- há 18 horas
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00:00Arthur Igreja, muitíssimo bem-vindo, viu? Boa noite para você.
00:06Boa noite, Marisa. Obrigado pelo convite.
00:08Arthur, hoje nós estamos junto com o Bruno Capozzi, que você também já conhece, claro,
00:13editor executivo do Olhar Digital e que mora lá em Dubai e vai participar um pouquinho com a gente aqui
00:18desse nosso bate-papo.
00:20Mas antes, Arthur, eu queria até falar com você que você falasse um pouco sobre esses impactos, não é?
00:25Dessa nova crise no Oriente Médio, do que representa isso nesse momento até para o mercado de tecnologia?
00:37Bom, antes de mais nada, que bom saber que o Bruno está bem, né?
00:41Então, que o Bruno está protegido e se protegendo aí, né?
00:46Porque é uma situação que é realmente inimaginável.
00:49Com relação a impactos em tecnologia, tem um impacto que pode acontecer,
00:55principalmente pelo aspecto inflacionário, né?
00:58Então, claro, além do aspecto humano, é óbvio que é a maior tragédia, a maior preocupação, né?
01:03O número de baixas, todo esse transtorno que acontece na vida das pessoas.
01:08É muito triste, né? Que nós estejamos aqui em 2026 falando sobre isso.
01:12Parece que a humanidade não aprende nunca, né?
01:14Mas falando estritamente aqui de forma fria, né?
01:17Se é que é possível, um dos países que pode mais ser afestado é a China, né?
01:22E por que eu estou falando isso?
01:24Porque quando nós pensamos em Oriente Médio, logo acontece a associação com o petróleo.
01:30Só que aí nós temos que lembrar o que aconteceu nos últimos anos.
01:33Então, por exemplo, Estados Unidos desenvolveu toda a tecnologia para explorar o petróleo proveniente do xisto, né?
01:39Então, os Estados Unidos hoje têm uma dependência muito menor.
01:43Importa meio milhão de barris diários, claro que é muita coisa, mas é muito menos do que já foi.
01:49A União Europeia também importa muito petróleo dessa região, mas muito menos do que já foi no passado.
01:54Agora, no caso da China, essas importações cresceram dramaticamente.
01:58A China hoje, só para dar dimensão, enquanto os Estados Unidos importam meio milhão de barris por dia,
02:04a China importa 4,7 milhões.
02:06Então, a China pode ser muito prejudicada, primeiro com as interrupções logísticas,
02:12segundo com o aumento das franquias de seguro.
02:15E nós não sabemos se esses fluxos de mercadoria vão ser interrompidos e por quanto tempo.
02:21A intenção do Irã é alongar essa guerra tanto quanto possível, né?
02:25Então, quanto mais longa essa guerra, pior para países como Estados Unidos, especialmente do ponto de vista político.
02:32E por que eu estou falando isso?
02:32Se há aumento de preços e aumento em todas essas dificuldades, afetando especialmente a China,
02:39a China é a fábrica do mundo, né?
02:41Então, quando nós pensamos em tecnologia, é lá que são fabricadas as baterias,
02:45é lá que são fabricados os carros elétricos e híbridos e tantos outros eletrônicos.
02:51Então, quer dizer, começa por um conflito, mas no final das contas nós estamos falando de energia.
02:56Energia acaba precificando muita coisa que pode, daqui a pouco, causar aí um surto,
03:03não só de falta de muitos dispositivos, mas também do aumento dos preços mundo afora.
03:10Agora, Arthur, só complementando, o que isso revela, esse conflito nesse momento,
03:15que realmente, em pleno 2026, estamos falando de uma guerra.
03:19Mas, enfim, o que ele revela sobre as capacidades mesmo, tanto de Estados Unidos quanto Irã,
03:25para esse momento da guerra?
03:29Porque a tecnologia está aí avançada para ambos os lados.
03:31O que ela diz sobre os dois países?
03:35Bom, no caso dos Estados Unidos, apesar dos Estados Unidos estarem se fragilizando ao longo do tempo,
03:41não tem a hegemonia comercial que já tiveram, especialmente pós Segunda Guerra Mundial,
03:47onde eles representavam a fatia gigantesca do PIB global,
03:50e essa fatia vem caindo ano a ano.
