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  • há 10 horas
Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o Hospital São Lucas promoveu um encontro especial entre três gerações de mulheres da família Gurgacz que ajudam a construir uma história de trabalho, liderança e contribuição à sociedade.

Participam do podcast a presidente do Hospital São Lucas, Jaqueline Gurgacz Ferreira; a instituidora da Fundação Hospitalar São Lucas, Nair Gurgacz; e a pró-reitora de ensino, pesquisa, extensão e pós-graduação do Centro Universitário FAG, Aline Gurgacz Ferreira.

O episódio reúne histórias, memórias e reflexões sobre a trajetória de mulheres que, em diferentes momentos e áreas de atuação, contribuíram para o desenvolvimento de projetos importantes nas áreas da saúde e da educação.

A conversa percorre desde o início da caminhada de Nair Gurgacz, que deu os primeiros passos, passando pela liderança e visão de gestão de Jaqueline, até chegar à terceira geração, representada por Aline.
Transcrição
00:24Olá, hoje é um dia muito especial, é o dia da mulher.
00:28E não deixa de ser mulheres fantásticas que se destacam, que tratam muito e que vem ultrapassando essas gerações com
00:37muita qualidade, com muito desempenho.
00:39E eu não podia deixar de fazer um programa diferente hoje e de trazer mulheres aqui que são muito importantes
00:46na minha vida.
00:47Então hoje eu trago minha mãe, que é referência em mulher, é referência em esposa, referência mãe e tem uma
00:55trajetória empresarial fantástica.
00:58E a minha filha, que é uma outra geração, você viu que hoje nós estamos falando de gerações aqui, que
01:03é a Aline também, que é uma referência para mim de mãe, de empresária.
01:09Então hoje o nosso bate-papo vai ser entre gerações de mulheres.
01:14Então mãe, é um prazer enorme ter a senhora aqui, Aline, que bom que vocês vieram.
01:19E eu quero começar com uma pergunta, que já que nós estamos falando de mulheres, mulheres que se destacam, mulheres
01:23fortes.
01:25Amanhã a senhora começou muito cedo, quando a senhora tinha 15 anos, a senhora já começou trabalhando fora.
01:32Como é que era isso aqui, ano que era em 1965, nos anos 60, um pouquinho antes, a senhora já
01:39trabalhava fora, onde as mulheres não trabalhavam.
01:42Como é que a senhora, como é que começou isso, como é que a senhora vê isso?
01:45E começou, eu comecei ainda a trabalhar no meio dos homens, né, que era na Comil, só tinha homens.
01:51Mas daí a minha escrivaninha era assim, perto da porta, e o meu pai colocou a máquina que ele trabalhava,
02:01a planha elétrica,
02:03descia, descia o degrau, ele estava na frente da porta, ele ficava lá comigo.
02:10Ficava cuidando da senhora.
02:11Ficava cuidando, né, mas foi bom, foi bom pra mim, porque me ajudou, assim, a gente desempenhar a vida, ver
02:20a vida diferente,
02:21porque aqui naquela época não tinha nada, era uma tristeza, eu saí da escola, vim pra cá, não pude mais
02:28estudar.
02:28Então, aquilo foi uma coisa melhor pra mim, pra mim poder me soltar um pouquinho, né.
02:34Então, a senhora começou a trabalhar fora, com 15 anos de idade, numa época que as mulheres não trabalhavam fora.
02:42Não trabalhavam, principalmente no meio dos homens, que nem eu estava lá, ninguém, Deus o livro, todo mundo ficava reparando.
02:50Mas meu pai e meus cunhados estavam ali na porta.
02:53Estavam cuidando da senhora.
02:54E qual foi a maior dificuldade daquela época?
02:58Não aceitaria a senhora trabalhando por ser mulher, a senhora tinha alguma dificuldade?
03:02A senhora já começou?
03:04Não, eu já comecei com tranquilidade, não achei ninguém que me dissesse o contrário, porque eu estava em família, né.
03:12E quanto tempo a senhora trabalhou na Comil?
03:14Hoje a Comil é do grupo Mascarello, mas ela foi fundada pelos seus pais, né?
03:19Foi, e eu trabalhei, eu saí de lá depois de casada.
03:25Quando, daí sim, começou uma outra vida.
03:28Comecei outra vida.
03:29Mas já com uma bagagem, né, mãe?
03:31Daí eu já saí, saí da Comil, saí com a sisa, porque quando eu casei, trabalhei uns meses depois, acabou.
03:40Mas a senhora já saiu de lá com uma bagagem administrativa?
03:43Porque a senhora sempre falou que o nono, a gente chama de nono e nono, meus avós, que eram descendentes
03:49italianos,
03:49porque a senhora falou que o nono tinha uma visão muito grande também, né?
03:53Também tinha, mas ele era muito tranquilo, né, deixava a gente mais à vontade, mas era rigoroso.
04:00Era rigoroso.
04:02Aline, você foi um pouquinho diferente.
04:04A tua geração, as adolescentes já trabalhavam fora.
04:09Como é que você começou essa tua vida profissional?
04:12A vida profissional começou bem cedo, não sei se a senhora lembra.
04:16O meu primeiro emprego, quando nós íamos pra Cascavel, passar férias, que a gente ia trabalhar com o vô Assis.
04:23A senhora lembra disso?
04:25Lembro.
04:25Que o vô, na época, não existia muitas máquinas de picotar papel, então aquilo pra nós era o máximo.
04:31E porque o vô Assis tinha uma sala dele.
04:33E ele colocava, eu e a Nairzinha, o dia inteiro picotar papel embaixo da mesa.
04:38Vocês recebiam, pelo menos?
04:40A gente nunca trabalhou de graça.
04:44Brincadeiras à parte.
04:45Acho que você, né, o pai, a avó e o vô sempre falaram da importância do trabalho, né?
04:51Então a gente foi criada nesse meio.
04:53Lembra de pequenininho também, quando o pai e você tinham loja, né?
04:56Que a gente tinha as máquinas de doce também.
04:59Mas vocês tinham 11 anos.
05:01É, menos.
05:02Eu tinha o espírito empreendedor.
05:03Porque nós morávamos em Curitiba.
05:04Nós morávamos em Curitiba.
05:05Mas na FAG, acho que foi com uns 14?
05:0714 anos.
05:0814 anos.
