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“Foi assassinato”: mãe de médica morta na tragédia da Voepass fala tudo e lança livro em memória da filha
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NotíciasTranscrição
00:00Há um ano, oito meses e dezessete dias, sessenta e duas famílias entraram em um luto eterno diante da vida
00:07interrompida de todos os passageiros do voo da Voipaz, que saiu de Cascavel e caiu no interior de São Paulo.
00:15Não teve lágrimas que secaram nesse tempo, não teve coração reparado, ainda mais se for o coração de uma mãe
00:23com quem eu vou conversar agora.
00:26Essa é a dona Fátima Albuquerque. Dona Fátima é mãe da médica Ariane Albuquerque Estevam Risso, de 34 anos, que
00:37dedicou a vida a cuidar de pessoas e que estava entre as vítimas dessa tragédia.
00:43Dona Fátima, primeiro quero te agradecer por estar aqui no estúdio da CGN conversando com a gente.
00:50Receba o nosso respeito, receba toda a minha atenção e a atenção das pessoas com quem a gente vai conversar
00:57e que vão escutar muitas histórias dessa tragédia.
01:02A sua filha tinha 34 anos, ela ainda tinha muitas páginas para escrever, né?
01:07Ela tinha 34 anos, das quais 9 anos dedicada à medicina e desde os 9 anos, decididamente, ela escolheu cuidar
01:19do próximo.
01:20Ela já disse que Jesus tinha chamado para ser médica e médica de UTI.
01:24Então ela teve uma vida totalmente voltada para honrar a Deus e servir ao próximo.
01:30O coração de mãe sofre, talvez, de um jeito diferente, mas a senhora também lidera o grupo das famílias dessas
01:40vítimas.
01:41Você sente o coração dessas famílias também ainda de Lacerado e Sandrani?
01:46Eu fui, tive a honra, eu tenho a honra de ter sido escolhido por essas familiares, por esses familiares.
01:56E eu sinto diariamente, converso diariamente, estou num grupo de 130 familiares e isso é diário.
02:05A dor, nós entramos, na verdade, numa condição de dor.
02:09Nós não entramos num processo que isso vai diminuir.
02:13Porque a nossa dor, além da ausência, além da saudade de tudo que nós não vivemos e da saudade do
02:21que vivemos,
02:22nós temos ainda a revolta.
02:26Revolta porque todos foram, a maioria jovens, que foram ceifados.
02:30No momento em que eles estavam entrando no auge, que lutaram tanto no auge de suas vidas.
02:36Então, tem uma dor, uma revolta.
02:40Uma revolta de saber que todos estavam bem, que todos estavam bem de saúde.
02:44Estavam em pleno gozo da felicidade, estavam realizando sonhos.
02:48Inclusive aqueles mais velhos que já tinham uma vida de trabalho dedicada à família.
02:53Estavam indo passear, estavam indo ver os netos e foram arrancados por criminosos.
03:00Que hoje eu posso dizer com toda certeza e sempre falei, eles não foram vítimas de uma tragédia só.
03:07Eles foram vítimas de assassinato mesmo.
03:10Porque aquilo foi plantado, foi construído na irresponsabilidade, na negligência e na ambição
03:18daqueles que trabalhavam, não só o dono, mas aqueles que trabalhavam naquela empresa.
03:25Um ano, oito meses, 17 dias depois.
03:30Como é que está o teu coração e como é que estão as questões jurídicas desse caso?
03:37As famílias já foram indenizadas?
03:39Ainda existem famílias que não foram?
03:41Isso tudo foi o suficiente na opinião de vocês?
03:47Nós tivemos um programa de reparação feito pelo Ministério Público,
03:51pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, do Estado do Paraná,
03:56junto com a seguradora, a Estaque, a seguradora da LATAM.
03:59Nesse programa de reparação, que era opcional,
04:03algumas famílias, 56 famílias, aceitaram essa proposta,
04:08que na verdade é uma reparação material, que não repara tudo.
04:12Mas vamos pegar como exemplo o meu caso.
04:15Eu só tinha minha filha.
04:16Minha filha era geniatra, cuidava de mim.
04:18Quer dizer, hoje eu não tenho mais ninguém que vá cuidar de mim, da minha velhice.
04:23E isso é uma reparação para minimizar, minimizar uma família que tem uma criança,
04:30uma família que tem três crianças, é para minimizar o impacto financeiro que essas famílias tiveram.
04:37Famílias que chegam a ter pais jovens que partiram com 40 anos, deixando quatro filhos menores.
04:42Então, algumas famílias aceitaram, outras judicializaram.
04:46Porque em indenização, a gente contesta essa palavra,
04:51porque é como se alguém pegasse teu celular, roubasse ou quebrasse,
04:54mas te dá o celular novo.
04:56No nosso caso, não existe valor.