03:52Até por isso que muitos dos movimentos que nós estamos vendo são dos Estados Unidos
03:58tentando se agarrar a isso, tentando se agarrar a essa imagem de superpotência hegemônica.
04:05Mas, em vários campos, nós sabemos que já tem uma rivalidade,
04:09não só do ponto de vista de produção, como é o caso da China,
04:12mas também no campo da tecnologia e até no campo da capacidade de guerra.
04:18Agora, falando desse conflito, os Estados Unidos, é claro, tem ali uma capacidade assimétrica.
04:25Basta ver, por exemplo, o porta-aviões, o Abraham Lincoln,
04:29ver toda essa capacidade de prover armamentos, por exemplo,
04:35para várias das nações que estão ali envolvidas,
04:39mas, especialmente, os Estados Unidos acabam sendo a fábrica do mundo nesse momento,
04:47acabam provendo os mísseis, então, para Israel,
04:50especialmente toda a tecnologia que é usada em Israel.
04:52E Israel é símbolo de tecnologia, especialmente no campo da defesa,
04:58da defesa cibernética, foi a primeira nação a ter o domo de proteção,
05:04que agora também é usada, por exemplo, em Dubai.
05:07Então, os Estados Unidos ainda têm uma liderança que é folgada
05:10e acaba armando ali os seus parceiros.
05:13No caso do Irã, nós temos tecnologias que são menos avançadas,
05:18muito mais força bruta, mas, é claro, tem tecnologia também,
05:22como no caso dos drones, tem tecnologia de inteligência
05:25e, mais do que isso, tem um conhecimento profundo da própria região.
05:28Então, o que nós vimos já em guerras anteriores é que essa supremacia tecnológica
05:33e essa supremacia de capacidade dos Estados Unidos,
05:37isso por si só não foi suficiente.
05:40Eu não estou falando só do que aconteceu no Iraque,
05:44do que aconteceu no Afeganistão, basta voltar na história
05:46para ver o que aconteceu no Vietnã, o que aconteceu na Guerra da Coreia.
05:51Então, quer dizer, a força bruta nessa região, historicamente, ela não resolve.
05:56Então, os Estados Unidos, é claro, tentam fazer uma guerra com cada vez menos baixas
06:03e vão tentar, na medida do possível, não ter qualquer presença em terra,
06:08porque, mais uma vez, isso seria, aí sim, um problema político bastante grande para o Trump.
06:12Então, olhando só pelo viés da tecnologia, é incomparável o nível tecnológico de Israel
06:17e Estados Unidos, mas não é o que é historicamente suficiente
06:22para ter uma campanha rápida, uma vitória que seria, sabe,
06:27que derrubaria não só o regime, mas causaria essa volta,
06:32essa revolta, não só popular, mas uma reviravolta histórica,
06:37que é o que os Estados Unidos gostariam que acontecesse.
06:39Vou aqui já me antecipando, né, Igreja, obrigado pelos votos, né, primeiramente,
06:43pela mensagem de mais cedo, mas o importante é que estamos com saúde
06:46e sem faltar nada, né, apesar dessa tensão constante.
06:51Bom, eu queria aproveitar, né, você citou ali o domo de Israel,
06:56também é isso que eu estou vivenciando aqui em Dubai,
06:59e é realmente algo muito impressionante,
07:03porque, assim, a gente está falando de centenas de drones e mísseis,
07:08e o grau de interceptação, o nível de interceptação, ele é muito alto,
07:12a porcentagem de interceptação, ela é muito alta.
07:15Então, assim, a gente tem, é, é, claro, três vítimas, né,
07:19o que já é uma tragédia, evidentemente, cada perda humana,
07:22a gente tem dezenas de feridos, só aqui nos Emirados Árabes Unidos,
07:25não contando outras regiões, é, mas, ao mesmo tempo,
07:31é, diante de centenas de armas, de drones e mísseis enviados,
07:35a tragédia poderia ser muito maior, né, então, é,
07:39o que alimenta, né, uma tecnologia tão, tão avançada e tão sofisticada,
07:45né, com um grau de precisão tão alto, sei que a gente acompanhou agora
07:47um pouco o VT, né, introduzindo esse assunto,
07:49mas eu acho que você é a pessoa certa para, para explicar para a gente, né,
07:53o grau de eficiência de uma tecnologia como essa.
