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  • há 1 dia
Transcrição
00:06Olá, sejam todos muito bem-vindos, Caras Business começando e o meu convidado de hoje é o vereador
00:13Fabinho Reis, vereador por Carapicuíba. Tudo bom, Fabinho? Tudo bem, Lili. Obrigado pelo convite,
00:20tenho certeza que vai ser uma entrevista muito bacana e falar um pouquinho da minha história
00:25para o nosso público. Da tua história, do teu passado, do presente, do futuro, o que tem para fazer?
00:30Quero começar lá atrás, o que te motivou a entrar na política, o que te fez gostar do público,
00:37da vida pública, melhorias para a população? Me conta um pouquinho.
00:41A política, na verdade, ela já estava já dentro de mim, ela só não tinha da florada, né?
00:47Eu sempre participei de grêmio da escola, eu era líder de sala, eu sempre estava na frente
00:53nas atividades, sempre na frente de tudo. Fiz engenharia, parei aí no quarto ano,
00:59porque eu tinha fundado um centro acadêmico dentro da faculdade e eu já não fazia mais nenhum curso,
01:05mas eu queria mais aí me preocupar com a situação das coisas. Criei uma ONG também em Carapicuíba,
01:12a ONG SOS Brasil Melhor, que esse ano completou 20 anos. Fui fazer faculdade de sociologia.
01:18Eu sempre falo que a vida nossa, o único meio de transformação é através da política, né?
01:24Dos políticos, eles fazem leis que ou beneficiam a população ou prejudicam.
01:29E eu comecei a gostar de nisso, eu já era funcionário da CPTM, que eu sou concursado lá há 28
01:37anos.
01:38Comecei também a conhecer bastante gente desse meio público, política, e comecei a ajudar
01:44de uma deputada lá de Itabão da Serra, a Annalise Fernandes. Eu comecei a gostar dessa coisa e falei,
01:51poxa, eu acho que se eu for vereador, eu vou, pelo menos eu não vou conseguir transformar o mundo,
01:56mas o meu bairro, onde que eu moro, que é a Vila Marcondes, eu vou conseguir melhorar.
02:01E nisso foi surgindo os trabalhos sociais que eu sempre fazia. Saí a primeira vez candidato em 2008.
02:08Já na primeira eleição eu tive quase mil votos. Então, para quem não tem um pedigree político,
02:14já teve mil votos. Na primeira, quase 20 anos atrás, era muito voto.
02:19E eu percebi que realmente as pessoas, elas acreditavam naquilo que eu tinha como projeto de vida,
02:28não para mim, mas pelas pessoas. E começou a crescer.
02:32Em 2012, eu dupliquei a minha votação, fui o primeiro suplente.
02:38No finalzinho desse mandato, eu acabei assumindo, por conta de algumas coisas que aconteceram lá na cidade,
02:45eu acabei assumindo. Depois, na de 2016, eu fui o quarto mais votado.
02:49Na de 2020 mesmo, com a pandemia, tudo, eu fui o segundo.
02:53E nessa última, agora, eu fui o vereador mais votado da cidade.
02:58E hoje eu sou o segundo vereador mais votado na história de Carapicuí.
03:03Pelo trabalho que eu realizo, eu sou muito ligado ao terceiro setor, às ONGs.
03:10As ONGs, no período da política, provou a importância delas hoje na sociedade, né?
03:17De que se não fosse as ONGs, muita gente tinha morrido de fome, problema psicológico.
03:24Das ONGs, elas abriram as portas, às igrejas também, para, tipo, acolher aquelas pessoas que estavam sem comida,
03:32com problema psicológico. Então, eu sou muito ligado a isso hoje, né?
03:37Eu tenho um trabalho muito forte na ONG mesmo, eu continuo sendo voluntário hoje,
03:42participo das atividades, ajudo e sou ligado também muito à causa da pessoa com deficiência.
03:48Eu quero saber tudo isso. Agora, lá atrás, você falou,
03:51Ah, eu não tenho pedigree político, mas você tem uma construção, né?
03:55Política, ou você vem com pedigree, porque o pai foi, o avô foi, já tem um cenário político favorável,
04:02mas você chegou com trabalho, mostrando a que veio.
04:06E eu quero saber dessa questão da pessoa com deficiência, é a tua bandeira.
04:11Como é que você se engajou nessa causa? Por quê?
