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  • há 10 minutos
Reunindo 28 artistas, Reverbo é um projeto coletivo de Pernambuco, no qual compositores trabalham em conjunto tanto para criar, quanto para as apresentações que acontecem com um único violão que passa de mão em mão. Aqui, nós encontramos este grupo de artísticos em uma residência artística em Campinas (SP), onde além de mostrar sua arte, eles fazem reflexões sobre suas funções como artistas e a importância do coletivo em suas obras.

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Transcrição
00:00:16Música
00:00:18Sou de Serra Talhada, sertão do Pernambuco, sertão do Pajéu, Brasil
00:00:23São José do Egito, interior de Pernambuco, sertão do Pajéu
00:00:27Lá do sertão do Pernambuco, de uma cidade chamada Arco Verde
00:00:31Sou de Recife, sou lá de Garanhuns, sou do Agreste Pernambucano
00:00:34Nasci em Rio Branco, Acre, mas eu me criei em Recife
00:00:38Sou natural de Garanhuns, nasci no subúrbio
00:00:40Eu nasci em Caruaru
00:00:41Bem especial lá de Recife, radicado em uma cidade chamada Abreu e Lima
00:00:46Sou lá do Agreste Pernambucano, do interior
00:00:48Eu sou de Goiânia, do estado de Pernambuco
00:00:51Venho de Petrolina, no sertão
00:00:54Sou de Recife
00:00:55Nasci em Recife
00:00:56Sou pernambucana
00:00:57Estou há 18 anos em Recife
00:00:59Sou de Recife também
00:01:00Território indígena, Pancararu
00:01:02Eu sou de Santo Cruz do Capobari
00:01:03Pernambuco
00:01:04Pernambuco
00:01:15Há algo de calma e de raso nesse leito profundo
00:01:21Tem dias que o sal atravessa as paredes do mundo
00:01:27A água em desnível acentua o relevo das horas
00:01:33Cada pessoa vai ter uma visão disso que a gente está vivendo agora
00:01:38A partir do seu ponto de perspectiva e de momento de entrada no projeto
00:01:43Às vezes a vida é uma estrada sem acostamento
00:01:49Tem dias que o sol estilhaça as vidraças da sala
00:01:55E eu tenho tentado escutar as palavras que você não fala
00:02:00O cabide de roupas do quarto parece um espantalho
00:02:05É só mais um lado falho
00:02:08A gente tem na figura de Juliano Holanda um cara que é agregador
00:02:13Existiam vários grupos que se conversavam
00:02:17Mas que não tinham relações com outras bolhas
00:02:20De pessoas que estavam fazendo outro tipo de música
00:02:22Ele conseguia ver isso com mais clareza
00:02:24Assim onde as coisas estavam acontecendo
00:02:26É um cara que cruzou gerações também
00:02:29E pôde sair fazendo uma espécie de uma curadoria fluida mesmo
00:02:36Mas há algo de flor e de asfalto nesses tempos encardidos
00:02:42A peça já está no seu terceiro ato
00:02:45Os atores estão bem perdidos
00:02:47Ele foi trazendo esses grupos, aglutinando essas bolhas
00:02:51E aos poucos elas foram se transformando em coisas maiores
00:02:59Hoje em dia a gente tem, sei lá, 30 artistas de diversos lugares
00:03:03Foi uma galera que conseguiu se aglutinar
00:03:12Conseguiu encontrar um ponto de interseção
00:03:15E esse ponto de interseção passa por Juliano Holanda
00:03:18Quando eu me vi assim, pô, vou fazer uma música autoral
00:03:21O que é que eu posso fazer?
00:03:23Para conhecer a galera, né?
00:03:24Comecei a ir para os shows
00:03:25E aí em todo o show
00:03:27A galera, não porque eu queria agradecer a Juliano Holanda
00:03:30Não porque é Juliano Holanda
00:03:32Isso, velho, quem é esse cara?
00:03:33Quem é esse cara?
00:03:34E o que é que ele faz, velho?
00:03:36Porque todo mundo agradece a ele
00:03:38Ele foi vendo as ligas, né?
00:03:39Que aquilo, que aquelas pessoas de diferentes lugares iam dar
00:03:42E aí a gente é muito grato a esse cara
00:03:46A Mary, Mary Lemos
00:03:49Boa noite, boa noite para o Mary
00:03:53Esse reverbo, ela já existe já
00:03:54Há sete, seis, sete anos
00:03:56Eu sempre perco a conta
00:03:57Mas é por aí
00:03:59Embora, na verdade, começou até bem antes
00:04:01Na ideia, na vontade, no desejo
00:04:03Na percepção de que era necessário
00:04:05De alguma maneira a gente se encontrar
00:04:06E dar as mãos de alguma forma
00:04:08Muito importante, assim, mencionar
00:04:10Acreditar, reconhecer a grandeza
00:04:14Do que é o trabalho de Mary Lemos
00:04:15E Juliano Holanda, né?
00:04:18Esse dueto, por sinal, casal
00:04:20São duas forças de muita inspiração
00:04:23De muita firmeza
00:04:25Você tem que ser muito firme
00:04:26Para poder conduzir um grupo desse tamanho
00:04:28Sem eles, isso não estava acontecendo, né?
00:04:31Os encontros, muitos, né?
00:04:33Do que acontecia
00:04:34De uma espécie de pré-reverbo
00:04:37Acontecia na casa deles
00:04:49O momento que eu percebi
00:04:51Que tinha alguma coisa
00:04:52Está muito ligada aos pequenos encontros
00:04:54E a arte que estava
00:04:57Nesses pequenos encontros, assim
00:04:59Que eram lá em casa
00:05:00Depois a gente mudou
00:05:01Foi para outro apartamento
00:05:02E a gente continuou se encontrando
00:05:04Com a galera
00:05:04Fazendo pequenas reuniões
00:05:06E se reconhecendo ali, né?
00:05:11Eu passei um período no Rio de Janeiro
00:05:12Fazendo um trabalho
00:05:14E achei que aconteceu um pouco
00:05:15Aquele efeito do sair da ilha
00:05:16Para ver a ilha, sabe?
00:05:18Quando você se distancia
00:05:20E...
00:05:21E...
00:05:21E sente falta de algumas coisas
00:05:23E queria estar em alguns lugares
00:05:24Não pode
00:05:25Então parece que aqueles acontecimentos
00:05:27Começam a tomar uma proporção
00:05:28Que nem você mesmo tinha noção
00:05:30Enquanto estava lá
00:05:33Quando ele falava no café que a gente tomava
00:05:34Eu estava gravando meu disco Desempeno
00:05:36E tomando café com ele
00:05:37Ele falava da Reverbo
00:05:38Eu dizia
00:05:38Meu Deus do céu
00:05:39Eu nunca achei que era um sonho
00:05:40Ou utopia
00:05:41Eu dizia
00:05:42Vai rolar
00:05:42Vai rolar
00:05:44Eu sempre trabalhei muito com bandas
00:05:46Mério também sempre trabalhou muito
00:05:47Com grupos coletivos de trabalho
00:05:48Então a gente já vinha com
00:05:50Uma expertise de trabalho em grupo
00:05:53Um pouco antes do que a gente pode chamar de
00:05:57De ponto zero, né?
