:01:28Por que você não vale nada, não?
00:01:30Não vale nada.
00:01:31Ó o tamanho disso daqui, Carlinhos.
00:01:33Larga isso aÃ.
00:01:35É de presepada comigo, rapaz.
00:01:37Nada.
00:01:39Porque dentro tem dinheiro.
00:01:41Falei.
00:01:50Ô, Carlinhos.
00:01:52Esse trem aqui tudo era um hospital antes, é?
00:01:55Deve tá cheio de uma penada aqui, hein?
00:01:57Peixe de bobagem.
00:01:59Vem, vem.
00:02:05Ó o troço aqui, ó.
00:02:14É isso aÃ, ó.
00:02:16É esse trem, a�
00:02:24Ó.
00:02:26Eu te falei?
00:02:28Isso aqui é chuva, isso aqui valeu uma grana, Lúcio.
00:02:30Ah, tem base um trem desse não, Carlinhos.
00:02:33Quem é deixar um troço desse, de valor, aqui nesse lugar aqui, tudo abandonado, do
00:02:36jeito que tá aqui, ó?
00:02:38E o que que é chumbo pra quem tem ouro?
00:02:40Hein?
00:02:41Vai, deixa de conversa aÃ, pega as ferramentas aÃ, bora trabalhar.
00:02:44Só você mesmo, hein?
00:02:45Bora.
00:02:46Ó, quando é fé, nós desmontamos isso aà tudinho, não deu em nada.
00:02:50Não deu em nada.
00:02:52Vai, vou pegar isso aqui.
00:02:54Vai, pega aqui, ó.
00:02:55Isso aqui é bom.
00:02:55Isso aqui desmonta rapidinho.
00:02:57Mas vamos ver.
00:03:00Tu sapas isso aÃ, né?
00:03:02Carlinhos, eu sei trabalhar, rapaz.
00:03:04Por isso que eu tô falando, que eu sei que você sabe trabalhar.
00:03:06Trabalha mal, aÃ, ó.
00:03:09Ó, rapaz.
00:03:46Tem alumÃnio aà misturado, né?
00:03:48Mais barato que chumbo.
00:03:49Mil e trezentos barulhos.
00:03:51Esse troço foi pesado.
00:03:53Dois mil, vai.
00:03:53Não, não.
00:03:54Tem isso, vai me quebrar.
00:03:55Tem que pagar a frota de salário aÃ, desunindo.
00:03:57Mil e quinhentos.
00:04:00Pai, venido.
00:04:01Tem chumbo aÃ.
00:04:02E eu preciso comprar uma chuteira, vai.
00:04:09Isso é um dia de sorte.
00:04:10Mil e setecentos e cinquenta, não se fala mais nisso.
00:04:13Ainda vou melhorar.
00:04:14Dou aà uma gradinha de cinquenta.
00:04:17Pra você comprar um negócio pra sua mãe.
00:04:20Hã?
00:04:21Dinheiro.
00:04:22Mil e setecentos e cinquenta.
00:04:24Isso.
00:04:25Isso aqui é pra sua mãe, tá?
00:04:27E você, ô, Lúcio?
00:04:30AÃ, você é venido.
00:04:32É?
00:04:32Cadê o sorrisão, rapaz?
00:04:33Ganhou dinheiro.
00:04:35Obrigado.
00:04:36Ó, mano, volta aqui pegar essas carriolas.
00:04:37Você acha que eu ia levar pra você?
00:04:39Até isso.
00:04:40Até já.
00:04:41Até já.
00:04:41Ó, compra o chapéu novo, viu?
00:04:43Tô dando a olhinha para o chapéu.
00:04:45Bora, vamos.
00:04:59Vira um pouquinho aÃ.
00:05:00Vai.
00:05:03Levanta aà pra mim.
00:05:04Vai.
00:05:06Vem.
00:05:38Não, amor.
00:05:39É que eu já acabei, tá bom?
00:05:40Tô fechando.
00:05:42Beijo.
00:05:44Tchau.
00:05:46Tchau.
00:05:57Tchau.
00:06:02Tchau.
00:06:04Tchau.
00:06:06Tchau.
00:06:24Let's go.
00:06:55Oh, my God.
00:07:10Tinha, o que foi?
00:07:14Tá tudo bem a�
00:07:17Abre aqui.
00:07:20Acho que me jota demais, velho.
00:07:22Eita.
00:07:24É preciso daquele pastel de camarão que falei.
00:07:27Tava ruim antes disso, já.
00:07:28É?
00:07:29Só um chá de bolo.
00:07:31Vou fazer.
00:07:32A mulher vem cá, você viu a minha marmita?
00:07:34Marmita?
00:07:35Marmita, aquele crevilhoso.
00:07:36Você não viu, não?
00:07:37Eu deixei na sala, tava na sala.
00:07:39Ah, bem, então, não vi nada, não.
00:07:40Como não viu?
00:07:42Tá mexendo nas minhas coisas agora?
00:07:43Ah, pronto.
00:07:48Ó aÃ, não tá aqui.
00:07:50Vem cá.
00:07:52Mulher, você não jogou fora, não, né?
00:07:54Pelo amor de Deus.
00:07:55Você fica arrastando esse trem pra cima e pra baixo, Venildo.
00:07:59Deve ter deixado no ferro velho.
00:08:00Não era nem de ser te tirado esse demônio de lá e trazendo pra dentro de casa, viu?
00:08:03Demônio?
00:08:04É, demônio.
00:08:05Que eu tô te falando.
00:08:06Esse trem tá deixando todo mundo doente, Venildo.
00:08:08Você não acredita em mim?
00:08:10E fica rindo ainda.
00:08:11Não.
00:08:12É que você fica tão bonita, brava.
00:08:14Não.
00:08:15Mas olha, esse negócio vai embora de casa hoje mesmo.
00:08:17Que eu já encontrei um comprador interessado, viu?
00:08:20É, seu marido é danado.
00:08:22Vou tirar uma nota.
00:08:24Tá bom.
00:08:24Sabe o que eu vou fazer com isso?
00:08:25Sei de nada, não, Venildo.
00:08:26Sabe não, criatura?
00:08:27Ah, vou montar o cantinho da tininha, comida caseira.
