00:00Frigorífico é um ambiente de risco para acidentes de trabalho.
00:04Em Medianeira, um frigorífico tem mais de 7 mil subnotificações de acidentes nos últimos anos.
00:11E eu vou conversar sobre isso. A papelada tá aqui e você vai saber tudo agora.
00:17Doutora Patrícia, o que significa uma empresa não emitir esses comunicados de acidente de trabalho em tantos casos?
00:26Boa tarde, Luiz. Pois é, a não comunicação do acidente de trabalho, o não registro da CATE,
00:35faz com que os trabalhadores percam a oportunidade de exercer o direito que eles têm em muitos benefícios,
00:42como o requerimento de um auxílio doença acidentário, um próprio auxílio acidente no futuro,
00:49se ele ficou com sequela e redução da capacidade do trabalho.
00:52A não emissão da CATE é como se o acidente não tivesse existido.
00:56E isso interfere na vida do trabalhador, até mesmo se desse acidente ocorrer uma doença ocupacional.
01:02Então, a não emissão da CATE é muito prejudicial para o trabalhador e isso favorece, infelizmente, o empregador.
01:12Doutora Patrícia Marchiori, é um frigorífico e 7 mil casos sem CATE. Qual é a gravidade disso?
01:19Isso é extremamente alarmante. Estamos falando de milhares de trabalhadores que ficaram sem assistência.
01:25Estamos falando de uma epidemia silenciosa dentro de uma empresa.
01:29E isso está fora dos dados oficiais. E isso distorce completamente a realidade dos trabalhadores.
01:35Doutora Patrícia Companhoni, na prática, o que o trabalhador perde com isso?
01:41Ele perde direito a muitas indenizações. Ele pode perder o direito à estabilidade no trabalho.
01:47Ele pode perder o direito de benefícios previdenciários, como o auxílio-acidente ou auxílio-doença.
01:55Sem a CATE fica muito difícil a gente provar que houve o acidente de trabalho.
02:01E é uma obrigação da empresa.
02:02É uma obrigação da empresa. Então, se você, trabalhador, não se omita, peça a CATE se você sofrer acidente de
02:10trabalho.
02:11Agora, se a empresa não emite, o que o trabalhador pode fazer?
02:15O trabalhador deve buscar atendimento médico imediato.
02:20Sofreu acidente de trabalho, ele exige da empresa a CATE.
02:23Mas se a empresa não emitir a CATE ou orientar o trabalhador a mentir no hospital que não foi um
02:30acidente de trabalho,
02:31ele não deve fazer isso porque ele está se prejudicando.
02:33Ele deve buscar atendimento médico, mesmo achando que esse acidente foi leve,
02:38e informar no hospital que ocorreu um acidente de trabalho.
02:41Para o médico fazer o comunicado de acidente de trabalho.
02:44Bem como procurar o sindicato da sua categoria.
02:47Porque o que não pode acontecer é esse acidente ficar escondido.
02:53Frigorífico é um ambiente de alto risco para acidentes, mas também para doenças ocupacionais.
02:59Agora, doutora Patrícia, por que nesses números todos, os casos de doenças ocupacionais são ainda mais subnotificados?
03:07Porque a doença ocupacional, diferente do acidente típico, onde a pessoa sofre uma lesão que é altamente visível,
03:14a doença ocupacional é lenta.
03:15Ela começa a se desenvolver e ela demora para a pessoa entender que aquela lesão que ela tem,
03:23um tendão machucado, alguma coisa assim, é decorrente do trabalho, do seu esforço repetitivo.
03:30E quando a empresa não emite acate, fica muito mais fácil para eles alegar que esse problema que a pessoa
03:36está sofrendo
03:37é um problema degenerativo dela e não é culpa da empresa pelo trabalho excessivo, pelo esforço repetitivo
03:43e por tudo mais o que acontece dentro do próprio ambiente de trabalho.
03:47Então, a emissão da CATE nesses casos também é muito importante.
03:51Agora, eu te pergunto, Patrícia, essas irregularidades que eles encontraram lá são comuns nos frigoríficos?
03:57Infelizmente, sim. Os frigoríficos já são conhecidos por ser um ambiente adoecedor do trabalhador,
04:05tanto por acidente de trabalho como por doença ocupacional.
04:08E após essa força-tarefa do Ministério Público nesse frigorífico específico,
04:13nosso escritório teve muita busca de outros trabalhadores de outros frigoríficos da região,
04:19pedindo se seria possível o Ministério Público investigar outros frigoríficos,
04:25eles informando que tudo que estava constando nessa investigação ocorria dentro dos frigoríficos
04:31onde eles trabalhavam. Infelizmente, essa é a realidade dos frigoríficos aqui no estado do Paraná.
04:39E o que mais chama a atenção nesses casos, doutora?
04:42É uma lista imensa de irregularidades que dá direito para você, trabalhador.
04:46É ausência de notificação da CATE, falhas graves de segurança,
04:52a ausência de rodízio para o trabalhador ter o período de descanso e não se lesionar.
04:58Assim, nós estamos alarmados com a procura que nós tivemos essa semana,
05:04inclusive dos trabalhadores falando para nós que a empresa pediu para que fosse ao atendimento médico,
05:10mas não contasse que foi acidente de trabalho.
05:12Gente, isso é uma omissão gravíssima.
05:15Vocês, trabalhadores, não podem ficar omissos.
05:17Vocês têm que comunicar que foi, sim, um acidente de trabalho.
05:20Trabalhador, esse caso pode servir de alerta?
05:24Sem dúvida.
05:25Esse caso mostra que ainda existe uma cultura de esconder o acidente e o adoecimento dentro do ambiente de trabalho.
05:33E isso precisa mudar.
05:35Prevenção, cuidado no ambiente de trabalho não é opcional.
05:39É uma obrigação da empresa.
05:42Direito trabalhista existe para ser cumprido.
05:44Exija os seus.
05:45Eu conversei hoje com as doutoras Patrícia Campagnoni e Patrícia Marchioli.
05:50Vamos lá, contato, doutora.
05:52Pelo WhatsApp, 45-999-31-1928.
05:57Ou pelas redes sociais.
05:59Marchioli, Patrícia.
06:01Se serve Marchioli.
06:02Lá a gente passa bastante conteúdo, informa os trabalhadores.
06:05Quem quiser, segue nós lá.
06:07Luiz Rabi, para a CGN.
06:09A informação em tempo real.
06:11Ou o celular.
06:11Muito interessante do animal translations.
06:11Ou seja, à costa menosoro.
06:11É hora.
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