00:05:59De marca
00:05:59Marco zero, assim, da Reverbo
00:06:00A gente já tinha feito um trabalho
00:06:02De experiência coletiva
00:06:04Criativa
00:06:05Com outros artistas
00:06:07Como José Manuel
00:06:08Areia
00:06:09Isadora Mello
00:06:10Rafa Marques
00:06:11Que já eram meio que ensaios
00:06:13E tentativas
00:06:14De entender como esses processos
00:06:16Eles se davam
00:06:17Como eles aconteciam
00:06:18Havia grupos se movimentando
00:06:21As placas tectônicas
00:06:23Elas estavam em movimento
00:06:24Entendeu?
00:06:25Mas o tsunami ainda não tinha aparecido
00:06:27Estava tudo ali em movimento
00:06:28Então a gente olhou assim praquilo
00:06:29Vendo as pedras se mover no tabuleiro
00:06:33E quando voltei pra Recife
00:06:35Me deu uma vontade, um ímpeto
00:06:38De visitar esses lugares
00:06:39E essas pessoas
00:06:41Algumas eu já conheci
00:06:42Outras eu fiquei conhecendo
00:06:44E outras foram trazidas pelas outras
00:06:47Também é um processo muito comum na Reverbo
00:06:51A Reverbo
00:06:52Na verdade ela se tornou
00:06:53Acho que
00:06:54Um pouco da consequência
00:06:56Do processo que a gente já de fato fazia
00:06:59A gente já vivenciava
00:07:00Quando eu conheci Gabi em Caruaru
00:07:02Quando eu conheci Almério em Caruaru
00:07:04Isabela Moraes
00:07:05Meio que foi um momento de
00:07:08Nossa
00:07:08Eu estou ouvindo aquilo que eu quero viver
00:07:12Eu estou vendo pessoas com quem eu quero estar
00:07:15Então sempre teve essa coisa do se reconhecer
00:07:19Sempre teve isso de querer fazer parte
00:07:21Deixa soprar
00:07:31Leva
00:07:33Pra mar
00:07:39Deixa
00:07:43Soprar
00:07:54Minha rede é um sorriso estendendo no ar
00:07:59A primeira foi lá no Teatro Apolo
00:08:01Eu estava como público
00:08:02A gente entrou na roda no final
00:08:06Não sei quem primeiro falou
00:08:08Quem disse o nome Reverbo
00:08:11Foi muito consagrador de uma ideia
00:08:14A gente viu que dava certo
00:08:15A gente tocou
00:08:16A primeira música
00:08:17A outra não se emocionou
00:08:18Chorou
00:08:19Funcionou
00:08:19Então é aqui
00:08:25As primeiras edições que a gente fez
00:08:29A primeira com 10
00:08:30A segunda com 15
00:08:31A terceira com 17
00:08:33A quarta com 21
00:08:35E lá vai
00:08:36E todas as primeiras edições
00:08:38Elas foram feitas de forma autônoma
00:08:39A gente que
00:08:40Digo assim
00:08:41Sem incentivo
00:08:42De forma independente
00:08:47Era
00:08:48Acho que
00:08:49Uma das primeiras apresentações
00:08:51Para o grande público
00:08:52Da capital
00:08:53E aí
00:08:55O teatro lotado
00:08:57E uma expectativa muito grande
00:09:00E ali
00:09:01Foi a minha estreia
00:09:02Naquele lugar
00:09:05Reacendeu
00:09:06Alguma coisa em mim
00:09:08Ali de possibilidade
00:09:09Da minha existência artística
00:09:14Mil colar é feito de sementes
00:09:18Mil colar é feito de sementes
00:09:20Mil colar é feito de sementes
00:09:22Não de sangue
00:09:26Mil colar é feito de sementes
00:09:29Mil colar é feito de sementes
00:09:32Mil colar é feito de sementes
00:09:34Não de sangue
00:09:36Quando surgiu a ideia da ocupação na Torre Malakoff, foi pensado fechar em 30 pessoas.
00:09:41E aí foi nesse momento que você chegou.
00:09:43Foi, aí eu entrei aí.
00:09:44Vem os anos 30, aí entrou eu, aí entrou o Maiara,
00:09:47aí entrou outras várias pessoas pra completar essa ocupação, que eram três dias.
00:09:54O que é o amor então?
00:09:59Cabeça ou coração?
00:10:03Meu bem, não perca a razão.
00:10:07É um coração partido
00:10:11O amor não é solidão
00:10:15O amor é tão bandido
00:10:18A própria galera da primeira remessa sentiu que vamos abrir, vamos ampliar o movimento pernambucano.
00:10:24Eu não acho que nem abrir.
00:10:26Eu não acho que nem abrir a situação.
00:10:31Porque não é algo fechado, né?
00:10:33Pra gente se abrir tem que ser algo fechado.
00:10:34Reverbo eu não vejo um reverbo como nada fechado.
00:10:36Não é necessidade de abrir, é necessidade de chamar outros amigos que a galera aqui da primeira remessa trocavam também.
00:10:53Eu canto na noite e eu acho que eu tava assim...
00:10:59A gente até conversou um pouco sobre isso hoje, né?
00:11:02Que eu tava um pouco assim...
00:11:03Meio que desmotivada também, sabe?
00:11:05Já tava meio que...
00:11:06Tipo, indo no automático.
00:11:08Então, quando a reverbo chegou pra mim, assim...
00:11:15Nossa, pra mim foi uma estiga muito grande, assim...
00:11:20Fiquei bem feliz e eu acho que me deu uma renovação.
00:11:38Em 2019, eu fiz a minha primeira apresentação, a convite de Juliano, pra ocupação da Torre Malakoff.
00:11:46E já tinha previsões de outras coisas pra acontecerem.
00:11:50Eu não me inimigo com fascistas!
00:11:54Eu não me inimigo!
00:11:57Desde a ideia inicial, a gente sabia que era alguma coisa, mas nunca soube exatamente o que é.
00:12:04Porque a gente não se entende como um coletivo nos modos tradicionais.
00:12:07Não, é um monte de gente junto, assim...
00:12:10Mas nunca teve uma formatação prática do que seria, nem com objetivos estáticos sobre uma coisa, né?
00:12:18Depois foi que eu comecei a ter as ideias malucas de escrever projetos com a reverbo, né?
00:12:23E aí a gente se entendeu como uma amostra.
00:12:25É uma amostra de canções.
00:12:38É uma amostra que várias pessoas já estiveram presentes e também participaram de uma ou de duas,
00:12:44mas que também não sentiram muito que ali era o lugar e não estão mais com a gente,
00:12:48mas que foram importantes no momento.
00:12:51E aí, hoje a gente se entende como uma amostra de canção autoral.
00:12:56E isso foi se cristalizando enquanto uma ideia, que seria um show coletivo,
00:13:00para, sabe, colocar uma bandeira.
00:13:04Que existimos, que artisticamente temos relevância, temos uma sonoridade, temos um som, temos um conceito.
00:13:11Foi até rápido, historicamente, assim.
00:13:14Foi um processo que foi acontecendo por volta de 2016, 2017.
00:13:19A coisa foi engrenando e se chegou nesse formato que é interessante, muito de ouvir o outro.