00:08:32Vai ficar famosa.
00:08:33Com essa tua mamboa aÃ, a gente vai ficar tão rico.
00:08:36Que eu vou largar o ferro velho e virar dinheiro do teu restaurante.
00:08:40Tá bom, Venildo.
00:08:41Hum, tá cheirosa.
00:08:42Não vem com graça, não.
00:08:43Fala muito boa, Venildo.
00:08:44Vai lá procurar.
00:08:44Vamos lá procurar?
00:08:45Não, vou colocar nenhum, não.
00:08:46Vai procurar, vou lá pra minha louça.
00:08:47Tá bom.
00:08:48Tem a certeza que não vi uma marmita?
00:08:49Não vi nada, Venildo.
00:08:51Hã?
00:08:52Ô, Raimundo.
00:08:53Você viu minha marmita?
00:08:55Não vi não, Venildo.
00:08:56Não?
00:08:56Não vi.
00:08:57Desgraça.
00:08:59Sabia onde você pôs.
00:09:00Ah, deve estar no carro velho.
00:09:03AÃ, ó.
00:09:18Raimundo.
00:09:20Oi, Dona.
00:09:22Vem aqui, me ajuda aqui, meu filho.
00:09:23Faz favor.
00:09:25Pega essa tal de marmita aÃ.
00:09:27Dona Antônia.
00:09:33Pesado.
00:09:34Você vai sair por aqui mesmo?
00:09:35Vai.
00:09:40Pesado isso aqui.
00:09:52Pesado.
00:09:54Vem lá, Antônio.
00:09:57Pesado.
00:10:00Pesado.
00:11:01Ah, tá fechando. Mas não fechou, moço. E eu tenho o direito de falar, né?
00:11:05Claro. É, desculpa. É dona...
00:11:07É a Antônia.
00:11:08Antônia. Como é que eu posso ajudá-la, dona Antônia? Eu sou o Jânio.
00:11:12Ó, moço, esse trem aqui tá envenenando as pessoas.
00:11:14Os meninos que trabalham pro meu marido já foram tudo parar no hospital.
00:11:17Caros mais lústicos também. Agora eu tô doente, meu marido.
00:11:20É tontura, é enjoo.
00:11:22Eu entendi, dona Antônia, mas o que que é isso?
00:11:24Isso aà é uma peça que meu marido comprou lá no Ferro Velho.
00:11:26Uma peça de ferro? É.
00:11:30Deve ser, então, a fossa da casa da senhora.
00:11:33Tem como ser, não.
00:11:33Tá com algum problema? Não tem como.
00:11:34Então, talvez uma intoxicação alimentar, alguma coisa estragada.
00:11:36Moço, não faz sentido isso daÃ, não.
00:11:38É casa diferente, comida diferente. Vai tá tudo estragado?
00:11:41Eles não ouvem nós, não, dona Antônia.
00:11:42Calma, rapaz, eu só tô tentando entender também.
00:11:44Tá aparecendo o que tá tentando entender.
00:11:46Raimundo, desde que essa desgraça chegou no Ferro Velho,
00:11:49que tá todo mundo internado no hospital.
00:11:50Tem que ser isso aqui, pelo amor de Deus.
00:11:52Vamos embora, dona Antônia.
00:11:53Calma, tá me dando tontura, Raimundo.
00:11:55Você espera um pouquinho, meu Deus.
00:11:56Calma, calma, senta aqui, dona Antônia.
00:11:57Cristina, pega um pouquinho d'água aqui pra dona Antônia.
00:12:00Aqui, ó.
00:12:00Isso, bebe um pouco d'água.
00:12:01Bebe água aÃ, dona Antônia.
00:12:03Isso, respira.
00:12:03Tá melhor?
00:12:04Calma.
00:12:05Você leva lá pra fora.
00:12:06Vem com mau ar.
00:12:07Calma, dona Antônia.
00:12:08Respira um pouco.
00:12:09Cris, coloca a cadeira ali pra ela.
00:12:11Isso, calma.
00:12:12Senta aqui.
00:12:13Respira, senta aqui.
00:12:14Ei, calma.
00:12:16Meu Deus do céu.
00:12:17Dona Antônia, senta aqui um pouco.
00:12:19Não quero sentar aqui, dona Antônia.
00:12:20Pega mais um pouco d'água pra ela.
00:12:22Não quero água, moça, pelo amor de Deus.
00:12:23Eu vim aqui pra resolver esse negócio.
00:12:25Tudo bem, eu resolvo pra senhora, mas senta um pouquinho, respira.
00:12:28Eu não vou sentar.
00:12:29Tá bom, então faz o seguinte, dona Antônia.
00:12:30Tem um postinho de saúde aqui em cima.
00:12:32Leva ela lá.
00:12:33Tá, deixa essa sacola aÃ.
00:12:34Moça, pelo amor de Deus, eu só vou sair daqui.
00:12:36Se eu só me prometer que vai ver esse negócio.
00:12:38Dona Antônia, eu prometo pra senhora que eu vou resolver isso.
00:12:40Mas só se a senhora me prometer que vai agora mesmo no postinho de saúde ver esse mal-estar.
00:12:45Eu acreditei na senhora e eu prometo que eu vou resolver isso, tá?
00:12:47Deixa aÃ, meu filho.
00:12:48Pode deixar.
00:12:49O senhor vai mandar olhar isso daÃ.
00:12:50Prometo pra senhora.
00:12:51Tá? É só subir à rua, tá?
00:13:22Sol do Cerrado FM.
00:13:23Bom dia, Goiânia.
00:13:24Estamos de volta aqui na nossa entrevista exclusiva com o governador Roberto Correia.
00:13:29Doutor, com a grave crise econômica que estamos vivendo, o que a gente pode esperar para o futuro de Goiânia?
00:13:36Sim, inflação há no paÃs todo.
00:13:39Há greve no hospital geral.
00:13:40Porém, há notÃcias boas também.
00:13:43Com o esforço dos agroempresários...
00:13:45...e o investimento do governo...
00:13:47...e o próximo ano, teremos uma safra recorde.
00:13:51...e o povo doércio.
00:13:53Ninguém acredita em nós.
00:13:55...e o que eu acreditei.
