00:00Uma mudança que mexe no consumo. O presidente Lula sanciona a lei que permite a venda de medicamentos em supermercados.
00:07Repórter Misael Mainete, quais as regras para a liberação? O que as pessoas vão encontrar nas gôndolas dos supermercados?
00:15Bem-vindo, Misael. Boa noite.
00:19Tiago, a farmácia tem que ficar separada do supermercado. Pode ficar no mesmo ambiente, mas não exatamente solta no estabelecimento.
00:29E a presença do farmacêutico é obrigatória durante todo o expediente.
00:34Muito boa noite para você, em especial você que acompanha o jornal Jovem Pan.
00:38O presidente Lula do PT sancionou essa lei.
00:41Essa nova regra, ela altera uma legislação antiga que tratava do tema e passa a permitir que os supermercados tenham
00:49farmácias ou drogarias.
00:51No entanto, esses espaços precisam ser separados do restante da loja e destinados exclusivamente à atividade farmacêutica.
01:01Então, para ficar claro, a gente não vai encontrar, por exemplo, os remédios nas mesmas prateleiras que as comidas ou
01:09que outros produtos, por exemplo.
01:11Vai estar lá a farmácia num cômodo diferente dentro do supermercado.
01:15No caso de medicamentos controlados, a venda segue com critérios mais rígidos.
01:20A entrega só pode ocorrer após o pagamento ou com o produto devidamente lacrado até o caixa.
01:27A norma também proíbe que remédios fiquem expostos em prateleiras comuns ou áreas abertas do supermercado, impedindo a venda direta
01:36fora do espaço da farmácia.
01:38Outro ponto previsto é a autorização para que farmácias utilizem plataformas digitais para comercializar e entregar medicamentos.
01:47Tudo isso respeitando todas as regras sanitárias.
01:51Essa iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso da população a medicamentos sem abrir mão das regras de controle muito
01:58necessárias, é claro.
02:00Tiago?
02:01Ô, Misael, deixa eu só mudar já de assunto.
02:04Daqui a pouquinho a gente volta a falar sobre esse assunto.
02:06A proposta de zerar a tarifa do transporte público aqui no Brasil vai fazer parte do programa de governo de
02:12um eventual quarto mandato do presidente Lula.
02:14Os estudos indicam um custo acima de 100 bilhões de reais por ano, é isso?
02:23Acho que caiu.
02:25Bom, o Misael não está me ouvindo.
02:27De qualquer forma, essa é uma das bandeiras de campanha do presidente Lula.
02:32Deixa eu chamar a Denise Campos de Toledo e a Dora Cramer para falar sobre esse segundo assunto.
02:36Primeiro eu quero te perguntar, Denise, sobre as farmácias, né?
02:38No caso, já existem supermercados que têm uma farmácia lá, só que você paga direto para a farmácia.
02:44E nesse caso que o Misael nos trouxe, a expectativa é de que a pessoa possa pagar no caixa.
02:49Mas como é que vai ficar a concorrência com os outros estabelecimentos?
02:52É isso que muda, né, Tiago?
02:53Porque aí entra a concorrência dos supermercados com as grandes redes de farmácias.
02:57Quem sai perdendo essa história toda são aquelas farmácias menores que já vêm perdendo espaço com as grandes redes
03:04que podem comprar os produtos no atacado e vender com o preço melhor.
03:08Agora, o que se imagina é que a concorrência também dos supermercados, além da facilidade de acesso,
03:13inclusive por aplicativo, como o Misael disse, que essa concorrência possa reduzir os preços.
03:20Então, isso seria melhor para o consumidor.
03:22Claro que sempre com cuidados com relação à automedicação, mas mesmo nas farmácias,
03:26as pessoas, muita gente compra aqueles remédios usados normalmente.
03:30Então, é essa a intenção do governo, né?
03:32É facilitar que pela concorrência se possa haver alguma redução de preços.
03:36Já volto com a Dora Crâmia, porque o Misael está aqui com a gente
03:39para falar sobre essa bandeira de campanha agora, dessa nova campanha do presidente Lula,
03:45sobre a tarifa zero em todo o país.
03:49É isso, Misael?
03:52É, ser eleito, ele promete isso, Tiago.
03:56A proposta deve zerar a tarifa do transporte público em todo o país,
04:00incluindo ônibus e sistemas sobre trilhos como metrôs.
04:04Isso parece ter avançado internamente dentro do Ministério da Fazenda,
04:09que deve fazer um programa caso o presidente Lula consiga ser eleito mais uma vez.
04:15Atendendo a esse pedido, agora o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad,
04:23ele encomendou estudos preliminares que apontam um custo superior de 100 bilhões de reais por ano
04:29para a gratuidade integral válida todos os dias da semana em todo o país.
04:34Atualmente, esse custo, ele está na casa dos 75 bilhões de reais,
04:40dos quais cerca de 36 bilhões são pagos diretamente pelos usuários.
04:4427 bilhões de reais vem do Vale Transporte, custeado pelas empresas,
04:49e aproximadamente 12 bilhões correspondem aí a dinheiro que vem do Estado e município.
04:55Agora, olha só, com a tarifa, com a adoção da tarifa zero,
04:59a expectativa é aumento da demanda, né?
05:02Porque a gente está falando, então, de transporte gratuito.
05:05Entende-se que a demanda vai aumentar.
05:08Isso poderia levar um custo total para casa de uma centena de bilhões de reais anuais.
