00:00O fim da escala 6x1 é um tema que vem sendo discutido no Brasil e gerando muita controvérsia.
00:07De um lado, trabalhadores. De outro lado, empresários.
00:12Ou será que estão todos do mesmo lado, do lado da produtividade?
00:16É sobre isso que a gente precisa conversar e, por isso, eu conto hoje com a presença do Gino Oyamada,
00:24que representa o Instituto Brasileiro dos Executivos.
00:28Como é que é, Oyamada? Tudo bom?
00:30Executivos financeiros do Paraná.
00:32Os Executivos financeiros do Paraná.
00:35É gente que trabalha com isso e está interessada no melhor.
00:39Primeiramente, a gente precisa conscientizar todo mundo disso.
00:42E trazer também uma informação importante, que você fizer uma pesquisa
00:46revelando impactos da possível adoção da escala 5x2. É isso?
00:54Exatamente.
00:55Enquanto uma entidade que representa perto de 400 Executivos financeiros do Estado do Paraná,
01:01é natural que um tema dessa relevância, até pelas implicações que tem na estrutura de custos das organizações,
01:09gere uma preocupação, uma ansiedade.
01:12E, enquanto entidade de classe, é natural que a gente tem que se posicionar,
01:15levando a nossa leitura, as nossas pesquisas, as nossas recomendações, está certo?
01:20Aos entes que estão discutindo o tema.
01:24E essa pesquisa que vocês conduziram, me diga quando que ela foi feita?
01:28E qual foi o principal impacto que ela revelou?
01:32Bom, basicamente, assim, a gente tem sido recorrente em conduzir pesquisas junto ao nosso grupo de associados.
01:39Essa pesquisa é uma pesquisa recente, né?
01:41Ela vem rodando aí na medida em que o tema foi sendo colocado.
01:47Então, eu diria que é uma pesquisa aí bem recente, coisa aí de um mês, dois meses, não mais do
01:52que isso, né?
01:53Até porque a gente precisava dar um tempo para que o pessoal também pudesse trabalhar essa questão.
01:58Em termos de impacto, nada diferente daquilo que está sendo aí noticiado, né?
02:03Que é exatamente a questão de aumento de custos, está certo?
02:08Do ponto de vista das organizações, né?
02:12Consequentemente, na medida em que repasse isso, você tem um impacto inflacionário
02:16ou você tem uma redução da rentabilidade das organizações
02:20que naturalmente já está afetado por conta de outras variáveis, né?
02:24Que nos afetam, por exemplo, o custo financeiro das dívidas que as empresas naturalmente se financiam, né?
02:33Então, a reforma tem, além do impacto de custo, um potencial inflacionário, né?
02:39Que é uma coisa que preocupa, na medida em que nem todas as organizações podem absorver esse custo, né?
02:45E quando vocês falam de impacto financeiro, de redução, de aumento de custos para as empresas, para o setor produtivo,
02:53não é um número milionário chegar à casa dos bilhões, é isso?
02:57Sim, a CNI divulgou recentemente, não sei se você pode acompanhar, né?
03:05Mas a CNI fez um estudo bastante abrangente em vários setores da economia
03:10e eles estimam o impacto anual, né?
03:14Na casa de 267 bilhões de reais, né?
03:18Então, você imagina você tirar a rentabilidade das companhias nesse montante, né?
03:23Ou aumentar custos dessa magnitude, né?
03:26E os números são meio que, como é que, lineares, digamos assim,
03:31porque a pesquisa da CNI, e isso foi ratificado também junto ao nosso grupo de associados, tá certo?
03:36Você pega comércio, a CNI estima algo em torno de 12%, 13%, né?
03:41E assim vai, então.
03:42Você tem o setor da construção, que é um pilar importante da economia brasileira,
03:47geradora de emprego, né?
03:49Que está na casa de 12%.
03:51Quando você cai para o agronegócio, para a indústria, o número fica em torno de 10%, 11%.
03:57Porém, quando você pega dentro, por exemplo, do setor de comércio, né?