00:13:56...e o pai se empacar na lama...
00:13:58...não do seu caro fã...
00:14:00...e o seu valor de goiânia...
00:14:01...e o seu valor de goiânia...
00:14:04...e o seu valor de goiânia...
00:14:05...e o seu valor de goiânia...
00:14:10...aÃ, gente do céu...
00:14:15...como ele é dramático...
00:14:18...igualzinho...
00:14:19...o pai...
00:14:21...como é que pode?
00:14:23Ah, esse que pode estar quanto?
00:14:25Que ele vai reclamar que a gente não ganha muito tempo...
00:14:28...que ele vai reclamar que a gente não trouxe presente...
00:14:31...é, conheço.
00:14:35Então...
00:14:36...na verdade...
00:14:38...você...
00:14:39...trouxe um presente.
00:14:42Que presente?
00:14:45Que presente?
00:14:47Você não faz ideia?
00:14:49Não.
00:14:50Nenhum.
00:14:53Tchan, tchan, tchan, tchan...
00:15:09Como é que isso aconteceu, Bianca?
00:15:12Você não sabe como é que se engravida.
00:15:19Você tá feliz?
00:15:26Eu acho que...
00:15:28...eu acho que eu tô.
00:15:39Luana.
00:15:42Você vai ser mãe.
00:15:45Você vai ser pai.
00:15:53Tchan, tchan, tchan, tchan, tchan, tchan.
00:16:00Vamos lá?
00:16:01Conta pro seu pai.
00:16:03Hum, vamos...
00:16:04...vamos esperar um pouquinho.
00:16:06Quem sabe chegar no Rio de Janeiro...
00:16:08...a gente conta pra ele.
00:16:10De jeito nenhum.
00:16:25Não.
00:16:25Bom dia, Cris.
00:16:26Bom dia.
00:16:27Vem cá.
00:16:28Aquela senhora que tava aqui ontem.
00:16:30Dona Antônia.
00:16:30Lembra?
00:16:31Não deu notÃcia, não, né?
00:16:32Graças a Deus, não.
00:16:35Ninguém mexeu naquela coisa lá fora, não, né?
00:16:37Não.
00:16:39Dona Antônia Quadrado.
00:16:40Sim.
00:16:42Então a senhora também tá com vômito?
00:16:44Uhum.
00:16:45Tontura?
00:16:46Também.
00:16:48Queda de cabelo?
00:16:49Muita.
00:16:50Muita?
00:16:50É.
00:16:53Tá.
00:16:55E essas feridas aqui?
00:16:57Ai, arde muito, doutor.
00:16:58É?
00:16:59Deixa eu ver essa aqui.
00:17:01Queimou em algum lugar?
00:17:02Não.
00:17:02Não queimou?
00:17:03Queimou, não.
00:17:04Foi aparecendo.
00:17:05Aqui também.
00:17:08Tem quanto tempo isso?
00:17:09Ai, tem uns dias já.
00:17:12Uns dias?
00:17:13Uhum.
00:17:15Um pouco.
00:17:22Um pouco.
00:17:25Um pouco.
00:17:27Um pouco.
00:17:37Parabéns, pai.
00:17:39Saúde.
00:17:39Viva o sogrinho.
00:17:40Obrigado, Laurinha.
00:17:42I say that I'm honored to be here from Rio de Janeiro to Goiânia for my anniversary.
00:17:49It's for me, right?
00:17:50It's special.
00:17:52It's true that you've been here for a few years without coming here, right?
00:17:56We came last year.
00:17:59No Natal.
00:18:01We'll have two days again?
00:18:02The job is urgent.
00:18:04It's okay, I'm not complaining.
00:18:07Now, my present, which I already know, and I'm going to ask for both of you.
00:18:16It's going to be a competition for a professor here in the Federal of Goiânia,
00:18:20here, with a good salary.
00:18:23And the cost of life here doesn't compare, right?
00:18:26It's much lower.
00:18:28Who knows if you don't come here?
00:18:31With everything you have, son,
00:18:33you go to the university as a professor.
00:18:37Now, with this other train, you're looking for...
00:18:39I'm going to do how many courses are necessary
00:18:41to be able to work with what I studied.
00:18:43Okay?
00:18:44I want to work in the field,
00:18:45I'm a nuclear physics,
00:18:46and here in Goiânia, there's nothing for me.
00:18:55You only have your family, right?
00:18:56I need to work in the field.
00:19:00Oh, my, my, your partner.
00:19:03We'll take a level.
00:19:04We came to it.
00:19:06I'll tell him.
00:19:09No.
00:19:11It's okay to figure it out.
00:19:12No, no.
00:19:17Hello?
00:19:18Hello, Márcio.
00:19:19What's the thing about Ricardo here?
00:19:21The doctor, hey!
00:19:23It's a shame I took your hand.
00:19:24That's your question.
00:19:25Who?
00:19:26Who?
00:19:27Who's the boss?
00:19:28Sorry, can you talk?
00:19:30I'm calling you.
00:19:32I'm with a number of patients here with the same symptoms.
00:19:35Pinture, pain, headache, pain...
00:19:39I remember you had a nuclear physics physics, wasn't it?
00:19:43Uh-huh.
00:19:45I was thinking that these symptoms can be of an envenenation.
00:19:51Envenenation radio.
00:19:52No, no.
00:19:54Não pode ser, não.
00:19:55Porque, para as pessoas terem esses sintomas, teria que ser uma sÃndrome aguda.
00:20:00Elas teriam que ter sido expostas a doses enormes.
00:20:02Não pode ser, não.
00:20:03Tá, mas que o diretor da Vigilância Sanitária me ligou
00:20:07querendo saber de uma das pacientes que foi transferida do Posto de Saúde pra cá.
00:20:11Ela tá botando a culpa num objeto que ela levou lá pra Vigilância Sanitária.
00:20:16Você não quer aproveitar que você tá na cidade e dar um pulo lá pra dar uma olhada nisso pra
00:20:19mim?
00:20:23Pô, cabeça, é aniversário do meu pai hoje. Eu só vim pra isso, cara.
00:20:27Onde ele tá pra sair de busca, pô?
00:20:29Uma horinha, se tá liberado, pode voltar.
