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Transcrição
00:00Matheus Santos, que tá aqui comigo. Boa tarde.
00:02Boa tarde.
00:02Obrigada por você ter vindo, Matheus.
00:05O que é luxo pra você?
00:07Luxo pra mim é estar de bem com a vida, né?
00:11Estar bem comigo mesmo, né?
00:14Ter os nossos familiares, ter aquelas pessoas que estão à nossa volta.
00:18Pra mim isso é luxo.
00:19Que bom, que bom.
00:20Enfim, eu comecei falando do Natalino, que é uma pessoa que tá assim, ó, vivendo assim, ó.
00:26E o grande problema dele qual é? O crack.
00:28Ele começou no crack e tá com essa vida triste, né? Infelizmente.
00:33Meu Deus do céu.
00:34E você é uma pessoa que já viveu esse outro lado, né?
00:39E hoje ajuda na recuperação de pessoas.
00:42Isso.
00:43Me conta, Matheus, o que aconteceu que você se envolveu com drogas?
00:49E qual foi o primeiro contato com que droga?
00:51O primeiro contato meu com a droga foi aos 9 anos de idade, com a maconha, né?
00:57A maconha foi a... Já tinha experimentado álcool, né?
01:02Mas a maconha foi a portadora pra mim se envolver com as demais drogas, né?
01:07E alguém te ofereceu?
01:09Sim.
01:09Quem?
01:09No meu vínculo de amizade, né? Onde eu convivi ali, diariamente no colégio, fora do colégio, fugindo das aulas, né?
01:17Foi nesse meio ali que eu fui conhecendo, né?
01:19E que idade tinha quem te ofereceu a maconha? Mais velho que você?
01:23De 15 a 16 anos também, nessa faixa etária, né?
01:26E aí você foi movido à curiosidade, ao que que você resolveu?
01:32Curiosidade.
01:33Curiosidade.
01:33Curiosidade de saber como era, se era tudo aquilo que falavam, né?
01:38E também é pra querer se aparecer em meio aos coleguinhas, né?
01:42Querendo ter uma vida descolada, né?
01:44Você, quando tem uma idade, como você disse, 9 anos, você entra pra esse grupo que consome droga.
01:52Você, de alguma forma, se fortalece? Eles te veem de uma outra forma?
01:57Eles veem.
01:58Não é o cara, ó. O Matheus é o cara.
01:59É, eles veem. Isso mesmo.
02:01Eles veem como, ah, não, você é corajoso, né?
02:04É isso aí.
02:05Hoje em dia tá na moda.
02:06Hoje em dia pode, né?
02:09Dá um encorajamento também a hora que você faz o uso, né?
02:12Necessariamente eles não precisam estar falando, porque te dá uma sensação de poder, uma sensação de autossuficiência, né?
02:19E da onde vinha o dinheiro?
02:21Geralmente, as primeiras vezes que eu usei, não precisava do dinheiro, né?
02:25É aquilo que...
02:26Era de grátis.
02:27Era de grátis, de grátis, né?
02:29E aí, quando eu fui conhecendo as outras drogas que eram mais caras, né?
02:34Como a cocaína, o LSD, o MD, enfim, outras drogas sintéticas, aí eu comecei a roubar, furtar dentro de casa.
02:42O que você roubava? Você lembra que a primeira coisa que você roubou dentro de casa?
02:44A primeira coisa foi dinheiro.
02:46Dinheiro da minha falecida avó, né? Foi dinheiro que eu peguei pra poder fazer o uso.
02:51E depois?
02:51Depois foram utensílios domésticos, como é...
02:58Vap, prato, panela...
03:00Prato?
03:01Prato.
03:01Você vendia um prato por quanto?
03:03Cinco a dez reais, nem isso.
03:05Mas vendia pra quem, Matheus?
03:07Vendia pras pessoas que conviviam lá no meio que eu estava, né?
03:11Pra usuários também?
03:11Isso, pra usuários também.
03:13Pega um prato aqui, me dá cincão, que eu vou...
03:15Ou nem necessariamente não precisava dar o dinheiro, né? Já dava droga.
03:19Ah, trocava o prato pela droga.
03:22Isso, aham.
03:22Aí comecei a roubar, a furtar outras casas, né?
03:25E assim vai acumulando um monte de crimes, né?
03:30Quando você roubava outras casas, furtava, enfim, você estava drogado?