04:58É para minimizar, o mínimo do mínimo.
05:01Então, também não existe um valor que diga,
05:05cada valor é individual, cada valor é secreto,
05:07mas era o mínimo que cada um conseguiu chegar.
05:11O fato da Voipaz ter encerrado as atividades também é uma sensação de justiça?
05:19Na verdade, nós lutamos para que ela encerrasse.
05:22Eles estavam trabalhando aí, uma semana depois, zombando os outros.
05:27Nós lutamos muito, nós, enquanto associação, estamos muito atuantes, muito atuantes.
05:31A gente está diariamente falando com todo mundo,
05:36lutando com a NAC para eles não voltarem,
05:38lutando para que eles não criem um laranja e voltem a operar daquela forma,
05:43porque um gestor que faz aquilo, ele tem um modo soberano,
05:46ele nunca vai mudar.
05:47É como alguém que tem desvio de caráter, que vai roubar e vai fazer.
05:51Então, nós colocamos aquela empresa no chão.
05:54Agora, ela não tem a questão da...
05:58que ela tem problemas, para nós foi melhor, para a sociedade foi melhor.
06:03O problema dela é a questão mesmo trabalhista com os outros.
06:07Para nós, o que fez esse programa de reparação foi a pressão do Ministério Público,
06:13da Defensoria, junto com a STA, que é, na verdade, uma seguradora da LATAM.
06:20Então, nós continuamos lutando para que eles sejam responsabilizados,
06:26a Boi Paz, criminalmente, pela morte dos nossos.
06:28Somente para explicar para o pessoal de casa o porquê que ela cita a LATAM,
06:32porque naquele momento a Boi Paz estava prestando serviço para a LATAM,
06:37devido à quantidade de passageiros.
06:39Então, aqueles passageiros que faleceram nessa tragédia,
06:43haviam comprado passagens via LATAM.
06:46É isso?
06:46É, todos, todos, absolutamente todos, compraram o LATAM.
06:50E muitos foram surpreendidos com aquele avião, né?
06:54Que eles tinham, chamam de compliance, né?
06:57Ou seja, mas eles têm lá no contrário, bem miúdinho que ninguém vê,
07:01que seria o Boi Paz, e a maioria não vê, né?
07:03Mas ninguém vai ficar olhando, que é, então foram para o LATAM.
07:06Foram, inclusive, alguns perderam o voo, vocês lembram, na época,
07:10porque foram para o balcão da LATAM, graças a Deus, né?
07:13Então, assim, LATAM tem corresponsabilidade também.
07:18Dona Fátima, pelo sotaque da senhora, a gente já percebe que vocês não são de Cascavel.
07:24A doutora Ariane me fala de onde que ela é,
07:27porque a gente teve muitas vítimas aqui da nossa região.
07:30Muitos moradores de Cascavel, de cidades próximas.
07:33Eu tive um professor que eu perdi, que era de Marechal Rondon.
07:35Então, de onde era a Ariane?
07:38Na verdade, a Ariane, ela morava, a Ariane é cuiabana, né?
07:42Ela nasceu em Cuiabá.
07:43Ela é filha de paranaense, o pai é paranaense, mora aqui na cidade,
07:47perto de Boa Esperança.
07:48Eu sou uma nordestina e a gente se conhecia em Cuiabá, né?
07:52Então, a Ariane é cuiabana.
07:54Mas ela estudou e se formou no interior de São Paulo.
07:57E ela, por lá, ela fez geriatria e trabalhou no interior de São Paulo,
08:02na região do Noroeste, São José do Rio Preto, Fernandópolis,
08:06por sete anos.
08:07Mas o sonho dela, desde cedo, ela era para fazer oncologia.
08:11Aí ela se organizou, fez oncologia, dois anos de clínica médica em Blumenau.
08:18Depois ela fez a segunda parte, eles fazem os exames.
08:22Ela passou em 12 lugares, ela era uma nerd, estudava.
08:26Mas ela foi, ela queria, ela disse,
08:29mãezinha, eu quero um hospital totalmente especializado.
08:31Eu não quero um hospital que tenha uma ala de oncologia.
08:35E quando ela saiu visitando alguns hospitais que ela tinha passado,
08:38e ela, quando veio a Cascavel, ela ficou encantada.
08:41Ela disse, mãe, eu fico encantada, as pessoas são maravilhosas, são humanas,
08:46porque ela buscava a humanidade, elas são acolhedoras,
08:49os profissionais são humanos, e ela...
08:51Porque a Ariane sempre foi muito nela, ela era 100% humana.
08:55Ela lutava desde o início da faculdade, ela criou um grupo de humanização na medicina.
09:01E ela escolheu Cascavel.
09:04E eu sempre digo assim, meu Deus, minha filha tinha 11 chances de estar viva, né?
