- há 2 dias
- #edit2
Faça a sua aposta na Bet365
link: https://lance.top/lancetv
#edit2
Categoria
🥇
EsportesTranscrição
00:07Meu nome é Sophie Lothrema, tenho 16 anos. Atualmente jogo na BFH, nos Estados Unidos e sou
00:14zagueira da Seleção Brasileira da menina sub-17. Meu nome é Pietra Luthi, tenho 15 anos, sou atleta
00:20de São Paulo e aqui na Seleção jogo de meia. Bom, quero começar te perguntando como tem sido
00:25muitos dias aqui com a Seleção. Nossa, uma honra. É extraordinário estar aqui, poder estar do lado dessas
00:31meninas, muito queridas. O grupo é muito bom, toda a comissão, todo mundo nos ajudando, a gente aprendendo
00:37muito, podendo botar em campo tudo o que a gente treina diariamente nos clubes e trazer para cá
00:41todas as nossas experiências e agregar como grupo. Legal, e você começou no Inter em 2021, foram 4
00:49horas de Inter, né, seu time do coração, depois você vai por uma experiência internacional. Como foi que o
00:54futebol começou na tua vida, assim? Vem de quem, em quantos anos, conta pra quem. Comecei quando eu tinha mais
01:00ou menos uns 10 anos, jogava com meu pai, no corredor de casa, mais ou menos durante a pandemia.
01:06E comecei a querer jogar em escolinha, joguei para algumas escolinhas, tanto femininas quanto masculinas.
01:12E aí tive o convite de ir participar numa peneira no Inter. Fui muito feliz lá, passei longos 4 anos
01:18da minha vida aprendendo muito, muitas pessoas que me ajudaram.
01:22E depois recebi o convite de ir para o Benfica, que é onde estou agora, também muito feliz. E segui
01:28aprendendo sempre, por onde passei, com muitas pessoas que me ajudaram. E tudo vem agregando para quem estou me tornando
01:34hoje em dia.
01:34E você é zagueira, uma posição difícil, né? Tem alguma referência para você hoje no futebol mundial? E também, além
01:41da posição de zagueira, você tem alguma ídola no esporte?
01:44Na zagueira, eu gosto muito da Isa Ras, que também passou pelo Inter e agora está fora do país. Mas,
01:50gosto muito da Angelina também, ver o campo, a presença.
01:54É uma música que me inspira bastante.
01:55Legal. E você já encontrou com ela de país?
01:58Ainda não tive essa oportunidade.
02:00Tá ansiosa para conhecer?
02:02Com certeza.
02:02Legal. E aí, pensando na competição, vocês têm o Sul-Americano mais à frente, né? Ainda vai definir o grupo
02:09final e tudo mais. Mas, queria que você falasse, como atleta da seleção brasileira, o que vocês estão esperando dessa
02:15competição?
02:16A expectativa é muito boa. O grupo vem se fortalecendo a cada vez, alistosos e tudo. Então, a expectativa é
02:22sempre melhor, como se trata de Brasil ainda mais ainda. Então, seguir evoluindo até o campeonato.
02:29Como é ser treinada pela Hillary?
02:31Ela é muito boa, muito querida. Sempre nos ajudando muito. Tanto com as perguntas, durante o jogo. Muito boa. Uma
02:38honra poder trabalhar com ela e ter essa oportunidade de estar aqui também.
02:41E, para finalizar, como tem sido a sua adaptação fora do país? Você já está com aluno em inglês? Como
02:46é que está a sua língua?
02:48Muito tranquilo. Me adaptei bem também. O pessoal lá é muito querido.
02:51Com a língua. Eu já falava inglês quando eu morava aqui, mas aperfeiçoi muito melhor lá. Muitas brasileiras, muitos portugueses.
02:59Então, a convivência é muito boa. E, nossa, uma boa experiência para mim.
03:04E, aí, convida o torcedor para assistir os jogos de vocês no Sul Amoricano.
03:08É, tem que apoiar a gente, ficar ligado para ser um beta campeonato.
03:12Quero começar sabendo a tua história, como você começou a jogar futebol.
03:15Cara, eu comecei com meu irmão. Ele sempre quis que minha mãe tivesse um menino, né? Mas, como não nasceu
03:22um menino, trouxe a tal da moleca.
03:25Então, comecei com ele, desde pequena, dando umas voadoras nele. Desde pequena, muito feliz com ele. Foi ele que me
03:34trouxe para o futebol.
