- há 5 horas
Uma catástrofe natural é um acontecimento súbito, quase sempre imprevisível, de origem natural, provocando um grande número de vítimas e muitos danos materiais.
Conheça 5 das maiores catástrofes naturais que ocorreram em Portugal.
Conheça 5 das maiores catástrofes naturais que ocorreram em Portugal.
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ConhecimentosTranscrição
00:14Portugal é conhecido pelas lindas paisagens, cursos de água pitorescos, imagens deslumbrantes,
00:23mas natureza a perder de vista. Um país conhecido pelo bom tempo, pacato e virado para o mar.
00:32Mas de tempos em tempos, a natureza mostra que tem tanto de belo como de forte.
00:40A única solução é sair na frente e esperar que pare.
00:47Desde 1967, morreram em Portugal mais de 4 mil pessoas, vítimas de catástrofes naturais.
00:55Tempestades, cheias, deslizamento de terras.
01:01Tem uma calamidade. As casas ficaram todas rachadas, estão todas partidas.
01:08Também ondas de calor, com temperaturas extremas, incêndios descontrolados.
01:14Não há registro histórico de incêndios tão rápidos.
01:21E sismos.
01:24A terra não gosta de nos dizer quando é que vai tremer.
01:28Foi uma coisa terrível.
01:33Estas são as 5 catástrofes que mais marcaram Portugal.
01:40Primeiro dia da década de 80.
01:433 da tarde, 42 minutos e 39 segundos.
01:47O arquipélago celebrava o novo ano, quando a terra tremeu.
01:54Um sismo de magnitude 7.1, que causa um impacto muito grande, principalmente na Ilha Terceira,
02:04mas também na Graciosa e em São Jorge.
02:0773 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas.
02:11A maior parte na Terceira.
02:13A cidade da Graduís sofreu muito com isso.
02:16Foi por aí que se começaram as operações, primeiro, de socorro, de tratar das vítimas
02:23e tentar arranjar local para alojar aquelas dezenas de milhares de pessoas que ficaram sem casa.
02:31Mais de 20 mil pessoas ficam desalojadas por um universo de habitantes de cerca de mais de 60 mil.
02:36Ou seja, temos uma enorme porcentagem da população que fica desalojada.
02:41A Força Aérea Portuguesa levou o primeiro auxílio às ilhas.
02:46Testemunhou, a partir do ar, o que acontecia em terra.
02:50As construções, de pouca qualidade, desabaram como folhas de papel.
02:56A Angra do Heroísmo ficou em ruínas.
02:58A destruição da construção foi muito significativa na Baixa de Angra,
03:04na própria Catedral de Angra do Heroísmo.
03:06E há também destruição significativa na parte oeste da ilha.
03:15O sismo de 1980 é considerado o mais destrutivo dos últimos 200 anos em Portugal.
03:26A duração foi cerca de 20 a 30 segundos.
03:29Pode parecer uma duração relativamente curta,
03:32mas, no entanto, estamos a falar durante 30 segundos
03:34em que tudo o que está à nossa volta vibra.
03:36É o suficiente para dar cabo, entre aspas, não é?
03:39De uma cidade e de uma região.
04:10A Catedral de Angra do Heroísmo
04:10no Dom Luís, na Universidade de Lisboa,
04:12onde existe um simulador que nos ajuda a perceber o que acontece
04:16quando a terra treme.
04:18Vamos calibrar este simulador
04:20para um tremor de terra semelhante àquele que ocorreu nos Açores em 1980,
04:26ou seja, 7 de magnitude.
04:42Numa situação real eu iria naturalmente procurar proteção debaixo de uma mesa,
04:46mas aqui a situação é controlada
04:49e só imaginando toda a estrutura de uma casa a abanar desta forma,
04:53paredes, tetos, janelas, isso é suficientemente assustador
04:56e só isso nos poderia dar uma dimensão real do que é um sismo desta dimensão.
05:03Dois meses depois do sismo, o chão ainda tremia.
05:07Ao todo, registaram-se mais 300 réplicas em 60 dias.
05:13O sismo teve um impacto de até 50% do PIB assuriano.
05:18Chegaram doações de mais de 250 mil contos de todo o mundo.
