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  • há 2 meses
Transcrição
00:00Olá, sejam todos muito bem-vindos. O meu bate-papo hoje é com o presidente nacional do Solidariedade,
00:11deputado federal por cinco mandatos, Paulo Pereira da Silva, mais conhecido como Paulinho da Força.
00:17Seja muito bem-vindo, deputado.
00:19Obrigado, Lili. Cumprimentar você e todos os telespectadores.
00:22Quero saber um pouquinho dessa trajetória que começou em lavouras lá no Paraná e parou no Congresso Nacional.
00:28Parou não, né? Continua, mas enfim, me conta um pouquinho.
00:31Eu nasci no Paraná, na zona rural. Trabalhei até os 12 anos na zona rural, colhendo café, algodão, plantando ramin, plantando hortelã,
00:42arando terra. Depois mudamos para Londrina, vendi jornal na rua, vendi doce.
00:48Trabalhei na redação da Folha de Londrina, onde aprendi um pouco da política na época da ditadura.
00:54E fui jogador de futebol, joguei um ano no Londrina, desisti, vim para São Paulo ser metalúrgico,
01:00exatamente ali no início da luta contra a ditadura, 76, 77.
01:06E aí, como metalúrgico, eu entrei nessa confusão dos sindicatos.
01:10Participei de todas essas lutas do movimento sindical, fui presidente do sindicato metalúrgico de São Paulo,
01:15fui presidente da força sindical, de onde eu assumi uma parte do nome.
01:18E depois fui candidato a vice do Ciro Gomes em 2002, quase ganhei uma eleição, ele falou,
01:24mal das mulheres a gente perdeu.
01:26Brincadeira parte, o Ciro é meu amigo, ele sabe que eu estou brincando.
01:31E depois fui candidato a deputado federal em 2006, e estou até hoje, 19 anos no Congresso Nacional.
01:36E você sempre pensou em ser político?
01:39Eu sempre fui contra as injustiças, né?
01:42Então, trabalhei muito nisso, fui presidente de associação de bairros, né?
01:47Em Franco da Rocha, onde eu morei quando cheguei em São Paulo.
01:50Enfim, então, no sindicalismo eu entrei numa época muito difícil, que tinha muita injustiça,
01:55muitos direitos que não eram cumpridos, tal.
01:58Então, sempre lutei muito contra as injustiças.
02:01E depois, percebi que o jeito de você combater a injustiça é transformando as leis.
02:06Aí acabei virando deputado federal.
02:08E agora, no Congresso, puxando um pouquinho desse passado para hoje,
02:12você é o relator desse PL da dosimetria.
02:15Qual é a sua expectativa em relação a essa votação?
02:18Eu vi que o senhor andou, circulando pelo Congresso, tem trânsito livre em todos os partidos, né?
02:24Fala com um aqui, fala com... Sabe essa coisa de fazer política?
02:27Ah, eu tenho, como eu te disse, eu sou um dos mais velhos ali do Congresso, conheço todos,
02:31tenho uma boa relação com todos, nunca tratei ninguém mal, nunca briguei com ninguém.
02:34Tenho posição clara sobre isso, ou seja, uma pessoa que atua tanto com a esquerda quanto com a direita,
02:42mas atua no centro, tentando negociar, tentando conversar.
02:46E nesse processo, eu conversei com todos, né?
02:48Aliás, teve dois partidos que não me receberam,
02:51foi o pessoal e o PDT, o resto todos me receberam, todas as bancadas me receberam,
02:55conversei muito, conversei com muitas lideranças do Congresso,
02:59e eu estou com o negócio mais ou menos pronto, né?
03:03O negócio é ruim, né?
03:04Mas eu estou com esse projeto mais ou menos pronto,
03:07e ele está emperrando em alguns lugares, né?
03:10Recentemente estava emperrado no Senado,
03:12porque a gente não queria votar um projeto na Câmara que ficasse parado no Senado.
03:17Eu acho que isso foi pacificado,
03:19o Mota acabou de me dizer isso ontem à noite,
03:22que tinha resolvido com o Davi Alcolumbre,
03:24e agora parece que tem mais um enrosco ainda,
03:28pequeno, mas eu acho que é possível resolver,
03:31e aí a gente poderia votar isso na próxima semana.
03:34Resolver é avançar também no Senado, né?
03:37Qual é a...