00:13:24Muito mais do que cantar, você passa mais tempo no palco, a reverbo, ouvindo do que é cantando.
00:13:29Às vezes você só canta uma música e ouve 29.
00:13:32Sombrinha pingando, crocodilo urbano, ônibus surfando, frio que me dá...
00:13:41É meio que uma revolução, uma coisa antiga, que é a canção, esse formato voz e violão é muito antigo.
00:13:48Universal, né, também.
00:13:49É, desde o começo da indústria da música, do começo da formatação do que é a música popular,
00:13:56existe esse formato voz e violão.
00:13:58Essa canção vai sobrevivendo aos séculos, às reviravoltas da indústria.
00:14:14Se fossem pessoas completamente iguais, seria monótono demais.
00:14:18Então, a gente sabe que tem pessoas que são mais intérpretes, mais da voz,
00:14:24tem pessoas que são mais compositores, tem pessoas que têm mais um estilo.
00:14:26O que escreve fala mais de um jeito das coisas e outro fala mais de outro.
00:14:32Acho que é o que faz isso ter esse tamanho, mais roqueiro que você seja.
00:14:37Quando você está ouvindo um cantador de viola ali do sertão do Pajéu,
00:14:42falar, cantar e ter o espaço respeitado assim para o ouvido,
00:14:46isso é um exercício, acho que é dos mais bonitos da reverbo, assim.
00:14:50Porque você aprende a respeitar.
00:14:51Ouvindo, você respeita muito mais do que falando, do que emitindo o seu som.
00:14:56É todo mundo de um estado.
00:14:58E cada um que fala de um jeito, assim.
00:14:59Sua ótica.
00:15:00O Arco Verde, São José.
00:15:03Mas funciona, porque poderia, o normal seria não funcionar,
00:15:07numa situação dessa, de tanta variedade.
00:15:09Mas funciona, acho que porque tem o afeto.
00:15:12E admiração.
00:15:14Se você vê um reverbo, você vai ver que
00:15:16esse modelo de que estão dois no palco ou um cantando e os outros estão atrás,
00:15:21aquilo tem uma energia muito grande naquilo ali, sabe?
00:15:23Você está cantando para os seus e você se sente fortalecido por eles, elas.
00:15:34Cobra carregada de gente, sua coluna longa poltrona,
00:15:40nas curvas turbulência, sua sabedoria e descrença.
00:15:43Cada um, cada ser, cada...
00:15:48É chave, assim, né?
00:15:50Cada um é chave para um processo que...
00:15:55Às vezes até acontece invisivelmente, sabe?
00:15:59Eu acho que...
00:16:02Cada um abre a porta um do outro.
00:16:06Acredito que é muito por aí, assim, né?
00:16:09De...
00:16:11Despertares, né?
00:16:12Elas são as mensageiras desse Deus.
00:16:15E esse Deus não gosta de coloridos.
00:16:17Tudo branco lá em cima, nem tem preto, nem puta, nem viável.
00:16:20Tudo branco, as nuvens, os anjos.
00:16:23Ex-preto, ex-pulpa.
00:16:27A gente chega aqui, aí traz um show, voz e violão.
00:16:33Vinte e nove músicos viajando com um instrumento só, que é o mesmo violão.
00:16:38É verdade.
00:16:39E isso causa como aparenta ser uma coisa nova, assim.
00:16:48Eu achava que São Paulo fosse me assustar mais.
00:16:54Sei lá, tá muito longe de casa, muito longe da mata, mas...
00:16:57Mas não, tô feliz.
00:17:00Puta que pariu, olha o varanda VIP da galera, caralho.
00:17:29Reverbo, pra mim, é essa junção de todas as coisas diferentes.
00:17:34De todas as particularidades de cada um.
00:17:39Essa junção toda e essa explosão, digamos assim.
00:17:54Trazer.
00:17:55É algo do reverbo.
00:18:00Transitar.
00:18:03Transmitir.
00:18:04Transfusão geográfica, imagética, criativa.
00:18:28A cor do coral de cada rio que dá no mesmo mar.
00:18:36O estado da gente tem uma beleza infinita, não é, Béli?
00:18:39O povo da gente.
00:18:40A gente pode descer em torno ao canto.
00:18:43Alguém sugerir morrer em Pernambuco.
00:18:45Ou descer...
00:18:47Faroei.
00:18:48Descer Faroei.
00:18:49Faroei.
00:18:50Tá tendo tomo.
00:18:51Faroei.
00:18:52Faroei.
00:18:53Faroei.
00:18:53Sem fazer nada.
00:18:54Pode ser nada.
00:18:55Faroei.
00:18:58É na casa de Madalê.
00:19:07Acho que o reverbo tem isso de emergir as nossas capacidades como povo, como cultura, como
00:19:16arte, como um conjunto de transpirações que nos dizem, dizem, nos dizem e traduzem algo
00:19:28do que é o todo desse povo também.
00:19:32Uma partícula que denota isso, né?
00:19:37Denota algo do que somos juntos, do que somos individualmente, do que somos juntos.
00:19:46Do que somos juntos, do que somos juntos.
00:20:19É a primeira vez que a gente faz fora de Pernambuco.
00:20:22Então tem essa coisa do sair.
00:20:28A gente tá no melhor lugar que a gente poderia estar, de todos.
00:20:33A gente tá do lado dos amigos, da gente mesmo.
00:20:36A gente, geograficamente, ponto cartesiano, a gente tá no interior de São Paulo, em Campinas.
00:20:42E a gente tá junto aqui, fazendo essa ocupação aqui em Campinas, mas já vem de uma temporada
00:20:50em São Paulo.
00:20:51Então a gente tá junto há dez dias.
00:20:53Isso não pôde acontecer, que era o comum.
00:20:56A gente passou muito tempo se encontrando.
00:20:58Então a pandemia tirou um pouco isso da gente.
00:21:00Do aperto de mão, do abraço.
00:21:03E essa é a primeira vez que a gente tá tendo essa oportunidade mesmo, assim, de conviver
00:21:07sem tanta pressa, assim, da urgência do WhatsApp ali, da coisa como um todo.
00:21:13Em 2020 eu precisei sair de Recife e me mudar pra São Paulo.
00:21:17Eu sou a única pessoa da Reverbo que mora em São Paulo.
00:21:20Além de existir essa saudade de toda a galera, de todo mundo, das pessoas, mas também dessa
00:21:26troca musical, criativa e profissional com todos eles, saber que todo mundo tava chegando
00:21:37em São Paulo e que tava justamente cruzando essa fronteira foi...
00:21:50É emocionante.
00:21:53E é muito bonito ver cada um ali em cima brilhando, sabe?
00:22:02E brilhar junto com eles.
00:22:04Não importa o quanto eu não disse só as coisas ditas
00:22:10Merecem ser ouvidas, mesmo que às vezes
00:22:15Palavras quando escritas
00:22:18Soem mais bonitas
00:22:22Não importa, não importa
00:22:24O quanto eu repita
00:22:26Sempre vou lutar
00:22:28Essa crise mais bonita
00:22:31Mais um de vocês
00:22:32Poder vir pra São Paulo
00:22:34E mostrar o nosso trabalho
00:22:36Mostrar a nossa força
00:22:37Mostrar a nossa coragem
00:22:39Mostrar o nosso amor
00:22:42E ser acolhido da forma que nós fomos
00:22:46É imensamente gratificante
00:22:48E poder vir pra São Paulo é muito simbólico também
00:22:51Porque de alguma forma
00:22:52Quer dizer alguma coisa, sabe?