05:09E você começou aonde lá?
05:10Trabalhei na tesouraria, no financeiro, hospital veterinário.
05:15E a gente foi passando por diversos setores, né?
05:18Pra aprender tudo.
05:18Foi um crescimento pessoal.
05:20Foi um crescimento pessoal.
05:21Depois você fez a administração, respostas.
05:25Isso, exatamente.
05:27Sempre uma trajetória.
05:28Eu acho que diferente da época sua, da avó, vocês tinham que trabalhar, né?
05:34Nós tínhamos que trabalhar e você sempre falava da importância da gente estudar além do trabalho.
05:40Então, acho que foi os dois juntos.
05:41Você viu que a minha mãe e as gerações são mais fáceis, né?
05:45A senhora trabalhou bem mais que nós.
05:46E hoje a gente tem toda uma estrutura.
05:48A senhora fazia mil coisas e não tinha essa estrutura.
05:52Mãe, eu lembro que daí a senhora saiu da Comil, foi trabalhar com o pai.
05:56E assim, eu não consigo ver a Cis sem Nair ou o Nair sem a Cis.
06:01Porque a gente vê vocês muito ligados e sempre trabalhando muito juntos.
06:05Nós estamos falando aqui de trabalho, mas a vida de vocês sempre se...
06:09Ela se...
06:11Sempre foi muito, muito unidos.
06:13E eu lembro que teve uma época...
06:15Eu deixo a senhora, vai me lembrar mais o ano.
06:17Mas o pai foi para a política.
06:19E ele ficou fora seis, sete anos.
06:22E a senhora assumiu todas as empresas sozinha.
06:25Sozinha.
06:25Porque naquela época, eu e o Catur já existiam.
06:28A gente já tinha filiais em Rondônia.
06:30A mãe tinha.
06:31Tínhamos as filiais em Rondônia.
06:33E a senhora ficou com os filhos, pequenos, com a casa e com as empresas.
06:39E o pai foi para a política.
06:42Como que foi essa época?
06:43Que também foi uma época para a senhora difícil.
06:46Para mim foi difícil porque eu nunca gostei de política, né?
06:50Eu sempre fui contra.
06:51Mas tinha que aceitar.
06:53Tinha que acompanhar.
06:55Tinha que fazer parte.
06:56Mas eu conseguia administrar empresas assim.
06:59Não foi fácil administrar naquela época, porque era difícil.
07:04Se chovia na segunda-feira, eu ficava olhando na porta.
07:07Meu Deus, hoje não vem ônibus, não vou poder fazer os pagamentos.
07:11Não tinha asfalto, mãe?
07:12Não tinha nem estrada.
07:14Quanto mais asfalto.
07:16Se dava uma semana de chuva, ele ficava quase doida, porque não podia fazer os pagamentos.
07:21E eles vinha cobrar, eles não queriam nem saber, né?
07:24Então, quando saía o sol, eu me animava.
07:27Hoje tem sol.
07:29Hoje tem sol.
07:29Amanhã os ônibus vêm.
07:30Então, foi assim, tudo, tudo, tudo devagarinho, devagarinho.
07:37As crianças também já tinham quem cuidava.
07:40E não foi fácil, porque ainda às vezes eu tinha que ajudar.
07:44Até os motoristas que vinham e iam sair.
07:48Às vezes jovia, não podiam ir para casa.
07:50Eu mandava lá em casa lavar as camisas deles, para eles poderem seguir viagem.
07:56Quantos ônibus tinham mais ou menos naquela época, quando você era falando?
07:59Eu acho que ele devia ter uns 20 e poucos já usados, né?
08:05E a senhora se preocupava até em manter a aparência deles.
08:10A senhora mandava lavar até as camisas.
08:13Dei as camisas dos motoristas, eu cansei de lavar lá em casa.
08:17E eu ajudava até a lavar os ônibus, se estavam apurados para sair num vazio escritório,
08:23mas no fundo eu enxergava eles lavar os ônibus.
08:27Se estavam apurados, eu ia ajudar a lavar dentro, porque não tinha muitos funcionários na época, né?
08:33Agora não foi só na política, né, vó?
08:36Antes também, desde que a senhora sempre conta.
08:38Quando a empresa começou, a senhora sempre estava envolvida, né?
08:41Sempre envolvida.
08:42Cobrava, cozinhava para motorista, cuidava dos filhos, acompanhava o vô.
08:48Sempre, sempre fazendo comida.
08:50Então, se a gente tem os privilégios de hoje, foi porque a senhora sofreu lá atrás também.
08:55Não foi fácil, né, vó?
08:56Sempre.
08:57A senhora deixou mais tranquila para nós.
08:59Sempre. Eu cozinhava para os motoristas até pouco tempo, né, Jaque?
09:03Porque a cozinha funcionou até pouco tempo.
09:06Mas eu cozinhava para eles e eles faziam.
09:09E eu tinha capricho, fazia assim naquela época.
09:13Eu tinha mais dedicação, fazia até macarrão feito em casa para eles.
09:19Nossa, era muito capricho, né?
09:20E ainda fazia os vestidos de noiva, das cunhadas, das amigas.
09:24Ah, fazia vestidos de noiva, confeitado.
09:26Eu fico que imagina, hoje a mulher não tem essa garra.
09:29Não tem.
09:30Ah, eu fazia vestidos de noiva para quem precisava, pessoal da família, funcionários, esposas dos funcionários que iam casar.
09:39Eu fazia o vestido de noiva e eu ajudava.
09:42Eu era um pau para qualquer obra.
09:45É, ainda, né?
09:45Eu fico imaginando, porque naquela época nós tínhamos o quê?
09:48Cascavel Santa Tereza, Cascavel Capitão e São Francisco.
09:56As viagens para a Parcida do Norte e Cascavel de Paraná.
10:01Cascavel de Paraná.
10:02E naquela época não tinha estrada de chão em tudo, né?
10:05Era tudo estrada de chão, né?
10:06Também estrada de chão.
10:07Eu lembro da senhora contando que muitas vezes a senhora deixava nós em casa à noite,
10:11porque quebrava um ônibus, quebrava não sei o quê.
10:14Tinha que levar peça, tinha que levar mecânico.
10:16Eu levava o assírio pequeno junto comigo, para mim não ir sozinha.
10:20Fala nossa.
