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O conflito no Oriente Médio está impactando os preços dos combustíveis em todo o mundo, e o Brasil não fica de fora. Como isso afeta o seu bolso e a sua próxima viagem de avião?
Roberto Ardengue, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás, conversa com o Olhar Digital News sobre os efeitos da guerra nos combustíveis. Descubra como o aumento do petróleo e do gás natural influencia o seu dia a dia e o setor de aviação.
A matriz energética brasileira, com a força dos biocombustíveis como etanol e biodiesel, nos torna menos dependentes de importações. Saiba como o Brasil se compara a outros países e quais os desafios para minimizar os impactos dessa crise global.
Sabia que o petróleo está presente em muito mais do que apenas combustíveis? Entenda a importância do petróleo na indústria petroquímica e em produtos que usamos diariamente.
#Petroleo #PrecoCombustivel #Aviacao
Roberto Ardengue, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás, conversa com o Olhar Digital News sobre os efeitos da guerra nos combustíveis. Descubra como o aumento do petróleo e do gás natural influencia o seu dia a dia e o setor de aviação.
A matriz energética brasileira, com a força dos biocombustíveis como etanol e biodiesel, nos torna menos dependentes de importações. Saiba como o Brasil se compara a outros países e quais os desafios para minimizar os impactos dessa crise global.
Sabia que o petróleo está presente em muito mais do que apenas combustíveis? Entenda a importância do petróleo na indústria petroquímica e em produtos que usamos diariamente.
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00:00Vamos conversar agora no Olhar Digital News com o Roberto Ardengue, ele que é presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo
00:07e Gás.
00:08Vamos então colocá-lo aqui na tela.
00:12Seja muito bem-vindo, Roberto. Tudo bom? Boa noite.
00:16Oi, Bruno. Boa noite.
00:18Vamos então conversar sobre a situação aqui dos combustíveis no Brasil.
00:23Como que a guerra lá no Oriente Médio vem impactando o preço dos combustíveis por aqui.
00:29O que o consumidor vem sentindo aí Brasil afora?
00:34Então, Bruno, esse conflito aí afeta todo mundo.
00:37Não há país do mundo que não tenha sido afetado por essa situação inédita que a gente tem hoje no
00:44mercado mundial.
00:46Olhando aqui as notícias que você estava falando sobre tecnologia,
00:51Eu fico sempre me lembrando da questão dos data centers, que hoje são, vamos dizer assim, a estrutura de todo
00:58esse mundo digital.
01:00E o consumo que esses data centers hoje fazem de energia, dos distintos tipos de energia.
01:07O data center hoje, pela questão da confiabilidade, ele precisa ter muitos sistemas, inclusive, de redundância energética.
01:16E essa redundância energética exige diversos tipos de energia, inclusive as energias de origem fóssil.
01:24Muitas vezes, e é muito comum que os data centers tenham, por exemplo, um sistema de energia que venha do
01:30gás natural.
01:32E o gás natural é diretamente afetado pelo que está acontecendo hoje no mundo.
01:37Os preços do gás natural subiram vertiginosamente junto com o petróleo.
01:42Então, é um desafio gigantesco, um desafio gigantesco para os países consumidores e para os países também produtores.
01:50O Brasil, felizmente, está do lado dos países exportadores de petróleo.
01:54Nós não exportamos gás natural, mas exportamos sim bastante petróleo, mas somos importadores de combustíveis, de diesel, de gasolina, de
02:03querosene, de aviação, de gás, de efeito de petróleo, famoso gás de cozinha.
02:10Então, todos os países são afetados e o Brasil está também nessa mesma situação, tentando resolver ou minimizar os efeitos
02:18dessa crise toda.
02:22Exatamente. E acho que até vale a pena fazer um comparativo com outros países.
02:29O Brasil, a gente tem a questão, por exemplo, dos biocombustíveis.
02:32Às vezes o consumidor tem ali uma alternativa, por exemplo, do etanol.
02:36A gente também tem a mobilidade elétrica crescendo.
02:39Alguns países estão mais avançados, outros menos.
02:42Dá para dizer se o Brasil está, na média, se saindo melhor ou pior do que outros países diante dessa
02:48crise global?
02:49É. Nós temos uma matriz energética, Bruno, que é muito limpa.
02:53Então, isso faz com que o Brasil tenha uma situação diferente quando se compara com outros países do mundo.
02:59Veja, por exemplo, o Japão.
03:0194% do petróleo consumido no Japão é importado.
03:06Então, isso faz com que a dependência de países como o Japão, China, Índia, Coreia, muitos países da Ásia,
03:16seja extremamente grande com relação ao que está acontecendo hoje no Oriente Médio.
03:22O Brasil, temos uma situação, primeiro, confortável do ponto de vista da produção de petróleo,
03:28e também, como você mencionou, os biocombustíveis, eles estão também na matriz energética brasileira.
03:34Veja que hoje, 30% da gasolina brasileira, na verdade, é etanol,
03:40e 15% do diesel brasileiro, na verdade, é biodiesel.
