00:00O feminicídio em si já é um crime que aumenta em um terço a pena base, ele já é agravado.
00:06E aí você tem uma extensão de outros agravantes, ele ocupou bastante o rol dos agravantes do direito criminal.
00:16Ele não deu direito à defesa, motivo torpe, enfim, a promotoria e a assistência da promotoria vão trabalhar bastante.
00:24É como disse o delegado na sexta-feira, ele pode chegar a uma pena de 40 anos, pelo menos.
00:33Uma das providências que a gente vai tomar agora é a regularização da guarda da criança, que vai ficar com
00:39a tia,
00:40para que ela possa voltar no mínimo possível a vida regular.
00:49E todos esses trâmites a gente vai fazer a partir de amanhã já.
00:54Em parte é aliviado, porque nada tira o sofrimento de não ter mais a minha filha.
01:04Vai trazer um alívio, saber que ela está presa, que não vai ter perigo de ele cometer essa atrocidade com
01:12mais ninguém.
01:16Com a prisão dele, a minha mãe voltou a comer, voltou a dormir, ela se sentiu muito aliviada.
01:25Como eu já tinha dito que nada atrás da minha filha é de volta, mas só que é um alívio
01:34que ele esteja preso.
01:37Existia um histórico de violência, ela chegou a relatar alguma vez para vocês, que ele era violento, que ele teve
01:45algum posicionamento violento com ela?
01:47Então, uns 15 ou 20 dias atrás, ele agrediu ela fisicamente, dela impediu e entrou com ela de casa.
01:59Ele voltou e depois que ele voltou, foi uns 5 ou 6 dias depois, aconteceu o que aconteceu.
02:08E foi tipo para nós, ela relatava, que nós não conhecíamos o Daniel, que eu acho que ela quis dizer
02:18que para nós ele era um e dentro de casa ele era outro.
02:21E eu não sei bem dizer como era, a única coisa que eu sei que ela relatou essa criação, que
02:30foi quando eles se separaram, e depois disso que ele voltou para casa.
02:35Para vocês, para a família, ele não aparentava ter esse nível de agressividade?
02:41Não, nenhum, porque ele, inclusive, falava até baixo.
02:48Eu conversei poucas vezes com ele, eu conversei com ele, assim, pessoalmente, 3 vezes.
02:55As 3 vezes que eu conversei com ele, foi assim, ele falando muito baixo e não aparentava um cara ser
03:06agressivo, o ponto de fazer o que fez.
03:10Quando vocês receberam a notícia de que ele havia cometido crime, como é que foi para vocês esse sentimento?
03:18A gente sabe que, lógico, é desesperador, é uma coisa muito triste, muito revoltante, mas como é que foi para
03:23a família?
03:24Porque se vocês não sabiam de nada, não tinham esses indícios, como é que foi receber essa notícia?
03:30Porque no dia, na quarta-feira, que eu recebi a notícia, eu tinha que acabar de chegar do trabalho, mas
03:38acabar de sentar no sofá, assistir o jornal.
03:42Daí o vô da minha filha ligou e falou isso, falou, olha, aquele vagabundo matou o Maiara.
03:49Eu falei, olha, é mentira, não existe, como? Eu tinha conversado com a manhã na terça, daí ele falou, não,
03:57aconteceu isso, assim, assim.
03:59Eu fiquei sem acreditar e mesmo assim eu vim para Cascavel, porque eu moro em Toledo.
04:05Eu vim para Cascavel, eu cheguei aqui, daí eu constatei a veracidade dos falos.
04:12Na terça-feira você disse que conversou com ela, como é que ela estava?
04:16Tranquila, contando piada, porque, nossa, eu tinha feito o motor do carro dela, dela falando que o carro tinha ficado
04:25muito bom, que ela estava muito grata.
04:29Foi tipo assim, uma conversa descontraída entre pai e filha, foi uma coisa muito...
04:38Naquele momento, então, não relatou nenhuma desavença?
04:41Nada, nada.
04:43Então, a princípio, fora de casa, com as outras pessoas, outros familiares, ele era uma pessoa super tranquila, super calma,
04:52não apresentava ser o que era.
04:55Não apresentava de forma alguma, de forma alguma.
05:00Eu não posso dizer, nas três vezes que eu vi ele, eu nunca vi esse homem, pelo menos, erguia a
05:06voz.
05:08Só que daí, como ela disse, vocês não conhecem o Daniel, vai ver, para nós ele era um e para
05:15ela era outro.
05:17Certo.
05:18Mas ela nunca reclamou de nada em relação a ele?
05:22Não, a única vez foi essa vez que ele agrediu ela e ela falou para ele sair de casa.