09:09Mas a gente não sabe, né?
09:11A gente não tem essa...
09:13A gente se, né?
09:14A gente se, ela não tivesse escolhido Cascavel.
09:16Mas foi aqui, e aqui ela foi feliz, aqui ela era maravilhada, que ela se dedicava,
09:22que ela se conectou de uma forma muito especial com os outros médicos, com a equipe.
09:28Então, às vezes, a gente precisa acreditar que foi Deus, né?
09:31Porque, assim, não tem justificativa.
09:34Ela poderia ter feito no interior de São Paulo, né?
09:36Ela poderia ter feito a residência norte.
09:38Ela passaria em qualquer lugar, porque ela sempre foi uma estudiosa.
09:42Mas ela escolheu Cascavel.
09:44Na ausência da Ariane, a senhora decidiu...
09:50Eu disse que ela tinha muitas páginas para escrever, a senhora concordou.
09:53Mas na ausência dela, as mãos delas não podem escrever essa história.
09:57A senhora decidiu tomar a frente para escrever as próximas páginas?
10:03Na verdade, no dia que aconteceu isso...
10:07Eu, quer dizer, eu nunca imaginei, né?
10:09Eu tenho que escrever um livro.
10:10No dia que aconteceu, ainda no dia, poucas horas depois,
10:14daquilo, as pessoas brigando, eu ainda totalmente atômica,
10:17totalmente chocada e desesperada.
10:21Me liga a Cristiane Medina, uma menina de Florianópolis,
10:25que foi secretária do cursinho dela e que fez amizade comigo,
10:29depois trabalhou comigo um tempo e com a minha filha.
10:32E ela cuidava da minha filha.
10:33Vinha que a minha filha morava só em Florianópolis
10:35e fazia o cafezinho dela e cuidava.
10:37E a Cristiane ligou naquela tarde, chorando muito, e disse...
10:43Fátima, você me promete uma coisa.
10:46Essa menina era um anjo.
10:47A Ariane era um anjo.
10:48A Ariane era muito especial.
10:49Ela não pode ter passado por essa vida e não ficar nada registrado.
10:53Você precisa registrar.
10:55A vida da Ariane, você precisa registrar.
10:57Por favor, me promete que vai registrar.
11:00E eu ainda, eu, sabe, sem saber, eu só disse, vou, eu vou registrar.
11:04E aquilo foi uma... também foi um ânimo,
11:07porque naquele momento que ela me ligou,
11:09eu só queria me atirar lá do meu prédio,
11:11eu só queria morrer.
11:12Eu não via muito sentido eu viver sem minha filha.
11:14Mas aquilo foi uma injeção que ficou lá na minha cabeça
11:19e veio o dia seguinte, e veio o hotel, e vieram as coisas.
11:24E quando eu cheguei em Fernandópolis para fazer a cerimônia de despedida dela,
11:30vieram os colegas, vieram os pacientes,
11:33que falavam a mesma coisa que a Cristiane.
11:34Você precisa registrar, tem que ficar em algum lugar,
11:37ela não pode ter passado e vão.
11:38Ela era muito importante para nós, ela fez muito bem para nós.
11:42E aí foi amadurecendo essa ideia de registrar,
11:46mas eu digo, como que eu vou registrar isso?
11:48Eu vou escrever, eu vou escrever, e aquilo...
11:52Aí depois eu pensei, não, quem tem que escrever
11:55são as pessoas que estão me pedindo.
11:57Elas têm que dizer tudo aquilo que a Ariane fez por elas,
12:01elas têm que contar.
12:02E isso a gente vai registrar.
12:04Porque se eu falar, se eu escrever quem era minha filha,
12:08a mãe já não tem muita credibilidade, né?
12:10As filhas da gente são maravilhosas.
12:12Imagina uma mãe ferida, machucada.
12:14Mas eu perguntei para a senhora,
12:15se a senhora não fosse mãe da Ariane,
12:18a senhora seria amiga dela?
12:19Muito, eu só seria.
12:21Não tinha como não ser amiga da Ariane.
12:23É o que todos dizem.
12:24A Ariane bastava ela chegar perto,
12:28as pessoas já, sabe?
12:29Porque ela tinha um sorriso permanente.
12:31Ela era uma presença que eu via.
12:34Eu falo que eu sempre...
12:35Como que eu sou mãe da Ariane?
12:37Eu falo muito.
12:37E a Ariane ouvia muito e falava pouco.
12:41Agora, então, a partir dessa vontade de registrar a passagem da doutora Ariane,
12:49que para ti foi a Ariane, foi a tua filha, foi amiga de muita gente,
12:53saiu este livro aqui.
12:56Me fala, então, dessa obra que vai ser lançada, inclusive, amanhã,
13:01sexta-feira, dia 24 de abril, aqui em Cascavel, né?