03:45Isso faz com que a gente seja menos dependente desse produto importado.
03:49O Brasil, hoje, depende 20% do diesel importado.
03:58Eu acho que a gente...
04:0010%
04:03O senhor pode só repetir o finalzinho da sua fala, que acho que tivemos um pequeno problema de conexão,
04:08quando o senhor estava falando justamente sobre essa questão dos biocombustíveis.
04:12Então, o Brasil, basicamente, ele atende o seu mercado interno com refino nacional,
04:20mas nós ainda importamos 15% da gasolina, 20% do diesel e 20% do querosene de aviação.
04:30Isso é mais ou menos a quantidade que nós somos dependentes do mercado externo,
04:34importando temos que trazer o produto que hoje está muito mais caro do que o produto importado,
04:40do que o produto nacional.
04:41E aí você tem, claro, esse efeito na bomba, o consumidor acaba pagando.
04:46E não só como consumidor final, mas também todos os itens industriais.
04:51A gente tem que lembrar que o petróleo é muito utilizado também na petroquímica.
04:56Ele é utilizado na área de plástico, na área de produtos.
04:59Eu sempre digo isso, 85% da baunilha do mundo vem do petróleo.
05:04Se você quiser comer um sorvete de baunilha,
05:07provavelmente aquele gosto da baunilha, do sorvete, virá do petróleo.
05:13Essa eu mesmo não sabia.
05:16Mas é interessante, o petróleo está em tudo, não apenas nos combustíveis.
05:21Está também, a gente depende aí, é importante para a aviação também.
05:25A gente vem sentindo bastante os efeitos dessa guerra na aviação pelo mundo.
05:32Então, agora repito a pergunta que eu fiz dos combustíveis no posto de gasolina mesmo.
05:37Mas agora pensando na aviação.
05:39Que efeitos o brasileiro já está sentindo?
05:42E também é um paralelo em relação a outras partes do mundo?
05:45Ou se esse é um problema que acaba atingindo todo mundo,
05:49já que depende majoritariamente da querosene,
05:52se atinge em vários países mais ou menos da mesma forma.
05:56Então, o querosene de aviação, ele é importantíssimo.
06:0140% do custo da passagem aérea vem no combustível,
06:05portanto é um item fundamental na precificação da passagem aérea.
06:11Nós não temos problema ainda de abastecimento.
06:15A informação que nós temos é que na Europa, sim,
06:19está acontecendo problemas de abastecimento de querosene de aviação
06:23que vinha muito dos países do Oriente Médio.
06:26O Brasil não tinha essa dependência.
06:28A maioria do nosso querosene de aviação importado pelo Brasil
06:33vem dos Estados Unidos.
06:35Então, nós não temos essa dependência do produto que venha do Oriente Médio.
06:40Mas, claro, que a gente vai ter aumento de preço.
06:43Isso já está acontecendo porque as compras de querosene de aviação
06:48pelas empresas aéreas já estão sofrendo essa pressão de preço
06:52porque todos os combustíveis estão sendo objeto desse aumento de preço.
06:59Quando você pega um barril de petróleo e coloca dentro de uma refinaria
07:04para ele ser processado, você tira, em média, 220 produtos.
07:08E isso é apenas a primeira onda do produto.
07:13Depois, a nafta petroquímica, por exemplo, vai para a petroquímica
07:17e aí você vai tirar também uma quantidade muito grande de produtos.
07:21Depois, você vai para a petroquímica de terceira geração, de quarta geração.
07:25Então, é como se fosse um sistema de ondas.
07:27A gente sempre diz isso.
07:29É como se você jogasse uma pedra no lago
07:31e aquelas ondas vão se espalhando praticamente por toda a economia.
07:36Então, essa que é a preocupação que a gente tem hoje
07:40no sentido de que nós temos que ter medidas
07:43e o governo está fazendo isso,
07:45reduzindo impostos, criando subvenção
07:48para certos produtos que vêm do petróleo
07:51para tentar mitigar um pouco o efeito no consumidor final
07:55desse aumento de preço.
07:56Veja que o preço do barril de petróleo subiu
07:59de 63, 65 dólares para algo em torno de 100 dólares
08:04nas últimas cinco semanas.
08:06É um aumento muito expressivo
08:08e como a gente está acompanhando aqui nessa entrevista
08:10acaba tendo um efeito cascata,
08:12não só no setor de combustíveis.
08:15E para fechar, eu queria fazer uma projeção aqui,
08:19um exercício de futurologia,
08:21porque a gente nessa guerra tem cessar fogo,
08:23não tem mais cessar fogo.
08:24Aí parece que as coisas vão melhorar,
08:25as coisas voltam a piorar.
08:27Então, assim, numa projeção em que as coisas sigam assim
08:31por mais tempo, por mais semanas,
08:33mais alguns meses,
08:35aí ficará mais difícil de segurar.
08:38O senhor até citou a questão do estoque
08:40de querosene de aviação,
08:42que por enquanto o Brasil está seguro,
08:44mas países da Europa já não estão mais.