03:36Ou cara limpa?
03:37Às vezes não.
03:38Às vezes cara limpa, mas na estiga, né?
03:40Pensando, poxa, se eu conseguir tal coisa, eu vou conseguir tudo isso em droga.
03:44Já no pensamento lá na frente, né?
03:46Então isso potencializava e dava coragem, né?
03:48Você sabe, eu pergunto isso porque já ouvi de pessoas assim, que tiveram a casa assaltada, enfim, né?
03:55Não, a gente sempre tem que ter muito cuidado porque eles sempre estão drogados.
04:00Então veja você, nem sempre estão com a droga.
04:04Outra coisa, armados ou não?
04:06Não.
04:06Não.
04:07Não.
04:07Sem arma.
04:08É, a ideia era pegar sem estar ninguém em casa, né?
04:11Até porque não tinha a coragem em si, se estava de cara limpa, de fazer o mal, né?
04:16De querer atacar alguém.
04:17Mas eu creio que na estiga que eu estava, se tivesse alguém, eu faria.
04:22Faria.
04:22Você poderia machucar alguém?
04:23Poderia machucar.
04:24E como que você sabia que aquela casa não tinha ninguém pra você assaltar?
04:29Observava, né?
04:30Ficava o dia inteiro sem fazer nada, ocioso, né?
04:33Não tinha uma responsabilidade, né?
04:35Ficava desassistido, então tinha toda a oportunidade de prestar atenção, ver onde podia ir, onde não podia.
04:42Porque até dentro da vida do crime, né?
04:45Tem lugares que nem o próprio crime autoriza que roubem, né?
04:48Tem regras.
04:49Tem regras a serem cumpridas, né?
04:51Conta um pouco dessas regras pra gente.
04:53Geralmente é em lugares em que há o grande, a grande concentração do tráfico de drogas, né?
04:59Os próprios traficantes não autorizam que roubem, até porque pra não chamar a atenção da polícia, né?
05:04Então se roubar ia ser ripado, né?
05:07Que eles falam, né?
05:08Então teria uma penalização, né?
05:10O que que é ripado?
05:11É, eles levar pra um tribunal ali, onde eles mesmo, né?
05:15Dão as coordenadas do que fazer, né?
05:18Então bater, ser espancado, né?
05:20E até morte.
05:21Até morte.
05:22Até matar.
05:23Até matar.
05:24É, ninguém, ninguém, os chefões, né?
05:28Quem manda, né?
05:29Nunca é pego, né?
05:30Não, nunca é pego.
05:31Geralmente é o usuário ou o peixe pequeno, né?
05:34Que vende pro usuário, né?
05:35É, o pequeno é que vai.
05:37Até porque o próprio grande nem ele faz o uso, né?
05:40Porque ele sabe o mal que faz.
05:41Me conta um pouco desse grande.
05:43Como que é?
05:44Ô Isadora, só fecha o seu áudio, por gentileza.
05:48É, o grande.
05:49Como é que é a vida dele?
05:51Vocês acabam conhecendo como é que é.
05:53O que comanda?
05:54É, vida luxuosa, poder, né?
05:57Dinheiro, aquisição naquele meio em que vivem aquelas pessoas que estão ali comprando,
06:03vendendo pra eles, né?
06:06Respeito, querendo ou não, tem.
06:07Eles têm o respeito, né?
06:09Então eu creio que mais seria a ganância de ter o poder, né?
06:13De ter aquilo, o controle nas mãos, né?
06:16E essas pessoas que comandam, tem que idade, mais ou menos?
06:20Varia, varia muito.
06:21No meu tempo, né, fazem nove anos que eu estou limpo aí.
06:24Era de 20 a 30 anos de idade, né?
06:26Jovens.
06:27Jovens.
06:27Homens, mulheres?
06:29Homens, mulheres.
06:31A primeira droga, você falou que foi a maconha.
06:34Depois veio todas as outras sintéticas.
06:37O crack também?
06:38O crack também.
06:39O crack foi o que me levou a ficar na situação do natalino, né?
06:43Natalício.
06:44Natalino.
06:45Do natalício, que infelizmente, né, encontra nessa situação.
06:48Eu, muito jovem, né, já com 16 para 17 anos, já se encontrava, às vezes, em situação
06:54de rua, até porque a minha família, ela buscava ainda me ajudar, né?