07:59É, Bruno, e não é só uma questão da tecnologia,
08:02mas é todo um aparato teórico,
08:05eu estou falando isso porque eu comecei a minha carreira
08:08fazendo engenharia de controle automação,
08:10que é justamente a engenharia que tenta entender isso, né,
08:12como é que você faz esse tipo de cálculo,
08:14e é um nível de matemática absurdamente apurado,
08:18então, a velocidade e a precisão dos sistemas,
08:20é interessante você mencionar isso,
08:22porque quando o Domo foi construído em Israel,
08:24as estimativas mais otimistas davam conta
08:27que a taxa de interceptação poderia ser de 70%,
08:30o que eles já consideravam um sucesso colossal,
08:34e essa possibilidade de ter unidades móveis, né,
08:37porque Israel hoje tem 10 unidades móveis, né, do Domo,
08:41porque as pessoas, quando elas formam essa imagem do Domo,
08:44elas acham que é uma estrutura estática,
08:45na verdade, Israel gostaria de ter 23 dessas unidades,
08:50para daí sim, de fato, poder proteger o seu território e toda a sua população,
08:54que hoje está por volta de 10 milhões de habitantes,
08:56então, é um feito da engenharia,
08:58e nós temos que lembrar também o aspecto econômico da coisa, né,
09:02porque cada uma dessas interceptações que você mencionou,
09:06elas chegam a custar até 62 mil dólares,
09:09então, quer dizer, é algo que, para além da questão tecnológica, né,
09:15a primeira camada, que é o radar de detecção de lançamento, né,
09:18ou seja, ele consegue detectar em até 70 quilômetros o próprio lançamento,
09:23depois nós temos a central de cálculo balístico, né,
09:27para poder detectar, imagina só, para onde está indo,
09:30em que momento que vai ser interceptado,
09:32e como é que você faz essas duas trajetórias se encontrarem no ar
09:34e fazer a explosão próxima da carga principal,
09:38mas numa altura que seja segura o suficiente
09:41para minimizar o aspecto que você mencionava dos detritos e dos destroços,
09:46e imagina só que essa fragmentação,
09:49nós estamos falando, por exemplo, de mísseis que pesam mais de 90 quilos, né,
09:54então, assim, do ponto de vista da tecnologia,
09:56é uma coisa inimaginável, né,
10:00então, esses mísseis, eles são em grande monta, guiados pelo calor no ar, né,
10:05então, eles têm ali uma câmera termográfica que vai fazendo esse mapeamento
10:09e consertando essa rota,
10:12que também é preciso lembrar que, do ponto de vista da tecnologia,
10:16você tem esse cálculo balístico,
10:18mas em tempo real, por exemplo, você tem vento,
10:20você tem mudanças na atmosfera,
10:22você tem detritos que podem entrar no caminho,
10:25então, quer dizer, para isso funcionar com uma taxa que hoje estima-se que seja superior a 86%,
10:32é verdadeiramente um milagre da tecnologia.
10:37Pois é, agora, outra questão também que eu queria comentar
10:40é que uma das reações do regime iraniano, Arthur e Bruno,
10:44foi fechar o Estreito de Hormuz, né,
10:46que é uma rota marítima comercial bastante importante para o comércio global.
10:52Quais são os efeitos, assim, nesse momento do setor de tecnologia
10:57com essa probabilidade de ter esse fechamento desse corredor comercial tão importante?
11:05E depois o Bruno até comenta,
11:06porque ele até falou que em Dubai as conexões estão todas funcionando,
11:11mas no Irã não estão, enfim.
11:13Começando por você, Arthur, você falando sobre esse Estreito de Hormuz fechado
11:17e depois voltando para o Bruno Capozzi
11:19para atualizar sobre essa questão também, do que isso representa aí para a região.
11:25Bom, olha só, respondendo rapidamente,
11:27o país mais afetado é a Arábia Saudita, né,
11:29porque 90% da, grosso modo, 90% da economia da Arábia Saudita
11:34está relacionada à energia, está relacionada a petróleo
11:37e 90% dessa produção é escoada justamente por esse canal, por esse caminho, né.
11:44Então, imagina, se você tem 90% da economia que pode ser afetada justamente por essa restrição, né.