00:20:33Tá, faz o seguinte, é...
00:20:34Pede pra ele passar na Nuclebrás e pegar um cintilômetro.
00:20:38Mas, em uma hora, eu preciso dar de volta.
00:20:40Tá.
00:20:40Serio? Você vai ser.
00:20:41Tá combinado?
00:20:42Pode ser.
00:20:43O que foi que você falou?
00:20:43Não, não, não é nada, não.
00:20:45Tá, beleza.
00:20:45Tá bem, a gente se fala, galera.
00:20:46Falou. Tchau, tchau.
00:20:51Não, pior é que ela vomitou no meu sapato.
00:21:01E você chegou a ver o que tinha dentro dessa cola?
00:21:03Ah, cara, eu não quis mexer, não.
00:21:06Sei lá, o seguro morreu de velho, né?
00:21:10O que que é isso?
00:21:13O cintilômetro faz esse barulho anormal.
00:21:15Ah, tá.
00:21:19Vai até estranho isso aqui.
00:21:22Porra, é essa? O cara tá acontecendo a�
00:21:25Acho que tá com defeito.
00:21:28Ó, mas então esse não tá funcionando, não.
00:21:30Tem que voltar e pegar outro.
00:21:31Chicão, volta pra Nuclebrás, vai.
00:21:34A gente já tava aqui na esquina.
00:21:36Vai, mas vamos lá, vai.
00:22:06Corpo de Bombeiros, bom dia.
00:22:07Agora, eu tenho certeza que você sabe mexer nisso aqui?
00:22:10Isso aqui não é um Geiger, isso aqui é um cintilômetro.
00:22:12É bem mais sensÃvel.
00:22:13E ele faz barulho com a mÃnima radiação.
00:22:15O doutor aqui é PHD em fÃsica nuclear no exterior.
00:22:18Ele sabe usar um cintilômetro.
00:22:20É, amigo, e esse não tá funcionando, tá com defeito.
00:22:23Pra mim, tá funcionando normal.
00:22:26Bom, será que você não tem outro então, só pra garantir?
00:22:31Tem.
00:22:34Tá, mas o que que tem dentro?
00:22:36Não sei.
00:22:37Ai, mas você não quer esse negócio estranho aqui, não.
00:22:40Ai, leva isso aÃ.
00:22:41Sei lá, joga no rio.
00:22:56Que trânsito é esse?
00:22:57Não sei.
00:22:58Tá estranho, né?
00:22:59É, está mesmo.
00:23:03Meu Deus.
00:23:13É aquela sacola, Matos.
00:23:14Para!
00:23:16Para!
00:23:19Cris, eu não falei pra ninguém mexer nisso.
00:23:21Eu não mexi, só chamei os bombeiros.
00:23:23Eu vou jogar no rio.
00:23:23Não, não, não, isso é radioativo.
00:23:26Radioativo?
00:23:26Esse negócio é muito perigoso, tem que voltar pra onde tava agora.
00:23:29Não, Marta, eu não posso voltar pra dentro da vigilância de novo.
00:23:31Vai contaminar outro lugar?
00:23:32Vai jogar no rio pra contaminar a casa das pessoas.
00:23:34Jânio, você já ouviu falar em Chernobyl?
00:23:37Chernobyl?
00:23:37Jânio, Jânio, me escuta.
00:23:38A gente precisa evacuar esse prédio.
00:23:40Eu não tenho...
00:23:41Esse negócio estourou a capacidade do cintilômetro.
00:23:43Eu, você, todo mundo aqui já foi exposto.
00:23:45Jânio, me escuta.
00:23:46A gente precisa evacuar esse prédio.
00:23:48As pessoas podem morrer por isso.
00:23:51Jânio!
00:23:53Pega essa sacola, Bomber, traz de volta pra dentro.
00:23:55Vocês vão pro outro lado da rua.
00:23:56Vamos, vamos.
00:23:57Pro outro lado da rua.
00:23:57Pra todo mundo.
00:23:58Sai todo mundo do prédio.
00:23:59Se afasta todo mundo aqui.
00:24:01Atenção!
00:24:02Estão evacuando o prédio.
00:24:03Todo mundo pra fora.
00:24:04Todo mundo.
00:24:05Rápido, gente.
00:24:06Pra fora do prédio.
00:24:07Não tem a calma.
00:24:08Vamos, gente.
00:24:09Vamos rápido.
00:24:10Evacua o prédio.
00:24:11Sai.
00:24:12Sai todo mundo.
00:24:12Vamos.
00:24:13Vamos, vamos.
00:24:21Jânio.
00:24:22Vocês precisam saber de onde veio esse objeto, por onde passou, quem pegou ele.
00:24:26Porque provavelmente tem mais lugar contaminado, então vocês precisam agir rápido.
00:24:29A dona Antônia.
00:24:30A dona Antônia é a senhora que trouxe a peça aqui.
00:24:32Ela falou que o objeto foi deixado no ferro velho do marido dela e ela deixou o endereço aqui.
00:24:38É isso.
00:24:39Tá aqui.
00:24:40Olha só, Márcio.
00:24:41Você é fÃsico.
00:24:42Você é especialista.
00:24:43Eu não entendo nada disso, cara.
00:24:45Nada.
00:24:45Eu preciso que você venha comigo.
00:24:47Pode ser.
00:25:09Acho que é isso aÃ.
00:25:21E aÃ?
00:25:23Esse lugar tá muito contaminado.
00:25:26A gente não vai poder entrar aÃ, né, Márcio?
00:25:30A gente foi exposto, certo?
00:25:32A gente tá sem exposto.
00:25:35Quão perigoso isso é pra gente, de verdade.
00:25:39Imagina que a fonte radioativa é uma fogueira.
00:25:43Ok.
00:25:44O quanto você sofre queimaduras depende da distância, do tamanho, do tempo que você fica perto.
00:25:50Mas com fogo você sente AD, não é?
00:25:53Claro, claro.
00:25:54Com a radiação, Jânio, você não sente nada.
00:25:57Mas ela é muito perigosa.
00:25:59Você só vai sentir os efeitos muito tempo depois.
00:26:03Mas do mesmo jeito que a fogueira.
00:26:05Quanto menos você chega perto.