05:24Foi uma operação gigantesca
05:26e que, na altura, os Açores não tinham recursos humanos para fazer isso
05:33e, portanto, houve uma solidariedade muito grande.
05:37Depois desse acontecimento, existe um plano de reconstrução
05:43já com características anti-sísmicas significativas
05:46e que levou, porque às vezes há males que se transformam em bens,
05:51para a atual situação da cidade em Lodruísmo, que é lindíssima,
05:54e que foi reconstruída com enorme cuidado.
06:01Os Açores são uma zona de forte atividade sísmica,
06:04mas até 1980 tinham apenas três estações sismográficas em todo o arquipélago.
06:11Depois do terramoto de 1980, passaram a ser cerca de duas dezenas
06:16que, 20 anos depois, registaram e comunicaram em tempo real o sismo de 1998.
06:24Novo abalo, desta vez no Feial, destruiu 70% dos edifícios.
06:29Morreram nove pessoas.
06:40A previsão era de chuva para o dia 20 de Fevereiro de 2010, na Madeira.
06:45Mas ninguém previu tanta em tão pouco tempo.
06:52300 litros em cada metro quadrado, em meia dúzia de horas.
06:57Em cima de um sol, estava saturado.
06:59A maior parte desta água já não infiltrou, portanto, escuro.
07:03Isto só pode dar um catástrofe.
07:06A energia que está numa descarga d'água desta quantidade mostrada com a terra é brutal.
07:10Não é possível pará-la de uma forma simples.
07:18Aquele abalo que veio desta parede, para cá, foi o mesmo tempo.
07:21Eu arrisco um palhete para aceitar um fogão.
07:23Aqui foi de repente.
07:28Nós já tomíamos o pior devido às chuvas que tinham acontecido nestes dias.
07:33Não há palavras de tipo.
07:35É o terror mesmo.
07:36É indescritível.
07:38Antes havia uma casa, agora há o quê?
07:40Terra só.
07:41Não há casa.
07:41Rasto de casa sequer.
07:45150 derrocadas, em simultâneo, fizeram 51 mortos e deixaram 600 pessoas sem casa.
07:53Cinco corpos nunca foram encontrados.
07:56Lembrei-me que minha filha estava em casa.
07:58Comecei a gritar.
07:59O meu irmão foi passar a levar a minha filha.
08:02Já não andei o saldo.
08:03Eu tenho que dar ela estar em cima de um quarto.
08:04E eu fiquei o preso numa pedra.
08:06Os mortos, principalmente no Funchal, mas também na Ribeira Brava,
08:11foram devidos muito mais aos deslizamentos do que às cheias.
08:15As pessoas não morreram alfogadas, morreram debaixo dos deslizamentos.
08:18Estes deslizamentos levaram imensa quantidade de terra, de rochas, para os fundos do vale.
08:24E aí foram mobilizados pelas cheias rápidas e fui até o mar.
08:29Era uma casa de três andares.
08:32Aqui ao lado da sala.
08:33Era uma porta aqui ao lado.
08:35Não está preocupada.
08:36Deus me não.
08:472010 foi o ano mais chuvoso na Madeira desde 1865,
08:52o ano em que começou a haver registros.
08:56Boa parte da cidade do Funchal está construída,
08:59não é ao lado das ribeiras,
09:01há uns cintos em cima delas.
09:03Meia dúzia de horas de chuva deixaram um prejuízo de 1080 milhões de euros.
09:10Para as pessoas continuarem a morar na Serra d'Água,
09:13quantas casas só precisam.
09:15Se querem essa merda pronta.
09:16Uma vez cinco, uma vez cinco, uma vez cinco, uma vez cinco, uma vez cinco.
09:17O que se pode reconstruir, vai-se reconstruir.
09:21Para as pessoas ficarem nos seus cintos.
09:23O que não tem com certeza é casas novas.
09:25Acabou-se.
09:26Dez anos depois, as máquinas ainda trabalhavam nas ribeiras.
09:32As aluviões são crónicas na Madeira.
09:35Há relatos de cheias rápidas e deslizamentos de terra desde 1611.
09:40O mais mortífero foi em 1803.
09:43Numa manhã, de chuva intensa, morreram entre 600 e 1.000 pessoas.