11:53Então, é por isso que o tempo agora vai ser muito importante.
11:58Volto a dizer, se nós tivermos essa restrição, a Arábia Saudita é o país que economicamente é mais afetado,
12:04a China é o país que é mais afetado do ponto de vista de energia
12:07e, num terceiro momento, a Europa com a preocupação do gás, né.
12:12Lembrando que, nesse momento, nós estamos num momento em que o clima ainda não é extremo, né,
12:19na Europa, então, mas nos últimos anos basta ver o que aconteceu com as restrições de suprimento
12:25depois da invasão russa na Ucrânia, né.
12:28Então, mais uma vez, as cadeias globais é parecido, mais uma vez, o paralelo é terrível, né,
12:34mas é parecido com o que aconteceu na pandemia, né.
12:37Na pandemia que nós começamos a ver que determinadas rotas, por exemplo, na pandemia,
12:41nós tivemos aquela interrupção do canal de Suez e que foi o colapso global, né.
12:47Então, nesses momentos, é que nós percebemos que tem determinadas cadeias logísticas e de suprimento
12:56que, na verdade, elas são muito mais frágeis do que parece, né.
12:59Ou seja, você tendo uma restrição, o mundo descobre que não tem backup, né,
13:04que não tem uma outra rota, que não tem um outro caminho e que você tem uma dependência que é
13:09gigante.
13:11Tá certo. Com você, Bruno.
13:14É, acho que, assim, do ponto de vista prático aqui dos Emirados Árabes Unidos,
13:19assim, essa guerra não é interessante para nenhum país do Golfo, né.
13:23Aqui, até os países do Golfo emitiram um comunicado conjunto condenando as ações do Irã,
13:29que vem, inclusive, atingindo alvos civis aqui, como eu disse, né.
13:33Temos três mortes registradas só aqui nos Emirados Árabes Unidos.
13:37E essa é uma guerra que custa muito caro em vários aspectos, né, porque, além dessa questão comercial, né,
13:44que é muito impactante, aqui a gente está numa zona produtora de petróleo, enfim,
13:49você tem, por exemplo, questões que parecem secundárias, mas que também são muito caras e incômodas para o mundo inteiro,
13:56como, por exemplo, o fechamento do espaço aéreo aqui dos Emirados Árabes Unidos.
14:00Aqui nos Emirados Árabes Unidos, a gente tem o aeroporto de, tem vários aeroportos, mas o principal, né,
14:06eu tenho de Dubai e de Abu Dhabi, né, que são os principais.
14:09Quando a gente soma esses aeroportos, a gente tem o maior hub de aviação do mundo,
14:13porque não é só muita gente vindo até os Emirados Árabes Unidos, né, a lazer, o turismo, o trabalho,
14:18mas tem muita gente que passa por aqui para fazer escala, né, então, quem já foi para a Ásia,
14:23provavelmente a escala que fez foi em Dubai ou foi em Abu Dhabi.
14:26O pessoal que vai da Europa também para a Ásia ou, de repente, para a África, vai passar por Dubai,
14:31vai passar por Abu Dhabi.
14:32Então, aqui, a gente está falando de um hub de aviação que, assim, quando ele é paralisado,
14:37hoje até nós tivemos a retomada pontual, né, de alguns voos, de turistas que estavam presos aqui,
14:43foram voos bem pontuais, não é a reabertura do espaço aéreo,
14:46mas, então, o espaço aéreo basicamente está fechado, tirando essa ação pontual,
14:51e isso gera um problema para o mundo inteiro, um efeito cascata para o mundo inteiro.
14:56Então, assim, os países do Golfo, além de tudo, Dubai, 80% da população é estrangeira,
15:02então, assim, a economia aqui depende dessa estabilidade.
15:06A guerra não é interessante para esses países do Golfo.
15:09Agora, é aí que é a segunda parte dessa história, né, então, para desescalar essa tensão,
15:17a gente só vai depender de Estados Unidos, de Israel e de Irã.
15:20Os países aqui do Golfo, eles têm trabalhado diplomaticamente, né, pedindo ações diplomáticas,
15:27pedindo diálogo, mas eles dizem, né, que eles estão no direito de responder,
15:32ainda não responderam, justamente porque estão optando pela diplomacia e apenas se defendendo.