00:26:07Quanto menos você se expõe, melhor.
00:26:10Só não sei dizer o quanto a gente se expôs, porque depende da intensidade da fonte, do tipo de elemento.
00:26:15E a gente não sabe de nada ainda.
00:26:18A única coisa que eu sei é que se tiver gente aà dentro, a gente precisa evacuar essa área o
00:26:23mais rápido possÃvel.
00:26:28Vamos lá com isso, vai.
00:26:35Vamos lá com isso, vai.
00:26:56Opa!
00:26:57Tudo bem?
00:26:58Espera aÃ.
00:26:58Só um...
00:26:58Só um segundo.
00:26:59Já atendo vocês.
00:27:01Bom dia.
00:27:02Posso ajudar?
00:27:03A gente está procurando o seu Evanildo.
00:27:05Ele trabalha aqui, né?
00:27:06É Evanildo, rapaz.
00:27:07Todo mundo confunde, sou eu mesmo.
00:27:09Seu Evanildo, a gente é da Vigilância Sanitária.
00:27:12A sua esposa, dona Antônia, ela foi até a gente com um objeto.
00:27:15O senhor sabe disso?
00:27:17Aquele objeto, ele é muito perigoso.
00:27:19Ele tem um elemento radioativo que contaminou aà dentro, Evanildo.
00:27:23Aqui dentro?
00:27:24Que é esse pessoal aÃ, Evanildo?
00:27:26Isso aà é uma arma?
00:27:28Vocês são o quê?
00:27:29Da polÃcia?
00:27:29Arma?
00:27:30Não, não, não.
00:27:31Isso não é uma arma.
00:27:32A gente não é da polÃcia.
00:27:33A gente só precisa saber de onde veio aquele objeto.
00:27:36É só isso.
00:27:37Pergunta de polÃcia, falei?
00:27:38Vocês acham que eu tenho cara de otário?
00:27:39Seu Evanildo, a gente é da Vigilância Sanitária.
00:27:41A gente não é da polÃcia.
00:27:42Vocês não vão comprar ou vender nada, saÃda por ali.
00:27:45Tenham um bom dia.
00:27:48A sua esposa tá no hospital, não tá?
00:27:50E parece que tem mais gente lá que tá contaminada.
00:27:53Tem contaminação nesse ferro velho, meu amigo.
00:27:55E ela é muito, muito, muito alta.
00:27:58Servenildo, a gente tá aqui pra ajudar, tá?
00:28:02Vocês precisam sair desse lugar.
00:28:03Opa, parou aÃ.
00:28:05Ninguém vai se aderir aqui, não.
00:28:07Vocês tão invadindo a minha propriedade.
00:28:09Não, não.
00:28:09Vê cá.
00:28:10Vocês nem podem entrar aqui sem mandado.
00:28:11Vocês têm mandado?
00:28:12Cadê o mandado?
00:28:13Cadê o mandado?
00:28:13Não tem tempo pra...
00:28:15Olha, ninguém vai entrar aÃ.
00:28:16Tá, seu Evanildo?
00:28:17Fica tranquilo.
00:28:18Ninguém vai entrar.
00:28:18Vocês não precisam sair agora.
00:28:20Mas a gente precisa saber da onde veio aquele objeto.
00:28:23Por onde ele passou.
00:28:25Passou por lugar nenhum.
00:28:26Satisfeita?
00:28:27Isso é muito sério.
00:28:27As pessoas podem morrer por isso.
00:28:29Seu Evanildo, foi o senhor que pegou o objeto?
00:28:32Tá me chamando de ladrão?
00:28:34Não, pelo amor de Deus.
00:28:36Eu não tô acusando o senhor de nada.
00:28:37É que...
00:28:37A gente precisa saber.
00:28:40Vamos resolver logo essa merda?
00:28:42Olha só, os meninos trouxeram aqui.
00:28:44Eu sou um homem de negócio.
00:28:45Comprei.
00:28:45Qual o problema?
00:28:45Não tem problema nenhum, tá?
00:28:47Quem são esses meninos?
00:28:53Tem uns meninos.
00:28:54Dois que vem aqui às vezes.
00:28:56Chamam Carlos e Lúcio.
00:28:57Não posso falar isso?
00:28:57Qual o problema?
00:28:58Eles não roubou nada.
00:28:59Não roubou.
00:29:00Mas...
00:29:00Gente, gente, gente, por favor.
00:29:02Vocês sabem da onde veio aquela peça?
00:29:06Eu sei.
00:29:08Ótimo.
00:29:10Isso daqui era uma clÃnica de radioterapia.
00:29:12É isso?
00:29:13É.
00:29:13Fechou faz uns três anos.
00:29:34Puta que pariu.
00:29:42Cara, dá sorte.
00:29:43Tá faltando.
00:29:45Mas não tem radiação aqui?
00:29:48Não.
00:29:50Isso quer dizer que eles não abriram a cápsula aqui.
00:29:54Mas, meu Deus, como é que abandonam um equipamento desses assim?
00:30:02Já tem prensa atrás de mim porque vocês evacuaram a vigilância.
00:30:05Agora você quer evacuar um quarteirão?
00:30:07A contaminação no ferro velho tá muito alta, secretário.
00:30:10A gente precisa evacuar toda aquela área pra fazer a medição e a descontaminação.
00:30:14Eu nem tenho o poder de fazer isso.
00:30:16Bom, então, fala com o governador.
00:30:20E se não tiver nada?
00:30:22Você assina um papel assumindo a responsabilidade?
00:30:24Não existe a menor possibilidade de não ter nada.
00:30:27Secretário, me escuta.
00:30:28Eu fiz as medições e fora do ferro velho ela já tá altÃssima.
00:30:40Bomba nuclear?
00:30:41Não.
00:30:41A gente não faz isso aqui no Brasil.
00:30:43Mas...
00:30:44E se os americanos atacarem a gente?
00:30:46É, ou soviéticos.
00:30:48Não.
00:30:49Olha.
00:30:50A energia nuclear, ela não foi desenvolvida pra guerra.
00:30:54É, mas Chernobyl explodiu, né?
00:30:56Mas aquilo foi um acidente, não foi uma bomba.
00:31:00Hum?