00:22:55A gente tá vindo aqui pra São Paulo
00:22:56E ter esse abraço
00:22:58Quer dizer muita coisa
00:22:59Quer dizer que vale a pena continuar
00:23:01Quer dizer que São Paulo é um lugar
00:23:02Onde grandes artistas vêm pra trabalhar
00:23:05Onde você consegue expandir mais o seu trabalho
00:23:28O mundo é a nossa grande casa
00:23:31Quando eu visito a tua janela
00:23:34Quando eu visito a tua janela
00:23:34Eu trago pra minha o teu horizonte
00:23:37Então eu acho que visitar o quintal
00:23:42O terreiro de outra gente
00:23:45É trazer pra o nosso povo algo da beleza
00:23:49De ver o que a poesia vira quando passa ali
00:24:14O reverbo também tem essa coisa
00:24:16De ser um organismo vivo, autônomo
00:24:19As pessoas têm um idioma aqui, sabe?
00:24:21Que é essa vivacidade
00:24:23Nós vamos, nós vamos aqui
00:24:26Limpinhos, com tranquilidade
00:24:27Vamos nessa, vamos fazer
00:24:28E a gente tá encontrando um caminho
00:24:30Eu acho que vai ser muito proveitosa
00:24:32Essa vinda ao estado de São Paulo
00:24:33E esses ambientes
00:24:34Quando eles falaram no Centro Cultural Casarão
00:24:36Aqui em Campinas
00:24:38É isso, a gente é do interior
00:24:39A canção chega com força de
00:24:42Romper tudo isso mesmo, né?
00:24:43Sim
00:24:44A canção e o apoio mesmo
00:24:46De nós todos juntos
00:24:48Partilhando
00:24:51Aqui estamos dormindo e acordando juntos
00:24:54Juntos
00:24:55Comendo juntos
00:24:56Comendo juntos, é
00:24:58Tocando
00:24:58Nós ficamos até 4 horas da manhã
00:25:00Desde o dia que a gente chegou
00:25:02Tocando, mostrando música nova
00:25:04Um mostra, outro mostra
00:25:05Outro mostra
00:25:06É isso, então vamos
00:25:10Só vale não me ver
00:25:12Quem não enxerga assim
00:25:14Só vale não me ver
00:25:16Quem não enxerga assim
00:25:18Só vale não me ver
00:25:20Só vale não me ver
00:25:21Quem não enxerga assim
00:25:23O que eu observo assim
00:25:26Na reverba
00:25:27É que sempre tem alguém disposto
00:25:29A ouvir o que
00:25:30A ouvir o verso
00:25:32Ou a melodia que você tem
00:25:35E a
00:25:37A agregar
00:25:38Já ontem mesmo
00:25:39A gente chegou
00:25:40E Jean pegou o violão
00:25:42E começou a construir
00:25:45Uma ideia
00:25:46Aí eu cheguei
00:25:47E coloquei um verso
00:25:49Aí Sam ia passando
00:25:51Aí a gente
00:25:51Sam vem cá
00:25:52Deixa um verso aqui
00:26:00Sam já
00:26:01Eu pensei nisso
00:26:02Aí Black estava também
00:26:04Ouvindo assim de longe
00:26:05E fez
00:26:05Que tal isso?
00:26:06Não sei o que
00:26:07No fim nós quatro
00:26:10Fizemos uma canção
00:26:11Assim
00:26:18Olha a hora
00:26:19Aqui no brinco de ovo
00:26:20Da princesa
00:26:21Ele dormiu na bola
00:26:22Procura aqui pra driblar
00:26:23Toca a bola
00:26:24Toca a bola
00:26:24Aí toca a bola
00:26:28O jogador
00:26:30O jogador
00:26:30Marcelo
00:26:30Já ficou no chão
00:26:31Olha a bola
00:26:32De bola
00:26:32Olha a categoria
00:26:33Será que é a família
00:26:34E maravilha
00:26:35A oportunidade de ter essa vivência
00:26:36Na verdade
00:26:37É muito enriquecedor
00:26:40Pra alma
00:26:41Pra inspiração mesmo
00:26:43Pra gente entender melhor
00:26:45Os nossos trabalhos
00:26:47Enquanto artistas
00:26:48Nossa posição no mundo
00:26:50A gente é parceiro de música
00:26:53A gente é parceiro de palco
00:26:54Mas agora
00:26:55Num ambiente como esse
00:26:57De convivência
00:26:57A gente vira um parceiro de vida
00:27:08A gente se conhece
00:27:10A gente se abraça
00:27:13Mas sempre tem o tempo
00:27:14Limitando as coisas
00:27:16Sempre tem o tempo
00:27:18Como uma barreira
00:27:19Aquela coisa de
00:27:20Ó, vou na sua casa
00:27:21Hoje de noite
00:27:22Mas eu tenho hora pra ir embora
00:27:23Eu tenho hora
00:27:24Eu não vou ver
00:27:25O que você vai fazer
00:27:26Depois que você vai me ouvir
00:27:33A gente tem as nossas individualidades
00:27:35E agora é o momento
00:27:36Que a gente está
00:27:37Vendo isso com detalhes
00:27:39E não só o dos outros
00:27:40Eu acho que até mesmo o nosso
00:27:44Está bem interessante
00:27:46E ao mesmo tempo
00:27:49Duvidoso e questionador
00:27:50Mas ao mesmo tempo
00:27:51A música nos une
00:27:52A gente tem um parazém
00:27:53Com essa energia
00:27:55Sabe?