09:58Num só ano, Portugal viveu os dois incêndios mais marcantes de sempre.
10:02E não só pelo número de vítimas.
10:05Em junho e em outubro, houve fogos nunca antes vistos.
10:10O incêndio de Pedrógão Grande teve um momento em que queimou entre 4.000 e 5.000 hectares a uma
10:18hora.
10:19É realmente algo nunca antes visto, tanto em Portugal como na Europa.
10:24Acredita-se que o fogo de junho começou com um raio que caiu sobre esta árvore.
10:3066 pessoas perderam a vida.
10:3411 pessoas.
10:36Nos caros.
10:3711 daqui.
10:3711 daqui.
10:38De 38.
10:41Foi um terço da população.
10:47A maior parte das vítimas morreu dentro dos carros.
10:51Quase todos os que fugiram de casa acabaram por morrer no fogo poucos minutos depois.
10:57E a maior parte das habitações ficou intacta.
11:01Só nesta estrada tombaram 34 vidas.
11:06Vem escorrer a mãe, meteram-se quatro dentro da carrinha, levavam dois caixinhos também, e a chegar ao lugar ficou
11:15tudo.
11:15Não houve, não houve hipótese nenhuma de safar.
11:18Não sabia que esta estrada que estava em perigo, porque como eles mandaram seguir a gente para cima, que não
11:23deixavam seguir, nós pensamos bem, vamos por esta.
11:33Perderam-nos o norte completamente, porque não se via à estrada, não se via risco na estrada, não se via
11:38nada, nada, nada, nada, contando de fundo.
11:42Perdiam-nos o carrozinho, os outros, e não conseguiam andar.
11:45Não conseguiam andar.
11:46Olha aqui, olha aqui.
11:47Você está a vincar aqui no norte, c******.
11:49Continua, por trás, por trás, por trás.
11:51Continua.
12:04Continua, por trás, por trás, por trás.
12:22Por esse ambiente geral de fogo por todo lado, e esterear a ver dos dois lados da estrada.
12:28É uma situação em que nós podemos estar bastante longe das chamas, mas vamos sentir a energia do fogo, o
12:35calor do fogo, ao ponto das pessoas poderem morrer com o fogo bastante longe.
12:40As imagens dramáticas, talvez as imagens mais dramáticas que eu já vi, é que seguiram o Downburst de junho de
12:472017,
12:48em que, tristemente, céu mostrado, em que as pessoas foram consumidas pela temperatura, não é pela chama, pela temperatura.
12:56As pessoas entraram em ignição.
13:00Eu diria que poucas imagens são melhores do que aquelas para chamar a atenção das pessoas.
13:05Quando nós estamos a falar de um fogo rural, nós não estamos a falar de nada que seja fugível, nada
13:13que seja escapável.
13:16O incêndio chegou a propagar-se a mais de 15 quilómetros por hora, algo nunca visto, mas que se iria
13:22repetir, quatro meses depois, em outubro.
13:25Em poucas horas, arderam 220 mil hectares no centro do país.
13:32Temperatura muito elevada, nível de umidade relativa muito baixa.
13:36Quando isso existe, os riscos são muitíssimo elevados.
13:40Terror muito grande, muito grande.
13:42Isto era o fim do mundo, eram as casas de tudo a arder, eram as pessoas a fugirem, foi horrível.
13:48Só quem assistiu isto, nem dá, não tem explicação.
13:52Aquilo a que as pessoas assistiram, em muitos casos, não foi propriamente uma frente de chamas,
13:58mas sim múltiplos pontos de ignição por todo o lado,
14:00e que exatamente criou esse medo e até mesmo pânico nas pessoas,
14:06porque de repente vem fogo por todo lado e vem fogo que cai do céu, como elas descrevem,
14:13e vem o céu vermelho.
14:14A gente não sabia para onde é que havia de ir.
14:17Era um autêntico inferno porque o fogo vinha mandado com vento.
14:24Ao contrário do que aconteceu em junho, em que a área ardida estava concentrada,
14:29em outubro houve vários incêndios por todo o centro do país.
14:3450 pessoas morreram em 14 concelhos, quase todas entre as 3 da tarde e as 3 da manhã.