10:21É, eu ponho o assírio no carro para mim não ir sozinha, levar peça.
10:26Eu levava o assírio comigo.
10:28Mãe, quando a senhora olha toda essa trajetória, da senhora ver o Cartur hoje,
10:32que vai de porto a porto, a gente brinca, Porto Alegre, Porto Velho,
10:37que faz, enfim, que está praticamente em todos os estados brasileiros e que cresceu.
10:41E que a senhora ficou com essa gestão sozinha por muitos anos,
10:45claro, sempre com o apoio do pai nessa época.
10:47E depois, graças a Deus, como a senhora fala, ele saiu da política,
10:51porque as empresas cresceram e a senhora precisava dele nas empresas, né?
10:55O que a senhora mais se orgulha de todo esse seu trabalho?
10:59Agora, como empresária, porque foi a dedicação.
11:02O que a senhora mais se orgulha?
11:04Não sei o que dizer, só que uma coisa que eu quero contar para vocês.
11:07que tinha uma época que o Assis não ia para Rondônia sozinha.
11:12Eu lembro.
11:13Não ia, se eu não fosse junto, ele não ia.
11:17E as crianças eram pequenas e eu ficava com dó,
11:20porque não tinha telefone em Rondônia.
11:23Eu ia lá, ficava 20 dias, não tinha comunicação, só telegrama, né?
11:28Aí, um dia eu estava chorando que eu não queria,
11:32e chamei o padre Breda lá em casa.
11:34Chamei o padre Breda lá em casa para ele me dizer,
11:37eu não sei, padre Breda, se eu abandono meu marido
11:41ou se eu abandono meus filhos, que eu não sei mais o que fazer.
11:45Chorando, chorando, eu fiz essa pergunta para ele.
11:49Ele conversou, conversou comigo, me deu explicações,
11:54as crianças estavam bem cuidadas, as avós moravam aqui em Cascavel,
11:59e essas crianças vão crescer, vão casar,
12:02e eles vão tudo embora, e a senhora vai ficar com quem?
12:07E eu falei assim, eu vou arrumar minha mala, padre Breda.
12:12E nós fomos todos bem criados, graças a Deus.
12:15Exatamente.
12:16E tinha a tia Marisa também que dava um suporte.
12:18Não, não, olha, eu tenho coisas, se eu for começar a contar.
12:23Mãe, mas independente disso, muitas vezes nós íamos juntos.
12:26Eu lembro de uma viagem que a senhora foi a trabalho,
12:30que a senhora teve que ir para Cuiabá, eu lembro muito,
12:32não sei por que me marcou essa viagem,
12:35e nós éramos pequenos, acho que esses marcos não existiam,
12:37porque esses marcos têm 10 anos de diferença comigo,
12:40e a senhora nos colocava no carro, porque naquela época não tinha,
12:43hoje tem avião, né?
12:44Mas naquela época não tinha avião, era 24 horas de carro.
12:47E não tinha asfalto também, né?
12:48E eu lembro que a gente acabava indo com a senhora,
12:51e dormindo no caminho, enfim.
12:55Eu admiro a senhora nessa força,
12:57eu não sei se eu teria toda essa garra, né?
13:00Pensa, aí daqui, Aline, sem asfalto,
13:02com três filhos pequenos no carro, e vamos para Cuiabá.
13:05E eu lembro, eu não sei se é nessa viagem,
13:07nessa viagem que a senhora conta aqui de Cuiabá,
13:10que a senhora quase foi assaltada,
13:11porque a senhora saiu meio fugida, não foi?
13:14Eu saí escondida do hotel.
13:16É porque nós estávamos jantando,
13:18Por isso que você é forte também.
13:19Estávamos jantando, nós tínhamos chegado de Paraná.
13:23Nós estávamos jantando, ia pousar no hotel lá perto de Cuiabá.
13:29E as crianças, tem que jantar para as crianças,
13:31foram as três, né?
13:32E tinha uns homens com a cara tão feia,
13:36que conversavam, conversavam, e olhavam para mim.
13:39E conversavam, conversavam,
13:41e olhavam para mim.
13:43E eu fiquei com medo.
13:45Eu fiquei com medo que eles iam me assaltar.
13:48Eu saí da mesa,
13:50pus as crianças a dormir,
13:52fui lá na frente,
13:53acertei a pousada no hotel.
13:57Quando foi meia-noite e pouco,
13:59eu acordei e vocês pus no carro.
14:01E me mandei.
14:03E me mandei,
14:04porque eu estava com medo de ser assaltada.
14:07Aqueles homens me olhavam muito com a cara tão feia.
14:12E eles feios também, em três.
14:14Eu parece que estou vendo eles, né?
14:17Eu...
14:18E a senhora firme.
14:20E só com três crianças pequenas no carro.
14:21Com três crianças pequenas.
14:22Vim parar em Cascavel.
14:25Saí de lá e parei aqui em Cascavel.
14:28Vinte e quatro horas de carro.
14:30É, de carro.
14:32E Rondônia, mãe?
14:33Eu sei que...
14:34Claro, eu acompanhei,
14:35apesar de...
14:37Nós desbravamos, Rondônia, né?
14:39Nós, que eu digo, a senhora e o pai.
14:40Com certeza.
14:41Então, a senhora já saiu de Cascavel,
14:43tinha um conforto já,
14:45a vida já tinha melhorado,
14:46já estava mais...
14:47Já tinha uma casinha boa.
14:49Já tinha uma casinha melhor,
14:50os filhos criados,
14:52mas daí aquela coisa...
14:53E agora, né?
14:54E agora, e agora.
14:56Não vamos parar aqui.
14:57Não, não...
14:58Seu pai não ia se eu não fosse.
15:01E daí tudo começou em Rondônia.
15:02Daí tudo começou em Rondônia.
15:04Começou com uma linha de Porto Velho,
15:07depois foi para frente,
15:10em Tangará da Serra, Manaus.
15:13Hoje está até na...
15:15Como é que é?
15:16Venezuela.
15:17Venezuela.
15:17Boa Vista, Venezuela.
15:18É, Boa Vista.
15:20Hoje está até na Venezuela.
15:23Então, foi...
15:23Mas foi difícil,
15:25porque naquele tempo não tinha asfalto,
15:27os ônibus quebravam,
15:29não tinha peça,
15:31tinha que vir de fora.
