00:02De que casa és? É a pergunta, feita pela artista plástica e realizadora Ana Pérez Quiroga,
00:09que dá nome ao documentário que tem como figura central a mãe.
00:13Levada de Espanha para a União Soviética em criança, como refugiada da Guerra Civil Espanhola,
00:18acaba por sair de uma guerra, para entrar noutra, a Segunda Guerra Mundial.
00:23Afastada da família e do país natal, só voltou a Espanha adulta depois da morte de Estalina.
00:29Não me recordo mais nada. Quatro anos e já não me recordo nada.
00:33Fala pouco, mas quando fala, nunca, desde que me lembro, nunca nos passou uma ideia que isto fosse um trauma.
00:44Antes, pelo contrário. Eu sempre senti que era até uma aventura.
00:52E eu falo disso no filme. Eu sempre achei que aquilo era uma grande aventura.
00:56Eu deixei o tempo da guerra com tantas bombas e tudo.
01:03O passar do tempo, a relação entre mãe e filha e o sentimento de pertença aos vários lugares e culturas
01:10por que passou a mãe de Ana, são temas sempre presentes no filme.
01:16As vindimas na casa de família servem aqui de metáfora.
01:21O filme fala de uma coisa que é o tempo.
01:25E por isso nós filmámos duas vindimas, dois anos seguidos de vindimas.
01:29E esse tempo cronológico interessa-me.
01:32Que se perceba que o filme tem a ver com essa ideia de tempo.
01:36Mas também tem a ideia que está subjacente, que é também a fratura.
01:41A quem pertencemos e em termos de identidade.
01:47De que casa és?
01:50Esteve a estreia mundial no Festival de Documentário de Salónica no ano passado
01:54e chega aos ecrãs de várias cidades portuguesas na quinta-feira, dia 16 de abril.
02:00E aí
02:02Música
02:06Obrigado.
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