03:37A ideia, então, é que a gente vote na Câmara e o Senado vote,
03:40ou no mesmo dia ou no outro dia,
03:42exatamente para a gente poder resolver essa questão.
03:44Porque eu, o Líria, sabe que...
03:47Eu estou convencido que esse projeto pacifica o Brasil.
03:51Porque a gente vive hoje nessa polêmica,
03:53essa polarização que o Brasil vive.
03:55Ninguém aguenta mais isso, né?
03:56Essa coisa de um xingando o outro, esculhambando o outro,
03:59famílias que se dividiram.
04:01Então, eu acho que é possível pacificar.
04:02Para pacificar...
04:03Pacificar não significa anistiar todo mundo, não.
04:06Não, então, por isso que eu não estou tratando de anistia,
04:08porque anistia não tem nenhuma possibilidade disso avançar.
04:12Isso eu estou convencido.
04:13Por quê?
04:13Por mais que a gente...
04:14Se a gente votasse na Câmara,
04:16votasse no Senado,
04:17eu tenho certeza que o Supremo iria barrar.
04:19Então, não dá para a gente ficar seis ou sete meses trabalhando
04:22numa questão para pacificar o país
04:24e depois ser paralisado de novo.
04:26Então, por isso que eu optei de fazer essa coisa de redução de pena.
04:31A ideia, então, é mexer no Código Penal.
04:33Você reduz ali algumas penas.
04:36Isso diminui, então, a quantidade de anos
04:39que as pessoas foram condenadas
04:41e com isso elas seriam soltas.
04:43Então, na minha proposta,
04:44todas as pessoas que foram presas no dia 8 de janeiro
04:48vão ser soltas.
04:49Todas.
04:50Aí tem o Núcleo Central,
04:51que pegaram uma quantidade maior de anos de prisão.
04:56Essas pessoas também seriam beneficiadas,
04:58mas não resolveria totalmente a questão deles.
05:02Esse será, então, um grande debate no Congresso,
05:05exatamente porque esse Núcleo Central não seriam soltos.
05:08Entendi.
05:09E qual é a sua expectativa?
05:10O que o senhor acredita que vai acontecer
05:12fazendo um exercício de futurologia?
05:14Eu acredito que a gente consegue pacificar isso
05:17neste final de semana
05:18e acredito que na terça ou quarta-feira
05:21a gente pode votar na próxima semana na Câmara.
05:23A minha expectativa é que a minha proposta
05:26vai ter uns 350, 370 votos na Câmara.
05:29Vamos aguardar.
05:30Agora, o senhor falou do Senado,
05:32vai ter que pacificar lá no Senado também.
05:34E eu vi uma pesquisa recente
05:36que mostra o senhor super bem cotado no Senado, 12%.
05:39E aí?
05:40É um passo adiante,
05:42cinco mandatos como deputado federal,
05:44o próximo passo é o Senado?
05:46Então, eu estava disposto a não disputar mais,
05:48porque eu tenho cinco mandatos,
05:5020 anos, um terço quase da minha vida,
05:52passei ali no Congresso,
05:54ouvindo discurso,
05:55ninguém aguenta ouvir tanto discurso.
05:57Então, eu estava meio cansado da Câmara.
05:59Estou bem cansado da Câmara, na verdade.
06:01Eu topei fazer esse projeto,
06:03de relatar esse projeto,
06:05até porque eu acho que,
06:06como eu sou uma pessoa que tem muita relação no Supremo,
06:09tem relação no Senado,
06:10tem relação dentro da Câmara,
06:10eu achei, então,
06:11que eu poderia ajudar o país,
06:13nesse momento, fazendo essa relatoria.
06:15E aí teve essa pesquisa,
06:16da Parada da Pesquisa,
06:17que me deu aí uma porcentagem razoável
06:19de votos para o Senado.
06:21Isso dá uma animada, né?
06:23Talvez eu possa,
06:24não mais ir para a Câmara,
06:25mas talvez disputar o Senado.
06:27Essa é uma possibilidade.
06:28Quais foram as suas principais realizações no Senado?
06:31O que o senhor destaca,
06:32acredita que foram acertos?
06:34Na Câmara teve muitas coisas importantes nesse período,
06:37talvez lembrar de todas,
06:39mas a gente votou projetos como,
06:41por exemplo,
06:41aumentar para três avisos prévios
06:45quando as pessoas são demitidas,
06:46que tem mais de dez anos.