00:31:01Você acha que a usina de Angra vai explodir?
00:31:03Não, não, não.
00:31:06Não.
00:31:06A gente faz um trabalho muito sério lá, viu?
00:31:09Eu achei que era mais emocionante esse trabalho de fÃsica no governo.
00:31:12É, mas é.
00:31:13É, bastante.
00:31:15Chega a ser fascinante, sabe?
00:31:17É.
00:31:20Comissão Nacional de Energia nuclear?
00:31:21O que você tem a�
00:31:22Como?
00:31:24Acidente em Goiânia?
00:31:26Calma.
00:31:28Fala mais devagar, por favor.
00:31:32Eu, eu vou passar pra ele.
00:31:34Linha 2.
00:31:35É, Rita.
00:31:36Por favor, você pode ir.
00:31:37Claro.
00:31:39Bonita.
00:31:42Isso.
00:31:44É, olha.
00:31:45Como é que é mesmo o nome da clÃnica?
00:31:47Repete pra mim, por favor.
00:31:48É, Instituto Goiano de Radioterapia.
00:31:50É.
00:31:52Ela foi fechada há 3 anos atrás.
00:31:55E realmente tinha uma máquina de cobalto lá, mas ela foi retirada.
00:31:59Certeza, doutor?
00:32:00Porque eu vi uma carcaça abandonada lá.
00:32:04Ué, só se...
00:32:05Só se o quê?
00:32:08Realmente tinha uma outra máquina lá.
00:32:11Só se ela ficou, porque aqui não foi comunicado nada.
00:32:14Não dá pra saber se ela foi retirada ou não.
00:32:17Era de cobalto também?
00:32:19Não, era de Césio.
00:32:21137.
00:32:23Um dos isótopos de Chernobyl.
00:32:26Isso, isso.
00:32:27Sólido ou em pó?
00:32:29Era uma daquelas obsoletas, sabe? Em pó.
00:32:35Agora...
00:32:35Não, mas não foi comunicado.
00:32:37Que pode.
00:32:40Eu preciso falar com o César, Rita.
00:32:42Acho o César pra mim agora.
00:32:43O César tá no Congresso de Viena.
00:32:44Mas eu vou tentar encontrar ele.
00:32:47Alô, Márcio.
00:32:48Olha, esse César, ele tá dentro de um cabeçote de chumbo.
00:32:53É muito pesado, é pesadÃssimo.
00:32:55É impossÃvel transportar ele sem o equipamento adequado.
00:33:01ImpossÃvel não é, doutor.
00:33:11Pessoal, queria apresentar pra vocês a nossa estagiária.
00:33:17Brincadeira.
00:33:18A Esther trabalhou muitos anos aqui.
00:33:20Pra quem não sabe, ela fez uma revolução no nosso instituto.
00:33:24Ela é a maior autoridade na área de radioproteção e dosimetria do nosso paÃs.
00:33:29Tanto que o IPEN de São Paulo roubou ela por uns anos, mas eu fui lá e peguei ela pra
00:33:33gente.
00:33:36Esther, bem-vinda.
00:33:37Obrigada.
00:33:38Por favor, você pode fazer um discurso, se você quiser.
00:33:42Ah, meu Deus.
00:33:44Pra quem ainda não me conhece aqui, apesar de ser um cargo de liderança,
00:33:49eu quero que realmente vocês me vejam como uma amiga, uma parceira.
00:33:53A ciência é uma atividade coletiva, eu acredito nisso.
00:33:57E eu espero que a gente aprenda muito nesse perÃodo aqui juntos.
00:34:01É isso.
00:34:03E vamos trabalhar, né?
00:34:06Conseguiu.
00:34:07Gente, o doutor Orenstein ligou e pediu pra separar uma lista de equipamentos.
00:34:12Pra quê?
00:34:14Parece que teve um acidente radiológico em Goiânia.
00:34:20O governador tem radiação suficiente pra estourar o cintilômetro, que é um aparelho muito sensÃvel.
00:34:26Então, pode ser uma dose grande, pode ser uma dose enorme, não dá pra saber.
00:34:30Como assim não dá pra saber?
00:34:32Imagina a balança que pesa a carne de um açougue.
00:34:35Ela marca o peso até 10 quilos.
00:34:37Se o senhor pisa nela, ela vai...
00:34:40estourar.
00:34:41Não vai ter como saber se o senhor pesa 10, se o senhor pesa 100.
00:34:43O cintilômetro é exatamente como essa balança do açougue que estourou.
00:34:46E o que eu sei é que essas pessoas, elas estão recebendo radiação sem parar.
00:34:51O que eu não sei dizer é o quanto.
00:34:52Então não tem jeito, a gente precisa evacuar a área, isolar imediatamente e descontaminar quem estiver contaminado.
00:34:58Contaminado.
00:35:00Posso pegar essa caneta?
00:35:02Claro.
00:35:04É o seguinte, a caneta é a fonte.
00:35:07A tinta é o material radioativo.
00:35:10Se o senhor chegar perto da fonte, o senhor vai ser irradiado.
00:35:14Se o senhor se afastar da fonte, o senhor deixa de ser irradiado e não irradia mais ninguém.
00:35:20Pode chegar perto do secretário, que nada vai acontecer.
00:35:25Agora, se essa fonte se rompe...
00:35:26Eu entendi. Se a tinta, se o material radioativo cair em mim, eu passo a irradiar pros outros.
00:35:32Isso, exatamente. Só que não é tinta, é pó.
00:35:36E esse pózinho do Césio, que é mais fino do que um grão de açúcar, ele tem muita, muita radiação.
00:35:42Então se ele estiver na pele, na roupa da pessoa, se ela estiver engolido, se ela estiver respirado, ela está
00:35:46contaminada.
00:35:47E ela passa a ser uma fonte ambulante.
00:35:53É, ia ter que levar logo esse pessoal do ferrovério pro hospital.
00:35:56Também tem o pessoal lá da vigilância que foi exposto.
00:35:59Sim, todo mundo.
00:36:00Não, não, não, não, não, calma.
00:36:01A gente não pode simplesmente levar essas pessoas pro hospital, elas podem contaminar mais gente.
00:36:05A gente precisa, primeiro, isolar elas num local seguro.