03:37Aí, comecei com escolinha, com meninos também. Aí, teve uma oportunidade de fazer a peneira da Federação Paulista.
03:46Com, nossa, tinha muita menina. Mas, tive a chance de estar lá. Estava feliz só de estar lá.
03:53Aí, eu fui chamada para fazer teste no Centro Olímpico. Fiz o teste lá. Consegui passar em 2022 para 2023.
04:03E, aí, depois eu fui para o São Paulo.
04:05Perfeito. E o São Paulo é o time com mais convocadas nessa lista, né?
04:09Sim. Muito feliz por estar com elas também.
04:11Com as suas amigas, inclusive. Inclusive.
04:13Eu queria saber, Pietra, o que torna o São Paulo tão diferente, assim?
04:17Quando você olha para o dia a dia ali de Cotia, o que você sente para tornar a base do
04:21São Paulo tão forte?
04:22Cara, muito trabalho. Muito trabalho.
04:24Só quem está lá dentro entende o quão intenso é estar lá.
04:27Mas, eu sou muito feliz de estar lá, inclusive. Mesmo tendo todas as pressões.
04:31É muito legal estar lá. E a comissão técnica de lá é sensacional também.
04:37Legal. E você falou sobre ter conversado com o seu irmão, né?
04:41Que lhe levou para o futebol. Você tem referências, assim, que você gosta?
04:44Quais são as suas jogadoras preferidas?
04:46Gosto bastante da Formiga.
04:47A gente teve um contato com ela bem legal ano passado lá no Paraguai.
04:52Ela contou um pouquinho da história dela.
04:54Acho ela sensacional.
04:55Perfeito. E aí, quando olha...
04:57Vamos voltar ao assunto São Paulo, né?
04:58Que São Paulo revelou recentemente a Dudinha, que, enfim, é uma jogadora que está na seleção principal.
05:04Você olha para essas jogadoras e, de alguma forma, se vê lá no futuro.
05:07Sim, sim. Uma inspiração. Dudinha, Vitorinha também.
05:12Está brilhando, arrasando.
05:14Perfeito. E aí, para finalizar, eu queria que você falasse um pouquinho do que você espera desse Sul-Americano do
05:19Sub-17.
05:19Cara, o grupo está muito coletivo, muito sensacional.
05:23Então, eu só tenho expectativas boas.
05:26E é isso. E a comissão, não tenho nem palavras.
05:29Hilane também.
05:31E chama o torcedor aí para assistir vocês.
05:33Pô, vambora assistir a gente, né?
05:36Acho que vocês vão ser muito felizes assistindo a gente.
05:38Acho que a gente vai dar bastante orgulho.
05:40Estamos aqui com o Hilane Silva, ela que é ex-jogadora, foi lateral,
05:46passada por clubes do Brasil, do exterior e agora é treinadora da nossa equipe Sub-17 da seleção brasileira.
05:52Hilane, uma alegria estar falando contigo.
05:54Quero começar trazendo um pouquinho desse teu aspecto de jogadora, né?
05:58Você foi jogadora, hoje é treinadora.
05:59É muito diferente as funções?
06:01É bem diferente, assim, acho que vivenciar a vida de jogadora te dá um olhar para um todo, né?
06:15No vestiário, no dia a dia, conhecer um pouco mais a colega, tá?
06:22Tenta um pouquinho mais a outra individualidade, o que agrega muito na vida de treinadora.
06:29Só que aí o nosso olhar passa a ser mais sobre agregar tudo isso dentro de uma parte mais tática.
06:37E quando você é jogadora, você não se importa muito com isso, né?
06:40O seu olhar não vai muito para aí.
06:41Por mais que você esteja o tempo todo se comunicando e conversando com as colegas,
06:46falando sobre jogo, o olhar é muito micro, né?
06:51A vivência de treinadora te abre um leque de opções, de olhares, assim,
06:57que acabar enriquecendo mais porque você já tem a vivência como treinadora, como jogadora.
07:05Então, você acaba por agregar muitas coisas que talvez não nos deixa nem mais à frente,
07:11nem mais atrás de quem nunca foi jogadora.
07:13Mas eu acho que a gente consegue ter uma sensibilidade para momentos importantes de vestiário,
07:18de como elas gostam de ser ouvidas, de como elas gostam que talvez fale com elas.
07:24Acho que a minha vivência de jogadora também de como falavam comigo e eu não gostava muito disso.