06:48A gente votou
06:49a questão da reforma da Previdência,
06:52que, de certa maneira,
06:53tirava mais direitos dos trabalhadores,
06:55eu consegui consertar um pouco.
06:57Enfim,
06:57teve muitos projetos importantes na Câmara.
07:00Na verdade,
07:01tudo que trata de trabalho na Câmara,
07:03ninguém vota nada sem falar comigo, né?
07:05Então, eu tenho uma relação ali,
07:07exatamente as pessoas sabem dessa relação.
07:09E é lógico que eu também não faço um projeto
07:11para que atrapalhe a indústria,
07:13atrapalhe o comércio.
07:14Então,
07:15eu tenho essa relação
07:16e por isso eu tento pacificar um pouco isso, né?
07:20Eu tenho uma dívida,
07:21até comigo, né?
07:23Porque,
07:24e eu até falei essa semana
07:25uma deputada que gosta muito
07:27dessa questão,
07:30que é o seguinte,
07:31eu,
07:31quando nasceu meus dois filhos,
07:35eles ficaram,
07:36eles têm seis anos e meio,
07:37agora seis anos e sete meses,
07:39eles ficaram 35 dias numa UTI.
07:42E eu vi o drama das mães
07:43que ficam numa UTI com os filhos, né?
07:46E aí eu fui atrás
07:47e encontrei um projeto
07:48que, inclusive,
07:49é do Aécio Neves,
07:50que contava no Senado,
07:51ele aprovou no Senado,
07:52está parado na Câmara,
07:54que é
07:55da licença maternidade da mãe
07:58ser contada a partir do dia
07:59que ela sai da UTI
08:00quando tem
08:01essas crianças
08:02que ficam nas UTIs.
08:04E achei,
08:05então,
08:05eu peguei
08:06uma menina
08:08que é deputada
08:08de Santa Catarina
08:09e falei,
08:09vamos pegar esse projeto
08:10e aprovar,
08:10porque ele é tão simples
08:11de aprovar,
08:12eu acho que não teria
08:13ninguém contrário a ele,
08:14que a gente poderia até
08:14votar numa quinta-feira.
08:16Essa é uma dívida
08:17que eu tenho
08:17comigo mesmo,
08:18porque como as crianças
08:19nasceram,
08:20você fica falando,
08:20vou fazer isso agora.
08:21Aí depois que eles vão crescendo,
08:22você vai esquecendo
08:23de quem estava lá.
08:24Do drama que o senhor viveu
08:25e que imagina
08:26que muitas mães vivem,
08:27né?
08:28Muitos.
08:28Eu vivi lá 35 dias,
08:30que é um drama.
08:31E o drama do trabalhador
08:32que precisa trabalhar
08:33seis dias por semana,
08:34como é que o senhor
08:35avalia essa discussão?
08:36Essa discussão
08:37vai começar para valer agora.
08:39Eu acho que tem,
08:40está madura,
08:42talvez não seja
08:43o projeto dos 4x3,
08:46porque 4x3 vai desequilibrar
08:47toda a cadeia
08:48do comércio,
08:49do serviço.
08:50Mas eu acho que uns
08:525x2,
08:54eu acho que aprovaria
08:55na Câmara,
08:55entendeu?
08:56Ou seja,
08:56as pessoas trabalhar
08:57de segunda a sexta
08:58e não trabalhar
08:59o sábado e domingo.
09:00Acho que essa é a tendência
09:03da Câmara votar
09:04nos próximos dias.
09:06Nos próximos dias
09:06eu diria que não.
09:07Mas sei lá,
09:08até março do ano que vem,
09:10maio do ano que vem.
09:11Agora,
09:12um passarinho me diz
09:13que o senhor é especialista
09:14em pimentões.
09:15Que história é essa?
09:16O senhor quando está
09:17nas horas vagas,
09:18quando não está pensando
09:18em política,
09:19está plantando pimentões.
09:20pimentão,
09:20colhendo.
09:21Como é que é isso,
09:22Paulinho?
09:22Eu também fiz algumas coisas
09:25na vida.
09:25Uma delas foi ajudar
09:27o Fernando Henrique
09:28a montar um projeto
09:29que chamava
09:30Banco da Terra.
09:31Que ao invés de invadir terra,
09:34as pessoas ganhavam a terra.
