00:00Vereadora, a gente está aqui mais uma vez nessa premiação.
00:04Comenta comigo um pouquinho sobre a importância de você lançar luz
00:07para essas pessoas, para essas mulheres que são protagonistas
00:12de alguma forma aqui na cidade.
00:15Sim, eu acho que é uma oportunidade.
00:17Hoje eu, enquanto vereadora, estou presidindo as sessões da Câmara
00:21nesse mês de março, estou tendo a honra de poder mais um ano.
00:25Ano passado também tive a oportunidade não só de homenagear
00:28uma das mulheres, mas também de presidir as sessões
00:31e de organizar todo o evento.
00:33Então, esse é um projeto da vereadora Márcia Souza.
00:36Ela criou lá em 2017 e desde o ano de 2018,
00:41cada vereador pode escolher uma mulher para homenagear.
00:44Uma mulher que fez algo importante no seu município, na sua região,
00:48na vida, que transforma a vida das pessoas todos os dias.
00:52Uma mulher que é protagonista de alguma forma.
00:55Então, por isso ela está sendo homenageada hoje aqui na Câmara Municipal.
00:59Cada vereador, entre tantas e tantas mulheres espetaculares que a Pucarana tem,
01:05teve que escolher apenas uma.
01:06Mas eu acho que cada mulher que nós escolhemos,
01:09eu escolhi a doutora, a nossa delegada, a doutora Luana Lopes,
01:13representa uma parte muito grande da sociedade apucaranense.
01:17Então, mulheres, sintam-se todas homenageadas hoje aqui na Câmara Municipal.
01:22Falando do termo geral, não só de Pucarana, mas no termo geral,
01:25a gente vê constantemente mulheres sendo vítimas de agressão.
01:28Não só física, mas em agressão psicológica, cárcere privado.
01:32Você como mulher, como vereadora e como empresária,
01:35vem te preocupando com esse índice de violência todos os dias sendo noticiado?
01:40Sim, o índice aumenta e aumenta bastante.
01:43Eu até falo que o aumento do índice deve-se também ao aumento da rede de proteção agindo, trabalhando.
01:51As mulheres sentem um pouco mais de confiança, por isso elas denunciam um pouco mais também.
01:57Mas é um enxugar gelo.
01:59Só que aí nós não podemos cuidar somente, quando falamos em mulheres, da situação de violência.
02:04Nós precisamos mostrar o protagonismo, mostrar a garra, a força e a determinação da mulher.
02:10Mostrar que não importa o que a mulher esteja passando,
02:13ela pode sim sair do que ela está passando e se tornar uma protagonista da sua história.
02:18Vereadora, você é a única representante das mulheres na Câmara.
02:24A gente tem aí um eleitorado feminino no Brasil de cerca de 50%, 51%, algo em torno disso.
02:30Mas a gente não vê uma representatividade real.
02:34Como que você acredita que isso pode ser incentivado?
02:39Nós, enquanto estamos aqui no Poder Público, nesse mandato, é minha obrigação de tentar trazer mais mulheres
02:48para que venham participar da vida pública.
02:51Talvez eu não tenha tido lá atrás a inspiração de uma ou de outra, mas hoje eu estou aqui.
02:57Então eu tenho obrigação de tentar inspirar e de fazer com que elas participem mais da vida pública.
03:02E é isso que eu e os outros 10 vereadores estamos tentando fazer nesse momento,
03:07junto à Secretaria da Mulher, junto à Prefeitura, ao nosso prefeito,
03:10tentar trazer as mulheres para participar um pouco mais da vida pública de Apucarana.
03:16Dona Elua Scholle, presidente da Câmara de Vereadores,
03:18queria que você falasse e ressaltasse a importância dessas mulheres,
03:21que são mulheres destaques aqui na nossa cidade, que fazem a diferença para a sociedade,
03:25para todo mundo aqui da nossa região.
03:26É uma alegria poder falar com todo mundo sobre esse momento importante na cidade de Apucarana,
03:30em que nós fazemos um cumprimento de um dever bíblico,
03:33dar honra a quem tem honra.
03:35Em especial no Mês da Mulher, nós tratamos disso com muita diligência e carinho.
