00:00Na Brasília fomos para o ginásio.
00:02Eu cheguei no ginásio, era por volta de quatro e meia da tarde
00:06da segunda-feira do dia nove.
00:09Eu saí de lá quatro horas da manhã
00:13da quarta-feira
00:15para o IML, para fazer o corpo de delito
00:18e depois para a penitenciária,
00:20sem ter cometido crime algum.
00:22Lá dentro da penitenciária,
00:24para quem acha que foi pouco,
00:27era comida podre, era comida com unha, com pedra,
00:31era lavagem.
00:33A água que nós bebíamos, a gente tinha que botar no copo
00:36e esperar decantar para beber água,
00:39porque era a água da torneira,
00:40e ainda assim nós tínhamos medo de comer e de beber água.
00:43Nós não podíamos cantar o hino,
00:45porque incomodava as agentes.
00:47Nós não podíamos cantar louvores,
00:49porque incomodava as agentes.
00:51Nós não podíamos rezar,
00:52porque incomodava as agentes.
00:54Elas colocavam a gente no futebol de meio-dia,
00:58por volta de...
00:59A gente imagina uns 20 a 30 minutos,
01:01sentadas naquele cimento quente,
01:05cabeça baixa, mão para trás e em silêncio.
01:08Eram gritos,
01:11foi violência psicológica,
01:14violência física, verbal.
01:18As pessoas podem imaginar o que nós passamos,
01:20mas nunca vão saber o que nós sentimos na pele.
01:23Então, a única coisa que eu peço a vocês
01:26é que não larguem as nossas mãos,
01:28que continuem juntos
01:29e que sigamos unidos,
01:31porque a gente precisa libertar a Bahia
01:33e a gente precisa libertar o Brasil.
01:35Aplausos.
01:38Aplausos.
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