00:27:57Só música
00:27:58Meu bem
00:28:00Esse aqui é meu grande irmão
00:28:02Almério
00:28:03De Altinho
00:28:04Que é uma cidade
00:28:06Perto de Caruaru
00:28:07É um grande artista
00:28:10Uma alma
00:28:11Iluminadíssima
00:28:13A vida perto de Almério
00:28:15É uma celebração
00:28:16Sempre
00:28:16Aprendi
00:28:18Muito
00:28:19Com você
00:28:20Meu amor
00:28:49Sempre me ocorreu
00:28:51Às vezes dizer
00:28:51Legal isso
00:28:52Posso ir por esse caminho
00:28:53Ou então não
00:28:54Esse sapato não fica legal em mim
00:28:56Eu não quero essa roupa
00:28:57Eu quero essa roupa
00:28:58Eu vou por aqui
00:28:59Você está vendo isso sendo gerado
00:29:01O tempo todo
00:29:01A gente percebe a mudança
00:29:02Nos próprios integrantes
00:29:05Assim
00:29:05De como eles se misturam
00:29:07E como se influenciam
00:29:09Isso todos evoluem
00:29:10Pra caçador
00:29:13Errar o tiro
00:29:14Vai traquinando por aí
00:29:27Quem viu
00:29:28Quem viu
00:29:29Quem viu
00:29:31Uma cibita baleada
00:29:34Na catinga
00:29:37Cambaleando
00:29:38Uma entidade
00:29:39Uma visão
00:29:40Passarinho
00:29:41A arte da gente fica inesgotável
00:29:44Quando a gente bebe a arte do outro
00:29:45A importância da arte do outro
00:29:47Porque se a gente ficar na caixinha nossa
00:29:49Sempre
00:29:50Na zona de conforto
00:29:51Naquela coisa
00:29:51Sempre
00:29:52Assim
00:29:53Vai esgotar
00:29:53Vai ter uma hora que você não vai
00:29:55O que é que você vai fazer
00:29:56Depois de ir e voltar tanto
00:29:57Dentro daquilo
00:29:58Então você beber a arte do outro
00:30:00É muito importante por isso
00:30:02Porque nunca para
00:30:03Tem uma coisa que é instigante mesmo
00:30:05De você estar em coletivo
00:30:06Porque
00:30:07Essa frase que Juliano falou
00:30:09Que viu uma vez
00:30:10No topo de uma escola
00:30:12No interior
00:30:12Não sei qual foi a escola
00:30:13Nem qual o interior
00:30:14Eu lembro da frase que dizia
00:30:16Nenhum de nós é mais forte
00:30:18Do que todos nós juntos
00:30:27Você ter tipo
00:30:28O espelho do olho do outro
00:30:31Para poder estar
00:30:32Instigando o que você cria
00:30:34É realmente estar
00:30:36Fortalecendo mesmo
00:30:38Um modo de viver
00:30:39Um modo de criar
00:30:41Eu nunca imaginei
00:30:43Eu sonhei
00:30:44Mas eu não imaginei
00:30:46Que fosse por esses caminhos
00:30:47Que as coisas aconteceriam
00:30:48Com a canção
00:30:49De entrar na reverbo
00:30:51E de estar rodeado
00:30:52De um monte de gente
00:30:53Assim
00:30:53Que admiro
00:30:55Muito
00:30:55E quando a gente entrou na reverbo
00:30:59E começou a fazer os shows
00:31:01Para mim
00:31:02Olhar para João
00:31:03Na hora que ele pega o violão
00:31:04E vai lá e toca
00:31:05O Malassombro dele
00:31:07Que tem
00:31:08Que é um violão muito específico
00:31:10Eu digo que é
00:31:10Da música agrestina pernambucana
00:31:12Mesmo
00:31:13E tem uma coisa
00:31:15Diferente ali
00:31:16Em cada canto tem
00:31:17Mas acho que é preciso dizer
00:31:19Que no agresti pernambucano
00:31:24Falando de agresti
00:31:25Ainda é meridional
00:31:26Que é de onde nós viemos
00:31:27Tem uma frequência
00:31:29Muito específica
00:31:31Que atravessa os dedos
00:31:32A coreografia
00:31:33O violão
00:31:36E vê-lo
00:31:37Quando ele pega o violão
00:31:38E vai
00:31:39E começa a fazer as canções dele
00:31:41Naturalmente
00:31:42Rapidamente
00:31:44Eu entro
00:31:45Em força mesmo
00:31:47Na força
00:31:47A força bate
00:31:49E eu fico
00:31:49Eita caramba
00:31:50Menino do céu
00:31:51Eu sempre choro
00:31:59Sempre choro
00:32:01Muito
00:32:04Que lindeza
00:32:12Nossa
00:32:14Eu vejo
00:32:15Uma potência
00:32:17Assim
00:32:18Muito grande
00:32:19Uma força
00:32:20Muito grande
00:32:22Uma doçura
00:32:24Muito grande
00:32:25Uma
00:32:26Verdade
00:32:27Muito grande
00:32:28A gente tem um processo
00:32:30Parecido
00:32:30Com a questão do gênero
00:32:33Eu no meu processo
00:32:36Que é diferente
00:32:37Do delo
00:32:39Mas questionando
00:32:41Sempre essa forma
00:32:42De ser
00:32:42As formas
00:32:44Mas nos aprisionam
00:32:46E é isso que a gente
00:32:47Se identifica
00:32:48Além da música
00:32:49Claro
00:32:49Mas tipo
00:32:50E da canção
00:32:52Sim
00:32:52Que acho que
00:32:53Além de tudo
00:32:54É canção
00:32:55Porque muitos não tocam
00:32:56Um instrumento
00:32:57Em algum lugar
00:32:58Sabe?
00:32:59Além de tudo
00:33:00É a canção
00:33:00Porque tipo
00:33:01Não é só poesia
00:33:02Sim
00:33:03É a voz
00:33:04Que canta
00:33:05Sim
00:33:06Eu acho que é isso
00:33:07Que nos conecta
00:33:08E as nossas sandálias
00:33:12Também nos conectam
00:33:16Eu acho que essa construção
00:33:17Do coletivo
00:33:18Se baseia muito
00:33:20No afeto
00:33:20Por exemplo
00:33:21Eu estava conversando
00:33:22Com Martins
00:33:23Hoje mais cedo
00:33:24Que eu aprendi
00:33:25A fazer falsete
00:33:27Com ele
00:33:27O vendo cantar
00:33:29Sabe?
00:33:30E hoje eu uso isso
00:33:31Na minha canção
00:33:32Porque Martins
00:33:33Faz isso
00:33:34Então
00:33:35De alguma maneira
00:33:36A gente se cruza
00:33:37Se atravessa
00:33:38Pra caramba
00:33:38Eu acho que isso
00:33:40Vai transformando
00:33:41A gente
00:33:41No que a gente
00:33:42Vai ser
00:33:42Assim, né?
00:33:43Eu jamais imaginei
00:33:44Não por
00:33:45Não por questões
00:33:47De qualidade
00:33:48Mas pela distância
00:33:49Que a gente vivia
00:33:50Cada um vivendo
00:33:51Em seus mundos
00:33:52De ser parceiro
00:33:54De Rogéria
00:33:56De termos
00:33:57A nossa parceria
00:33:58Reconhecida
00:33:59Por outros artistas
00:34:10Ele vem quebrando muito
00:34:12Essa coisa minha
00:34:13De travar
00:34:15De bloquear
00:34:16De achar
00:34:17Que não é bom
00:34:17Que não é bacana
00:34:19Mesmo que seja
00:34:20Uma ideia simples
00:34:22Uma coisa
00:34:22Ele
00:34:22Não, joga aqui
00:34:23Manda pra mim
00:34:24Eu quero ouvir
00:34:25Eu quero
00:34:25Enfim
00:34:26Coloca essa vergonha
00:34:28De lado
00:34:28Cantar
00:34:29Cantar pra subir
00:34:32Isso que a gente
00:34:33Isso que a gente está propondo
00:34:34Eu gostaria que isso se espalhasse
00:34:37Para todas as esferas da vida
00:34:39Que é um mundo de mais afeto mesmo
00:34:43De mais coletivo
00:34:45De olhar para o outro
00:34:46De estar junto
00:34:47Da não necessidade de se sobressair
00:34:50Aqui está todo mundo junto
00:34:51Vibrando junto
00:34:52Querendo o bem de todos
00:34:54Indiscriminadamente
00:34:55Quando a gente vive a experiência da Reverbo
00:34:59É pra mim
00:35:00Como que a gente bota em prática
00:35:03Essa busca
00:35:04Por um caminho menos egóico
00:35:09Um caminho mais gregário
00:35:10De comunicação
00:35:11Onde a gente possa realmente exercitar a escuta
00:35:15Onde a gente possa realmente conviver na diferença
00:35:20Acho que resgatar mesmo
00:35:22Memórias do sentido de fazer canção
00:35:24Aqui não tem solidão
00:35:30Aqui não tem mal dizer
00:35:34Minha voz é o meu que eu pois é
00:35:39É sempre novo
00:35:40Nunca é igual
00:35:41Nunca vai ser
00:35:42E Juliano faz isso também
00:35:44Ele não diz
00:35:45Ele não pré-diz pra gente
00:35:47Você vai fazer parceria com fulano
00:35:48E você vai cantar a música tal
00:35:50Isso, tem isso também
00:36:12O que acontece é que Juliano é uma esponjinha da bexiga e ele fica... ele sabe que Rogério é composto
00:36:18comigo... ou às vezes a gente...
