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O programa EM Minas, da TV Alterosa, em parceria com o Estado de Minas e o Portal Uai, entrevista neste sábado (21) o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), que também é presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig).
À frente da entidade, que reúne quase 60 cidades mineradoras, ele afirma que Itabira pode servir de exemplo sobre o que fazer e o que evitar na mineração, principalmente no que diz respeito à necessidade de diversificação econômica desses municípios.
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Categoria
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NotíciasTranscrição
00:00Música
00:14Seguimos aqui, muito obrigado pelo seu carinho, pela companhia, com o prefeito de Itabiri,
00:20presidente da Associação dos Municípios Mineradores do Brasil, Marco Antônio Laje,
00:25terminado o programa da Alterosa, agora no Youtube, Marco.
00:29A MIG, você é presidente de um dos maiores, se não for o maior, município minerador do Brasil.
00:36Estamos falando de Minas Gerais.
00:38Minas e o Pará deve ter mais de 80% do minério, da exploração do Brasil.
00:42Minas e o Pará.
00:43Exatamente.
00:44E como é que fica essa agenda do presidente da MIG?
00:48Porque você tem que brigar pela sua Itabira e aí você deixa a Nova Lima para lá, deixa o Pará
00:54para lá.
00:55Como é que você faz isso?
00:55Não, a gente tem, essa é a conexão interessante, né?
00:59E os prefeitos das cidades mineradoras, inclusive, entenderam isso para fazerem esse convite,
01:06essa escolha para que eu presidisse a MIG agora, junto com Nova Lima, junto com municípios do Pará,
01:16como Paraupebas, como Canaã dos Carajás, Itabirito, todas as cidades mineradoras aqui envolvidas,
01:27Conceição do Mato Dentro, São Gonçalo do Rio Abaixo, todos os municípios do quadrilátero ferrito.
01:32Não é só ferro, né?
01:33São 12 estados hoje que estão dentro da MIG, representados por seus municípios, desde Calcário, não é só ferro, né?
01:42Produção de ouro, Paracatu, então são todos municípios do Brasil, diferente dos estados, até da Bahia, inclusive, com urânio.
01:50Então nós temos uma representatividade, essa visão da mineração no país muito importante agora.
01:57E eu trago Itabira, a experiência de Itabira, ela é importante, inclusive, para alertar os municípios,
02:03alertar as comunidades, as lideranças políticas sobre aquilo que não deve ser feito,
02:07ou aquilo que precisa de ser feito durante o período da mineração, né?
02:14É preciso de construir uma...
02:16Mas foi feito errado, porque a empresa fez errado, ou você pensa que teve gestão pública equivocada que contribuiu?
02:26Um modelo equivocado, né?
02:28Eu uso muito uma frase do ex-primeir britânico, o índice Churchill, que fala o seguinte,
02:36faça o mais difícil no momento mais fácil.
02:40O que é difícil para qualquer cidade?
02:43É desenvolvimento econômico.
02:46Todas as cidades, todos os prefeitos, todas as comunidades buscam desenvolvimento econômico
02:51para promover desenvolvimento social, promover qualidade de vida.
02:54E quando tem dinheiro, quando a mineração está pungente, está produzindo muito,
03:01tem as atenções, se voltam para aquele território, é o momento de pensar o seguinte,
03:06olha, como o minério acaba e o minério não dá duas safras, né?
03:11O que acontece?
03:13Tem que aproveitar esse período da exploração mineral para desenvolver outras vertentes econômicas.
03:19E isso que não foi feito, isso que não é feito.
03:21Isso que é mais complicado.
03:22Isso que não é feito.
03:23Então, e aí você tem um boom da mineração, tem as riquezas e elas são usufruídas muitas
03:30vezes pelos players da mineração ali, os fornecedores, então, enriquece parte da cidade.
03:38Mas, a cidade, você tem problemas graves e que ficam depois.
03:43Então, é um planejamento de sustentabilidade.
03:47A gente tem que falar de cidade sustentável ao longo do tempo.
03:51Então, a mineração, ela é importante?
03:53A MIG é a favor da mineração.
03:55Então, muitas vezes, há essa confusão.
03:57Minas têm que ser a favor da mineração.
03:59Absolutamente.
04:00É o setor econômico fundamental e a MIG e a associação, elas defendem a indústria minerária brasileira.
04:07Mas o minério foi demonizado durante décadas.
04:10Minas Gerais é o nome, o Estado tem o nome do minério.
04:15Ah, mas o minério...
04:16Mas é exatamente que esse modelo precisa de envolver a sociedade, mudar o modelo, de
04:20maneira que a comunidade, a sociedade enxergue o legado da mineração sobre vários aspectos.
04:27Ou seja, nossas riquezas vão sair desse território, mas esse recurso, parte dessa riqueza vai ficar
04:32em forma de desenvolvimento econômico, de reparações ambientais, de investimento nas pessoas, preparar
04:40os jovens, preparar...
04:42Você não pode ter uma cidade mineral, minerária, uma cidade de mineradora, onde se produz riqueza,
04:48mas com educação a baixo nível do IDEB, com saúde pública em frangalhos, como eu encontrei
04:56em Itabira em 2021, quando eu assumi prefeito.