09:35O governo comprava a terra.
09:38E aí eu ajudei
09:39nesse projeto
09:39e assentamos na época
09:41700 famílias
09:42aqui no interior de São Paulo.
09:44E tinha todo um modelo
09:45do projeto,
09:46socialista,
09:47capitalista,
09:47um negócio assim bonito.
09:48só que na prática
09:50o pedaço
09:51que era comum
09:52das pessoas,
09:54aliás,
09:54o pedaço que era comum
09:55que era socialista
09:56e o pedaço que era capitalista,
09:58a gente montou
09:59duas estufas
10:00para cada família.
10:02E essas famílias
10:03ganharam muito dinheiro
10:04com aquilo.
10:05E eu aprendi muito
10:06então plantar tomate
10:07e pimentão.
10:07Tem alguma dica
10:10que dê aí
10:10para o pessoal
10:11que está em casa
10:11querendo plantar?
10:12Não, é assim,
10:13você tem que montar
10:14uma estufa,
10:15tem que ter irrigação
10:16e aí você planta,
10:19tem que ter um técnico.
10:21Normalmente tem
10:21umas casas de agricultura
10:23na cidade
10:24que as pessoas vão lá,
10:26eles te dão a muda
10:27e em troca
10:27eles te dão
10:28assistência técnica.
10:29E isso ajuda muito.
10:31Eu diria assim,
10:32é um investimento grande,
10:34é pequeno
10:34e dá um resultado
10:36bastante grande
10:36para as famílias.
10:37Agora para a gente
10:38encerrar,
10:39como é que o senhor
10:40avalia o futuro
10:41do Brasil,
10:42na sua opinião?
10:43O que precisa ser feito
10:44para melhorar?
10:44Eu aproveito e pergunto
10:45aqui uma avaliaçãozinha
10:46do presidente Lula.
10:48Ele é seu amigo?
10:49Como é que é a relação?
10:50Vou começar pelo Brasil
10:51que é mais fácil.
10:55Primeiro que nós vivemos
10:56no melhor lugar do mundo,
10:57né?
10:58Você conhece
10:59bastante o mundo
11:00e eu também conheço
11:01bastante.
11:02Você não tem lugar
11:03igual o Brasil, né?
11:04Aqui nós temos
11:0517% da terra,
11:0617% da água do mundo,
11:08tem sol o ano inteiro, né?
11:10Tem lugar que tem sol
11:1112 dias por ano.
11:13Pelo amor de Deus.
11:14Tem só,
11:14tem...
11:15Na Europa,
11:16você tem sol,
11:17pouco,
11:17ou seja,
11:18então a fonte da vida
11:19é água e calor, né?
11:22E por isso que a gente
11:23tem tanto essa coisa
11:24do agro aqui,
11:25porque aqui a gente
11:25pode produzir alimento
11:26para o mundo todo.
11:28Então o Brasil
11:28é um país fantástico.
11:29Muitas vezes a gente
11:30erra na hora que escolhe
11:31o presidente,
11:32escolhe os seus governantes
11:33e aí dá no que dá.
11:34Então eu acho que o Brasil
11:35não tem como não dar certo.
11:37O país que a gente tem aqui
11:39com essa maravilha toda
11:40é quase impossível
11:41não dar certo,
11:42apesar da política
11:43que normalmente
11:44nos norteia.
11:46Agora,
11:47sobre o presidente Lula.
11:49Eu conheço o Lula
11:50desde 77.
11:53Começou no PT, né?
11:54O senhor, inclusive.
11:54Eu fui do PT,
11:56fui fundador do PT,
11:58saí em 82,
11:59exatamente depois da eleição,
12:01saí do PT,
12:01e fui para o PDT
12:02com o Leonel Brizola.
12:04Fiquei no PDT até 2013
12:06e depois fundei
12:07o Solidariedade
12:08que eu estou até hoje.
12:10Na verdade,
12:11eu fui do PCdoB lá atrás,
12:12na clandestinidade ali,
12:14quando era moleque,
12:14todo mundo querendo
12:15fazer revolução.
12:16E depois,
12:18então,
12:18eu tenho uma relação
12:19com o Lula antigo ali e tal.
12:21Mas apoiei o Lula
12:22pela primeira vez.
12:22Nunca votei no Lula,
12:24ele sabe disso.