15:32E, às vezes, não tinha a luz,
15:34não tinha água encanada,
15:35tudo começando.
15:36Não tinha água encanada,
15:38o gás era difícil.
15:39Eu chegava aqui com as pernas
15:41sapecadas do fogão,
15:43a lenha que eu tinha,
15:44aquela chapa grande,
15:46sabe?
15:46Que espalzão de lenha grande
15:48para cozinhar para o motorista.
15:49E quando a viagem estava bem tranquila,
15:51a onça ainda comia o passageiro.
15:53É, ainda mais disso.
15:56Parar e o passageiro...
15:59Não tinha banheiro nos ônibus?
16:00Os ônibus não tinham banheiro.
16:02Naquela época, ele tinha que parar
16:04e o homem foi para o mato
16:06e não voltou mais.
16:07Só ficou a pegada da onça.
16:09Eu sempre achava que essa história
16:10não era real, mas...
16:12É real, é real.
16:13É real, sim.
16:16Nossa, foi um sufoco,
16:18só acharam o resto,
16:19só as pegadas da onça.
16:20É, eu digo assim,
16:22a gente...
16:22A roupa dele, né?
16:23A gente, analisando,
16:25não imagina essa trajetória
16:27o quanto foi difícil
16:28e sofrida.
16:29Pode-se dizer sofrida, né, mãe?
16:31Sofrida, sofrida.
16:32E graças a Deus,
16:32hoje está muito tranquilo, né?
16:34Não tinha luz,
16:36mas vinha o nosso motorzinho lá,
16:38às vezes enguiçava,
16:39era na base do Lampião.
16:41Não era fácil.
16:42A gente está falando
16:43de mulheres fortes, né, mãe?
16:45E a senhora sempre foi uma fortaleza.
16:48Não sei.
16:48E da onde a senhora...
16:49Quem é a inspiração?
16:51Que a senhora conta sempre da nona,
16:53que a nona era forte como a senhora.
16:55A nona era forte.
16:55Quando a senhora fala de mulher forte,
16:57a senhora se inspira nela?
16:58Eu me inspiro até hoje nela,
17:00porque ela era minha conselheira
17:03e quando ela tinha algum problema,
17:05ela vinha desabafar comigo sempre.
17:08Sempre, sempre nós duas
17:09fomos, assim, muito ligadas.
17:12Mas a senhora vê essa mulher forte nela também?
17:14Mesmo, claro.
17:15Sempre trabalhou muito, né?
17:16Sempre trabalhou muito,
17:17sempre se virou na vida,
17:19sempre se virou.
17:21E também criou os filhos.
17:22Criou.
17:23Eu falo que é bacana isso,
17:25porque a senhora vê,
17:26a gente vem de uma geração
17:28de mulheres fortes,
17:29mulheres que trabalham,
17:30que buscam, né?
17:31E quando eu falo de mulheres fortes,
17:33eu também tenho o meu orgulho,
17:34que são as nossas meninas.
17:36É, as meninas também estão trabalhando.
17:38Uma pena que a Nairzinha não veio,
17:40que ela está com um bebezinho pequeno,
17:42licença maternidade.
17:44Até vou contar,
17:45queria que a senhora contasse essa história.
17:46eu tenho duas filhas,
17:48a Aline, que é administradora,
17:49hoje ela é pró-reitora de pós-graduação,
17:52pesquisa, extensão.
17:54E tem a Nairzinha,
17:55que infelizmente,
17:56com o bebezinho pequeno,
17:57ela não pôde vir,
17:58que é advogada,
17:59que trabalha no jurídico do grupo,
18:01das nossas empresas.
18:03Eu queria que a senhora contasse
18:04por que que ela se chama Nairzinha também.
18:06Que pena que ela não veio.
18:08Por que que a Nairzinha é Nairzinha?
18:10São histórias da vida, gente,
18:12histórias reais.
18:13Por que que ela se chama Nairzinha?
18:16Porque quando a Aline era pequena,
18:18ela chorava muito,
18:19ia lá, dava um jeitinho,
18:20ela vinha pra casa,
18:21tua mãe não sabia cuidar de você.
18:24Mas você chorava muito.
18:26Daí eu fui pra Rondônia,
18:28e daí eu disse,
18:29eu não vou com você agora,
18:31eu vou lá pra Curitiba,
18:32eu vou ver aquela criança lá.
18:36Aí eu cheguei na rodoviária em Curitiba,
18:38o Zé nem foi me buscar.
18:40Primeira vez.
18:41É, primeira vez.
18:41Quando eu cheguei,
18:42o táxi parou na frente do apartamento,
18:45ele fez assim na janela,
18:47pra mim fazer ligeiro.
18:49É certo, Aline.
18:50Eu entrei pra...
18:51Olha, me arrepia.
18:52Eu entrei pra dentro,
18:53e a Aline tava rocha de chorar.
18:55E eu falei,
18:56meu Jesus,
18:57o que é que eu vou fazer?
18:58Mas daí pensei,
19:00foi pra cozinha ligeira,
19:01esquentamos a água,
19:03esquentamos um óleo,
19:05tirei a roupa da Aline,
19:07fiz uma massagem de corpo inteiro,
19:10uma massagem bem feita,
19:12vesti,
19:13apertei ela bem,
19:15pus no meu braço,
19:17assim, ó.
19:18Acabou-se o soro.
19:20Dormiu até outro...
19:21A Aline tinha o quê?
19:22Há duas semanas?
19:23Não sei.
19:23É, por um dia, um dia, um mês.
19:26Você vê como é que é.
19:27A mãe com toda essa...
19:29com toda essa...
19:32dedicação às empresas,
19:34a gente chamava ela,
19:35ela dava preferência.
19:37A preferência é...
19:37Mas a minha avó falou, né?
19:39E daí,
19:39deixa eu terminar de contar,
19:40daí por que que ela é na ida aí.
19:42E daí,
19:43eu fiz isso muitas vezes,
19:45pra Aline,
19:45eu ia,
19:45ficava com ela.
19:47Aí o Zé falou assim,
19:48ó, dona na ida,
19:49eu agradeço a senhora.
19:51E se nós tivermos mais uma filha,
19:53ela vai se chamar na ida.
19:55Por isso que é na ida.
19:57Então,
19:57ela é uma homenagem
19:58a todas as correrias
20:00da senhora pra Curitiba.