07:31Acho que isso não agregava muito, acho que isso não atingiu muito a gente.
07:35Então, como atingir essas jogadoras, né?
07:38Porque elas são umas jogadoras, mas tem um lado muito humano.
07:41Acho que quando a gente consegue atingir o lado humano, a gente ganha a jogadora e não o contrário.
07:46Então, acho que eu fui separando ali o que fez ou não sentido para mim.
07:51Não que faça sentido para mim, também posso fazer sentido para elas.
07:54Mas acho que o ser humano em si gosta de ser bem tratado, né?
07:58Eu acho que é o que eu tento fazer quando eu não estou na dinâmica de treino,
08:02que está ali berrando, falando, gesticulando.
08:05Mesmo assim, existe um olhar humano, mas quando a gente sair dali,
08:09é olhar elas como crianças, adolescentes, em formação e desenvolvimento.
08:14Acho que agreguei um pouco de tudo do que eu vivi como jogadora
08:18e tento trazer um pouco para elas, assim.
08:21Mas no sentido do trato, sabe?
08:23Do dia a dia, da vivência.
08:25Você mentiu para mim, né?
08:26Você falou que não gosta de falar.
08:28É, eu não gosto de falar, mas quando falo sobre elas, acho que acaba por...
08:32O assunto fluir.
08:33Legal.
08:34E aí, explica para a gente um pouquinho o que vocês estão fazendo aqui
08:36nesses dias de preparação.
08:38Não é a primeira vez em que vocês se reúnem com uma certa frequência.
08:42Então, qual é o objetivo de estar aqui hoje, nesse CT e fazendo esse tipo de trabalho?
08:48As pessoas acham que são muitas convocações, mas não.
08:51São duas antes de uma competição e a última que já emenda com a competição.
08:55Então, a gente vai ter três momentos.
08:57Esse é o segundo momento de preparação do Sul-Americano.
09:01Nós conseguimos adquirir um momento a mais do que o ano passado.
09:05O planejamento anterior aí, com um pouco de antecedência, nos deu um leque de opções, assim, maior.
09:13Não ainda...
09:14Não ideal, né?
09:16Principalmente para idades que oscilam muito, para a gente precisar de mais momentos com elas.
09:20Mas a gente tenta fazer com que o conteúdo seja muito preciso para dez dias de fevereiro,
09:27dez dias de março e depois mais quinze dias seguindo para a preparação.
09:32Então, há um segundo momento em que a gente ainda está em aquisição de conhecimento
09:37do que é o jogo que a gente pretende propor para elas.
09:40E estamos dividindo em fases do jogo.
09:43O primeiro momento foi de duas fases, agora esse momento mais de outras duas fases.
09:47Para que a gente chegue na preparação da granja, já com um leque de conteúdos bastante...
09:55Com bastante dinâmicas que a gente possa mostrar para elas em vídeo.
10:01Ou seja, algo concreto, palpável sobre elas.
10:04Não sobre o que a gente fez no Mundial ou o que a gente fez no outro Sul-Americano.
10:08Mas quando eu vejo o que eu estou fazendo, acho que a gente consegue impactar mais.
10:14Então, a gente está tentando fazer com que essas dinâmicas se conectem.
10:18O primeiro momento e o segundo momento se conectem.
10:21E a resposta que elas estão dando é bastante positiva.
10:25A resposta delas faz a gente saber por onde e como a gente pode, ou não, elevar o nível de
10:32complexidade.
10:33E nesse momento a gente teve uma resposta de que a gente poderia fazer um ano todo.
10:38Com meninos sub-15.
10:41Porque elas deram respostas muito positivas em todos os níveis.
10:45Então, acho que essas respostas vão direcionando os caminhos.
10:49E os caminhos estão sendo incríveis e muito desafiantes.
10:54Porque elas estão dando essas respostas.
10:57Milani, talvez você tenha um desafio que não é tão comum a Camila, por exemplo, da Seleção Sub-20, que
11:02é o fato de você ter um ciclo com o mesmo grupo muito curto.
11:05Sim.
11:06Então, você tem aquele ano ali que é um ano que, por exemplo, ano passado todo mundo viu a campanha
11:10sensacional do Brasil.
11:11Perdem para campeão do Coreia do Norte.
11:14O Brasil fez um mundial muito bom.
11:18Um sul-americano também, né?
11:19E aí você já...