00:36:21Compartilha com ele
00:36:22Tipo, Juliano, olha só que isso aqui que a gente fez essa semana... aí ele... massa, massa, massa, massa... aí
00:36:28o outro já compôs também e mandou... ou a gente compôs em trio e mostra a música...
00:36:34Sempre tem uma narrativa ali... que ele enxerga antes de todo mundo... e quando a gente vê... quando termina o
00:36:43show... a gente... poxa... tava tão... tão amarradinho...
00:36:47Senhora da brisa... da curva do vento... é palavra certa... é... é palavra certa...
00:37:01Eu sou lendo meus passos... equilibra o arco... pra louco é...
00:37:10Você não sabe o prazer que é... você acorda duas horas da manhã com a ideia e tem uma pessoa
00:37:14pra escrever e dizer... cara, pensei isso aqui, o que você acha?
00:37:16Quando você envia a música pra ele... você automaticamente também tá... reanalisando aquilo que você mandou... tem um processo aí...
00:37:25que se forma... e ainda com direito ao feedback do que vem...
00:37:28Pô, essa é massa... ah, legal, essa é massa... e tal, e tal... e ah, essa... esse nível de relação
00:37:34que permite isso, né?
00:37:39Cada um traz sua essência... seu jeito de lidar com a música... sua própria vivência, né?
00:37:45Que é muito diferente, realmente... são 29... cabeças ali, né? Juntos e...
00:37:51A gente tem... a arte de cantar, mas a arte de escutar...
00:37:55A escuta dos outros que estão ali... cantando e todo mundo interagindo...
00:37:58Um canta... a outra canta... a gente faz uma segunda voz ali... no fundo... a gente fica acompanhando...
00:38:05Isso, pra mim, é que é a magia da Reverb, entendeu?
00:38:18Eu costumo dizer que a Reverb seria improvável de acontecer... tem artistas na Reverb que são...
00:38:23Totalmente bicho grilo... totalmente do mato...
00:38:26Tem outras que são totalmente urbanas... urbanóides...
00:38:29Ah, tem umas que são mais... totalmente... mais amor...
00:38:33Tem outras que são totalmente políticas...
00:38:35Tem umas geniais... e tem outras que estão começando...
00:38:43Sabe, é... é tão... é tão belo... tão belo... saber que isso existe...
00:38:47E essa coisa de... de parecer improvável... e ser... de alguma forma...
00:38:52E ser de alguma forma...
00:38:53Improvável... e a gente conseguir juntar isso, assim... com tanto respeito... com tanto afeto...
00:38:58Que eu acho que é o que guia, o que une tudo... a admiração de todos...
00:39:10E o cuidado que todo mundo tem um com o outro, assim... é que é muito bonito...
00:39:15É aprendizado...
00:39:16E que torna tudo possível... e cada vez mais...
00:39:19A gente se iguala numa frequência artística... mas... preservando, sim, as diferenças...
00:39:24Nossas diferenças... somos bem diferentes... mas... a gente se iguala numa frequência artística...
00:39:30quando estamos no palco...
00:39:31Existe um... um... um tecido... sutil... que... é como se fôssemos mais desse tecido... do que de outras coisas...
00:39:42E aí, quando a gente se encontra... vê que não tem muito essa coisa do território... ou do sotaque... ou
00:39:46do... estamos...
00:39:48Nos reencontrando mesmo... desse... desse lugar além... e é lindo...
00:39:54Reencontros cósmicos, né?
00:39:57Sim...
00:39:58Completamente...
00:39:58É lindo, mas...
00:40:00Da... da grande teia... não diria... do poeta...
00:40:05Cantamos... histórias diferentes que se ligam por um fio muito maior...
00:40:10E esse fio... quem conhece... quem sente isso... é engraçado... é uma coisa que... não dá pra explicar... não dá...
00:40:18não dá... não dá... não dá... não dá...
00:40:19Não dá pra explicar... é... vou usar a palavra lá... que eu travei Mary... de meia noite no bar... é
00:40:22um negócio meio inefável Mary... não dá... não dá... não dá... meia hora você tá usando a palavra inefável...
00:40:27Acho que a grande coisa da REVERBO... é... é... é... que ae eu... é... é... 22 anos... é... é... é...
00:40:36e aí eu... acho que... a gente falar dessa coisa territorial, né?
00:40:40É... é... eu sou de Caruaru, sou do Agrésio do Estado... e... a gente tem... é... e a gente tem...
00:40:57Quando as, digamos assim, quando as oportunidades meio que somem da vista da gente,
00:41:03aí a gente, quando não anda, a gente acha que, poxa, o que mais eu posso fazer, né?
00:41:08Aí a gente faz uma viagem para a cidade do lado e aí a gente descobre que tem um monte
00:41:12de gente
00:41:12nas mesmas buscas, nas mesmas angústias, inquietações e tal.
00:41:16E aí a Reverbo conseguiu, né, gradativamente ir juntando essas pessoas todas.
00:41:23E aí as pessoas vão para assistir Black, as pessoas me conhecem,
00:41:26e as pessoas vão me assistir, as pessoas conhecem Black, e Maíra, enfim, todas e todos e todos.
00:41:33E isso no Estado tem uma potência massa, porque em Caruaru, talvez Black tenha chegado mais depois da Reverbo.
00:41:40Provavelmente a gente do interior também chegou mais na capital depois da Reverbo.
00:41:44Não à toa a gente não se apresenta, cada um entra no palco e está todo mundo nas coxias, não.
00:41:50A gente está lá junto, no palco, uma apresentação realmente coletiva,
00:41:53em que a gente canta, em que a gente fala e que a gente muito mais ouve.
00:41:58O protagonismo é o coletivo.
00:42:00A gente basicamente canta uma canção e escuta 28, né?
00:42:05A gente escuta bem mais do que canta.
00:42:06A gente escuta bem mais do que canta.
00:42:08E aí sobre isso é uma experiência fantástica, assim, enriquecedora mesmo.
00:42:12E acho que a gente se retroalimenta nesse processo também, né?
00:42:16Acho que a gente acaba crescendo como artista porque a gente lidar com a referência do trabalho artístico do outro.
00:42:23E isso faz com que a gente abra o leque de uma cosmovisão mesmo,
00:42:29de como cada um lida com a sua existência na vida,
00:42:34nas suas diferentes regiões, nas suas diferentes classes sociais e grupos.