06:58Mas chegou um ponto que eu mesmo fugia, eu mesmo já ficava para a rua, não cuidava
07:02de mim, não tomava banho, queria só saber de beber, usar droga e, para mim, aquilo dali
07:08era o suficiente, né?
07:09Então eu, muito novo, já fiquei em situação de rua, né?
07:12Não, não posso dizer assim que eu fiquei a um longo prazo, porque a minha família achou
07:17a instituição que eu vivo, né?
07:18Até o dia de hoje trabalho, hoje em dia, lá, né?
07:21Mas antes de achar essa instituição, eu já estava nessa situação, né?
07:26Você tem pai, mãe?
07:27Tenho pai, tenho mãe.
07:28Mas você falou da avó.
07:29Porque você morava com a avó?
07:31Eu morei, eu fiquei numa situação que eu morei um pouco com a minha avó, aí eu comecei
07:35a incomodar minha avó, me mandaram para a minha tia, aí para o meu tio, aí voltava
07:39para a mãe, aí ia para a casa, não conheci, e assim foi indo até eu ir para a instituição,
07:44né?
07:44Você tem irmãos?
07:45Tenho um irmão.
07:47Mais velho?
07:47Mais novo.
07:48E como era a sua relação com os seus pais, com o seu irmão?
07:52Com o meu irmão, não teve porquê, ele tem 12 anos, né?
07:56Então, fazem nove que eu estou sóbrio.
07:59Então, ele não chegou a ver, né?
08:02Porque ele era muito pequeno, né?
08:04E os seus pais, o que eles falavam?
08:06A minha mãe foi uma relação muito conturbada, né?
08:10Porque eles queriam me ajudar, mas eles não sabiam como, né?
08:13Então, a dependência química, ela é uma doença.
08:18Então, a gente tem que saber como abordar, saber falar, né?
08:23A família precisa se tratar também para querer ajudar a tratar o dependente, né?
08:28Então, nessa questão de querer me ajudar, às vezes, acaba atrapalhando, né?
08:33Eu não falo só por mim, eu falo por todos os outros dependentes, né?
08:37Às vezes, a família tem a vontade de ajudar, mas acaba atrapalhando, né?
08:41Então, tinha muita briga, muita discussão, né?
08:45Muitas coisas que, por consequências minhas, né?
08:48Por escolhas minhas, faziam com que a gente discutisse,
08:51até que eu saí da casa da minha mãe.
08:54Você tinha consciência do mal que você estava fazendo na sua vida?
08:58Não, não.
08:59Não, não tinha.
09:00É uma fissura tão grande, é um prazer tão grande consumir a droga,
09:03que você só vê o lado bom.
09:04Só o lado bom, mas assim...
09:08Sim, o lado bom.
09:09Não é o lado bom, a gente colocou a palavra errada.
09:12Eu coloquei a palavra errada.
09:14Só o lado da...
09:15Da euforia.
09:16Da euforia, isso.
09:17Da euforia, daquele momento.
09:19É, pra mim não existia amor de mãe, amor de pai, amor de vó.
09:23Eu não sabia valorizar esse amor que eles proporcionavam pra mim, né?
09:28Então, eu queria saber da droga.
09:30Eu quero saber da droga.
09:31O resto...
09:33Quando você sente o efeito, que daí, daqui a pouco...
09:36Dura quanto?
09:38Geralmente, o crack é 15 a 20 segundos o efeito de euforia, né?
09:44Da sensação boa.
09:4515 a 20 segundos?
09:47Aí, depois, vem o delírio, vem a parte ruim, né?
09:55Mas a gente usa só pelo aquele prazer momentâneo rápido, né?
09:58Aqueles 20 segundos.
09:59Isso.
09:59Aquele 15 segundos.
10:00Que dá aquela euforia e aí já passa.
10:03Aí já vem pessoas que parecem que estão olhando pela parede,
10:07bicho, animal, cada um potencializa algum delírio na sua cabeça, né?
10:12E, Matheus, quando você se via nessa situação, porque tem muitos que até acabam cometendo suicídio, né?
10:21Ficam muito agressivos, outros...
10:23Não, outros ficam quietos.
10:25Qual que era a reação do seu corpo com a droga?
10:29Eu, em si, eu ficava muito espiado, né?
10:32Que a gente fala, assustado.
10:34Procurava me esconder.