11:20Aquele grupo já está...
11:22Muitos atletas daquele grupo já estão no Sub-20, né?
11:24Já estão com a Camila, inclusive, para disputar o Mundial na Polônia.
11:28Então, eu queria saber de ti qual é a tarefa da treinadora que tem um ciclo mais curto, mas, ao
11:33mesmo tempo, tem uma missão de elevar o nível do jogo,
11:37elevar o entendimento do jogo para entregar essas jogadoras para a Seleção Sub-20 já num nível mais alto.
11:44Eu acho que o maior desafio dentro da Seleção Brasileira é...
11:49As pessoas vão dizer, ah, você está um ano, por exemplo, né?
11:52Um ano e cinco dias.
11:53Cinco dias.
11:54Boa, obrigada.
11:56Um ano, mas nós tivemos, tirando as competições, nós tivemos quatro momentos juntos, né?
12:03De poucos dias. Então, o maior desafio é como impactar e como fazer com que elas entendam num curto espaço
12:11de tempo
12:12e agrega uma geração que é uma geração do fácil...
12:18Tudo é fácil para elas, né? Fácil para a grande maioria.
12:22Tudo está a palma da mão, tudo é celular, TikTok, Instagram.
12:26Então, como impactar essas meninas em dez dias e fazer com que o foco delas seja para nós e não
12:32para o dia-a-dia,
12:34para os TikToks da vida e tudo mais?
12:36É muito desafiador isso porque...
12:39E elas se distraem e perdem o foco muito rápido.
12:42Então, junto com os outros departamentos, a gente encontra estratégias para que no dia-a-dia, não só no campo,
12:48a gente consiga trazer elas para esses dez dias serem de imersão no que a gente precisa,
12:56no que a gente estipulou de objetivo, né?
12:59E eu acho que esse é o maior desafio.
13:01E depois é...
13:03A gente estava falando até sobre isso ontem,
13:07que quando a gente chega, a gente tem o nosso caderninho de modelo de jogo
13:11e aí elas vão fazendo os grupos e a gente vai fazendo as reuniões em que elas estudam algum vídeo
13:17e conseguem conectar o nosso modelo de jogo.
13:19Aí as primeiras reuniões são sempre muito pobres, assim, no conteúdo, né?
13:24Porque elas ainda não adquiriram aquilo.
13:26E aí a gente já fez quatro ou cinco.
13:28Então, a última foi, tipo, absurdamente de conteúdo.
13:33Tipo, elas beberam aquilo de uma maneira tão incrível
13:37que aí eu falo sobre as respostas, né?
13:39Que não é só lá.
13:40Mas quando a gente faz elas pensarem muito,
13:42elas vão absorvendo o conteúdo que é uma geração que quase não absorve nada, né?
13:49Palpável.
13:50Absorvem o que elas veem ali em cinco, dez segundos de vídeo.
13:53Então, quando elas vão trazendo essa resposta,
13:58a gente vai direcionando os caminhos.
14:00E depois, quando é uma geração que é muito da distração
14:04e consegue se conectar com o que a gente quer,
14:07a gente vai entendendo também esse caminho aqui,
14:11a gente pode impactá-las.
14:12Esse caminho vai fazer com que a gente retenha mais atletas
14:15dentro da seleção brasileira.
14:17E esse caminho vai fazer com que elas cheguem melhores preparadas numa sub-20.
14:20Aí elas têm dois anos de ciclo e depois mudam outra vez.
14:25Então, ano passado a gente teve o penúltimo ciclo das 2009
14:29e o último ciclo das 2008, que hoje já são sub-20.
14:32Esse ano a gente está no último ciclo das 2009 e no primeiro ciclo das 2010.
14:37Então, é sempre um ano de fim de ciclo para alguém, né?
14:41O que deixa a gente sempre no início do próximo ciclo é como a gente vai atingir.
14:48Porque as 2008 a gente teve que atingir de uma maneira.
14:51As 2010 a gente está tendo que atingir de uma outra maneira.
14:54Então, vai mudando a geração e a gente vai ter que ir ali entendendo qual é a melhor maneira de
15:00atingi-las.
15:01E aí, não é só sobre mim, é sobre as outras áreas que fazem um trabalho incrível e agregam muito
15:06e me ajudam muito
15:08em como perceber quem é essa geração de agora, né?
15:12Então, essa geração a gente atingiu de uma maneira diferente do que a geração de 2008.