00:42:40Para mim, é uma experiência sociológica mesmo, assim.
00:42:45A gente só de fazer a escolha de trabalhar com arte já é um ato político,
00:42:51já é um ato de resistir, de ser os doidinhos da sociedade.
00:42:55Já fala bastante.
00:42:56Já é um caminho que vai na direção oposta ao que nos é induzido,
00:43:04enquanto ser vivo, humano, numa sociedade capitalista, patriarcal.
00:43:11Tem uma coisa muito interessante e que eu considero muito política,
00:43:16que é essa coisa da opção por ficar, por estar em Pernambuco, sabe?
00:43:23A escolha de ficar, a escolha de transformar a cidade e o Estado.
00:43:28Eu fico falando Recife, mas é Pernambuco, porque hoje mais da metade da Mostra Reverbo
00:43:34são pessoas do interior do Estado de Pernambuco.
00:43:36Então, esse movimento de olhar para dentro,
00:43:39que eu acredito ser uma característica muito forte de Pernambuco
00:43:44e desse sentimento ufanista que a gente tem lá, que é real mesmo,
00:43:48exacerbado às vezes, mas a coisa de olhar para dentro, sabe?
00:43:51Olhar para dentro do Estado e entender o que a gente tem de grande aqui,
00:43:54quem são essas pessoas que estão pelo interior.
00:43:56É um recorte, é um pequeno recorte, né?
00:43:58Totalmente.
00:43:59De onde a gente está.
00:44:00Tem muita coisa ainda para ser visto.
00:44:02Mas é um recorte que...
00:44:06Eu acho que representa muito bem, assim,
00:44:09a diversidade, os assuntos que a gente trata.
00:44:13Se sente, se divagar, se quer mais.
00:44:20Me sinto honrada de estar nesse recorte, mostrando para essas pessoas
00:44:25que talvez nunca, nunca acessariam isso que a gente faz, sabe?
00:44:32Tanto por não buscarem ou até por não mostrar, né?
00:44:36Às vezes a pessoa não conhece determinado estilo musical, determinado artista,
00:44:41porque essa pessoa não tem oportunidade.
00:44:44Não é que essa pessoa não trabalha direito, não é porque essa pessoa não tem voz,
00:44:48é porque ela não teve oportunidade.
00:44:56E quando você tem a sua voz, né?
00:44:59Quando lhe dá uma oportunidade, eu acho que é...
00:45:02que é abrir um caminho bonito, assim, para a pessoa se mostrar.
00:45:06E a gente, como grupo, trazendo isso, para mim é incrível.
00:45:11Há uma mudança tecnológica na forma que as pessoas ouvem música.
00:45:16Então, é muito comum hoje em dia as pessoas ouvirem mesmo a música,
00:45:20com fone ou com caixinhas.
00:45:23Isso é muito comum.
00:45:25A música deixou de ser uma coisa essencialmente e primordialmente social.
00:45:31Assim, eu fui criado, acho que em média também,
00:45:32numa situação em que a gente ouvia música em casa com nossos pais.
00:45:35Porque não havia fone de ouvido.
00:45:36Se eu coloco um disco para tocar, todos na casa ouvem.
00:45:39Então, tinha esse aspecto.
00:45:41Hoje em dia, fala-se muito no ouvido das pessoas.
00:45:44Então, se você fala no ouvido, tem que dizer alguma coisa.
00:45:47Então, para dizer, tem que ter palavra.
00:45:49Se tem palavra, tem que ter vés.
00:45:50Se tem vés, tem que ter alguma coisa aí.
00:45:51Então, isso modificou.
00:45:55A nossa sociedade está vivendo um momento assim.
00:45:58E nessa medida, sim, acho que o que a gente faz é político, é contemporâneo.
00:46:02Porque dialoga com esse panorama atual do verbo, o reverbo.
00:46:08Por trás de todo artista sempre tem uma mulher inspiração.
00:46:11Chega a pedra da genieira.
00:46:13Alguém faz conexão entre arte e coração.
00:46:16Por trás de todo artista sempre tem uma mulher inspiração.
00:46:24É político porque é social e é político porque é específico.
00:46:27Entendeu?
00:46:28É político porque é político.
00:46:29É.
00:46:31O fato de a gente estar aqui em pé já é super político.
00:46:34Então, assim, quem quiser falar, fale.
00:46:35Mas isso aqui é micropolítica pura.
00:46:39E as pessoas subestimam a micropolítica.
00:46:41A gente vive tendo surtos de raiva e de ódio pela política hegemônica, mas às vezes a gente esquece que
00:46:48o pequeno não é tão pequeno quanto a gente imagina.
00:46:51E uma coisa como essa de estar aqui, estando aqui em São Paulo pela primeira vez, a gente entende que
00:46:58é um avanço político, assim, muito importante.
00:47:11Por trás do Criador é uma mulher que a igreja escondeu.
00:47:25O que eu acho interessante do palco em si é que cada dia, que cada apresentação, o público não tem
00:47:33informação de quem vai estar no palco naquele dia.
00:47:36Então as pessoas vêm realmente para se surpreender, né?
00:47:42Alguém que de repente já conhece o trabalho de Jean, ou de Rogério, ou de Almério, ou de Martins, mas
00:47:47não sabe se naquele dia ele vai estar no palco.
00:47:50Então vem receptivo, né?
00:47:52E ontem rolou um negócio engraçado.
00:47:54A gente estava assistindo a apresentação dos nossos colegas que se apresentaram primeiro.
00:48:00E aí a mulher chegou assim, meio agoniada, sentou e se ajeitou e aí eu disse, e a gente do
00:48:08lado, né?
00:48:09Ela disse, oxe, oxe não, que hoje quem fala é a gente, né?
00:48:13Ela disse assim, eu estava esperando encontrar uma coisa mais carnaval, ou mais pífano, mais regional.
00:48:22Ela disse, eu estou emocionado, foi surpreendida quando falaram de Pernambuco.
00:48:31Eu jamais imaginei que ia me deparar com tanta canção, com tanta diversidade.
00:48:50Eu acho que para além das mensagens que cada um passa ali, dentro da canção, tem a mensagem que o
00:48:57acontecimento passa.
00:48:59Tem espaço para todo mundo, todo mundo tem voz.
00:49:04Um pode cuidar do outro e o mundo pode ser melhor assim.
00:49:07Eu acho que esse acontecimento tem uma mensagem que contamina as pessoas.
00:49:36Há uma troca aí, né?
00:49:37A gente vai ofertar algo para alguém comer e quando come e sente, porra, que comida boa do caralho.
00:49:43Isso volta para a gente.
00:49:48Isso faz uma certa diferença, essa sinergia, né?
00:49:51Há uma expectativa, claro, quando você sai para jogar fora de sua casa, né?
00:49:56Há uma expectativa.
00:49:57Será que eu vou ser bem recebida?
00:49:59Será que eu vou ser aplaudida?
00:50:00Quem é essa galera que vem?
00:50:01É outra, é terra estrangeira, é terra alheia, a gente pisa no chão do lugar.
00:50:07A gente conquistou esse processo, né?
00:50:09A gente não simplesmente chegou em São Paulo.
00:50:11Eu acho que é entender que a Reverbo é um lugar de potência daquilo que a gente já fazia.