14:41Arderam 540 mil hectares, desapareceram casas, fábricas, empresas.
14:48Os incêndios de 2017, em Portugal, foram dos piores do mundo.
15:01É hoje um terreno fértil e verdejante, mas há 50 anos era um bairro sem condições.
15:09Nas quintas, em Vila Franca de Xira, esta ponte liga as duas margens de uma pequena vala
15:15que, de 25 para 26 de novembro de 1967, foi maior do que alguma vez se esperaria.
15:23A chuva intensa fez a ribeira transbordar.
15:27Este imenso vale ficou totalmente submerso.
15:32Os moradores foram acordados com a água na cama para metade da aldeia.
15:37Foi tarde demais.
15:39A quantidade de precipitação que caiu nesse dia, aproxima-se dos 160 milímetros,
15:47corresponde a, sensivelmente, um quinto, talvez, daquilo que cai num ano médio nesta região.
15:56É que estamos a falar de 160 milímetros que não caem num dia.
15:59Não, elas caíram, essa chuva concentrou-se em algumas horas.
16:06Uma cheia, conjugada com uma maré alta de 4 metros,
16:10teve um impacto destruidor na Grande Lisboa.
16:15A nuvem, que origina a chuvada e que origina as cheias rápidas,
16:19ela vem do sudoeste.
16:21As primeiras zonas mais afetadas correspondem à bacia hidrográfica do Jamor
16:28e da Ribeira de Algez, que é Luz.
16:32É uma zona que sofre bastante na transição ali de onde hoje é o Conselho da Amadora
16:38e o Conselho da Divelas.
16:40Toda essa zona, desde a Paiã até ao Sr. Roubado,
16:44e depois em direção a Louros, é das zonas mais rusticadas.
16:48Mas, no entanto, não fica por aí, ou seja, continuando,
16:52a nuvem, o seu trajeto continua para o Nordeste,
16:56vai andando e vai matando, vai afetar pela Rádio de Gira,
17:00vai terminar em Alenquer, onde o registro de mortos é também significativo.
17:07As mortes em Alenquer aconteceram 5 horas depois das de Lisboa.
17:125 horas que poderiam ter sido aproveitadas para avisar as localidades a norte de Lisboa.
17:18Mas não foram.
17:20Num país em ditadura, a emissora nacional nem sequer deu a notícia
17:25para não correr o risco de alarmar o país.
17:30Nunca como nas 24 horas seguintes chegaram tantos corpos à medicina legal.
17:40Só nas quintas, em Vila Franca de Xira, morreram 100 pessoas.
17:45Os apelidos neste memorial revelam famílias inteiras.
17:53O número total de mortos noticiados pelos jornais foi subindo.
17:58Três dias após a cheia, o governo e a censura
18:01proibiram os jornais de revelarem mais vítimas.
18:0450 dias depois, ainda apareciam corpos,
18:08mas o número de mortos nunca se alterou.
18:11Ainda hoje, oficialmente, contabilizam-se 462 vidas perdidas na Grande Lisboa,
18:19mas sabe-se que terão morrido perto de 700 pessoas.
18:25Naquele sábado choveu durante todo o dia.
18:28Uma chuva miudinha que se intensificou.
18:32Já era noite.
18:33À uma e meia da manhã, começou a chover com uma grande intensidade.
18:40A maior parte da titulação, assim, das quintas, foi apanhada de provenida.
18:45Estava a dormir.
18:47Choveram 90 litros por metro quadrado,
18:50tanto quando chove, habitualmente, em fogo, neste entanto.
18:53Foi assim nas quintas que mais pessoas morreram,
18:56mas não foi assim que choveu mais.
18:58Em Sassueiros, no coloceiro de castaí, choveu quase o dobro,
19:02mas o número de mortos foi muito menor.
19:05E nas quintas, o que matou não foi a chuva, mas a mulher.
19:13A quantidade de bairros clandestinos, bairros de lata,
19:18sem nenhum tipo de organização, era imensa.
19:21E essas pessoas, esses bairros de lata,
19:24boa parte deles estavam situados nos leitos de cheio.
19:27Em alguns casos, as casas estavam encostadas mesmo às rebeiras.