04:58Educação ruim, saúde pública ruim, estrutura urbana ruim, mobilidade urbana inexistente,
05:05tudo errado.
05:07E a cidade, muitas cidades...
05:09Por que?
05:09Aí, é a sua pergunta.
05:11É problema da gestão pública, muitas vezes.
05:15Ou da maior empregadora.
05:16E a empregadora e a mineradora que não se preocupam com isso, ela paga os seus impostos,
05:21gera os seus empregos e lava as mãos.
05:24E cuida de...
05:26Como ela é autorregulamenta, se autofiscaliza, é um problema que a MIG batalha com o governo
05:32federal hoje, porque aí, quando acaba o minério, a mineradora simplesmente vai embora, vai
05:38para outro território, e fica para trás todo o ônus da mineração e todo o empobrecimento
05:45e esvaziamento.
05:46E esse modelo tem que mudar no Brasil.
05:48Então, eu uso Itabira hoje para mostrar como eu, prefeito, faltando 15 anos, para o minério
05:55acabar para a exaustão mineral.
05:57Qual que é o grande drama da cidade.
05:59Então, qual que é o grande desafio que fica.
06:02E agora a gente convocou a Vale para participar disso, para a gente criar um case positivo.
06:07E o Brasil precisa, e a MIG luta por isso, precisa de fiscalizar melhor.
06:13Nós precisamos estruturar a Agência Nacional de Mineração, que é desestruturada.
06:17Nós precisamos de um novo Código Minerário Brasileiro, que é de 1967.
06:21É preciso ser totalmente revisado, e que haja uma mais ética na mineração com relação
06:31aos seus territórios, para que haja uma segurança para as próximas gerações.
06:36Então, é preciso que a produção de riqueza minerária, que é um produto não renovável,
06:43que acaba, pense no futuro dos territórios.
06:47É isso que não existe no Brasil, mas tem no Canadá, tem na Austrália, em países desenvolvidos,
06:51a mineração que compete com as mineradoras brasileiras no mercado internacional.
06:56E são competitivas, mas tem um olhar já evoluído sobre a relação com os territórios e com as comunidades.
07:05É isso que a gente quer para o Brasil.
07:07É o que eu sempre falo, deixa o índio lá, o índio quer caminhonete,
07:11quer ser dono do poço de petróleo, igual nos Estados Unidos.
07:14O índio não quer esmola, e é tratado como uma sub-raça.
07:19Então, às vezes eu penso que o Brasil tem esse vício de manter o empobrecimento,
07:28de impedir o desenvolvimento.
07:30É, porque é mais cômodo e o modelo...
07:32Está no meu território, deixa o índio ser milionário, explorar, vender o minério dele.
07:36Mas eu acho que é um modelo de relacionamento que precisa de ser 360 graus.
07:43É o modelo empresarial.
07:44O principal meta e o que tira o sono do empresário, do dirigente das empresas mineradoras
07:53é o resultado econômico, a resposta que ele precisa dar para o acionista.
07:58Mas é preciso de que as empresas que têm a expertise de planejamento, planejem, ajude
08:05a planejar os territórios.
08:06Porque os prefeitos passam a cada quatro anos, a cada oito, a cada período, com políticas
08:12públicas muito dependentes de ações partidárias, de interesses pessoais, interesses partidários,
08:19interesses políticos.
08:20E é preciso de trazer a sociedade para dentro desse projeto, desse programa, desse modelo,
08:27para que se construa legados.
08:29E não dependa só da política e não dependa...
08:32E a empresa tem que participar disso.
08:34Ela não pode só se preocupar com o resultado financeiro da sua companhia.
08:41E caminhando para o encerramento, porque o meu diretor já está bravo, nervoso, prefeito.
08:47Vamos para a política.
08:49Os prefeitos passam, mas passam.
08:51Os governadores, os presidentes, os deputados, todo mundo passa.
08:55Ano político pesado.
08:57O senhor sempre foi um grande articulador.
09:00É hoje uma jovem liderança política.
09:05Número um, o senhor deixa a prefeitura este ano?
09:08Número dois, como o senhor avalia o cenário estadual e nacional?
09:12Olha, eu não deixo a prefeitura este ano, embora tenha sido bastante pressionado ainda,
09:18tenho sido pressionado...
09:19Está sendo cortejado, né?
09:21Muito cortejado.
09:22Muito afim.
09:23Muito, porque eu venho de uma experiência recente na iniciativa pública, né?
09:28Minha história toda é na iniciativa privada, trabalhando como diretor de...
09:34Lá na Fiat.
09:35Lá na Fiat, né?
09:36A vida...
09:37Depois da Semig.
09:38Depois da Semig.
09:39E a minha experiência política tem dado certo.
09:43Fui reeleito com quase 80% dos votos em Itabira.
09:47É o maior...
09:48O melhor resultado histórico de Itabira de uma eleição municipal.
09:54Exatamente fazendo entregas importantes e fazendo gestão pública, né?