05:13Tudo isso está sendo tratado como estudo e, aproveitando a participação aqui no Jornal Jovem Pan,
05:19o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, já fez uma crítica.
05:23Diz que o governo Lula não dá um centavo e ele criticou essa proposta para zerar a tarifa do transporte
05:30público.
05:31A gente vai seguir acompanhando esse tema, é claro, é importantíssimo,
05:36e a gente está falando de um tema de campanha, né?
05:38Campanha eleitoral que já está batendo a porta.
05:41Veja que começa a briga política do prefeito de São Paulo,
05:45que instituiu, enfim, em semana, a tarifa zero e tal,
05:49mas essa é uma discussão que pode chegar para todo o Brasil.
05:52Até daqui a pouquinho, Isael, Denise Campos de Toledo,
05:54antes de ouvir a Dora para falar de política, eu quero falar,
05:56quem paga essa conta?
05:58É claro que seria maravilhoso o transporte público de graça para todo mundo.
06:02Algumas cidades do interior aqui de São Paulo,
06:04pelo que eu sei, umas cidades menores,
06:06tem ônibus circulares que não são cobrados, né?
06:09É, mas aí a demanda é muito menor, o custo cabe no orçamento,
06:13e o governo, seja quem for no ano que vem,
06:15vai ter um desafio seríssimo para garantir o equilíbrio das contas públicas,
06:19porque está chegando uma situação limite.
06:22Então, o governo pode não ter mais margem de manobra
06:24para a adoção de programas como esse,
06:26que é um programa muito caro,
06:28então teria de haver compensação.
06:29A gente viu que no último ano de mandato,
06:31que o governo conseguiu cumprir aquela promessa,
06:34que também era de campanha,
06:35de aumentar a faixa de isenção do imposto de renda,
06:38então isso demora,
06:40é um processo muito demorado,
06:42pode ser usado na campanha,
06:43Dora vai falar sobre isso,
06:44mas do ponto de vista financeiro,
06:46não é um recado muito positivo.
06:48É aquela história que o mercado cobra
06:50maior responsabilidade fiscal por parte do governo,
06:52e não só mercado, empresariado também,
06:55porque houve muito aumento de tributos
06:57para compensar determinados programas,
06:59inclusive esse aumento da faixa de isenção,
07:02então é uma coisa que o governo vai ter que calibrar muito na campanha,
07:05para não criar aquela versão e não fortalecer o discurso contrário
07:08a esse carimbo de aumentar tributos.
07:11É, e Dora,
07:13é um desafio muito grande colocar um tema como esse em todo o Brasil,
07:17voltando um pouco no tempo,
07:19eu lembro de Luísa Erundina,
07:20a prefeita aqui de São Paulo,
07:21que travou uma batalha muito grande com o empresariado desse setor,
07:25porque ela queria estar aí fazendo também,
07:27e na época o sistema de transporte aqui em São Paulo,
07:29os ônibus,
07:30esse sistema nem era privatizado,
07:32ainda era a CMTC,
07:34a Denise andou muito no CMTC aqui em São Paulo,
07:36viu, Dora?
07:38Você sabe que eu acho que eu também,
07:40porque eu fiz faculdade em São Paulo,
07:42todos nós andamos aqui.
07:44Exatamente.
07:46Olha só,
07:47eu tenho até dificuldade em levar a sério o negócio desse,
07:50porque como a isenção do imposto de renda
07:54não deu o resultado político eleitoral
07:57que o governo pretendia,
07:59quer dizer,
07:59não fez o presidente Lula subir nas pesquisas
08:03e a redução das jornadas de trabalho,
08:06então ali andando meio que travada,
08:10aí o governo resolve vender terreno na Lua,
08:13tá certo?
08:14Ah, vamos aqui vender,
08:15falar qualquer coisa,
08:16isso era bolas.
08:17Quando lá,
08:18acho que foi no ano passado,
08:21quando se falou disso,
08:23o próprio Ministério da Fazenda,
08:26o Ministério da Fazenda do governo Lula,
08:28diz que era alguma coisa inexequível.
08:31Então,
08:32é bom,
08:33quer dizer,
08:34a gente começar a desfazer esse tipo de coisa,
08:37porque,
08:38obviamente,
08:39isso é uma coisa que
08:40não tem a menor condição
08:43de ir pra frente,
08:44não tem a menor condição de dar certo,
08:46não tem a menor condição
08:48de ser aprovado,
08:49não tem a menor condição
08:50de ser executado,
08:52é só pra fazer de bobas
08:54as pessoas durante a campanha eleitoral.
08:57ficar vendendo,
08:58o que eu disse,
08:59um terreno na Lua,
09:00uma coisa que não vai acontecer.
09:03Agora,
09:03imagine,
09:04não só tem o aspecto econômico,
09:07transporte de graça pra todo mundo,
09:09como disse o Misael,
09:11e você também falou,
09:13Tiago,
09:14aumenta a demanda,
09:16é uma maravilha,
09:17transporte público em São Paulo,
09:19anda,
09:19que é uma beleza,
09:21tá tudo resolvido,
09:22inclusive prontinho
09:24pra receber mais gente,
09:26mais ônibus na rua,
09:29sabe,
09:30exatamente porque
09:32não bate com a realidade,
09:35é que eu tenho
09:36muita dificuldade
09:38pra ser amena,
09:39tá,
09:40de levar a sério
09:41um negócio desse.
09:41Pois é,
09:42outras...
Comentários