13:06Me fala dessa obra, pelas mãos de quem que ela foi escrita?
13:12O tema leva uma escolhida e seu propósito, né?
13:16O propósito de fazer na medicina uma missão divina.
13:20Porque a medicina, para a gente, não foi uma missão.
13:22Esta obra, e até o título é proposital, assim,
13:26as pessoas dizem, mas não é a escolhida, não.
13:28Porque ela é uma escolhida.
13:30Ela é uma escolhida.
13:30Você foi escolhida, eu fui escolhida.
13:32O grande mérito de Anjos com a Ariane de Luz
13:36é cedo entender o propósito de estar aqui, né?
13:40Porque o propósito realmente é servir a Deus,
13:43é servir ao próximo, como ela fez, de uma forma extremamente reta.
13:47Este livro, ele também tem como objetivo
13:51ser também uma referência de humanidade para as pessoas,
13:56para profissionais, e também o objetivo de continuar
13:59o propósito da minha filha, que era ajudar o próximo.
14:03Quando ela faleceu, que foi, a gente foi pagar
14:05o cartão de crédito dela, que era pequenininho,
14:08porque ela era uma residente, não tinha nada para ela.
14:11Só tinha mimos para os pacientes.
14:14Então, eu pensei, por que não fazer dessa obra
14:18que a gente eterniza esse registro,
14:20mas ele também pode continuar fazendo bem a outros pacientes.
14:24Então, a gente resolveu fazer a obra,
14:27não só essa, não só eram três livros,
14:29e doar todos os royalties, né, que fala,
14:33para parte para o PICAM, parte para o auxílio que tem,
14:37que ela foi ser geriada a partir da visita,
14:40e para outras pessoas.
14:43Então, 100% vai ser para continuar o propósito dela,
14:45de ajudar o próximo.
14:47É uma forma, porque eu não vejo nenhum sentido
14:49de fazer uma obra, pegar o dinheiro e usar,
14:52e uso o próprio.
14:53porque ela não era isso, ela se doou,
14:57e o legado que ela deixou foi desse amor,
15:00foi de doação.
15:01E eu quero que continuar fazendo isso
15:04através do legado que ela deixou de amor,
15:07e que está registrado nessa obra.
15:09É perpetuar esse propósito.
15:11Exatamente.
15:12Em que momento que a senhora percebeu
15:14que a sua filha,
15:18além de cuidar das pessoas,
15:21como profissão,
15:22ela tinha isso como missão de vida?
15:25Em que momento que isso ficou claro para ti?
15:28Na verdade, assim, muito cedo,
15:30mas muito antes de ser médica.
15:32Eu digo que a Ariane já,
15:33que ela virou médica aos nove anos.
15:36Porque, assim, ela não fez mais nada na vida,
15:38a não ser assistir filme de medicina e tal,
15:40e ela, assim, era servindo,
15:42pra você ter ideia,
15:4313 anos, eu chegava,
15:44eu cheguei em casa,
15:45estavam os filhos da menina
15:49que trabalhava lá em casa,
15:50ela consultando eles,
15:51porque, aí eu disse,
15:52mas ela não é médica que você está fazendo?
15:54Aí ela disse, não,
15:54mas ela pesquisa lá,
15:56ela diz direitinho qual médico
15:57a gente deve procurar.
15:58E ela foi numa evolução,
16:02e quis, então, assim,
16:03eu acho que desde cedo,
16:05eu demorei a aceitar,
16:07porque eu achava que era assim,
16:08eu não queria que ela ficasse
16:09uma pessoa direcionada,
16:11eu dava outras opções,
16:13assim como servia a Deus,
16:15eu parei de,
16:16ela era muito,
16:17ela servia muito,
16:19ela honrava,
16:19tudo dela,
16:20eu falei com Jesus e tal,
16:22e eu me afastei um pouco da igreja,
16:24porque eu digo,
16:25eu não quero que ela fique aquela jovem,
16:26é limitada,
16:28aquela jovem que,
16:30ela foi convencida,
16:31mas não convertida.