10:35Vendo monstros em tudo que é lugar.
10:37Quanto mais eu me escondesse, melhor pra mim.
10:40Não queria contato com ninguém, não falava com ninguém.
10:42Se eu pudesse ficar num quarto trancado, sozinho, só com a droga, pra mim, tava ótimo, né?
10:47E ainda tinha que desligar as luzes.
10:51Desligar as luzes.
10:52Agora, você...
10:54Hoje, como você disse, né?
10:56Restaura Jovem.
10:57O que é o Restaura Jovem?
10:59O Restaura Jovem é um movimento que tem dentro da Igreja Católica,
11:04que todo ano ele tem um retiro por ano, né?
11:07Um retiro por ano que busca resgatar esses jovens, né?
11:10Que precisam conhecer o amor de Jesus, né?
11:12Conhecer aquele que se doou por nós, né?
11:16É o movimento do qual eu participo, da Renovação Carismática Católica, o Ministério Jovem, né?
11:21O que que tu faz lá?
11:22Eu sou servo do Grupo de Oração do Presença Real, né?
11:25Que é um grupo de oração da Rainha dos Apóstolos,
11:28onde eu criei uma rede de apoio também.
11:30Porque, por mais que eu esteja todo esse tempo limpo,
11:33eu preciso dessa rede de apoio pra contar com o outro amigo,
11:36falar, olha, eu estou com vontade de usar hoje.
11:39Eu estou, não tô legal, eu preciso conversar com alguém.
11:42Então, ali, eu criei uma rede de apoio.
11:43É mais ou menos como o Alcoólicos.
11:46Hoje, não?
11:47Não, não necessariamente.
11:48Você tá mais forte que isso?
11:50Não que isso não ajude.
11:52Ajuda muito, né?
11:52Muitas pessoas frequentam ao longo prazo, mas eu não me identifiquei, né?
11:56Você não teve mais vontade?
11:58Tenho, tenho muita vontade.
12:00Tem momentos que sim?
12:00Tem, tem momentos que sim, que a vontade vem.
12:02Dependendo do ambiente em que eu estou,
12:04dependendo de onde eu passei,
12:06ou alguma situação que me lembra a época da ativa,
12:08a vontade vem.
12:09E daí, o que que tu faz?
12:11Quando eu estou bem na minha espiritualidade,
12:13o primeiro pensamento é Jesus, né?
12:16Mas quando eu não estou bem,
12:17ou que eu preciso conversar com alguém,
12:20eu ligo pra minha rede de apoio.
12:22Então, os meus amigos do grupo de oração,
12:23as pessoas que eu convivo na comunidade,
12:26a minha noiva, a minha mãe,
12:28enfim, as pessoas que já conhecem, né?
12:30E sabem da minha doença, né?
12:32Você está com que idade hoje?
12:33Estou com 26.
12:34Você falou bem, doença.
12:37Que não é assim, muitas vezes, que as pessoas veem, né?
12:40Exatamente.
12:41Às vezes vem com falta de vergonha na cara,
12:44é vagabundo.
12:45E não é, é uma doença,
12:47é uma doença progressiva, incurável e fatal, né?
12:50Você tem de estar sempre vigilante.
12:52Sempre vigilante.
12:53É igual quem para de beber,
12:55quem para de fumar.
12:56Eu já fumei, eu já fui fumante.
12:59Então, é assim,
13:00é sempre estar vigilante.
13:03Às vezes, lá em casa,
13:04eu estou lá no fundo do quintal,
13:06mexendo com planta,
13:07passa alguém na rua fumando.
13:09Eu sinto, é uma delícia,
13:11aquele cheiro de cigarro.
13:12Que louco que é isso, né?
13:13É verdade, eu também fui fumante.
13:14Mas aí, você diz, opa, não.
13:16Você tem vontade?
13:17Tem, tem vontade.
13:18Então, eu imagino que você também,
13:21mas aí, nessa hora, você se distrai.
13:23Sim, vai ocupar a cabeça.
13:26Vai, vai...
13:27A gente, na nossa instituição,
13:29a gente tem algumas ferramentas, né?
13:31Inúmeras ferramentas que a gente apresenta para o acolhido,
13:34para que ele pratique durante o tempo que ele estiver na instituição, né?
13:38Para que, quando ele saia,
13:39venha essa vontade e ele coloque essas ferramentas em prática.