04:14Eu acho, Lili, eu sempre falo isso na Câmara, em todas as entrevistas que eu faço,
04:21que o sucesso de qualquer coisa é a liderança.
04:25Se você tem uma liderança que ela é fraca, ela é covarde, ela não vai pra cima,
04:32quem tá ali te acompanhando, ele não vai sentir firmeza, né?
04:36É um dom que eu acho que meu pai, ele sempre me dava, assim, desafios, força,
04:41não desista, né? Da minha mãe, ela já era daquele lado mais amoroso, né?
04:46Do humano que eu tenho também, de acolher as pessoas.
04:49Então eu peguei essa parte da minha mãe, de acolhimento das pessoas,
04:52porque ela sempre ajudava pessoas também.
04:55Tanto é que na morte dela apareceu tanta gente falando,
04:59Nossa, a mãe que salvou a minha vida, matou a fome da minha família, fez isso.
05:05Então, é, eu puxei esse lado dela e essa parte de coragem que era do meu pai.
05:10E pra mim foi um desafio assumir essa causa, por quê?
05:17As mães, elas eram muito, como que eu posso falar, é...
05:24Elas não abriam, né, de espaço pra político nenhum se aproximar delas,
05:30porque elas já haviam já sendo enganada tantas vezes.
05:36Só no momento da eleição que chega alguém pra ajudar, depois esquece a causa.
05:40Do cara da caneta.
05:43Fazia uma festa lá, o cara dava a caneta, ele chegava lá no dia da festa,
05:48tirava foto, filmava e postava como se fosse ele o idealizador daquele evento.
05:54E aí todo mundo, ai vereador, ai deputado, nossa, que se não fosse você...
06:00Na verdade, descaracterizava todo o esforço daquelas mães atípicas, tudo.
06:07Mas eu sou muito resiliente.
06:11Isso, da minha história, é de vida, fala isso.
06:15Na ONG também, muita gente falava, não, mas desiste da ONG.
06:20Não, nunca vai dar certo.
06:22E cada vez que alguém falava, nunca vai dar certo, mais eu falava, não, vai dar certo.
06:27E as pessoas falavam também, meu, não adianta.
06:30As mães, elas não vão te abraçar.
06:33Eu falei, tá bom, eu vou caminhar sozinho, uma hora alguém vai ver que eu realmente sou diferente do que
06:40já passou.
06:40E realmente, quando eu comecei, eu apanhava muito na rede social.
06:47E aí eu não entendia, porque eu falava, eu sou o único vereador que defende a causa delas.
06:54E elas, e eu sou o único que apanha delas.
06:58Meio, meio na incoerente.
07:00Só que aí eu comecei a provar que eu realmente era diferente.
07:05E hoje eu tenho mais ou menos um grupo de 400 mães que me abraçam assim, porque eu dei voz
07:12pra elas.
07:12Eu comecei a abrir meu gabinete, a Câmara.
07:16Nós realizamos debates aí dentro da Câmara, junto com o poder público também,
07:22pra que eles ouvissem também as mães, então, o secretário da Saúde, Educação e tantos outros que já passaram por
07:30lá.
07:31Eu conversando com a Silvia Greco, secretária da Pessoa com Deficiência,
07:35ela me trouxe um pouco desse panorama, que é exatamente isso que você tá falando.
07:39Porque é essa ponta que mais sofre, né?
07:42A mãe é atípica.
07:43O marido vai embora.
07:44A maioria vai embora.
07:4573% vão embora.
07:47Quem deveria estar lá pra ajudar, pra ser o parceiro de vida,
07:51na hora que nasce uma criança com algum tipo de deficiência,
07:54o marido vai embora.
07:56Ela precisa trabalhar, precisa dar a atenção necessária pra aquela criança.
08:01E às vezes ela tem mais outros filhos, né?
08:03Que precisa de atenção também.
08:05E aí, quando vem uma iniciativa como essa,
08:08elas primeiro rechaçam, porque falam, o que que tá querendo?
08:11Foram tantos, né?
08:12E aí, assim, hoje eu tenho 28 leis que tratam da pessoa com deficiência,
08:22tanto voltada pra crianças com autismo, crianças com síndrome de Down,
08:28pessoas com deficiências ocultas.
08:33E englobei nesse meio a pessoa com fibromialgia também.
08:38Na época não falava nem que a fibromialgia era uma deficiência
08:43e que hoje já foi já regulamentada já.