20:01É.
20:02Eu falo,
20:02isso que é família,
20:03é esse carinho que a gente tem.
20:05E a senhora com toda a sua carga,
20:08a senhora largava tudo
20:09e ia só correr.
20:10Mas, Aline,
20:10você sobreviveu a mim, querida.
20:12A mim e ao seu pai,
20:13você tá aí.
20:14Que nem a avó falou, né?
20:15Que ela ficava com o coração apertado
20:17de ir com o vô
20:18e deixar as crianças, né?
20:20Mas,
20:20é o que eu digo.
20:21Mas,
20:21mesmo a senhora lá,
20:23em Rondônia,
20:23a senhora sempre foi uma avó,
20:24uma mãe presente, né, vó?
20:26Sim.
20:26Porque,
20:27até hoje,
20:27a senhora é união.
20:30Até hoje, a senhora...
20:31Era telegrama naquela época,
20:33não tinha telefone.
20:34Mas, a senhora sempre tava
20:35num momento importante,
20:36sempre ensinando,
20:36tanto que a sua família hoje
20:38é unida, né?
20:40A gente,
20:40toda hora que a gente pode, né?
20:42A gente tá sempre junto
20:44e são todos, né?
20:45Pra mim,
20:45a coisa mais maravilhosa que tem
20:47é a união da nossa família.
20:49E a senhora sempre teve presente,
20:51eu falo,
20:52ninho da Narzinha,
20:53sempre, né?
20:54Passar férias,
20:55roubava nós.
20:56Até hoje,
20:57a gente é da avó, assim, né?
20:58E essa correria que a senhora fez comigo,
21:01quando os meus filhos nasceram,
21:02até os sete meses,
21:03era você e a mãe lá,
21:04todo dia de manhã.
21:05Todo dia.
21:05Ah, é verdade.
21:06O Antônio tinha muita cólica,
21:08quem fazia a mesma massagem,
21:10com óleo,
21:10com o umbigo dele,
21:11quem deixou direito,
21:12que a senhora enrolou com o ledo.
21:15Então,
21:15a senhora continua forte.
21:17E por isso que a minha mãe é forte, né?
21:18Que a gente,
21:19claro, puxou.
21:19Trabalha,
21:20também trabalha desde cedo,
21:21foi embora pra Curitiba,
21:24querendo não comer,
21:25comandou ali a linha de Santa Catarina,
21:28não foi?
21:28A filial de Curitiba e Santa Catarina.
21:32Também,
21:33querendo ou não,
21:33uma empresa de ônibus
21:35que era com maioria homens,
21:37quem comandava era ela,
21:39foi ajudar o pai nas lojas,
21:41na época o pai tinha auto center,
21:42também no ramo masculino,
21:44e ela tava lá,
21:45firme e forte.
21:46Agora tá aqui.
21:47Tô aqui,
21:48e firme e forte.
21:49Você teve um bom exebo também, né mãe?
21:51Não, mas eu acho que assim,
21:52diferente da mãe,
21:54a mãe e o pai,
21:55eles começaram sozinhos,
21:56e um dependia do outro, né mãe?
21:58Então, vocês trabalhavam,
22:00cresceram juntos.
22:01Nós viemos numa geração
22:03que a gente já tinha essa base consolidada,
22:05as empresas já estavam prontas,
22:07e eles só nos ensinaram a trabalhar
22:09e nos incentivaram.
22:11Eu acho que essa foi a grande diferença.
22:14Pra nós foi mais fácil.
22:16E pra nós foi muito fácil.
22:18A gente pegou só a parte boa,
22:20na brincadeira.
22:21Não, tô brincando.
22:21Mas é verdade, né?
22:22É, mas gente,
22:23o trabalho tá aí,
22:24a dedicação é a base de tudo.
22:27E hoje, filha,
22:28você ocupa um cargo de liderança,
22:32que trabalha com ensino,
22:34com pesquisa,
22:35com extensão.
22:37Como é que você vê o papel da mulher
22:39na liderança hoje?
22:40Hoje, você falando de FAG,
22:42porque hoje você tem um papel
22:44de referência na FAG também.
22:47Eu acho que não é hoje, né?
22:49Eu acho que é sempre,
22:50porque na minha vida
22:51eu tenho só mulher lida, né?
22:53Então, é inspirador
22:55e ao mesmo tempo é desafiador,
22:57porque sempre vai ter a comparação, né?
23:00Olha o que a sua avó fez
23:01e o que a sua mãe faz.
23:02Então, a gente se espelha em vocês
23:04pra querer ser sempre melhor, né?
23:07Claro, no bom sentido.
23:09E continuar com essa força,
23:12com essa imagem que vocês passam.
23:14E é engraçado que na FAG,
23:15se a gente for ver,
23:17a maioria das líderes são mulheres, né?
23:21Então, a maioria.
23:23É, se você olhar nas coordenadoras,
23:24são muitas mulheres.
23:25Até nos departamentos,
23:27pega tesouraria, secretaria,
23:28tudo, a maioria são mulheres.
23:30Então, eu acho que isso vem também
23:31de um grande exemplo
23:33que você, a avó,
23:34passa pra todas nós.
23:36E como é que você trabalha hoje
23:38essa vida profissional,
23:40mãe de gêmeos?
23:42Você viu que pra você
23:43já foi mais fácil,
23:44não chamar?
23:45Mãe, socorro!
23:46Tô judiando da Línia aqui,
23:47vem cuidar dela.
23:48Eu não queria chamar,
23:49porque vocês estavam sempre ali, né?
23:51E eu saía daqui de ônibus,
23:53de estrada de chão, né?
23:55Pra Curitiba,
23:56não era fácil pra ir.
23:57Nossa, não era fácil?
23:59Mas a senhora sempre tava lá, né?
24:00Tava, tava sempre lá.
24:02Depois a Línia cresceu um pouquinho,
24:04ela falava,
24:04agora eu vou pra casa da vovó.
24:05Daí eu trazia pra casa.
24:07Nossa, eu lembro que
24:09teve uma coisa muito engraçada
24:10que a Línia e a senhora
24:11buscou a Línia
24:12e trouxe pra Cascavel.
24:14Ficaram acho que 15 dias,
24:15a senhora foi devolver.