13:42Você está quanto tempo lá?
13:43Estou há nove anos.
13:44Nove anos.
13:45Nove anos.
13:45Firme.
13:46Firme e forte.
13:46E tirando quantas pessoas da rua, hein?
13:49É bastante.
13:49Tirando quantas pessoas.
13:50Vocês são em quantos hoje lá?
13:52Nós temos, atualmente, 35 acolhidos, né?
13:57Temos uma equipe técnica,
13:58uma equipe multidisciplinar que acompanha eles, né?
14:02Eu estou lá diariamente, eu moro lá, né?
14:05Então, a gente tem os outros voluntários também que moram lá
14:08e que trabalham conosco, né?
14:10Agora, você disse que você...
14:12Deixa eu ver, tem alguma pergunta aqui para ele?
14:15Ou, Isa, você está vendo aí?
14:17Você depois me fala aqui, que daí eu leio, tá?
14:19É o seguinte, você conhece bem esse submundo, né?
14:23O submundo das drogas.
14:25Então, ali tem o crack, o LSD, a cocaína, a maconha, tem tudo, né?
14:31Conhece quem comanda isso tudo.
14:34E conhece o lado de cá, a sociedade, os pais, né?
14:37Mães, pais, enfim, as famílias desesperadas por vir um filho,
14:42uma filha envolvida com droga e tal.
14:44Como é que você acha, você que já esteve lá,
14:48como é que a gente resolve isso?
14:51Acabar com isso não acaba nunca, me parece.
14:53Não, não vai acabar, né?
14:56Infelizmente, no momento atual que a gente vive, né?
14:59A intenção é só piorar, porque agora tem mais drogas, né?
15:03Eu mesmo tenho visto muitos casos daquela Canove, né?
15:07Nunca tive contato com aquilo, né?
15:09O que é Canove?
15:10Canove é uma droga em que ela se potencializou
15:14todas essas outras, né?
15:15Cocaína, crack...
15:16Tá tudo nessa Canove?
15:18Ela potencializou tudo isso.
15:18Tem nove no caso? Seria nove drogas por aí?
15:20Não vou saber te dizer isso, né?
15:23Que loucura é isso?
15:23Mas é uma droga que vem alastrando aí com muitos dos nossos jovens, né?
15:30Mas você pode reformular a pergunta que eu acabei me perdendo.
15:34Assim, a gente sabe que acabar não acaba.
15:36Isso.
15:36Mas como é que a gente faz pra, pelo menos assim,
15:38você que tá aqui, tem muito pai com certeza, mãe que tá nos vendo,
15:42como é que a gente faz pra não entrar nesse mundo, né?
15:45Pra não deixar um filho, uma filha entrar nisso?
15:47Olha, eu creio que, assim, não deixar é muito difícil, né?
15:52Porque a escolha vai de cada um, né?
15:54Cada um tem a sua escolha.
15:55Então a gente tem casos que a família era a melhor estruturada
15:59e mesmo assim o filho entrou nesse mundo, né?
16:02Aham.
16:03Eu acho que é mostrar a realidade, né?
16:05Tanto procurar explicar como funciona, quais são as consequências, né?
16:11Aonde vai levar isso, né?
16:14E sempre procurar tá conversando, sempre procurar tá orientando, né?
16:18Brigar não vai resolver, né?
16:21Se exaltar não resolve.
16:23É fazer como nós estamos fazendo aqui, né?
16:26Sentar, olha...
16:26Conversar.
16:27É isso que acontece se você fazer o uso.
16:30Lá na frente você vai ter consequências, né?
16:32Lá na frente você vai desenvolver uma doença
16:35que você vai ter que curar pro resto da sua vida, né?
16:38Que você vai ter que tá ali todo dia tratando.
16:40Todo dia ali vigiando, né?
16:43Como a gente falou, né?
16:45Porque hoje em dia, em muitos lugares já está sendo normalizado, né?
16:51Nós vimos esses dias, estavam votando pra que a cocaína fosse...
16:55Não fosse mais crime, portar ela, né?
16:57Isso é inadmissível, né?
16:59Isso não tem nem explicação.
17:00Quando você discute isso, de se liberar a droga,
17:03de uma forma geral, maconha principalmente,
17:06você é favorável ou não?
17:07Contra, contra.
17:08Totalmente contra.
17:09Claro que tem os seus...