19:33A miséria levou aos arredores da capital centenas de estudantes universitários.
19:39Voluntários participaram em operações de auxílio,
19:42onde o Estado tinha falhado.
19:44Ajudaram nas campanhas de vacinação.
19:47Viram corpos ser transportados em portas de madeira, enlameadas.
19:53Os estudantes da Universidade, principalmente os estudantes da Universidade de Lisboa,
19:57eles confrontaram-se, por um lado, com uma realidade miserável nestes territórios,
20:03porque a maior parte das pessoas foram mais diretamente afetadas pelas cheias.
20:07Eram pessoas com muito poucas poços,
20:09que tinham, de facto, uma vida razoavelmente miserável.
20:13E que eles ignoravam, era tão simples quanto isto.
20:16Coincidência, ou talvez não,
20:17sete anos depois, dada-se o 25 de abril de 1974.
20:29A 1 de novembro de 1755,
20:33Lisboa era o centro de um intério efervescente.
20:37Capital do comércio.
20:38Uma das cidades mais importantes do mundo.
20:41Até essa manhã.
20:44Este sismo é considerado o sismo de magnitude mais elevada que ocorreu na história da Europa.
20:51E também, em termos de danos, é um dos sismos que causou mais destruição.
20:57Lisboa assinalava o dia de todos os santos,
21:00sem saber que naquele dia se iria dar uma das maiores catástrofes alguma vez registadas no mundo.
21:08Nós estimamos que o terremoto de 1755 terá sido gerado com uma falha,
21:15que rompeu bruscamente,
21:18deslocando-se, muito rapidamente, 20 metros.
21:2020 metros é um prédio de seis andares.
21:26No total, os relatos apontam, em média, para oito ou nove minutos de duração,
21:32com duas introduções por meio.
21:34Um terremoto, normalmente, não é sentido durante mais do que dois minutos.
21:39E isto já estamos a falar de um terremoto de elevadíssima magnitude.
21:43Portanto, há aqui uma sugestão muito forte nestes relatos,
21:46de que não se está a falar de um terremoto,
21:50mas de uma sequência rápida de vários terremotos.
21:55As vítimas em Lisboa terão sido resultado, primeiro, do terremoto,
22:00relapse dos edifícios,
22:02segundo lugar, o incêndio que se desencadeou imediatamente a seguir,
22:05portanto, velas, cozinhas,
22:08que tinham lumes acesos, pegaram fogo às construções.
22:12E, a partir de determinado momento, os fogos e os incêndios juntam-se
22:17e tornam-se uma massa incandescente, incontrolável, para a época.
22:23Muitos dos que sobreviveram ao sismo e ao fogo
22:26foram depois apanhados por outro desastre.
22:30Todos os fenómenos que nós podemos ter, maus no sismo, ali aconteceu.
22:36Com o colapso dos edifícios, as pessoas tiveram a tendência
22:40para fugir para locais abertos.
22:42Portanto, um lugar aberto era, de facto, junto à costa.
22:45E aí, portanto, houve uma série de pessoas
22:48que terá sido, depois, apanhada, de facto, pelo tsunami.
22:53Os soldados que estavam aqui no Forte do Bugio
22:55foram os primeiros a ver o tsunami, a dirigir-se para a costa.
23:01A onda seguia implacável nesta direção.
23:05Dizem os relatos da época que, quando a onda embateu no Forte,
23:09a água subiu ao topo das muralhas.
23:12São seis metros de altura.
23:15E este Forte, tão habituado a lidar com a força do mar,
23:18não resistiu, sofreu danos importantes.
23:21Esta torre ruiu e viria a ser reconstruída 20 anos depois.
23:25Nesse dia fatídico, o tsunami, a onda,
23:30seguiram indiferentes em direcção ao Lisboa.
23:42Os soldados que estavam na guarnição do Bugio,
23:47que é um forte militar, ficaram em pânico
23:49ao ver a maré subir bruscamente
23:52e começaram a disparar o canhão para chamar a atenção.
23:59Eles dispararam os tiros de canhão
24:01para avisar as pessoas,
24:03mas as pessoas não se devem ter apercebido
24:05do que é que aquilo representava.
