00:00Fala galera, sou Gustavo Loio, setorista de tênis aqui do Lance.
00:04Entrevistamos hoje a dupla gaúcha Rafael Matos e Orlando Luz,
00:08que no domingo ganhou o ATP 250 de Buenos Aires pela primeira vez.
00:12E Rafael Matos, inclusive, aqui no Rio Open vai defender o bicampeonato,
00:17podendo se tornar o primeiro tricampeão da história do torneio, incluindo simples e dupla.
00:22Você confere já já aqui no Lance a entrevista.
00:38O que é o tenista? Menos de 24 horas depois do título em Buenos Aires,
00:41que estão aqui já treinando, como é que é essa correria de tenista?
00:46A rotina é assim mesmo, é uma semana atrás da outra.
00:49A gente joga aí de 30 a 35 torneios por ano, cada um tem a duração de uma semana,
00:54e quando tu vai bem numa semana não dá pra reclamar que é um bom resultado, né?
00:58Então, mas é isso aí, tu viaja às vezes no mesmo dia, o dia seguinte, manhã.
01:02A gente chegou no hotel hoje às 3 da manhã, e hoje a gente já veio aí bater uma bola
01:06pra ver como é que estão as condições.
01:08Dá uma adaptada também pro jogo na quarta.
01:11Mas é assim, a rotina é essa, a gente tá acostumado, às vezes fica um pouco puxado, mas é isso
01:16aí.
01:17Facilita, né, Rolandinho, Buenos Aires é logo ali, né, uma viagem curta, não é isso?
01:22É, a viagem é curta em si, né, mas a gente ficou horas no aeroporto ontem,
01:27voou era às 9, atrasou 2 horas, 2 horas e pouco, aí chega aqui 2 da manhã sem dormir direito,
01:33vai até se instalar, vai tomar um banho, dormir, enfim, pega no sono 4, 4 e meia, é um sono
01:38bem ruim, né?
01:39Tendo duas noites pra dormir, tu acaba dormindo uma só, mas claro, se a gente tá com pouco tempo,
01:44é porque os resultados estão acontecendo, então é, como o Rafa falou, é um problema bom, não dá pra reclamar,
01:50e a gente tá bem feliz com o título, bem feliz com o nosso desempenho esse ano,
01:53esse começo de ano, né, e tamo em fevereiro ainda, e agora é se recuperar pra estraiga.
02:00É uma temporada, né, Rolandinho, os resultados estão excelentes, que eles estão falando, né, por si,
02:05vocês esperavam que tão curto tempo assim, né, desse tão certo assim,
02:09claro, vocês jogaram em outros momentos juntos, mas desse uma química de novo tão rápida assim?
02:14Acho que a química sempre teve, a gente tem uma amizade muito grande fora da quadra,
02:18nossas famílias são amigas, a gente cresceu junto, mas claro, a gente começou a fazer a pré-temporada
02:23pensando a longo prazo, né, dos resultados irem acontecendo, aconteceu um pouco melhor,
02:29acho que a gente pensou, mas não é algo que assusta também,
02:34porque a gente trabalha pra isso, o que tá acontecendo já é um trabalho de longa data,
02:39não quer dizer que o trabalho começou em dezembro, né, o Rafa vinha jogando já em temporadas
02:42muito boas, eu vinha treinando, me destacando nos challenges aí, de vez em quando,
02:45beliscando um ATP, foi só a combinação que encaixou realmente de um jeito muito bom,
02:53e a gente tá bem feliz com os resultados.
02:55Bom, eu vou Orlando Luz, eu vou pro Rafa Matz, campeões lá em Buenos Aires,
02:59mas Rafa, fala sobre a busca pelo Tri, no teu caso aqui é buscar o Tri e com três parceiros
03:05diferentes, foi pro Barrientos, foi pro Marcelo e agora pro Orlando.
03:09É, acho que agora é aproveitar esse bom momento pro Orlando, a gente teve uma boa semana lá
03:14em Buenos Aires, que é saiba também, porque a gente foi um parecido com aqui, lento,
03:17a gente fez uma boa pré-temporada junto em dezembro, um bom torneio na Austrália,
03:21então acho que aproveitar essa sequência pra chegar com essa confiança que ganhar jogos
03:26e do título que dá, pra, desde o primeiro jogo, que já é um jogo duríssimo,
03:31um jogo que a gente jogou a semifinal lá contra eles também, já é pra sair desde o início
03:35do torneio, querendo bastante e com nível lá em cima.
03:40Rafa, pra você, aumenta a pressão ou a confiança ou os dois tentar ser o primeiro tricampeão
03:44aqui do Rio Open?
03:46Ah, eu diria que os dois, né, a confiança de saber que eu sei o caminho,
03:51que eu jogo bem aqui, mas também que tem, né, que tem que defender os pontos e a pressão
03:57da torcida, também tem energia, tem lado positivo e negativo, acho, de todas as situações,
04:01mas, mas é isso, é aproveitar, tentar puxar pro lado positivo, que é a parte da confiança
04:06e jogar com essa onda.
04:08Pra você, Rolandinho, aumenta a pressão de jogar com bicampeão, atual bicampeão aqui
04:12no Rio, com essa torcida a favor, como é que é isso pra você?