08:46Aqui o aumento dos combustíveis,
08:49do preço da gasolina aqui,
08:50e também até pelo consumidor ter outras opções,
08:52os biocombustíveis, o etanol,
08:54ainda não foi tão expressivo
08:56quanto outros países podem sofrer com esses aumentos.
08:59Mas o prolongamento da guerra
09:01pode significar mais transtorno ainda
09:03para os consumidores?
09:05Sem dúvida.
09:06Eu acho que esse conflito no Oriente Médio,
09:09ele ressalta primeiro a importância
09:11de todos os países que têm um petróleo
09:15de desenvolver as suas reservas.
09:18O Brasil está fazendo isso.
09:19Veja que quando aconteceu a crise
09:21do petróleo dos anos 70,
09:23você era muito jovem ainda,
09:25não lembra disso,
09:26mas naquele momento o preço do barril subiu
09:29quatro vezes de uma hora para outra.
09:31E o Brasil, naquela época,
09:33estou falando de 1971, 72,
09:36importava 90% do petróleo que consumia.
09:40Então, veja um grau de dependência
09:42que a gente tinha.
09:43A gente era um país comparado
09:44com o que é hoje o Japão.
09:46O Brasil foi atrás do seu petróleo,
09:50desenvolveu,
09:50junto com a Petrobras e as empresas
09:52que vieram também investir no Brasil.
09:55Grandes projetos, né?
09:57E hoje nós somos exportadores de petróleo,
10:01exportando cerca de 1,7 milhões de barris.
10:04Nos últimos meses,
10:05o petróleo foi o principal item
10:07da exportação brasileira.
10:09Nós temos que continuar com essa atividade.
10:11O mundo ainda vai precisar de muito petróleo,
10:13de muito gás natural.
10:14O processo de transição energética
10:16não é uma corrida de 100 metros,
10:19é uma maratona de 42 quilômetros.
10:21Então, a gente tem que ter ideia
10:23de que, enquanto o mundo
10:24for fazer a transição energética
10:26lenta e gradual,
10:27nós ainda vamos precisar de petróleo.
10:29Petróleo para o nosso país
10:31e petróleo também para exportar
10:33para outros países.
10:35Então, a gente tem essa preocupação
10:37porque, como você disse, né, Bruno,
10:40a gente não tem ideia
10:40do que vai acontecer lá.
10:42O conflito vai continuar?
10:44Vai acontecer ainda
10:45de um esteto de hormônios
10:46estar, na prática, bloqueado
10:48para a passagem dos petroleiros, né?
10:51Da onde vai sair esse petróleo
10:53que não está hoje passando
10:54pelo esteto de hormônios?
10:55E aí, o Brasil pode ser que tenha
10:57até uma oportunidade, né,
10:59de substituir
11:00uma parte desse petróleo leve
11:02produzido lá no Oriente Médio
11:04pelo petróleo brasileiro.
11:06Isso pode ser até uma alternativa
11:08de a média e longo prazo.
11:11Conversamos aqui no Olhar Digital News
11:12com o Roberto Ardengue,
11:14presidente do Instituto Brasileiro
11:16de Petróleo e Gás.
11:17Muito obrigado aqui
11:18por esclarecer aos nossos espectadores
11:20sobre essa projeção, né?
11:22É importante preparar aí o bolso
11:23e, claro, torcer pelo melhor
11:25para que toda essa situação
11:26acabe logo.
11:27Muito obrigado, boa noite,
11:28boa semana e obrigado especialmente
11:29por nos atender aqui
11:30em meio a esse feriado
11:31prolongado no Brasil.
11:33Um abraço, Bruno.
11:35Prazer.
11:36Obrigado.
11:36Então, aqui, conversando
11:38pra gente se planejar melhor, né, pessoal?
11:40Importante essa entrevista
11:41aqui no Olhar Digital News
11:42porque, quanto os senhores da guerra
11:44não pensam numa resolução pela paz,
11:48a gente segue com esse cenário
11:49totalmente instável no Oriente Médio
11:52e isso acarreta em problemas
11:53no mundo inteiro,
11:53inclusive aqui no Brasil.
11:55E acho que essa entrevista
11:56que foi bastante esclarecedora
11:57sobre o que a gente pode esperar.
11:59Os males, os efeitos
12:01ainda não foram os piores por aqui,
12:03mas a gente já está sentindo
12:04no nosso bolso
12:04e tem que ficar muito ligado
12:06porque, como o Roberto explicou,
12:08o petróleo não se trata
12:09apenas de combustível, né?
12:11Então, a gente tem que torcer
12:13por uma resolução rápida,
12:15claro, pela paz, evidentemente,
12:16óbvio, e também por todos os
12:20problemas econômicos
12:21que o mundo vem passando
12:22e que aí depois, né,
12:23evidentemente, acabam gerando
12:24outras consequências
12:26que vão para muito além
12:27da economia.
12:28E aí,
12:28E aí,
12:29Obrigado.
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