16:32é tanto que ela vai
16:34e se batiza escondido de mim
16:36na questão do Brasil,
16:37quer dizer,
16:37porque eu dizia,
16:38minha filha,
16:39você precisa,
16:40não pode ser aquela religiosa,
16:41você precisa conhecer,
16:43você precisa estar mais aberta
16:44para o adolescente,
16:45mas não,
16:46ela,
16:46muito cedo,
16:47ela foi fazendo
16:48essa construção espiritual,
16:50ela foi,
16:50e ela dizia assim,
16:52a mãezinha,
16:53eu sigo o meu Jesus,
16:54então quando é criança,
16:55a gente diz,
16:56ouviu alguém,
16:56quando é adolescente,
16:57ouviu um filme,
16:58quando são os amigos
16:59que estão puxando,
17:00mas não,
17:01ela vai para a faculdade,
17:03ela faz,
17:04quando ela entra no terceiro semestre,
17:06ela já monta um grupo,
17:08para trabalhar a questão da humanização,
17:12na medicina,
17:13mas ela,
17:14a humanização que ela queria,
17:15ela assim,
17:16o que que eu encontro,
17:17eu a encontro um dia,
17:19que eu fui lá,
17:19era uma cidade a 100 quilômetros de mim,
17:21ela com um apartamento cheio de jovens,
17:23na sala dela,
17:24ela falando,
17:25o que que Deus,
17:27o que que estava escrito na Bíblia,
17:29que Deus esperava de um médico,
17:31e ela estava no terceiro semestre ainda,
17:33então foi sempre,
17:34foi uma construção,
17:35e agora,
17:36pós,
17:37a passagem dela,
17:39eu descubro mais ainda,
17:40nos depoimentos das pessoas,
17:42quer dizer,
17:42eu descobri,
17:43ela era muito mais,
17:44do que eu vi,
17:47ela era mais ainda,
17:48espiritualizada,
17:49sabe dona Fátima,
17:50que tem uma frase,
17:50que eu gosto muito,
17:52e que toda vez,
17:53que eu falo da Ariane,
17:54que a gente já falou outras vezes dela,
17:57eu sempre lembro dessa frase,
17:58que faz todo sentido agora,
18:00que é,
18:00quando a luz vem de dentro,
18:01ela irradia e ilumina,
18:03quando ela vem de fora,
18:04ela faz sombra,
18:05e a luz estava nela,
18:07então não adiantaria,
18:08a senhora,
18:09tentar não,
18:09ai,
18:10deixa a religião um pouquinho agora,
18:11não,
18:12porque já estava nela,
18:13estava nela,
18:13estava dentro dela,
18:14então foi mesmo,
18:16existe um antes e um depois,
18:19eu acredito,
18:20no coração de uma mãe,
18:21que perde um filho,
18:23eu queria saber,
18:23como que foi,
18:26o silêncio,
18:28na tua vida,
18:29naqueles,
18:30primeiros dias,
18:31após a tragédia?
18:33eu acho que,
18:35eu,
18:35eu tive um movimento,
18:37de bloqueio,
18:38de bloqueio,
18:39das minhas emoções,
18:40é,
18:41eu falo isso hoje,
18:42na terapia,
18:43eu demorei para a terapia,
18:44porque eu não queria,
18:44entrar em contato,
18:45com as emoções,
18:46eu não queria,
18:47ver a realidade,
18:48eu queria,
18:49eu virei a guerreira,
18:50por isso que talvez,
18:51as pessoas pegassem,
18:52como referência,
18:54eu via aquilo,
18:54eu chorava,
18:55eu sofria,
18:56mas aquilo para mim,
18:57não era real,
18:57eu estava lutando,
18:58por uma causa,
18:58por causa do outro,
18:59porque eu precisava,
19:00bloquear,
19:01porque eu não iria resistir,
19:03não é possível resistir,
19:05uma dor dessa,
19:06não é possível,
19:07então,
19:07eu,
19:09eu,
19:09hoje eu vejo,
19:10assim,
19:10que eu fiquei,
19:11muito tempo,
19:12é,
19:13lidando com esse bloqueio,
19:14no momento que,
19:15é como se,
19:16assim,
19:16na hora que eu pensava,
19:17e eu até hoje,
19:18quando eu penso,
19:19que minha filha,
19:19não está mais aqui,
19:20eu começo a tremer,
19:22não é?
19:22Então,
19:23eu faço muitas coisas,
19:24como se ela estivesse,
19:26eu penso assim,
19:27a minha filha,
19:27ela está no hospital,
19:28essa hora,
19:29eu,
19:30é como,
19:30eu criei uma vida,
19:33tipo,
19:34eu sempre diz assim,
19:35eu fingo para mim mesmo,
19:36para poder resistir,
19:38eu fingo que ela está aqui,
19:40que ela está no hospital,
19:41cuidando das pessoas,
19:42que ela mais queria,
19:44porque,
19:44lá nos momentos,
19:45em que eu caio,
19:47assim,
19:47que eu tenho que falar disso,
19:48é muito difícil,
19:49sabe?