08:46E eu já falava disso.
08:47Então, nós temos leis também voltadas pra pessoa com a fibromialgia.
08:55E eu acho que a grande cereja desse bolo, dessa causa,
08:59é que nós tínhamos um CAPES infantil lá na cidade.
09:02Imagina um CAPES que atende criança com deficiência
09:06que não tem acessibilidade.
09:08Você fala, não, é não, não, é zoeira, é zoeira.
09:13E era isso que acontecia na nossa cidade.
09:16Não tinha acessibilidade, é horrível.
09:20E eu comecei errando uma luta, que eu falo com elas.
09:26O Fabinho sozinho também não consegue.
09:28Eu preciso da ajuda de vocês.
09:30E desde então, desde 2018, que elas me abraçaram,
09:37nós tivemos algumas reuniões com o prefeito.
09:40Nós conseguimos um recurso pra construir o CAPES infantil novo.
09:44Aí veio da pandemia, tudo que era obra, tudo, né,
09:47do governo paralisou, canalizou esses recursos pra vacinas, insumos.
09:54Passou o Covid e nós voltamos à tratativa.
09:57O ex-prefeito Marcos Neves, na época, conseguiu esse recurso.
10:03E hoje nós temos um CAPES infantil, que é, assim, uma referência de parte estrutural.
10:11São mais de 1.300 metros quadrados de áreas construídas, equipes multidisciplinares.
10:16Nós temos ainda uma dificuldade, porque hoje o profissional,
10:21que é da saúde, um neuro, ele não quer mais trabalhar na prefeitura.
10:26Ele quer ter o consultório dele, um fono, ele não quer mais trabalhar na prefeitura.
10:31Então, a gente ainda sofre um pouco com a rotatividade de profissionais lá.
10:38Mas a gente, cada mês, a gente vai tentando melhorar, adaptar.
10:45Só no mês passado foram 2.000 atendimentos lá no CAPES infantil.
10:51É muita gente que passa.
10:52E isso é uma vitória minha e das mães também, porque talvez eu sozinho,
10:58sem a ajuda dessas mães, eu já quero deixar um beijão pra três mães aqui,
11:03que são as minhas grandes inspirações, que é a Deysi Eri, a Samária e a Roberta.
11:09Batalhadoras.
11:10Batalhadoras.
11:11Eu imagino que é uma luta, que você já fez muita coisa, mas também tem muito que precisa ser feito.
11:17Quais são os teus próximos passos? Qual é o teu sonho?
11:21Eu tenho um sonho de ser prefeito de Carapicuíba.
11:24Eu falo que vai chegar a minha hora.
11:29Eu acho que cada prefeito passou, deixou o seu legado,
11:33mas nunca teve um prefeito que tivesse esse olhar especial,
11:39tanto pro lado do social, quanto pro lado das pessoas com deficiência.
11:47Fabinho, só te interrompendo rapidinho.
11:49Quando a gente pensa nas pessoas com deficiência, a gente pensa em inclusão.
11:54Quando a gente pensa em inclusão, a gente pensa que todo mundo,
11:57quem chegar lá vai envelhecer.
11:59Uma cidade inclusiva é uma cidade que respeita todo mundo.
12:03Uma mulher que tá gestante, ela precisa, tem uma movimentação mais limitada.
12:08Uma pessoa que tá com o pé quebrado, tá com uma bota ou uma muleta, precisa de uma calçada.
12:13Então uma cidade inclusiva, claro, tem que ser inclusiva pras pessoas com deficiência,
12:18mas todo mundo acaba ganhando, né?
12:20E isso não é um problema de Carapicuíba, né?
12:24Eu tenho um amigo meu, que ele mora lá em Londres, e ele fala,
12:28poxa, daqui também é um problema.
12:32Então assim, o mundo não é construído nem pras crianças, nem pros idosos,
12:37nem pras pessoas com deficiência e nem pros animais.
12:42Obrigada.
12:43Obrigada e eu que agradeço você e a todos os nossos telespectadores que estão nos assistindo.
12:49E a minha equipe também, né?
12:51A equipe é maravilhosa, né?
12:52Da minha equipe é demais.
12:54Nota mil.
12:54Nota mil.
12:55Obrigada também a você que nos acompanhou, gente.
12:58Até a próxima.
12:59Um abraço.
12:59Tchau.
13:01Tchau.
13:31Tchau.
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