24:09O marmoto chegou a quase todos os países
24:12banhados pelo Atlântico.
24:15Chegou até à Suécia, Reino Unido,
24:18chegou também às Caraíbas.
24:29Atingida por uma sucessão de desastres,
24:32Lisboa transforma-se em pó e em cinza.
24:35O número de mortos não é consensual.
24:38As primeiras notícias da época dão conta
24:41de 40 a 80 mil mortos.
24:43Este número depois vai sendo reduzido
24:46à medida que o tempo passa.
24:48E hoje em dia,
24:49pensa-se que entre 15 a 30 mil mortos.
24:57A maneira como os portugueses
24:58vivenciaram o terremoto
25:00foi muito condicionada pela influência da Igreja,
25:02concretamente pela Inquisição.
25:03Inquisição.
25:04A Inquisição não permitia
25:07que o fenómeno fosse entendido
25:09como um fenómeno natural.
25:10Tinha que ser entendido
25:12como uma punição divina,
25:14portanto, algo metafísico.
25:17Há um poema de Voltaire
25:19chamado Poema sobre o Desastre de Lisboa
25:21em que coloca um pouco em paralelo
25:25o que se passava em Paris,
25:27onde se dançava,
25:29e o que se passava em Lisboa,
25:30que estava destruída.
25:31E perguntava a Voltaire
25:34como é que Lisboa tinha mais pecados
25:36do que os parisienses
25:38e como é que isso justificaria
25:41uma tão desproporcionada ira divina.
25:44É conhecido como o sismo de Lisboa,
25:47mas destruiu mais o Algarve
25:49do que a capital.
25:51Muito do que se sabe hoje
25:52sobre o terremoto de 1755
25:55deve-se ao Marquês de Pombal,
25:57que ordenou um inquérito aos danos.
26:02Estes tipos de dados,
26:03apesar terem mais de 260 anos,
26:05são dados que nós ainda hoje usamos.
26:07Estamos a falar de empresas multinacionais,
26:10estamos a falar de empresas de engenharia gigantes,
26:12em que estes mapas
26:13que foram construídos com esta informação
26:15ainda hoje são usados
26:16para nós calibrarmos modelos,
26:17que são usados, por exemplo,
26:19para definirmos quanto é que cada português
26:20tem que pagar nas apólias de seguro
26:22contra os sismos.
26:25E a origem ainda hoje
26:27não é totalmente conhecida.
26:29Por isso é difícil perceber
26:31quando um terremoto como este
26:33se pode repetir.
26:37As pessoas jogam no Euro-Milhões,
26:39mas obviamente que a probabilidade
26:40de ganhar o Euro-Milhões é baixíssima,
26:42mas as pessoas continuam a jogar no Euro-Milhões.
26:45Um terremoto igual a 1755
26:47é também, tem uma baixa probabilidade.
26:50A verdade é que a temos que considerar.
26:53Mas será que consideramos o risco
26:55de um fenómeno meteorológico extremo?
26:58A percepção que os portugueses têm
27:00da importância dos desastres naturais
27:01para o território
27:02não é uma coisa muito antiga.
27:04E existe a ideia, por vezes,
27:06que Portugal sempre teve grandes chismes
27:08e grandes tempestades,
27:09e portanto nós somos um país
27:10que está habituado a isso,
27:11mas isso não corresponde realmente à verdade.
27:14Há aqui há uns anos,
27:15numa situação de aviso meteorológico vermelho,
27:18teve para decorrer um jogo de futebol
27:19entre o Benfica e o Sporting,
27:21o estádio de luz cheio.
27:22A única pessoa com algum bom senso
27:26foi o árbitro que decidiu que não havia futebol.
27:30Estavam 60 mil pessoas,
27:31havia um aviso vermelho.
27:34Precipitação,
27:36vento,
27:38temperatura máxima
27:39e área ardida.
27:41A maior parte dos fenómenos extremos do clima
27:44em Portugal
27:45ocorreu nos últimos 40 anos.
27:48A próxima grande catástrofe natural
27:50não é uma questão de se,
27:52mas de quando.
27:53Estaremos preparados?
27:57Estamos recepidos para 오늘.
28:14Legenda Adriana Zanotto