00:00Essa decisão representa oficialmente que todos nós somos inocentes.
00:05Foram mais de três décadas lutando pela justiça, lutando para ter voz, lutando para poder falar.
00:14Enfim, foi reconhecida a nossa inocência.
00:17A pergunta seguinte foi se eu acreditei que a verdade não viria à toa.
00:23Não, eu sempre acreditei que viria.
00:25Eu sempre acreditei, tanto é que somos todos inocentes, e eu sempre ia lutar até o fim.
00:30E o fim chegou.
00:31A pessoa que sempre deu a cara tapa, eu sempre fui na mídia, eu nunca disse um não para nenhum
00:37jornalista.
00:38Sempre fui em todos os programas que fui convidada de TV, de podcast, mesmo antes de estar vindo à tona
00:47da nossa inocência.
00:48Eu sempre estava, mesmo no meio do furacão, demonstrando que todos nós somos inocentes.
00:56Foi-me perguntado também, olhando para o início do caso, o que a senhora acredita que levou os autoridades a
01:03suspeitarem de vocês?
01:05Não houve nenhuma suspeita.
01:07Então, o Estado, naquele momento, precisava de uma resposta.
01:11E a resposta mais fácil veio através da tortura e misturaram política, religião e criança.
01:18Que é a coisa melhor para isso?
01:20No momento que o Estado viu que tinha errado, ele não tinha mais como voltar atrás.
01:25E se tornou uma bola de neve.
01:27É também uma vitória da verdade.
01:29O principal erro foi aceitar confissões obtidas sobre tortura e construir toda uma narrativa, uma acusação.
01:37A partir disso, quando o Estado permite esse tipo de prática, ele destrói vidas e compromete a própria justiça.
Comentários