24:16Daí ela olhou pra mim,
24:17pro Zé e falou assim,
24:20vovó, eu já vi o papai e a mamãe
24:22vão voltar pra casa?
24:23Eu falei, não, gente,
24:24agora tá na hora de assumir o papel.
24:26Aqui fica.
24:27Ela não queria ficar em casa,
24:29ela queria vir embora.
24:31Queria vir embora pra Cascavel.
24:33Mas vou agora e a Sandra com você.
24:34É, agora a gente brinca,
24:36mas hoje eu tenho as minhas netas,
24:38a Elisandra, Eduardo, Antônio, Gustavo.
24:40Você faz a mesma coisa.
24:41É a minha vida, eles são a minha vida hoje.
24:43É a mesma coisa.
24:44E também como a senhora,
24:45eu largo tudo.
24:48E a gente tá aí acompanhando.
24:50E aí eu falo que ela tem tanto amor pela avó dela,
24:53que pequenininho ela quer ser a vovó Jaque quando ela crescer.
24:56Pois é.
24:57Você vê aqui.
24:58Ela já sirve de inspiração positiva.
25:02Espero que seja positiva.
25:05E quando você vê a avó,
25:07qual é a maior inspiração que você vê na avó hoje pra você?
25:11Porque você é o xodó da vovó.
25:13Sempre foi, né, Lili?
25:15Sempre foi a minha neta mais...
25:18Eu não posso falar assim, né?
25:21Mas nós sempre fomos mais ligadas.
25:24É.
25:24É que...
25:25Desde que você nasceu.
25:28É.
25:29A avó,
25:30eu acho que pra mim, pra você,
25:32ela representa tudo.
25:34Ela representa a família,
25:36ela representa a força.
25:39O pai que fala pra senhora, né?
25:40Dona Naira, a senhora é uma fortaleza.
25:42Nada derruba a senhora.
25:44E aí, sua avó representa uma mulher forte.
25:47A avó é um exemplo de família.
25:49Que nada bala.
25:51Ela tá sempre firme ali com os dela.
25:53A avó tem muita fé.
25:55Graças a Deus.
25:56Que eu acho que a senhora sempre fala
25:57que é o que manteve a senhora sempre, né, avó?
26:00Com força pra lutar
26:02nos momentos que a senhora teve difíceis no começo.
26:04E a vida não é perfeita hoje também, né?
26:06Quando tem problema, a senhora fala ali.
26:08Não, não, sempre tem.
26:09Agarrada no terço, né?
26:11Então, acho que a senhora representa pra mim,
26:13e a Narzinha também é a mesma coisa.
26:16Mas a senhora é exemplo de tudo pra nós.
26:19E daí a senhora deu a minha mãe também.
26:21Que é igual a Narzinha.
26:23Que é forte e igual.
26:24E também...
26:25É bem que eu ensinei.
26:26E se agarrada no terço também.
26:27Igual a senhora.
26:29Aprendeu a rezar também.
26:30A gente aprendeu.
26:31Fala um pouquinho, mãe.
26:32Foi bacana você ter falado isso.
26:34Que nós crescemos dentro da igreja,
26:37e a senhora sempre nos incentivou muito com a fé, né?
26:40E eu gostaria que a senhora falasse um pouquinho disso,
26:43porque a gente sabe,
26:44mãe, reza por mim, mãe, ore por mim.
26:46E eu acho que isso também nos deixa fortalecidos.
26:50Desde que minha mãe faleceu,
26:54que ela chegava lá de tarde,
26:57onde é que tá a Nona?
26:58Ai, a Nona tá rezando,
27:00tava lá na sala com o librinho,
27:02fazendo as orações.
27:03Quando a mãe faleceu, eu pensei,
27:06meu Deus, quem que vai fazer agora?
27:09Não tem que faça mais as orações.
27:11Eu vou fazer.
27:13E do que hoje que a Nona faleceu,
27:15eu comecei a fazer com o librinho,
27:18fazer as orações.
27:20Faço todos os dias.
27:22Eu levo uma hora, uma hora e pouco,
27:24só na oração, no meu librinho,
27:27porque cada oração tem um significado.
27:30Cada oração tem uma dedicação.
27:34Então, não é a oração que é grande.
27:36A dedicação de cada oração...
27:38É os pedidos, mãe, que são muitos.
27:41Os pedidos.
27:41Os agradecimentos.
27:43Os agradecimentos.
27:44Que nem eu agradeço todo dia pela minha família.
27:47E peço que nada nesse mundo
27:49venha acabar o sorriso da nossa família
27:53quando estamos reunidos.
27:54Isso eu peço todos os dias.
27:57Peço todo dia pelos nossos netos,
28:00pelos bisnetos.
28:01Agora tem que pedir para aquele bisneto
28:03que tá lá longe,
28:04e tô pedindo por ele todo dia.
28:07É, tem que pedir.
28:08Não posso deixar.
28:10Eu peço para os daqui
28:11e tenho que fazer uma oração especial
28:14para ele que tá longe.
28:16Se ele escuta, não sei.
28:18Mas que Deus proteja ele.
28:21E aí eu consegui fazer
28:24e seguir essa oração.
28:25Todas as noites eu tenho
28:27hora marcada de oração.
28:29Se eu sair de casa,
28:31onde eu for,
28:32meu livrinho,
28:33meu iPad tá junto
28:34com as orações por completo.
28:37E nós crescemos com essa fé.
28:40A senhora nos passou isso.
28:43É muito bonito.
28:44Isso é o que a gente passa
28:45para as crianças também hoje.
28:47Deus é a base da vida,
28:49é a base de tudo
28:50e se agarra nele.
28:51E tanto a minha fé
28:53é importante e valorizada
28:55que a Nossa Senhora
28:57apareceu na janela
28:58do meu quarto.
28:59No seu quarto.
29:00Tá lá a Nossa Senhora da janela.
29:01Ela apareceu de um metro e pouco.
29:05Ela não era pequenininha.
29:06Ela tinha assim um metro e pouco.
29:08Com o terço na mão,
29:11rezando e olhando para cima.
29:13E ela ficou uns 15 dias na janela.
29:16Quase 15 dias na janela
29:17do meu quarto.
29:19Essa é a fé?
29:21Essa é a fé.
29:22Então não achei nome para ela.
29:25E daí ficou Nossa Senhora da janela.