17:12A gente tem que saber também ponderar, né?
17:14A maconha em si, o THC dela,
17:17pra algumas pessoas, né?
17:19Que tem certo tipo de doença, vai ajudar.
17:22Mas aí, eu creio, com seus rigores, né?
17:25É, nós temos aí o canabidiol, por exemplo,
17:28que é um elemento extraído da maconha,
17:30mas aí é diferente.
17:31E muita gente usando pra dor.
17:33Muita gente usando pra, vai, Alzheimer, Parkinson.
17:39Eu conheço pessoas que estão tomando, fazendo uso e estão bem.
17:45Também tem uma variante ali pra animais, cuidando, né?
17:49Dando pra cachorrinho que estão com problemas,
17:51porque os animais também ficam doentes.
17:52Então, tem o uso, mas aí tem uma prescrição médica e tudo e tudo mais, né?
17:57Então, pra isso, ok, ok.
17:59Agora, se fala do uso recreativo da maconha.
18:03Pra se fumar, né?
18:05O cigarro da maconha.
18:06Isso.
18:06Inadmissível, porque eu sou a prova viva
18:09de que até hoje eu tenho que tratar as minhas ansiedades,
18:12tratar os meus traumas,
18:14porque um dia eu fumei um cigarro de maconha, né?
18:17Pessoas que fumam a longo prazo vão desenvolver esquizofrenia,
18:21vão desenvolver certos tipos de doenças crônicas
18:24que vão ser difíceis de tratar.
18:27Como que eu vou falar pra uma pessoa que tá legal,
18:30que tá 10, que pode fumar, que tá tudo bem, né?
18:32Não, né?
18:32Você toma remédio?
18:34Hoje em dia eu não tomo mais, mas precisei tomar muito.
18:36Você tomava pra quê?
18:37Tomava pra abstinência, ansiedade, pra dormir, né?
18:41Muitas vezes eu não conseguia dormir pensando na fissura da droga,
18:46pensando no seu resultado, se eu fizesse o uso, né?
18:50Muito lá atrás, no meu primeiro ano de sobriedade, né?
18:54Então, eu precisei do auxílio de psicotrópicos, né?
18:56E aquele povo todo que convivia com você?
18:59Você ia pra rua que horas, por exemplo?
19:01Quando eu voltava pra rua, né?
19:03Porque era difícil eu sair da rua, né?
19:05A hora que eu acordava.
19:07Então, se eu fosse dormir 10 horas da noite e acordar 5 horas da manhã,
19:125 horas da manhã eu tava saindo de casa e ia buscar alguma coisa pra...
19:15Já tendo?
19:16A droga não para?
19:17Não para, 24 horas.
19:18E você sabe todos os pontos aonde ela está.
19:21Todos os pontos.
19:21E quando não tinha, procurava outra coisa.
19:24Então, eu cheguei a um ponto que eu tomei álcool de posto, né?
19:27Pra que o meu cérebro, ele se satisfazesse com alguma coisa, né?
19:32Então, é...
19:33Você foi no posto, comprou álcool.
19:34Comprei álcool, misturei com suco, água e tomei pra que eu tivesse alguma brisa ali, né?
19:39Que eu pudesse alimentar aquela agonia de não ter a minha droga de preferência,
19:44que era o crack ou a cocaína, né?
19:46E você passava, com certeza, horas e horas sem comer também, né?
19:50Hora...
19:50Dias.
19:51Dias.
19:51Dias?
19:52Dias.
19:52Dias sem comer.
19:53Só fazendo uso e bebendo.
19:55E o que que bebia?
19:57Bebia, geralmente, bebida destilada, né?
19:59A mais barata possível, pra que sobrasse pra droga, né?
20:01No caso, a cachaça, né?
20:02É, a cachaça.
20:03A cachaça é a mais barata, né?
20:04E é uma droga, né?
20:06Uma droga pesada, normalizada, né?
20:08Normalizada.
20:09É, a gente não consegue entender, né?
20:11Com o cigarro, tudo bem.
20:12A gente teve uma campanha muito grande, que continua, né?
20:15Bastante forte, de conscientização.
20:16Agora, o álcool é uma droga lícita, né?
20:20Se faz propaganda, adoidado.
20:22É, o lobby da bebida alcoólica é fortíssimo, né?
20:28Lá em Brasília, pra que não se faça nada contra a bebida alcoólica.