04:15Aparentemente, se eu não ganhar o torneio, o problema sou eu, né, então vou ter que pegar
04:19o troféu de qualquer jeito.
04:21Não, a pressão sempre existe, independente se ele tem que defender ou não tem que defender
04:25os pontos, o ano é um ano muito longo, caso a gente não defenda aqui semana que vem,
04:31a gente vai competir de novo, não vai parar o ano, depois tem Indian Wells, depois tem
04:34Miami, depois tem Roland Garros, sabe?
04:36Então, a gente tá pensando a longo prazo, a gente pensa no próximo jogo, mas a longo prazo,
04:40sem atropelar, né, sem pular etapas, não tem nenhum porquê de se botar uma pressão
04:50extra, né, e como ele falou, usar essa confiança que a gente tá tendo, que a gente tá vindo
04:53jogando, usar o público que com certeza vai estar presente aqui, nos empurrando, como
04:58fizeram em Buenos Aires, e curtir, curtir essa onda que a gente tá vivendo.
05:02Aliás, eu ouvi uma resposta do Eduardo de Buenos Aires que chamou muita atenção, disseram
05:06jogos contra argentinos, enfim, ou uma parceria que tivesse algum argentino, e você agradeceu
05:10o público, porque tinha muito brasileiro, né, presente na quadra, digamos assim, jogando
05:14fora de casa.
05:16É, eu comentei e falei lá na entrevista que eu nunca pensei que ia jogar com tantos brasileiros
05:21apoiando na Argentina, né, que tem essa rivalidade, né, Brasil-Argentina, desde sempre,
05:27e a gente jogou numa quadra menor ali, as quartas de final e semifinal, e, cara, era...
05:32As quartas de final era só brasileiro.
05:33Era 80-20, 90-10, sei lá, brasileiro, né, então, e a final, mesmo na quadra central
05:38com o argentino, jogando contra argentinos, se escutavam muito mais brasileiros, e isso
05:43dá muita força nos momentos importantes.
05:45Olha, obrigado, Rafael, também é o Atlântico, é o Atlântico, é o Atlântico, é o Atlântico,
05:48é o Atlântico, é o Atlântico.
05:49Rapaz, só mais uma pergunta, a emoção de voltar aqui, voltar onde você tem tanta história
05:54aqui no torneio, como é que é a emoção, essa emoção de voltar a treinar aqui?
05:58Ah, a gente acabou de fazer o primeiro treino, nas primeiras bolas eu tava batendo, assim,
06:03tava lembrando que a última bola que eu tinha batido aqui foi um ano atrás, não tinha
06:06voltado aqui nesse clube, na cidade, e tava tentando lembrar como que tinha sido a última
06:11bola que eu tinha batido no último ponto lá, eu lembrei só da que o Marcelo matou, não
06:15sei exatamente qual que eu bati, se foi um lob ou uma que eu dei pra dentro, mas tava tentando
06:19lembrar essa logo no início do nosso treino hoje.
06:21Então, deu essas memórias, assim, logo nas primeiras bolas que a gente bateu hoje
06:26no treino.
06:27Uma pergunta pros dois que é o seguinte, jogo da Davis, né, vocês jogaram lá, foi um
06:31jogo difícil, jogo da dupla, e chamou a atenção que os caras buscaram muito o corpo, o jogo
06:37inteiro faz parte, a gente sabe, mas como é que se tem sangue firme na história, ainda
06:41mais num jogo que tava pegado, né, e que era um ponto importante pro Brasil, né, aquele
06:45momento pra ficar na frente?
06:47É, a pressão existe na Davis, independente se tá ganhando 2x0, perdendo 2x0, quando
06:53a gente entra pra jogar dupla, a gente quer o nosso ponto, a gente foi lá da Austrália
06:58pensando nisso, né, total, as condições ali climáticas também diferentes, e a gente
07:03foi só decidido em pegar esse ponto.
07:05Então, assim, no momento que o jogo esquentou ali, e que os caras lá, realmente, a gente tinha
07:11torcida contra o estádio inteiro, tinham poucos brasileiros, fizeram bastante barulho,
07:15mas mesmo assim, era a maioria deles, a gente entende, né, a dupla, principalmente, acaba
07:22jogando um pouco mais no corpo do atleta, e a gente treina o reflexo todos os dias, já
07:26pra não tomar uma bolada, então, acho que é mais normal do que acontecer, às vezes,
07:30num lance na simples.
07:31O cara, dá pra ficar com sempre frio, Rafa?
07:33O que eu queria?
07:35É, foi o que o Orlando falou, na dupla acontece muito isso, né, de que o cara tá bastante
07:39bem perto da rede ali, mas tem que tentar manter, porque às vezes até o cara pode fazer
07:44de propósito pra realmente querer te tirar de jogo alguma coisa, e faz parte, tá no pacote,
07:51tem que ter essa cabeça fria ali no momento, se apoiar um no outro, com o capitão e todo
07:56o time ali pra seguir firme no jogo.
08:00Tchau, tchau.
08:01Tchau, tchau.
08:01Tchau, tchau.
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