29:27É que para nós tem um significado
29:28muito importante.
29:29Nossa Senhora da janela.
29:30Nossa Senhora da janela.
29:31Mãe, quando...
29:32E outra coisa que tem que falar
29:34muito da avó e do vô,
29:35que eu acho que eles são exemplos, né?
29:38O vô também.
29:40E é uma coisa que dá orgulho
29:41que todo mundo fala sempre.
29:44Que a avó e o vô,
29:45eles nunca perderam a humildade.
29:48E ele sempre ensinou a gente
29:49que todo mundo é igual.
29:51Todo mundo tem que ser tratado igual,
29:53com respeito, né?
29:54E quando a gente vai passear
29:56com a senhora, com o vô,
29:57e as pessoas vêm e contam história
29:59e abraçam.
30:01Sempre com carinho, né?
30:03E com orgulho também
30:04de poder ter participado da vida
30:07e estar junto.
30:07Então a avó sempre ensinou isso.
30:10Então é uma coisa que a gente
30:11sempre tem que lembrar
30:12e se espelhar.
30:14E eu tenho que falar...
30:17Mãe, hoje é só o nosso dia,
30:20o dia das mulheres.
30:21Vô, a gente ama o senhor,
30:23tem o maior respeito.
30:23Hoje é o dia das mulheres,
30:25vamos falar só da avó.
30:28Nós dois temos uma vida muito unida.
30:31Eu acho que nenhum sabe viver sem o outro.
30:34Mãe, eu acho que se não fosse
30:35o nenhum de vocês,
30:36não sobreviveriam a tantas coisas
30:38nessa trajetória.
30:39Quantos anos, 60 aí, de casado?
30:41Quatro.
30:4264?
30:43Não, 65, filho, agora em maio.
30:4565.
30:4665 anos de casado em maio.
30:48Se não fosse a união de vocês,
30:50essa força que vocês dois
30:51têm por estarem juntos,
30:53vocês não teriam chegado
30:54onde chegaram hoje.
30:55Porque quando um desanima,
30:57o outro levanta.
30:59E foi sempre assim.
31:02E o Dássimo falando aqui
31:03do São Lucas,
31:04que, enfim,
31:05a gente assumiu o São Lucas,
31:06mas a Sara tem um presente
31:08aqui do São Lucas.
31:09O Assis Marcos nasceu aqui.
31:11Olha que bacana.
31:12Quando ele nasceu aqui,
31:14a gente nunca imaginou
31:15que um dia...
31:16Um dia a gente ia assumir
31:17a direção.
31:19Ele nasceu aqui.
31:21A Sara viu,
31:21o Assis Marcos está com 51 anos,
31:23o hospital foi fundado em 68.
31:26O Assis Marcos nasceu em 75,
31:28que foi o bebê, o último.
31:31Eu concordo com a Sara,
31:33a Sara nunca imaginou
31:34que um dia a gente estaria
31:35na frente do Hospital São Lucas, né?
31:37Pois é.
31:38Ô mãe, agora você falou da avó
31:42e perguntou pra mim também.
31:44Quem que é a tua inspiração?
31:46Além dessa, né?
31:47Porque você...
31:48A gente fala que você está
31:49cada dia mais parecida com a avó.
31:51Está tudo com a sua mania, avó.
31:53Esses dias eu estava até com dor
31:54no quarto,
31:55ela estava rindo.
31:55Estou brincando.
31:57Não, eu acho assim...
31:58A minha admiração maior da senhora,
32:01mas primeiro que a Sara é forte.
32:02A Sara é uma mãe forte,
32:04uma esposa forte.
32:05E a senhora nos criou
32:07com muita firmeza,
32:08mas com muito carinho também.
32:10Com certeza.
32:11E essa liberdade
32:12que vocês sempre nos deram.
32:14Como nós estamos falando
32:15de trabalho hoje,
32:16vocês sempre nos deram
32:18responsabilidade
32:18com liberdade de ação.
32:21Então, eu lembro que eu assumi
32:22a filial de Curitiba,
32:23eu tinha...
32:23Daí o Catura em Curitiba,
32:24eu tinha 23, 24 anos.
32:27conhecimento muito...
32:29Conhecimento muito...
32:30Até eu penso hoje,
32:31como que eles me deixaram
32:33assumir uma filial daquele tamanho,
32:35depois foi Santa Catarina,
32:37enfim.
32:38Mas, claro,
32:39então era uma liberdade vigiada.
32:41Com certeza.
32:42Então, eu admiro essa...
32:44Como é que eles conseguem fazer isso?
32:48Claro que agora já é outra geração.
32:50Mas eles sempre nos deram
32:52liberdade de trabalho.
32:53E querendo ou não querendo,
32:54com 23 anos,
32:56mulher, né?
32:57Isso eu estou falando
32:58que eu tenho 60,
32:58então faz 40 quase.
32:59Mas você faz o mesmo...
33:01Nossa, é muito...
33:03É muito tempo.
33:05É muito...
33:06É até o brinco.
33:08Às vezes eu falo
33:09que nós somos criados
33:10para o trabalho,
33:10eu acho, né?
33:11Porque a gente vai emendando
33:13um trabalho,
33:14vai emendando o outro,
33:15e daí você fala
33:16e vai dando certo,
33:17quer dizer,
33:17a gente vai errando aqui,
33:18consertando ali,
33:19acertando lá,
33:21mas a trajetória
33:22está indo num bom caminho.
33:24E você teve a voz forte também,
33:25que você sempre fala das duas, né?
33:27Que trabalhavam muito...
33:28E quando fala de mulheres, né, mãe?
33:30Tanto a avó Helena,
33:31quanto a nona Pina...
33:32Também era.
33:33A avó Helena também,
33:34tinha uma garra que era...
33:36Era forte.
33:37Ela dominava, né?
33:38Dominava.
33:39Dominava.
33:40Pela época dela.
33:42Claro.
33:42Então, se você for pensar,
33:43filha, a nossa família
33:44vem de mulheres que trabalham,
33:46porque nada é de graça, né, mãe?
33:47Não vem falar,
33:48caiu do céu, que bom.
33:50Nada caiu do céu.
33:51Se não fosse dedicação,
33:53empenho e trabalho,
33:54ninguém estaria aqui.
33:56De jeito nenhum.
33:57E outra coisa que eu nunca vi
33:58a senhora reclamando.