15:37Agora, se a escalada de tensão continuar e essa guerra continuar com esse preço, né,
15:44do Estreito de Hormuz, dos aeroportos, a questão do turismo interrompido,
15:51fica totalmente imprevisível.
15:55Inclusive, com essa situação do até o Irã ficar totalmente também desconectado,
16:00fica complicado até da gente ter as informações claras do que pode vir a acontecer.
16:05Bom, eu queria a consideração de vocês dois para a gente encerrar aqui, então.
16:09Claro, nesse momento de tensão, a gente espera que exista, sim,
16:14um caminho de resolução dessa questão mais rápido.
16:18Mas, na opinião de vocês, isso está perto de acontecer ou é complicado de acontecer nesse momento?
16:24Principalmente por conta do governo dos Estados Unidos.
16:27Pode começar por você, Arthur.
16:33Olha, se nós considerarmos que nós estamos em março de 2026
16:40e a promessa era que nós não veríamos conflitos,
16:46basta ver o histórico de janeiro do ano passado para cá, né?
16:51Não é o primeiro conflito, possivelmente é o maior, possivelmente é o mais assustador,
16:56porque nós estamos vendo toda essa região sendo trazida para o conflito.
17:01Nessa linha do que o Bruno falou, não são só os Emirados Árabes Unidos,
17:05mas veja que até, por exemplo, o Líbano, o Líbano está se pronunciando e dizendo
17:10ninguém ganha com isso, nós não queremos a ação do Hezbollah,
17:15nós temos ali um xadrez que é muito intrincado do ponto de vista de o Hezbollah
17:20entrando para tentar fragilizar as defesas justamente para ter um ataque iraniano.
17:28Quando o Irã provoca a Arábia Saudita é para tentar escalar isso.
17:31Então, nesses últimos dias, nós não estamos vendo as tensões sendo reduzidas,
17:38muito pelo contrário, nós estamos vendo mais países,
17:42nós estamos vendo consequências no Chipre,
17:44nós estamos vendo consequências literalmente em toda a região.
17:49Oman, que fazia ali uma ponte diplomática,
17:53ficou basicamente sem função nessa história, né?
17:56Então, é muito triste, nós ainda estamos vendo o aumento dessa tensão
18:02e as consequências imediatas, é claro, são as fatalidades, né?
18:06Que alcançam aí a casa das centenas de pessoas,
18:09mas rapidamente pode ir para a escala de milhares de pessoas,
18:13mas essas consequências secundárias e terciárias vão começar a acontecer
18:17nos próximos dias.
18:18Então, veja, a pergunta, Marisa, é qual notícia nós podemos encontrar amanhã cedo?
18:26A que nós gostaríamos é, é claro, um cessar-fogo,
18:30a volta das negociações, a volta dos espaços aéreos,
18:34que as pessoas possam retomar suas vidas, enfim.
18:37Agora, alguém ficaria completamente surpreso se nós encontrássemos amanhã
18:42uma notícia na direção contrária, especialmente com personagens que não parecem, né?
18:49Eu digo, as frases são contundentes.
18:51Nós não vimos até agora uma frase, por exemplo, o Trump, quando ele fala,
18:56bom, derrubamos o líder iraniano e o outro lado quer sentar para conversar.
19:04E prontamente é desmentido, né? Prontamente é desmentido.
19:07Quando os iranianos falam, não tem conversa nenhuma,
19:10ninguém está querendo conversar.
19:12Então, quer dizer, a torcida, a nossa esperança,
19:16obviamente é nessa direção, mas os sinais não sustentam, infelizmente, isso.
19:25Exato, exatamente.
19:26E aqui, a escalada de tensão, ela continua, e como eu disse,
19:31é uma situação tão imprevisível.
19:33Há pouco eu falava, né?
19:35Que aqui, por exemplo, já não tinha mais recebido,
19:37aqui nas últimas horas eu não tinha ouvido nenhum estrondo, né?
19:40Acabei de escrever uma mensagem aqui de Abu Dhabi falando,
19:42cara, que estrondos gigantescos aqui há minutos atrás.
19:47Então, é uma situação que continua muito instável.
19:51A gente, igual o Arthur disse, tem as notícias que a gente gostaria,
19:55mas quando chega, né?