04:01O comércio, por exemplo, varejista, que abre final de semana, né?
04:05Atua em shopping centers, esse tipo de coisa, né?
04:08Aí os números se extrapolam, né?
04:09Tem algumas situações aí que levam o custo adicional até na casa de 20%, né?
04:15Então, assim, quando você fala no impacto, no 260 bi, é muito dinheiro, né?
04:21E é claro que para conseguir equilibrar essa conta, se aumenta o custo de um lado,
04:27certamente os empresários visando um equilíbrio financeiro teriam que cortar custos de outro lado.
04:33Ou seja, isso representaria uma necessidade de corte com o pessoal, por exemplo,
04:41para conseguir manter as empresas funcionando?
04:44Eu acho que tem uma dicotomia, né?
04:46Vamos assim colocar, e me permite o uso dessa palavra,
04:50entre os pontos que são a favor e contra, né?
04:53E a gente tem que buscar um equilíbrio nessa equação, tá?
04:58É natural que quando você faz uma redução de jornada de trabalho, né?
05:02Aliás, uma redução de 1 para 5.2 e reduz de 44 para 40 horas, tá certo?
05:07Para você manter o mesmo grau de produção, você vai ter que contratar gente, né?
05:13Então, esses números de contratação giram em torno de 8%.
05:18Ok, nós ratificamos, tá certo, aquilo que é um dos pontos de defesa da proposta,
05:25que é a questão do bem-estar.
05:27Todo mundo quer bem-estar organizacional, todo mundo quer a organização produtiva,
05:31todo mundo quer um clima organizacional.
05:33Então, entendemos a importância do bem-estar das famílias, né?
05:38Da classe trabalhista, né?
05:42Por outro lado, tá certo?
05:44A gente precisa conceituar o que é esse bem-estar, né?
05:48A gente tem hoje um apagão de mão de obra no Brasil.
05:52Isso é fato, né?
05:52Vários setores da construção, aliás, da indústria, do comércio,
05:56estão tendo dificuldade de contratar gente, né?
05:59Então, quando você vê uma proposta como essa,
06:01que apregou a geração de emprego, né?
06:05Num mundo em que você não tem oferta de mão de obra,
06:09a gente passa a ter um problema, né?
06:13Então, o que acho que é importante,
06:16que não está sendo levado a efeito com discussões mais profundas, né?
06:23É a necessidade de a gente, como você bem colocou no início da nossa conversa,
06:27atuar com dados e fatos, tá certo?
06:29E consequências de determinadas propostas, né?
06:34Então, vamos pegar um exemplo simples, né?
06:36O Brasil tem um grau de produtividade muito baixo.
06:39Então, quando eu pego o nosso PIB total,
06:41divido pelo número de horas trabalhadas, tá certo?
06:43Nós estamos falando numa produtividade em torno de 21,2 dólares, tá certo?
06:48Por hora trabalhada, né?
06:51Quando você pega o ranking mundial, né?
06:54A Organização Internacional do Trabalho fez um levantamento
06:57em que de 184 países onde é medido esse ranking de produtividade,
07:03nós estamos posicionados em 94, né?
07:08Então, 94, então, estamos ali no meio da pirâmide, tá?
07:13Quando eu olho, por exemplo, Latinoamérica, né?
07:15Nós estamos abaixo de Uruguai, estamos abaixo de Chile,
07:19estamos abaixo de...
07:19Até de Cuba, nós estamos abaixo em termos de produtividade, né?
07:23Quando eu olho o G7, tá certo?
07:26Vamos pegar lá, né?
07:27Estados Unidos, ela roda em torno de 74 dólares.
07:30Japão roda com 53 dólares, aproximadamente, né?
07:34Então, nós estamos muito abaixo, tá certo?
07:37E estamos nos igualando em termos de produtividade no Brasil
07:40em países como Nigéria, Gana, Eslováquia, né?
07:45Então, o nosso nível de produtividade é muito baixo, né?