33:59Hoje, eu lembro como é...
34:02Quer dizer, hoje, claro,
34:03sempre trabalhei fora,
34:04tive filhos e tal,
34:05mas eu já tinha uma estrutura,
34:08tinha as tatas que me ajudavam,
34:09eu tinha...
34:10A senhora não tinha nada.
34:12Não, não tinha nada.
34:13A senhora fazia tudo sozinha.
34:15Quando ia para Rondônia,
34:16levava os três juntos ainda.
34:17Eu falo assim,
34:19eu admiro que...
34:20Porque a senhora dava conta de tudo, né?
34:24Então, a gente também dá conta de tudo,
34:26mas com uma estrutura hoje.
34:27E chegar lá,
34:29cozinhar para os motoristas,
34:31não tinha...
34:31Eu ia comprar carne,
34:33sabe onde, Isaac?
34:35Aquelas...
34:35Aquelas barraquinhas
34:36na beira da estrada, assim.
34:38Ah, eu lembro do...
34:39Com as carnes penduradas.
34:42Hoje, a vigilância sanitária
34:44ia fechar as barraquinhas.
34:46É, não tinha mercado.
34:47Não tinha mercado, não tinha mercado.
34:49Não tinha mercado em Rondônia.
34:50Era quase um acampamento.
34:52É, era só assim mesmo.
34:53E a senhora consegue ter essa noção
34:55de o quão importante a senhora foi
34:58e é na família para o vô, por exemplo?
35:01Para o vô, sim.
35:02Para nós também, não só para o vô.
35:03Não, sim, mas é porque naquela época, né?
35:06Se o vô não tivesse a senhora,
35:08talvez ele não conseguisse conquistar
35:09tudo que ele conquistou.
35:10Porque a senhora sempre esteve
35:11do lado dele, dando apoio,
35:14complementando ali, igual da política,
35:16que a senhora cuidou da empresa.
35:18Quando precisava cuidar dos filhos,
35:20era a mãe que o mundo era mais machista também.
35:23Hoje o homem dá bambos na escola,
35:25naquela época ele fazia.
35:27Por isso que eu estou falando.
35:28Ele dava conta, né?
35:29A senhora consegue ter orgulho da senhora?
35:31Eu acho que pensando bem,
35:33eu acho que dá para pensar um pouquinho.
35:35É, porque tem que ter, né?
35:37Nossa, esse papo está muito passando.
35:39Infelizmente, o nosso tempo aqui é curto.
35:41Mãe, que mensagem a senhora deixaria hoje
35:44para essas mulheres maravilhosas
35:46maravilhosas que trabalham com a gente.
35:48E eu falo assim,
35:49para nossas empresas, né?
35:51Eu hoje estou à frente do São Lucas,
35:53da FAG,
35:54mas o nosso grupo é muito maior que isso, né?
35:57Tem aí o Catur,
35:58tem a TV,
35:59a Moçadepaneu,
36:00a Gel,
36:00enfim, tem um grupo grande aí
36:02das nossas empresas, né?
36:04Tem as urbanas,
36:07tem as federais.
36:09que mensagem a senhora deixaria
36:11para essas mulheres
36:11que estão à frente das nossas empresas hoje?
36:14O que eu vou dizer?
36:15O que eu tenho que desejar a elas
36:17cada vez mais sabedoria, né?
36:20Sabedoria.
36:20Cada vez mais sabedoria,
36:23mais paciência,
36:24porque para lidar com as coisas hoje
36:26não é fácil.
36:28Não é como uma vez você falava,
36:30estava falado.
36:31Hoje tem que cuidar,
36:33tem que remediar,
36:34tem que fazer,
36:36então eu desejo elas assim
36:39muita sorte,
36:40muita saúde,
36:42muita felicidade,
36:43muita sabedoria,
36:45muita paciência,
36:46que Deus ilumine elas
36:48e continue conosco,
36:50que não nos abandone nunca.
36:52Amém.
36:53E você, Aline,
36:54você como pró-reitora,
36:56qual é a mensagem que você deixa
36:58para as mulheres que trabalham com você
36:59lá na FAG?
37:01Eu também desejo felicidade
37:02para todas elas,
37:04que elas continuem fortes,
37:06porque todas ali são fortes,
37:07decididas,
37:09e dizer que todas,
37:11de uma forma,
37:11me inspiram,
37:13eu tenho muito orgulho
37:14de trabalhar com todas,
37:16sempre me auxiliando,
37:17e cada uma da sua forma,
37:19do seu jeito,
37:20me ensinam.
37:21Então,
37:21desejo feliz das mulheres
37:22para todas elas que trabalham comigo,
37:24e que todas as mulheres continuem
37:27sendo fortes,
37:29independentes,
37:29e fazendo tudo com amor e alegria.
37:31Eu desejo também aproveitar aqui
37:34para a gente finalizar.
37:35Agora você tem que deixar a mensagem.
37:36Agora vou deixar a minha mensagem.
37:39Primeiro,
37:40quando a Sara fala de Deus,
37:41eu tenho um agradecimento especial
37:43pela família que ele me deu,
37:44pela senhora,
37:45pelas minhas filhas,
37:46pelos meus irmãos,
37:47meu pai,
37:48agora pelos netos lindos,
37:49que são minha vida,
37:51pelo meu trabalho,
37:52então esse é o maior,
37:53mas o meu maior agradecimento mesmo
37:56é ter a senhora como minha mãe,
37:57essa minha fortaleza.
37:59E agora eu quero agradecer
38:02de forma muito especial
38:03todas as mulheres fortes
38:05que trabalham conosco,
38:07que nos ajudam no dia a dia,
38:09eu falo aqui no São Lucas,
38:10eu falo pela FAG,
38:12agradecer a vocês pelo trabalho,
38:14pelo empenho,
38:15pela dedicação,
38:16e que vocês não percam
38:18essa sensibilidade feminina,
38:20tenham sempre essa força
38:22de gestão e de trabalho.
38:23Então desejo a todos
38:25um 8 de março aí diferenciado
38:27e especial a todas vocês
38:29e dizer que é um prazer
38:31tê-las trabalhando conosco.
38:33Muito obrigada.
38:34Tchau.
38:36Tchau.
38:37Tchau.
38:38Tchau.
38:39Tchau.
38:39Tchau.

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