12:25Eu votei na Dilma,
12:26mas no Lula,
12:27votei uma vez na Dilma
12:28e depois brigamos.
12:30e dessa vez agora
12:32o Lula não cumpriu comigo,
12:34não é obrigado a cumprir.
12:36Aí eu não estou fazendo oposição
12:38descarada a ele lá e tal,
12:40no Congresso.
12:41Com as coisas importantes,
12:43eu voto.
12:43Não foi importante,
12:45eu não voto.
12:46Meu partido também libera
12:47para fazer,
12:48ninguém está fazendo oposição
12:49firme contra o governo.
12:51Mas a minha relação
12:52com o Lula hoje
12:53não existe mais.
12:54Não existe?
12:55Não.
12:55Zero.
12:55E como é que é
12:57estar na Câmara
12:58dos Deputados
12:59com isso?
13:00O senhor faz o seu papel
13:01independente do governo,
13:03não é isso que fala?
13:03A gente sobrevive sem governo,
13:05né?
13:05Então,
13:05não preciso do governo
13:06para nada,
13:07não tem uma relação
13:10ali de ter cargo
13:11do governo,
13:11ter ministério,
13:12não tem.
13:13E não preciso dele.
13:15Então,
13:15estou vivendo sem ele.
13:17Agora.
13:17Vou continuar vivendo sem.
13:18E só para a gente encerrar,
13:20o senhor menciona bastante
13:21o início da sua vida política,
13:23que foi no período
13:24da ditadura militar,
13:25né?
13:26Eu queria saber
13:26o que o senhor sofreu
13:27nesse período,
13:28que eu vejo muita gente,
13:30jovens,
13:30muitas vezes,
13:31não sabem o que estão falando
13:32e falam na volta
13:33da ditadura e tal,
13:35sem ter muita noção.
13:36Você que viveu na pele,
13:38o que tem para contar
13:39para essa nova geração?
13:39Eu fui em muitas reuniões
13:41com capuz na cabeça.
13:43Você não sabia onde ia,
13:44né?
13:46Porque se fosse preso,
13:47alguém fosse preso,
13:49não sabia onde foi.
13:51Eu fui,
13:52então não tive assim.
13:52Eu fiquei preso
13:53quatro dias só na época,
13:55aqui no Doicote,
13:56numa greve que teve em São Paulo,
13:57aí mataram o Santo Dias na época,
14:00aí soltaram todo mundo.
14:01Onde o Herzog foi morto?
14:02É.
14:03Eu fiquei quatro dias lá só,
14:05sem comer.
14:07Enfim,
14:08não dá para dizer assim,
14:08fui perseguido pela ditadura.
14:10Eu fui perseguido.
14:11Até tem um processo,
14:12estou entrando,
14:12entrei com um processo
14:13de anistia agora.
14:14É um escritório especialista aqui,
14:16porque eles pegaram lá
14:17na época da ditadura
14:18uma série de fotografias,
14:20de relatórios,
14:21embora eu era moleque ali,
14:23mas eu tinha uma atuação sindical,
14:25de fazer greve,
14:25fazer manifestações.
14:27Eu fui mandado embora
14:27cinco vezes
14:28para o Justa Causa.
14:29Nossa.
14:30E a primeira vez
14:31eu achei que
14:32eu ia Justa Causa
14:33era para receber tudo,
14:34aí não era.
14:36Oba, Justa Causa.
14:37Justa Causa.
14:38Minha causa é justa,
14:39deixa eu receber o que eu queria.
14:40Era Justa Causa para o patrão.
14:42Enfim,
14:43então,
14:44tem ali uma série
14:45de relatórios
14:46contra mim,
14:47de fotografias,
14:49e depois acabei
14:50no sindicato
14:51e eles continuaram
14:52me perseguindo
14:53até 1990.
14:56Então,
14:56tem fotografias
14:57de eventos
14:58que eu estava
14:58no DOICOD
14:59até 1990.
15:01Então,
15:01tinha a lei
15:02depois da ditadura
15:03e eles continuaram
15:04seguindo algumas pessoas.
15:06E esse escritório
15:06entrou com esse processo.
15:07Espero que eu ganhe,
15:09para ter anistia.
15:11Eu estou contra a anistia lá,
15:12uma topidinha da anistia.
15:14Os caras me falaram,
15:15pô,
15:15a Paulista não está entrando
15:16com o processo da anistia.
