00:00...também, né, do machismo, do feminicídio, né, de como homens podem lidar melhor com as suas emoções e não matar
00:08suas companheiras.
00:09Tá bom? Pode ir? Pode ir.
00:12Em premissa com a promotora de justiça, Sara Gama, que é da área de proteção à mulher, né, de combate
00:17à violência doméstica,
00:18que tá aqui hoje também pra sair no Filho Gigante, fruto de uma parceria com o CMJ.
00:24Promotora, como é que a senhora avalia esses dados de mais de 310 medidas protetivas proferidas apenas nos dias de
00:32carnaval para a proteção das mulheres?
00:35Bom, se por um lado a gente tem um dado que impacta, saber que 310 mulheres já necessitaram de amparo
00:44do poder público
00:45pra poder ter a sua liberdade, a sua economidade física preservada, por outro, é bom que a gente saiba que
00:53as instituições estão funcionando, né,
00:55estamos de plantão, Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia, todos nós que compomos a rede, estamos de plantão justamente pra assegurar
01:03que as mulheres tenham respeito durante esse carnaval, que elas possam estar, né, nos lugares que elas quiserem estar.
01:10Nós tivemos ações preventivas, a exemplo da iluminação dos banheiros, que foi uma recomendação que nós fizemos
01:16pra que aqueles locais fossem bem iluminados, evitando assim que as mulheres ficassem ainda mais vulneráveis no momento em que
01:22se afastam
01:23pra ir no sanitário. Enfim, são muitas ações que são feitas na prevenção, mas também no combate.
01:29É um dado difícil a gente saber que realmente ainda existe esse machismo, esse controle,
01:35porque a medida protetiva nada mais é do que uma ação para coibir violências piores, né,
01:42aquela violência que dá o início, ela pode se transformar em um feminicídio e a gente realmente vai fazer o
01:49que?
01:49Depois somente lamentar, não é isso que queremos. Então as instituições estão aí, estão presentes para coibir esse tipo de
01:55violência.
01:56E o que a gente precisa fazer pra mudar essa cultura, pra que os homens aprendam a lidar mais com
02:01seus sentimentos, né,
02:02a maturidade emocional, e não acabem vitimando as suas companheiras.
02:09Pois é, a gente tem, esses dias nós todos estamos impactados com um caso, assim, bastante emblemático que aconteceu em
02:15Goiás,
02:15e onde a gente vê o dispreparo emocional de alguém que não sabe receber um não, né.
02:20Então os homens ainda, infelizmente, trazem-se um sentimento de posse tão grande que eles preferem matar as suas companheiras
02:30e ex-companheiras
02:31do que assumir o fim de um relacionamento.
02:35Para isso nós precisamos mudar muito profundamente a cultura, e que vai de tudo, inclusive das músicas.
02:42recentemente nós trouxemos a baila, uma música que está fazendo sucesso, com a banda Parangolé,
02:48e solicitamos que eles modificassem a letra, porque estimulavam de alguma forma a violência contra a mulher,
02:53e foi muito bem aceita.
02:54Então, assim, nós precisamos conscientizar a sociedade que a violência contra a mulher é um problema de todos nós,
03:00e que cada um pode fazer um pouquinho que seja para transformar essa realidade.
03:05Somente dessa maneira a gente vai conseguir ter algum resultado.
03:07Uma vez eu ouvi falando, assim, que muitos homens acabam matando suas esposas, suas companheiras,
03:13porque, né, na fé cristã se diz, até que a morte os separe.
03:16Como é que essa interpretação precisa ser, como essa expressão precisa ser de fato interpretada?
03:23Exato, mas você vê que é tão duro, tão difícil, que hoje o Anuário Brasileiro de Segurança Pública
03:28já traz estatísticas de homens que, após matarem suas companheiras, se matam também.
03:33Então, para você ver que a questão da religiosidade, ou da própria cultura, o machismo está entranhado em tudo isso.
03:41E é isso que a gente precisa fazer, compreender que esse comportamento que subjulga, que oprime,
03:48ele não é bom nem para os homens, nem para as mulheres.
03:50Mudar essa realidade é um dever de todas as pessoas que fazem parte da sociedade,
03:55que estão em qualquer lugar.
03:57Não é somente uma questão do poder público, mas uma questão que está dentro das casas de todas as pessoas.
04:03Tá certo, então. Obrigada, diretora.
04:06Obrigada.
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