19:50É muito,
19:51encarar isso,
19:53não só para mim,
19:54para todas as mães,
19:55é como se a gente precisasse,
19:59se blindar,
20:00e criar uma versão da gente mesmo,
20:01para sobreviver o dia a dia,
20:03porque eu digo,
20:04quando alguém me pergunta,
20:05como é possível suportar,
20:07eu digo,
20:07não é possível suportar,
20:08a gente cria uma outra pessoa,
20:10a gente se brinda,
20:11a gente vai,
20:12e eu faço esse movimento,
20:13eu procuro estar com pessoas alegres,
20:15eu procuro ir para a festa,
20:17eu procuro,
20:18porque senão,
20:19eu não vou aguentar,
20:19eu não vou resistir,
20:20como nós já tivemos mãe,
20:22que não resistiu,
20:23a mãe do Ulisses,
20:24não resistiu,
20:26já faleceu,
20:27ou seja,
20:27aquele avião,
20:28ele já tem 63 vítimas,
20:30uma mãe que não suportou.
20:33Ouvindo a senhora contar,
20:34me lembra,
20:35me vem à cabeça também,
20:36a autora Glória Pérez,
20:38que ela fala que,
20:38quando ela perdeu a filha,
20:40ela queria recuperar,
20:42a imagem da filha,
20:44não só a tragédia,
20:46que aconteceu,
20:47e isso eu sempre vejo,
20:48na senhora também,
20:49que mais do que lembrar,
20:50da tragédia,
20:51a senhora quer manter viva,
20:54a imagem de quem foi,
20:56Ariane?
20:56Exatamente isso,
20:58porque,
20:59é o que a Cristiane falou,
21:00naquele primeiro momento,
21:02uma menina dessa,
21:05ela,
21:06eu coloco como referência,
21:07de milhões de pessoas,
21:09que são especiais,
21:12que são luz,
21:13que são,
21:14e porque a gente tende a,
21:17tanto a gente ruim,
21:18porque,
21:19tem um pensamento chinês,
21:20que diz,
21:20basta uma pessoa,
21:21para causar uma guerra mundial,
21:23né,
21:23e precisa de,
21:24milhares de pessoas boas,
21:26para provocar a paz,
21:28então,
21:29é,
21:29falar de Ariane,
21:30é também falar dos outros,
21:32inclusive,
21:32eu falo,
21:34para os outros pais,
21:36escreveram livros,
21:37sabe,
21:38é registrar,
21:39precisa registrar,
21:40esse ser,
21:41que só foi luz,
21:42que tinha um amor,
21:44é,
21:45é,
21:46é,
21:46é,
21:47é,
21:48fazer o que ela falou,
21:49falou mesmo,
21:50a Cristiane me pediu,
21:51tantos me pediram,
21:52registrar,
21:53deixar registrado,
21:55quem era Ariane,
21:56que o mundo saiba quem era Ariane,
21:58sabe,
21:59que era mais uma pessoa,
22:00ela era entre milhares,
22:02que veio trazer a paz,
22:03veio trazer o amor,
22:04e que seja,
22:05que sirva de inspiração,
22:07para outras pessoas,
22:08que leia esse livro.
22:10Isso que eu queria te perguntar agora,
22:12qual é a,
22:12a impressão,
22:13a mensagem,
22:15que a senhora gostaria que as pessoas ficassem,
22:18depois de ler esse livro?
22:21Eu acho que o mais forte que tinha na Ariane,
22:25é,
22:25e que eu nunca consegui traduzir,
22:27e a escritora consegue usar uma frase,
22:30que eu sempre falo,
22:31que ela dizia,
22:31diz assim,
22:32ela se vestia de presença,
22:35e eu queria que as pessoas,
22:38refletissem sobre isso,
22:39porque hoje,
22:39cada vez mais,
22:40as pessoas não estão presentes com as outras.
22:43Ariane,
22:43quando estava com alguém,
22:45com um paciente,
22:46ela não tinha pressa,
22:47quando ela estava com um amigo,
22:48ela não tinha pressa,
22:49ela ouvia,
22:50ela se doava,
22:51e hoje a gente vê famílias inteiras,
22:53que não estão presentes com a outra,
22:55no restaurante,
22:56cada um segurando o celular,
22:58amigos que vão para a festa,
22:59e ficam só fotografando,
23:00que vão no show,
23:01não estão presentes no show,
23:03então,
23:03eu penso que,
23:04o mais forte que ela traz,
23:06é assim,
23:06seja a presença,
23:07se você está no local,
23:09se está com o seu filho,
23:10seja a presença para o seu filho,
23:12se você está com seus pais,
23:14de idade,
23:14seja a idade,
23:15seja a presença,
23:16se você está com um amigo,
23:18seja a presença,
23:19o olho no olho,
23:20escute,
23:21confesse,
23:22troque,
23:23deixe um pouco o celular,
23:24deixe um pouco,
23:25porque hoje as pessoas,
23:26elas não escutam mais,
23:28elas,
23:28quando você está falando,
23:29ela está pensando,
23:30o que ela pode responder,
23:32ela não reflete,
23:34sobre a tua fala,
23:34então,
23:35o mais forte,
23:37é isso,
23:38que eu sempre,
23:39via da Ariane,
23:40ela se conectava,
23:42ela estava com a gente,
23:43parece que ela lia a alma da gente,
23:45então,
23:45o mais forte,
23:46seja a presença,
23:48na vida,
23:49do outro.