05:29Daí, ele voltou há uns oito ou dez dias atrás e fez o que fez.
05:36Doutor, agora, assim, bom dia. O que o senhor, como advogado da família, espera da justiça, já que o Daniel,
05:45hoje, ele se encontra à disposição da justiça?
05:49Bom, primeiro a gente tem que saber que haviam dois mandados de prisão em aberto, né?
05:53Então, um pela quebra da tornozeleira e outro expedido pela primeira vara em razão do feminicídio.
06:00Então, a nossa expectativa é que hoje não tem condição nenhuma dele sair em liberdade, né?
06:08O primeiro fato já tira a possibilidade dele sair em liberdade hoje.
06:14O segundo, nós havíamos comentado antes, né?
06:19A questão da tomada do nome, né?
06:21O Daniel tomou o nome da família Krupininsky, ele não é da família Krupininsky.
06:26Ele, ao casar, ele adotou esse nome.
06:30Então, uma das providências que serão tomadas pela família é o processo para retirada do nome dele.
06:37E auxiliar o máximo possível, como nós fizemos durante o processo aí de busca dele.
06:43Sempre que a gente soube de alguma informação de paradeiro, nós repassamos a polícia.
06:46Mantivemos o tempo todo as informações, polícia municiada de informações, né?
06:54Onde é que ele podia estar, quais eram os lugares onde ele estaria circulando.
06:59E agora, continuar com esse trabalho.
07:02Juntada de o maior número possível de provas e de testemunhas que possam corroborar e aumentar o máximo possível.
07:10A pena, essa pessoa não pode voltar mais à cor da sociedade, normalmente.
07:14Uma criança de 5 anos acompanhou tudo.
07:17O seu neto, o Evandro, acompanhou tudo, que não é filho do Daniel, né?
07:21Acompanhou toda essa situação.
07:22E agora, como é que fica o seu neto?
07:24Já tem uma definição, quem vai ficar com ele?
07:28Como é que está o psicológico dessa criança?
07:31Olha, pelo que dá pra ver, parece que ele não caiu a ficha dele ainda.
07:38Ele pergunta da mãe se amanhã vai demorar a chegar.
07:43Eu acho que é a hora que ele cair na rotina dele de volta e ir à escola e voltar
07:48e ir pra igreja de novo.
07:49Daí que ele vai começar a sentir a falta da mãe.
07:53Vocês não conversaram nada em relação a ele, em relação a mães com ele ainda?
07:58Não, não.
07:59Tipo assim, foi dito, foi dito pra ele.
08:03No velório, ele chegava, olhava pra mãe dele no caixão e perguntava.
08:09Ninguém vai trocar o pai da minha mãe.
08:14Ou seja, ele ainda não entendeu o que aconteceu.
08:18Não.
08:18E o mais triste de tudo foi que ele falou pra vizinha que acudiu ele no dia que o Teneu
08:30falou pra ele, pra ele não contar pra ninguém o que ele tinha feito.
08:38Ele viu e ouviu tudo o que aconteceu.
08:46Você entende?
08:47Ele chegou a comentar alguma coisa sobre o que aconteceu?
08:50Não, porque nós não tivemos coragem de perguntar.
08:55E ele também não fala nada?
08:56Não.
08:57Ele só fala que cadê a mãe, perto da mãe, por que que a mãe não veio?
09:04Ele pergunta porque a minha filha, Carol, que tá com ele, que ele tem as primas dele.
09:10Daí o conselho achou por melhor deixar com ela.
09:16Daí ele só pergunta e diz, por que eu tô aqui?
09:19Cadê minha mãe?
09:21Ele ainda não caiu a ficha, mas a hora que ele voltar pra escola, é acostumado com a mãe e
09:29levar ele pra igreja, levar ele pra escola todo dia e não vai ter mais a mãe.
09:34Daí nós estamos pensando que é aí que vai cair a ficha dele.
09:40E como que a família tá lidando com essa situação?
09:44Sendo difícil?
09:45Muito difícil.
09:50Muito difícil, ainda mais pra mim, porque eu nem aqui em Cascavel moro.
09:56Eu moro em Toledo, qualquer coisa eu tenho que me deslocar de lá aqui.
10:01Não é tão simples.
10:03Pra mim tá sendo mais complicado ainda.
10:07E você tem outros filhos?
10:09Tem.
10:09Eu tenho uma menina, a Carol, que ela vai completar 32 anos, tinha a Maiara, daí tem um outro menino
10:18e uma menininha mais nova.
10:20Eu tenho quatro filhos, o total.
10:22Tchau.
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