07:50Então, quando você pega uma proposta em que
07:54é atrelado a uma agenda de transição, né?
07:59De redução, não que nós sejamos contra, a favor de redução,
08:03não é isso que está em questão, né?
08:04A nossa questão é muito mais olhar o impacto nas organizações, né?
08:08E a proposta, ela é carente no sentido de estabelecer metas e programas,
08:14tá certo?
08:14Que visem aumento de produtividade para compensar o custo, né?
08:18Se a gente sobe o aumento de produtividade
08:21para o funcionário, por hora trabalhada, ok, né?
08:24As empresas não teriam esse impacto.
08:26Agora, no momento em que você reduz, tá certo?
08:31Sem produtividade, é natural que é custo na veia direta, né?
08:34Então, assim, a gente entende, e essa é a nossa posição, Luiz,
08:41que o projeto, ele carece de mais discussão técnica,
08:45ele carece de consulta às partes interessadas nesse processo,
08:49ele carece de estabelecimento de programas, de fato,
08:53que venham a colocar o Brasil num mundo de competitividade mais elevado, né?
09:00Então, porque a discussão de horas trabalhadas, tá certo?
09:05Quando você pega ali o número de horas trabalhadas,
09:08no mesmo estudo da OIT, nesses 184 países, tá certo?
09:12Nós não estamos tão mal, né?
09:14O Brasil tem lá, a proposta é 40 horas, tá certo?
09:18Ok, tirando China, que tem 46 horas, tá certo?
09:21Mas, por exemplo, nós estamos ali no meio da pirâmide, né?
09:26Então, esse acho que não é o grande drama, né?
09:30Acho que o grande drama é como é que a gente compensa
09:34esse impacto de custo, tá certo?
09:37Sem um programa ativo, né?
09:40E factível, tá?
09:42E o que a gente defende, tá certo?
09:45É que, primeiro, haja uma discussão técnica,
09:49segundo, haja uma avaliação de fatos e dados e consequências,
09:54haja um envolvimento de partes interessadas, tá certo?
09:57Não é um tema que, num ano político,
10:00deva, na nossa opinião, ser discutido, né?
10:03Acho que a gente tem que ter um entendimento
10:06de que é uma proposta para o bem do país, né?
10:10Acho que este é o ponto, tá?
10:12E esses números de produtividade, né?
10:15Nos envergonha, na nossa opinião, nos envergonha muito, né?
10:20E aí eu vou te trazer, por exemplo, alguns números, né?
10:23Ou, antes disso, as nossas teses, tá certo?
10:25O Brasil investe muito pouco, por exemplo,
10:30não só em educação básica, tá certo?
10:32Mas em qualificação ou requalificação profissional
10:36à luz da tecnologia, do avanço da tecnologia, né?
10:40Você tem muita gente aí que, literalmente,
10:43não sabe operar uma plena de Excel,
10:45coisas básicas, até, tá certo?
10:47Então, o Brasil investe muito pouco
10:49em qualificação e requalificação, tá?
10:51Como também investe muito pouco
10:54em cursos profissionalizantes,
10:55em programas profissionalizantes,
10:57em que o jovem poderia ser que o mercado de trabalho
10:59com um nível de produtividade alto já de saída, né?
11:04Eu vou te trazer um número aqui,
11:05que é um número da OCDE, né?
11:07Que é aquela Organização de Cooperação
11:09de Desenvolvimento Econômico,
11:10que congrega 38 países, né?
11:12Então, não é o 184 da Organização Internacional do Trabalho,
11:15mas 38 países, bem representativos,
11:18aqui entra países desenvolvidos,
11:20países em desenvolvimento, né?
11:22E o estudo da OCDE indica o seguinte, né?
11:26Que os jovens de 15 a 19 anos, tá certo?
11:30Na média da OCDE,
11:36eles...
11:3937...
11:40Aliás, 37% dos alunos,
11:43dos jovens entre 15 a 19 anos,
11:46fazem cursos profissionalizantes.
11:48Você sabe onde que é o Brasil?
11:5011%.