00:36:10É, é isso.
00:36:11Vocês têm um lugar pra esse tipo de emergência?
00:36:13É...
00:36:15O estádio municipal.
00:36:45Bom...
00:36:47Não, não.
00:36:47Eu vim pro aniversário do meu pai.
00:36:52Márcio, a gente nunca vem pra cá.
00:36:54Aà você some justamente no dia do aniversário do seu pai pra fazer um favor pra um vizinho com quem
00:36:58você não fala há anos, é isso?
00:37:01Amor, o governador pediu pra eu ajudar, não posso simplesmente dizer não, você entende?
00:37:06Governador?
00:37:06É, o governador.
00:37:07Márcio?
00:37:08É.
00:37:09Já tudo bem?
00:37:10Tá sim, seu Zé, tá?
00:37:11Ele só vai atrasar mais um pouquinho, tá?
00:37:13O carro chegou.
00:37:14Vamos...
00:37:14Só um segundo.
00:37:15É...
00:37:15O pai tá aqui.
00:37:16Acabou de chegar com um saco de pão.
00:37:18O bolo tá na mesa.
00:37:20Baby, eu tenho que desligar.
00:37:21Desculpa.
00:37:21Beijo.
00:37:47Essa ferida é da minha boa, VinÃcius.
00:37:52Por bem que eu passei aquele pau que você jogou aà na mesa, todo mundo que mexeu naquele negócio lá
00:37:57tá passando mal.
00:37:58O Antônio, os meninos, tá tudo no hospital.
00:38:01Agora você vai me dizer que é outra coisa que tá fazendo mal pra gente?
00:38:05O João também.
00:38:07Tava botando os buchos pra fora ontem.
00:38:10E a Celeste tá passando mal desde que levou esse negócio lá pra casa.
00:38:13É os três a base de sopa de batata.
00:38:15João, mais Claudinei e Celeste.
00:38:17Eu já entendi.
00:38:18Também tô com a Leijão.
00:38:19Tão vendo, não?
00:38:20Só que esse troço já foi embora daqui.
00:38:22Pronto.
00:38:23Acabou.
00:38:23Não vai mais fazer mal pra ninguém.
00:38:25Já já a Tinha tá entrando por essa porta aÃ.
00:38:28Ela mais os meninos.
00:38:29E vida que segue.
00:38:31Agora o que tá me deixando cabreiro,
00:38:33o que me preocupa é aquela conversa enfiada daqueles dois engumadinhos
00:38:36de tirar a gente do ferro velho pra eles entrarem?
00:38:38Tem mais um trem desse?
00:38:39Mas se esse troço for radioativo que nem o Sabidão falar,
00:38:42é igual o Chernobyl.
00:38:44Ô Raimundo, e aqui tem usina nuclear?
00:38:46Aqui nessa cidade?
00:38:47Foi o que eles falaram, João.
00:38:53Todo mundo quieto.
00:38:54Você não vai ver quem é, não?
00:38:57Vai lá, moço.
00:39:01Ô, Dali, eu mandei ficar quieto.
00:39:12Você ainda acha que vieram aqui ajudar a gente?
00:39:14Boa noite.
00:39:16Boa noite.
00:39:16Eu sou Emerson Souza, secretário do Estado de Saúde.
00:39:20Desde quando a polÃcia militar cuida da saúde?
00:39:24A gente precisa evacuar essa casa.
00:39:26Vocês estão contaminados com o Césio 137.
00:39:31Você falou pra mim que na área da polÃcia não é não, moço?
00:39:34Não, não.
00:39:35Eu não sou.
00:39:35Eu não sou mesmo.
00:39:37Meu nome é Márcio.
00:39:38Eu sou fÃsico nuclear e ele é o secretário de saúde mesmo.
00:39:42E vinil da casa de você está altamente contaminado.
00:39:46Primeiro era o ferro velho.
00:39:48Agora é minha casa.
00:39:50É o quê?
00:39:50É tudo?
00:39:51Me escuta.
00:39:52A cada minuto que vocês passam dentro dessa casa maior o risco pra saúde de vocês.
00:39:57Aquela cápsula que você pegou, ela tinha um pó.
00:39:59Não tinha?
00:40:00Esse pó é radioativo.
00:40:02Ele gruda na roupa, na pele, no cabelo e ele pode matar se vocês não forem tratados logo.
00:40:09Isso daqui é um centilômetro.
00:40:13E ele mede os nÃveis de radiação.
00:40:16Tá ouvindo esse barulho?
00:40:17Então, ele indica que a casa de vocês está realmente contaminada.
00:40:20Preciso que vocês confiem em mim.
00:40:24Vocês querem tirar a gente daqui e levar pra onde?
00:40:27Pro lugar seguro.
00:40:28Longe da contaminação.
00:40:29Pro hospital onde está, Antônio?
00:40:31Não, não, não.
00:40:31Vocês primeiro vão pro centro de triagem.
00:40:33AÃ sim, quem precisava ir pro hospital.
00:40:35Centro de triagem?
00:40:36Pão PM na minha porta?
00:40:38Tá achando que o quê?
00:40:38Que a gente é bandido?
00:40:40Eu não vou sair daqui.
00:40:42Olha, eu sinto muito te dizer, mas você não tem escolha.
00:40:44Vocês todos têm que vir, senão muita gente vai se contaminar.
00:40:47Eu não vou sair da minha casa!
00:41:01Eu não vou sair daqui.
00:41:04Eu não vou sair daqui.
00:41:09Isso é isso, né?
00:41:19Eu não vou sair daqui.
00:41:19Take a closer.
00:41:23Thank you, Missy.
00:41:29What?
00:41:55What?
00:47:22Governor, he's much better.
00:47:24He's more sensible to measure high doses.
00:47:27It's a balance of pharmaceuticals, not of sugar.
00:47:30I understand.
00:47:32Let's go.
00:47:33Yes, let's go.
00:47:35Hey!
00:47:36I've got you.
00:47:53I've got you.
00:48:22I've got you.
00:48:39Geiger acusou a dose máxima.
00:48:42É muito grave.
00:48:44Isso tem que sair daqui já.
00:48:46Mas não tem como.
00:48:47É muito perigoso mexer com essa fonte.