15:16Perfeito. A gente conversa no dia 12 de março de 2026.
15:19Tem um ano e cinco dias que você está na seleção, né?
15:22Nem sabia disso.
15:24É, sim. Foi no dia 7 de março do ano passado.
15:26Então, assim, é um momento...
15:27Seleção é um momento de êxtase para qualquer treinadora, né?
15:30É muito importante.
15:32A própria Camila falou isso quando ela se desdobrou ali entre Palmeiras e seleção
15:36e depois optou pela seleção.
15:38E você vem de Benfica, né? Vem de uma escola europeia ali.
15:42Depois você volta para o Brasil, você vai para o Corinthians, depois você vai para o Cruzeiro
15:45com uma auxiliar técnica já no meio do profissional.
15:48Então, eu queria saber o que cada experiência dessas três que eu citei te agregou como treinadora.
15:53As três me agregaram bastante, assim.
15:56Quando eu termino, decido parar de jogar futebol.
16:01Estou no Benfica, né?
16:03Eu percebia que eu interagia muito, falava muito com as colegas, olhava mais para o jogo.
16:09E foi ali que começou a despertar o talvez eu consiga ser uma boa treinadora.
16:15E como eu ajudava bastante as jogadoras e os treinadores vinham falar bastante comigo,
16:22o Benfica me convida para ficar lá.
16:25Então, eu só venho para o Brasil, faço as férias e volto para começar o curso de treinadora lá
16:31e acabo por ficar como treinadora estagiária no primeiro ano na equipe B do Benfica.
16:37E o Benfica tem uma metodologia muito incrível e particular que prioriza a individualidade,
16:44prioriza o pensar o jogo.
16:47Não é sobre uma estrutura, um sistema.
16:49Não é sobre o 3-4-3 ou o 3-5-2 ou o 4-3-3.
16:53É sobre a percepção dos espaços.
16:55É sobre manipular os espaços e os adversários.
17:00Então, me dê um olhar para o jogo que, na nossa cultura, é muito sobre sistema, né?
17:06É muito sobre a sua posição faz isso.
17:09E eu agradeço muito, muito.
17:12Eu sempre falo isso.
17:13Todas as vezes que eu tenho a oportunidade de falar, eu falo muito sobre o Benfica.
17:16Ainda bem que eu comecei por lá, porque me trouxe um olhar para o jogo que enriqueceu a minha vida
17:25como treinadora.
17:26E aí entra mais sobre também as nossas habilidades e o que a gente quer agarrar sem entender que aquilo
17:32é importante, né?
17:33Então, eu engoli aquilo e peguei como uma oportunidade incrível para o meu crescimento e a minha evolução como treinadora.
17:40E também tive pessoas que foram meus tutores, meus mentores e que me fizeram passar por situações de
17:49eu, ah, hoje eu vou jogar assim, assim, assim.
17:51E eles, não, vai lá, joga.
17:52E aí deu tudo errado. E no outro dia eu falava na reunião, eu falava, isso escorreu errado.
17:57Eles sorriam.
17:58Eu, mas por que vocês estão sorrindo?
17:59Ele, eu sabia que ia dar errado, né?
18:01E eu, por que vocês não me ajudaram?
18:03Ele, porque você está em formação.
18:04Eu preciso fazer com que você identifique os porquês das coisas, né?
18:10Eu não posso dar caminhos.
18:12Então, eles me deram um alicerce muito importante.
18:16Me permitiram errar muitas vezes.
18:18E ali eu me desenvolvi.
18:19Então, a cultura, a metodologia, o Benfica não era sobre o ganhar ou o perder.
18:24Era sobre o formar.
18:26Não só jogadoras, mas também treinadores.
18:28Talvez se eu tivesse numa cultura que era sobre ganhar, eu já teria ido embora mais cedo, né?
18:33E eu também não teria me formado de uma maneira qualitativa, na minha percepção.
18:39E aí, quando eu saio do Benfica, volto para o Brasil.
18:42Vou para o Corinthians.
18:44Venho para uma cultura minha, mas não minha como treinadora.
18:48E vivencio coisas que fazem sentido, outras que não.
18:53Coloco a colocar...
18:54Começo a colocar a minha maneira de ver o jogo.
18:58Acho que elas começam a acreditar, né?
19:00Porque quando você diz para uma jogadora que o jogo não é sobre a posição dela.
19:04E sim sobre o espaço.
