00:00Ela vai trazer pra gente tudo o que aconteceu em Olinda, porque as chuvas trouxeram mais do que rua alagada,
00:06mais do que atraso pra compromisso, mais do que falta a trabalho e a escola.
00:10Trouxeram a tristeza de moradores que perderam tudo dentro de casa, de comida e roupa a móveis e eletrodomésticos.
00:17Sem falar que em alguns casos até a própria moradia ficou impossível de ficar e pessoas precisaram ser resgatadas.
00:24Veja na reportagem agora da Rafaela Pimentel e do Wagner Barbosa.
00:28Olinda entrou em alerta máximo e a Prefeitura suspendeu serviços não essenciais por causa das fortes chuvas.
00:37A cidade teve um dos maiores volumes de água da região metropolitana do Recife.
00:42Até o início da manhã de hoje já registrava mais de 119 milímetros, quantidade esperada para 15 dias do mês
00:50de abril.
00:51A rua Maria Vanderlei de Queiroz, no Fragoso, ficou alagada e durante a passagem de um ônibus, a força da
00:59água derrubou parte do muro
01:01e do portão de uma casa que foi inundada.
01:04Um casal de idosos precisou ser resgatado por vizinhos.
01:08O motorista dessa empresa aqui, de pegar funcionários para levar para alguma empresa de montadora,
01:15esse rapaz não teve o que fazer.
01:18Veio com tudo, destruiu o portão da senhora ali, que são dois idosos.
01:26Olha, o que vocês conhecem, o motorista pegou nem para socorrer e ajudar a gente aqui a socorrer,
01:35porque aí essa casa aqui mora dois idosos, debilitado.
01:39A água aqui quase batendo na cintura e fez uma onda tão grande que saiu destruindo o portão quase todo
01:45mundo aqui,
01:45até lá de casa, entrou, chegou até a entrar água.
01:47Três horas da manhã, com o tarjeta na minha comporta ali, eu escritou um estrondo.
01:52Nesse estrondo, quando eu pensava que era um trovão, quando eu ouvi, uma onda vindo.
01:56Foi uma bomba d'água. Estourou até ali perto da casa de Érica.
02:00Aí quando a gente anda ali, quando eu olhei direitinho, era o ônibus da Aestá, que tem a caba de
02:04destruir aí.
02:05Aí eu e o Orlando começaram a escutar gritos.
02:07Aí pegou a gente, pegou, veio socorrer aqui para ver quem era.
02:10E o rapaz também que mora no Beco aqui, também veio ajudar e a gente terminou arrombando ali para salvar
02:15o casal de idoso.
02:16Então a gente tem entre 70 e 80 anos.
02:18Eles estavam sozinhos na casa?
02:19Eles estavam sozinhos.
02:21Aí, onde aquele rapaz também veio ali, também nos ajudar, nós três.
02:25Onde é que eles estavam no momento?
02:26No momento eles estavam presos aí dentro de casa.
02:28Aí ele não tinha visto a chave, aí a gente teve que arrombar aí para poder tirar eles.
02:32Entendeu?
02:33Aí os pessoal ligaram para o corpo de bombeiro.
02:35E o rapaz, o motorista, veio tentar ajudar devido à situação que ele fez devido a derrubar a porta deles.
02:42Porque a água escorreu parecendo uma cachoeira.
02:44Não, ele pegou calado e foi embora.
02:46Porque ficou uma passagem do ônibus que fez essa onda, né?
02:50Aí fez essa onda.
02:51Aí piorou a situação, derrubando ali tudo.
02:53Aí piorando mais ainda, a água escorreu bem mais forte ali dentro da casa do idoso.
02:58E entrou muita água dentro da casa?
02:59Oxe, indico, fosse.
03:00Eu sou o mais baixinho que tem.
03:01Ficou quase na altura do meu peito.
03:03Móveis e objetos ficaram boiando dentro da casa.
03:23Quando eu cheguei, o pessoal já estava atirando eles, os vizinhos.
03:28O problema todo foi causado por esse ônibus aí, que fez uma onda, derrubou o muro.
03:32A casa é mais baixa do que o nível da rua, né?
03:34Aí a água passou e foi rápido, encheu tudo de uma vez.
03:39O pessoal tem um sistema de bomba lá atrás, mas não deu pra acionar.
03:42E a situação da casa? Como é que tá lá dentro?
03:45Tudo perdido.
03:47De feira a sapato, roupa, fogão, móveis.
03:53Tem nada inteiro.
03:54Nada, perdeu tudo.
03:56Você conseguiu retirar aí algumas coisas, poucas coisas?
03:58Alguns documentos.
03:59Tem alguns molhados aqui.