23:50Um ano,
23:51oito meses,
23:52e dezessete dias depois,
23:53se eu falo,
23:54Ariane Albuquerque Estevam Risso,
23:57esse nome te traz,
23:59nesse momento,
24:01dor,
24:02ou orgulho?
24:05O nome,
24:07Ariane,
24:07é orgulho,
24:10é dor,
24:10quando eu imagino,
24:11como eu digo,
24:12eu bloqueio,
24:12porque ela não está mais aqui,
24:14o tempo inteiro,
24:15eu estou assim,
24:16eu vendo,
24:16a Ariane ria,
24:17e ela me achava engraçada em tudo,
24:19até nas broncas,
24:20eu estou lhe dando bronca,
24:22e ela disse,
24:23ah,
24:23mas a senhora é engraçada,
24:24então,
24:26me traz muita alegria mesmo,
24:28né,
24:28lançar esse livro,
24:30registrar isso,
24:30aí me traz uma alegria,
24:32me traz um fôlego de vida,
24:34porque eu vejo a Ariane,
24:35o tempo inteiro,
24:36do meu lado,
24:36onde,
24:36pensando,
24:37porque ela sorrindo,
24:39às vezes,
24:39eu faço uma coisa engraçada,
24:41e a Ariane estaria gargalhando,
24:43né,
24:43porque,
24:43assim,
24:44eu sempre digo,
24:45eu virei uma palhacinha,
24:46por causa da Ariane,
24:47porque ela ria tudo,
24:48aí eu resolvi falar tudo,
24:49mesmo com as tragédias que eu contava,
24:50mas eu contava com o povo,
24:52então,
24:53me traz alegria,
24:54porque,
24:55para mim,
24:57eu bloqueio um pouco,
24:58porque ela não está mais aqui,
25:00eu bloqueio,
25:00para eu poder viver,
25:02senão,
25:02eu não vou resistir.
25:04eu posso considerar,
25:06então,
25:06que essa obra,
25:07escrita pelas mãos da Maria Fernandes,
25:10mas que conta a história de uma menina,
25:13que nasceu em Cuiabá,
25:15que tinha o sonho de ser médica,
25:16que percorreu o Brasil,
25:17para realizar esse sonho,
25:19e que agora está registrado aqui,
25:21pelo propósito de uma mãe,
25:23esse orgulho,
25:24que a senhora falou que sente,
25:26pode ser,
25:28o início de uma cura?
25:32É,
25:33eu acho que,
25:34talvez,
25:34o início não,
25:35mas é um,
25:36um esteio,
25:37é um,
25:38é um motivo,
25:40ele,
25:41esse projeto,
25:42que é um projeto do 3 Libros,
25:43é um,
25:43que me deu uma sobrevida,
25:45ele me dá uma sobrevida,
25:47e eu estou,
25:48esse é o primeiro lançamento,
25:49eu estou percorrendo o Brasil,
25:51a gente vai lançar,
25:52também,
25:53no interior de São Paulo,
25:54pelo Conselho de Medicina,
25:56no dia 11 de maio,
25:57depois,
25:57no Alonso de Fortaleza,
25:58depois em Cuiabá,
25:59e onde me chamarem,
26:01eu vou estar falando,
26:03desse legado,
26:04eu vou estar,
26:05eu quero que venda muito,
26:07que é para poder,
26:07a gente pegar esse dinheiro,
26:08reverter 100%,
26:10sabe,
26:11e ela continuar fazendo o propósito dela,
26:14isso,
26:14eu também estou documentando,
26:16juridicamente,
26:17para que,
26:17mesmo amanhã,
26:18quando eu for embora,
26:20fique aí,
26:21porque uma obra,
26:22um livro,
26:23ele é eterno,
26:23pode vender,
26:24porque hoje,
26:24amanhã,
26:25pode ser,
26:25lá,
26:25então,
26:26ele é eterno,
26:26que fique aí,
26:28fazendo,
26:28que ela continue,
26:30participando,
26:31ajudando,
26:32na cura das pessoas,
26:34porque,
26:34meus amigos dizem assim,
26:35os colegas,
26:36ela,
26:37antes,
26:37ela curava,
26:38antes de pegar,
26:39no estetoscópio,
26:40acho que você viu uma frase aí,
26:41que também me impactou,
26:43porque ela curava,
26:44curava almas,
26:46né,
26:46é lindo isso,
26:47é lindo,
26:48você saber,
26:49que as pessoas,
26:50tem essa referência,
26:51de uma filha sua,
26:52de ser essa luz,
26:54que olhava para as pessoas,
26:55e as pessoas,
26:56se sentiam,
26:57meio que curadas,
26:58então,
26:59é uma sobrevida minha,
27:01é uma sobrevida.