19:06Você precisa fazer com que aquilo seja palpável para ela.
19:09Senão, ela não vai acreditar.
19:11Então, através do dia a dia, dos exercícios, das dinâmicas, do feedback, do vídeo e do jogo.
19:15E o jogo trazer comportamentos.
19:17Que elas falam, não, isso faz sentido.
19:19Eu fui ganhando as jogadoras e elas foram acreditando muito.
19:23E eu acho que a gente fez um ano muito incrível dentro do Corinthians.
19:27Que aí, no final do ano, vem o convite do Jonas.
19:31E aí, a nível de futuro, eu quis me desafiar.
19:37Porque um dia eu quero me ver numa equipe profissional.
19:40E eu acho que era um passo muito importante.
19:44Com um cara, assim, que vivenciou coisas incríveis dentro do futebol.
19:48E que ia ser um alicerce importante para mim também.
19:51Ele ia me permitir errar.
19:53Ele ia me permitir ser eu dentro daquele processo.
19:57Sabendo que eu só tinha vivências até então, com categorias de base.
20:01E viver o dia a dia de um mundo adulto, de uma equipe profissional.
20:05Ia me trazer mais elementos para minha formação como treinadora.
20:11Então, foi muito difícil dizer não para as meninas do Corinthians e para o Cruzeiro.
20:17Mas foi um mês.
20:18Que aí, depois veio o convite do Arthur.
20:21Mas foi um mês que eu vivenciei.
20:23Que me trouxe coisas muito importantes.
20:27Para que, quando eu pisei aqui, eu entendi que, independente das idades, elas precisam de um guia.
20:36Elas precisam de uma linha orientadora.
20:38E aí, vem a concretização do modelo de jogo mais palpável.
20:42Não é sobre só falar o jogo.
20:44E o Jonas faz muito bem isso.
20:46E isso faz muito sentido.
20:48Independente da idade.
20:49Porque, hoje, se vai numa equipe adulta, as meninas com 25, 30 anos, ainda precisam.
20:55Elas ainda estão em desenvolvimento.
20:57Porque as mais velhas não tiveram categoria de base.
21:01Essas meninas, talvez, quando elas chegarem numa equipe adulta, elas vão estar muito mais preparadas.
21:06Porque elas tiveram o processo de desenvolvimento delas, talvez, completo.
21:12A Cris, a Formiga, a Marta, elas não tiveram sub-13, sub-15, sub-17.
21:19Elas foram sub-13, sub-15, sub-17, com a sub-25 já.
21:24Então, a gente pulou muita etapa com aquela geração.
21:28E, quando elas viram adultas, talvez elas paguem algum preço por não terem vivido o que elas precisavam dentro da
21:36linha de desenvolvimento delas.
21:38E essas meninas vivem isso hoje.
21:40Hoje, uma jogadora 2009, 2010, vai poder ter passado por sub-15, 17, 20.
21:47E vai chegar com um leque de experiência, de vivências, podendo errar, podendo ser ela mesmo dentro da própria categoria.
21:56São pular etapas que os nossos nomes de peso dentro desse país não tiveram.
22:03Então, eu acredito que essas meninas, hoje, vão estar mais preparadas para um adulto daqui a cinco anos.
22:13Porque as vivências, e graças a Deus, hoje, o futebol feminino tem as suas categorias de base.
22:18E que permitem que elas tenham um desenvolvimento mais efetivo dentro das necessidades que elas têm.
22:24Hoje, uma menina de sub-15 vai viver as necessidades, não a especificidade, né?
22:30Ela vai viver as necessidades dentro da categoria e vai poder se desenvolver de uma melhor maneira do que se
22:35ela tivesse com 15 anos numa sub-20 ou num profissional, né?
22:41Quantas etapas a gente não ia pular e quantos comportamentos a gente não ia perder dela, né?
22:48Já colocando ela num ambiente muito competitivo.
22:51Não, ela tá num ambiente de desenvolvimento.
22:53Ela pode errar.
22:55Ela pode se conhecer.
22:56Então, acho que a gente ganha muito quando a gente tem as categorias de base e permite com que elas
23:01tenham o desenvolvimento completo, né?
23:03Sempre pular e tá.
23:05Perfeito.
23:06E aí, você falou de algo que a gente toca muito, né?
23:09Em relação à integração dessas categorias.
23:11A Bia chegou agora, né?
23:35E a Camila quando chega no final do ano,
23:41eu e a gente ainda tava no Mundial.