03:39Todos os anos a Câmara Municipal de Apucarana elege 11 mulheres que, de maneira simbólica,
03:45representam todas as mulheres da nossa cidade,
03:47que carregam uma história, uma história pujante,
03:50uma história de determinação, de vitória, de conquista, como é da maioria das mulheres.
03:54E nós podemos, de alguma forma, homenagear, entregar a elas uma honraria,
03:58para que nós possamos ouvir, durante a sessão, as histórias,
04:02o que elas fazem pela nossa cidade,
04:04e dar a valorização necessária à pauta feminina.
04:08É importante dizer que o momento é de celebração,
04:10mas, ao mesmo tempo, é um momento em que nós devemos pensar um pouquinho.
04:14Uma a cada três mulheres sofre algum tipo de violência.
04:17E aí eu fui instado, questionado, pelo pessoal do setor de psicologia da Facnopar esses dias,
04:23e as falaram de maneira bem rápida assim.
04:24Danilo, pensa em três mulheres que são importantíssimas na sua vida.
04:29E eu, de maneira muito rápida, respondi três mulheres.
04:31E ele falou assim, escolhe uma para ser vítima de violência.
04:34E aí eu já não consegui responder mais.
04:36Mas essa é a realidade que nós vemos.
04:38Uma realidade em que uma a cada três mulheres sofre algum tipo de violência.
04:42E sofre porque nós nos omitimos,
04:44sofre porque nós não agimos da maneira correta,
04:46não reprimimos e não agimos com a força da lei,
04:49contra os agressores, da maneira devida.
04:50Então, ao mesmo tempo que nós celebramos as mulheres de destaque da cidade de Aparana,
04:54nós precisamos, de alguma forma, entender e ter a consciência
04:59de que o modus operandi, de que o jeito de agir que nós temos, precisa mudar.
05:04Porque nós precisamos começar a enfrentar a violência contra a mulher
05:07de maneira efetiva, séria e pujante na nossa cidade.
05:12Danilo, você acredita que a violência contra a mulher já é sistêmica?
05:16Ela está aí em todas as estruturas e, muitas vezes, é difícil de você perceber ela, né?
05:23Porque até ela escalonar para uma violência física, você tem outros tipos de violência, né?
05:28Naturalmente. Existem algumas pessoas que falam que violência é só bater não.
05:32Existe a violência psicológica, existe a violência moral,
05:35existe uma série de outras violências que, às vezes, têm efeitos mais severos
05:39que a violência física.
05:40Mas, estruturalmente, culturalmente, em especial alguns homens e, em especial, os mais velhos,
05:47têm um entendimento de que não, um sentimento de posse, de propriedade sobre a mulher.
05:52Não, eu bato porque ela é minha. Olha que absurdo!
05:54Como se a mulher fosse uma posse, um objeto.
05:57Não, eu faço o que eu quiser. E não é isso.
05:59Precisa existir uma conscientização fática e jurídica sobre esse assunto
06:04e o direito precisa ser um pouco mais assintoso e um pouco mais cirúrgico
06:09nesse tipo de relação.
06:11Porque, em regra, o cara vai lá, agride a mulher, sai e começa a agredir de novo.
06:18Então, se nós temos a reincidência, é porque a resposta estatal não é efetiva.
06:22E aí, naturalmente, se torna sistêmico.
06:24Se torna fácil e, às vezes, até vantajoso.
06:27Ele fala, eu vou agredir, depois não tem nenhum problema,
06:29porque ela depende de mim.
06:30Então, ao mesmo tempo, conscientização é possibilitar a mulher
06:34para que ela não dependa do agressor.
06:36Porque, às vezes, em razão de uma dependência financeira,
06:39a mulher se submete a toda sorte de violência,
06:42ainda que isso não seja o meio dela.
06:46Delegado Lona Lopes, faz parte do trabalho muito importante
06:49da Delegacia da Mulher.
06:50Eu acho que seria uma injustiça você não ser entrevistada
06:53nessa noite e também não ser homenageada.
06:55Por causa dessa sua dedicação desse trabalho,
06:57no caso da Cintia,
06:58você se empenhou 100% da sua vida nesse caso.
07:02Então, hoje é uma noite muito especial.
07:03Eu queria que você falasse sobre a expectativa,
07:06qual que é a sensação dessa noite.
