00:01Olá amigos do futebol, eu sou a Arbitragem Emanuel Serapel Filho, ex-ábitro FIFA, ex-membro do Comitê Consultivo da
00:08Internacional Board, ex-dirigente da CBF,
00:15estrutura de arbitragem, autor do projeto VAR, conversando com vocês sobre o Bavi, dessa quarta-feira, dia 12 de março
00:23do ano ocorrente, 2026,
00:26em que houve um lance que teve dois desobramentos. O primeiro foi um pênalti praticado pelo Lucas Arcandes, o goleiro
00:34do Vitória, no atacante do Bahia.
00:38Perguntou-se se ele, porque impediu uma clara oportunidade de gol do atacante do Bahia, não deveria ser expulso.
00:44Não, porque a regra diz que se o pênalti for cometido com o jogador disputando a bola,
00:51se ele apenas empurra o adversário, se ele está disputando a bola, se ele mete a mão na bola,
00:58não no caso do goleiro, obviamente, se ele mete a mão na bola e aí não está disputando a bola,
01:03ele deve ser expulso,
01:04mesmo com a marcação do pênalti. Mas quando ele pratica a infração, disputando a bola e o pênalti é marcado,
01:12o cartão vermelho cai para o cartão amarelo. Então o Rafael Klein acertou, tirando o cartão vermelho,
01:19não aplicando o cartão vermelho e aplicando o cartão amarelo, porque o pênalti foi cometido
01:25na disputa da jogada. A consequência desse lance é que na cobrança do penal, o goleiro do Vitória
01:34defendeu e o Juba, atacante do Bahia, invadiu a área e pegou, antes da cobrança do pênalti,
01:40obviamente, e pegou o rebote e fez o gol. E nesse caso, tinha que ser marcado tiro livre indireto
01:47contra o Bahia pela invasão do Juba e o jogo ser reiniciado no momento, no ponto em que ele
01:54interferiu no jogo. Tudo certinho até agora. A questão é que no mesmo momento em que o Juba
02:02invadiu, também um jogador do Vitória invadiu. E o que é que se passa? A regra está lá estabelecendo
02:11que se os dois entram e há impacto, que se anula o gol ou se repete o penal. Mas só
02:21o exemplo dos dois
02:25é somente quando há impacto. Ora, se apenas um impacta, que no caso for o jogador do Bahia,
02:34só ele deve ser punido. Porque o que a regra quer punir é o impacto na jogada, não é o
02:40invadir por
02:40invadir. Tanto que se o atacante invadir e um companheiro seu cobrar e fizer o gol, o pênalti não vai
02:47ser
02:47repetido, porque só pune com impacto. Se um defensor invadir e o pênalti não for convertido, o pênalti não se
02:57repete se ele não impactou. Então, quando a regra faz um quadradozinho explicando essas situações que
03:05colocam atacante e defensores, a gente não pode esquecer da essência de tudo. É o impacto. Se não houver
03:11impacto, os dois invadiram, não houve impacto, a bola foi para fora ou foi para o gol, valida-se o
03:19lance ou
03:21tiro de meta ou o gol. Apenas um impacta, no caso foi o atacante, pune-se o atacante. Se impactasse
03:32um
03:32defensor impedindo que o atacante pegasse na bola, o pênalti seria repetido. Mas quando ambos invadem e
03:40apenas um deles impacta no jogo, apenas esse deve ser punido. Essa é a essência da regra que quer
03:50punir, não a forma, o invadir por invadir, mas o impacto no jogo que prejudica o desenvolvimento
03:58do jogo. Então, a regra às vezes não é bem clara, mas nós temos que buscar a inteligência da regra,
04:08que é punir exatamente, exclusivamente o jogador que impacta no desenvolvimento do jogo. Se invade,
04:16não impacta, não tem problema nenhum. Se o goleiro se adianta e o atacante se adianta um pouco,
04:25se impactar na posição do atacante e a bola chutada lá nas nuvens, não se repete o pênalti.
04:31Porque a ação do goleiro foi uma ação morta sem impacto. Nesse caso, a ação do defensor do Vitória
04:38foi morta e a ação do atacante do Bahia, o Juba foi viva, que ele pegou a bola e fez
04:44o gol,
04:45então impactou diretamente no jogo e, nesse caso, deve ser punido com tiro livre indireto,
04:50como foi, e não se repetir o pênalti, porque seria um desequilíbrio. Quando eu invado sozinho,
04:56que não impacto, não sou punido, mas quando eu invado ao outro, ao lado de outro, eu também
05:03não impacto e aí vou ser punido. A regra teria um contrassenso. Então, a essência de tudo é que
05:09o que está sendo punido é o impacto no desenvolvimento do jogo. Então, acertaram o VAR e o árbitro,
05:18tanto no lance do cartão amarelo, quanto na marcação do tiro livre indireto contra o Bahia,
05:25porque o defensor do Vitória, apesar de ter invadido, não interferiu absolutamente no jogo
05:31e a punição é para a interferência e não para a invasão. A regra deveria ser um pouquinho mais clara,
05:39mas a essência é essa. Torcedor, foi bom falar com você e eu acho que você teve a oportunidade
05:46de conhecer mais uma nuance da regra do jogo, que tem muitas situações intricadas e uma dessas
05:53foi essa que nós acabamos de comentar com vocês. Um forte abraço e até uma próxima oportunidade.
06:01Tchau.