00:01Ronaldo Lemos, você é considerado quase como o Papa da inteligência artificial no Brasil nessa área do direito.
00:07Como é que você acompanha o debate sobre a inteligência artificial dentro do sistema de justiça
00:13e qual a diferença da Jusia para as outras, que você percebe, como é que ela ajuda?
00:18Olha, a inteligência artificial no campo do direito está chegando com tudo, né?
00:23Então, até a gente fez uma pesquisa agora recente no ITS, em parceria com a Tribe e com a Jus
00:29Brasil,
00:30mostrando que a adoção é muito veloz.
00:33A gente está num momento em que o advogado e a advogada estão usando a IA com força total,
00:39o que faz sentido, que ela reduz as tarefas repetitivas e libera o advogado para aquele tempo que ele precisa
00:46para a reflexão jurídica.
00:48Então, é muito importante, tem que ter cuidado no uso.
00:52Até gosto de dizer que a principal habilidade que a pessoa tem que ter para usar a IA é a
00:59prudência.
01:00É você saber o que está acontecendo, ter ali uma confiança na plataforma.
01:05E a Jusia, eu acho que traz exatamente isso.
01:08É um modelo brasileiro, né?
01:10Treinado aqui no Brasil.
01:12Ele é muito bom para pesquisa de jurisprudência.
01:15O problema que eu sempre tive usando IA, essas mais comuns, é que ela inventa jurisprudência, né?
01:22Você está precisando de uma jurisprudência para um caso, ela te acha uma jurisprudência fantástica que não existe.
01:29E a Jusia não faz isso.
01:31Ela usa uma base de dados real e é uma mão na roda do ponto de vista de confiabilidade.
01:37Isso, para mim, faz toda a diferença.
01:39Isso, para a gestão dos escritórios, também para a questão de filosofia do direito.
01:48Isso vai trazer uma reflexão, permitir que se reflita mais sobre o direito, sobre as dinâmicas da sociedade?
01:55Olha, do ponto de vista da filosofia do direito, o que a IA faz também é democratizar o acesso ao
02:02conhecimento jurídico.
02:04Então, ela democratiza o acesso a conhecimentos que antes eram muito especializados.
02:09Por exemplo, contabilidade, programação, design e o próprio direito.
02:15Isso eu acho bom, porque a gente sabe que no Brasil a gente tem um desejo muito grande de acesso
02:21à justiça.
02:22De acesso à possibilidade da pessoa entender as questões jurídicas.
02:28E a IA permite isso.
02:29Agora, isso não afasta o papel do advogado e da advogada.
02:35O advogado é fundamental.
02:37Já diziam os italianos, Carnelucci e tantos outros, que o advogado traz paridade de armas na hora das disputas jurídicas.
02:47E agora, com o IA, isso vai ser ainda mais importante.
02:50Então, eu acho que a IA acaba valorizando o papel do advogado nesse momento em que o conhecimento do direito
02:57pode ser democratizado por meio da inteligência artificial.
03:01E como é que você acompanha a questão da regulamentação perante o CNJ, os debates que estão se tendo para
03:09a aplicação da inteligência artificial no sistema de justiça mesmo, nos tribunais de justiça?
03:14Para que juízes utilizem?
03:16Olha, o judiciário brasileiro é um grande pioneiro da inteligência artificial.
03:21Então, no Brasil, o próprio poder judiciário lidera o uso de inteligência artificial no setor público.
03:28Se você compara o judiciário com o executivo ou com o legislativo, o judiciário está muito na frente.
03:34Você tem projetos históricos, como, por exemplo, o Sinapses, desenvolvido pelo TJ de Rondônia, hoje nacionalizado por obra do STJ.
03:44No Supremo, você tem o projeto Victor e vários outros.
03:47Então, o judiciário brasileiro é protagonista no uso da IA e vem fomentando o uso da ferramenta, que eu acho
03:55muito importante, inclusive, para o setor público.
03:59Obrigada, Fernando.
04:00Obrigada, Fernando.