00:48:50Não dá nem pra chegar perto.
00:48:51E não tem onde colocar.
00:48:53Vai tirar daqui e botar onde?
00:48:54Vamos tirar esse negócio daqui.
00:48:55Não pode ter uma bomba radioativa no meio de Goiânia.
00:48:58Tem que ter um jeito de tirar.
00:49:01Ele costuma ficar dentro de um cabeçote de chumbo
00:49:04que isola a radiação.
00:49:06Mas não tem como derreter o chumbo aqui.
00:49:12Eu vou precisar de um tubo de concreto bem grande, daqueles de esgoto, com uma boca grande pra caber por
00:49:18cima da cadeira e também um caminhão betoneira.
00:49:21É que a radiação, ela pode ser contida com concreto.
00:49:25Então, se a gente colocar um tubo de concreto ao redor da cadeira, depois mais concreto em cima, isso vai
00:49:30impedir não só a radiação como o pó de se espalhar, além do que vai ficar tão pesado que vai
00:49:34ser impossÃvel de remover.
00:49:36Mas só o concreto não vai conter toda a radiação.
00:49:39Esse prédio da vigilância, por exemplo, vai ter que continuar interditado.
00:49:43Agora, ao redor, aqui, onde a gente está, por exemplo, vai ficar seguro.
00:49:46É a única maneira de resolver o problema ainda essa noite.
00:49:50Isso tem que ser provisório.
00:49:52Você vai tirar isso daqui.
00:49:54Governador, eu prometo que eu não vou embora, enquanto eu não entregar essa cidade de volta ao senhor.
00:50:08Márcio, vem cá.
00:50:11Desculpe, mas você se expôs muito hoje, eu vou ter que te medir.
00:50:14Claro, claro.
00:50:15Só preciso te falar uma coisa antes.
00:50:17Eu...
00:50:18Eu conversei com uma das vÃtimas.
00:50:20E o Césio, ele não ficou só com as pessoas que estão no estádio, doutor.
00:50:24Ele foi espalhado, não foi distribuÃdo pra mais gente.
00:50:28Então, o estrago é maior do que a gente pensava.
00:50:32Nós vamos precisar de muito mais gente trabalhando aqui.
00:50:36Também vamos ter que fazer um super rastreamento de contato.
00:50:41Abre os braços, por favor.
00:50:48Ah, não.
00:50:49Você não tá com cabelo.
00:50:57Tira esse sapato agora.
00:50:58Tira, tira.
00:51:01Coloca aqui dentro, ó.
00:51:04Cuidado.
00:51:10Faz o seguinte.
00:51:12Joga lá dentro da vigilância.
00:51:13A gente vai ter que interditar esse prédio mesmo.
00:51:15Joga lá.
00:51:15Joga lá dentro.
00:51:27Agora, Márcio, vai embora pra casa.
00:51:31Toma um banho, come alguma coisa, descansa.
00:51:34Mas volta amanhã.
00:51:36Eu vou precisar de você.
00:51:39Eu vou precisar de você.
00:51:41Muito obrigado, viu?
00:51:42Ya.
00:51:46Tera.
00:51:53Tera.
00:51:57Tera de você.
00:51:59Tera e PC?
00:52:04Tera, né?
00:52:20I'm going to get there.
00:52:21Let me go a little bit.
00:52:22Are you going to sleep?
00:52:23Are you tired?
00:52:24Are you tired?
00:52:25Are you tired?
00:52:25Are you tired?
00:52:25Are you tired?
00:52:26Are you tired?
00:52:27I'm tired.
00:52:31What happened?
00:52:32We saw it on TV.
00:52:34What happened?
00:52:38What happened?
00:52:39I'm fine.
00:52:40I'm fine.
00:52:41Tell me what's happening.
00:52:43Why are you going to sleep?
00:52:45Why are you going to sleep?
00:52:46What happened?
00:52:48It's not just us two.
00:52:50You're going to be a father.
00:52:53We're going to tell you.
00:52:55We're going to tell you.
00:52:57When are you aware of this?
00:52:59Father?
00:53:01I'm fine.
00:53:02I'm fine.
00:53:04I need to listen to me.
00:53:05I'm fine.
00:53:07I'm fine.
00:53:07Oh, my God.
00:53:09Oh, my God.
00:53:12Oh, my God.
00:53:13No trouble.
00:53:14No trouble.
00:53:15Oh, my God.
00:53:27Oh, my God.
00:53:30If this road was my son
00:53:36I would live, I would live
00:53:40With little trees, little trees
00:53:48For my, my love to pass
00:53:55This street, this street, there's a forest that's called Solidarity.
00:54:08Dentro dele, dentro dele foi um anjo
00:54:14Que roubou, que roubou
00:54:25Alô. Oi, Benny, é o César.
00:54:28Como é que estão as coisas a� Isolaram a fonte?
00:54:31Não, mas a gente tá fazendo isso agora.
00:54:33Agora, César, a gente vai precisar de uma equipe inteira.
00:54:37Técnicos, médicos, fÃsicos e equipamento também.
00:54:40Tá, tá bom.
00:54:41E também a gente vai ter que avisar todo mundo.
00:54:45Argentina, Oak Ridge, IAEA, todo mundo.
00:54:49Olha, você vai ter todos os recursos daqui, né?
00:54:52Mas, Benny, a gente precisa resolver essa situação.
00:54:55Vocês já mapearam os focos?
00:54:57A gente isolou o que a gente mapeou, mano.
00:55:00Mas essa fonte ficou aberta por mais de duas semanas.
00:55:13Olha, César, a verdade é que a gente sabe que o senhor já se espalhou.
00:55:18Mas se esse César se espalhar ainda mais
00:55:22pela cidade, pelas ruas,
00:55:24pelos rios, pela água...
00:55:28Tá bom, eu vou pedir pra anteciparem o meu voo pro Brasil.
00:55:32César, se a gente não agir rápido,
00:55:35a gente vai ter um desastre como o Brasil nunca viu.
00:56:07César, se a gente vai ter um desastre como o Brasil.
00:56:08A gente vai ter um desastre como o Brasil.
00:56:48I don't think I'm going to be able to do that, but I don't think I'm going to be able
00:57:08to do that.
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