19:58Assim, quando a gente depende dos senhores da guerra,
20:01de quem está mandando,
20:03a situação fica totalmente imprevisível.
20:06E aqui a gente sente que, por enquanto, toda essa tecnologia,
20:13o sistema de defesa dos Emirados Árabes Unidos,
20:15falando especificamente daqui,
20:17outros países até sofreram mais com alvos civis,
20:21tem trabalhado a ponto de garantir alguma normalidade aqui.
20:25Mas, como o Arthur disse,
20:28o custo de cada interceptação,
20:31existe uma limitação também, né?
20:33Não consegue ficar em estado de guerra por tanto tempo,
20:35com tanta eficiência, né?
20:37Tudo isso vai se esvaindo, né?
20:39Todos esses equipamentos,
20:41e você vai ter que repor.
20:43Só que, a partir do momento que você precisa de repor,
20:44de um lado, é um investimento que você faz,
20:46então você vai deixar de atender outras frentes, enfim.
20:49Então, cada dia que passa,
20:51a situação fica mais imprevisível.
20:53E, assim, acompanhando análises, né?
20:55De analistas aqui, que vivem aqui, né?
20:58Analistas árabes, né?
20:59Que acompanham essas tensões há tanto tempo.
21:02Não existe um otimismo muito grande
21:06de que essa situação seja resolvida rapidamente.
21:10A gente só espera que, enfim,
21:12a gente possa voltar aqui ao Olhar Digital News
21:15com boas notícias, né?
21:16Falar que a situação está caminhando para uma resolução.
21:21Mas, por enquanto, a verdade é que,
21:22por mais que exista uma normalidade aqui,
21:24por mais que, aqui nos Emirados Árabes Unidos,
21:28a rotina possa continuar de alguma forma,
21:31porque os serviços principais não são interrompidos,
21:33a tensão, ela continua,
21:36e até o comunicado do governo,
21:40sempre nesse sentido.
21:41Queremos diplomacia, mas podemos responder.
21:44Não sabemos como seria essa resposta,
21:48mas, diante de tudo o que vem acontecendo,
21:51é muito difícil imaginar que se essa escalada não diminuir,
21:55que simplesmente os países do Golfo vão continuar apenas,
21:59enfim, se defendendo.
22:00Então, isso traz um elemento aí de imprevisibilidade muito grande.
22:05Com certeza.
22:06Bom, hoje tivemos aqui uma participação super especial
22:09de Bruno Capozzi, que é editor executivo aqui do Olhar Digital,
22:12e que reside em Dubai, trazendo informações atualizadíssimas para vocês,
22:18de quem efetivamente está vivendo esse momento.
22:20Bruno, cuide-se por aí,
22:23espero que fique mais tranquilo o seu dia a dia,
22:25e proteja-se, fique bem,
22:27sempre mantendo aqui a nossa equipe,
22:30e todo mundo aqui informado sobre o seu estado.
22:33Espero que corra tudo bem por aí.
22:34Muito obrigada por participar aqui conosco hoje,
22:37nesse horário que é tão de madrugada por aí.
22:40Que tudo fique bem.
22:42É importante que estamos aqui com saúde,
22:45não nos falta nada nesse momento,
22:47apesar dessa tensão.
22:49Espero que eu volte aqui ao Olhar Digital News o quanto antes,
22:52mas com boas notícias.
22:54Sim, nós aguardamos também.
22:55Arthur Igreja, muitíssimo obrigada
22:57por mais uma grande participação aqui conosco,
23:00e nos encontraremos em outras ocasiões também.
23:03Muito obrigado.
23:05Obrigado, Marisa.
23:07Obrigado, Bruno, por todas as informações,
23:09e realmente esperamos voltar com os nossos assuntos
23:13que são muito melhores do que isso.
23:16Exatamente.
23:17Bom, boa noite para vocês.
23:18Muito obrigada.
23:21Boa noite.
23:21Um beijo a todos.
23:22Boa noite.
23:23Está aí, pessoal, participação especialíssima hoje
23:26que vocês têm aqui no Olhar Digital News
23:29com Bruno Capozzi e Arthur Igreja,
23:32que é especialista em tecnologia e inovação.
23:34Informações super atuais para vocês.
23:37Acompanhem mais detalhes aqui em Olhar Digital.
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