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  • há 4 horas

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Transcrição
00:00Bom, ontem por volta das 7 horas da noite ocorreram dois grandes eventos na Venezuela,
00:05um de magnitude 7.2 e 39 segundos, um de magnitude 7.5 que foi o evento principal.
00:11São eventos que tem uma quantidade de energia muito grande e com isso eles são sentidos em uma área extremamente
00:18grande.
00:19São eventos que movimentaram mais de 150 quilômetros para poder, o principal,
00:24para poder você ter uma noção do tamanho de uma força de um evento desse.
00:28E claro, teve muitas destruições, especialmente nas cidades da Venezuela, como Caracas, entre outras.
00:34E no Brasil foi sentido, tanto em Belém, Macapá e outras regiões do norte.
00:38E por que essas cidades acabaram sentindo algo que ocorreu em outro país?
00:42Os terremotos nada mais são do que uma grande liberação de energia e com isso eles geram o que a
00:47gente chama de ondas mecânicas.
00:49Essas ondas, elas fazem vibração.
00:51Então no momento em que você tem uma ruptura ou a liberação dessa energia,
00:55você faz com que essa energia se propague em todas as direções.
00:59E aí por isso essa onda vai se propagando e vai perdendo energia conforme ela se propaga
01:04e ela vai atingindo essas diferentes regiões.
01:07Por isso que, por exemplo, em Caracas, que está a mais ou menos 160 quilômetros do epicentro do evento,
01:13você teve um efeito muito grande, ou seja, a intensidade ali foi muito maior.
01:17E conforme essa onda continuou se propagando, ela foi perdendo energia,
01:21ela foi chegando em outras cidades, Belém, Macapá, entre outras, mas com um nível de energia muito menor.
01:27Por isso que a sensação, a intensidade que foram percebidas nessas cidades
01:32é muito menor do que aquelas mais pertas do evento.
01:35E ocorreram esses eventos tão próximos, assim, algo comum?
01:39Já não é tão comum dois eventos de magnitudes tão próximos, assim,
01:44mas você tem normalmente eventos que ocorrem muito próximos.
01:48A gente chama de eventos pré-evento principal e pós-evento principal.
01:52Então você tem essas... isso é bastante comum.
01:55Mas os eventos com magnitudes tão similares não é tão comum, assim,
01:59mas também não é extremamente raro.
02:01Essas magnitudes, elas são elevadas e por serem tão rasos,
02:06isso impacta nesse resultado que é sentido?
02:08Com certeza.
02:10Quanto maior o número da magnitude, mais energia.
02:14Então esse é o número de quantidade de energia liberada.
02:16Ou seja, quanto que vai movimentar, quanto de energia literalmente naquele ponto ocorre.
02:22E quanto mais raso, maior é a intensidade, especialmente próximo de centros urbanos.
02:28Então um evento que ocorreu, por exemplo, esses eventos ocorreram a profundidade,
02:31o primeiro em torno de 30 quilômetros e o segundo em torno de 13 quilômetros.
02:34Você está muito perto da superfície, em termos sismológicos.
02:38E por isso você tem esse nível de destruição.
02:43Eventos similares, por exemplo, nós temos eventos similares,
02:46de magnitudes similares que ocorrem aqui no Brasil, por exemplo, na região ali do Acre,
02:51de magnitude 7.5, 7 ponto alguma coisa,
02:54mas são eventos que ocorrem a 500 quilômetros de profundidade.
02:57Então o pessoal sente a vibração, mas você não tem danos porque a profundidade é muito grande.
03:03Então essa relação da profundidade é extremamente importante,
03:07é o nível de impacto que pode gerar um evento como esse.
03:10Prédios mais altos sentem mais esses impactos?
03:13Eles sentem no sentido de percepção da população.
03:17Isso se dá devido à inércia, porque quando você tem um prédio,
03:22você movimenta o chão, a parte de cima, quanto mais alto o prédio,
03:28ele vai vibrar um pouco mais, ou seja, ele vai ter uma movimentação um pouco maior
03:31do que aquela no território, simplesmente pela inércia do próprio prédio.
03:35No entanto, os prédios são construídos para poder suportar esse tipo de vibração,
03:42porque o próprio vento faz vibrar em uma intensidade menor,
03:46então isso é comum.
03:48Mas não tem nada de mais no sentido do porquê que se sente mais,
03:53é mais uma percepção e uma situação de inércia do próprio prédio.
03:56Algum risco desses cílios causarem impacto nas infraestruturas do Brasil?
04:01A probabilidade disso ocorrer é muito baixa,
04:04justamente porque nós estamos bastante distantes dos principais eventos,
04:08então quando essa energia desses eventos chega ao território brasileiro,
04:12elas já estão muito atenuadas.
04:14Então a probabilidade de que isso vá afetar as estruturas é extremamente baixa.
04:19E há riscos de outros terremotos ocorrer na Venezuela e afetarem o Brasil?
04:23Como que a população pode perceber isso?
04:25Bom, a gente nunca consegue prever quando vai ocorrer o próximo terremoto,
04:29mas a região da Venezuela, dos Andes, sempre é muito ativa, sismicamente falando.
04:36Então eventos como esses vão ocorrer.
04:38Eventos, por exemplo, nesse nível da Venezuela, especificamente falando da Venezuela,
04:42tem mais de 100 anos que não ocorre um evento com esse nível de intensidade.
04:47Então ali pode se dizer que a taxa de recorrência é um pouco menor.
04:51Outras regiões, como por exemplo o Chile, você já tem eventos de magnitudes similares com maior recorrência.
04:57E alguns desses eventos são sentidos no território pela mesma situação.
05:02Claro que às vezes numa intensidade menor, porque eles estão um pouco mais distantes também.
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