23:43Aí fomos pra Copinha juntas, assistimos a Copinha.
23:46Foi ali que a gente conseguiu conversar um pouco mais.
23:48E quando a gente volta, ela vai direto pro preparação do Sul-Americano e Sul-Americano.
23:52Então, nós quatro juntos ainda não aconteceu.
23:56Acho que vai acontecer depois dessa convocação agora.
23:59Mas já aconteceu conversas minhas com o Arthur várias vezes.
24:05Agora, com a chegada da Camila e da Bia, com certeza vai acontecer conversas sobre todas as categorias.
24:12E talvez uma linha orientadora ali de algum tipo de comportamento que a gente queira que seja sobre o DNA
24:18da Seleção Brasileira.
24:19Mas, enquanto estávamos Arthur e Hilary, a gente tinha esse tipo de conversa aí pra mim.
24:25Foi muito rica porque ele traz um olhar que eu ainda não vivenci como treinadora.
24:35E eu tento entender o que faz sentido ou não e tento...
24:40Isso faz sentido, eu vou levar pra mim.
24:42Isso faz sentido, mas eu acho que pra essas idades ainda é muito difícil.
24:46Isso não faz sentido, talvez faça sentido pra Camila.
24:50Então, a gente tem conversas bem verdadeiras e o que faz sentido a gente pega.
24:56O que não faz sentido a gente deixa guardadinha ali pro momento ideal.
25:01Mas a troca é importante e é o que a gente quer com os quatro agora.
25:06Algumas datas podem não bater, né?
25:08Porque existem muitas viagens, principalmente deles.
25:11Mas eu tenho só que dizer pra você que existe essa conversa e ela é muito boa, muito agradável.
25:19E eu espero que agora, com nós quatro, a gente fique ali duas ou três horas conversando sobre futebol.
25:25E com certeza a gente vai agregar muito.
25:27Na nossa preparação pro Mundial, em um dos jogos, a comissão do adulto foi lá, né?
25:35E depois a gente assistiu um pouco do jogo e eles trouxeram alguns pontos de observação.
25:40E um desses pontos foi muito primordial, assim, pra nossa mudança de chave no Mundial.
25:46Então, eu acho que essa integração, eu ainda estou em desenvolvimento, né?
25:51Sou uma treinadora em desenvolvimento.
25:53Tenho oito anos como treinadora. O Arthur tem mais de quinze.
25:56Então, ele já passou por vários cenários, vários contextos.
26:00Então, o olhar dele é muito mais rico e nos ajuda muito.
26:05E eu espero que isso ainda continue acontecendo enquanto a gente estiver ali.
26:09Perfeito. E a penúltima pergunta, assim, que eu queria te fazer, Milani, é em relação ao observatório, né?
26:14Assim, a observação da seleção. Porque é um leque muito grande de atletas ali.
26:17Sim.
26:17Você convocou atletas que estão em Portugal, tem atletas que estão no High School também nos Estados Unidos,
26:22que já tem uma dificuldade ali de transmissão.
26:24Eu queria saber como vocês têm feito pra ampliar essa visualização.
26:27Se vocês têm alguma espécie de monitoramento de jogadores que estão fora do país.
26:32Como isso é feito?
26:33Nós temos os nossos contatos fora do país que nos ajudam.
26:38Claro, a gente não consegue estar lá agora, não consegue estar em todo lugar a todo tempo.
26:41Nem dentro do nosso país a gente consegue.
26:43Então, a gente tenta, através desses contatos, buscar os vídeos dessas atletas.
26:49E aí, como a gente tem um leque grande entre uma convocação e a outra,
26:53a gente consegue assistir, assim, uma quantidade significativa de vídeos.
26:57E a gente tenta olhar um pouco do contexto, se é ou não muito competitivo,
27:02o que aquela atleta individualmente faz.
27:04Por isso que o vídeo em câmera aberta nos permite ver a percepção dela pro jogo,
27:09a tomada de decisão e como ela percebe o jogo sobre ela e sobre o coletivo.
27:16E, a partir daí, a gente toma a decisão se a convocação mais perto da competição,
27:21ou mais distante da convocação, ela é mais estratégica.
27:24Sendo mais estratégica, quais são os nomes que a gente pode trazer.
27:27A gente está tentando fazer com que todas as atletas sejam vistas.
27:32E eu acho que a gente já fez isso nacional e agora a gente está conseguindo fazer de forma internacional.