04:00Tirei roupa, que estão lá em casa.
04:02Eu moro ali em cima.
04:04Aí vou levar pra eles.
04:07E agora nenhuma previsão de voltar pra casa, desse jeito, né?
04:09Não, desse jeito aí não tem condição, não.
04:11Vamos ficar lá até a gente resolver isso aí.
04:14Outras três casas da rua também foram invadidas pela água.
04:18E em duas delas, partes dos muros caíram.
04:22A de dona Alba está com rachaduras e corre o risco de desabar.
04:27Tá pra cair a qualquer momento, porque essa daqui, da minha irmã, não tá morando ninguém,
04:33porque ela tá toda rachada, por sinal, ela tá toda escorada.
04:37Aí a gente tá com medo, né?
04:39Aí eu perguntei ao bombeiro, olha, me diga uma coisa, expliquei ele na situação dessa
04:43casa e ele disse, olha senhora, se continuar chover e essa água subir, a tendência é
04:49ela desabar.
04:51Porque é uma parede só, pra minha casa e a casa dela.
04:54Aí se uma cair, no caso essa, aí essa vai puxar a outra, que é a que a gente moramos.
05:01Aí diz, senhora, vai fazer o quê?
05:02Tem pra onde ir?
05:03Eu vou ligar pra minha irmã, ela mora em pau amarelo.
05:06Toda vez que chove, acontece isso aqui.
05:09Toda vez que chove, os carros passam, vocês passam, como vocês podem ver, não tem respeito,
05:13joga mais água pra dentro das nossas casas.
05:15A gente fica numa situação complicada, porque tenta avisar pra eles não passar, eles
05:20passam.
05:20Aqui, ó, como é que tá aqui, como vocês podem ver, a situação aqui, ó, horrível.
05:25Não tem uma limpeza, a prefeitura não manda ninguém aqui pra limpar, fazer a limpeza
05:28desse canal aqui, é, de esgoto, né?
05:32Na Pé 15, os dois sentidos, no trecho que dá acesso a Ouro Preto, ficaram alagados.
05:39O carro parou de funcionar no meio da água e os bombeiros fizeram um resgate do motorista.
05:46Esse outro homem enfrentou o alagamento a pé.
05:50Já passou por muita água, assim?
05:51Muita água, muita água.
05:52Ali mesmo a água tá batendo na cintura.
05:54Você pode ver que o carro foi inventado de passar, parou.
05:58Aí...
05:58E o senhor se arrisca dentro da água?
06:00Tem que ser que eu tenho que trabalhar, né?
06:02Tenho que trabalhar, não posso estar faltando e a gente tem que se arriscar de todo jeito,
06:05é o jeito.
06:06Mas não tem medo de um bueiro, de um buraco, de um fio?
06:09Isso a gente tem, eu já pensei muito nisso.
06:12Mas é aquele negócio, né?
06:13A gente tem que se arriscar.
06:15Moradores também precisaram ser resgatados.
06:18Eles tiveram a casa inundada e precisaram sair do imóvel de madrugada.
06:23Deixa eu dar água, agora lindinha, vai olhar lá, a moça, queira que a senhora visse.
06:28Tá lá, a geladeira tá virada.
06:31Ó, não quer nem pensar não, fogão, a cama, a minha cama novinha, coisa embaixo.
06:38Desde que hora a senhora precisou sair de casa?
06:40Desde três horas da madrugada, esperando na rua, água por aqui, ó.
06:46É muita água.
06:46E sabe por quê?
06:47Porque aqui, ó, fizeram esse negócio aí de comedido e atacarejo, prejudicou a gente que mora aí.
06:54E a água não espalha mais.
06:56E aqui, esse viaduto, não fizeram direito embaixo dele.
07:00Lá no canto tem um carro de lixo.
07:02Ele só faz limpeza no canto, nem outro, pra lá e pra cá, e não tira o que tem debaixo
07:09do viaduto.
07:10Sr. Edmício, como é que tá a situação lá na casa de vocês?
07:12A casa da gente tá um precário.
07:15Água, não tem nada de dormir.
07:17Comida, foi-se embora na cheia, perdemos a feira da gente, naquela primeira chuva que deu.
07:23E agora deu essa agora de novo.
07:24A gente sentiu o que comer, pagando no aluguel, 350 contos.
07:30Levei ela no CRAI, pra fazer o negócio, pra pegar o dinheiro dela, que ela recebeu o salário dela.
07:34Cortaram, bloquearam o cartão dela.
07:36Dois meses que a gente tá sem receber dinheiro.
07:38E hoje, mais uma vez de chuva novamente?
07:40Mais uma vez de chuva de novo.
07:41Pode chegar aí, pode ver que tá cheio de água.