09:58Com a minha experiência da gestão privada, com resultados, com entregas.
10:02Mas eu tenho um compromisso de concluir esse projeto.
10:06O projeto Itabira é muito importante.
10:07Para mim, como itabirano, como cidadão e para a cidade.
10:12E eu fui eleito para concluir esse projeto, que é, efetivamente, de buscar evitar o desastre
10:22da exaustão mineral em Itabira.
10:24Então, só fica?
10:25Fico.
10:26Fico, concluir os oito anos, o segundo mandato, e deixar esse resultado, esse trabalho concluído,
10:32preparar essa estrada pavimentada para o pós-mineração.
10:37Esse é o grande desafio que nós temos hoje.
10:39Como o senhor está avaliando a sucessão estadual e o cenário nacional?
10:44Olha, com uma certa preocupação, né?
10:46Porque vejo que esse antagonismo de direita e esquerda precisa de acabar no Brasil.
10:53Tem prejudicado as relações sociais, as relações políticas no nosso país.
10:58Então, torço para que a sociedade entenda um pouco mais, escuta um pouco mais o projeto
11:08de nação, que isso venha à tona, em vez das guerras vazias das redes sociais, a gente
11:14possa discutir o Brasil.
11:16O Brasil, sobretudo na parte do... agora, falando de mineração novamente, o Brasil é a segunda
11:21maior potência geológica do planeta.
11:25Isso nunca entrou numa campanha nacional.
11:27Precisa entrar, porque é muita riqueza que tem nesse país e nós vamos continuar entregando,
11:32fazendo esse entreguismo.
11:33Quer dizer, é a grande oportunidade da soberania nacional com essas terras raras, os minerais
11:39críticos que vão fazer parte da transição energética.
11:43O Trump taxou o Brasil para poder sentar a mesa e negociar os minerais críticos que
11:48estão no solo brasileiro.
11:50As discussões das grandes potências internacionais passam pela transição energética, que é
11:58poder.
11:59É poder e dinheiro.
12:00E o Brasil está... nós temos um solo que é um escândalo geológico.
12:06Então, nós precisamos de usar isso muito bem.
12:08A gente precisa discutir isso, precisa discutir soberania nacional.
12:11E não ficarmos deitados eternamente em berços plenos.
12:14E continuar exportando nossas montanhas, nossa matéria-prima, sem resultado para um país
12:21com essa potência toda.
12:22Minas Gerais.
12:23Está confuso, tem muito candidato, muita gente, vai para lá, vai para cá.
12:27Olha, Carline, eu sinceramente não tenho dificuldade nisso.
12:30Eu torço também para que a gente tenha um próximo governador que realmente tenha uma
12:36visão estratégica, que consiga negociar, que tenha habilidade de negociação sobre essa
12:42dívida bilionária de Minas Gerais, que não deveria ter se o minério de ferro fosse
12:47taxado devidamente.
12:50A lei Candir, por exemplo, exonerou de imposto à exportação.
12:54Todo minério que nós exportamos, a gente não ganha um real.
12:58Então, é uma dívida que não deveria existir, mas eu torço para que haja um governador com
13:04habilidade para negociar, para compor isso.
13:07Porque Minas também é um Estado que define uma eleição federal, uma eleição nacional.
13:14Então, é importante essa composição política e é importante um governador que tenha essa
13:20visão também de gestão e de articulação econômica, política, para que Minas Gerais
13:27realmente volte a ver.
13:27E esses nomes existem na avaliação de João?
13:30Olha, eu não tenho dificuldade para dizer.
13:31Olha, eu torço muito pelo Rodrigo Pacheco.
13:34O senhor é muito amigo dele.
13:35Eu conheço, sou e tenho uma proximidade.
13:37A proximidade não é por amizade, é por conhecer a competência, a capacidade de gestão,
13:43de articulação.
13:44Um mineiro, agora duas vezes presidente do Congresso Nacional, com essa experiência política,
13:51um jurista, conhece profundamente as leis deste país, com articulações internacionais.
13:58Entendo que ele é o mais preparado para uma nova fase, para essa fase que Minas Gerais
14:03vive hoje.
14:04Então, o senhor defende o senador Rodrigo Pacheco como governador.
14:09É o seu candidato.
14:11Vejo com apreensão esse recuo dele, porque acho que ele é o melhor nome para Minas Gerais
14:16nesse momento.
14:16É o melhor nome para realmente virar essa página da crise fiscal do Estado e colocar
14:23Minas de novo no trizo do desenvolvimento.
14:25Marco, muito obrigado pela sua presença aqui no Em Minas, na TV, aqui no portal AI.
14:31Foi uma honra receber.
14:32Eu que te agradeço, Carlinhos.
14:33Volte sempre.
14:34Voltarei.
14:34Obrigado.
14:35Tá aí o menino prefeito Marco Antônio Lages, jovem, dando lições aí para o Brasil.
14:41Vamos prestar atenção.
14:42Tchau, pessoal.
14:42E aí
14:44E aí
14:51E aí
14:53E aí
14:53E aí
14:56Legenda Adriana Zanotto
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