27:40Porque senão a gente acaba perdendo muitos nomes, né?
27:42A gente sempre vai perder.
27:44Mas eu acho que minimizar essa perda é o nosso dever e obrigação.
27:47E a gente está tentando fazer com que isso aconteça, assim.
27:50É muito mais desgastante porque são muitos vídeos, né?
27:55E a gente vai tentar também fazer algumas visitas pra, no dia a dia, a gente perceber também quem são
28:00essas atletas.
28:01Mas a gente está tentando olhar pro país todo e tentar olhar pra essas meninas que estão fora
28:05de uma maneira em que elas não se sintam excluídas do processo.
28:09Não tem ninguém excluído do processo.
28:10Mas, às vezes, o timing não é o ideal pra nós.
28:15O timing, a gente já convocou atletas dos Estados Unidos em que a faculdade estava num momento importante
28:20e ela não conseguiu vir.
28:21Aí, na outra convocação, a gente chama de novo.
28:24E, de novo, não é um bom timing porque a faculdade está num momento importante.
28:27Então, às vezes, a gente tem que entender, né?
28:30E o nosso timing não é o delas e vice-versa.
28:32Mas a gente está tentando olhar pra todo mundo e tentando pesar o peso dessa convocação,
28:37o contexto dessa atleta, como ela está saindo sobre esse contexto e tentar entender qual
28:42é o melhor momento pra ela.
28:43Às vezes, o timing que a gente tem e o que ela tem é o ideal e acaba por agregar
28:47muito
28:48e ela conseguir ser vista aqui.
28:51Às vezes, o timing é o ideal pras duas, mas a atleta ainda não se sente muito confortável
28:57e, individualmente, ela fica muito ansiosa, nervosa.
29:00A gente precisa também ler essa atleta e entender que ela precisa um pouco mais de tempo.
29:04Então, a gente precisa chamar ela mais vezes.
29:07É um leque de aspectos muito importante que a gente tem que pesar e entender
29:12e que só o dia a dia vai nos trazer a clareza do porquê do sim ou o porquê do
29:17não.
29:18Mas a gente está tentando chegar a todas elas e nenhum atleta esteja no Brasil fora do polo, né?
29:25Rio-São Paulo ali, ela não é excluída e nem a gente não deixa de ver e nem as internacionais.
29:33Pelo contrário, a gente está tentando.
29:35Na Sub-15 teve uma atleta que tem dupla nacionalidade, que é a Nina.
29:41E a gente trouxe ela agora.
29:43Se haverão outras oportunidades que o timing vai ser o ideal, eu não sei.
29:47Mas a gente está tentando mostrar para todo mundo que a gente está vendo, né?
29:51Eu acho que é importante elas também sentirem valorizadas em vocês.
29:55Perfeito. E aí, para a gente finalizar...
29:57Ano passado, o Mundial do Sub-17 foi muito assistido pelos brasileiros no YouTube, pela Casa TV e tal.
30:03Então, eu queria que você mandasse um recado para esse torcedor que esse ano vai poder acompanhar vocês no Sul
30:07-Americano e também no Mundial, se Deus quiser.
30:10É, eu não tive essa percepção porque eu não vivi o pós-Mundial, né?
30:15No pós-Mundial eu fui para a FIFA num evento.
30:17Então, quando eu cheguei no Brasil, já era Copinha.
30:20Então, eu não vivi assim, mas...
30:22O feedback que a gente recebe é que todo mundo assistiu, todo mundo abraçou.
30:27E pelos números de espectadores assistindo, acho que a gente também teve uma noção de...
30:32Era um futebol atrativo.
30:33A gente estava mudando uma narrativa.
30:35A gente estava com o futebol que os brasileiros queriam, se identificavam, né?
30:40Eu não vou assistir algo que eu não me identifico.
30:42Eu não vou assistir algo que não mexe comigo, que não puxa por mim.
30:45E eu acho que isso foi um ponto importante para elas também acreditarem nelas durante o Mundial.
30:51Então, só tenho que agradecer os brasileiros e que nesse Sul-Americano eles tenham a mesma paixão
30:58e vontade de nos assistir e torcer por nós como tiveram no Mundial.
31:01Você que ficou aqui, não deixe de deixar o seu like, de comentar também o que você achou das entrevistas.
31:07É muito importante acompanhar a base da seleção e no lance você fica sempre atualizado.
Comentários