00:00Estamos aqui com a Roseli, ela que é a mãe do Marcos Antônio, que está desaparecido.
00:05Dona Roseli, o que a senhora tem de informação até o momento sobre o desaparecimento?
00:08Ele saiu na terça-feira, dia 7, cedo para trabalhar, como ele sempre faz.
00:15Ele chegou cedo, porque ele é usuário de crack, ele tinha amanhecido fora, chegou nervoso.
00:21Falou assim, mãe, a minha ex-milher que eu larguei vai vir buscar as roupas dela.
00:25Daí a senhora não entrega para ela, fala que quando chegar eu entrego, porque eles estavam brigados, ela está ameaçando
00:31ele.
00:32Daí ele pegou a bicicleta dele e foi para o trabalho, estava chovendo, colocou uma capa, chuva e foi para
00:38o trabalho.
00:38Ele trabalha no Acustão de Santa Eli.
00:40Ele foi trabalhar e não voltou.
00:42E ele sempre chegava do trabalho, às vezes ele vinha um pouquinho mais tarde, porque passavam os amigos dele.
00:49Ele chegava 8h30, 9h, mas chegava em casa, pegava a roupa dele e saía.
00:53E dessa vez ele não voltou, né?
00:55E ele pode ter os defeitos dele, ele é usuário de crack, mas só que ele estaria em casa.
01:01Ele vinha em casa buscar as coisas dele, a roupa dele, vestir, do jeito dele louco.
01:06Vestir a roupa dele saía, mas dessa vez ele não voltou.
01:09E ele não é de fazer isso, o celular dele já está na mão de outra pessoa.
01:13Ele só saiu com a roupa do corpo, a roupa dele está aqui, as coisas dele estão tudo aqui, estão
01:16tudo estranho.
01:19Não sei mais o que fazer, já procurei em todos quantos lugares.
01:22Não consigo achar meu filho.
01:23Ele usava tornozeleira eletrônica?
01:27Tornozeleira eletrônica, né?
01:28Eu liguei no monitoramento, eles falaram que na terça-feira, 11h15, parou de funcionar a tornozeleira dele.
01:34E desse dia não tem mais notícia dele.
01:36E ele não é de fazer isso, pelo menos comigo que sou mãe, eu tenho problema de saúde.
01:41Ele iria pelo menos falar assim, ó mãe, eu vim pegar minha roupa, estou saindo fora o jeito de louco.
01:46Mas dessa vez ele não fez nada disso.
01:48E eu, pra mim, meu filho não está vivo, meu filho está morto.
01:51A única coisa que eu peço, se alguém souber de alguma coisa, que avise a polícia.
01:56Não precisa nem avisar eu, mas avise a polícia, vivo, morto.
01:59Mas me avise, pelo amor de Deus, porque eu não aguento mais essa angústia.
02:02Eu não consigo dormir, não consigo comer, não consigo fazer mais nada.
02:06Eu não consigo fazer mais nada, eu estou desesperada, eu não sei o que fazer.
02:10Quem estiver me vendo, me ouvindo, por favor, me ajude, eu sou mãe.
02:14Qual que é o sentimento que a senhora está nesse momento?
02:17Ah, eu tenho depressão já, né?
02:20Depressão, tenho crise do pânico, eu estou custeada, eu não consigo dormir, não consigo fazer nada.
02:27Nada, nada, nada, nada, eu não sei.
02:30Ele tinha problema com alguém, devia pra alguém?
02:32Que eu saiba não, né? Porque ele não me falou nada, né?
02:36Ele não me disse nada.
02:38E a questão da tornozeleira eletrônica, da localização, a senhora também não teve?
02:42Não, porque ele falou assim, mãe, eu vou trabalhar, mas eu estou levando o carregador
02:47pra carregar a tornozeleira, pra mim não ficar sem bateria, estou levando o carregador
02:50no meu celular.
02:51Se ele já levou, ele não fica sem, pô, mãe, qualquer horário, só me liga, que eu vi
02:56que a senhora não está bem.
02:57E ele não retornou, até hoje.
03:00E a senhora acredita que tenha acontecido o que com ele, pra ele não ter aparecido mais?
03:06Eu acredito que o meu filho não esteja mais vivo.
03:09Eu acredito que ele não esteja mais vivo.
03:11Pra ele não aparecer todos os dias, ou dar notícia, do jeito de outro, ele tinha avisado
03:15eu, a avó dele, porque ele deixa de falar com todo mundo, mas comigo não.
03:21A senhora pede notícia de qualquer forma?
03:23De qualquer forma, vivo ou morto, mas me dê notícia, me tira essa angústia pra mim,
03:28e pelo menos aquietar meu coração, é o que eu peço.
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