27:01Deus abençoe,
27:02a senhora sabe,
27:03que eu li o livro,
27:04já faz algum tempo,
27:05e eu quero que todas as pessoas,
27:06também,
27:06que estão assistindo a gente,
27:07também,
27:07possam ter a oportunidade,
27:08de ler esse material,
27:10portanto,
27:11Uma Escolha,
27:12e Seu Propósito,
27:13escrito pela Maria Fernandes,
27:16o lançamento,
27:17nessa sexta-feira,
27:18dia 24 de abril,
27:20às 7 horas da noite,
27:22em uma cerimônia,
27:23na Upecã,
27:24que era o hospital,
27:26onde a doutora Ariane,
27:27atuava.
27:29Então,
27:30eu gostaria muito,
27:31da participação,
27:32da comunidade,
27:33dos colegas médicos,
27:34o espaço lá,
27:35muito grande,
27:35mas a gente tem um espaço,
27:36na frente,
27:38eu gostaria muito,
27:38que vocês estivessem lá,
27:40prestigiando,
27:41e,
27:42essa,
27:43que é uma obra,
27:44é um registro,
27:45que poderia ser,
27:47um registro,
27:48de muitos outros médicos,
27:50é por isso,
27:50que é uma escolhida,
27:52que eu,
27:52não,
27:53porque ela não é a escolhida,
27:54nós sabemos,
27:55que nós temos aí,
27:56milhões de pessoas,
27:58que tem seu propósito,
28:00que são boas,
28:01que se apregam bem,
28:02então,
28:02eu convido a todos,
28:05a participarem,
28:06né,
28:06médicos,
28:07não médicos,
28:07a população,
28:09no dia 24,
28:10às 19 horas,
28:11vou repetir,
28:12lá no espaço,
28:13é,
28:14Sérgio e Dona Dulce,
28:16ao lado da Upecã,
28:17né,
28:18e aguardamos todos lá,
28:20todos lá.
28:21Maravilha,
28:22Dona Fátima,
28:23sabe que,
28:24existem histórias,
28:25que elas não terminam,
28:26uma despedida,
28:27né,
28:27elas continuam,
28:29com o exemplo,
28:30com o coração,
28:31com as memórias,
28:33que elas deixaram,
28:34tocar o coração,
28:36de quem conviveu com elas,
28:37eu penso que,
28:38a doutora Ariane,
28:40foi exatamente isso,
28:41e assim,
28:42como as outras,
28:43as 61 vítimas,
28:45daquela tragédia,
28:46que também tem histórias,
28:48famílias,
28:49filhos,
28:49pais e mães,
28:51pessoas que vão amá-las,
28:52para sempre,
28:53e que a gente mesmo,
28:55que cobriu,
28:56enquanto jornalista,
28:57essa tragédia,
28:58jamais,
28:59vai conseguir esquecer,
29:00e eu quero te agradecer,
29:01de todo o meu coração,
29:02por ter aceitado o convite,
29:04de vir falar conosco aqui,
29:05da Sérgio.
29:06Eu já que agradeço,
29:07e só mais assim,
29:08um adendo,
29:09eu fico muito feliz,
29:11porque,
29:12outros,
29:13porque o objetivo também,
29:14era,
29:16que a gente começasse,
29:18e outros familiares,
29:19escrevessem,
29:20então,
29:20nós já sabemos aí,
29:21que a Elisabeth,
29:22vai escrever o da Ana,
29:23que era a Ana Carolina,
29:24aqui de Cascavel,
29:25que era uma menina nutricionista,
29:27também,
29:28que transformava vidas,
29:30a gente está,
29:31falando no grupo,
29:32que a gente até apoia,
29:34ajuda,
29:34outros escreveram,
29:35porque ali,
29:36era um avião muito especial,
29:38as pessoas eram muito especiais,
29:40eu falo sempre para eles,
29:41que,
29:41eu sempre cuidei das amizades,
29:43da minha filha,
29:44eu tinha muito cuidado,
29:45mas que se eu tivesse escolher,
29:47assim,
29:48para ela ir para o céu,
29:49eu não escolheria também,
29:50porque a gente conhece,
29:51a história de cada um,
29:52são pessoas,
29:54maravilhosas,
29:55né,
29:55então,
29:56eu espero que seja de inspiração,
29:58para que outras mães,
29:59escrevam o livro dos seus filhos.
30:01Muito obrigado,
30:02mais uma vez,
30:03Luiz Raab,
30:04para a CGN,
30:05a informação,
30:07em tempo real.
30:08Obrigado.
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