07:08Então, assim, quando eu recebi o convite da vereadora,
07:12eu, assim, fiquei muito honrada.
07:15Assim, até meio desnorteada na hora, né?
07:18Que eu falei assim,
07:19eu falei, nossa, eu?
07:21Ela falou, é, senhora, é claro.
07:22Eu falei, meu Deus, olha,
07:24é uma honra imensa, né?
07:26Assim, tô realmente maravilhada, né?
07:29E, assim, gente, eu só tenho a dizer
07:31que hoje tô aqui pra representar
07:33todas as mulheres que estão ali
07:35nas forças de segurança, né?
07:37E não só elas,
07:39mas todas as mulheres como um todo, né?
07:41Que precisam ser fortes no seu dia a dia,
07:44que enfrentam diversas lutas aí
07:47e que nunca desistem, né?
07:49Porque eu acho, assim, que nós mulheres,
07:52nós temos isso dentro da gente, né?
07:54Algumas são mais meigas,
07:56outras são um pouco, né?
07:57Como eu.
07:59Mas isso a gente tem.
08:02Perseverança.
08:03Porque isso faz parte da mulher.
08:05Né?
08:06Eu acho, assim, gente,
08:06só pra gerar alguém, né?
08:10E aguardar aquele ser ali,
08:11nós já temos que ter muita perseverança.
08:14Né?
08:14Então, nós somos seres, assim,
08:17que ao mesmo tempo somos fortes,
08:19mas também temos toda aquela doçura,
08:22toda aquela ternura, né?
08:23Pra poder acalentar,
08:25pra poder acolher quando é necessário.
08:27Então, assim, ser mulher pra mim é isso.
08:28E hoje eu tô aqui pra representar isso.
08:30E pra dizer também que não importa
08:33qual é o seu sonho, né?
08:35Que você, se você acreditar
08:37e você não tá pelo seu sonho,
08:39você vai chegar lá.
08:40Né?
08:40Porque pra mim não existe isso.
08:43Ah, e que é lugar de homem,
08:44e que é lugar de mulher.
08:46Não.
08:46As pessoas precisam seguir os seus sonhos
08:48e as suas aptidões.
08:49E só assim a gente vai ser feliz.
08:53Doutora, você falou um pouquinho, né?
08:55Sobre, enfim, o seu trabalho, né?
08:57Você tá num ambiente
09:00predominantemente masculino.
09:01Você acredita que
09:02muitas pessoas se espelham em você, né?
09:05Vê, ah, a doutora conseguiu chegar,
09:07trabalhar nisso, né?
09:09Fazer um bom trabalho, né?
09:10Então você também tá abrindo portas
09:12pras novas gerações.
09:13É, então, pra mim, assim,
09:15é...
09:15Eu fico realmente muito feliz
09:18de poder, né?
09:20Ver pessoas, né?
09:21Me admirando, né?
09:22Eu tenho muitas estagiárias comigo,
09:25é...
09:25E ver que elas olham pra mim e falam assim,
09:27ah, eu tenho muita vontade de ser policial.
09:30Né?
09:30E poder demonstrar isso pra elas.
09:32Né?
09:32A nossa força,
09:34a nossa capacidade, né?
09:35Que não importa qual ambiente
09:37que nós estejamos.
09:38Se ele é eminentemente masculino,
09:40eminentemente feminino,
09:41o que importa é que você faça
09:42um bom trabalho, né?
09:44Dê o melhor de si, né?
09:46E seja fazendo o que você gosta.
09:48Porque, assim, a gente fala
09:49que nós policiais,
09:50a gente não tem horário pra nada.
09:52Né?
09:52Mas, assim, pergunta pro policial
09:55qual policial não vai sair da sua casa
09:57num momento de necessidade?
09:59Né?
10:00Então, assim, é sacrifício?
10:01Claro que é.
10:02Mas a gente faz com amor.
10:03Porque a gente nasceu pra fazer isso.
10:05Então é isso que eu tento passar pras pessoas.
10:07Não importa o seu sonho.
10:09Entendeu?
10:10Se você tem aptidão,
10:11se você tem um sonho,
10:12se você tem vontade,
10:14você vai chegar lá.
10:24Não importa o seu sonho.
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