00:50:19Ela não é um ponto de partida, mas ela é um ponto de potência, de fato.
00:50:23Exatamente.
00:50:24Porque a partida é a Reverbo de fato.
00:50:26Eu cheguei em pessoas que eu não havia chegado antes,
00:50:29tanto do ponto de vista de quem está comigo no palco,
00:50:32quanto do ponto de vista de quem me escuta hoje.
00:50:34Impávida pelo ventre, pelos foros, pelos cabelos, o sovaco.
00:50:40Virar, virar pelas mãos, pela pulsação da pélvis, pelo movimento das asas.
00:50:50Virar pelas palavras, pelas palavras sussurradas e gritadas.
00:50:56Pelas palavras ditas, não ditadas.
00:51:00Se houver alguma meta ou algum foco,
00:51:03eu acho que é muito fazer canção
00:51:07de maneiras completamente distintas
00:51:10para mudar a vida das pessoas.
00:51:13E pelo seldo, pela beleza.
00:51:19Nem que seja uma.
00:51:21Ou um milhão.
00:51:23Não importa o número.
00:51:34Levar isso para outras regiões, para outros estados
00:51:37e entender isso como algo transformador para o outro e para a gente
00:51:43faz sentido para mim, assim, sabe?
00:51:46A minha vida faz mais sentido por causa disso.
00:51:49Sair do Pernambuco para vir para cá
00:51:51e encontrar um monte de gente interessada nisso.
00:51:56É uma reafirmação de que o povo está sempre poderoso mesmo,
00:51:58porque está desde lá, do Brasil profundo e antigo,
00:52:04passando esses anos todos,
00:52:05e agora é novidade de novo.
00:52:07É um retorno, né?
00:52:09É, como diria Nietzsche, assim,
00:52:11um eterno retorno, assim,
00:52:13da coisa que a gente reafirma no agora, né?
00:52:18Uma canção para rir de novo
00:52:23Uma canção para o vivido
00:52:28Uma canção, se fizer choro
00:52:32É para cantar comigo
00:52:38Uma coisa que eu acho muito interessante,
00:52:39até do nome, reverbo,
00:52:41é uma volta ao verbo, a gente tem uma volta à palavra, sabe?
00:52:45A importância da palavra e da canção,
00:52:47a coisa da poética, forte
00:53:00É uma volta para nós mesmos, assim, é uma...
00:53:03É, se voltar ao verbo, né?
00:53:04É, se voltar ao verbo.
00:53:06O grande lance da reverbo, eu acho que é...
00:53:09A gente fala muito, é o afeto, né?
00:53:12É o fato de que...
00:53:13O afeto é o fato de que as pessoas querem estar juntas, né?
00:53:23Produzir a reverbo, para mim, é uma missão desafiadora,
00:53:27mas que é feita com muito amor, muito carinho.
00:53:31Eu sei com o que cobrar, na hora de cobrar, eu sei ser chata,
00:53:34mas não é sobre isso.
00:53:35Não é isso que a gente quer aqui, nessa experiência.
00:53:37São meus amigos.
00:53:38É como se você viajasse com a família de férias para a Capu.
00:53:42É.
00:53:46É por isso que a gente está aqui.
00:53:47É porque a gente quer estar junto, acima de tudo.
00:53:49A vontade de reproduzir o que já aconteceu lá em casa,
00:53:52isso funciona.
00:53:54Se é aqui que a gente se emociona,
00:53:56isso aqui dá certo.
00:53:57Vamos pegar esse acontecimento que já é tão caseiro,
00:54:00que já é para a gente tão prosaico, assim,
00:54:02e vamos levar para as pessoas.
00:54:05Claro que isso pode ficar com o passar do tempo.
00:54:08Mas...
00:54:08Podem ter outros formatos.
00:54:09Pode.
00:54:09Nada é estanque.
00:54:14Nascemos imensidão
00:54:17Perdemos a conexão
00:54:22Pela doença de ouvir
00:54:25A voz da falsa razão
00:54:29Abrindo os olhos sem acordar
00:54:33Fechando o olho na intuição
00:54:37Abrimos mão de enxergar
00:54:42O desabrochar da vida
00:54:46A experiência aqui, agora, assim, em Campinas, em São Paulo,
00:54:51ela diz muito sobre isso, assim,
00:54:52de que persevere, sabe?
00:54:57Permaneça, não baixe a cabeça,
00:55:00que tudo passa.
00:55:01E a poesia, ela é um modo de viver
00:55:05A poesia, ela é um modo de existir
00:55:09A gente pode viver disso,
00:55:11a gente deve acreditar que é possível
00:55:14inventar sempre um sonho novo
00:55:17Que é assim que a vida é
00:55:20Ele está sendo, agora, um vento bom
00:55:23nas nossas vidas e para a música
00:55:25E isso pode também virar outra coisa
00:55:41Caminhar é uma coisa natural
00:55:42Assim como tocou as pessoas
00:55:44E tem tocado as pessoas aqui
00:55:47Paraná está aí, Goiás, Goiás está aí
00:55:49Minas Gerais está aí
00:55:51Paraná
00:55:51A gente não foi ainda
00:55:52A gente vai ter que chegar no Acre, hein?
00:55:54É como se eu estivesse trazendo
00:56:01realmente a minha casa
00:56:02e uma grande parte de Pernambuco
00:56:04com a gente, assim,
00:56:05para dentro de São Paulo
00:56:31É tão bonito pensar que as nossas gerações
00:56:35conheceram essa parte da história
00:56:38que os artistas precisavam ir
00:56:42ou para o Rio de Janeiro
00:56:43ou para São Paulo
00:56:44para poder existir
00:56:46para poder viver o que fazia
00:56:49E a gente foi junto
00:56:51e vai voltar junto, sabe?
00:56:52E reafirmar essa ideia
00:56:56de transitar, ser do mundo inteiro
00:56:59mas voltar para casa
00:57:01voltar para Pernambuco
00:57:19e vai voltar para Pernambuco
00:57:22e vai voltar para Pernambuco
00:57:23e vai voltar para Pernambuco
00:57:24e vai voltar para Pernambuco
00:57:25e vai voltar para Pernambuco
00:57:26e vai voltar para Pernambuco
00:57:26e vai voltar para Pernambuco
00:57:27e vai voltar para Pernambuco
00:57:27e vai voltar para Pernambuco
00:57:27e vai voltar para Pernambuco
00:57:27e vai voltar para Pernambuco
00:57:27e vai voltar para Pernambuco
00:57:27e vai voltar para Pernambuco
00:57:28e vai voltar para Pernambuco
00:57:29e vai voltar para Pernambuco
00:57:31e vai voltar para Pernambuco
00:57:32Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá.
00:57:40Minhas irmãs e meus irmãos.
00:57:42Lá, lá, lá, lá, lá.
00:57:45Lá, lá, lá, lá, lá, lá...
00:57:53Juliano Allón!
00:57:58Mary Lene!
00:57:59É verdade, é verdade, é verdade, é verdade, é verdade.
00:58:40É verdade, é verdade.
00:59:09É verdade, é verdade.
00:59:27É verdade, é verdade.
00:59:57É verdade, é verdade.
01:00:27É verdade.
01:00:28É verdade.
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