11:51É muito abaixo.
11:53Então, de cada 100 jovens brasileiros,
11:55você tem 10 a grosso modo, tá certo?
11:57Com alguma preocupação com o curso profissionalizante.
12:01E se a gente olhar o qualitativo do curso profissionalizante,
12:04naturalmente que a gente também está devendo, tá?
12:07Enquanto que você tem...
12:08Então, se você pega lá, nesse mesmo estudo,
12:10países como Coreia, Alemanha, Suíça, Irlanda, né?
12:14E tem Hungria, Canadá,
12:16Canadá em si, se viu nessa agenda, tá?
12:19Esses países todos rolam ali,
12:21de cada 100 alunos,
12:22de 15 a 19 anos, tá certo?
12:24Perto de 37%, 40% desses alunos
12:27estão fazendo cursos profissionalizantes.
12:29Conclusão, eles chegam no mercado de trabalho
12:32muito melhor preparados do que nós, brasileiros, né?
12:35Mas se eu for colocar ensino universitário, né?
12:40A gente tem optado pelo quantitativo
12:43e não pelo qualitativo, né?
12:45Então, você joga uma mão de obra no mercado
12:47muito mal qualificada, né?
12:51E aí, compete com os programas sociais,
12:53aí vira a anarquia que a gente tem nesse país.
12:56Então, assim, a nossa defesa enquanto instituto,
12:59primeiro, de novo, né?
13:01Também queremos o bem-estar da classe trabalhadora,
13:03é natural, tá?
13:05Mas a gente quer uma discussão madura,
13:07a gente quer uma discussão
13:09que permeia a sociedade como um todo,
13:12a gente quer fazer referências
13:16a todos os benchmark internacionais,
13:18na Irlanda, tá fazendo um trabalho belíssimo
13:20nessa linha, o Canadá,
13:22a Alemanha é o que é,
13:23muito por conta de investimento
13:26pesado em produtividade,
13:28como o Japão, enfim, né?
13:29E essa discussão não tá presente no país.
13:32E pra finalizar, Gino,
13:34eu queria ver contigo, então,
13:35diante desse estudo que vocês fizeram,
13:37com essa proposta de ter uma discussão
13:40com mais olhares sobre esse tema,
13:43e não apenas sobre um aspecto,
13:45que seria esse aspecto mais popular,
13:48em um ano de eleição,
13:49o que vocês pretendem fazer?
13:51Por exemplo, existe a possibilidade
13:54de incluir essa pesquisa
13:56e levá-la, fazê-la chegar
13:58até Brasília, por exemplo,
14:01pra se somar a um volume de argumentos
14:05que possa trazer uma discussão mais ampla?
14:08Sim, inegavelmente, né?
14:12A gente, enquanto instituto,
14:14nós temos as nossas conexões, tá certo?
14:16Junto ao legislativo, junto aos legisladores,
14:19enfim, e com certeza esse é o nosso papel, né?
14:23E assim a gente vai proceder, né?
14:26O estado do Paraná tem três senadores
14:28na nossa república, né?
14:30Temos todos aí uma camada de deputados federais,
14:33isso, tá certo?
14:34Temos as próprias entidades, né?
14:36Federação de Indústria,
14:38Associação Comercial,
14:39então a gente se junta
14:40a um movimento já existente, tá certo?
14:43Pra firmar a pé, né?
14:45Colocar as nossas opiniões
14:46de forma a colocar a discussão
14:50no outro nível.
14:52Perfeito.
14:53Gino, eu queria te agradecer
14:55por conversar com a gente aqui
14:57em Cascavel,
14:58oeste do Paraná,
14:59uma cidade que também faz parte
15:01do cenário produtivo do estado.
15:03Sem dúvida.
15:05Então a gente fica muito feliz também
15:07com a tua colaboração,
15:08com a tua participação aqui nessa entrevista.
15:10Obrigadão, tá?
15:11Não, sempre à disposição
15:12e grato pelo convite aí.
15:15Um grande abraço a todos.
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