20:33E tá tudo liberado, mas a gente sabe que é uma das piores, porque é um grande desagregador
20:37das famílias, né?
20:39Exatamente.
20:39Começa ali com aquela caipirinha, com aquela cachaçinha, e ali vai, e aí vai o resto mais.
20:45É, é a abertura, né?
20:47Abertura.
20:47Abertura.
20:48Na sua casa, assim, na sua família, outra pessoa que tenha vivido isso que você viveu?
20:54Não.
20:55Que eu lembre, assim, é somente eu que cheguei a esse ponto, né?
20:59Com certeza, seus pais são muito felizes hoje, né?
21:02São, são muito felizes.
21:02Será que elas estão te vendo agora?
21:04Olha, eu falei pra minha mãe que eu viria pra cá, mas eu acredito que não, que ela
21:07tá cuidando de um outro tio meu que tá enfermo, então...
21:09É, como é o nome dela?
21:10Maria.
21:11Maria, com certeza.
21:12Que orgulho de ver isso agora, que você...
21:14Você se salvou, e você tá ajudando a salvar vidas, né?
21:18Uhum.
21:19E esse mundo é mais masculino?
21:22Ou você percebe que as mulheres são mais também?
21:24Agora, agora, tem uma grande busca, né?
21:27De mulheres pra se tratar, buscando instituições que acolham mulheres, né?
21:34Então, eu creio que agora já tá bem...
21:38Bem...
21:39Como que eu posso dizer?
21:40Não só mais os homens, né?
21:42Mas as mulheres também.
21:43Tá meio que a balança tá quase...
21:45Equilibrada.
21:46Pra gente não entrar nesse meio, nesse mundo, nessa tragédia, um bom diálogo, uma
21:52boa conversa...
21:53E amizades, né?
21:54Amizades boas, né?
21:56Amizades que querem ver o seu bem, né?
21:58Que vão falar quando você estiver errado também, né?
22:01Não vão simplesmente passar...
22:03Passar mal, né?
22:03Isso.
22:04Agora, pra gente encerrar, Matheus, do que vive essa entidade que você trabalha?
22:10A nossa comunidade, ela é uma comunidade sem fins lucrativos, né?
22:14Então, todo o orçamento que entra pra nossa comunidade é pra manter ela aberta, né?
22:20Nós temos o convênio com o município de Cascavel, que é o Cartão Vida Nova, onde eles encaminham, né?
22:29O dependente pra nossa instituição pra ser acolhido, né?
22:34E aquelas famílias que buscam, né?
22:36E ajudam como pode, né?
22:38Tá.
22:38Então, a pessoa pode ir lá doar dinheiro ou doar alimento...
22:42Alimento, produto de higiene pessoal, produto de limpeza, né?
22:45Que é o que a mais a gente precisa, que é usado diariamente, né?
22:49Muitos irmãos, eles chegam sem um sabonete, sem um shampoo, sem um fresta ou barba, né?
22:55Então, a gente disponibiliza pra eles, né?
22:57Pra que eles possam, primeiramente...
22:59O primeiro passo é eles cuidarem deles mesmo, né?
23:01Tomar um bom banho, né?
23:03Ter uma cama boa pra dormir, né?
23:05Um colchão bom.
23:06O nome da entidade?
23:08É...
23:08Comunidade Terapêutica Renascer.
23:11Comunidade Terapêutica Renascer.
23:13Vale a pena.
23:14A pessoa pode visitar?
23:15Pode, pode sim.
23:16Pode visitar, já faz uma doação, já...
23:18Tomara que você não precise, né, Matheus?
23:20Exatamente.
23:21Tomara que não precise.
23:22Olha, Matheus, adorei conversar com você.
23:24Você é ótimo.
23:26Aprendemos muito hoje com você.
23:27Você nos deu uma grande lição.
23:29E boa sorte sempre.
23:31Muito obrigado.
23:32Cuida aí, vigia.
23:33Com certeza.
23:34Vigia.
23:34Orai e vigiai.
23:36Orai e vigiai.
23:38Orai e vigiai.
23:39Acompanha comigo aqui, ó.
23:40Vamos ver a outra parte da enquete sobre luxo que você falou.
23:45O que é que você falou sobre luxo?
23:46Pra mim, o luxo é ter família, bons amigos, né?
23:49Estar de bem comigo mesmo.
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