15:17Está dos dois lados
15:17da anistia aí.
15:19Então,
15:20mas,
15:21é um período difícil,
15:22depois teve aquela luta
15:23toda das diretas,
15:25participei de todas
15:27as manifestações,
15:28participei como militante,
15:30como gente que trazia
15:31gente para a manifestação,
15:32mas eu sei
15:34como é que era difícil,
15:35muito difícil.
15:37Eu tinha uma célula,
15:39três pessoas.
15:41se alguém deles sumisse,
15:44você tinha que sumir também.
15:46Porque iam atrás de você.
15:47Porque você não sabia
15:47se o cara estava preso ou não.
15:48Se é o próximo,
15:49é.
15:49Então,
15:50você tinha que sair de casa,
15:51ficava 15 dias fora,
15:53então,
15:54não era um período simples,
15:55então,
15:56você tinha toda uma
15:57complicação ali acontecendo.
16:00A gente que era mais jovem
16:02não ligava muito,
16:02até estava brincando
16:03com o Márcio agora há pouco aqui.
16:06Eu,
16:07a gente tinha um grupinho também
16:08que vendia jornal,
16:09e tinha que vender o jornal
16:10a correr com medo,
16:11né?
16:12A gente vendia o jornal
16:13o movimento.
16:14Era eu,
16:14o Edson Aparecido,
16:15que hoje é secretário
16:16do Ricardo Nunes,
16:18e o Walter Feldman,
16:19que foi...
16:19Do esporte,
16:21foi da CBF,
16:23sim.
16:24Então,
16:24nós três,
16:25a gente vendia jornal
16:25da estação de trem.
16:27Aí,
16:27a gente vendia um,
16:28dois jornais,
16:29e falava,
16:29vamos correr,
16:30porque a polícia vai vir aí.
16:31Vender jornal,
16:32sabe o que estava escrito
16:33naquele jornal,
16:34né?
16:34Que vai que era proibido,
16:35que não...
16:35Não era,
16:35era um jornal clandestino.
16:37Jornal clandestino.
16:37Então,
16:39tinha assim,
16:40por exemplo,
16:40você diria levar o jornal
16:41numa fábrica,
16:42aí você deixava
16:43em determinado local,
16:44local pra turma
16:45que ia pegar
16:46e já saía fora.
16:47Então,
16:47tinha todo mundo.
16:49E eu sou rígido
16:50com horário.
16:52Tanto é que
16:52cheguei adiantado,
16:53que você viu,
16:53né?
16:54Cheguei adiantado.
16:54É que,
16:55é o seguinte,
16:56na época,
16:57você tinha 30 segundos
16:58pra encontrar a pessoa.
17:00Então,
17:01você marcava,
17:01eu encontrava muito
17:02ali na Lapa,
17:03né?
17:03Minha região.
17:04Você marcava ali
17:05na rua Catão,
17:07esquina com rota,
17:09tal.
17:09E aí,
17:10você tinha que chegar
17:1020 segundos antes
17:12e ir embora
17:1220 segundos depois.
17:14Cronometrado.
17:15Cronometrado.
17:16Se a pessoa não aparecesse,
17:17você fugia de casa.
17:19Porque você não sabia
17:20se ele foi preso ou não.
17:22A gente tá rindo aqui,
17:23mas é sério, né?
17:24Hoje dá pra rir,
17:25mas na época
17:25era um clima de terror.
17:27Era um clima,
17:27é.
17:27E aí,
17:28por obra do destino,
17:30a questão
17:31da tentativa de golpe
17:33ou não,
17:34caiu comigo,
17:34você relatou.
17:36Olha,
17:37Paulinho,
17:38muita história ainda
17:39pra contar.
17:40Quero que você volte aqui
17:41mais vezes
17:41e eu queria te agradecer
17:43por essa presença aqui.
17:44Mande notícia pra gente
17:45de aprovação,
17:46de projeto,
17:47de tudo que você
17:47tá fazendo na Câmara
17:49e se for para o Senado
17:50também, né?
17:51Com certeza.
17:52Obrigado a vocês todos aí.
17:54Obrigado a você também
17:55pela oportunidade aqui
17:56de eu estar falando
17:56com tanta gente.
17:57Obrigada mais uma vez.
17:59Obrigada a você
18:00que nos acompanhou.
18:01Tchau.
18:01Tchau.
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